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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

04
Jul15

Miúda de 95 36#

O intervalo noturno do canal Panda

 

Eu já fui uma sortuda por ter televisão quando era miúda (os meus pais não podem dizer o mesmo) e de ter, como é óbvio, o Canal Panda para me fazer companhia. Era isso e as cassetes em espanhol, com os filmes da Disney e etc (que não gostava tanto porque, já na altura, me deprimiam com aquelas histórias tristes). Nada comparado com o que há hoje, como é óbvio - agora há Disney Channel 1 e 2, o Panda normal, o Panda Biggs, o Cartoon Network com dobragem em português, o Baby First e devem haver tantos outros que me estou a esquecer. 

Na minha altura era só o Panda e a RTP2 e não era durante vinte e quatro horas por dia, como se vê agora. A RTP2 era de manhã (como ainda penso que é), o Panda era só durante o dia. Chegava a uma hora da noite (se calhar era mesmo à meia-noite) que fechava a loja e a aparecia uma imagem horrível, a dizer que só voltavam amanhã; mesmo como quem diz "vá, vão para a cama que já são horas de dormir e já estamos fartos de vos aturar". Era triste, principalmente se não conseguíamos adormecer e nos aparecia aquela imagem do demónio.

Eu não gostava, porque era escura e parada, mas conheço muito boa gente que tinha horror àquilo. Tinham mesmo medo! Ainda por cima ouvia-se um panda a dormir e a ressonar. Ou seja, à noite, com tudo escuro, aquela imagem e aquele som... eram mesmo razões para fugir. Ou trocar de canal num ápice, mas correndo o risco de apanhar coisas ainda piores pelo caminho.

Enfim, a verdade é que muitos dos pesadelos das crianças da minha geração deveram-se a esta imagem de fim de emissão. As crianças de hoje em dia não sabem o que nós sofremos com isto.

 

 

17
Mai15

Miúda de 95 35#

O jogo de casa da avó

 

Quando era pequena passava um dia por semana em casa dos meus avós. Era a minha avó que ficava comigo e com quem eu brincava. Apesar de não ter grandes recordações disso, há coisas que me lembro com um carinho imenso - principalmente agora, que ela já cá não está. Olhando para trás, e apesar da diferença de idades brutal que havia entre nós, ela tinha imensa paciência para mim. Lia-me histórias, mostrava-me as flores e, acima de tudo, dava-me uma liberdade imensa de descobrir aquela casa cheia de esconderijos giros.

Suponho que deva ter sido numa dessas expedições que descobri o brinquedo mais simples de sempre - e, talvez por isso, o meu preferido. Consistia em conseguir meter todas as bolinhas dentro de uma "baleia", que estavam dentro de água - para isso tinha de se clicar num botão, que injetava ar e fazia com que as bolinhas de mexessem - e umas entrassem para a baleia e outras saíssem. No fundo, um jogo de paciência.

Sei que aquele jogo não foi originalmente comprado para mim, mas acabei por ser eu a traze-lo para casa para recordação. Enquanto fazia as mudanças de um quarto para o outro, dei de caras com ele e bateu a saudade. Já não funciona (estraguei-o com a curiosidade de perceber como funcionava, daí a fita-cola) mas ainda não o consegui deitar fora. As coisas mais simples são as melhores.

 

IMG_20150322_171319.jpg

10
Mai15

Miúda de 95 34#

A lição número 100

 

No segundo ciclo tive uma professora de português um bocadinho amalucada mas que, ainda hoje, recordo com saudade. Quando saía das aulas perguntavam-me sempre "então, o quê que aprendeste?" e eu não sabia responder. Na prática, parecia que não aprendia nada, mas no fundo sentia sempre que aprendia alguma coisa naquelas aulas meio abstractas.

Todos os dias ela nos dizia a mesma coisa. "Meninos, qual a última aula cujo sumário está escrito?", e assim iniciávamos. Mas havia uma aula que era especial - em português, matemática ou em qualquer outra em que abríssemos a "lição". Era, claro, a aula número 100! Lá para a aula 52 já estávamos a pensar na festa que íamos fazer na aula número 100 - se trazíamos bolos e fazíamos um lanche, se íamos jogar lá para fora (é claro que os rapazes votavam nesta, só queria jogar à bola) ou, caso a professora fosse mais careta, ficaríamos a fazer sopas de letras da dica da semana - o que sempre era melhor do que fazer contas ou exercícios.

No fim, lançávamos todos os foguetes antes da festa. Muitas vezes, sob desculpa de "temos muito trabalho para fazer" ou "o teste é já na próxima aula", a aula número 100 era igual a todas as outras. Aproveitavam-se, pelo menos, todos aqueles dias de pura expectativa e planos super-hiper-ri-fixes que nunca chegavam a acontecer!

