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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

21
Mai19

London on my mind

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Eu estava a precisar de um fim-de-semana fora como de pão para a boca. Desde Setembro que ainda não tinha feito férias e o meu cérebro já pedia misericórdia - principalmente por todas as mudanças consecutivas no âmbito de trabalho (ora têxteis, ora piano, ora contabilidade e gestão). Contei afincadamente os dias para me meter no avião e ir para Londres - uma visita de médico, ir sexta e voltar domingo, mas que me soube pela vida. Mudar de ares consegue fazer milagres.

Mentiria se não dissesse que esta foi uma viagem especial. Foi, porque foi a primeira viagem que fiz com o meu namorado; foi a primeira vez que estivemos juntos durante 24 horas, sem trabalho pelo meio, sem cada um ter de ir para suas casas ao final da noite. Em que superamos questões que diariamente dão discussões em casais pelo mundo inteiro tal como "onde é que vamos comer?", em que partilhamos casa de banho e as decisões do dia-a-dia. E a verdade é que foi incrível.

O plano inicial era irmos aos estúdios da Warner Bros, do Harry Potter, do qual ambos somos fãs. Compramos as viagens, marcamos hotel (pensando que tudo isto seria prioritário) e, quando vamos ao site dos estúdios comprar bilhete, damos (ainda que virtualmente) com o nariz na porta. Já só há bilhetes para Julho - a menos que se comprem packs por agências que incluem viagens de ida e volta e cujos preços são ainda mais inflacionados que o normal (uma negociata qualquer com a Warner Bros que devia ser proibida, mas enfim). Ficamos com pena, mas Londres é muito mais do que aquilo: por isso fomos à descoberta. 

Esta foi a minha terceira visita à capital inglesa mas a primeira dele, por isso quis dar-lhe um cheirinho de tudo aquilo que Londres é para mim - a cidade que, apesar de cinzenta, seria provavelmente aquela que escolheria para viver se fosse obrigada a sair do meu país.

Tivemos sorte com o hotel (Grange Wellington Hotel), que fica num edifício antigo, tipicamente inglês, localizado na zona de Westminster. A envolvência era muito calma, com um parque e casas vitorianas a toda a volta; no fundo estávamos muito perto de tudo mas longe da azáfama que é a Londres citadina que sempre conheci. Apesar da aparência antiga do exterior, o interior era todo renovado e o quarto (assim como a casa de banho) era muito agradável e espaçoso o suficiente para se circular e não nos sentirmos apertados. A única coisa que não adorei foi o pequeno-almoço: a comida era boa e fresca, mas os funcionários não eram muito simpáticos e achei a distinção entre "english breakfast" e "continental breakfast" um bocadinho parva... como a minha reserva só incluía o pequeno-almoço continental não tínhamos direito a comer os pratos "quentes", pelo que havia uma zona onde não podíamos tocar. Não que a mim me faça diferença, pois sou pessoa de ó comer pão com manteiga ao pequeno-almoço, mas achei um tanto ao quanto indelicado, como quem diz "ali não podem comer, é só para clientes de ordem superior"...

Cresci a ouvir falar dos teatros em Londres, de como tudo era magnífico. Da última vez que lá estive, há três anos, fomos ver o Mamma Mia e fiquei fã. Queria muito repetir a experiência (com outro espetáculo) e levar o meu namorado comigo - e enquanto esperávamos pelo avião no aeroporto (era TAP e atrasou como sempre...!), fomos pesquisando algo que interessasse a ambos e que não custasse mais do que a estadia do nosso hotel e viagens juntos... Tivemos de também de conjugar a nossa disponibilidade com os poucos lugares que já havia vagos e, no meio disto tudo, surgiu o Witness of the Prosecution - um teatro baseado numa obra da Agatha Christie. As reviews eram na generalidade muito boas e havia uma sessão no dia da nossa chegada, por isso foi o escolhido.

 

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Cartaz do espetáculo

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County Hall, local do espetáculo

A peça acontece no County Hall e decorre naquilo que parece ser o centro de um parlamento, em forma de hemiciclo. Só por isso já é giro e diferenciador - e faz sentido, uma vez que toda a peça decorre à volta de um julgamento e parte do público faz até parte integrante da ação. As voltas e reviravoltas que a história dá, muito ao estilo de Agatha Christie, mantêm-nos presos à trama - mesmo nos momentos mais lentos. Confesso que depois de um dia de viagem houve alturas em que o sono apertou, mas de uma forma geral gostei muito da peça e das interpretações - e o final, claro, foi inesperado, ou não fosse esta uma peça escrita pela mestre do crime! Não é um musical e, como tal, não nos traz aquela boa disposição e energia com que fiquei no Mamma Mia - mas saímos de lá enriquecidos e com um segredo no bolso que, como é óbvio, não podemos revelar. ;) Não aconselho a quem não tenha um entendimento muito bom do inglês - com dicções menos boas e a rapidez com que eles falam, nem sempre é fácil entender tudo, por isso é necessário ter um bom conhecimento da língua.

É engraçado como fomos bafejados pela sorte com muitas das pessoas que se cruzaram no nosso caminho durante a viagem. Durante o intervalo da peça um casal de americanos, do Texas, meteu conversa connosco - e do nada já estávamos a falar de Fátima, dos pastéis de nata, do bacalhau e de como eles tinham mesmo de vir a Portugal. Mal aterramos tivemos também uma surpresa boa: quando íamos comprar os bilhetes para o comboio até ao centro da cidade, um casal, a dirigir-se para o aeroporto, vem ter connosco e oferece-nos os seus bilhetes de transportes públicos, válidos até ao resto daquele dia. Andamos de comboio e metro durante sem pagar um cêntimo e graças à boa-vontade de um casal, que podia perfeitamente ter levado os bilhetes consigo e ter-se borrifado para os outros. Achei um gesto mesmo muito bonito.

À chegada ao hotel, já preparadíssimos para pôr em prática o nosso saber da língua inglesa, recebe-nos uma portuguesa - contentíssima por, nesse dia, já serem os segundos conterrâneos que conhece. E, já no fim da viagem, à ida para o aeroporto e num comboio atolado de gente (com carruagens vazias mas fechadas ao público - não se percebe...), sem lugar para me sentar, um italiano ofereceu-me o seu lugar. Ao meu lado ficou uma inglesa que também meteu conversa connosco - e lá voltei eu à conversa do bacalhau e de como a senhora tinha de visitar Portugal. Aprendam comigo: a conversa do bacalhau não falha! Ajudou a que a viagem passasse mais rápido e, por a senhora ser nativa, faz-nos sentir muito mais integrados - conhecermos pessoas que vivem nas terras que estamos a visitar é, talvez, a melhor forma de sentirmos que aquela cultura ficou verdadeiramente entranhada em nós.

Apanhamos um tempo incrível e por isso quisemos usufruir ao máximo dos outdoors em vez de nos metermos em locais interiores. Nas horas em que choveu aproveitamos para ir ao Madame Tussauds (que eu também nunca tinha ido) e foi um momento divertido. Fiquei de coração partido por já não estar lá a estátua do Robert Pattinson, mas enfim, penso que seja o destino - agora que tenho namorado, já me tiraram o homem inglês do caminho...

Compramos os bilhetes pela internet e todo aquele sistema de entradas é um bocado confuso (é feito por slots de horas, mas há filas diferentes em vários locais, o melhor é sempre perguntar). Apesar de estar cheio de gente e do preço não ser barato, acho que é algo giro de se fazer (principalmente se não quisermos ver museus mais "pesados" e estivermos à procura de uma escapadela mais descontraída) e transforma-se numa recordação que se leva para a vida. Há algumas estátuas mais bem conseguidas que outras, atrações pagas (como uma viagem ao mundo do Sherlock Holmes ou as fotografias com o Harry e a Meghan), mas passam-se ali um par de horas num abrir e piscar de olhos. Para mim uma das minhas partes favoritas foi o percurso de "táxi" que se faz dentro da história de Londres. 

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Picamos o ponto em todos os lugares principais: Buckingham Palace, Picadilly Circus, Oxford Street, Westminster Abbey (nunca lá tinha passado e fiquei um pouco desiludidade, pois achei que era muito maior, devido às fotos do casamento da Kate e do William), Leicester Square, Westminster Bridge, etc. Outro dos locais que, para mim, é obrigatório é Camden Town: fomos numa altura em que choveu um bocadinho mas é sempre um local com graça, com todo o tipo de pessoas e estilos, óptimo para quem está no mood para compras e coisas mais fora da caixa (que não foi o meu caso). Ainda tentei passar pelo estúdio de fotografia que me roubou mais gargalhadas em toda a minha vida, onde me vesti de dama antiga, mas creio que já fechou... É pena. Almoçamos por lá, demos uma volta, rimo-nos com algumas personagens que passaram por nós e foi um bom bocado. Ah!, e já que não conseguimos ir aos estúdios dos Harry Potter fizemos uma paragem rápida em Kings Cross, onde deixamos umas libras na loja dedicada aos filmes porque, apesar de adultos, no que toca a HP, ainda somos umas autênticas crianças.

 

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Vista para o London Eye da Ponte de Westminster

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Westminster Abbey

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Leicester Square

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Oxford Street

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Palácio de Buckingham

 

Acabamos por passar uma boa porção de tempo a passear por parques, eu toda embevecida a olhar para patos, gansos e, claro, os esquilos. Parecia uma criança eufórica quando vi um esquilo a passar-me à frente! Por sorte apanhamos um local onde viviam três "papagaios" (não sei se eram de facto papagaios ou outro tipo de aves), que várias pessoas alimentavam. Mais uma vez fomos presenteados pela simpatia dos locais, que nos deram para a mão muitos frutos secos e por isso passamos largos minutos a fazer vídeos e a tirar fotos com os pássaros, enquanto os chamávamos e eles pousavam nas nossas mãos, enquanto enxotávamos as pombas com o resto do corpo (uma delas agarrou-se ao meu soutien; na altura não teve graça!). Foram momentos completamente improvisados mas que, honestamente, vão ser dos que vão ficar mais marcados na minha memória.

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Carolina embevecida com os animais, parte 1

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Carolina embevecida com os animais, parte 2

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A tentar uma transferência do passáro de mão para mão

Passei também pela zona rica das embaixadas, perto do nosso hotel, que depois acaba por ir dar ao Harrods. Pelo meio ainda atravessamos a ChinaTown lá do sítio, local onde também nunca tinha estado. Por estas pequenas "pérolas" pelo caminho é que vale muito a pena conhecer uma cidade a pé e perder tempo a explora-la, mesmo nos locais que não aparecem nos mapas como sendo turísticos. Tenho para mim que a verdadeira essência das cidades está nos sítios onde menos esperamos.

Londres, por ser uma cidade enorme, tem muito que ver - e a zona onde ficamos hospedados influencia muito os locais que visitamos, pois nunca queremos sair muito de um determinado raio. Ainda não foi desta que fui a Portobello Road, à Tower Bridge, a Cheshire Street ou ao Old Spitalfield Market (assim como o Borough Market): coisas que já tinha na agenda mas cujo tempo não deu para tudo. Por um lado é bom: assim ficamos com mais uma razão para um dia lá voltar.

 

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Pelo bairro de Westminster

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Chinatown

 

O que faltou ver: Portobello Road, Tower Bridge, Cheshire Street, Old Spitalfield Market, Borough Market. Museu britânico. Estúdios da Warner Bros.

Onde fui comer: Jamie's Italian em Victoria Street (nada de especial); Tozi's (italiano, no bairro de Westminster, comemos uma boa carne e o espaço é bastante agradável); Loco Locale (também italiano, em frente ao County Hall, razoável).

