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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

29
Abr16

Um desabafo: a semana académica

Esta é a minha última semana académica enquanto estudante (pelo menos deste curso). Já fui buscar a minha camisola, com um doloroso bordado de "finalista" na parte detrás - e os sentimentos em relação a isto são mistos e paradoxais; é a saudade e o alívio, a tristeza e a alegria. 

Já há dois anos que digo "não" a todos os meus amigos e colegas que tentam arrastar-me para todos os rituais académicos praticados durante esta semana. Mas este ano - precisamente por ter "finalista" bordado na camisola - os incentivos foram maiores que nunca e vieram de todas as frentes. Para ir à queima, para ir à missa, para ir à serenata, para ir ao cortejo. Durante dois anos resisti a tudo, com todos os argumentos que tinha na manga e que, para mim, eram mais do que suficientes para não marcar presença. Mas este ano toda a gente parece querer dar-me o pack de finalista completo, com tudo o que tenho direito - mesmo que isso vá contra tudo o que sempre tenha dito até aqui.

E eu confesso: sinto-me frágil o suficiente para ceder à cadeia dos "não's" que tenho vindo a utilizar até aqui. As razões que vivem em mim para negar tudo o que tenho vindo a negar continuam mais do que válidas, mas também sinto que os outros acabam por desistir de mim por causa disso - e eu não os posso condenar. É chato estar sempre a convidar alguém para algo e essa pessoa estar continuamente a rejeitar. E também sei que quando me dizem que querem que eu tenha "uma experiência universitária completa" (a coisa que mais tenho ouvido na última semana), o dizem de coração e com a maior das boas vontades - só se esquecendo que é precisamente contra a minha vontade, contra aquilo que sou, contra aquilo em que acredito.

Ainda assim e por toda a avalanche de mensagens que recebi sobre isto, este ano abri a brecha para deixar entrar novas experiências e para poder dizer a todos: "pronto, eu fui!". Vou o cortejo por minha vontade, algo que já tinha prometido o ano passado, mas nunca me passou pela cabeça ponderar sequer ir à Queima das Fitas. E a verdade é que, por estes dias, tenho pensado nisso - por ser o meu ano de finalista e nunca ter posto lá os pés (e não tencionar voltar), por ter tanta gente a dizer-me para ir e viver a experiência, por (surpreendentemente) quererem a minha companhia e porque, de facto, já me sinto mal por despejar tantos "não's" por tantas aldeias. Ainda não me decidi, com todos estes prós e contras a puxarem por mim em sentidos opostos, e porque sei que - no fundo - farei isso pelos outros e não por mim; porque sei que, na noite em que for, vou chegar a casa doente e revoltada com o que vi, triste por não ter conseguido viver o momento como os outros que me rodeiam e por me sentir permanentemente um estorvo chato para os que me acompanham, que não sabe desfrutar este tipo de momentos na sua plenitude. Este ano é a queima, mas noutros anos - em que as minhas convicções e crenças não eram tão fortes e eu cedia com mais facilidade - foi outra coisa qualquer: e o resultado era sempre, sempre o mesmo. Até ao dia em que decidi que não valia a pena tentar mais. 

Mas tendo em conta que abri a possibilidade, cada um me vai dando os seus pareceres e opiniões. Quem me conhece diz-me para ir com amigos, com quem confio e que partilhem um pouco da minha mentalidade - mas o que as pessoas em geral não parecem perceber é que eu não gosto de todo o ambiente criado à volta deste tipo de eventos, em que a "diversão" não é sequer a palavra de ordem: é o álcool, são as drogas, é a degradação em estado puro. Tudo meios para atingir um fim que eu não entendo mas que me vejo obrigada a respeitar - e sou muito mais feliz desde que, a partir de há uns meses para cá, "deitei a toalha ao chão" e desisti de "evangelizar" as pessoas neste sentido. Hoje em dia não me pronuncio sobre o culto do álcool e das drogas, até porque a maioria das pessoas com quem me dou sabem a minha posição - e, neste momento, só peço que me respeitem a mim como eu tento fazer com os outros.

Hoje, quando levei a minha novíssima camisola de curso para o escritório e as minhas colegas se aperceberam que era para esta semana académica, começaram logo a divagar sobre os "bons tempos" em que se perdiam entre shots naquelas barraquinhas. Vi-me obrigada a dizer que nunca tinha ido à queima e que, ainda para mais, não bebia álcool. Senti, nos olhares de algumas delas, algum julgamento (para além da óbvia surpresa) - como quem diz "olha mais uma mosquinha morta". Para mim, foi como pôr álcool em cima de uma ferida que já há algum tempo estava esquecida.

