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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

26
Out23

Chávena de Letras: "Talvez Devesses Falar com Alguém"

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Este livro levantou-me, de novo, um problema com os audiobooks: há partes que eu gosto tanto, tanto que tenho pena de não conseguir sublinhar, apontar, rabiscar e levar comigo para a vida.

Para alguém que, como eu, é seguido há dois anos por um terapeuta e conhece os métodos e os meandros deste mundo, acho que este livro consegue ser ainda melhor do que para as outras pessoas que nunca tiveram esta experiência. Como é que o terapeuta nos vê, a nós, enquanto pacientes? Como é que se depuram as tantas coisas más que eles ouvem, como é que se lida com tamanha tristeza dos outros? É algo que me questiono com frequência e que Lori Gottlieb descreve um pouquinho ao longo destes capítulos.

No livro ela retrata alguns pacientes com quem lidou mas, acima de tudo, fala sobre si própria - como lidar com os outros quando nós próprios temos problemas. E não somos todos assim - mesmo quando a nossa profissão não implica ouvir nem tentar ajudar a resolver problemas alheios?

Ver o ponto de vista de um terapeuta a fazer terapia é muito interessante. Gostei imenso deste livro e aconselho-o a todos - quer sejam ou não novos neste mundo, quer achem que precisam de ajuda, quer não.

07
Out23

Chávena de Letras: "Onde cantam os grilos"

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Estou muito, muito contente por ter encontrado uma autora portuguesa cuja escrita eu tenha realmente gostado. Maria Isaac não escreve só bem; tem uma escrita desempoeirada, comum mas bonita; é uma escrita com os pés assentes na terra, humilde sem ser vulgar. Sinto que é raro conseguir envolver-me e relacionar-me com autores nativos de Portugal por acharem (quase) sempre que têm de redigir de forma pomposa e palavras caras para provarem o seu valor e conhecimentos. Adorei que a história decorresse numa família portuguesa, numa vila portuguesa, com personagens com nomes portugueses; gostei imenso do retratar das várias personagens, desde a forma de falar das pessoas com menos instrução, passando pela clara distinção de classes, tão típica na nossa sociedade mas retratada de uma forma muito real e não-destrutiva ou crítica (o que é raro, tão raro!). Sinto que tudo faz sentido, que é de uma fluidez tal que parece impossível aquilo não ser uma história real. E isso, penso eu, é dos maiores elogios que se podem dar a um autor.

Porquê as quatro estrelas? Porque a narrativa foi a única coisa que não adorei. Já sabíamos, através de vários avisos que se vai lendo ao longo do livro, que alguma coisa não vai correr muito bem na história dos Vaz; mas depois de tanta tensão e de construir todo um mundo à volta da herdade e seus protagonistas, senti que o final foi apressado e abrupto. O fim, que para mim foi surpreendente, podia até ser o mesmo - mas faltou-lhe uma rampa de lançamento final para ser perfeito. O que, ainda assim, não tira o mérito a Maria Isaac, cujos próximos livros irei ler com toda a certeza.

Ah, não esquecendo: bonito título, linda capa!

14
Set23

Chávena de Letras: "O que procuras está na biblioteca"

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Confesso que não consigo perceber a classificação média de 4 estrelas a este livro no Goodreads. Atenção: o livro não é péssimo. Seria óptimo se fosse para crianças ou pré-adolescestes. Sendo para adultos, acho-o com uma linguagem extremamente básica, com estruturas frásicas dignas de primeiro ciclo e com lições de moral simples. São frases e parágrafos curtos, ideias básicas, onde há pouco por onde puxar da concentração ou pelo vocabulário - não sei até que ponto a tradução do japonês poderá ter culpa, mas a verdade é que achei um livro superficial em todos os níveis.

Tratam-se de cinco short-stories cuja premissa é sempre a mesma: alguém, num determinado contexto, precisa de ajuda - e, de uma forma ou de outra, acabam na biblioteca municipal, nas mãos da bibliotecária e sua assistente, que de uma forma quase milagrosa lhes dão a conhecer livros que lhes abrem horizontes e permitem uma mudança de vida ou mentalidade. A ideia é gira, mas repetitiva - não era necessário que, em todos os contos, fossem sempre mencionadas as características físicas das personagens ou a descrição dos espaços. O local principal de todas as narrativas assim como as suas personagens são comuns a todas as histórias, sendo que alguns dos sujeitos principais das histórias se ligam de uns contos para os outros, o que é giro, mas não é suficiente.