Onde fiquei: Grange Wellington Hotel, em Westminster.

Relato da minha viagem a Londres em 2016, aqui.

10
Mai19

Vale a pena ir ao Palácio da Pena

Sintra sempre foi uma das minhas cidades favoritas. Fui lá várias vezes em passeio, outras somente para comprar queijadas (ninguém me pode condenar por isto, aquele doce devia ser considerado a 8ª maravilha do mundo) e até em visita de estudo - e em cada uma destas paragens me apaixonei mais por aquele serra, aquelas estradinhas e a sua aura mística. Já tinha ido à Quinta da Regaleira (maravilhosa, aconselho vivamente e com visita guiada!) e ao Palácio Nacional, mas tinha uma falta gravíssima no currículo: o Palácio da Pena.

Já há muito que queria lá ter ido e aproveitei o feriado para concretizar este desejo - tivemos sorte, porque estava um dia de sol lindo, que dava uma luz especial às cores que pintam o palácio. E apesar do mar de gente que lá estava (e não era por ser feriado, uma vez que 95% eram estrangeiros) e de ter suado um bocadinho para subir aquilo tudo, valeu muito a pena. É este tipo de coisas que vamos ver no estrangeiro e que nos deixam maravilhados e a verdade é que nos esquecemos que temos locais tão ou mais bonitos em Portugal do que os que vemos lá fora. As salas do palácio (onde, infelizmente, não deixam fotografar) têm decorações lindíssimas, tetos muito trabalhados e de um bom gosto imenso. Mas a verdade é que fica muita coisa por ver e explicar, muito por culpa da falta de organização do próprio palácio.

Mal fomos comprar o bilhete disseram-nos logo: havia 40 minutos de fila para entrar. Isto porque Sintra padece do mesmo mal que o resto do país - excesso de turistas. Portugueses, nem vê-los! A nossa língua mãe era a menos falada ali no meio, só mitigada por um número razoável de brasileiros que andava por lá a deambular. 

Sintra sofre pela proximidade de Lisboa e pela beleza incrível da cidade, que atrai qualquer pessoa... mas a verdade é que ali tudo ali é pequeno, os acessos são maus, as estradas estreitas, os parques de estacionamento minúsculos. Sintra é linda, mas só se não tiver um mar de pessoas. E o pior é que a questão não é só chegar lá: é também a visita ao próprio palácio, que é feita por ordem de chegada, em filinha indiana (qual meninos da escola - com contínuas e tudo a vigiar!), o que não potencia minimamente a visita. Somos quase obrigados pelo resto da fila a ir avançando pelos corredores fora, sem tempo para poder olhar à volta ou ler as pequenas descrições na sala (que são as únicas informações que nos contextualizam sobre o sítio onde estamos). Senti mesmo muita falta de uma visita guiada, de alguém que me explicasse o que estava a ver, para dizer quem eram as pessoas que estavam pintadas nos quadros pendurados na parede, contar histórias engraçadas sobre aqueles espaços e dar-lhes alguma vida, assim como a noção de como eram as coisas naquele tempo. Acima de tudo senti falta de parar e apreciar o que estava à minha volta. Penso que se houvesse visitas com hora marcada, para um determinado número de pessoas, tudo funcionaria melhor e todos os visitantes desfrutariam e sairiam muito mais enriquecidos do palácio, bebendo muito mais da cultura e da história de Portugal.

Estou com esperança de que, se um dia voltar, as coisas já sejam diferentes e mais organizadas. Acho que é dos locais no nosso país que mais merece protagonismo e um planeamento estruturado, com cabeça, tronco e membros. O Palácio da Pena (e toda a sua envolvência) é incrível, com vistas de cortar a respiração, com uma mística mesmo muito especial e que merece a visita de todos nós. Oupa, façam-se ao caminho!

 

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22
Abr19

Viagem com viagem se paga: o início de uma nova aventura

Não me considero uma pessoa minimamente influenciável. Nunca fui, mesmo naquelas fases mais sensíveis da nossa vida. Mas há uma coisa em que fraquejo, em que sou uma autêntica Maria Nabiça (que tudo o que vê, tudo cobiça): as viagens. E o pior é que sou-o em todas as áreas: leio um livro passado no Camboja e quero lá ir; vejo uma foto em Budapeste e apetece-me ver aquela vista na primeira pessoa; vejo vídeos sobre determinado destino e este vai logo para a minha top list; ouço uma conversa qualquer sobre umas férias incríveis e começo logo a ter ideias. É isto: todas as regras têm suas exceções e a minha é esta - sou mega influenciável no que a viagens diz respeito e mudo de ideias do dia para a noite; se num dia garanto que não vou à Tailândia, por ter muitos ratos e bichos estranho, no outro já vi uma foto magnífica e estou convencida. Tenho para mim que, para o bem e para o mal, isto vai acabar comigo a querer conhecer o mundo inteiro...!

Este ano o meu plano era ir à Islândia. Já o tinha como um dado adquirido  - e, também por isso, foi duro quando descobri que a tour que queria fazer, com a agência que escolhi, já tinha esgotado. Nunca esperei que isso acontecesse; não tratei de tudo com mais antecedência porque me faz alguma impressão marcar coisas com um ano de distância (sei lá o que vou fazer para a semana, quanto mais!) e porque as viagens ainda não estavam disponíveis naquela altura. Quando me sentei e disse "é agora", clicando nas datas e no "avançar", acabo por me deparar com zero vagas. Caiu-me tudo. Fiquei mesmo triste. Era algo que já tinha tão certo na minha cabeça, com tantas expectativas, que tive de certa forma de fazer o luto dessa ideia (até porque ir por outra agência não é algo que queira fazer).

E a melhor forma de recuperar de um desgosto destes é passar para outra ideia, investir noutra coisa. Andei a investigar destinos e deparei-me com o Japão - país que tinha entrado muito recentemente na minha lista de "to visit", por culpa da La Dolce Rita. Acompanhei a sua viagem através dos insta stories (ainda os podem consultar nos seus destaques) e fiquei totalmente apaixonada. (Percebem isto de ser influenciável?) Percebi rapidamente que tinha de lá ir. E dado que tinha ficado sem destino de férias - que serão bem merecidas, após o fim da pós-graduação - decidi que não era tarde nem cedo! Aquilo que aconteceu com a Islândia não ia voltar a acontecer. 

E foi assim que, rapidamente e sem grandes "e se's", marquei uma viagem de dez dias até ao Japão. Ainda não tenho nada definido, a não ser os voos e a companhia (desta vez, não vou sozinha); o mais provável é não ficar só por Tóquio, e estou a prever passagens por Kyoto e Osaka. Mas até lá tenho muita pesquisa para fazer e coisas para ver e rever. Para mim, planear uma viagem - apesar de ser cansativo e às vezes frustrante - já é, só por si, viajar. Por isso esta é uma fase que anseio e da qual pretendo tirar todo o proveito. E por isso, se tiverem dicas, não se acanhem - contem-me tudo, que estou prestes a marcar coisas e preciso do maior número de conselhos (úteis) possível!

Caramba, vou ao Japão. Dá para acreditar?

 

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17
Mar19

Quanto mais viajo mais gosto do meu país

Voltei há dias de Munique, numa pequena viagem de duas noites para visitar uma feira. Foi um dejá vù: já cá tinha estado há dois anos, também em trabalho mas noutro papel, e acabei por ficar exatamente no mesmo hotel e percorrer os mesmos caminhos, já bem conhecidos pelas botas que trazia calçadas. Se daquela vez tinha sido um desafio - a minha primeira viagem de trabalho, sozinha, num país que não conhecia e não percebia nada da língua, com o stress de ter de fazer um trabalho que não me era natural e para o qual tinha de me esgotar emocionalmente para fazer bem - desta vez já fui bem mais confortável. Primeiro porque os meus pais vieram comigo (invertemos a situação mais comum e fui eu que lhes apresentei a cidade), segundo porque já sabia ao que ia e terceiro porque, entre estas duas ocasiões já tenho umas quantas viagens e outras experiências no lombo para me dar mais traquejo e sentir mais confortável.

No entanto, acho que quando cá vim pela primeira vez estava tão absorvida pela novidade, pelo stress e pelo cansaço que nem consegui reparar numa série de coisas que numa viagem comum me saltariam à vista. E desta vez, embora só tenha passado pouco mais de um dia na cidade, deu para registar uma série de factos e opiniões sobre Munique... E perceber o quão bom é viver em Portugal.

 

A primeira coisa é, claramente, a meteorologia. Enquanto em Portugal já andamos a sacar os vestidinhos e as camisolas mais finas do roupeiro, lá continua um frio de bater o dente. Penso que a temperatura mínima que apanhamos foi de 3º C., mas a sensação térmica era um par de graus abaixo – tudo devido ao vento gélido que se fazia sentir e que nos rasgava por dentro, independentemente do número de camadas que tínhamos vestidas por cima do corpo. Eu, que sou assumidamente um bambi no que ao frio diz respeito, andava embrulhada até ao nariz, mas nem isso impediu que ficasse gelada até aos ossos. E pensar que já andei de vestido e sem casaco no nosso querido Portugal!

A sensação de segurança é outra das coisas que, ainda hoje, é uma das grandes vantagens do nosso país – mesmo estando cada vez mais na moda e tendo as cidades inundadas de turistas. O nosso hotel era muito perto da Hauptbahnhof (a estação central) – ou seja, um sítio extremamente concorrido, onde se espera encontrar muitas pessoas – mas à noite as redondezas eram um tanto ao quanto assustadoras. Não sei onde é que as mulheres se metem à noite nesta cidade alemã, mas ali não era de certeza – até porque 95% das pessoas que passavam por nós eram homens, e não particularmente com bom aspeto. Sei que, se estivesse sozinha, não me sentiria segura – tanto nas ruas como, por exemplo, nas estações de metro, que se tornam autênticos subterrâneos fantasma depois das 22h.

A pobreza e a prostituição são outra das coisas que, à partida, não associamos à Alemanha, mas que há de sobra. A zona onde fiquei tinha muitos night clubs com meninas pouco vestidas à porta, pedintes por todo o lado, bêbados caídos em cada recanto e homens a aliviarem a bexiga em sítios demasiado visíveis para o meu gosto. Eu, pelo menos, cresci com uma noção de uma Alemanha muito rígida, em que tudo era feito de forma rigorosa; onde se cumpriam as regras, os limites; onde havia um civismo implícito. Não sei se isso nunca existiu ou se é um paradigma que está a mudar, mas senti a diferença desde há dois anos para cá...

Por fim, falar de um detalhe que me impressiona, tendo em conta que aqui em Portugal somos precisamente o oposto: faz-me aflição que muitos deles, mesmo quando se apercebem que não falamos alemão, continuem a dizer as coisas como se nada fosse. Aliás, a feira onde fui tinha muitos stands alemães apenas com descrições na sua própria língua... o que dá uma ideia de nacionalismo e de uma enorme falta de vontade e disponibilidade de interagir com os outros, mesmo podendo tratar-se de potenciais clientes. Posso estar mal habituada, por nós aqui tentarmos sempre falar línguas alheias, ainda que metamos a línguagem gestual, o portunhol ou o portuinglês pelo meio... mas não me parece que este seja um bom prenúncio. Passamos a vida a apregoar que a União Europeia devia funcionar como um só, mas as cisões entre países são cada vez mais evidentes.

