Daqueles dias...

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"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor."
Fernando Pessoa
"E as areias cobrem tudo, a minha vida, a minha prosa, a minha eternidade.
Levo comigo a consciência da derrota como um pendão de vitória."
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
"Eu sei que algures, mais adiante na minha vida, hei-de encontrar quem esteja em casa à minha espera quando eu chegar. Sim, eu sei, está escrito, é sempre assim. Mas era agora que eu queria não sentir este vazio, não te sentir tão distante, tão longe do deserto. Queria só dar um sentido à nossa viagem. Já sei, já sei que nada dura para sempre - só as montanhas e os rios, meu sábio. Mas o que fomos nós um para o outro: apenas companheiros ocasionais de viagem? Com o tempo contado, com tudo previamente estabelecido e com prazo de validade previsto à partida? Foi só isso, diz-me, foi só isso o nosso encontro? Não ficou mais nada lá atrás, não deixámos nada de nós os dois no deserto que atravessamos?"
No Teu Deserto, Miguel Sousa Tavares, p. 111
Penso no Breaking Dawn 1 e lembro-me do que a Alice diz à Bella: "What did I tell you about beauty sleep?".
Meu deus, parece que acordo sempre num estado pior do que quando adormeço.
"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida."
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, p. 559

"Sou um poço de gestos que nem em mim se esboçaram todos, de palavras que nem pensei pondo curvas nos meus lábios, de sonhos que me esqueci de sonhar até ao fim."
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, p.63
"Pelos blogs, acho eu, sinceramente, cria-se uma espécie de laços. Há pessoas que nos acompanham durante demasiado tempo para que possamos ignorar que já sabem muito de nós. Há uma cumplicidade, até, que se escora nos comentários, no conforto de saber que há quem nos apoie e torça por nós em momentos difíceis, quase sempre sem cobrar-nos mais explicações que as que damos, e em sabermos que ficam felizes, contentes, vá, quando uma coisa nos corre bem. É talvez por isso que gosto tanto de ter um blog."
Sigo inúmeros blogs e em mais de metade deles nunca deixei um comentário. E qual não foi o meu espanto quando, um dia destes, me apercebi que um dos blogs que sigo há mais tempo não os permite. E tal fez-me pensar.
Não aceitar comentários dá-nos muito mais liberdade de escrita - não temos de nos chatear com o que os outros acham ou deixam de achar, nem de responder a provocações ou a comentários repletos de ironia; em suma, poupamos chatices e dores de cabeça (e tal tenta-me imenso). Mas, por outro lado, estamos a cortar horizontes e a impedir-nos de ver outras perspectivas. Na minha opinião, há coisas que é muito difícil mudar, sendo que a opinião das pessoas em relação a muitos assuntos é uma delas - por muito que argumentemos, nada é preto no branco, e inúmeras opiniões são viáveis sendo que provar que a nossa é a certa é um assunto sério. Acaba por (quase) nunca valer a pena. Mas ajuda à construção de opiniões, permite um alcance alargado sobre aquilo que podemos saber e receber dos nossos leitores, e – no meu caso – receber um feedback que se revela muito importante.
Quanto a isso, deixo também um excerto de uma crónica de José Luís Peixoto, de fevereiro de 2012: “Vocês foram chegando devagar, foram entrando e quero que saibam que, hoje, são parte da minha família. Penso em vocês entre aquilo que me é mais valioso e, sem explicação, sinto saudades vossas de repente. Muitas vezes, sinto o toque do sol, tão suave, e sorrio ao lembrar-me que vou partilhar esse bem-estar convosco. Sinto-me muito grato pela companhia que me fazem. Convosco, nunca estou sozinho.”
Não posso deixar de fazer das palavras dele, as minhas.
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