A capa é muito gira e a ideia de se passar no Japão atraiu-me (quero sempre voltar aos sítios onde fui feliz), mas as expectativas não foram correspondidas.

26
Jul23

Chávena de Letras: "A Sombra do que fomos"

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Ainda não tenho a certeza se gosto ou não de Sepúlveda. Por um lado sinto-me atraída pela sua escrita, por outro não me agradam nunca os temas sobre a qual escreve - ou, pelo menos, a forma como os aborda. Esta leitura foi impulsionada pelo tamanho do livro - pequeno, perdido numa estante, ideal para pôr na mochila e levar para ler onde fosse necessário.

Este livro tem uma perspectiva interessante sobre o comunismo - um olhar sobre passado, saudosista, mas já manchado pela realidade dos acontecimentos que toldaram o sonho de tantos. Mas dirá muito mais aos sul americanos do que a nós, com muitas referências que nos passam ao lado por não fazerem parte da nossa história (a menos que sejamos especialistas no tema). Isto faz com que a capacidade de nos relacionarmos seja mais pequena, fazendo-nos perder aos poucos o interesse pela história, pois todos os relatos daqueles homens implicam um contexto que nos passa ao lado.

Vale por um par de histórias engraçadas que ilustram bem o comunismo e pela escrita do Sepúlveda. Não gostei da narrativa.

19
Mai23

Chávena de Letras: "All Aboard Family"

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Comprei este livro online, sem nunca o ter folheado; sigo há relativamente pouco tempo esta família e achei que o livro "viajaria" por alguns destinos que tinha na minha lista a curto prazo, pelo que achei que seria uma boa ajuda e que poderia seguir de guia. Não aconteceu.

A qualidade física da edição é evidente, entre papel e capa. Mas mal abri o livro e olhei para a fonte escolhida (e o tamanho e o espaçamento), não gostei do que vi; o meu primeiro pensamento, ainda que um pouco exagerado, foi que se parecia a um livro de crianças.

Não costumo ler livros sobre viagens (sejam crónicas ou relatos simples) - embora seja um estilo que aprecie e que tendo a fazer muito -, mas infelizmente não acho que este seja um bom exemplo. Primeiro porque, sendo um livro, esperava relatos extensos, descritivos, que acrescentassem algo; percebo que nas redes sociais não haja espaço para grandes escritos (nem paciência dos leitores) mas, com um livro, a predisposição é diferente - e, na minha perspectiva, era exigido mais. Nesta obra tudo fica pela rama. Faltam coisas simples - em que hotel ficaram, qual é o nome do santuário de elefantes a que foram, qual é a moeda usada em cada país, etc. Tanta coisa...

Para além disso, falta edição. É gritante a ausência da mão de um editor. Apontei uma frase como exemplo: " Numa pausa rápida para almoço, tínhamos um buffet com banana assado, vários tipos de arroz, vários tipos de carnes e peixes e vários tipos de molhos". Vários de vários de vários. Repetições constantes. Escrita muito pouco coloquial (com o uso excessivo da palavra "coisas", por exemplo - uma muleta que é muito usada na oralidade, mas que num livro devia ser poupada) e falhas ao nível da pontuação.

Acredito que esta família tenha muito para contar - e é óbvio que, com filhos às costas e um doente renal, são uma fonte de inspiração para muita gente, que faz de pequenos pormenores autênticos obstáculos, quando não tem de ser assim. Mas um livro não é um post no Instagram ou num blog; um livro pede mais. Ou, pelo menos, devia.

30
Abr23

E tu, já reclamaste do IVA hoje?

Não me considero reacionária ou contestatária por natureza; sou participativa e acho muito importante sê-lo, politicamente, para a saúde de qualquer país - mas também percebo quem não o faz, porque às vezes não há tempo e muito menos paciência para os joguinhos de que somos alvo (enquanto povo), não tendo outra alternativa senão estar constantemente a pensar mais além para perceber segundas (e terceiras e quartas e quintas) intenções e ler por entrelinhas as artimanhas em que aparentemente todos os políticos estão metidos. Não estou satisfeita com o estado em que vivemos mas não me queixo muito porque, honestamente, não tenho nenhuma sugestão melhor para dar; as eleições nunca caem para o lado que eu quero, mas tendo em conta que o respeito pela escolha do povo de uma nação é a base da democracia, deixo-me seguir e ir lidando com aquilo que, no meu ponto de vista, os outros mal escolheram. Isto para dizer que nunca fui a uma manifestação, nunca fiz greve (esta tinha graça!) nem parte de um protesto coletivo, mas que sempre fui votar e que em meios mais privados não deixo de dar a minha opinião (às vezes de uma forma demasiado aguerrida).