 

Fiz pouco turismo, daí que este não seja um dos meus típicos posts de viagem. Mas, feliz ou infelizmente, este parece-me um texto igualmente importante. Viajar é bom... mas voltar a casa é óptimo. E é bom sabermos apreciar aquilo que temos e este cantinho à beira-mar plantado 

 

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14
Out18

Viena, a capital cosmopolita

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Viena é, provavelmente, a capital mais conhecida de todas as quatro por onde passei. Isso faz com que existam, por defeito, muitas ideias pré-concebidas da cidade, que podem ou não ajudar no confronto que temos com a realidade. E a verdade é esta: acho que, inconscientemente, esperava mais. Aliás, esperava que fosse diferente. Isto porque sempre ouvi falar da Áustria como um país com locais lindíssimos, onde era o pormenor e o detalhe que faziam a diferença, onde há vilas e cidadezinhas que parecem saídas de contos de fadas. Acho que fui contagiada por este espírito e não esperava que Viena fosse uma cidade totalmente cosmopolita, a mais atual de todas a que fui nesta viagem e, acima de tudo, a mais "pesada": com muita pedra e grandes edifícios. Devo também, em nome da justiça da cidade, fazer um disclaimer: Viena, sendo a nossa última paragem, foi o sítio onde estivemos mais cansados. Notei isso em todos os circuitos que fiz: a última paragem sofre sempre por ser a última - quer seja por não se tirarem tantas fotos por o "cartão estar quase cheio" ou porque "já se tem demasiadas fotografias", ou por já não se ter tanta energia para explorar todos os recantos, ou por já nem se ter paciência para ouvir (e muito menos apontar) tudo aquilo que a guia diz. Sinto mesmo que as minhas memórias de Viena são as menos concretas, tenho ideias vagas de tudo, mas se precisar de me lembrar de um determinado sítio já tenho alguma dificuldade. Enfim, vicissitudes da vida!

Mas vamos por partes. Já é da praxe o meu passeio noturno mal chego a uma cidade. Desta vez o destino foi Prater, o parque de diversões mais antigo do mundo e que contém aquele que é, provavelmente, o símbolo mais conhecido de Viena: a roda gigante, em funcionamento desde 1897. Apesar de eu ser completamente aversa a diversões (nunca andei nuns carrinhos de choque, por exemplo!), achei este sítio incrível - mas pareço ter sido a única, pois dentro do pequeno grupo de pessoas com quem estava ninguém parecia muito interessado em continuar por lá; andamos na roda gigante e, com muita pena minha, viemos logo embora. Tudo aquilo tinha uma aura que misturava o vintage com o degradante, ajudada pelas luzes dos divertimentos que iluminavam o escuro da noite, um bocadinho como imagino Coney Island. Adorava ter explorado mais.

A vista da roda gigante, de noite, não é nada de especial. Porquê? Porque Viena é escura, não está iluminada. Esta foi, talvez, a minha maior desilusão. Esperava um cenário tipo Paris ou, mais recentemente, Budapeste. Mas não. Acho que muito por "culpa" da ecologia, a maioria das luzes (para além das essenciais) são desligadas - mesmo as das montras nas principais ruas da cidade. Percebo e concordo com o princípio, mas tira toda a magia - de tal forma que nem tirei fotos, não se iria ver nada. Por isso, se empenharem os vossos 10 euros na roda, façam-no de dia.

Uma nota, para mim, sempre importante: achei o ambiente muito civilizado em todos os espaços por onde andei e senti-me sempre muito segura, tanto de noite, como de dia.

 

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À entrada do espaço da roda gigante há uma série de "maquetes" em movimento muito giras

 

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Dentro da nossa cabine na roda gigante

 

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A cabine 30 no topo da roda - 65 metros acima da terra!

 

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Uma das diversões iluminada no meio do negrume da noite

 

A visita do dia seguinte começou no complexo do palácio de Hofburgo, a residência de inverno da família imperial, cujo interior não visitamos. No entanto dá para atravessar os caminhos interiores do palácio, passando pelos seus pátios e pelas conhecidas cavalariças - uma parte do complexo conhecida por Stallburg, onde hoje estão os cavalos da Escola Espanhola de Equitação. Para terem uma ideia da dimensão, o palácio abrange uma área de 240 mil metros quadrados!

É neste complexo que encontram a praça Albertina, que alberga o museu de Sissi, um dos mais conhecidos e falados neste momento em Viena. Retrata a vida da Imperatriz Elisabeth, casada com Francisco José I, um casal muito afamado e acarinhado por todos - é impossível ir a Viena e não ouvir falar deles. Ela está em todas as lojas de souvenirs, ao lado de Mozart e das peças inspiradas pelo Klimt, só para terem uma ideia. Esta era uma das opções que tínhamos para ver e fazer no nosso tempo livre mas optamos por desfrutar da cidade e do bom tempo em vez de vermos o museu; algumas pessoas da excursão foram e só deram boas referências! É provavelmente algo interessante a fazer quando a meteorologia não ajudar.

Ao caminhar-se pelo veio central do palácio, por onde a passagem é livre, passamos pela Ala Leopoldinense (onde se situa o gabinete do presidente austríaco - e antigamente do imperador), pela Praça dos Heróis, pelo Palácio Velho, pelo Palácio Novo (que agora alberga partes da Biblioteca Nacional e alguns museus) e finalmente pelo Portão Exterior. Tudo isto é, no fundo, uma grande prova do império que a Áustria liderou durante cerca de 50 anos - é enorme, é pesado, é grandioso. Impõe respeito. E, de forma inconsciente, era toda esta grandiosidade que eu não esperava.

 

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À entrada do palácio (feita por aquela grande porta no centro da foto)

 

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Estátua à entrada do palácio

 

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Uma das cúpulas do palácio

 

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A frente do Palácio Velho, com o seu conhecido Portão Suíço (nomeado assim por ter sido durante algum tempo vigiado pela Guarda Suíça)

 

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A frente do Palácio Novo 

 

A paragem seguinte foi uma que eu facilmente passaria à frente - Hundertwasserhaus, umas casas de habitação social concebidas por Friedenreich Hundertwasser, que é uma espécie de Gaúdi austríaco. Os edifícios têm umas formas estranhas, muitas cores, varandas e sempre um elemento com água. Seria giro se estivesse melhor conservado e se fosse algo de maior dimensão. Em frente há uma galeria, também dentro do mesmo estilo arquitetónico, cheia de lojas de souvenirs com todos os estilos, tamanhos e preços - coisas com alguma graça mas que se arranjam noutros sítios se não quiserem fazer esta paragem que, repito, era para mim dispensável.

 

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Hundertwasserhaus

 

Já a paragem seguinte é um ponto obrigatório: o Palácio de Belvedere que, na verdade, são dois - o superior e o inferior. A entrada nos jardins é gratuita mas o interior (agora transformado em museu) é pago, uma vez que é lá que estão, por exemplo, as pinturas de Klimt (incluindo, se não me engano, o tão famoso "Beijo"), entre outros nomes famosos.

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O Palácio Superior, com o seu enorme lago à frente

 

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Ainda o Palácio Superior

 

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O Palácio Inferior (ao fundo) e os seus jardins

 

Ainda sobre palácios, também visitamos o Palácio Schönbrunn (que significa bela fonte em alemão - e é assim chamado porque o Imperador Matthias descobriu uma fonte aqui, neste local, em 1600, durante uma caçada). O Palácio teve muitas fases mas foi maioritariamente usado como residência de verão - e foi aqui que viveu Napoleão quando as tropas francesas invadiram Viena. É também um local importante porque foi aqui que morreu o Imperialismo, em 1918, quando o Imperador Carlos I renuncia as funções de chefe de estado.

Nós só visitamos o exterior e passeamos por uma pequena parte dos magníficos jardins, com várias fontes e "avenidas" muito bem cuidadas, com as árvores cuidadosamente aparadas e as flores em belíssimo estado. No entanto, pelas fotos e pela história rica do palácio, creio que a visita ao interior vale a pena - até porque, convenhamos, jardins já vimos muitos! Há vários tipos de bilhetes, mas penso que em visitas mais completas os preços começam nos 13 euros (mais uma vez, é conveniente comprar pela internet para evitar filas desnecessárias). Dentro do Palácios há sítios onde se pode entrar, pagando a entrada à porta, como o Tiergarten, o jardim zoológico mais antigo do mundo, o Wagenburg (o museu das carruagens) ou a Casa das Palmeiras, que é uma espécie de estufa.

 

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A entrada do Palácio

 

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Numa das fontes - não percebi se estava em ruínas ou se queria imitar ruínas

 

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Vista traseira do palácio e um pouco dos seus jardins

 

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Uma das fontes mais conhecidas (e bonitas)

 

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 Um dos locais que mais gostei foi um túnel forrado a roseiras, ainda com algumas rosas em flor

 

Agora falando em igrejas, um clássico nas visitas turísticas: a Catedral de Santo Estevão, bem no coração de Viena, é um must-see, sendo o edifício gótico mais importante da Áustria. Tanto o interior como o exterior são muito bonitos, grandiosos e impactantes. Reparar no telhado, todo esmaltado. A entrada é grátis.

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A torre da Catedral mede 137 metros

 

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Um órgão antigo no centro da igreja. Se tocar num só teclado já é difícil, imagem tocar em quatro e com dezenas de botões à volta. Credo!

 

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No interior da igreja

 

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Detalhe no interior da igreja

 

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O teto em forma de várias abóbadas

 

Fomos também à Igreja de São Carlos Borromeu - aliás, passamos por lá, uma vez que estava fechada. Mas tivemos imensa sorte pois, nessa altura, estava a decorrer um festival de rua com performances e artes circenses na praça em frente à igreja. Havia imensa gente, várias lojinhas improvisadas, comida e muita animação. Foi divertido e deu para sentir o espírito da cidade. É o tipo de coisa que às vezes pode fazer a diferença numa visita e que nos faz pensar que esta pode mesmo ser uma cidade muito agradável para se viver (os rankigs ao nível da qualidade de vida concordam com isto).

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 Em frente à  Igreja de São Carlos Borromeu

 

E agora a minha parte favorita de Viena: o Naschmarkt, o mercado local. É estranho ter sido este o meu local favorito da cidade, não é? De todo o esplendor da cidade, os palácios e a ópera, um "simples" mercado ter sido o meu local preferido revela muito daquilo que Viena foi para mim: uma surpresa, tanto de um ponto de vista positivo como negativo. Quando apontei este mercado nos meus sítios a visitar pensei que fosse algo fechado, como aquele que visitei em Budapeste. Mas não. É um mercado ao ar livre, enorme (é quase uma avenida inteira!), cheio de bares, cafés, restaurantes e muitas bancas com produtos coloridos e com um ar delicioso. É um misto de Galerias de Paris (aqui no Porto), com os mercados árabes, esplanadas... é difícil descrever, mas aconselho vivamente. Gostamos tanto que fomos lá duas vezes: uma vez à tarde, onde aproveitamos para lanchar, e outra no último dia, na nossa despedida de Viena, onde almoçamos - com uma comida boa, num ambiente super simpático e movimentado e por um preço nada exagerado. No domingo apanhamos uma espécie de flea market, onde imensas pessoas vendiam as suas velharias, tralhas e algumas coisas giras. Nós não tínhamos tempo para grandes compras nem paciência para andar lá a vasculhar no meio dos milhões de objetos que lá haviam (acredito que existissem alguns engraçados, mas é preciso ter olho para o negócio para não se ser enganado e, acima de tudo, ter muita paciência para encontrar o que quer que seja no meio daquela desorganização). Não sei se é algo que acontece mensal ou semanalmente (ou até de forma esporádica), mas também tem a sua graça e fica mesmo ao fundo do mercado e prolonga-se até ao fim da avenida.

 

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Numa das ruas do mercado

 

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Uma "montra" cheia de azeitonas de tamanhos, cores e feitios que eu nunca sequer imaginei existirem

 

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A cores das especiarias numa banca do mercado

 

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Umas amêndoas absolutamente deliciosas que lá compramos, cobertas com sementes de sésamo. De ir ao céu e voltar!

