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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

28
Dez16

Mãe, estou na revista!

Estou de volta, depois do furacão natalício e sua consequente ressaca, que me fez dormir durante uma tarde inteira como já não dormia desde o meu primeiro ano de faculdade, quando parecia ter sido ferrada pela mosca tse-tse. Espero que esse Natal tenha sido bom, que o Pai Natal tenha sido generoso e que as férias (se for o vosso caso) vos estejam a saber pela vida, porque por aqui trabalha-se e eu já tenho uma série de posts programados para sair. Preparem-se para uma avalanche de balanços, reflexões e coisas que tais sobre 2016, porque o meu cérebro já não aguenta conter isto por muito mais tempo.

Mas adiante. Para já, quero contar-vos uma novidade boa! Há uns meses recebi um convite da revista "I Like This" para escrever um artigo de opinião sobre a Finlândia, o país que ia ser alvo da 15ª edição desta revista trimestral. Admito que não a conhecia, mas fui pesquisar e aceitei prontamente o convite - porque se gosto de escrever só por si, escrever sobre viagens é um autêntico bónus. Avisei à partida que não tinha estado muito tempo na Finlândia e que queria ser o mais sincera possível em tudo o que dissesse, porque sempre admiti que este não foi um país que me tenha deixado de queixo caído. Correu tudo bem e tudo o que lá está é a perceção real e verdadeira que tive naquelas poucas horas em solo finlandês.

Escrevi e enviei o artigo e as fotos - e agora voilà, já estão espalhados pelas bancas de todo o país. Não escondo que estou super feliz - o artigo é pequenino, mas é aquilo que há vários anos desejo fazer: escrever para contar e partilhar experiências com os outros. Ver algo meu numa revista tão bonita (que é mesmo, tem capas fantásticas e um design muito apelativo e fácil de ler) aquece-me o coração e faz-me ver que é por aqui o caminho.

Eu já comprei a revista - vou guarda-la com todo o carinho e amor na minha caixa de recordações - e vocês podem fazer o mesmo se tiverem curiosidade sobre a Finlândia. Caso contrário (ou caso simplesmente queiram ler o que lá escrevi) podem clicar aqui.

 

Obrigada à I Like This pelo convite!

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21
Dez16

Como eu blogo (ou como os blogs podem ser importantes na vida de alguém)

Não sei se já repararam mas hoje - e pelos próximos dias - a minha fronha está na página dos Blogs do Sapo, com a rúbrica "como eu blogo" (sei que há fronhas melhores, mas foi o que se arranjou...). Foi com muita alegria que recebi o convite da equipa do batráquio para responder àquelas cinco perguntinhas e, como não podia deixar de ser, aceitei de imediato. Trabalho com o Sapo Blogs há quase oito anos e tenho um orgulho imenso por todos os meus blogs estarem alojados numa plataforma portuguesa, que promove os blogs que alberga e trabalha diariamente para melhorar - mesmo com dificuldades, que sei que existem. 

Ainda hoje fico seriamente comovida quando ainda se lembram do nome do meu primeiro blog e das várias fases da minha vida, resumindo-ma em poucas linhas e de diferentes perspetivas. É algo muito pessoal entregarmo-nos por completo a um projeto e partilhar as nossas vidas com desconhecidos; tem coisas más mas, de vez em quando, há uns bombons que compensam tudo o resto. Há qualquer coisa de mágico e ao mesmo tempo estranho em existir alguém que nós nunca vimos na vida mas que conhece a nossa história, o nosso percurso e a nossa forma de ser apenas porque nos lê.

Tenho 21 anos e, por isso, acho que é razoável dizer que um percurso de quase 8 anos no mundo dos blogs é algo significativo: no fundo, é pouco menos de metade da minha vida. Cresci aqui, a ler e a escrever, e percebi muitas coisas essenciais para a minha vida enquanto teclava nesta plataforma. Acima de tudo, percebi que amo escrever e que essa tem de ser uma das linhas condutoras da minha vida - e no momento em que percebi isso, dei uma volta de 180º. O blog assumiu uma importância na minha vida que ultrapassa o hobbie mas que, felizmente, também não chega a ser trabalho: é um limbo, um meio para atingir um fim e, acima de tudo, uma forma de fazer aquilo que mais amo e ter a sorte de ter alguém com a paciência suficiente para me ler.

