Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

11
Abr14

Aproveitar a vida

Muitas vezes tenho medo de não aproveitar a vida devidamente. "Aproveitar a vida", que expressão gira. Para 90% dos jovens da minha idade "aproveitar a vida" é ir para discotecas ao fim-de-semana, beber dois (ou mais) shots, fumar socialmente, ervas incluídas, ir namorando, ir saindo, ir estudando (pouco), enfim, ir... Defrontei-me com este problema desde cedo porque o "aproveitar da vida" dos outros, para além de ir contra os meus princípios, não coincidia com o meu "aproveitar a vida". Eu não gostava disso. Mas ainda hoje não sei se o que gosto pode ser considerado "aproveitar a vida".

Mas nos últimos dias não me tenho preocupado. Andei suficiente ocupada estas duas semanas para não me preocupar com demasiadas questões existenciais como essas. Mas chego ao fim - derreada - e acho que aproveitei, por um bocadinho que fosse e pelo menos nesta perspectiva, a vida: todos os dias, sempre, sempre, sempre que o sol espreitou nesta cidade (e foram poucos os dias e, dentro deles, poucas as horas) lá estava eu, esparramada ao sol, com um livrinho, a fazer uma das coisas que mais gosto na vida. A ler, a apanhar sol e a aquecer a alma que anda tão fria e desconsolada por tudo, por nada, e por estes meses de Inverno horríveis.

Tenho medo que me aconteça algo e que eu olhe para trás e pense "não aproveitei a vida". Sei que, da forma que os ouros os fazem, não a aproveitei de certeza. Mas estes dias tenho a consciência limpa: porque aproveitei, da forma que melhor sei e como e onde me sinto melhor, consoante o tempo e a minha disponibilidade o permitiram. Fui feliz naquelas horas ao sol. Aproveitei a vida.

25
Out13

Aquilo que passou

Se há coisa que eu respeito foi aquilo pelo que passei. Fases boas, más, maravilhosas ou péssimas. Tento fazer jus àquilo que senti e pensei na altura e não ao que vejo agora, já mais distante da situação, mais adulta, com, muito provavelmente, um ponto de vista diferente.

Eu não me martirizo por, algures no quinto ano, ter andado as turras com as fracções e ter berrado aos sete ventos à conta daqueles tracinhos com números quando hoje aquilo me parece a coisa mais fácil de sempre; eu não tenho vergonha de ter mudado do curso dos crânios para o "dos burros" quando senti que precisava de o fazer; também não tenho vergonha dos vários ataques de pânico que tive de cada vez que tinha de olhar para a cadeira do dentista; não fico embaraçada comigo mesma quando penso que me martirizei tanto por pessoas que não o mereciam. Aconteceu, foi assim, era assim que sentia as coisas na altura e acho que, simplesmente, tenho de o respeitar. Não vou esquecer o que fui, o que passei: não vou gozar com as reacções que tive, fazer pouco do meu sofrimento só porque já faz parte do passado e já não o sinto aqui dentro.

Faz-me um bocadinho de espécie as pessoas que ridicularizam aquilo por que passaram, que se esquecem como foram, que só ligam ao presente, porque lhes parece que só esse é que é real. Há uma diferença entre deixar o passado para trás e fazer de conta que ele não existe. É triste negarmos quem fomos e termos vergonha disso, principalmente se esse passado tem algum valor. Às vezes devíamos era ter vergonha daquilo em que nos transformamos e não daquilo por que passamos. O produto final é, muitas vezes, mais fraco do que a própria matéria prima.

22
Set13

Nova vida

Acabou-se a borga, as noitadas, a praia, as séries às tantas da manhã. Amanhã começa mesmo uma nova fase para mim. Vou voltar os livros, aos cadernos, às aulas, aos colegas e aos dramas do costume (esta parte não muda, pois não?).