18
Abr15

Miúda de 95 33#

Os cromos do Bollycao

 

Se agora passo a minha vida a olhar para os rótulos das coisas, a ver os açúcares, a evitar jantar coisas pesadas e a ter outros cuidados do género, quando era mais nova era exatamente o oposto (e era rechonchudinha também por isso). Ele eram pastéis de nata, bolachas, chocolates, croissants, madalenas e... bollycaos. Não queiram saber a quantidade absurda daqueles pães meios-secos que eu comia por dia, que até tenho vergonha! 

E não sei se ainda hoje se mantém a prática mas, na altura, (quando ainda não havia 30 espécies de bollycao diferentes) ofereciam sempre qualquer coisa: ora um tazzo, ora um cromo, ora outra porcaria qualquer. Eu colecionava tudo, como é óbvio - à quantidade que comia, outra coisa não seria de esperar. E uma das coisas que mais me ficou na memória foi uma caderneta de cromos com cãezinhos fofinhos - em cada pacote saía um cromo e na compra daqueles packs de meia-dúzia de bollycaos trazia-se a caderneta para casa. Alguém teve?

img_220092231_1390051823_l.jpg

(há uns meses passei na zona das bolachas de um supermercado e, quando os meus olhos bateram nos bollycaos, trouxe um para casa para matar saudades. resultado: dei uma dentada, achei horrível, deitei-o fora. como é que eu consegui gostar daquele pão recesso e daquele chocolate terrível?)

12
Abr15

Miúda de 95 32#

As camas pinchonas da Oura

 

Sempre que vou ao Algarve lembro-me de uns trinta textos para esta rubrica - é a região que mais memórias felizes me traz. Lembro-me de tantas e tão pequeninas coisas que acho que quase poderia passar o resto da minha vida a escrever sobre isso - desde o cheiro a pão quente de um determinado supermercado até às pastilhas elásticas em tubo que só se vendiam lá.

Mas uma coisa que não falha e que eu me lembro sempre, sempre, sempre que lá vou são as "camas pinchonas". Isto era o que eu chamava, quando tinha uns oito ou dez anos, a uma espécie de complexo de camas elásticas e outros divertimentos que estavam na rua da Oura, em Albufeira. De um lado tinha um conjunto de dez trampolins, separados por colchões e com números estampados na rede; no meio existiam umas bolas que giravam sobre elas mesmas e onde as pessoas se sentavam no centro, para rodarem num sem-fim de voltas e saírem de lá a virar o barco; no outro lado estava uma espécie de grua com uma bola presa por dois elásticos - as pessoas sentavam-se dentro da bola e depois os elásticos eram puxados, de modo a que a bola subisse e descesse a uma velocidade alucinante, ao mesmo tempo que rodava sobre si mesma. Uma coisa digna de festa popular, mas em bom. 

É claro que eu me mantinha afastada dessas bolas terríveis, mas as "camas pinchonas" eram a minha loucura. Eu organizava, literalmente, excursões até lá, só para poder saltar durante quinze minutos. Levava os primos, os amigos, os irmãos - quem quisesse podia vir saltar para uma cama vizinha, desde que eu também saltasse. E eu não fazia mais nada - havia muitos malucos a dar mortais, voltas e voltinhas, mas eu só desfrutava daqueles momentos em que a força da gravidade parecia não se lembrar de mim. Desde nova que sou uma control freak, que gosto de ter mão sobre tudo na minha vida, e aqueles minutinhos já eram, na altura, o meu escape. Saltar, deixar-me ir, cair e voltar a levantar-me. Era a melhor parte do meu dia, das minhas férias. 

Mas, de um ano para o outro, esse conjunto de diversões desapareceram do mapa. A rua da Oura ficou muito mais triste a partir desse dia. E ainda hoje, sempre que lá passo, me lembro do quanto fui feliz naqueles pedacinhos de rede elástica.

28
Mar15

Miúda de 95 31#

O Euro 2004

 

Em fim-de-semana de jogo de seleção, e depois de cinco dias em que se tem falado muito de futebol e da equipa nacional, deram-me as saudades do Euro 2004. Foi a única vez em que vibrei realmente com a seleção: que pintei o cabelo de vermelho e verde com latas dos chineses, que fiquei colada à televisão, que vi os portugueses realmente unidos. E que acho que nunca, nunca mais se vai repetir.

Penso que se falar do Euro2004 aos meus sobrinhos, eles encolhem os ombros e deixam para lá. Um bocadinho como eu e a Expo98 (com a diferença que eu na altura já era nascida mas não me lembro de nada) - agora sei que foi um evento que marcou um ano e a vida de imensas pessoas. Tenho a sensação que toda a gente deste país foi a Lisboa nesse ano e é algo de que toda a gente fala e se lembra.

Se para muita gente a Expo98 foi um marco, para mim foi o Euro2004. Tinha 9 anos, mas vi tudo com imensa atenção e relembro-o com imensa saudade. As bandeiras em todas as janelas, os novos estádios, o país cheio de gente para ver os jogos. Atrevo-me a dizer que foi a maior mobilização que vi em Portugal. Lembro-me perfeitamente de ver avisos de cadeias de supermercados porque iam fechar à hora do jogo (por volta das cinco da tarde) para que todos pudéssemos apoiar a equipa nacional! Foi a loucura! 