Desde 2009 que faço publicações e escrevo diariamente; já pensei muitas vezes em desistir e mandar isto para as urtigas, já mudei várias vezes de blog e de conceito e sinto que finalmente cheguei a águas calmas e a uma fase em que me sinto feliz e confortável da forma como estou. O Entre Parêntesis tem cinco anos e meio e é um resumo de uma fase de enorme mudança para mim e do caminho para um sonho. Os passos para lá chegar dou-os aqui, todos os dias, com os muitos textos que escrevo - e que espero continuar, porque há um longo caminho a percorrer.

Em resumo, sinto-me lisonjeadíssima e muito feliz pelo convite do Sapo e queria apenas demonstrar que tudo isto que aqui vêem e lêem não é um pormenor na minha vida, mas algo que tem uma dimensão significativa e muito importante para mim. Podem ler a rubrica aqui

 

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Obrigada ao Sapo pelo convite e por todos estes anos de "parceria"!

 

06
Ago16

Parabéns, blog fofinho!

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Foi há cinco anos que criei esta nova casa para os meus textos, devaneios, opiniões e coisas parvas. Pode não parecer muito, pode parecer fácil, mas às vezes não é. Manter um blog diário é difícil, exige trabalho, dedicação e tempo - e embora eu nem sempre consiga dedicar-lhe tudo o que quero e que ele merece, tenho dado o meu melhor e estou satisfeita com estes cinco anos de "casa".

Lembro-me que festejei os três anos do Entre Parêntesis quase de luto, por causa da minha avó. Os quatro anos celebraram-se no decorrer de um verão complicado e depois de um período de euforia total na faculdade: a representação de um "arrefecimento" abrupto e de algum desapontamento. Já este aniversário representa mais uma reviravolta que está para chegar na minha vida e um esforço muito grande da minha parte para fazer deste último verão "grande" algo memorável.

Não deixa de ser giro pensar que, quando me "mudei" para aqui, estava ainda no secundário e no vai-não-vai para mudar de curso e no meio de uma crise existencial épica. Agora, quase licenciada, estou a menos de um mês de ir trabalhar e entrar no mundo dos crescidos. É estranho mas tão bom ao mesmo tempo saber que há algo - ao longo destes 1827 dias - que é constante, uma linha condutora entre os tempos e todas as decisões e ações que tive. Essa linha condutora é este blog, porque está tudo aqui: os medos, os pensamentos, as tomadas de decisão, as dores, as alegrias, as tristezas, as vitórias e as derrotas.

Sou a mesma Carolina, só cinco anos mais velha, mais crescida, mais madura, mais experiente e mais certa das suas escolhas. E, espero, que melhor escritora do que era em 2011! E é assim que quero que isto continue a ser: a mesma Carolina, mas em constante evolução. Porque se há algo que aprendi durante estes anos é que podemos mudar, evoluir e crescer, e mesmo assim continuar a sermos fiéis a nós mesmos.

 

Que sejam os primeiros 5 anos de um "vida" longa :)

 

17
Abr16

Tanta coisa para escrever, tão pouco tempo para o fazer

Arrisco em dizer que nunca a minha agenda teve tantos títulos de posts acumulados. O trabalho é um terreno fértil para ter ideias de escrita - só não ajuda em ter tempo para as escrever e desenvolver (e não, não consigo escrever em pleno trabalho - mesmo nos dias com menos coisas para fazer, sinto-me sempre observada e sem privacidade para escrever com a paz que preciso). 

Entre acordar, tomar o pequeno-almoço, ir para o trabalho, voltar para almoçar e regressar ao escritório, voltar de novo para casa ao fim da tarde, empacotar as coisas para ir para o ginásio, voltar para jantar e tomar banho... não sobra muito tempo de qualidade em frente ao computador para escrever - e também não sobra vontade, porque estar no computador é o que já faço o dia inteiro. Normalmente só mesmo depois de jantar mas, para além da falta de vontade, a necessidade de dormir decentemente tem falado mais alto e feito com que me deite a horas que fazem envergonhar qualquer jovem de 21 anos. Mas a verdade é que só assim é que consigo enfrentar o dia seguinte com força, energia e boa disposição - caso contrário, chego ao fim da tarde a arrastar-me pelos cantos.