 

 Outros locais por onde passamos e que merecem menção:

A Secessão, um edifício muito bonito que fica pertíssimo do mercado, que é  "casa" do estilo da Secessão Vienense, encabeçadao por Gustav Klimt. Está tudo muito pouco claro à volta do edifício, por isso inicialmente achei que isto fosse uma daquelas igrejas estranhas ou outra coisa qualquer. Na verdade é uma espécie de museu, onde decorrem exposições.

 

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Secessão

 

O Café Sacher, que dá o nome ao doce mais popular de Viena: o Sacher. É um bolo de chocolate de duas camadas, divido por doce de alperce e coberto por uma camada espessa de chocolate negro. Era das poucas coisas que sabia de Viena: lembro-me da minha irmã ter ido lá, há mais de uma década, e me ter trazido uma caixinha de madeira (que ainda guardo) com um bolo lá dentro. Era este. Passado tanto tempo voltei a comer e voltei a não adorar. Mas não há dúvida que é um dos símbolos de Viena. 

O Café e o Hotel Sacher são o sítio oficial, mas na verdade este bolo come-se em todo o lado. Há também uma loja oficial, onde podem comprar bolos grandes, pequenos, bombons, tabletes de chocolate... tudo e mais alguma coisa. É um pouco cara, mas é também dos melhores souvenirs que podem trazer. Afinal de contas... é chocolate. E chocolate é sempre bom.

 

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Fachada do Café Sacher

 

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No interior da loja dos bolos Sacher

 

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Igreja de São Miguel

 

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Museu de História da Arte e de Ciências Naturais

 

Despeço-me com o edifício mais emblemático da cidade: a Ópera. O nosso circuito incluía (ainda que por um valor pago à parte) um concerto na Ópera que optamos por não ir: primeiro porque eram umas horas a menos de passeio, segundo porque não tínhamos roupa decente para ir ver um concerto, mesmo que fosse pouco algo formal, e terceiro porque, a ver, que seja algo em bom. Também não visitamos o interior por uma questão de falta de tempo e por termos outras prioridades. Dizem, no entanto, que é uma das paragens obrigatórias: a entrada fica por 7,5 euros e inclui um bilhete para o museu (que, esse sim, dizem ser desinteressante). A verdade é que - e fazendo uma pescadinha de rabo na boca com o inicio do meu texto e com o que já mencionei também noutros parágrafos - é que eu acho que esperava outra coisa. Este é um edifício grande, mas não é um arrepio na espinha, não é um UAU. Podia ser um museu como tantos outros, um edifício de estado. Tanta coisa! O imaginário construído à volta de Viena, em particular para quem gosta de música clássica (como eu), pode ser traiçoeiro na hora de visitarmos esta capital. Por isso cautela com as expectativas!

De resto, é óbvio que é uma grande capital europeia, que merece ser visitada. Quanto a mim, espero em breve dar uma volta por outras cidades austríacas, essas sim, que dizem parecer saídas das histórias de princesas.

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Ópera vista de noite - um dos poucos edifícios iluminados

 

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Ópera vista de dia

 

Onde fiquei? No Arcotel Kaiserwasser, junto aos edifícios das Nações Unidas, numa parte muitíssimo atual a cidade. O hotel é grande e confortável, tem um bom pequeno-almoço e uma filosofia muito amiga do ambiente: caso dispensem a limpeza diária dos quartos oferecem dinheiro a uma associação relacionada com abelhas; têm "fruta feia" grátis à porta do pequeno-almoço, para os hóspedes não fazerem aquelas figuras tristes de meter fruta à socapa dentro das malas para comer durante o dia e outras coisas que tais. A decoração é toda em tons de vermelho, algo que não gostei muito, mas que se diluí comparando com outras vantagens do espaço. Fica muito perto de uma estação de metro, que fica a seis estações do centro da cidade.

Importa saber: o funcionamento das linhas de metro é relativamente intuitiva, assim como a compra dos bilhetes; para quem é do Porto será ainda mais fácil, uma vez que tem a mesma lógica que o de cá - "picam-se" os bilhetes no início e o bilhete é válido durante a hora seguinte, onde podemos andar livremente, desde que não andemos numa lógica de circuito (ir e vir, por exemplo). Não são é baratos: 2,40€ para adultos. Atentem a que há vários preços especiais consoante as idades, assim como várias modalidades (bilhetes de 72h e etc.). A língua é o alemão (difícil, mas sempre é melhor do que o húngaro!) e a moeda é o euro (aleluia!).

O que faltou ver? Entrar no edifício da Ópera e ver uma ópera. Conhecer melhor Prater. Visitar o museu da Sissi e o interior do Palácio Schönbrunn.

 

 E assim terminam os diários de bordo desta excursão! Podem ler todos clicando aqui.

02
Out18

Budapeste, a incrível capital da Hungria

“Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.” 

Chico Buarque

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É isto. As palavras de Chico Buarque dizem tudo. Não vale a pena estar cá com paninhos quentes: Budapeste ganhou-me no momento em que, na primeira noite, subi ao Castelo. Foi o momento "wow" que precisava nesta viagem e foi, sem dúvida alguma, o mais impactante de todos. Quando observei a cidade toda iluminada lembrei-me de algumas fotos que já tinha visto e soube que esta também seria a imagem que ia guardar para o resto da vida. Budapeste ganhou-me ali, sem sequer a ver à luz do dia. E, é engraçado, pensei que nunca a vista de dia bateria aquela paisagem noturna. E se por um lado não bateu, por outro não deixou de me surpreender, mais uma vez. De dia, a cidade continuava linda, mas uma beleza diferente, quase reinventada.

Budapeste são, na verdade, duas cidades: Buda - o lado da colina - e Peste, o lado plano. Pelo que percebi há uma certa rivalidade - ainda que saudável - entre os moradores de cada lado. Buda, dizem, é para os mais endinheirados, enquanto que Peste é o lado das pessoas "normais". Os dois lados são separados pelo rio Danúbio, tão celebrizado por uma obra de Strauss - há várias pontes que possibilitam esta passagem, a mais conhecida é a Ponte das Correntes (onde infelizmente não passei a pé, mas que me parece inspirada na ponte de Brooklyn, em Nova Iorque). Eu fiquei do lado de Buda, o mesmo do Castelo - daí a facilidade de ter subido até lá na noite da minha chegada -, e o oposto ao Parlamento.

 

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A Igreja de Matias de noite

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A vista do Panteão dos Pescadores, de noite. Ao fundo a Ponte das Correntes

 

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O Parlamento iluminado durante a noite, visto do Panteão dos Pescadores

 

 Acho mesmo que o Castelo e o Parlamento são os dois edifícios que nos fazem cair o queixo em Budapeste, tanto de dia como de noite. Estive, para além da primeira noite, um dia e meio na cidade - e as visitas em cada uma das manhãs corresponderam, precisamente, a estes dois locais. 

A área do Castelo (como podem ver no mapa abaixo) é gigante: isto porque o Castelo não é só o monumento em si, mas também aquela parte da cidade. Dentro do perímetro dos ex-libris, também conhecido por cidade medieval, estão a Igreja de Matias e o Bastião dos Pescadores, entre outros edifícios também conhecidos (se não me engano, um era um antigo convento das Carmelitas). Era aqui que antes viviam as pessoas importantes do reino (daí ser um castelo), mas ultimamente toda a parte institucional da Hungria (nomeadamente o governo) está do lado de Peste. Segundo a nossa guia isso pode estar prestes a acabar, uma vez que este Governo tem a intenção de se "mudar" outra vez para Buda. Em jeito de má língua, contou-nos também que o Primeiro-Ministro (sim, aquele que adora os migrantes) pretende ficar num gabinete em frente ao Danúbio, onde vai acrescentar uma varanda para poder ver melhor as vistas. Só os invejosos dirão que é má ideia ;)

A Igreja de Matias é bonita, imponente e incrivelmente branca (a entrada é paga). Digo isto porque as igrejas (principalmente muito trabalhadas) tendem a ficar escuras (e mais feias) ao longo dos tempos, dada a dificuldade de as limpar. Esta está impecável, num estado de conservação formidável, e tem um telhado em cerâmica lindo de morrer. O seu interior também é bonito, em tons de laranja. Uma das peças mais importantes, com uma história ligada à Segunda Grande Guerra, é uma Nossa Senhora negra, que está numa das capelas a igreja. A pior coisa deste duo Igreja-Bastião dos Pescadores foi um "trio" que se lhes juntou - o Hotel Hilton, um autêntico monstro feio ao lado daqueles monumentos incríveis. É uma pena. Só demonstra o poder do dinheiro.

 

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O Mapa do Castelo

 

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A Igreja de Matias

 

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 O interior da Igreja de Matias

 

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Alguns detalhes da Igreja de Matias (a Nossa Senhora à esquerda e uns vitrais à direita)

 

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A vista do Panteão dos Pescadores

 

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 Num dos "spots" mais requisitados do Bastião... e com razão

 

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Um ponto de vista do Bastião dos Pescadores

 

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À saída do Bastião dos Pescadores

 

Um dos photo-stops mais populares é a Praça dos Heróis, onde estão estátuas dos maiores líderes Húngaros e uma homenagem ao Soldado Desconhecido. Se é verdade que é uma praça bonita, também o é que eu não fazia questão de lá ter parado. Sinto que é algo "comum", que se vê em vários sítios. É mais uma. Portanto, se tiverem com um tempo apertado, aconselho a que passem esta à frente ou só de carro. Lá à volta há vários edifícios conhecidos, nomeadamente o do Museu de Belas Artes (neste momento fechado para obras); relativamente perto fica também o Parque da Cidade (penso que é lá que está inserido um lago que, no verão, dá para passear de gaivota e, no inverno, quando ele gela, se pode patinar). Ainda nas redondezas, mencionar o Balneário Széchenyi, com as famosas águas termais da Hungria - não fui lá, mas dizem ser incrível e muito bonito, com 15 piscinas, três delas ao ar livre e, claro, com água quentinha! As termas e os spa's são um must em Budapeste, há ao pontapé... de tal forma que o lago dos hipopótamos, no Jardim Zoológico, é com água termal. Luxos! ;)

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A Praça dos Heróis

 

Foi aqui que acabou a tour do primeiro dia e tivemos ordem de soltura. Optamos por ir conhecer o mercado e eu fiquei espantada com a quantidade de enchidos que eles lá têm. No andar de baixo o edifício tem inúmeras bancas de comida (peixe, carne, verdes e fruta e outras comidas) - incluindo paprika, a especiaria mais famosa da Hungria - e no de cima milhões de souvenirs. Na verdade aquilo é tanta tralha junta que é difícil ter o discernimento e a paciência para se encontrar o que quer que seja, mas não deixa de ser um local muito giro e que merece a visita. No fundo, é o nosso Bolhão mas em bom (até porque parece ter sofrido uma requalificação há relativamente pouco tempo) ou a Boqueria em Barcelona mas, se a memória não me trai, um pouquinho maior.

