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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

26
Mar15

Fora da caixa

Tenho estado um bocadinho ausente, bem sei. Eu, que gosto de publicar com frequência e tenho sempre tanto para dizer, tenho andado mais calada do que o costume. Às vezes porque não tenho vontade, outras porque não tenho inspiração e nada para vos contar, outras simplesmente por falta de tempo. E é esta última razão a desculpa para as poucas publicações desta semana: o maldito tempo. Até porque tenho vindo a acumular temas na minha agenda, que quero ir escrevendo, mas não tenho conseguir pousar os olhos neste editor.

Mas hoje é um dia importante porque vou revelar-vos o porquê da minha falta de tempo . Para além das coisas típicas e chatas da faculdade, este semestre tenho um projeto giro - o único que, até agora (e como disse num post algures), me entusiasmou verdadeiramente! É a razão de muitas horas extras passadas na faculdade nas últimas semanas, muitas ideias, muito desespero (e o pior está para vir), demasiadas reuniões. E o que é? Um programa de televisão!

Ainda não posso dizer muito, mas cá vai, só para vocês: é um programa de uma hora, que irá para o ar dia 21 de Maio - e que todos (todos, ouviram bem?!) vão poder ver em livestream, em direto! Chama-se Fora da Caixa e vai ser o sítio onde vamos explorar conceitos, pessoas e atividades "out of the box". Vamos ter direito a convidados inspiradores e reportagens giras, e queria mesmo convidar-vos a ver. É um programa feito, integralmente, por estudantes do curso e, como podem imaginar, o desafio é gigante. Quando nos sentamos em frente à televisão, com o rabo espalmado no sofá, não fazemos ideia da quantidade de coisas que é preciso preparar para tudo aquilo ir para o ar. As mil e uma coisas que não nos podemos esquecer, que têm de ser feitas; as equipas que têm de ser coordenadas, os prazos cumpridos. Enfim, algo que nos parece algo muito distante mas que, para nós, vai ter - num semestre! - que se tornar realidade!

A mim calhou-me na rifa (não, é mentira - fui eu que me ofereci, feita doida) o papel de realizadora. Arrependi-me sensivelmente três minutos depois de me ter oferecido, mas já não havia nada a fazer. Tem exigido de mim muito tempo, dedicação e paciência para as chatices que já surgiram e ainda estão para surgir - mas que, sinceramente, me está a dar muito gozo. E nem quero pensar na adrenalina no dia do programa! Isto quer dizer que ainda não é desta que me vêm à frente das câmaras (pelo menos não a apresentar), mas pensem que vou estar lá atrás, a arrancar os cabelos e as poucas unhas que me vão restar na altura, tudo para verem o melhor trabalho possível.

É óbvio que agora que isto já saiu fora da caixa (estão a perceber o trocadilho?) já vos posso ir dando updates, e esta não será, de certeza, a última vez que me ouvirão a falar disto. Até lá, acompanhem as nossas loucuras no facebook do programa (façam like, vá lá!!) e comecem a contagem decrescente para um dos dias mais stressantes da minha vida!

 

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17
Nov14

Manhã de escrita

What goes around, comes around. Um ano depois tenho, mais uma vez, que entregar uma crónica e ando aqui consumida. Isto é parvo: alguém que escreve todos os santos dias vê-se grega para escrever uma - UMA - crónica sobre um assunto da atualidade. 

Ao longo da última semana fui juntando temas e dediquei esta manhã para escrever várias crónicas sobre eles. E a conclusão que chego - outra vez! - é que sempre que me "encomendam" textos tenho de os puxar a ferros. Nem parece meu, que escrevo sobre coisas que me acontecem no dia a dia com uma rapidez que até eu estranho. Acho que o facto de ter consciência que alguém que os vai ler e avaliar acaba por constituir um obstáculo e a minha cabeça fica presa ali, não me deixa escrever com a naturalidade que me caracteriza. 

Estou feita ao bife.

03
Nov14

Quando a faculdade nos tira todo o tempo

Não nego que, para muita gente, a altura da faculdade seja a melhor das suas vidas; também não nego que as coisas tenham mudado muito nos últimos anos, tanto a nível de professores, como de métodos de ensino e também com a entrada de Bolonha. Mas uma coisa é certa: para se ter bons (ou médios, vá) resultados na faculdade, é preciso trabalhar. Muito. Pelo menos é essa a minha experiência, no curso em que estou.