Faço-me rodear de tão pouca gente que todos eles acabam por saber a minha posição em relação a tudo isto; sabem que não vale a pena explicar, que não vale a pena tentar demover-me e, acima de tudo, que tudo isto é movido por razões pessoais suficientemente poderosas e dolorosas para as minhas convicções nunca se deixarem abater. E hoje, explicar tudo de novo - por superficial que essa explicação tenha sido - para pessoas que ainda me conhecem mal, mexeu realmente comigo. É fácil conquistar as pessoas quando se é "fixe", quando se tem comportamentos que estão na moda e são comuns e aceites; seria muito melhor eu dizer que me ia embebedar na queima e que tinha comprado o passe semanal e fazer com que todas elas me mostrassem e contassem os seus momentos loucos dos seus "bons velhos anos". Mas não. Eu sou a conservadora, a chata, a "idosa" daquele escritório, que em vez de beber mais álcool numa semana do que elas bebem num mês, bebeu menos álcool na vida inteira do que elas bebem numa semana. Nesta faceta, sou uma "mosquinha morta". E nestes dias, em que olham para mim só por este meu lado conservador, dói-me particularmente a alma. Porque eu sou muito mais que tudo isto.

26
Abr16

E não é que vou mesmo ao cortejo?

Daqui a uma semana vou ao cortejo. Apesar de sempre ter ignorado todos os rituais universitários, decidi o ano passado (como partilhei aqui) que, no meu ano de finalista, iria cartolar e desfilar pelos Aliados. 

Este ano a prenda de aniversário do meu irmão foi especial também por isso: sabendo das minhas intenções, ofereceu-me o pack todo para poder ir. A cartola, a bengala, a roseta (será?) e a pasta com as fitas - tudo comprado no sítio onde a minha cunhada (que, para que conste, é como uma irmã para mim) comprou as coisas dela, quando acabou o curso. Quando vi a panóplia de coisas fiquei mesmo feliz e comecei logo a distribuir fitas - um inferno para toda a gente, já sei, mas que é um pormenor importante para mim. De todos os rituais e tradições que possam existir, aquela que envolve escrita tinha de ser a minha favorita - e é bom, de vez em quando, ter pessoas a escrever para mim; a situação normal é a inversa, comigo sempre a escrever sobre (e para) as pessoas, pelo que é agradável ler algo escrito propositadamente par mim. Sei que não vou ter muitas, porque é sabido que não tenho muitas pessoas a quem as entregar, mas sei que a família e os meus amigos mais próximos vão estar lá pelo meio. E confesso que já tenho vertido umas lágrimas com as coisas que tenho lido.

Decidi fechar este ciclo com uma festa e uma celebração diferente para mim, precisamente para festejar a minha "sobrevivência" a estes três anos de faculdade. Combinei esta ida com o grupo que mais me acompanhou nesta jornada, os poucos a quem posso chamar amigos, mas espero juntar-me a todos os outros que - de forma mais ou menos presente - fizeram parte dela. Não vou ser hipócrita - a faculdade não foi, para mim, pêra doce nem foi algo que me proporcionasse, diariamente, particular prazer; mas estou agradecida por tudo o que me deu, pelas pessoas que conheci, pela experiência de vida que me concedeu e por todas as coisas que vivi - sendo o Fora da Caixa a melhor coisa que me calhou na rifa, como toda a gente sabe.

Quero chorar o fim - tanto de tristeza como de alegria. Quero uma folga do estágio para estar com aqueles que, nestes dois anos e meio, fizeram parte de todos os meus dias. Vai ser bom.

19
Abr16

Uma decisão pouco estratégica de que não me arrependo

Se há pessoa que ouve os pais sou eu. Tenho mesmo muito em conta as opiniões deles - embora possa argumentar e refilar, tudo o que eles me dizem fica em "fermentação" cá dentro e muitas vezes acaba por evoluir para uma opinião que coincide com a deles ou, pelo menos, se aproxima àquilo que eles acham.