Quando o estágio acabar vou querer fazer uma desintoxicação de computador, porque só agora é que percebo o quão mal é que isto me faz (e estou muito agradecida por, há uns ano atrás, ter mudado de ideias quanto a ir para engenharia informática - acho que, com o cansaço que o computador me provoca, não me ia safar muito bem nessa profissão). Ainda assim, e porque sinto que a minha cabeça é um autêntico viveiro de textos que "falam" uns por cima dos outros de forma incessante, vou tentar, nos próximos dias, riscar uns quantos temas pendentes que estão à espera de serem escritos há demasiado tempo. 

29
Mar16

Os meus textos grandes

Não gosto muito de misturar o mundo real com o virtual, por isso evito falar do que aqui escrevo ou estabelecer comparações. É por isso raríssimo perguntar a alguém se leu determinado texto do meu blog - mas em alguns casos, principalmente com pessoais mais próximas, normalmente com textos ou temas que lhes dizem respeito, por vezes pergunto se leram esta ou aquela publicação. E a resposta é muitas vezes (neste e noutros casos): "ainda não li, é muito grande, não tive tempo". E aquele "é muito grande" fica ali no meu ouvido, a remoer e a remoer até eventualmente me passar a neura que esta afirmação acaba por me provocar. Porque eu fico fula quando me dizem que tenho textos grandes.

Eu escrevo. "Escrevo". Num blog; escrevo textos, escrevo opiniões, escrevo críticas, escrevo pensamentos. Eu não "tweeto", eu não faço estados no facebook, eu não faço vídeos e vlogs, não comunico através de fotos - eu escrevo. E a única forma de escrever... é escrevendo. Há que fundamentar, contextualizar e argumentar: e, para o bem e para o mal, isso exige que as palavras rolem sobre a tela, porque não há outra forma de fazer com que as coisas se expliquem. 

Eu sei que vivemos na era dos tweets que não ultrapassam os 140 caracteres; no tempo dos soundbites, dos estados do facebook onde a brevidade das palavras é quase obrigatória caso queiramos que alguém leia o que escrevemos. Vivemos no tempo dos pitchs de três minutos e das infografias (porque preferimos ver imagens, como os meninos pequeninos, do que ler o que quer que seja e perceber as coisas a fundo). Vivemos no tempo dos vídeos de 15 segundos do instagram e nas micro-receitas deliciosas em páginas giras do facebook. Vivemos no tempo em que os insights nos dizem que as imagens e os vídeos resultam melhor do que textos ou atualização de estados - e por isso prolongamos isto, esta desconcentração e falta de interesse crescente em tudo o que é mais profundo. O superficial é bom. O superficial basta.

Mas eu, como escrevo, contrario isso. A superfície não me chega - assim como não me chegam os estados no facebook, os vídeos, as imagens, os pitchs ou as infografias. Eu quero a superfície e a profundidade; quero ler, pensar e escrever. E, claro, gostava que o fizessem comigo - mas aceito o facto de o meu público ser cada vez mais pequeno: porque não há paciência, não há tempo e, acima de tudo, não há vontade. Os meus textos são grandes.

Desculpem se acho que ainda há ideias e pensamentos que não se transmitem apenas com um tweet.

17
Mar16

Querem receber os meus posts no vosso email?

Este é mais um post que devia ter saído a semana passada. Eu sei, sou uma vergonha. Mas cá vai disto.

Mais uma vez, a equipa do SAPO inovou e trouxe para os blogs mais uma funcionalidade absolutamente espetacular, que pode dar jeito - principalmente - para os mais esquecidos. Agora podem receber nos vossos emails uma espécie de "newsletter" do blog, onde podem ler os posts que publico. Recebem, no máximo, um email por dia; no mínimo recebem zero, nos dias em que não escrevo. Não é uma newsletter comum, cheia de floreados, publicidade e coisas que tais - tem uma parte dos posts que foram escritos e pouco mais, só mesmo como "reminder" de que há posts aqui há espera da vossa leitura. 

