Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

07
Fev19

Deus escreve direito por linhas tortas

Carolina

Não me lembro de, em miúda, querer ser muita coisa "quando fosse grande".  Recordo-me, sim, das duas principais profissões que sempre disse querer ter: primeiro, ser engenheira informática, como o meu irmão; depois, trabalhar na têxtil, tal e qual como o meu pai. Pelo meio tive algumas epifanias: professora de música, veterinária (esqueci a ideia quando uma prima mais velha me disse que tínhamos de pôr o braço in-tei-ro dentro do rabo de uma vaca), decoradora (só porque  achava que fazia um trabalho formidável no Sims) e acho que me passou pela ideia ser cabeleireira, um pensamento breve mas claramente egocêntrico, uma vez que tinha como objetivo não ter de passar pelas mãos de profissionais alheias que me cortavam mais do que os 7 milímetros de cabelo que eu achava serem adequados e que eu impunha como máximo de corte. Já não se pode dizer que fosse muito miúda quando a escrita e o jornalismo apareceram no horizonte.

Há uns meses, numa limpeza geral que fizemos nos arrumos, em que deitei centenas de quilos de papel fora (sem exagero), apanhei o primeiro jornal que alguma vez fiz, ainda no primeiro ciclo. Chamava-se "Notícias da Cidade", era um jornal de parede e tinha artigos sobre o que ia acontecendo na escola, que não passava muito da cena de pancada que tinha havido entre o António e Luís, com direito a relatos das auxiliares que separaram os dois meninos - eu sei, muito informativo... Lá pelo meio encontrei ainda o segundo jornal que desenvolvi, que teve mais de uma dezena de edições, chamado "Simple" - lembro-me bem de ir à reprografia e de fazer tabelas de custos, para pelo menos não ter prejuízo com a impressão. E enquanto folheava estes tesourinhos apercebi-me que a vida é um ciclo. É engraçado ver que nessa altura  estava a léguas de pensar em jornalismo - aliás, sempre fora uma aluna mediana a Português, não gostava nada de ler e os erros ortográficos eram uma constante - mas a verdade é que dois dos meus primeiros projetos "a sério" foram nessa área; mal eu sabia que uma década depois ia mesmo tirar esse curso e fazer parte de um jornal a sério!

Depois olhei para o presente e caí na real: então não é que hoje dou aulas de piano com regularidade? Que me chamam "professora" quando precisam de ajuda entre partituras e teclados? Que sou "a escritora da família"? E que estou, tal como o meu pai, no ramo têxtil? É verdade que não dei em decoradora nem em veterinária (embora, com seis cães , faça de veterinária quase todos os dias), mas a informática continua a ter um peso considerável na minha vida. Ah, já para não esquecer que corto a minha própria franja em casa, o que deve contar um bocadinho para a parte do "cabeleireira".

Agora fora de brincadeiras: a maioria dos emails que recebo na caixa do correio do blog prende-se muito com indecisões no campo profissional, ou ainda mesmo na fase dos estudos. Como tive um percurso um bocadinho atribulado penso que há muita gente que vê em mim alguém com alguma experiência para ajudar nestes campos. E se é verdade que ninguém deve ser infeliz a fazer um curso ou a trabalhar num determinado sítio, também o é que devemos ser resilientes e ter em mente o nosso objetivo final. É preciso pesar bem as coisas e tentar ter uma visão imparcial da nossa própria vida e situação emocional o que, obviamente, é tudo menos fácil. Aquilo que digo sempre é que os caminhos que percorremos não têm necessariamente de traçar o nosso futuro. Deviam ajudar, mas se não o fizerem, ninguém morre. A escola e a faculdade são um meio para atingir um fim. E o trabalho é algo que podemos mudar, desde que não nos falte a coragem e um meio de apoio qie nos ajude a sustentar essa decisão.

Lembro-me bem que, quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, me diziam aquilo que os adultos dizem a todos: "mas não podes ser tudo! Tens de escolher! Umas coisas nem sequer têm que ver com as outras... É como dizeres que queres ser astronauta e florista, não funciona". E eu hoje venho dizer o contrário, que não é bem assim, e que a vida não tem de ser resumida a uma só coisa - até porque é um caminho, e todos nós sabemos que há muitas estradas diferentes que vão dar ao mesmo sítio.

