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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

29
Out16

Os meus hieróglifos

Eu não nasci para ser jornalista. É uma questão com que me debato todos os dias, é algo que me faz sofrer (quase) todos os dias mas que simplesmente me limito a aceitar. Não sou de desistir de desafios e, a partir do momento em que aceitei o meu atual trabalho de braços abertos (embora às cegas), é para ir para a frente. Todos os dias debatendo comigo mesma e todos os dias saltando do meu círculo da área de conforto, mas lutando - que é o que importa.

No meio disto tudo, e como as coisas não fluem naturalmente, falo abertamente com os meus colegas e chefe para tentar fazer as coisas o melhor possível, usando os seus hábitos e táticas com que já trabalham há tantos anos. E uma das coisas que me disseram foi para não gravar as conversas - não no sentido autoritário ou de obrigação, claro, mas simplesmente expuseram-me os seus pontos de vista e eu, de facto, concordei. Para além do facto de os gravadores ou telemóveis não serem 100% fiáveis (já fiquei uma vez, ainda na faculdade, sem uma entrevista enorme à conta disto), é um facto que os gravadores condicionam um pouco a conversa e as pessoas se mostram assustadas por tudo o que estão a dizer estar a ser gravado. Por outro lado também falo muito com as pessoas ao telemóvel, pelo que a questão do gravador já nem sequer se coloca. Por isso, desde cedo que deixei as gravações de parte e confio na minha rapidez na escrita.

E... bem... eu rápida sou. O pior são os hieróglifos que saem das minhas mãos e que, aquando de uma leitura posterior, me lixam totalmente a vida. Primeiro nunca se escreve tudo, como é óbvio - há coisas que não tenho tempo para escrever na íntegra e penso "só com esta palavrinha vou lá chegar": errado! Fico a olhar para aquilo como um burro olha para um palácio, fazendo exercícios mentais complexos para rever a conversa que tive e tentar chegar ao tópico em análise. Depois, mesmo aquilo que se escreve, por vezes... não é fácil de entender. 

Num destes últimos dias, dado o meu desespero enquanto olhava para as minhas notas hieróglifadas, percebi que o que eu preciso mesmo... é de um curso de estenografia, daqueles que as secretárias antigamente faziam para acompanharem os ditados dos seus patrões sem perderem pitada. Tenho a certeza que se abrirem o meu caderno de notas, não perceberão se aquilo é português ou um qualquer código de encriptação altamente avançado. Por isso, mal por mal... que sejam códigos a sério. 

19
Out16

Hoje escrevo

Em 2011 deu-me na real gana que queria escrever. Foi uma coisa um bocadinho inesperada, porque toda a minha vida tinha dito que queria ir para áreas ligadas às ciências e aos números; até ali, sempre tinha gozado com os "letrinhas" e menosprezado um pouco o trabalho deles, nunca pensando que aquilo que dizia me iria um dia pesar na consciência. 

E depois, ao que pareceu ser (aos olhos dos outros) uma coisa que mudou do dia para a noite, decidi que não queria nada do que tinha apregoado até ali e que o que queria da vida era mesmo escrever. Claro que, para mim, essa mudança foi mais gradual, ainda que de facto repentina - relaciono-a com um período pior da minha vida, em que me fui abaixo e não estava a conseguir lidar com vários fracassos sucessivos, nomeadamente ao nível das matemáticas. Na altura ninguém me apoiou nesta mudança - em grande parte porque essa relação fracasso/desistência estava muito explícita e, aos olhos dos outros, eu estava a desistir à mínima dificuldade. E eu não posso negar que  essas dificuldades também impulsionaram a mudança - mas hoje percebo que eu estava com uma sede enorme de mudar, o que só ficou provado no ano seguinte, naquele que foi o melhor ano que tive na escola secundária.

Nessa altura coloquei o jornalismo em cima da mesa porque era uma alternativa que me permitia escrever sobre os mais variados assuntos, inclusive as ciências, fazendo com que eu não perdesse essa ligação aos números que eu sempre apreciei. Mas cedo me apercebi que o jornalismo não era para mim e que "escrever" e "jornalismo", ainda que sejam coisas indissociáveis, estão longe de ser a mesma coisa e de satisfazer alguém que gosta mesmo de escrevinhar.