Foi também o ano com melhores anúncios na televisão, com mais união entre família e amigos (e sim, o futebol tem essa capacidade de juntar as pessoas e de as fazer conviver), com uma esperança boa que corria no ar, de que tudo ia correr pelo melhor. Acreditamos até ao fim, apesar de no final não termos ganho (se pensarmos bem, era um prenúncio de todo o mal que vinha na próxima década). Mas ainda hoje, quando ouço "marca mais, corre mais, menos ais, menos ais, menos ais, quero muito mais!", fico com pele de galinha. 

 

 

22
Mar15

Miúda de 95 30#

Os sortidos

 

Eu sei que aquilo de que vou falar não é uma coisa antiga, que ainda existe ao alcance de (quase) todos em qualquer supermercado. Mas, para mim, é um sabor de infância.

Tenho a sensação de que todas as famílias tinham uma daquelas grandes caixas de sortidos, cheias de bolachas impregnadas de açúcar, guardadas algures na despensa. E eu adorava-as, principalmente aqueles pauzinhos de bolacha (acho) envolvidos em chocolate - na imagem os segundos da primeira fila. Pareciam cigarros de chocolate. Lembro-me de passear pela casa a fingir que os fumava, com eles entre os dedos, copiando os gestos dos meus pais, ambos viciados em tabaco na altura. 

Mas entretanto os sortidos desapareceram, suponho que por serem demasiado caros e no fundo não serem nada do outro mundo. Acho que, no fim, deviam sempre sobrar algumas bolachas, as excluídas, que não eram as favoritas de ninguém (garanto que os meus "cigarrinhos" não sobravam de certeza). Se calhar passaram simplesmente de moda. Não sei. Uma coisa é factual: já não os vejo em casa das pessoas como via antigamente. Ou então sou eu que já não visito as casas - e particularmente as despensas - das outras pessoas como antigamente.

 

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31
Jan15

Miúda de 95 29#

A borracha azul que apaga caneta

 

Isto é uma história que passa de geração em geração, qual lenda. Todos acreditamos, todos tivemos uma e todos já nos metemos em sarilhos à custa dela. E aprendemos a lição. O que é? A borracha azul e vermelha que (supostamente) também apaga caneta!

Quantos de nós não rasgámos o trabalho de casa que a professora obrigava a fazer a caneta à custa dela bela borracha? E quantos de nós fizemos quase pasta de papel com o lixo que a parte azul fazia quando a esfregávamos no papel e ele se desfazia nas nossas mãos?

Mas a verdade é esta: esta lenda escolar está tão enraizada na nossa sociedade que, apesar de toda a gente saber que aquilo não funciona, a borracha continua a ser comercializada e utilizada. Ainda há muito papel por rasgar e muitos putos por enganar, não é verdade?

lenda.jpg

 

17
Jan15

Miúda de 95 28#

As malas Gola

 

Ainda sou do tempo em que ter uma mala da Gola era fixe. Lembrei disto enquanto (re)via os Morangos com Açúcar com a minha sobrinha e apareceu alguém com uma mala de desporto daquelas, que já nem me lembrava que existiam. O que, por sinal, é tremendamente injusto porque tinha uma paixão desmesurada por estas malas quando andava no básico.

Custou até ter uma (porque "só se apoiam num ombro", porque "andas muito carregada e vai-te fazer mal", porque "são feias"), mas nada que uma bela dose de teimosia não resolvesse. A primeira que tive era preta mas com textura, que eu amava de paixão. Andei imenso tempo com ela, até ao dia em que se começou a desfazer aos pedaços. Ainda a guardei durante uns tempos, com a esperança vã de que, se a guardasse durante uns tempos no fundo do armário, ela se arranjasse a si própria. Como seria de esperar, não resultou. Depois disso ainda tive outra, mas nunca foi a mesma coisa. Não há amor como o primeiro.

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27
Dez14

Miúda de 95 27#

A minha sogra é uma bruxa

 

Natal também é época de saudades. Ui, e as saudades que eu tenho, de tudo e mais alguma coisa!

Ainda no outro dia, a caminho da faculdade, me lembrei de uma série que adorava e chorava a rir, que passava na RTP: "A minha sogra é uma bruxa", onde Rosa Lobato Faria fazia de sogra malvada e a Rita Blanco de filha. Depois havia o marido totó que não sabia que a sogra era uma bruxa, os netos dela que tentavam impedir os seus feitiços e, claro, a vizinha cabeleireira que dava um toque especial à série.

A parte boa destas novas novas tecnologias é que tudo se pode rever, tanto na TV como na net, e encontrei os episódios quase todos no YouTube, descarregados por alguém que devia ser tão fã como eu. Apetece-me refastelar-me no sofá e rir como antes.

 

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