Sempre cresci a ouvir o meu pai dizer maravilhas dos tempos da universidade, que não se fazia nada, que era só borga, e isto e aquilo. E, perante isto, só posso concluir que as coisas tenham mudado muito. Porque as últimas três semanas foram, a bem dizer, diabólicas. Inconscientemente temos uma lista de prioridades e eu tive mesmo de a reduzir e pôr em prática: já há quase um mês que não pego no livro que estou a ler, que não envio postais; ainda não consegui acabar a minha primeira peça em crochêt, tenho ido ao ginásio menos do que queria e devia. Mesmo escrever aqui tem passado para segundo plano. Porque em caso de desespero a minha vida passa a ter três prioridades: comer, fazer trabalhos e dormir (este último tem sido muito importante para me conseguir aguentar todos os dias, e tenho dormido muito mais do que antes, tal o cansaço).

Bem sei que o meu verão não foi fácil, estes continuam a não ser nada fáceis aqui em casa mas, ainda assim, sinto uma carga de trabalha absurda. Digam-me: sou só eu? Sou só eu que ando sobrecarregada ao ponto de deixar TODAS as atividades que gosto de lado? Sou só eu que tenho professores com vontade de nos pôr à prova todos os santos dias? Ou isto é uma epidemia geral?

28
Out14

Entrevista: "A Maçã de Eva"

Cheguei a falar aqui de uma entrevista que tinha de fazer para uma cadeira da faculdade e da forma como estava em pânico por ainda não ter ninguém para entrevistar ou sequer um tema definido em mente. As duas semanas anteriores foram stressantes, porque não sabia sequer se ia conseguir arranjar alguém do meu agrado para entrevistar - e quando consegui vi o tempo tão apertado que até me deram suores frios. 

A ideia era fazer uma entrevista temática a alguém que quiséssemos, mas que tivesse algo a dizer, um papel importante em qualquer campo. Eu não estava confortável no papel de entrevistadora - nem espero fazer isto muitas vezes, que cada vez fujo mais do mundo do jornalismo - mas sabia que tinha de ser feito: e se assim era, tinha de virar a questão a meu favor. Escolhi por isso um tema que me é muito próximo: os blogs. Deixei a vergonha de lado e enviei emails aos mais variados bloggers do nosso país, na esperança que algum me respondesse e estivesse na disposição de responder a algumas perguntas de uma inexperiente como eu. Para melhorar a situação, todos os bloggers que escolhi eram de Lisboa, o que me "obrigou" a uma deslocação à capital - que podia ser um sacrifício mas, como é óbvio, não foi.

Entretanto a resposta surgiu, pouco depois de ter mandado o meu email desesperado, por parte da Ana Ros, escritora do blogue "A Maça de Eva". Para minha sorte - porque me facilitou imenso o trabalho de pesquisa - sou seguidora da Maçã há uns três ou quatro anos, pelo que a entrevista foi quase que um pretexto para poder falar com uma das minhas bloggers favoritas. 

Foi estranho para mim, tive de sair MUITO da minha zona de conforto, mas valeu a pena - não sei se valeu enquanto entrevista, mas de certeza enquanto experiência pessoal. Dei o meu melhor - que espero ter sido o suficiente! Mais uma vez, não posso deixar de agradecer à Ana, que me salvou a pele numa das situações de maior pressão que tive até agora na universidade. Foi duro, mas valeu a pena: foi sem dúvida o trabalho que até hoje mais me encheu as medidas. Sem mais delongas, a entrevista.

 

“Não consigo fazer do blogue uma profissão”

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Aos 35 anos e com quase oito anos de blogue no curriculum, Ana Ros fala-nos, de um ponto de vista muito pessoal, do lado bom e mau da blogosfera. No mundo virtual é conhecida como Maçã, por ser a autora do blogue de sucesso “A Maçã de Eva”. Em 2014 - ano de mudanças - deixou o anonimato e concretizou um sonho antigo: ter a sua própria marca de sapatos, a ROS | LISBON.

 

Saiu do anonimato há pouco tempo e, com o lançamento da marca, apareceu em algumas revistas. Fez-lhe confusão?