Por ter percebido isso e por, ainda mais para a frente, ter visto que o contacto humano era extremamente necessário, pensei muitas vezes em desistir. No primeiro ano, era algo diário - todos os dias eram bons para dizer "chega". Por alguma força de vontade divina, decidi ficar no mesmo curso e traçar o meu caminho. Defini objetivos, fiz-me perceber que um curso era só mais uma valência e que não perdia nada em saber mais numa determinada área, mesmo que alguns dos trabalhos e atividades me fizessem doer o âmago de cada vez que as fazia. 

E, não sei como, a vida acabou por se arranjar e dar as voltas do costume. Primeiro queria números e fui para letras. Depois a ideia passou levemente pelo jornalismo e fui para a assessoria, fugindo a sete pés dos jornais. A seguir estagiei em assessoria e ofereceram-me um trabalho em jornalismo. Como se isto já não bastasse, tudo acabou por se compor na grande área da minha vida, onde cresci e pela qual nutro uma paixão profunda - de forma a estar a desenhar o meu futuro nesta área -, que é a têxtil e a moda. Algo que no início não fazia sentido e que me causou, muitas vezes, imenso sofrimento, acabou por ser um complô incrível, uma surpresa e uma autêntica prenda da vida.

Porque a vida é um conjunto de escolhas. Das mais pequenas ("o que vou comer ao jantar?" ou "que sapatos calço?) até às gigantes ("caso-me?", "despeço-me?"), todos os dias a fazemos - e eu acho que, muitas vezes, mesmo as pequeninas decisões que tomamos têm repercussões no nosso futuro, quase como o efeito borboleta. Uma coisa é certa: a vida acontece-nos. A partir do momento em que estamos vivos, estamos à mercê do que nos aparecerá à frente. Coisas más e coisas boas, no fim o que interessa é o que fazemos com elas - ou, por outras palavras, as decisões que tomamos e a forma como nos mantemos firmes perante elas. A resiliência, a luta, a paciência e aquela pitada de sorte fazem a diferença.

Em 2011 decidi que queria escrever. E hoje escrevo - e que bom pensar que isto é só o início. [Caraças, os sonhos realizam-se mesmo!]

 

DSC_003_2.jpg

 (hoje saiu o meu primeiro texto assinado em algo sério, oficial e com uma tiragem minimamente significativa. estou feliz.)

 

08
Out16

Kem lê não escreve axim

Esta semana andei pelo OLX e por alguns daqueles grupos de venda de livros no facebook. A minha mãe tinha aqui um par de livros novos, que comprou, leu as primeiras páginas e não gostou, pelo que tentou despachá-los, até porque estavam em perfeito estado.

Eu também já tinha andado nestas andanças de compra e venda de livros via facebook, já conhecia o "ambiente", mas não consigo deixar de me pasmar como é que pessoas que supostamente lêem conseguem escrever "axim". "Ker dixer, xe as pexoas estão no grupo é pk lêm livros, né?" Isto desculpa-se se estivermos a falar de miúdos de 12 e 13 anos, cujos amigos escrevem assim e eles se vêem obrigados a partilhar a forma de escrita para se integrarem no grupo. Agora pessoas com idade para terem filhos dessa mesma idade escreverem com "x" e "y", incapazes de colocar uma vírgula ou acento? Tenham dó!

Para descanso da minha pobre alma, penso que essas pessoas simplesmente herdaram os livros do pai, da mãe, do tio ou do primo e querem simplesmente pô-los a render. Recuso-me a aceitar que pessoas que lêem livros de forma regular escrevam axim. É ximplesmente demaxiado mau para xer verdade, não konkordam?

10
Abr16

Sobre os meus futuros livros

Muita gente me pergunta para quando vem um livro. Acho que a culpa é minha, porque sempre que me perguntam o quê que eu quero fazer da vida (e depois de eu responder, primeiramente, "é complicado") eu acabo eventualmente por explicar que, embora saiba que não é disso que vou viver, o que eu quero é escrever. Não digo "escrever livros", mas é isso que todos assumem - e não é errado.