 

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A fachada do edifício do Mercado

 

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No interior do Mercado

 

A paragem seguinte foi na Sinagoga. Se em Praga acabamos por passar o "capítulo judeu" praticamente à frente, em Budapeste optamos mesmo por entrar (o bilhete não é barato: três mil florins). Nunca tinha entrado numa Sinagoga, em Portugal não há esta abertura, e por isso fiquei feliz por ter esta oportunidade, principalmente tendo em conta que esta é a maior da Europa, a segunda maior do mundo (a primeira fica em Nova Iorque, creio). Por sorte apanhamos uma visita guiada (grátis) dentro do local e acabamos por visitar os arredores do monumento - o cemitério e as várias homenagens que fizeram aos mortos no holocausto e a algumas personalidades que fizeram a diferença (pela positiva) neste genocídio. Aprendi muito, o guia era um senhor fantástico e um comunicador de excelência, e tive muita pena de não ter tempo para ouvir o resto da visita, feita no interior da sinagoga. Tenho a certeza que teria aprendido ainda mais. Achei o local bonito e interessantíssimo - e ainda me ri um bom bocado, uma vez que todos os homens que entram têm de usar um quipá (aqueles "chapeuzinhos" que os judeus usam) descartável, feito de papel. Mas alguns eram carecas e outros não tinham simplesmente cabeça para aquilo, por isso era vê-los sempre a segurar o papel para não voar. Hilariante.

 

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A entrada da Sinagoga

 

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Dentro da Sinagoga (vêem os quipás de papel?)

 

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Monumento aos judeus mortos no Holocausto

 

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Em muitas das "folhas" deste monumento há nomes de pessoas mortas durante aquele período negro; outras estão vazias, em homenagem aos muitos que ainda continuam desaparecidos ou que não há registo de morte

 

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Pelas ruas de Budapeste

 

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Com uma estátua desconhecida atrás de mim mas que ficou bem na foto ;)

 

O segundo dia começou com a subida ao Monte Gellert onde, para além de uma vista muito bonita para o Danúbio e para os dois lados da cidade, está a estátua da liberdade (que se vê de toda a cidade). Confesso que, apesar de ter gostado, não me fez cair o queixo. Não sei se se pode visitar este local de noite, mas desconfio que terá outra magia. No dia em que fui havia uma certa neblina no ar, que fazia com que tudo ficasse um bocadinho mais baço... talvez por isso não me tenha perdido de amores por esta vista. Mas vale a pena, quanto mais não seja para umas fotos bonitas.

 

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O Danúbio e as duas partes da cidade

 

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Uma das vistas do Monte Gellert

 

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A estátua da liberdade

 

A paragem final foi no Parlamento. Na maioria dos sítios este é um edifício que ignoramos, mas em Budapeste é impossível faze-lo: pela beleza, pela grandiosidade e pela riqueza deste monumento que faz esconder o nosso parlamento de vergonha. É incrível e bonito, tanto por dentro como por fora, e por isso merece uma visita. Se o fizerem, informem-se antes e comprem um bilhetes pela internet, porque as filas não eram pequenas; os preços são diferentes para residentes e não residentes da UE, os horários são apertados e as visitas (divididas por línguas - não há em português) entram em tranches, com horários muito rígidos e apertados. 

Aquilo é um parlamento, mas podia perfeitamente ser um palácio. Se a memória não me trai, a guia disse que com o dinheiro que se gastou entre construção e decoração deste monumento se poderia construir uma cidade funcional com cerca 70 mil pessoas, com todas as infraestruturas necessárias. Alguns detalhes interessantes e que eu apontei: tem 700 salas, 4km de passadeira vermelha ao longo dos corredores (que é aspirada todos os dias... por homens) e 20 kms de escadas! A Sala da Cúpula é a mais popular, uma vez que (para além da sua beleza) é o local onde estão as joias da coroa, guardadas por vários guardas com uma cara muito séria - desculpada unicamente pelo trabalho aborrecidíssimo que eles lá desempenham. Nessa área é proibído fotografar.

 

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O exterior do Parlamento

 

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A entrada do Parlamento para pessoas que lá trabalham, não para a "plebe"

 

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A parte traseira do local onde estão as joias da coroa, com umas escadarias imponentes

 

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Detalhes do teto do Parlamento

 

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Numa das salas do Parlamento

 

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A sala da assembleia

 

 A nossa despedida foi feita no maior ícone de Budapeste: o Danúbio! A nossa tour incluía um almoço a bordo de um barco, onde percorremos uma pequena parte do rio e vimos algumas das principais pontes de um ponto de vista diferente. E é só por isso que esta pequena volta pode eventualmente valer a pena: ver as pontes e a cidade de uma outra forma. Enquanto lá estava pensei muito sobre como se compararia aquela viagem à de uma no rio Douro e a verdade é que aqui a viagem é muito melhor; primeiro porque as pontes são mais bonitas e segundo porque as margem são também elas muito mais belas. Cá, mesmo saindo das cidades, há sempre vegetação e um quadro verde pintado a toda a volta; ali eram umas margens pouco naturais e feias, feitas maioritariamente por pedras, o que fazia com que só um lado da cidade (Peste) é que conseguisse ser visto. Ou seja: pode valer a pena se gostarem de andar de barco, de ter outra perspetiva da cidade e, acima de tudo, se tiverem tempo.

 

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O Parlamento visto do rio

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A Ponte das Correntes

 

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No barco

 

Em resumo, adorei Budapeste. Achei-a menos coerente que Praga (no sentido em que tem uma maior diversidade no tipo e no estilo de edifícios e na altura dos mesmos, por exemplo), mas de uma grande beleza. Continuo a dizer que aquela vista do Castelo, no dia da minha chegada, teria sido o suficiente para adorar a cidade. Tal como Praga, é uma cidade bonita de geral mas, ao contrário da capital Checa, tem monumentos que, no seu particular, são estonteantes (como o Parlamento). O facto de ter um rio tão popular (impossível não nos lembrarmos do Danúbio Azul) também faz com que entremos numa aura do nosso imaginário que, só por si, já traz alguma magia à cidade. Uma das coisas que também gostei muito foi a cultura das esplanadas que eles têm: em todos os sítios há cafés para nos sentarmos e aproveitarmos o dia. A Avenida Andrássy e a Váci Utca (esta última pedonal - a primeira não me lembro...) são as ruas mais populares da cidade, cheias de lojas de souvenirs e de compras, que têm mesmo de ser visitadas. 

Mas não há bela sem senão. Para além daqueles elogios todos que Chico Buarque teceu sobre Budapeste, também disse que o húngaro é a única língua que o diabo respeita. Porque o húngaro é mesmo isso: diabólico. Quando achávamos que o checo já era péssimo, fomos presenteados com aquele dialeto completa e totalmente imperceptível e impronunciável. Um terror. A par disso, diria eu, estão os húngaros, com os quais não simpatizei minimamente. Achei-os mal-educados e rudes, com muito pouca vontade de ajudar; no hotel (e apesar de eu não entender uma palavra do que diziam) percebi que estavam a gozar com a nossa cara quando reclamamos a propósito do pequeno-almoço. São uma mistura de europeus-ciganos-móngois. Eu sei que é estranho (pode até soar a preconceituoso), mas é a melhor forma que tenho de os descrever. Não vim de lá fã deste povo.

De resto... muitos corações para Budapeste! Posso confessar secretamente que, da quadra de capitais que visitamos, foi a que mais me encantou. 

 

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Um "cheirinho" da cidade

 

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E mais um, com a sua luz tão característica

 

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... e mais um!

 

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Até um dia, Budapeste!

 

Onde fiquei? No hotel Mercure Buda. Diria que a localização é boa (15 minutos a pé do Castelo), mas a experiência foi no geral má - em grande parte por viajar em grupo. Achei o quarto agradável, confortável e bem decorado, com uma casa de banho espaçosa - mas o pequeno-almoço foi um desastre. Tão mau que valeu uma reclamação por escrito na receção e uma crítica destruidora no TripAdvisor, quando cheguei cá. Havia um espaço de pequeno-almoço reservado a grupos e que era frequentemente invadido por dezenas de asiáticos, que usurpavam tudo o que podiam. E estou em falar de tupperwares em cima de tupperwares cheios de ovos, fruta, pão e tudo o que houvesse, deixando o local - para além de imundo - completamente vazio. Mais do que ter pouco que comer, tinha nojo sequer de pôr os cotovelos em cima da mesa. Foi horrível.

No que respeita à estadia, escolher um hotel em Budapeste é sempre um bocadinho cruel: temos obrigatoriamente de escolher um lado da cidade e vamos ter, eventualmente, de atravessar para o outro de forma a visitar as coisas mais bonitas. Por isso boa sorte!

A saber: A moeda é o mais chato na Hungria porque a conversão não é muito prática e implica muitos zeros. Um euro equivale a cerca de 300 florins. Portanto é normal pagarem valores que, para nós, são absurdos... tipo 10 mil florins por um almoço ou mil florins por um íman. Soa-nos tudo demasiado grande.

Gostei do ambiente noturno da cidade, com muitas luzes e com uma boa sensação de segurança.

Uma das coisas populares em Budapeste são os jantares com música ao vivo e com as danças húngaras, com semelhanças ao nosso folclore. Os músicos são quase todos ciganos (é mesmo, dizem-no sem pudores) e as músicas seguem esse estilo. Um dos jantares de grupo foi num destes locais e eu dispensava mais que muito, mas depende do estilo de cada um. 

O que faltou ver? Acabar de ouvir a visita guiada na Sinagoga, passar a pé na Ponte das Correntes e ir às termas. Ver a Basílica de São Estevão e a Ópera.

17
Set18

Uma breve passagem por Bratislava, na Eslováquia

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A minha passagem por Bratislava não passou mesmo disso: uma passagem. A capital da Eslováquia fica a meio caminho entre Praga e Budapeste, pelo que é a paragem perfeita para esticar as pernas, comer qualquer coisa e fazer mais um "check" na nossa lista de capitais e de países por onde já passamos. Demoramos cerca de 4 horas a lá chegar - saídos de Praga - e depois ainda passamos mais três horas dentro do autocarro para ir até Budapeste. Estava muito preocupada com estas horas de viagem, principalmente tendo em conta que nunca fui muito fã de viagens de autocarro, mas devo dizer que não foi nada por aí além: entre um estado de meio-sono e o embalo da música que pus nos auriculares, a coisa fez-se bem.

Ou seja: eu não posso dizer que conheci Bratislava. Foi um passeio agradável, digamos. Mas a verdade é que fiquei com a ideia de que não é uma cidade que tenha muito que ver e onde compense ir de forma exclusiva, sem passar por outras cidades ou países.

Tivemos cerca de uma hora para passear no centro depois do almoço (curiosamente o restaurante era precisamente em frente à embaixada portuguesa), parte dela feita com uma guia que nos fez uma breve introdução à capital e explicou alguns dos edifícios que vimos. Como só vagueamos por aquela zona, o Castelo de Bratislava - que dizem ser um dos pontos a visitar na cidade - ficou de fora dos planos. Confesso que não fiz grande pesquisa sobre a cidade porque sabia que não ia ter tempo para a explorar. Fui sem expectativas e sem planos - e, com tão pouco tempo, era difícil defraudar qualquer um dos dois.

Como não tenho muito para dizer, prefiro mostrar fotos e legendar com aquilo que sei e as impressões que fui ficando. Ora vamos lá:

 

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A Catedral de São Martinho, uma das maiores e mais antigas da cidade, que foi o local de coroação de vários reis entre 1563 e 1830. Não houve tempo para ver o seu interior

 

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A embaixada portuguesa que, curiosamente, ficava precisamente em frente ao local onde almoçamos

 

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O local onde Mozart deu o seu primeiro concerto, aos 6 anos. Metade das peças que tocou já eram compostas por ele. Um génio. (Nesta fase da minha vida, ai de mim que não tirasse uma foto aqui!)

 

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Provavelmente a estátua mais conhecida e visita de Bratilslava: o Cumil, mais conhecido por Man at Work, que representa um homem deveras trabalhador que nos seus muitos tempos livres se punha nesta posição para espreitar por debaixo das saias das senhoras. Há muitas estátuas engraçadas (e bem feitas) nesta cidade. Podem ver mais algumas neste site.