Sim, é verdade: eu não vou viver a vida toda neste vai-não-vai. Eventualmente vou ter de fazer escolhas, deixar de me partir em muitas e de andar de um lado para o outro estilo barata-tonta. A gestão da minha agenda, entre dar e receber aulas de piano, as fábricas, o blog e a pós-graduação é coisa para, de vez em quando, me dar calores e muitas dores de cabeça. Mas ao menos posso dizer que fiz. Um dia quis ser jornalista? Já fui. Um dia quis ser professora de música? Já sou. Um dia quero ser como o meu pai e trabalhar na têxtil? Já trabalho. E cabeleireira? Não sou porque não quero, porque na verdade acho que nunca quis, e estou bem com isso. 

Sinto que a vida passou um lápis por cima de muitas das coisas que eu antes, em miúda, delineei a tracejado - quase como se faz naqueles livrinhos de crianças. Penso que tudo isto aconteceu por uma mistura de sorte, de disponibilidade e abertura da minha parte e por, de alguma forma, querer e fazer por isto. Ou então é mesmo o destino, sei lá. A verdade é que se calhar era tudo mais fácil se fôssemos seres coerentes, que tudo batesse certo e que fizesse tudo muito sentido na nossa vida, nos nossos gostos e nas nossas ambições. Mas as coisas não funcionam assim. E ainda bem, porque acaba por ser muito mais divertido desta forma ;)

03
Fev19

Uma carta à... #3 Primor

Carolina

Olá Primor,

 

Antes de mais, não tens de quê: estou prestes a revelar ao mundo que produzes a melhor manteiga que há no mercado, a Primor com Cristais de Sal. Não há palavras para descrever o quão bom é comer uma torrada, quentinha, e barrada com esta manteiga, até apanhares uma daquelas pepitas de sal que parecem deixar todo o sabor ainda mais intenso. Porque a verdade é mesmo essa: para quem gosta de manteigas salgadas (que é como quem diz, boas), não há cá President ou marca Continente que se safe. A tua é a melhor. Infelizmente é a melhor para o palato, mas não para o ambiente.

Acredita que eu percebo o conceito de produto premium - mal fora se não entendia, depois de já ter perdido a conta às aulas de marketing que já tive ao longo da vida. Percebo que queiras cobrar 1,39 euros por um pacote com 125 gramas de manteiga e tenhas de justificar o preço de alguma forma. Mas vender o produto dentro de caixas de plástico rígido, com a manteiga envolvida em papel de prata lá dentro, é só parvo. "Ah e tal, é para não ficar a saber a frigorífico - ninguém quer que uma manteiga desta altíssima qualidade perca o seu esplêndido sabor". Verdade - mas a pensar assim também todos os queijos, fiambres e coisas do género teriam de vir em caixinhas - e não vêm. Porquê? Porque 99% das pessoas têm uma coisa em casa chamada tupperwares que, veja-se só!, foram mesmo pensados para esse efeito: guardar coisas para que elas não se estraguem ou deteriorem.

Deves estar a pensar: "lá vem esta miúda com as teorias ecologistas da geração dela, que não percebe que precisamos de vender quer o mundo acabe ou não daqui a 200 anos". Não é verdade. Sou até bastante despreocupada em relação a este tópico, nada extremista (já me chega ser extremista em quase tudo o resto), mas acho que todos temos um cérebro e devemos pelo menos tentar rentabiliza-lo. Eu gosto de caixas, caixinhas e caixotas (basta entrar no meu quarto para se perceber isso), mas sou incapaz de dar utilidade às dezenas de caixas minúsculas que advém dessa embalagem. Já não tenho mais clips, totós, ganchos e molas para guardar; já nem sequer tenho mais espaço para empilhar caixinhas na eventualidade de vir a precisar delas no futuro. Sou obrigada a deita-las fora. E numa altura em que até querem abolir as palhinhas e os cotonetes, produzir uma caixa de bom plástico só por uma questão de vendas não é só parvo: é irresponsável.