A partir daí, sempre que me encontram, lá me fazem a perguntam da praxe: "então e já escreveste um livro?". Dependendo do quão bem me conhecem a da quantidade de vezes que estão comigo, há pessoas para tudo: há quem me fale em editoras, que editam livros assim ou assado; dizem-me que viram um texto meu que era digno de livro, que tenho mesmo jeito, que tenho de começar a pensar nisso; prometem estar na fila de autógrafos quando for o grande dia; ou, no caso extremista do meu pai, espera pacientemente para me ver ganhar o Nobel (ah ah ah). No fim de tudo isto, a conclusão que eu chego é que toda a gente à minha volta está mais confiante no facto de eu um dia escrever um livro* do que eu própria.

Não é que eu não acredite, mas não é para já. Eu acho que ter jeito e gosto pela escrita não é o suficiente para se escrever bem livros - talvez num blog seja o bastante, num par de crónicas também. Mas os livros exigem uma estrutura diferente; exigem planeamento, técnica. Exigem paciência, muito pensamento à mistura e, acima de tudo, experiência de vida - e é por isso que, na minha opinião, os grandes escritores são quase todos mais velhos. Não me estou a lembrar de ninguém a quem confira real valor e importância na literatura que não tenha mais de 30 anos (e já estou a ser generosa). Porque no dia em que eu escrever algo quero que seja a sério, de valor - não necessariamente aos olhos dos outros ou da crítica, mas pelo menos aos meus. 

Mesmo que tivesse uma história, uma linha condutora por onde me guiar - que não tenho, tenho alguma dificuldade em pensar história do início ao fim-, ia faltar-me tudo o resto. Pelo lado da narrativa, falta-me conhecer o ser humano, as suas reações; falta-me conhecer trinta mil coisas desta vida para as poder perceber e descrever. Falta-me ter a visão do escritor e não do leitor, preciso de aprender a olhar uma história de cima e não do ponto de vista de uma personagem; preciso de saber algumas manhas e truques, de esquematizar personagens, de conseguir pôr uma história inteira numa linha reta. E pelo lado mais técnico, falta-me saber escrever eximiamente; falta-me saber usar a pontuação de uma forma muito correta (que ainda não sei), falta-me ainda mais vocabulário. No fundo, falta-me um mundo de coisas.

O meu único medo é não perceber quando for o momento certo. Acho que a minha veia de perfecionista me vai sempre dizer que faltam sempre coisas para aprender, para aperfeiçoar. Sou menina para chegar aos 60 e achar que ainda tenho de ler mais livros porque ainda não estou no ponto certo para escrever algo "a sério" - mas isso só o tempo o dirá.

 Até lá, faço questão de ir aprendendo. Todos os porm(aiores)enores que falei acima aprendem-se não só treinando, escrevendo e lendo romances mas também através de obras que nos ensinam a escrever melhor, a construir histórias e personagens. Acredito que existam escritores que nunca tenham precisado de auxílios destes, mas eu sinto que esta parte não me sai naturalmente e quero muito aprender a fazer as coisas como deve ser, para um dia ter em mãos precisamente algo como deve ser. Os livros que comprei na wook foram para isso mesmo e este verão vai ser dedicado à escrita criativa e à construção de narrativas.

Um livro meu não deve ser lançado para breve, mas a construção dele começa aqui.

 

*quando falo em livro, falo num romance ou uma história ficcional; um livro de crónicas, por exemplo, seria algo que poderia lançar a curto prazo - mas que, sinceramente, não me atrai por aí além

03
Abr16

A síndrome da página em branco

Há uns dias, a falar com um amigo, futuro engenheiro, ele perguntava-me aquilo que mais tenho ouvido nos últimos tempos: "como está a correr o estágio? O que estás a fazer lá?". Eu expliquei o que fazia e ele respondeu-me, a torcer o nariz: "isso parece uma seca, passar os dias a olhar para páginas em branco com o cursor sempre a piscar". E eu achei imensa graça, porque nunca tinha pensado nas coisas dessa forma - de facto, 90% das atividades que faço passam pela escrita, mas têm todas um cariz, tons e objetivo tão diferentes que nunca me parecem a mesma coisa.