 

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A estátua de Hans Christian Andersen é outra das tais. De frente pode parecer uma estátua normal, mas nas suas costas estão algumas personagens dos muitos contos infantis que escreveu. Daquilo que percebo, Hans nunca viveu nesta cidade, mas referiu-se uma vez a ela como sendo um autêntico conto de fadas.

 

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A praça principal, que tem uma fonte no centro, e em onde o protagonismo vai para o Old Town Hall, que atualmente alberga o Museu Municipal, o museu mais antigo da Eslováquia, fundado em 1868.

 

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À volta da praça há inúmeros cafés e esplanadas muito agradáveis. Na altura em que fui, havia também uma pequena feirinha de souvenirs e algum artesanato.

 

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A cidade é calma e o espírito é bom, sem grandes correrias, pressas ou multidões de turistas.

 

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Para além de caixas de música de Mozart e de imensas coisas de Klimt (o pintor vienense - não me perguntem porque há coisas dele aqui), os souvenirs mais riquinhos de Bratislava eram estas flores em vidro. Havia de diferentes tamanhos e cores e, quando colocadas naqueles vasinhos de madeira, eram um autêntico mimo.

 

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A apreciar o edifícios, também eles bonitos como em Praga, mais mais pobres. Tudo na Eslováquia é mais pobre do que na República Checa e essa diferença berrante também deve ter contribuído para a divisão dos (agora) dois países. Apesar de tudo, ainda que com um centro histórico pequeno, achei uma cidade simpática. O que lhe falta em ex-libris tem em calmia o que, por estes dias, parece ser raro em quase todas as capitais. É como digo: se estiverem por lá, vale a pena passar uma tarde e fazer o "check". 

 

 

Importa saber: na Eslováquia o Euro está implementado, por isso não há trocas ou contas de cabeça para fazer. Yey!

O que faltou ver? De berrante, o Castelo de Bratislava e o Castelo de Devin, construído sobre um rochedo, à moda do Game of Thrones. A Igreja de Santa Elisabeth, também conhecida por Igreja Azul, também parece ser um local que merece a visita.

15
Set18

Dois dias em Praga, a cidade harmoniosa

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 À entrada do Castelo de Praga, com a bandeira nacional

 

Praga foi a primeira cidade que visitei neste meu percurso. Devo confessar que era aquela da qual guardava maiores expectativas, muito por culpa da (pouca) preparação que fiz antes da viagem, das imagens que fui vendo e do muito que me foram falando dela ao longo dos últimos anos.

A minha primeira perceção da cidade foi um tanto ao quanto vazia; fui dar um passeio de noite, no dia da minha chegada, e não se via praticamente ninguém na rua. Pensei, mais uma vez, na situação não-tão-hipotética de estar lá sozinha e a verdade é que não me sentiria muito segura. Não por me sentir ameaçada, mas pela sensação de que se gritasse ninguém me ouviria - não obstante, toda a gente diz que a cidade é muito segura e que não costumam haver problemas para além dos típicos carteiristas. Nessa mesma noite também comecei a definir a minha opinião sobre o checos, quando os vi no único bar movimentado da zona a pôr as beatas dos cigarros nos cinzeiros que carregaram consigo até ao exterior (pousando-os nos beirais das janelas e noutros sítios práticos, de forma a não as atirar para o chão). Mais uns pontinhos na minha consideração! Ao fim dos dois dias acabei também por os achar acessíveis, numa clara tentativa de abertura ao mundo (depois das consequências de quarenta e cinco anos de comunismo no país) - começando pela língua. O checo é absolutamente incompreensível e apesar de a maioria deles ainda não ser perito no inglês - mesmo as camadas mais jovens - nota-se um esforço grande para comunicar com os turistas.

Já de dia, percebi que o adjetivo que melhor descreve a capital da República Checa é “harmoniosa”. Isto porque Praga é uma cidade linda como um todo, é coerente - não só por fora, mas também por dentro, com bares, hotéis e espaços públicos muito bem decorados, com um ar "cozy" e confortável. Mas se olharmos ao detalhe não vemos nada que nos faça cair o queixo de espanto, como acontece por exemplo em Itália. Tudo ali é bonito, limpo e bem tratado (os edifícios são todos reconstruídos - e o que não está, está a sofrer obras de requalificação), ornamentado com as imensas igrejas que por lá há, que pintalgam a paisagem com uns elementos mais ricos e as suas imensas estátuas. Todos os edifícios do centro da cidade (não só o centro histórico, mas também os bairros centrais – na periferia já não é tanto assim) têm um estilo imperial: todos da mesma altura, com majestosas janelas e tons pastel, que fizeram as minhas delícias em cada rua que passei. 

Se tivesse de fazer uma comparação - e já desvendando um bocadinho do post sobre Budapeste -  diria que Praga é comparável ao Porto e a capital da Hungria seria, nesta minha analogia, Lisboa. Isto porque Praga é ligeiramente mais escura, as ruas são mais estreitas, a luz não se reflete em tudo o que se vê. Vi partes que me lembraram Tallin (a saída do Castelo em direção à Cidade Velha), com o seu ar medieval, e outras São Petersburgo, em algumas das avenidas mais amplas. A verdade é que o tempo que apanhei não abonou à boa luz da cidade, mas foi óptimo para passear: estava muito nublado, quase sempre a ameaçar chover, mas tal acabou por nunca acontecer. Isto fez com que o passeio fosse fresco e que não tivéssemos de estar constantemente a parar em sombras e a beber litros de água para conseguirmos continuar a caminhada.

 

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Se por um lado o tempo ajudou ao passeio, houve um "pormaior" que dificultou a nossa vida em Praga: a mala da minha mãe não chegou connosco, por isso passamos parte do tempo que estaríamos a conhecer a cidade atrás de algumas roupas que ela pusesse usar caso a mala não chegasse durante mais um dia - felizmente chegou (seria muito mau se não chegasse, porque dali a dois dias já seguiríamos caminho para outra cidade) e o resto da viagem decorreu de forma normal.

O circuito que compramos previa dois dias na República Checa, mas só um dia em Praga - o segundo seria passado em Karlovy Vary, a cidade balnear mais famosa do país, que fica a cerca de duas horas e meia de autocarro. Ainda antes de partimos, eu e os meus pais tínhamos decidido não ir com o grupo a este sítio: se dois dias em Praga já é pouco, um dia muito menos. Pesquisei, vi fotos e de facto a cidade balnear é muito gira - mas, para nós, não compensava passar cinco horas dentro do autocarro quando estava numa outra cidade linda que ainda me faltava conhecer. Assim, fizemos uma tour conjunta na manhã do primeiro dia e tivemos essa tarde livre, assim como todo o segundo dia. 

A visita começou no Castelo de Praga, a morada do presidente checo. Devo já adiantar que esta foi provavelmente a tour que, para mim, foi pior gerida: passamos muito tempo em sítios que não mereciam tanto destaque e não fomos a outros locais que devíamos ter ido. A Catedral de São Vito é um exemplo: apesar de ser o símbolo maior do Castelo acabamos por não visitar, por supostamente estar uma missa a decorrer (embora eu tenha visto um grupo a entrar na igreja). Por fora é bonita, mas tenho a certeza que valia a pena a ida ao seu interior - para além das suas inúmeras capelas, túmulos e vitrais amplamente conhecidos, é lá que estão as jóias da Coroa, dentro da Capela de São Venceslau - algo que está literalmente fechado a sete chaves, cada uma delas distribuída por várias pessoas importantes para a cidade ou para o país (como o Presidente da Republica, o Primeiro-Ministro, o Arcebispo e etc.). Se quiserem saber mais sobre esta catedral, este site tem imensas informações sobre todos os seus recantos.

 

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Um dos pátios do Castelo

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Catedral de São Vito

 

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Uma das entradas da Catedral

 

A Rua do Ouro é outra falha grave: não passamos por lá - se não me engano, é uma das partes pagas da visita ao Castelo - mas é geral a opinião de que este é um dos sítios a visitar: inicialmente era a rua onde viviam os guardiões do Castelo, mais tarde ourives (daí o seu nome) e depois passou a ser povoada por mendigos e delinquentes. Coincidência ou não, foi lá - no número 22 - que viveu Frankz Kafka durante parte da sua vida.

 

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 Basílica e Convento de São Jorge - atualmente alberga a coleção de arte boémia do século XIX da Galeria Nacional de Praga

 

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Numa das entradas do Castelo 

 

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No miradouro junto à entrada do Castelo 

 

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Já ia preparada para apanhar avalanches de gente em tudo o que era ruas da cidade, apesar daquele primeiro impacto inicial depois do passeio noturno. No entanto, acho que me mentalizei de tal forma para isto que, quando lá cheguei, não foi assim tão mau; talvez o tempo mais escuro tenha afugentado algumas pessoas das ruas, mas a verdade é que já testemunhei muito pior (neste momento lembro-me de Dubrovnik, que por vezes se tornava intransitável). Frisar, no entanto, as paletes de turistas asiáticos que se veem em todas as cidades por onde passei. É i-na-cre-di-tá-vel. É um bocadinho chato dizer isto, mas estamos a ser invadidos. E a presença deles faz-se sentir em grande parte porque andam sempre todos juntinhos - desconfio que andam religiosamente atrás dos guias, até porque não sabem falar outra língua para além da deles - e torna-se difícil ultrapassa-los quando os encontramos em ruas mais apertadas ou espaços já por si caóticos.

A encabeçar o Top 3 dos sítios mais movimentados de Praga está, sem dúvida alguma, a Ponte Carlos - uma das várias que faz a travessia do rio Vltava (ou, em português, Moldava) . É a mais bonita da cidade e a "residência" de muitos artistas de rua - desde músicos até pintores - o que atrai muitos, muitos turistas. É a ponte que liga a área do Castelo até à cidade velha, por isso é usada de facto para fazer uma rota muito comum, o que ainda piora as coisas no que à afluência de pessoas diz respeito.

 

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Na Ponte Carlos

 

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Um retratista na Ponte Carlos

 

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A Ponte Carlos lá atrás

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O movimento na ponte Carlos

 

Outro dos ex-libris da cidade é o Relógio Astronómico, situado na Praça Velha. Infelizmente, quando lá fui, o relógio (e o edifício?) estava fechado para obras; segundo apurei é suposto tudo estar pronto em Outubro, mês em que se vai festejar o centenário da fundação da Checoslováquia, mas até àquele momento pouco se deslindava por detrás dos panos que o protegiam.

Toda a praça é animada, com estátuas vivas, música e lojinhas de souvenirs e de comida. O que mais se vê é o trdelnik, um doce tradicional um tanto ao quanto difícil de descrever: são uns rolinhos de massa "assados" em forma de cilindro, que se servem simples (com açúcar e canela) ou recheados com gelado. Era algo que, se fosse em Portugal, seria claramente frito: lá, assam-nos quase como nós assamos o porco no espeto, rodando a massa constantemente até ficar cozida e tostada por fora. O veredicto? É um doce engraçado, um bocadinho enjoativo e nada do outro mundo. Experimentem-no, mas guardem o resto das calorias para a verdadeira pastelaria: a portuguesa. Outra coisa que me ficou debaixo de olho foram as batatas fritas, com casca!, servidas num palito gigante. Tinham um ar delicioso, mas nunca chegou a altura certa para as comer.