Nunca pensei nisso, sabe? Já fui reconhecida na rua, mas as pessoas não têm muita coragem de vir ter comigo. O que acontece frequentemente é andar na rua a tratar das minhas coisas, não me lembrando sequer que alguém me pode reconhecer. Depois acontece receber um email e leio coisas como “Maçã, eras tu no Continente, agora?”. Sim, estava às compras, era eu! E isto sim, acontece-me. Diretamente as pessoas não têm coragem de me abordar.  Antes de me revelar houve um episódio engraçado: em Vilamoura houve uma pessoa que me identificou pela roupa! Só pela roupa! Eu faço sugestão de compras [no blogue] e ela viu que eu tinha as calças, o top e a mala que já tinha sugerido e perguntou-me se era eu. De facto, a probabilidade de me encontrar em Vilamoura era muito pequena – aliás, ainda menor, porque eu vinha para Lisboa e decidi, antes de iniciar a viagem, ir comer um gelado. Foi uma coisa rápida, nem estive lá muito tempo. De resto, não tive grandes abordagens – as que tive foram, claro, de gente simpática. Coisas muito, muito estranhas. Não é que leve a mal! Mas as pessoas ficam nervosíssimas – e não percebo porquê! [risos]. É esquisito, sou a mesma pessoa todos os dias, não mudei nada – e há pessoas que dizem: “ai desculpe, estou tão nervosa...”; e eu penso “mas porquê?!”. Essa é mesmo a parte mais estranha. Ainda por cima acho que sou tão “easy going”, não se justifica! [risos]

 

Mas tem opiniões fortes, nomeadamente em relação aos filhos e aos animais...

Eu não acho que sejam opiniões fortes. São as minhas opiniões, simplesmente – não são mais válidas que outras.

 

Mas tendo em conta as repercussões que podem ter...

Sim... Há pessoas que preferem ter a resposta neutra, que calha bem a todos, não ofende ninguém. Eu não tenho paciência para isso, não sou pessoa para o faz de conta. Não tenho coragem; sinto-me falsa.

 

 

02
Jun14

Algumas horas nas 40 de Serralves

 

Acabei de estacionar em Pero Vaz de Caminha, ainda tenho uns minutos de caminhada pela frente e agradecia companhia”, foram as primeiras palavras que disse ao telefone depois de encontrar estacionado para o carro, 16 minutos após uma intensa procura. A rua dada em nome do famoso escritor é uma das muitas perpendiculares à Avenida Marechal Gomes da Costa, uma das mais conceituadas avenidas da cidade e onde se localiza a Fundação de Serralves, para onde me dirigia. É uma avenida grande e larga, mas nesse dia pecava pela falta de espaço – nomeadamente para o meu carro.

 

A Fundação de Serralves foi um sonho realizado de Carlos Alberto Cabral, 2º conde de Vizela e que ficou terminado em 1940. É um exemplo de art decó e tem no seu currículo vários arquitectos famosos, como Álvaro Siza Vieira.

 

No caminho vêem-se cartazes a anunciar as 40 horas non-stop que este evento promete - marca o início das festividades do 25º aniversário da fundação e dos 15 anos do museu. À porta há uma barreira, pejada de vendedores ambulantes que tentam impingir pipocas, algodão doce, gelados e balões, e outras tantas pessoas  que oferecem jornais e panfletos – quando se entra há quase uma sensação de dever cumprido, mal se consegue vislumbrar a pá gigante enterrada na terra, uma das imagens de marca deste espaço. O programa do evento promete mais de 250 eventos naquelas 40 horas seguidas – tudo desde música, teatro, circo, até outro tipo de estranhas performances que se auto-rotulam como “arte contemporânea”. E comida, claro; não pode faltar comida.

 

Entram dezenas de pessoas por minuto naquele átrio central: dirigem-se às barracas, perguntam coisas, recebem (mais) panfletos que não fazem ideia do que se tratam. Ninguém anda com um objetivo definido, vai tudo rumo ao desconhecido e em busca de sair surpreendido com uma performance espectacular. Caminha-se por entre aquelas árvores enormes, no principal caminho que dá acesso à grande casa cor-de-rosa e ao extenso curso de água que desce à sua frente. Há centenas de pessoas a tirar fotos, a posar para a fotografia, a descer as escadas rumo ao grande lago, e outras tantas relaxadas, a apanhar o sol que não visitava o céu do Porto há alguns dias. Foram muitos os que não trouxeram calçado confortável e o chão não convida a grandes caminhadas a quem veio desprevenido: o verdete, as escadas errantes, a gravilha e o paralelo incerto não são amigos de sandálias ou saltos altos. Algumas pessoas desequilibram-se e agarram-se às paredes ou, em caso de emergência, à pessoa mais próxima.