Que eu me lembre, de todas as grandes decisões que tive de fazer na vida, só fui contra as indicações deles uma vez: no 11º ano, quando abandonei as ciências e tecnologias e passei para línguas e humanidades. Nesse caso, tomei a decisão contra a vontade deles e de 90% das pessoas que me rodeavam - foi provavelmente a maior luta que tive até hoje, também por levar as suas opiniões tão a sério. Ao contrário do que sempre tentei fazer, mudar de curso não foi uma decisão estratégica, não foi uma decisão a médio/longo prazo, com olhos postos no futuro; foi um dos raros momentos em que disse "logo se vê", "seja o que deus quiser", "é aquilo que sinto que devo fazer". 

E fiz. E ainda hoje não me arrependo - mas sinto que é uma decisão que, ainda assim, me persegue. E isso é das coisas que, de certa forma, me magoa. Porque passo os dias a ouvir pessoas a dizerem-me para aproveitar a vida, para viver o dia porque não se sabe o que vem amanhã, para levar a vida com descontração sem pensar demasiado no futuro. Tudo coisas que eu, pela minha personalidade, sou praticamente incapaz de fazer - mas nos poucos momentos em que sinto que o fiz, quando fiz aquilo que o meu coração dizia e deixei um bocadinho a racionalidade de lado, sou criticada.

Apesar de sempre ter crescido com a ideia de querer continuar os negócios da família, na altura em que mudei de curso, a situação era bem diferente da de agora - e não me apetecia ter quatro anos de sofrimento pela frente só para jogar pelo seguro. E isso fez com que o 12º ano fosse um dos melhores anos da minha vida - e sem dúvida o melhor que passei na escola - e que escolhesse um curso multidisciplinar, que apesar de não aprofundar muita coisa e de não ser a área de especialidade que devo exercer pela minha vida fora, me deu ferramentas essenciais e momentos que não esquecerei. 

E por isso, independentemente de todos os olhares e perguntas julgatórias como "se sabias que tinhas de gerir uma empresa porquê que seguiste jornalismo!?", eu vou levar a minha avante. Tomei a decisão certa, na altura em que precisava de a tomar; foi tomada mais com coração do que com a cabeça, num desespero latente, mas correu-me bem - independentemente do que venha a seguir na minha vida para emendar esse "erro". E sim, erro entre aspas, porque para mim não se trata disso: foi apenas uma fase da minha vida que precisei de viver, de experimentar, de tentar e de conhecer. E de que, repito, não me arrependo nem um segundo.

18
Fev16

A hierarquia dos medos (ou digam olá à nova estagiária!)

É engraçado perceber como as nossas prioridades ou "hierarquias interiores" funcionam. Há uns meses atrás o estágio era a apoteose dos stresses, nervosismos e medos da minha vida - houve choro envolvido e muito pensamento correu por este cérebro. O que queria fazer, em que empresa queria estagiar, se colocava a hipótese de sair do Porto, se fazia uma coisa super diferente do que sempre pensei ou se já me encaminhava para aquele que acho que vai ser o meu caminho. Um mar de perguntas sem respostas que me afogava num desespero silencioso.

E depois, abruptamente, as minhas prioridades mudaram. O estágio deixou de ser um problema. E porquê? Porque, na minha "hierarquia" dos medos, anseios, nervosismos e stresses houve algo que ganhou imediatamente o primeiro lugar: a minha operação. Aí os stresses elevavam-se a questões mais básicas (e piores) como: será que vou sobreviver?, será que vou acordar durante a operação?, será que vou ter muitas dores?, será que vou conseguir ficar na cama durante o caminho para o bloco?, será que sobrevivo sem ter um ataque cardíaco à custa de um ataque de pânico?, será que não vou endoidecer por não me poder sentar?, e tantas outros "será's" que sei que vocês dispensam ouvir. À custa disto, todos os medos em relação ao estágio sumiram e pensar nisso deixou de ser prioridade para mim. 

Podia dizer que, quando recuperada, os medos voltaram - mas não. Continuei a relativizar. Sei que aquele pânico profundo que tive naquele dia só em situações raras voltará a acontecer e duvido muito, muito, muito que isso aconteça no estágio. E talvez por isso tenha levado esta semana bastante mais na desportiva do que achava possível - sempre com alguma angustia, é claro, mas muito menos do que previa. Estes foram os derradeiros dias em que escolhemos o nosso local de estágio, em que entregamos aquela terrível folha que ditaria os nossos próximos três meses de vida e a temível entrada no mercado de trabalho. Correu alguma tinta, houve algum stress e, de certeza, um par de noites mal dormidas para muita gente.