O meu dia passará a começar mais cedo: acordar às sete da manhã não é suficiente, pois não tenho tempo para tomar banho, vestir, tomar o pequeno almoço e chegar a horas à faculdade. Chegar e não chegar à baixa, à hora de ponta, é meia hora, incluindo o inferno que vai ser arranjar um lugar para estacionar o carro - ficar naquele sítio da cidade é fantástico, eu adoro, mas tem essa enorme desvantagem: os parques pagam-se a peso de ouro e os lugares legais - também pagos - são escassos. Terei de chegar bem cedo para conseguir algo decente e que não me sujeite a pagar multa - o que vai implicar acordar às 6.40h da manhã, se não mais cedo.

De resto, não me posso queixar do meu horário: tenho fins-de-semana alargados, pois não tenho aulas à sexta-feira; para além disso, tenho mais duas tardes livres; as horas de entrada ou são às oito ou às nove (arranjar estacionamento a esta hora não vai ser bonito). A sorte esteve do meu lado, desta vez!

Os meus desejos para esta nova fase são os típicos: que tudo corra bem, que me consiga integrar e que este curso me sirva, se facto, de alguma coisa. Espero mudar... para melhor. Não vejo a universidade como uma fase de mudança obrigatória como todos parecem dizer - eu não tenho necessariamente de passar de certinha a baldas, de alguém que não bebe álcool para alguém que apanha uma bebedeira a cada semana. Esse não é o "espírito universitário" em que pretendo entrar. Quero, simplesmente (e apesar de não ter nada de simples), crescer: no melhor sentido possível da palavra. E é já amanhã.

 

21
Ago13

Encontrado algures no facebook

"Há dois tipos de pessoas, o escorpião e a rã. Um escorpião não consegue atravessar o rio. Vai ter com uma rã, que consegue, e pede boleia. A rã diz: "não posso levar-te às costas, picar-me-ás"; o escorpião responde: "será contra os meus interesses picar-te, pois morreríamos juntos". A rã pensa nisso um bocado e aceita o acordo, entrando na água com o escorpião às costas. A meio caminho, sente uma dolorosa ferroada no dorso e apercebe-se que o escorpião vai morrer, de qualquer forma. Vão afogar-se juntos. A rã chora: "por que me picaste? Vamos morrer os dois"; o escorpião responde: "não pude evitá-lo. Está na minha natureza."

Há duas formas de viver a vida*: Uma é que não conseguimos mudar a natureza de ninguém. E a outra é que nada pode mudar a nossa natureza."


*não quis modificar o texto original, mas suponho que a intenção do autor seja dizer que há duas "lições na vida".

07
Jul13

Irmãos

Os meus irmãos são das pessoas mais importantes da minha vida. O amor que tenho por eles é desmesurável e imaginar a minha vida sem a sua presença é-me perfeitamente impossível. Sei, com certeza, que seria uma pessoa muito menos feliz e completa, porque eles me transmitem coisas todos os santos dias. De alguma forma, todos eles me completam: a minha irmã é muito mais sensível e carinhosa que eu; o meu irmão mais novo, compensa-me com a sua alegria e boa-disposição constante, ao contrário de mim que estou sempre com um semblante carregado e a pensar nos males da vida; o meu irmão mais velho, com o seu altruísmo, simpatia e disponibilidade constante. Para além do mais, são sempre "centros" onde posso recorrer quando estou com problemas ou, pura e simplesmente (e é o mais normal), a precisar de mimo.

Falei há pouco tempo com o "meu" mais novo, que para além de contrabalançar comigo com a sua dose de boa disposição, o faz também com a sua parcela de loucura. Disse-me algo que já me tinha passado pela cabeça mas que nunca considerei seriamente: caso não entrasse na faculdade, os exames continuassem a correr mal, a média não dar para o que eu quero... pegar no dinheiro que está no mealheiro e ir viajar. Basicamente, tirar tempo para decidir o que eu quero realmente, poder escrever, conhecer novas pessoas, sítios e coisas.