Se formos a pensar bem, eu começo normalmente as minhas manhãs com um press release. Depois vou pensando em formas de alimentar as redes sociais, escolho e edito imagens, escrevo as descrições e preparo planos de uma semana. A seguir sou capaz de escrever uma notícia ou acabar um relatório sobre o último evento; ou então um plano de comunicação para os eventos que vêm aí. Sou capaz de fazer uma pausa pelo meio para ler, fotocopiar e scanar notícias que saíram nos últimos dias sobre o setor, mas provavelmente já tenho outro press para escrever no email. Pelo meio vou lendo o muito que se escreve no facebook, partilho algumas coisas e vou tendo ideias para textos meus aqui no blog - se forem coisas pequenas, até já vou adiantando trabalho. Quando chego a casa, sento-me mais uma vez em frente ao computador e escrevo o que consigo, o que me apetece, o que me vem da alma. E assim passo o meu dia, a escrever.

Há uma blogger bastante conhecida aqui no pedaço que diz que "a vida resolve-se sozinha". A verdade é que não sei como vim aqui parar; sei é que no 12º ano eu não tinha nenhum curso para onde quisesse ir e a única coisa que dizia era: "quero escrever". E hoje escrevo, em muitas coisas, em muitos registos, em muitos suportes, de muitas formas e com vários objetivos. Enfrento todos os dias o "drama" da página em branco. E adoro. A minha vida, por estes meses, resolveu-se mesmo sozinha.

29
Mar16

Os meus textos grandes

Não gosto muito de misturar o mundo real com o virtual, por isso evito falar do que aqui escrevo ou estabelecer comparações. É por isso raríssimo perguntar a alguém se leu determinado texto do meu blog - mas em alguns casos, principalmente com pessoais mais próximas, normalmente com textos ou temas que lhes dizem respeito, por vezes pergunto se leram esta ou aquela publicação. E a resposta é muitas vezes (neste e noutros casos): "ainda não li, é muito grande, não tive tempo". E aquele "é muito grande" fica ali no meu ouvido, a remoer e a remoer até eventualmente me passar a neura que esta afirmação acaba por me provocar. Porque eu fico fula quando me dizem que tenho textos grandes.

Eu escrevo. "Escrevo". Num blog; escrevo textos, escrevo opiniões, escrevo críticas, escrevo pensamentos. Eu não "tweeto", eu não faço estados no facebook, eu não faço vídeos e vlogs, não comunico através de fotos - eu escrevo. E a única forma de escrever... é escrevendo. Há que fundamentar, contextualizar e argumentar: e, para o bem e para o mal, isso exige que as palavras rolem sobre a tela, porque não há outra forma de fazer com que as coisas se expliquem. 

Eu sei que vivemos na era dos tweets que não ultrapassam os 140 caracteres; no tempo dos soundbites, dos estados do facebook onde a brevidade das palavras é quase obrigatória caso queiramos que alguém leia o que escrevemos. Vivemos no tempo dos pitchs de três minutos e das infografias (porque preferimos ver imagens, como os meninos pequeninos, do que ler o que quer que seja e perceber as coisas a fundo). Vivemos no tempo dos vídeos de 15 segundos do instagram e nas micro-receitas deliciosas em páginas giras do facebook. Vivemos no tempo em que os insights nos dizem que as imagens e os vídeos resultam melhor do que textos ou atualização de estados - e por isso prolongamos isto, esta desconcentração e falta de interesse crescente em tudo o que é mais profundo. O superficial é bom. O superficial basta.

Mas eu, como escrevo, contrario isso. A superfície não me chega - assim como não me chegam os estados no facebook, os vídeos, as imagens, os pitchs ou as infografias. Eu quero a superfície e a profundidade; quero ler, pensar e escrever. E, claro, gostava que o fizessem comigo - mas aceito o facto de o meu público ser cada vez mais pequeno: porque não há paciência, não há tempo e, acima de tudo, não há vontade. Os meus textos são grandes.

Desculpem se acho que ainda há ideias e pensamentos que não se transmitem apenas com um tweet.

08
Nov15

A música que me inspira a escrever (e que vou ouvir, ao vivo, amanhã!)

O editor de posts do sapo tem um espaço para dizermos que música estamos a ouvir, embora eu só tenha usado esta funcionalidade muito no início desta minha jornada aqui pelos blogs (para os mais distraídos, está na parte que diz "outras opções", logo abaixo da data de publicação). Hoje em dia escolho não preencher isso, porque - no caso deste blog - não me parece ter grande relevância; ainda assim, acho que faz todo o sentido a opção estar lá - porque são raríssimos os posts que eu escrevo sem música de fundo.