Esta funcionalidade é óptima para quem lê os blogs nos blogs (ou seja: não usa o facebook, o feedly ou outro mecanismo qualquer para ler blogs ou para ser "lembrado" de que eles existem), porque muitas vezes há alguns que ficam esquecidos na nossa "ronda" diária. Por outro lado, para blogs que não publicam com frequência (que não é o meu caso, mas pode ser o de outros), é uma forma de não passarem a vida a visita-los sem novos conteúdos, ficando sempre alerta para quando um post novo é publicado. É ou não é óptimo?

É por estas e por outras que toda eu sou SAPO, que visto a camisola a 100%, que torço tanto por esta equipa e por esta plataforma e que as defendo com unhas e dentes. Já não sou entendida em matéria de outras plataformas blogosféricas, porque há muitos anos que não trabalho fora do SAPO - ainda assim, acho que é nosso dever apoiar o que é português, ainda para mais quando tudo é tão bem feito, com tanto empenho, dedicação e abertura para fazer sempre mais, muito mais. Não há outra plataforma que ofereça um serviço de ajuda tão rápido, simpático e eficaz como este, apenas com um simples comentário num dos blogs da equipa; não há outra equipa que esteja sempre atenta aos blogs da sua "rede", que comente nos momentos chave, que dê apoio quando é preciso, que promova a ligação entre os seus usuários. Se pudesse, dava os meus parabéns e obrigado todos os dias a quem faz isto acontecer. Porque são de facto incríveis.

E agora já sabem - é só escrever o email ali no espacinho da barra lateral! Não se preocupem que os vossos emails não são visíveis por ninguém - nem sequer por mim, que fico aqui a morrer de curiosidade! Espero que gostem e desfrutem!

01
Mar16

Os nossos contextos e os contextos dos outros

Acho que todos os meus amigos sabem que uma das melhores formas de me irritar é ler os textos que aqui escrevo em voz alta. É algo que não suporto. Faz-me uma confusão tremenda ouvir aquilo que escrevi (e, no fundo, "ouvi" com a minha própria voz "interior") na boca de outra pessoa, sem todas as paragens e significados que atribuo a cada texto que escrevo. Acho sempre que os meus textos estão horríveis, mal escritos, que a coerência ao nível do som das palavras (se é que isto faz sentido) é terrível, que - dada a forma como são lidos - a pontuação está mal aplicada. Enfim, uma série de tragédias e defeitos sem fim. 

Mas a verdade é que, quem escreve, tem de aceitar isto. A minha mãe sempre me disse que "um livro não é só um livro, são muitos - tantos quantos as pessoas que o lêem" e isso é algo com que o escritor tem que viver; perceber que nem tudo o que escrevemos é interpretado da forma que desejaríamos e intencionávamos, que isso depende do contexto em que cada um vive, do humor com que está no momento em que lê as coisas.

Às vezes irrito-me e fico um pouco magoada com as coisas que dizem nos comentários. Alguns com clara intenção de ofender, outros simplesmente com opiniões contrárias às minhas mas que têm muitas vezes o objetivo de combater algo que eu nem sequer disse. Assumem-se demasiadas coisas, tiram-se conclusões erradas de coisas que digo - e isso, num "bolo total", dá toda uma percepção errada daquilo que queria dizer, da mensagem que queria transmitir. 

A verdade é que também eu escrevo no meu próprio contexto - quando "escrevo" os textos na minha cabeça, antes de os passar para aqui, já estou a tomar como adquiridos muitos factos que já fazem parte de mim mas que o cidadão comum (ou, na verdade, qualquer cidadão) não sabe. Aquilo que me parece mais que óbvio e contextualizado é, muitas vezes, quase um insulto para uma outra pessoa que lê e vê tudo isto de uma outra perspectiva e contexto qualquer.

No fundo, acho que cada um lê o que quer. E não podemos fazer muito para além de aceitar - porque por muito que escrevamos, contextualizemos e expliquemos... cada um continua a ter a sua verdade, a sua vida e os seus próprios contextos. E, esses, nós nunca vamos poder mudar.