Esta é uma ideia típica do meu irmão, e que sairia totalmente da minha zona de conforto. Se gostaria de conhecer novos sítios? Claro. Se queria ter muito tempo para escrever o livro que tanto desejo? Sem dúvida. Se teria coragem para o fazer? Isso já não sei. Implicaria sair do conforto de minha casa, das pessoas que sei que posso contar; perder hábitos de estudo e de rotina. Enfim, uma série de coisas que me mexem com o sistema só de pensar.

Espero ansiosamente o resultado dos exames para decidir o que fazer da vida e acaba por, neste momento, estar tudo em aberto. Tenho muitas coisas que quero fazer e apercebo-me que só me falta saber o timing em que elas devem ser feitas. Mas, lá está, aconteça o que acontecer, sei que tenho o apoio incondicional destas três figuras essenciais. Mas só por considerar a hipótese de tirar um ano de folga, começo a achar que um pouco da dose de loucura do meu irmão está a ser transferida para a minha pessoa - e não sei até que ponto isso é positivo (ahah)!

05
Jul13

O suposto encanto das coisas

Houve uma altura da minha vida em que quis fazer parte de um grupo. As pessoas que nele integravam eram totalmente diferentes de mim, mas foi essa diferença que me atraiu (e que, pouco depois, me fez perceber que eu me devia afastar - como costumo dizer, os opostos atraem-se, mas, normalmente, não dão resultado: porque as relações não funcionam só à base se atracões). A verdade é que, de alguma forma (ainda hoje não sei como) me consegui integrar dentro daquela "organização" - e foi aí que todo o encanto do desconhecido se perdeu. Na altura, achei piada ao facto das minhas "amigas" serem populares, terem rapazes (coisa que, como já devem ter percebido, eu nunca tive), terem uma liberdade diferente da minha - liberdade essa que fazia parte de nós, aquilo que cada uma de nós achava que podia ou não fazer; eu sempre fui muito castradora nesse aspeto, protegendo-me muito mais do que elas. Quando via as coisas de fora, era algo novo; mal "entrei", apercebi-me que dali não tiraria nada de bom.

A partir daí percebi que nem sempre vale a pena entender as coisas a fundo - muitas vezes, o aspeto exterior é bem melhor do que aquilo que se vê de dentro. Mas a minha curiosidade continua cá... sou uma alta entusiasta no que toca a organizações "secretas" e deveras misteriosas... sempre que ouço falar na maçonaria fico de orelhas afiadas. Mas, tal como descobri por experiência própria e o meu pai me diz vezes sem conta, "quando estamos dentro das coisas, elas perdem a piada". Pura e simplesmente, torna-se algo natural, sem mistérios ou expectativas.

Normalmente, ansiamos sempre por coisas que não conhecemos bem, mas que nos parecem melhores: queremos um barco, até nos apercebermos que, quando o compramos, a única coisa que ele nos traz são despesas; queremos um Porshe desportivo, até ao momento em que vemos que nos dá umas dores de costas terríveis e temos de o vender; queremos uma casa à beira mar, mas quando reparamos que o sal nos dá cabo das paredes e o vento é uma constante, só queremos é despacha-la. Tudo coisas que só pensamos e refletimos depois de as comprarmos. Todos queremos subir na vida, saber como é ter uma casa grande, uma série de carros de grande cilindrada e um emprego no poder - mas quando lá chegamos, o encanto perde-se, passa a ser algo natural do qual já não retiramos espanto. Adquirir novas coisas, subir de estatuto, pertencer a algo, conhecer as coisas a fundo, é como a paixão: no inicio, é escaldante - depois, vai resfriando.