Eu resolvi a minha vida logo no primeiro dia. Não escolhi um estágio proposto pela faculdade mas auto-propus-me a um, pelo que não tive de esperar pelas colocações ou estar dependente de alunos com melhores médias. É entrar e pronto! Fui hoje a uma primeira reunião, conheci o local onde vou passar o próximo trimestre e, sem mais delongas ou esperas, segunda-feira apresento-me ao trabalho. A ideia era começar só em Março mas, se posso começar já, é enfrentar o boi pelos cornos e pôr as mãos na massa - e, já agora, não prolongar esta angústia (agora sim!) que se instalou em mim. O medo do desconhecido é uma cena do caraças. Eu sinto-me tão verde, mas com tanta vontade de dar de mim e ao mesmo tempo tanto medo de fazer asneira - e de não me integrar, de as pessoas não gostarem de mim, e, e, e...!

Enfim. Sejam bem-vindos a uma nova fase da minha vida. Este é, oficialmente, o blog de uma estagiária.

17
Dez15

Parece que foi ontem (ou o fim das aulas da licenciatura)

Parece que foi ontem que estava mortinha para começar as aulas, depois de um verão que me soube a nada e onde senti que a minha sorte mudou de pólo (não sabia, ma tinha mudado mesmo - e, infelizmente, ainda não mudou para o lado que devia). O mar de expectativas para o verão havia descido para níveis negativos e tudo o que eu queria era ter mais em que pensar e que fazer e depositar todas as esperanças num futuro próximo: as aulas.

Começaram de mansinho, os trabalhos eram poucos. Depois começaram a adensar-se. E mais um bocadinho e outro bocadinho. E assim, do nada, acho que fiz uma viagem assustadora no tempo. Olho para trás e parece que pulei Outubro e Novembro, embora saiba que muitos desses dias, enquanto os vivi, me pareceram anos. 

Tinha uma série de objetivos para este semestre que acho que me passaram por entre os dedos, simplesmente porque não dei por o tempo passar. Sinto que trabalhei pouco, que preguicei muito, que aproveitei pouco a baixa, a cidade e este tempo incrível. Acima de tudo, sinto que me moí muito - que me auto-cansei por crises de ansiedade e pânico, por intrigas típicas de quem passa muitas horas no mesmo sítio e com perspectivas de trabalho diferente, por não ter conseguido atingir o equilíbrio (a quase todos os níveis) durante o semestre inteiro. 

Fiquei admirada quando, no último fim-de-semana, a minha mãe me disse que esta era a última semana de aulas. Os últimos dias têm sido tão caóticos, com tantos trabalhos, entregas e testes que não fazemos mais nada para além de olhar para os nossos umbigos, problemas e agendas. Somos só nós e a faculdade e tudo o que ela implica. Penso em mim como uma fotografia com um tempo de exposição longíssimo e com um arrasto muito subtil, por parecer uma barata tonta e de nem sequer conseguir seguir os meus próprios passos, tal é a pressa e a ânsia de fazer tudo. O pior é que há baratas tontas felizes (como fui no semestre anterior), mas neste caso não sou. Sou só uma barata tonta cansada. E agora, que percebi que esta é a minha última semana de aulas num pólo que foi a minha segunda casa durante dois anos e meio, sou também uma barata tonta amedrontada pelo que vem aí.

Caraças. Pensar que não vou ter mais aulas naquele anfiteatro bafiento; que não me vou mais chatear por a única vending machine do pólo não ter nada saudável que se coma ou uma única água sem açúcares que se beba; que não vou apanhar mais com o bafo de tabaco no "pátio" exterior quando só queria apanhar uma lufada de ar fresco; que já não me vou sentar naquelas cadeiras de pau que me fizeram tão mal ao rabo. Enfim... pensar que vou ter de mudar de segunda casa que, mesmo sendo uma treta, não deixa de ser a nossa segunda casa - com toda a mobília e pessoas que isso também acarreta. Dói. E dói ainda mais estar tão preocupada com tudo que nem sequer reparei que esta é a última semana de aulas da minha licenciatura.

Parece que ainda ontem recebi um email a dizer que tinha entrado neste curso. E do primeiro ano, em que estive a um triz para desistir. E do segundo ano, em que fui feliz de forma desmesurada e como nunca pensei ser. Parece que foi ontem, mas amanhã já vai acabar.