Mas passemos ao tema em concreto: confesso que quando Espanha baixou o IVA em alguns produtos eu achei uma boa ideia. E é, se fôssemos todos pessoas decentes e com boas bases, como aquelas que descrevi num texto que aqui deixei há dias. Mal se começou a aprofundar a ideia em Portugal eu vi logo que ia dar asneira e dei a mão à palmatória sobre as vezes em que, em algumas discussões, achei que esta seria uma boa medida. 

Entretanto a lei entrou em vigor. E eu repito que disse: não sou contestatária, mas sou participativa. E, acima de tudo, gosto muito de ser coerente - e de ver coerência. E transparência. E se eu tento sempre apoiar os pequenos negócios - porque eu própria tenho um -, esta medida veio mostrar a podridão em que a sociedade se encontra, dos grandes aos pequenos negociantes. Acho que os supermercados têm uma margem menor para trafulhices neste campo, porque o seu peso obriga a que as instituições responsáveis estejam de olho bem aberto para apregoar que aquilo que o governo decreta está a ser bem feito; mas nos pequenos negócios - padarias, mercearias e etc., o cheiro a podre sente-se de longe. 

Numa semana fiz duas reclamações - numa delas, ainda dei uma aula de matemática para explicar como se deviam fazer as contas ao preço de uma regueifa. Se caiu em saco roto? Certamente. Se eu senti que tinha de o fazer? Também. Porque comigo as cantigas que tenho ouvido não me enchem os ouvidos: "veja aqui no talão como diz «produto com isenção de IVA» ", "ah, mas o preço das coisas é que aumentou, isto não fica nada é para mim" e "o patrão disse que não valia a pena baixar o preço das carcaças, também é só um cêntimo...". 

Quando às vezes dizem que Portugal devia ser como a França, que sai em peso para a rua, causa motins e se faz ouvir a toda a força, eu não concordo. A pasmaceira deste cantinho à beira-mar plantado faz parte da nossa beleza e, acima de tudo, da segurança que sentimos quando pomos um pé fora de casa. E eu acredito que há ferramentas para nos fazermos ouvir - tanto aquelas previstas pela lei como algo tão simples como chamar o gerente da loja e explicar, educadamente, que não temos a palavra "burro" escrita na testa. Mas sei que não as usamos porque sentimos sempre que não vai valer a pena. Não vale a pena o tempo que perdemos, não vale a pena a revolta que sentimos no peito e aquela sensação que nos acompanha e potencialmente nos estraga o resto do dia.

E é por isso que eu, com 28 anos e à frente de uma empresa (e, por isso, obrigação de saber como funciona o IVA e de fazer as contas), sinto-me na obrigação moral de reclamar. Primeiro por ser nova, ter sangue na guelra e paciência, tempo e disposição para me chatear caso chegue a esse ponto; segundo por saber do que falo e poder fazer as contas à frente de quem me contestar. Este post serve como incentivo e pedido para fazerem o mesmo - para que, com 25, 50 ou 70 anos, se predisporem também a deixar um recado verbal ou uma nota no livro de reclamações; a informarem-se sobre o funcionamento basilar da nossa economia, porque vai certamente afetar o vosso bolso. Eu acredito que se formos muitos a sermos vocais sobre a nossa insatisfação e a demonstrar que sabemos do que falamos, alguma coisa há-de mudar. A união faz a força - mas não tem de ser na rua, nem tem de ser à força.

Acima de tudo, aquilo que eu sinto neste caso em particular não é só a nossa típica inércia às injustiças de que somos alvo, mas também falta de capacidade para perceber que estamos a ser enganados. Falta-nos literacia económica e financeira que possa alavancar bons e válidos argumentos. O IVA, o IRS e o funcionamento do estado em geral deviam ser algo ensinado nas escolas básicas - e como não o é, a maioria das pessoas fica-se pelo mero conhecimento da sigla. Acho que tudo isto é uma boa desculpa para pesquisarmos e percebermos o funcionamento das coisas - e, depois, predispormo-nos a ajudar na aplicação da lei. Porque isto, como quase tudo, sai do nosso bolso - e, como diz o ditado, "grão a grão enche a galinha o papo"; mas à mesma velocidade o nosso se esvazia. (E acreditem que o patrão da cadeia "O Molete", que diz que "não vale a pena baixar o preço da carcaça porque é só um cêntimo", está com o papo bem recheado).