15
Fev16

Dou por mim a pensar

Aqui em casa sempre me ensinaram de que uma das coisas mais importantes da vida é a coerência; que podemos achar o que quer que seja bonito ou feio, desde que mantenhamos a nossa posição coerente, tanto no passado como no futuro. Sempre levei essa "regra" a peito e, embora ache que o ser humano é naturalmente incoerente, dou sinceramente o meu melhor para contrariar isso, em todos os aspetos da minha vida. E custa-me quando percebo que não consigo o meu objetivo.

E acho que é por isso que, tantas vezes, tenho uma espécie de amor-ódio por este blog. Não consigo ter uma posição coerente ou sequer coesa em relação a isto; num dia já penso em cinco coisas diferentes para dinamizar o "espaço" e dar o "próximo passo" e noutro já estou a pensar em fecha-lo. Vivo num constante dilema entre o meu amor pela escrita, os seguidores que já tenho e os cinco anos que já estão para trás e a sensação de às vezes revelar demasiado ou, por outro lado, me começar a conter gradualmente, por saber que a pessoa "x" ou "y" está a ler ou de forma a prevenir revelar certos pormenores da minha vida que, não sendo essenciais ou "principais", dão a noção de que esparramo toda a minha vida aqui e que todos os que me lêem me conhecem de ginjeira.

Dou por mim a pensar que não quero isto, que só quero escrever: e que para isso não preciso de me expor num espaço virtual aberto a todo - e, mesmo que tivesse, ninguém precisava de saber um nome, uma idade, um curso ou uma cara. Podia só ser a miúda que escrevia num blog.

Dou por mim a pensar que é preciso ter estômago para isto e que a vida de outras bloggers conhecidas, que aos olhos de textos e fotos bonitas nos parecem de ouro, devem ter muitos meandros que as pessoas não iam gostar de ver ou conhecer. 

Dou por mim, demasiadas vezes ao ano, a tentar perceber se tudo isto é positivo ou negativo para mim; se me traz mais coisas boas do que más; a equacionar alternativas; a tentar mudar pormenores que acho que podem melhorar esta minha "estada virtual" mas que, a médio e longo prazo, não parecem sortir grande efeito.

A verdade é que não sei lidar com os prós e contras deste blog. Gosto tanto dele por umas coisas, mas detesto-o por tantas outras. Mas, acima de tudo, tenho com ele um vínculo emocional tão forte que me dificulta a tomada de muitas decisões mais drásticas, racionais e potencialmente mais saudáveis para mim. É muito dificil largar uma casa de que gostamos e que já muitos conhecem, não é verdade? 

10
Dez15

Este é um blog genuíno

Se seguir com a minha área de estudo, aquilo que vou fazer é promover coisas. Promover pessoas. Promover empresas. Promover produtos. Promover serviços. Promover tudo, bom e mau, melhor ou pior, com valor real ou aparente: o meu trabalho vai ser criar estratégias para vender um produto ou uma ideia e guiar as pessoas e as empresas nesse processo, para que vendam mais, criem mais, façam mais dinheiro. No fundo, é isto.

Seria então lógico que eu soubesse promover este blog de uma forma decente para que ele tivesse muito sucesso, muitos leitores, likes e essas métricas todas com as quais, hoje em dia, medimos o nosso (aparente) sucesso, até a nível pessoal. Mas a verdade é que este blog é quase uma ameaça para o meu futuro trabalho, porque eu acho que consigo fazer tudo ao contrário do que é suposto, mantendo "apenas" o que é sempre essencial: o conteúdo. E faço isto porque, acima de tudo, não procuro sucesso, não procuro likes que me ignoram e, muito menos, fama. Eu limito-me a escrever porque quero, porque preciso e porque acho que devo treinar a ferramenta que suponho que um dia me fará genuinamente feliz.