Os meus gostos musicais não são nada de especial - sou muito comercial, gosto de quase todas as músicas que passam na rádio e, basicamente, limito-me a ligar o spotify nos "top tracks" para ter música de fundo - embora hoje em dia, admito, as músicas que estão no top soam-me muito a discoteca, têm batidas demasiado fortes e eu não gosto assim tanto, por isso às vezes mudo para playlists mais calmas que eu própria criei ou para álbuns que sei que gosto, como do Sam Smith, Banda do Mar, Os Azeitonas, Jamie Cullum, Jack Johnson, etc...

Mas, para escrever, dou-me melhor com música calma e com poucas palavras - principalmente se for música em português, como sei as letras de cor, tendo a confundir-me; canto as músicas interiormente, mas também tenho o texto a construir-se na minha cabeça, por isso fica tudo uma salgalhada. Posso ouvir músicas comerciais e escrever, mas como são mais mexidas e têm muita letra, também me desconcentram ligeiramente. Por isso, nos momentos que tiro para mim e para o teclado, vou para uma faceta mais calma da música e que também adoro; a música mais clássica faz parte de mim desde muito nova (uma vez que tocava piano) e todas essas sonoridades mais tradicionais acalmam-me e ajudam-me enquanto escrevo.

Costumo ouvir bandas sonoras de filmes - dos "Twilight's" todos, do "Inception", da "Amélie", do "Intouchables" e tantos outros. Mas uma das bandas que mais adoro - e que está também presente em filmes - é a The Cinematic Orchestra. A "Arrival of the Birds", que apareceu no filme sobre o Stephen Hawking, "The Theory of Everything" é, sem dúvida, uma das minhas favoritas - e, atrevo-me a dizer, dezenas de posts já foram aqui escritos enquanto ouvia essa música. Essa e a "To Build a Home" e a "That Home", que já conhecia antes da que apareceu o filme, que também já tinham um lugar muito especial no meu coração - e eu derreto-me sempre que as ouço.

Por tudo isto, amanhã, estarei na Casa da Música a ouvir a The Cinematic Orchestra a tocar. Quando descobri que eles vinham apressei-me a comprar bilhetes (que entretanto esgotaram) e tenho a certeza que vai valer a pena - tanto por eles como por aquela sala magnífica. Não sei se vou conseguir conter as lágrimas quando (e se) eles tocarem as "minhas" músicas - por isso, se virem uma chorona por aquelas bandas, digam olá! (E lembrem-se de que muitos posts que leram aqui foram altamente inspirados por eles).

 

07
Nov15

É oficial

Sou paga para escrever. Fiquei com o trabalho de que vos falei aqui.

 

Li o email de confirmação no meio da rua e levei com um "baque" incrível, que não vos sei descrever nem como felicidade ou tristeza. Um misto, sei lá. Acho que também se pode chamar de "medo". Abateu-se sobre mim o medo de ser incompetente, o medo de não saber escrever suficientemente bem inglês (embora já lhes tenha mandado um texto de exemplo), medo de não ter tempo, enfim. Receios de principiante e receios de quem sente que isto é sorte demais. Porque eu posso fazer tudo nesta vida: ser assessora de comunicação, trabalhar na têxtil, numa livraria, numa caixa de supermercado ou loja de roupa, porque sei que, no fim, o que me faz verdadeiramente feliz é escrever. Onde quer que seja - embora, em livros, seja o meu desejo final -, mas, pura e simplesmente, escrever. E a primeira oportunidade que apareceu e que eu tentei agarrar, ainda que muito à pressa e atabalhoadamente... consegui. Sou paga para escrever e nem me acredito!

É claro que isto não é só ouro sobre azul - nunca é. Não vou escrever sobre a minha vida, como escrevo aqui, ou sobre aquilo que quero e bem me apetece. Mas, diga-se de passagem, tenho bastante espaço para falar, dentro do tema que me é atribuído, daquilo que quiser - o que já não é mau de todo. Também não envolve só escrita - a parte da pesquisa é essencial, uma vez que eu não percebo nada de algumas coisas que eles me vão pedir para escrever (inclusive sobre este primeiro tema).