Acho que o slogan do Compal Essencial, quando surgiu na televisão, atravessou gerações: "e tu, já comeste fruta hoje?". Apliquem-no ao IVA também. Façam as contas. Reclamem. No limite, se não o fizerem com a esperança de mudar alguma coisa, façam-no para demonstrar que neste jogo do Quem é Quem, não somos nós que temos "burro" escrito na testa, mas que facilmente damos a pista para que os outros descubram a sua: "ladrões".

26
Abr23

Chávena de Letras: "O Caso Alaska Sanders"

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O Dicker está, sem dúvida, no meu top 5 de autores favoritos. A capacidade de nos fazer virar a página com leveza e voracidade é simplesmente notável, e distingue-o dos restantes - embora tenha muitas outras características que o tornam muito bom, como a construção de um enredo profundo, capaz de dar 31 voltas e acabar mesmo assim numa direção diferente daquela que esperávamos.

Gostei muito deste livro - mas foi mais um do Dicker. Muito bom no universo dos livros, mas bom no universo Dicker. É o problema de ter a fasquia alta - ultrapassa-la fica cada vez mais difícil. Achei "O Caso Alaska Sanders" demasiado longo; tenho medo que o autor esteja um bocadinho "viciado" em livros extensos, quando isso não os torna melhores. Não sei o que vem a seguir (o fim já antevê mais um livro...), mas assim de repente lembro-me de uns três tópicos que foram explorados na obra - e que "gastaram" páginas - que não contribuíram nada para a narrativa... Percebo que para tornar as personagens menos superficiais seja necessário dar-lhes contexto e que para tantas reviravoltas na história seja necessário espaço e tempo, mas confesso que se pode tornar cansativo.

Gostava que o próximo livro fosse mais curto mas que não perdesse o fator wow - sem nunca descurar aquilo que mais gosto no Dicker, que é a leitura rápida. Veremos o que vem a seguir. Curto ou longo, estarei cá para ler.

17
Abr23

Chávena de Letras: "Verity"

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Wow, que viagem foi esta? Este foi o primeiro livro da Colleen Hoover que li e sei que não será o último. Não que o tenha adorado - na verdade, creio que me deu alguns pesadelos à noite - mas tem a característica que mais gosto numa obra/num autor: é um page turner incrível. Houve alturas em que até fiquei tonta - talvez porque me esquecia de respirar, tal a voracidade para chegar ao fim da história. É um livro que se sorve num só trago; faz de nós criaturas insaciáveis pelo final.

O que não faz dele perfeito - pelo contrário. Há falhas típicas aqui, e até parece que não somos os únicos a querer saber o fim da história - a própria autora precipitou-se em alguns momentos, parecendo que também ela queria acabar de escrever para perceber onde as palavras a levavam. A construção das personagens tem lacunas - a evolução da relação entre os dois protagonistas é abrupta e rápida demais, e isto vai além da percepção - do nada, por exemplo, o Jeremy já trata a Lowen por um diminutivo como se se conhecessem há meses... e nem sequer é feita uma menção a isso, um pensamento qualquer onde isso seja posto em causa... é simplesmente interpretado como normal. A própria aproximação física é estranha, não acontece na realidade - pelo menos não na realidade que eu conheço. Já para não falar de uma sequência de acontecimentos pouco prováveis - mas que se perdoam por isto não ser a vida real (e ainda bem!) - e de uma certa previsibilidade da narrativa, o que mesmo assim não tira o ímpeto de continuarmos a ler.

Mas a ideia por detrás da história é boa - macabra, mas boa - e deixa-nos em eterna dúvida. É capaz de ser a primeira vez que leio um livro cujo final é fechado... mas que, mesmo assim, não fecha nada em concreto, o que é um twist engraçado.

Estou curiosa para ler outra faceta da Colleen em breve.

03
Abr23

Séries de Bicicleta: "As Leis de Lidia Pöet"

Uma das muitas ideias que tinha para me forçar a escrever mais por aqui - embora hoje em dia cerca de 80% das mesmas caiam no esquecimento ou se percam no frenesim dos dias - era uma rubrica chamada "Séries de Bicicleta". Em que é que consistia? Em comentar e avaliar as séries que vejo quando estou a fazer cycling - praticamente o único tempo que, aos dias de hoje, dedico a conteúdos televisivos e cinematográficos.