02
Dez15

Inspiração e força de vontade precisam-se!

Esta época é sempre um aperto. Sempreee. Já levo três anos disto e é sempre um sufoco, sempre a sentir a corda a roçar no pescoço. Eu bem tento, no início do ano, avançar com as coisas: mas por uma razão ou por outra tal nunca acontece. Vamos adiando por isto, adiando por aquilo e a certa altura damos por nós e faltam duas semanas para entregar o trabalho e a folha do word está em branco ou, pior ainda, a parte dos outros está feita e a nossa está a anos-luz de estar completa.

A parte boa é que também sei que as coisas ficam sempre feitas - e bem feitas, de uma forma geral. Sei que a altura em que trabalho melhor é aquela em que estou sobre pressão, em que mal consigo dormir a pensar nas coisas e em que passo de trabalho em trabalho sem piscar os olhos - mas até começar a trabalhar, meter a primeira e só parar quando as coisas chegam ao fim é um problema dos diabos. Estou nesse momento nessa fase, nesse limbo desesperante em que sei que tenho de trabalhar mas que não me apetece por nada deste mundo e vou protelando o improtelável. Depois chego ao fim do dia chateadíssima comigo mesma porque não fiz nada de útil e isto transforma-se numa bola de neve de frustração. Como se já não bastasse, nesta altura do ano há todo um outro mundo de coisas para fazer que se vão sobrepondo às mais chatas, o que também não ajuda à festa (nestes dias, por exemplo, tive o meu irmão por cá, que me alterou o "sistema" todo). A verdade é que neste último fim-de-semana não tive tempo para fazer fosse o que fosse, entre preparar doces para a festa do meu sobrinho, ir jantar com os meus irmãos (coisa rara no ano) ou ir para a aula de fim-de-semana do curso de fotografia. 

Mas enfim, hoje é oficialmente dia de pôr as mãos à obra e deixar a procrastinação para o dia 18 de Dezembro, quando as aulas acabarem. A verdade é que isto passou num abrir e piscar de olhos. Parece que ainda há pouco era Setembro e eu estava desejosa que as aulas começassem e agora já estou a três semanas do fim, sem mais aulas à vista - só o monstro do estágio que cresce a cada dia que passa. Isto agora é uma maratona até ao fim: dói mas acaba por passar rápido. E quando chegar ao fim, para além de respirar de alívio, vou sorrir (e chorar?) de orgulho e - já - saudade. Bora lá.

 

 

 

26
Out15

Fiz gazeta!

Que segunda-feira é o pior dia da semana já todos sabíamos: mas para mim passou a ser ainda pior, tendo em conta que fui presenteada com um horário do demónio logo para arrancar a semana. Saio de casa às 9h da manhã e só regresso às 7.30h da tarde; a manhã faz-se bem, mas tarde é do pior que pode haver, com duas aulas muito maçudas (e a última com matéria pesada - economia - para fechar em beleza). No domingo à noite já me apetece chorar só de pensar no dia que vem a seguir.

Mas hoje a aula da manhã foi transferida para outro dia, pelo que só tinha aulas à tarde (as chatas!). Decidi dar-me um presente a mim mesma e ter a melhor segunda-feira de todo o semestre: ou seja, fiquei em casa. Eu não sou de faltar sem mais nem menos - acho que, durante este tempo de faculdade, fi-lo menos vezes do que os dedos que temos numa mão. Com isto quero dizer faltar premeditadamente, como fiz hoje, só porque sim; se precisar de faltar por estar doente ou alguém da minha família também ou se estiver super apertada em termos de tempo para entregar um trabalho importantíssimo, falto. Da mesma forma que saio no intervalo de uma aula se perceber que já estou tão exausta que não ouço nada e os meus olhos já estão praticamente a fechar (coisa que acontece, por exemplo, no último tempo de segunda-feira). Mas, enfim, são coisas fundamentadas - e que não faço assim tantas vezes como isso. Já houve muitas cadeiras da faculdade em que não dei uma única falta ou que cheguei a ir a aulas de outras turmas para compensar.

Mas hoje... hoje apeteceu-me. E soube-me tão, tão, tão bem! Fui rebelde por um dia e soube-me pela vida.