19
Jun13

E os anos o vento levou

Faz-me uma impressão desgraçada ver nas revistas ou no facebook caras conhecidas da minha infância já com filhos, casamentos e vidas construídas. Pessoas como a Cláudia Vieira ou a Diana Chaves, que apesar de serem bem mais velhas do que eu, eu sempre vi como da minha geração - na altura em que via os Morangos com Açúcar, com uns dez anos, já elas interpretavam personagens que tinham a minha idade actual mas, não sei bem porquê, interiormente, achava-as com idades muito próximas da minha. E só acordei para a vida quando percebi que estavam grávidas, que depois tiveram as crianças e já têm famílias construídas!

Wow. O mesmo feeling tive quando reparei que os amigos dos meus irmãos também estavam a ser pais. Mas, esperem, como é que é possível? Eu lembro-me de os ver no São João aí a cantar e a beber desalmadamente; de os ver fumar sabe-se lá o quê algures e a fazerem coisas típicas da idade que, de facto, tinham, mas que eu não me apercebi de ter passado.

Isto faz-me pensar que, daqui a relativamente pouco tempo, é a minha vez. E eu ainda ontem tinha dez anos, parece-me. Isto são sintomas de velhice crónica, não são?

10
Mai13

Quando queria ser geek

Quando era nova, não tinha como sonho levar a minha vida a escrever. Muito pelo contrário. Eu queria ser uma Abby como a do NCIS ou uma Garcia como a das Mentes Crimosas. Computadores, ciência e um pequeno géniozinho à mistura era aquilo que queria fazer de mim.

Queria saber hackear PC's mas também servir de antivírus; queria escrever super rápido sem sequer olhar para as teclas (a única coisa que consegui cumprir); ter bases de dados gigantes e universais que me dessem toda a informação do mundo; saber escrever aqueles hieróglifos estranhos, cheios de pontuação ilegível, num qualquer programa de fundo preto e perceber todos os resultados que lá me eram apresentados. Uma geek, basicamente.

E a verdade é que ainda hoje são essas personagens-tipo que me apaixonam e que me prendem. Apesar da volta de 180º que a minha vida deu, dos objectivos e dos sonhos terem mudado e ter deixado para trás tudo num banho-maria que tende a arrefecer ao longos dos anos, o bichinho ainda está lá. E há dias em que o sinto a mexer dentro de mim, quase que a querer ser reanimado.

06
Nov12

Menina má, menino bom

 Este livro demorou a arrancar, mas em dois dias devorei-o desde a metade até ao fim.

Já conhecia a escrita de Vargas Llosa, sempre simples e engraçadinha. Este livro tem uns episódios meio eróticos lá para o meio, não subtis de todo, mas que se lêem bem.

A história em si está extremamente bem pensada e deliciosa de ler - principalmente porque a personagem principal é um docinho, um daqueles homens que faz tudo pela mulher que ama (sim, aquele que queríamos ter como namorado). É uma história de amor na perspectiva de um homem embeiçado por uma mulher fria e interesseira, mas que no fundo... é mulher.

No fim, acabou por me despertar vários sentimentos (acho que também estou sensível hoje) - mas, acima de tudo, a forma de vida de Ricardo (personagem principal) mexeu comigo. O ser solitário com com casos esporádicos - que não passam disso mesmo -, sempre foi algo com que me identifiquei e que achei que ia ser o meu futuro. Mas enfim, tema para um outro post.

Fiquem só com a ideia de que vale a pena e que todas aquelas pessoas que diziam bem do livro... tinham razão.

 

Visto que acabei com este, subi à biblioteca para buscar um mais fininho para ler (porque do mesmo tamanho já tenho preparado). Veio parar-me às mãos o "No teu deserto" de Miguel Sousa Tavares, e vai ser esse que vou ler - e, tendo em conta o que sei sobre ele e a sua grossura, ainda o leio antes de seguir para a Turquia. Próximo na lista é "O Obelisco Preto", de Erich Maria Remarque.

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Redes Sociais

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2019 Reading Challenge

2019 Reading Challenge
Carolina has read 1 book toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Ranking