Mas, como sempre, vou dando notícias sobre esta nova fase - e, mais uma vez, obrigada pelas boas energias e força enviada! Agora vou só ali procurar informações sobre alcachofras (eu bem disse que o trabalho envolvia pesquisa - quem é que percebe alguma coisa sobre alcachofras?!) e já volto.

 

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03
Nov15

Torçam por mim!

Hoje de manhã, depois de tratar dos vários recados que vou acumulando ao longo da semana para fazer no meu dia livre (hoje), puseram no facebook uma oportunidade de emprego que consiste em escrever para o blog de uma empresa americana sobre os seus produtos. Os produtos - e sim, isto são coincidências boas da vida - são comidas orgânicas, saudáveis, daquelas que tenho vindo a aprender muito ultimamente e de que tenho intenção de vos ir falando a muito breve trecho (nomeadamente neste blog).

Achei que era a minha cara. Eu escrevo porque amo escrever, mas pagarem-me para o fazer é a cereja no topo do bolo - ainda por cima sobre algo que estou a aprender e a gostar tanto! Tem o lado bom e mau de ser em inglês - bom porque eu adoro escrever e falar em inglês e porque me vai ajudar a desenferrujar e mau porque, de facto, sinto algumas fragilidades por não ser a minha língua materna.

Ainda assim, e porque sou uma menina nestas matérias, não tinha nenhum currículo feito (só o LinkedIn, o que é pouco). Já há mesmo muito tempo que ando para o fazer, sabendo que um dia ia precisar dele sem pestanejar, mas a tarefa foi sendo adiada... até hoje. A ideia que tinha - e tenho - é de uma coisa mais fora do normal, visualmente mais apelativa do que o tão visto europass, mas desta vez não deu para mais (ainda por cima em inglês, algo que não conto usar tanto). Foi no modelo clássico, mas espero nas próximas semanas melhorar isto e fazer o currículo português da forma que tanto idealizei. Hoje, dediquei parte da tarde e noite a fazer o CV em inglês e a minha carta de motivação, a ler trinta vezes cada palavra que escrevia para ter a certeza que não dava erros ortográficos (é o que dá não ler em inglês) e, há uns minutos, enviei a minha candidatura. Ainda pesquisei alguma coisa pelo caminho, relembrei tantas outras e, só por este sentimento de esperança e de querer muito fazer algo, o meu dia está ganho - mesmo que não fique com o trabalho.

Mas, continuando a pensar positivo... gostava mesmo muito de ficar com este part-time. Torçam por mim!

31
Out15

Fiz as pazes com a escrita

Voltei ao normal - pelo menos no que diz respeito à escrita, porque continuo com um buraco extra (quase) no rabo que não faz parte da minha fisionomia original. Quando digo que voltei ao normal, falo em termos de escrita. 

Há um mês atrás escrevi-vos dizendo que estava a fazer uma espécie de reabilitação, que tinha-me forçado a escrever no telemóvel porque não conseguia escrever em mais lado nenhum; ora sem inspiração, ora sem vontade, ora sem tema. Já há muitos anos que não escrevia tão pouco; sentia que mais um bocadinho e deixava esta paixão morrer na praia, como tantas outras que deixamos ao longo da vida. Mas a verdade - e felizmente - é que o plano resultou. No período de um mês passei de escrever zero ou um texto por semana a escrever mais de dez (sendo que muitos deles escrevo seguidos, cheia de vontade, e que acabo por ir publicando ao longo da semana senão vocês não faziam mais nada para além de ler as coisas que escrevo - o que, nestas alturas, também é bom, porque intercalo entre textos mais negativos com outros mais positivos).

Tem sido muito bom fazer as pazes com este teclado e tem servido de catarse para muita coisa. É nestas alturas que percebo a importância que a escrita tem para mim, onde a minha forma de desanuviar é poder escrever o que sinto; são as minhas lágrimas, as minhas dores, os meus medos, os meus tremores, os meus ataques de pânico. Tira-me parte da angústia que tenho sentido permanente no peito e que quase me retira o ar e qualquer vontade de fazer o que seja. Escrever é, mesmo, a minha terapia.

Hoje, cinco dias depois da mini-cirurgia, sinto-me já bem o suficiente para me sentar (yeyyyyyy!) em frente ao computador e deitar tudo cá para fora. E que saudades que eu tinha disso.

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