18
Out15

Ataque ao parquímetro

Eu, preguiçosa, me confesso: sou uma daquelas pessoas que só usa as moedas grandes com preguiça de andar a contar os trocos e fazer contas. Por outro lado, e infelizmente, costumo ser muito "pobre em moedas" - é raríssimo a minha carteira estar pesada porque ando sempre a pedinchar moedas em tudo quanto é sítio (ou então roubo-as simplesmente à minha mãe que, ao contrário de mim, está sempre carregada delas). Isto acontece, em grande parte, porque todos os dias tenho de meter moedas no parquímetro ao lado da minha faculdade - no início nunca punha, mas desde que me multaram e que eu comecei a ver dezenas de carros a serem rebocados, preferi não arriscar.

Ora isto, no dia-a-dia, resulta em poucas moedas grandes na carteira (porque, para ser mais rápido, enfio sempre com as maiores para dentro da máquina), mas as pequenitas vão ficando para trás. Não são poucas as vezes que abro o porta-moedas para pagar um café e só dou de caras com moedas pretas, que mesmo sendo muitas, mal chegam para pagar uma chiclete. E quando se começam a acumular e eu vejo que não as gasto, deito-as para um outro porta-moedas que tenho guardado aqui em casa, pesadíssimo, cheio de moedas pretas. E hoje, quando olhei para ele pela milionésima vez, decidi aligeira-lo.

Juntei todas as moedas de 5 cêntimos que aqui tinha, vi quanto dinheiro dava (perto de dois euros, precisamente a quantia máxima que o parquímetro aceita) e pu-las todas numa bolsinha pequena, pronta para levar amanhã para a faculdade. Assim sendo, amanhã já não preciso de andar à caça à moeda nem de fazer contas à vida, porque já levo a quantia certinha aqui preparada: só não prometo ser rápida, que enfiar quase quarenta moedas no parquímetro não é para meninos. Assim, para além de me livrar deste peso morto, ainda mato parte da minha raiva perante aquela máquina que me come dinheiro todos os dias, com a esperança que a encha tanto que já não consiga engolir mais moedas durante o dia. Parece-me um bom plano.

 

[já as moedas de um e dois cêntimos vão continuar guardadas no porta-moedas, à espera de uma solução radical semelhante a esta - porque, infelizmente, ainda não há parquímetros que aceitem "migalhas" destas]

20
Set15

Setembro é o novo Janeiro

A verdade é esta: Setembro traz sempre muito mais mudanças que Janeiro, onde comemos as uvas, abrimos o champanhe e fazemos a festa. Muda-se de emprego, de escola, de curso; é o voltar da rotina em peso, depois de uma ou duas semanas de férias (ou quase três meses, no caso dos estudantes), muito diferentes daqueles dias stressantes - e frios e chuvosos, só por isso nada relaxados - que antecedem o Natal e o Ano Novo, onde há sempre trinta prendas para comprar e embrulhar, doces para fazer e coisas do género. O Verão é a grande paragem do ano e, inevitavelmente, Setembro é o grande início. E esse sim, devia ser o início do novo ano, com tudo o que a isso tem direito!

As aulas para mim já começaram a semana passada - já ando aqui embrenhada em trabalhos e resumos - mas sei que há muita gente que só esta semana é que volta à carga. Para mim bastou esta semaninha para subir um bocadinho os ânimos, matar as saudades de algumas pessoas e da minha baixa portuense e de já ter muito mais vontade de fazer coisas e escrever (coisa que, desde o início do verão que teimou em desaparecer - e eu deixei). Daqui a três meses, quando as horas de sono já forem poucas e o volume de trabalho e stress demasiado grandes, é inevitável escrever algo sobre isso aqui e queixar-me lá pelo meio; ainda assim, e porque já passei por isso, posso dizer com toda a certeza que o meu lugar é a trabalhar, a criar e a fazer coisas, que não sou pessoa de ficar sentada a ver os navios passar.

Para além disso, este vai ser o último ano de licenciatura, que vai introduzir novidades inevitáveis na minha vida. Há muita escolha para fazer durante estes meses e estou a fazer figas - e a pensar muito, até demasiado - para que sejam as certas. Tem tudo para ser um ano tão bom como importante. E começa... agora!