Imaginemos que, de facto, as pessoas não têm tupperwares em casa (essas pessoas existem?!). Tudo bem, vende-se a manteiga com a caixinha. Mas para todos os outros que ou já têm sítio onde guardar ou que já compraram a vossa bela e durável embalagem com tampa dourada, a dizer orgulhosamente "Primor", a melhor ideia era vender a manteiga em separado. Até podiam baixar o preço por não terem de pedir tantas caixas ao vosso fornecedor, já viram? E, baixando o preço, mais pessoas provarão e ficarão viciadas na vossa maravilhosa manteiga. E mais vendas é sinónimo de mais dinheiro. E mais dinheiro é aquilo que a Primor quer, certo?

Apercebo-me agora que estou quase a dar um serviço de consultoria à distância e a custo zero, mas é para que se perceba o meu amor a este produto. Gostava muito de não o comprar com peso na consciência ou a pensar "e agora, onde é que vou utilizar mais uma caixa?!". Ou, pior, ver esta manteiga extinta do mercado porque é demasiado cara ou por não ter clientes que, ao contrário de mim, são mais radicais nestas coisas.

Pensem nisso. 

 

Obrigada,

Carolina, o meio ambiente e os arrumos de casa da Carolina que já não têm mais sítio para albergar caixas da Primor (as únicas que não agradecem são as minhas ancas, mas vamos optar por ignorar)

 

manteiga primor.jpg

01
Fev19

Um reencontro forçado - um texto do concurso de escrita criativa

Carolina

Dado o feedback sobre no último texto sobre o concurso de escrita criativa, aqui vai uma das minhas participações. O mote: um reencontro entre quatro amigos, 20 anos depois de se terem visto pela última vez.

 

A sua respiração estava pesada, depois de começar a subir a escadaria. Nestes momentos lembrava-se que já não tinha quinze anos e que a idade começava a pesar – nomeadamente nas suas pernas, que se faziam sentir depois de meia dúzia de degraus.

Ao cimo, um homem estava encostado ao corrimão, abatido. Quando chegou ao topo, viu-lhe a camisa apertada pela barriga, a cabeça calva e os olhos azuis, que naquele preciso momento deixaram de ser estranhos.

- João, não me reconheces? – disse, ainda a recuperar a respiração.

- Não posso crer! Joel, aos anos! – Encontraram-se num abraço ruidoso, por entre as palmadas características de quem não se vê há demasiado tempo. – Como estás?

- Pergunta mais “como estamos”. Velhos, pá. E gordos, olha só para ti… para nós! – respondeu, arrependendo-se logo do que dissera, esquecendo-se que já não estava a falar com o amigo de antigamente.

- É verdade… Enfim, pena encontrarmo-nos nesta situação. Como é que soubeste? – perguntou João.

- Li no jornal. Quis vir cá vê-lo. E tu?

- Também. É assim a vida… Está lá dentro o Manel, encontrei-o há pouco.

Entraram na sala escura e Joel sentiu um misto de sentimentos. Que bom era voltar a estar na mesma sala com quem partilhava as suas raízes; que triste ser esta a ocasião. Lá estavam os quatro, de novo, vinte anos depois. Os seus três melhores amigos da primária: João, o aventureiro; Manel, o dono da casa com o melhor quintal da vila; e o Carlos, o autor das histórias mais memoráveis. Que saudades tinha daqueles tempos, em que jogar à bola e saber quem seria a vítima das próximas tropelias era a maior das suas preocupações.

Hoje, arranjar flores foi o seu principal problema. Não podia deixar de se despedir do seu velho amigo.

31
Jan19

A minha experiência num concurso de escrita criativa

Carolina

A minha irmã diz que eu entro em tudo para ganhar - quem a ouvir, quase pensa que sou uma fera competitiva! Mas a verdade - aliás, a minha verdade -, é que gosto de dar o meu melhor em tudo o que faço. No entanto, entendo perfeitamente que se devem escolher as batalhas em que lutamos, porque ser-se bom a tudo é perfeitamente irrealista. Por exemplo: se eu, algures no secundário, ficasse chateada por perder todos os jogos que fazia em educação física, era hoje um pessoa em profundo estado de depressão.