 

“Não faças isso!” grita o pai ao filho. Seguiu-se uma pancadinha amorosa na cabeça de um rapaz anafadinho, com um chapéu enfiado na cabeça e uns óculos muito pouco estilosos, que acabava naquele preciso momento de arrancar uma folha de uma plana que fazia parte do trilho. Fazia, porque parte ficou na mão da criança, a quem o pai continuou a admoestar, mas sem grandes resultados.

 

A máquina fotográfica está sempre pronta para captar algum momento que seja digno de ser captados e ao avistar o lago é impossível ficar indiferente. Apesar de verde, por a água estar estagnada, acaba por não perder a sua beleza. Ainda lá moram meia-dúzia de patos e muitos peixes, de várias cores e feitios, que alegravam a vista das muitas crianças que por lá vão passando enquanto a minha máquina fotográfica vai fazendo “chack” a cada foto que tira. O tráfego nas escadas é maior do que o aconselhado para um sítio onde não há muito mais para as pessoas se apoiarem do que rochas e, do outro lado, a água onde ninguém quer, definitivamente, tomar banho. Tirar fotografias passa para segundo plano quando a coisa que mais queremos é evitar molhar os pés – ou qualquer outra parte do corpo.

 

Às 16:30 horas começa um concerto no prado. Não há pressas naqueles jardins: toda a gente caminha e conversa com calma, a apreciar o ar fresco e a oportunidade de passear um bocadinho sem ter de pagar por isso. No caminho para o recinto existe uma cronologia apresentada em placards sobre a história da fundação -  do outro lado estão barracas de bebidas alcoólicas e comidas rápidas, como bifanas, pães com chouriço ou kebabs. Já há muitas pessoas sentadas em cima de toalhas, pois a relva ainda está húmida da chuva que caiu no norte nos últimos dias; fazemos o mesmo.

Começa o concerto. O recinto está composto, com muitas pessoas, mas com um espaço confortável entre si. “Guitarrafonia com Tiago Sousa” é uma orquestra de muitas guitarras, tocadas por homens e mulheres vestidos de preto e que tocam música que soa a barroca ou medieval. Só cordas, uma vez mais rápido, outra mais devagar, mas soam demasiado igual enquanto aqueles vinte minutos passam. “É contemporâneo”, ouve-se alguém dizer em tom gozão. Aquele estilo de música tão diferente daquele consumido pelas massas parece não estar a agradar a toda a gente.

 

Um menino, com o seu ano e meio, de cabelo loirinho e olhos azuis, deambula por ali como se nada fosse. Sem querer pisa as mãos de quem está à frente dele e os pais pedem, muito pronta e rapidamente, desculpa. Depois vai outra vez contra uma senhora que já lá estava sentada e os pais, um tanto ao quanto envergonhados, tornam a lamentar o sucedido. “Anda cá Francisco!”. Uma pausa na música. “Os meninos tocam e tu danças, sim?”. E, mal a música começa, ele dança, mexendo com a fralda de um lado para o outro, e espalhando charme por quem passava. Chega até mim e folheia o meu bloco com atenção, nunca passando mais do que uma página de cada vez. Observa, com a caneta na mão – a mesma caneta que depois rouba e com a qual se passeia ali à volta, com sorriso matreiro: mais uma vez sob o olhar envergonhado dos pais, que passado uns minutos ma vêm entregar. 

Na parte das cavalariças está uma fila enorme, cheia de pais e filhos -  há mini concertos esporádicos, feitos com materiais do dia-a-dia – paus a baterem em garrafas, colheres em depósitos de latão e tantas outras coisas. Divertido para as crianças, não tanto para os nossos ouvidos. Mais à frente, numa outra sala onde as actividades são mais uma vez para a malta mais nova, podem ver-se vários tipos de formigas e morcegos que existem na fundação  e ainda a evolução da borboleta, com vários terrários onde estão borboletas nas várias fases da sua vida.

 

 

Rumo a um concerto na clareira das azinheiras, vê-se o “Biométricos parque”, onde decorre um jogo com bolas de várias cores, pessoas a correrem com óculos escuros, coletes reflectores e esparguetes de andar nas piscinas. O cheiro a comida é demasiado intenso para ficar a olhar para um jogo e não o perceber – a barraquinha dos crepes estava ali ao virar da esquina, a emanar um cheiro delicioso. Já com o dinheiro na mão, dizem-nos “já não vendemos crepes, só à hora do jantar” e o mundo quase pára ali. Ainda não é agora que matamos a fome.