 

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Ao lado do relógio astronómico (à direita vêem-se os panos azuis que o cobrem devido às obras)

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Uma das igrejas vista da Praça Velha 

 

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Na Praça Velha

 

Se há coisa que eu gosto de fazer numa cidade estrangeira é "perder-me" no seu centro, conhecer as ruas afluentes dos sítios principais e andar um bocadinho sem destino. No fundo, tentar perceber como funciona a cidade fora dos seus locais mais consagrados, ver as pessoas que lá vivem e trabalham. Ao fazer isto, no dia que tivemos livre, apercebi-me que o centro de Praga é relativamente pequeno - embora no mapa as distâncias parecessem muito maiores. Andava por duas ou três ruas diferentes e ia dar a um sítio onde já tinha estado. E para fugir deste ciclo vicioso decidimos sair um bocadinho do centro da cidade e visitar um dos locais que dizem ter a melhor vista de Praga: o Monte Pétrin. Fomos a pé, num caminho feito em grande parte pelas margens do rio, e enquanto apreciávamos os patos bravos que lá nadavam o meu pai reparou num animal dissonante. Não tinha penas, não eram patos. Depois de vermos bem - e de nos perguntarmos inúmeras vezes "será que isto são ratos gigantes?" - percebemos que eram castores. Castores! Nunca na vida tinha visto uns, parecia uma criança no dia de Natal. (Mais tarde fui pesquisar porque estes castores não tinham uma "pala" no lugar da cauda, parecia simplesmente uma cauda nojenta de rato, mas pelos vistos há algumas espécies assim. Lá se foi a ideia "fofinha" que tinha dos castores...).

Não sei se foi uma coisa esporádica ou da época, mas - e já que estamos a falar de animais - nunca vi uma cidade com tantas abelhas. Como andei sempre de casaco amarelo, cor que elas parecem apreciar, fui várias vezes perseguida por estes insetos que estavam literalmente por todo o lado - e em particular nos caixotes do lixo, dos quais eu fugia a sete pés. Diria que foi um milagre ter saído de lá sem uma única picadela.

 

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Segundo li, os castores estiveram "desaparecidos" do Rio Moldava durante mais de 150 anos. Parece que agora estão de volta!

 

A Torre Pétrin (uma "miniatura" da Torre Eiffel, com 51 metros de altura) é o monumento mais conhecido deste alto da cidade, que fica 138 metros acima do nível do rio. Para além disso é conhecido pelos seus enormes jardins, uma igreja (que não vi), um observatório espacial e um labirinto de espelhos. Fiquei um bocadinho chateada porque a vista sobre a qual tinha lido referia-se ao topo da Torre - o que implicava subir mais de 200 degraus, algo para o qual não estava preparada nem tinha particular vontade - e não propriamente ao local em si, cuja vista para a cidade está maioritariamente impedida por árvores e outros tipos de vegetação. Acabei por ir ao labirinto de espelhos, que é giro, mas que não é um labirinto - é apenas um caminho curto com espelhos, que dá para tirar algumas fotos giras, mas pouco mais para além disso. Para quem tiver tempo e coroas checas em excesso na carteira (a entrada custa 180), aconselho; caso contrário, munam-se de água, toalhitas para o suor e uma camisola de manga curta e subam até à Torre. 

 

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Torre Pétrin - a foto parece a preto e branco, mas não é: o dia estava mesmo assim

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No labirinto dos espelhos, no Monte Pétrin

 

Como nesse dia estávamos sozinhos e sabendo que íamos andar de um lado para o outro - e tendo em conta que o nosso hotel era relativamente longe do centro (informações sobre o sítio onde fiquei no fundo do post) e tinha elétrico praticamente à porta - optamos por comprar o bilhete de 24 horas que é transversal para todos os transportes públicos (podem comprar nas estações de metro - muitas só aceitam moedas - e nas tabacarias), que nos custou 110 coroas checas (pouco mais de quatro euros). A frequência dos elétricos é bastante boa e o seu funcionamento é intuitivo, desde que tenham um mapa convosco e saibam os sítios para onde querem ir. Foi assim que subimos até ao Monte Pétrin (através do funicular) e que voltamos para o centro da cidade, de elétrico.

Por entre os passeios ainda houve tempo para ver umas montras giras e de passear no bairro judaico, onde há cinco sinagogas (onde é permitida a entrada). O sítio mais conhecido deste bairro é, no entanto, o cemitério, onde se estimam que estejam enterradas mais de 100 mil pessoas (e onde estão 12 mil lápides). O bilhete que dá acesso a todos estes locais custa 300 coroas checas (o equivalente a 12 euros), mas optamos por não visitar, em grande parte porque já se aproximava a hora do fecho e íamos ter de andar a correr de um lado para o outro.

 

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Numa montra de brinquedos 

 

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Numa "ilha" vertical no meio da cidade, com roupa a secar

 

Referir, por fim, que Praga transpira cultura: muito mais do que os artistas de rua, Praga tem imensos teatros, espalhados por tudo quanto é sítio. A nossa tour incluía uma peça de teatro negro (chamada WOW), que acabou por me surpreender muito pela positiva. Pelo sítio onde foi e pelo número de pessoas envolvidas no espetáculo, calculo que seja algo com um low-budget, mas os efeitos visuais eram muito giros e, diria até, surpreendentes. O pior da peça foi mesmo a história, praticamente impercetível: uma mistura entre sonhos, a natureza e os seus elementos... qualquer coisa estranha. Mas foi uma hora engraçada, que valeu algumas gargalhadas.

 

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Um dos teatros no centro de Praga

 

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A Torre da Pólvora, uma das mais conhecidas da cidade

 

Podendo, é sem dúvida uma cidade a visitar. Diria que três dias inteiros dão para muitos passeios calmos, muitas fotos e, claro, (para quem gosta) muitas paragens nos bares para beber a típica cerveja! 

 

Onde fiquei? Por ter feito uma excursão, os hotéis onde fiquei não foram escolhidos por mim. Mas em Praga tive sorte: fiquei no Penta Hotel, um hotel giríssimo, em que a receção era um bar e onde todo o espaço de lobby era recheado de mesas (tinha restaurante - bastante bom para o nível de um hotel), sofás, um bilhar, playstation e todas essas coisas giras. Era também lá que eram servidos os pequenos-almoços (bons e completos). O quarto era giríssimo, super bem decorado e confortável; as amenities eram super originais e cheirosas. Tinha wi-fi grátis (sinal fraquinho) e um Lidl a um minuto a pé, o que dá jeito para comprar frutas, bolachas e líquidos para andarmos abastecidos durante o dia inteiro. Lado menos positivo: ficava um bocadinho longe do centro.

Importa saber: Apesar de fazerem parte da União Europeia, não adotaram o Euro - o que para nós, gente já pouco habituada a ter de trocar moeda e fazer contas, é um bocadinho chato. Um euro representa cerca de 25 coroas checas. A língua checa é impossível de perceber, por isso ou se recorre ao inglês ou à linguagem gestual. Boa sorte em ambos os casos! ;)

O que faltou ver? A Rua do Ouro, a vista da Torre Petrín e do Parque Létna, a Lenon Wall, o cemitério judeu e o Relógio Astronómico a funcionar. Ah!, e fazer um retrato na Ponte Carlos.

11
Set18

Fazer uma excursão: como é, vantagens e desvantagens

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 A vista do meu lugar no autocarro

 

Apesar de o blog ter andado pacatamente normal na última semana, quem me acompanha nas redes sociais deve ter-se apercebido que os últimos dias tiveram pouco de calmo. Na verdade, foi um corropio. Durante uma semana passei por Praga, Bratislava, Budapeste e Viena – um percurso que fizemos de autocarro com um grupo e um roteiro muito bem definido, cansativo quanto baste.

Depois de nos dois últimos anos termos feito cruzeiros, e já tendo esgotado as nossas rotas preferidas (nomeadamente na Europa), decidimos que este ano íamos fazer algo diferente. Há muito tempo que as capitais da Europa central pairavam nas nossas cabeças e algures no início do ano fomos a uma agência de viagens e acabamos por nos decidir por esta alternativa - o circuito "As 4 Capitais da Europa Central", feita pela Nortravel. Os meus pais já tinham feito uma coisa deste género nos Estados Unidos, para mim foi uma estreia. E, como em tudo na vida, tem vantagens e desvantagens - que vou passar a enumerar abaixo, assim como alguns detalhes que acho importantes.

 

AS PESSOAS

A forma mais fácil que eu tenho de descrever isto é dizer que fazer uma excursão em grupo é quase como um regresso à escola, mas numa permanente visita de estudo. Ao todo éramos 23 (eu era a única desemparelhada – a culpada por sermos um número ímpar - e, claro, a mais nova do grupo) e, como seria de esperar, vínhamos todos de contextos e sítios diferentes, com uma formação e educação muito distintas. Era um grupo bastante heterogéneo, em todos os sentidos. Havia o palhaço, havia o tímido, havia a-Maria-vai-com-todos, havia a estridente, havia a “mãezinha”... havia de tudo, tal e qual uma turma de liceu! E, como é lógico, surgem rapidamente empatias com uns e distância de outros, tal como acontece numa turma – e grupos, claro. Ao fim de dois dias os elementos das mesas já estão praticamente definidos, assim como quem se sente atrás e à frente do autocarro (eu não disse que isto era como na escola?!).

Confesso que para mim foi estranha a falta de abertura que houve logo de início. O grupo era maioritariamente de pessoas mais velhas (com média entre os 50 e 60 anos, provavelmente) e talvez isto seja algo geracional, mas a verdade é que saí da excursão sem saber o nome de muita gente. Acho que na minha geração temos logo a tendência de nos apresentarmos, dizermos de onde somos, o que fazemos, que idade temos; talvez aqui, por ser de alguma forma evidente que os contextos socio-económicos eram distintos e serem pessoas com outros hábitos, tal não aconteceu. Parecia que estava tudo no segredo dos deuses, o que não ajudou a uma interação completa entre todos os membros – os viajantes que faziam parte do mesmo “grupinho” iam sabendo mais entre si, todos os outros tendiam a ficar na ignorância. Apesar disto, a convivência entre todos era simpática, ainda que de alguma circunstância. Acredito que um mau grupo – ou simplesmente um grupo onde alguém não se integre – possa fazer a diferença numa viagem deste tipo.

 

AS GUIAS

Não há uma turma sem professora. Neste caso tínhamos uma guia, que nos acompanhou do princípio ao fim da viagem, e que era quem tinha de pôr toda a gente na linha – um papel que não invejo. Não é fácil para uma rapariga, na ordem dos seus 30 anos, pôr ordem num conjunto de pessoas que têm idade para ser pais dela – e alguns homens que, sendo homens, não apreciam que sejam uma mulher a impor as regras. Mas a verdade é que não há alternativa e há que ser muito rigoroso: se há alguma coisa essencial nestas viagens é, por exemplo, a pontualidade. Houve uma situação em que dois elementos se atrasaram e tudo ficou um bocadinho em alvoroço. A gestão de pessoas é, em todas as áreas, o maior desafio de todos – e aqui não é exceção.

Para além desta guia principal, com quem tratávamos de todas as questões práticas (era ela que definia o horário e o plano do dia) havia, em cada uma das cidades, uma guia local que nos levava e descrevia os locais com mais pormenor. Curiosamente foram todas mulheres e todas falavam português – algo indispensável, pois vários membros do grupo não sabiam falar inglês.

 

AS REGRAS

Eu ficava fula sempre que as pessoas se punham a reclamar dos horários, dos tempos para isto e para aquilo. Quem se mete neste tipo de viagens tem de perceber que isto não funciona sem regras rígidas, que têm mesmo de ser cumpridas. Se são do tipo de pessoas que gosta de acordar ao 12h, passear relaxadamente pelas avenidas e ainda fazer um retrato pelo caminho numa das ruas pedonais mais famosas da cidade... esta modalidade de viajar não é a indicada para vós. Também não é o ideal para quem gosta de passar dez minutos atrás da fotografia perfeita. Nem para quem é demasiado independente.