Explicado de outra forma, o que quero dizer é que nós, quando queremos ter sucesso nalguma coisa, temos de ir ao encontro daquilo que as pessoas querem e procuram. No caso de um blog, eu sei que as pessoas são preguiçosas e não gostam de ler textos grandes como os que eu escrevo; sei que adoram imagens e vídeos, como aqueles que eu pouco publico; sei que gostam de interações diversificadas no facebook, quando eu quase que me limito a publicar unicamente os posts que escrevo; sei que devo ter várias redes sociais que transmitam a minha marca, quando não tenho; sei que devo responder a tudo, bom e mau, interessante e desinteressante, e que não o faço; sei que devia falar sobre isto com as pessoas, que devia promover o blog no meu facebook pessoal como um trabalho que desenvolvo e deixar que os meus pais também partilhem novidades e falem sobre a sua filha "blogger", coisa que eu não deixo. E porquê? Porque, pelo menos por agora, quero que isto (sobre)viva de forma genuína, sem "artilharias" adicionais e falsas, que chamariam gente, mas que não chamariam necessariamente leitores, que é aquilo que eu mais gosto.

Eu sei perfeitamente que a quantidade de likes que tenho no facebook não é representativa do número de pessoas que, efetivamente, lêem os posts - mas isso não me importa, porque eu sei que pelo menos meia-dúzia de pessoas me lêem: e isso faz o meu dia! Eu própria enfio o barrete e confesso que chego muitas vezes a ter preguiça de ler alguns posts mais longos de blogs que sigo; também por isso sinto-me verdadeiramente lisonjeada quando percebo que alguém lê os meus posts, por mais gigantes que sejam. É mesmo uma das minhas maiores alegrias diárias, para além de escrever.

Receio que um dia, para o bem e para o mal, dê uma volta a isto e ponha em prática os muitos ensinamentos que me foram dados ao longo destes anos e que sei que funcionam (embora com tempo e sempre, SEMPRE, com uma dose de sorte). Talvez nesse dia aposte em publicidade - aqui e no facebook-, me controle para escrever menos, passe a publicar estes posts no meu mural do facebook, comece a deixar os meus pais partilharem também os posts e pedirem likes na página da sua filha querida. Mas por hoje - dia em que ainda nem sequer sei bem definir quem sou, quanto mais aquilo que escrevo!, dia em que sinto que preciso de escrever não só por prazer mas também para treinar de forma apoder melhorar, dia em que sinto que aquilo que tenho - para já - me chega - este blog vai continuar assim, como eu quero e como eu sou. Genuíno e com privilégio para o conteúdo, por mais extenso que esse seja.

 

(e tomem lá mais um testamento...!)

31
Out15

Fiz as pazes com a escrita

Voltei ao normal - pelo menos no que diz respeito à escrita, porque continuo com um buraco extra (quase) no rabo que não faz parte da minha fisionomia original. Quando digo que voltei ao normal, falo em termos de escrita. 

Há um mês atrás escrevi-vos dizendo que estava a fazer uma espécie de reabilitação, que tinha-me forçado a escrever no telemóvel porque não conseguia escrever em mais lado nenhum; ora sem inspiração, ora sem vontade, ora sem tema. Já há muitos anos que não escrevia tão pouco; sentia que mais um bocadinho e deixava esta paixão morrer na praia, como tantas outras que deixamos ao longo da vida. Mas a verdade - e felizmente - é que o plano resultou. No período de um mês passei de escrever zero ou um texto por semana a escrever mais de dez (sendo que muitos deles escrevo seguidos, cheia de vontade, e que acabo por ir publicando ao longo da semana senão vocês não faziam mais nada para além de ler as coisas que escrevo - o que, nestas alturas, também é bom, porque intercalo entre textos mais negativos com outros mais positivos).

Tem sido muito bom fazer as pazes com este teclado e tem servido de catarse para muita coisa. É nestas alturas que percebo a importância que a escrita tem para mim, onde a minha forma de desanuviar é poder escrever o que sinto; são as minhas lágrimas, as minhas dores, os meus medos, os meus tremores, os meus ataques de pânico. Tira-me parte da angústia que tenho sentido permanente no peito e que quase me retira o ar e qualquer vontade de fazer o que seja. Escrever é, mesmo, a minha terapia.

Hoje, cinco dias depois da mini-cirurgia, sinto-me já bem o suficiente para me sentar (yeyyyyyy!) em frente ao computador e deitar tudo cá para fora. E que saudades que eu tinha disso.

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