 

Muitas cadeiras estão vazias enquanto os “Éme” se fazem ouvir – e mesmo as pessoas que lá estão comem, conversam e olham para os mapas da fundação, não prestando muita atenção às movimentações no palco. Para música pop rock, a voz do cantor é fininha demais, e não convence. Ele tenta, tem pinta, mas o rock não mora ali.

 

 

 

As crianças têm claramente um lugar predominante neste evento. Vêem-se centenas de carrinhos de bebés e oficinas para os mais novos:  à saída do concerto estão a fazer máscaras, mais adiante experiências. Tentam adivinhar qual a cor que vai sair da junção de dois componentes. “O que acham que fez isto mudar para roxo?”, pergunta a monitora. “A água!”, grita alguém do outro lado da mesa. “Mas a água costuma mudar a cor das coisas?”. Não ficamos para a ouvir a resposta, embora a tivéssemos na ponta da língua.

 

 

Há uma feira de artesanato a decorrer, onde há colares, brincos, camisolas originais e todo outro tipo de coisas à venda. Para além disso, há uma feira do livro para os amantes da leitura e outras locais de venda onde se podem comprar artigos da fundação.

 

De volta ao prado para assistir a mais uma performance que começa às 18:30, o dinheiro já não ficou no bolso. O estômago já se queixava há muito, já passavam largas horas desde o almoço e depois de uma bela caminhada era merecido: dois euros e meio em troca de um pão-com-chouriço. Os  “Bainha” começam a  atuar: segundo o programa é “circo contemporâneo”. Uma rapariga a baloiça-se de uma forma pouco perigosa num trapézio. Sobe e desce a corda, anda de um lado para o outro sentada em cima do baloiço e tocando uma guitarra, de uma forma demasiado pacífica e que foge muito ao nosso conceito de circo normal.

 

Finda a refeição, conseguindo vislumbrar muito pouco do espectáculo e vendo o sol descer em direcção ao horizonte, é hora de voltar a casa. Está um grupo de pessoas em pé mais perto do local do espectáculo, razão pela qual muita gente não consegue ver aquilo que se está a passar lá à frente, o sítio de maior interesse. Gritam mais atrás: “SEN-TEM-SE!”. O espectáculo para o resto das pessoas deve ter começado no momento em que acabou mim. Pouco depois, de volta a Pero Vaz de Caminha, o relógio aponta 19 horas e 44 minutos. O tempo  andou mais rápido do que o previsto, o sol já está a pôr-se. Vêem-se muitas pessoas na rua, está trânsito na Avenida da Boavista, mas os sorrisos vêem-se à distância. A vida em Serralves passa mais rápido, que as coisas quando são boas acabam depressa. 

01
Jun14

Serralves

Ontem passei toda a tarde em Serralves em Festa, um evento de 40 horas non-stop que há neste jardim maravilhoso. Podia contar-vos como foi, mas tendo em conta que vou ter de fazer uma reportagem de 4 páginas sobre o assunto, vou evitar repetir-me. Em breve mostrarei como ficou e, se vos sobrar paciência e eu vos conseguir captar a atenção, talvez fiquem para ler como correu a minha tarde de ontem. Agora é pôr mãos ao trabalho antes que os pormenores se esvaiam da minha memória (o início e o fim já estão escritos - só falta tudo o resto).

 

18
Abr14

Aproveitar este dia

Devo admitir (e não me matem por isto) que estava à espera de um dia assim mais farrusco nestas férias. Claro que eu gosto de estar esparramada ao sol, de ler, de escrever e de passar protetor pelo corpo enquanto me sinto a tostar, o pior é que tenho coisas para fazer - e para isso tenho de estar dentro de casa, aqui no meu quarto frio. Pois que, com sol, tudo o que não apetece a uma pessoa é estar aqui a fazer algo que nem sequer se gosta especialmente. Por isso esperei pacientemente (ao sol, claro está) por este dia para tratar de tudo.