Por isso... bom ano! [se quiserem podem comer as passas, beber o champanhe e fazer a festa na mesma - ainda no fim-de-semana passado, no restaurante onde fui, vi uma senhora que parecia que ia vestida para uma festa de ano novo, por isso acho que isto de Setembro ser o novo Janeiro está a entranhar-se nas nossas vidas]

14
Set15

A precisar de um banho gelado (ou o "fantasma do estágio")

Este Verão tornei a conhecer uma Carolina que já tinha quase esquecido que existia. A loucura toda do semestre passado ocupou-me de tal forma a cabeça e elevou-me para um estado de satisfação que quase quis crer que o outro lado de mim tinha esmorecido de forma a não aparecer mais. Foram meses tão cansativos como especiais - mas como o que é bom acaba depressa, chegou o verão. E o verão é, para mim, demasiado longo.

Não vos sei explicar o que se passa comigo nestes meses, nem vou tentar gastar o meu latim ao faze-lo. A solidão e a depressão (ainda que ligeiras) são estados muito estranhos - eu sei que estou mal, sei que é algo mau para mim, mas ainda assim o meu instinto é continuar. Há algo de doloroso mas, ainda assim, reconfortante no meio daquilo tudo - podemos estar num casulo, mas ao menos sabemos que não saímos dali, que já são poucos os alicerces a abanar, que estamos encolhidos e quentinhos. É um mix terrível e que eu conheço demasiado bem, porque me lembro de o sentir desde que me lembro de existir. Agora sei contrariar-me, tenho melhorado muito em muitos aspetos, mas há sempre fases em que o buraco se abre ao fundo dos nossos pés (seja porque razão for) e nós, simplesmente, saltamos. Não é um salto para o escuro, é um salto para um sítio mau mas que já conhecemos - e isso faz toda a diferença quando o nosso medo maior é, muitas vezes, o da mudança e o de sair da nossa zona de conforto.

A parte boa disto tudo é que eu sei que isto passa, que sei a resolução disto tudo. Preciso de pôr a cabeça a trabalhar, de cansar o corpo, de me dar por inteiro aos projetos que gosto e que estou sempre a imaginar - e aí, quando a minha cabeça repousa e corta aquele ciclo vicioso, eu melhoro. E permito-me sair da minha zona de conforto e fazer coisas incríveis, como aconteceu com o Fora da Caixa.

Mas enfim: enquanto passava por todo este processo de estar fechada dentro de casa e dentro de mim, pensei muito, como faço sempre. Magiquei trinta mil coisas, sobre este mundo e o outro. E aquilo que, a curto prazo, me provoca mais medo é o estágio. Não saber bem o que vou fazer, nem onde, nem como é o processo de seleção nem... nada faz com que toda a minha personalidade de "control freak" apite alarmes por todos os lados. A entrada para o mercado de trabalho é inevitável mas não é por isso que deixa de ser menos assustadora.

E já que vai ser assustadora e vai obrigar a que saia muito da minha zona de conforto, pensei em faze-lo em grande e ir fazer o estágio à capital. Isto começou tudo como uma forma de passar tempo durante uma aula do semestre passado, em que eu e uns colegas nos pusemos a ver o preço ridículo das casas para arrendar em Lisboa. Na altura o fantasma do estágio já pairava e, pelos vistos, há sempre alguns colegas que rumam a sul para começar a trabalhar - e nós, por curiosidade, fomos pesquisar. Mas o bichinho ficou e estou sinceramente a ponderar essa hipótese.

Para além de haver mais emprego na área que estou a estudar, era uma forma de me atirar mesmo aos tubarões e ver se sobrevivia. A parte boa é que também são cerca de três meses e Lisboa está a três horas de comboio - e só por isso é que eu ponho a possibilidade em cima da mesa, porque não dá tempo nem hipótese de morrer de saudades e há sempre a chance de voltar rápido para o colo dos pais e dos irmãos. Depois do verão que tive, achei que precisava de um estalo para acordar para a vida; um banho gelado onde entrasse, que me fizesse ver as coisas de outra forma, passar por situações novas e conhecer outras pessoas (coisa que preciso imenso). A questão é se o banho é tão gelado que morro de hipotermia ou se, com o tempo, me vou habituando e o banho gelado passa a morno e a transmitir-me algum conforto.

A ver vamos. Ainda tenho tempo para pensar, vinte e uma mil coisas com que me preocupar entretanto e descobrir, no meio disto tudo, aquilo que de facto quero fazer - tanto no estágio como depois dele. Mas acho que só o facto de pôr a hipótese em cima da mesa é de registar. 

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