Os meses foram passando, as séries e os documentários acabando, eu nunca escrevia nada e acabei por deixar cair a ideia. Apesar de ver muita coisa - principalmente quando ando numa de documentários, que são mais curtos -, o ditado aplica-se bem neste caso: "quantidade não é qualidade". Porque a verdade é esta: quando estou em cima da bicicleta não tenho paciência para coisas muito profundas, preciso acima de tudo de algo que me distraia do esforço em que estou. A experiência (a brincar, a brincar já faço isto diariamente há ano e meio!) levou-me a impôr uma regra a mim própria: as séries que vejo enquanto faço cycling são exclusivas daquele poiso - não posso vê-las no sofá, refastelada, por exemplo. Isto porque escolho normalmente os conteúdos a dedo, sabendo aquilo que puxa por mim; já sei o que me dá vontade de subir para a bicicleta só para saber o que vai acontecer a seguir e de continuar a pedalar mais um bocadinho para poder terminar um episódio. É, no fundo, uma motivação.

Descobri nos reality shows da Netflix a receita perfeita para estes minutos de tortura (ui, perdão: exercício), principalmente no "Love is Blind". Mas vou procurando outras coisas entre temporadas e escandaleiras - e o programa que hoje trago foi um desses casos - é uma série boa, nada ao estilo habitual desta pseudo-rubrica que nunca chegou a nascer, mas que serviu para finalmente quebrar o enguiço e escrever sobre algo que ando a ver enquanto suo as estopinhas.

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A série chama-se "As Leis de Lidia Pöet", passa-se entre o século XIX e XX e retrata uma jovem aspirante a advogada - mas que, por ser mulher, vê a sua ambição ser consecutivamente vedada a um mundo que, à época, era exclusiva do sexo masculino. É uma série de crime, onde em cada episódio é resolvido um homicídio graças à sua perspicácia, improviso, capacidade de luta e de dar a volta ao texto. 

É uma série muito gira e dinâmica, uma espécie de crossover entre CSI da época e Castle, mas com uma componente histórica que está bem desenhada e retratada, com cenários bonitos e fatos trabalhados, que trazem muito valor acrescentado aos episódios. A parte melhor é que, de facto, Lidia Pöet existiu - e foi a primeira advogada italiana a fazer parte da Ordem dos Advogados desse país. É lógico que todos os casos retratados e até a história familiar e amorosa da personagem estão trabalhados para dar mais sumo à história, mas o facto de se trazer à baila aos canais mainstream (mais) um nome que lutou pela emancipação das mulheres é tudo de positivo.

Infelizmente a série é curtinha, tem apenas seis episódios, e por isso sabe a pouco. Aguardo para que seja renovada para dar mais umas pedaladas enquanto me encanto com os diálogos em italiano e uma boa série de investigação light.

30
Mar23

Chávena de Letras: "Mãe, Doce Mar"

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Li este livro rapidamente na tentativa de não esmorecer a leitura, pois rapidamente me apercebi que o estilo de escrita não era o meu favorito. Já tinha lido João Pinto Coelho, mas se a memória não me falha, nem o "Perguntem a Sarah Gross" (que adorei)  nem "Os Loucos da Rua Mazur" (gostei menos) tinham uma escrita tão poética como este "Mãe, Doce Mar". Aqui, tinha muitas vezes de reler a frases para entender o seu significado; sinto que, principalmente no início da obra a articulação das frases era rebuscada, tornando até a compreensão da história um pouco mais difícil. Um exemplo:

 

"Fora o mar que me arrastara e cercara a toda a volta, mas deixando à tona de água até as certezas mais firmes, agora cascas de noz à deriva no oceano. Podia dizer o mesmo daquele pedaço de terra para onde Catherine me levara. Era a ilha do tesouro ou o meu cesto de gávea, esse posto de vigia de onde eu me observava, com a distância que falta aos marinheiros de água doce."

 

Senti isto na primeira metade do livro. Não sei se foi por me habituar, mas na segunda tudo fluiu muito melhor - menos paragens para reler, mais cadência na narrativa e, consequentemente, mais vontade de continuar a leitura.

E a verdade é uma: que história bonita. Triste, mas bonita. As personagens são bem desenvolvidas, com uma história de fundo que justifica os seus comportamentos e forma de estar, tornando tudo muito coerente. Não adoro a forma como a história está construída, com muitas analepses em diferentes tempos, mas sei que só assim se consegue entregar o final que o autor pretende. João Pinto Coelho é sempre um autor para manter debaixo de olho.

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