Primeiro havia hora para acordar. E não, não era definida pelas pessoas: era a guia que definia a wake-up call à hora pretendida, por isso ou acordam... ou acordam. Nos dias de viagem entre cidades havia também uma hora para colocar as malas à porta do quarto (cerca de uma hora antes da saída do hotel) para que não tivéssemos de as carregar e estas pudessem ser contadas e colocadas dentro do autocarro. E, claro, havia horas de saída e de pontos de encontro. Todos os tempos livres eram contados ao minuto e a tolerância para atrasos era baixa – até porque em alguns sítios os autocarros só podiam parar por escassos momentos, por isso era problemático se a contagem das pessoas não desse o número certo à hora marcada.

No fundo, a única coisa que é preciso fazer (para além de não ser preguiçoso) é pôr as regras de civismo e boa educação em prática, ter em mente que deixamos de ser um só para ser “apenas” um dos membros de um grupo maior, que deve sempre prevalecer nas nossas decisões durante o tempo de viagem.

 

AS VANTAGENS

A maior vantagem é, sem dúvida, ter a “papinha” toda feita. Nem o check-in fazíamos! Chegávamos ao hotel, esperávamos cinco minutos e logo depois tínhamos a chave na nossa mão, já com tudo pronto para nos receber. Esta excursão em particular tinha tudo incluído, por isso até as refeições estavam todas combinadas ao pormenor.

Esta é também  uma forma fácil de conhecer vários sítios num curto período de tempo, com a garantia de que nos mostram os sítios mais emblemáticos e que nos dão a conhecer algum do contexto e da história da cidade, assim como do país. Se não quisermos não precisamos de fazer nenhum tipo de pesquisa à priori – podemos ir completamente às cegas, pois sabemos que vamos ser sempre elucidados pelo caminho. As guias estão sempre disponíveis para dar dicas sobre onde ir, como ir, o que ver e quando ver – ou porque vivem lá ou porque já têm conhecimento de causa para falar, o que evita muitos imprevistos e percalços que acontecem a todos os viajantes que andam por si próprios e partem à descoberta.

É também uma forma óptima de se viajar sozinho, pois apesar de estarmos sem a companhia de alguém conhecido, rapidamente nos entranhamos no grupo e simpatizamos com alguém que se assemelhe a nós. No fundo, é viajar sozinho, mas acompanhado.

 

AS DESVANTAGENS

Para mim, a maior desvantagem é a falta de liberdade e a sensação de que o meu tempo não está a ser gerido da melhor forma – sim, tenho uma veia independentista um bocadinho acentuada. Os minutos estão sempre contados neste tipo de situações e há momentos em que parece que estamos a correr contra o tempo. Lembro-me de estar na Ponte de Carlos, em Praga, e da guia estar a acelerar por ali fora, quando todos queríamos parar e tirar fotos; acaba por ser algo stressante, porque acabamos mesmo por tirar as fotos, mas estamos sempre de olho na bandeirinha de Portugal que ela carrega para tentarmos não a perder de vista e tentar apanhar o grupo com uma corridinha logo depois de todos os clicks estarem feitos. O nosso tempo deixa de ser nosso, para estar a ser governado por outras pessoas – mas é mesmo assim, faz parte das regras quando se entra numa coisa deste género.

Os tempos livres sabem a pouco e há que fazer cedências, que não são poucas: não convém afastarmo-nos muito do ponto de encontro e, de tudo o que gostaríamos de fazer, sabemos que só algumas é que podem ser concretizadas. Nunca há tempo para tudo e, creio eu, nunca aproveitamos as coisas a 100%: estamos sempre a pensar no que vamos fazer a seguir, no caminho que vamos seguir, a forma mais rápida de lá chegar... e quando lá chegamos, mais uma vez, já pensamos em partir para outra coisa qualquer.

A falta de liberdade pode também revelar-se numa coisa tão simples como não poder escolher aquilo que se come às refeições. Eu vim um quilo mais leve, e não foi por ter adorado a comida ;)

E, claro, não esquecer o cansaço que uma viagem destas acarreta. Apesar da maioria das pessoas que faz este tipo de coisas ter idades mais avançadas, a verdade é que isto cansa! Andar sempre com as malas num faz-desfaz constante (mesmo que não as desfaçam na totalidade, como aconteceu comigo), acordar cedo, fazer várias horas de viagem num autocarro, andar a passo de procissão atrás da guia, às vezes debaixo de um sol abrasador... não é fácil. Não se compara a uma praia no Algarve ou em Punta Cana. É para chegar mais cansado do que se foi – com a alma cheia, é um facto, mas com o corpo a pedir umas horinhas extra de sono ;)

 

Nos próximos posts faço uma descrição alargada, estilo diário de bordo, sobre cada uma das paragens desta minha viagem. Podem ler tudo relacionado com ela clicando aqui.

29
Ago18

Vamos falar sobre o "perigo" do Gerês?

Estava ontem no meio de uma insónia, a fazer scroll no facebook, quando me deparei com mais uma notícia que contava o desaparecimento de duas pessoas no Gerês. A pergunta que se impõe é: até quando é que isto vai durar? Até quando é que vão continuar a “diabolizar” uma das zonas mais bonitas do país? Porque a continuar assim, tenho medo que tomem medidas radicais e mais ninguém possa voltar a ver as cascatas.

A verdade é que há três principais razões pelas quais as pessoas morrem, se magoam e/ou se perdem nas zonas das cascatas do Gerês: a primeira é estupidez, a segunda é falta de sorte e a terceira é falta de indicações e condições. As primeiras duas são altamente faladas nas notícias e nas redes sociais, a última parece ser ignorada, quando não devia.

Estou longe de conhecer a região como a palma da minha mão, mas há três anos consecutivos que vou às cascatas - nos últimos dois anos acampei, este ano fiz só uma visita de médico. Já fui a todos os ex-libris - a Portela do Homem, o Arado, o Thaithi, as 7 Lagoas - e desta vez fui a dois sítios menos conhecidos - a Cascata de Pincães e a Cela de Cavalos. E antes de mais nada, é preciso fazer aqui um disclaimer: eu considero-me uma pessoa muito responsável e ajuizada, que corre poucos riscos e que mede sempre as consequências. E, apesar de tudo isso, fui.

Comecemos por analisar os problemas, um a um:

- A estupidez humana. Começa por fazer aqueles trilhos, subidas e descidas de rochas com havaianas. Se cair com havaianas, em solo normal, já é fácil, num sítio daqueles ainda mais. Depois há uma percentagem enorme de pessoas que é incapaz de medir os riscos: já disse aqui que saí várias vezes das cascatas por me sentir agoniada ao ver dezenas de pessoas a saltar, muitas vezes sem sequer testar o sítio onde vão cair, e com rochas no caminho (que, quando um salto não é bem dado e a distância mínima não é assegurada, pode acabar em morte). Depois existem ainda as crianças, que para além de também saltarem (sem reprimendas dos pais) não tomam muitas vezes as precauções devidas, nem durante o caminho, nem enquanto lá estão.

Para mim, as cascatas do Gerês são como o Monte Palace nos Açores: não se deve ir nem com amigos parvos nem com crianças, uma vez que a segurança de ninguém está assegurada e não há margem para grandes brincadeiras. Parte do problema reside também no facto das pessoas acharem que aquilo se trata de uma praia e acamparem nestes locais o dia inteiro - vi várias grupos a fazer aqueles caminhos com lancheiras, garrafões de água e até carrinhos de bebé (quem é que vai com um bebé de colo para estes sítios?!), o que depois dificulta a circulação na própria lagoa, o que faz com que as outras pessoas circulem por caminhos mais perigosos e os acidentes aconteçam.

 

- Má sorte. Está em todo o lado. Ir num dia mau para o Gerês não é uma boa escolha. Basta uma pedra mal assente ou musgo escondido numa rocha para um dia divertido dar para o torto. A única hipótese é ter cuidados redobrados.

 

- Falta de indicações ou condições. Este fator tem quase tanta culpa como o da estupidez humana. Eu acho que a autarquia, de forma a evitar que as pessoas vão para aqueles sítios que só lhes dão problemas, coloca pouca ou nenhuma informação acerca do caminho para as cascatas. O sítio delas está indicado em placas de trânsito mas, quando uma pessoa lá chega, nada. A forma típica de encontrar caminhos é ir perguntando às pessoas que estão a voltar. Lembro-me que nas cascatas do Thaithi a senhora onde estacionei o carro me disse qualquer coisa como "siga sempre pelas oliveiras e depois vire à direita". E, atenção, eu sei distinguir oliveiras, mas no meio de outras 300 espécies e quando se está concentrado em não cair, a tarefa não é assim tão fácil. Desta última vez, em Pincães, disseram-me para seguir sempre o curso de água e já estaria logo lá: o "logo" era meia hora depois, o curso de água acabava num sítio e depois uma pessoa tinha de aventurar. Nesse mesmo dia, para ir à Cela de Cavalos, andei uns 3kms a mais do que devia; no fundo, perdi-me. Tive a sorte de, num certo ponto, ter apanhado rede e visto no GPS que me estava a afastar do sítio onde a lagoa estava sinalizada. E sabem que mais? Eu tinha estado a 300 metros da dita cascata, mas em vez de virar à direita na ponte, virei à esquerda. Uma simples seta faria a diferença! Uma porcaria de madeira lá pendurada. Isto faz sentido?

Mesmo no que diz respeito aos caminhos e aos trilhos, para além das indicações, tudo devia estar melhor definido e em melhores condições. Lembro-me de, nos Açores, existirem grandes desníveis onde eles "inventaram" umas escadas, feitas com troncos de madeira, que não tornava o ambiente menos natural mas que era muito mais seguro para quem viajasse. E os caminhos eram visíveis, não tinham mato a confundir, não tínhamos de nos seguir por indicações fatelas tipo "vira à direita depois das oliveiras". É claro que isso vai dar asneira, sempre, até decidirem que têm de fazer alguma coisa.

As pessoas não vão deixar de visitar estes sítios porque são potencialmente perigosos (ou não sabem que as coisas más só acontecem aos outros?!). Mais: sem as cascatas e as lagoas, o Gerês não teria metade do movimento que tem hoje em dia, incluindo turismo internacional. Está mais que na altura de quem manda naquela zona pôr mãos à obra, valorizar estes locais, dar-lhes mais condições de segurança e parar de se esconder por detrás da peneira, de pesares de morte e de apelos que caem em saco roto. Assim como está na altura das pessoas terem mais noção das suas limitações e dos perigos por detrás destas belezas naturais. 

Como sei que a primeira opção é mais fácil que a segunda - a estupidez natural das pessoas é praticamente incurável -, estou a torcer para que alguém faça força para se intervir no local.

 

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Cascata do Thaiti (2017) - para mim uma das que tem os acessos mais perigosos e menos evidentes e, por outro lado, das que tem mais gente

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Cascata do Thaithi (2017)

 

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7 lagoas (2017) - um dos caminhos mais bonitos

 

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Cascata de Pincães - a tal onde se segue o curso de água e depois se sobe uma série de rochas até se chegar a esta vista

 

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Cascata de Pincães

 

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Cascata de Cela Cavalos - o acesso é feito pela capela de Cela (o caminho até lá é em terra e há pouco espaço para carros) e o caminho é óptimo. Virar à direita depois da ponte em madeira (foto em baixo). Caminho de cerca de 1,5 kms. Como nos perdemos, chegamos tarde à cascata e estávamos sozinhos.

 

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A tal ponte, em Cela de Cavalos, onde devem virar à direita (se vierem da capela).

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