Já pus mãos à obra e espero despachar tudo muito rapidinho para poder voltar à minha bela vidinha que se resume a sol, livros, água e pouco mais. Isto é se do S.Pedro corroborar com este meu plano espetacular e nos traga sol mal eu acabe estas coisas (o que, segundo o que dizem, não vai acontecer - mas não percamos a esperança!). Aproveitem e façam como eu: trabalhem hoje, que é para quando o sol voltar estarem de braços e mãos abertas e, acima de tudo, consciência tranquila.

03
Abr14

She's cosmic!

Apesar de toda esta celeuma da faculdade, os problemas, o vai-não-vai e o sofrimento todo que está aqui implícito (porque ele existe, por mais parvo que vos pareça), há coisas que até me dá gosto fazer. São poucas, mas há. Gosto, por exemplo, das aulas, da matéria e da professora de Comunicação Empresarial. Quinta-feira é o meu dia de inspiração: é o único dia da semana em que vou a uma aula que gosto e com alguém que de facto me dá alento para continuar e pensar "quando for grande quero ser assim". Perseverante, convicta, cheia de energia, boa disposição e simpatia para dar e vender. É a única pessoa naquela faculdade que, mesmo sem saber, me dá alguma vontade de continuar.

Mas são é só C.E. que me puxa: admito que design também me caiu no goto, mais por eu já gostar daquilo do que por outra razão qualquer. Embora perca sempre muito tempo neste tipo de projetos, saio normalmente satisfeita com os resultados. Já que tenho partilhado as minhas experiências e trabalhos convosco, deixo mais um. O desafio era pegar numa música e fazer uma capa (e a respetiva "bolacha") do seu CD, que a representasse de alguma forma e que, olhando para a imagem, pensássemos: "sim, de facto isto faz-me mesmo lembrar a música Y"! Aqui está o meu:

 

"Cosmic girl", do Jamiroquai

 

 

 

13
Fev14

O Eléctrico (com)Vida (ou como nem tudo é mau na faculdade)

Cheguei a contar aqui que, para além do trabalho de vídeo, teria de fazer um trabalho de fotografia. Levantei um bocadinho o véu, mas não tudo. Não sabia muito bem o que havia de sair dali e, até agora, a medo, deixei estas fotografias numa pasta escondida do meu computador (até porque acabei por fazer o trabalho com mais pressa do que queria e fiquei com um bocadinho de receio). Soube ontem (e com muita, muita surpresa) que tive 19.5 valores neste trabalho. Assim, não podia deixar de partilhar aqui as fotos da minha tarde no eléctrico. Deixo as fotos, a par da explicação das mesmas, o "relatório" que fiz.

 

"O eléctrico, uma peça com anos de história. Bonito, autêntico, prático, nem lento nem rápido, tal como a vida deve ser.

Decidi fotografar este veículo porque carrega com ele o passado, o presente e o futuro – foi feliz o dia em que colocaram em circulação de novo, em vez de o deixarem ficar sem função num qualquer museu. Apesar de ser uma peça linda por si só, hoje, senti que lhe faltava alguma vida, para além dos turistas curiosos e dos velhos idosos que o usam como meio de locomoção. Faltam os risos dos jovens, a cor da vida, as boleias por pagar!

No meu álbum “O Eléctrico (com)Vida” dei cor a algumas fotos mais taciturnas; tornei o eléctrico em algo que, ao passar, nos prenderia à atenção, muito para além do seu barulho característico ou aspeto pesado. Pequenos pormenores, irreais, que nos prenderiam o olhar. Uma metáfora daquilo que o eléctrico precisa de se tornar!

Nas imagens seleccionadas, não se pode ver o eléctrico na íntegra: na minha pesquisa sobre o tema, o que mais havia era fotos da peça por inteiro; pormenores, nem vê-los. Decidi fugir à regra e entrar na esfera mais íntima deste objecto. Para além do mais, ao fotografar o seu exterior, queria-o autêntico, e não com uma publicidade a uma qualquer bebida alcoólica (que foi o que encontrei no dia solarengo em que decidi fotografar), que estraga o encanto àquele veículo centenário.

As fotografias foram tiradas com uma câmara Canon EOS 650D, num dia solarengo de Outono. O percurso começou na batalha, passando por Passos Manuel, a Praça dos Leões, os Clérigos entre outros sítios – o percurso do 22.

O eléctrico não precisa de mais nada: tem tudo o que precisa para ser um sucesso. Ele, só por si, já é velho (e é isso que também o torna especial): mas mesmo os velhos podem rejuvenescer!"

 

 

 

 

 

 

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