Foi então com este espírito que me inscrevi, o ano passado, num concurso de escrita criativa. Nunca foi meu objetivo ganhar (até porque o prémio - publicar um livro - não me interessava, visto que não tenho nada escrito para publicar...), mas fi-lo pelo gozo da participação e para testar os meus próprios limites no que à escrita diz respeito. Isto porque, apesar de adorar escrever, sinto que não consigo sair muito deste meu registo pessoal e introspetivo, que resultam numa espécie de crónicas ou artigos de opinião, o que pode ser um grande entrave para um dos meus grandes sonhos, que é publicar um livro de ficção; sempre achei que a minha capacidade de imaginar histórias e narrativas que extravasassem a minha vida era muito limitada, e isso entristecia-me. E por isso atirei-me ao desafio, para ver se conseguia pensar fora da caixa.

Acho que nesse aspeto consegui superar-me, embora com algumas dificuldades. Eram-nos dados temas todas as semanas, que tinham depois de ser explorados em textos muito curtos, que de alguma forma tinham de contar uma história com princípio, meio e fim. Se adorei? Confesso que não, embora a culpa não seja tanto do conteúdo do concurso mas sim da sua forma. Vou elencar algumas das coisas que fui achando:

 

- Textos muito curtos, embora explorem a capacidade de síntese de quem escreve, são quase sempre redutores no desenvolvimento de uma narrativa. Se queremos contar a história toda, temos de cortar nos detalhes; se queremos dar detalhes, temos de sacrificar a história. É um meio termo muito difícil, ainda para mais quando a nossa escrita está a ser avaliada. Percebo que é importante para quem avalia impor uma medida pequena para que seja mais fácil a leitura, mas acaba por sacrificar um pouco o conceito do próprio concurso.

 

- Sinto que a avaliação não espelhava a qualidade dos textos e não os diferenciava entre si. Com isto não quero dizer que me tenha sentido injustiçada ou ache que os meus textos eram melhores que os dos outros; a questão é que todos eles - os meus e os dos outros - eram avaliados de forma praticamente igual. A escala de pontuações era de um a 20 - no entanto, era quase tudo despachado de 13 a 16. Faz lembrar aqueles professores que nunca dão 20, porque nunca ninguém chegará a atingir esse nível de genialidade. Acho que se há uma escala, é para ser usada em toda a sua dimensão, sendo que a partir do momento em que nos assumimos como avaliadores, não devemos ter medo de dar nem pontuações baixas, nem pontuações altas. Dar sempre 13, 14, 15 e 16, como dizia o outro, é "peanurs".

 

- Por fim, e ainda no campo da avaliação - e confesso que isto foi das coisas que mais me desmotivou -, o facto de me ter apercebido que ganhavam sempre as mesmas pessoas. Não vejam isto como mau perder da minha parte ou mesmo uma insinuação de qualquer espécie: mas eu acho estranho que, num concurso de escrita, ganhem quase sempre os mesmos. Escrever não é como na matemática, em que sabemos ou não sabemos; na escrita, há dias em que estamos menos inspirados, outros em que o tema não nos diz tanto, e ainda outros em que o estilo da narrativa que nos exigem não é a nossa praia. Acho difícil, num concurso com temas tão diversos, que as melhores pontuações sejam sempre para os mesmos. Percebo que se possa gostar mais de um estilo de escrita do que de outros, revelando aí já alguma tendência, mas que nesses casos deve ser atenuada com racionalidade extra e sensibilidade ao ponto de percebermos que um texto é bom e está bem escrito, ainda que não seja o nosso estilo de eleição.

 

E então o que é que retirei de tudo isto? Primeiro, que sou capaz de escrever outras coisas para além das que partilho aqui - embora sejam estas, sem dúvida, que me dão mais gozo (para além de serem as mais puras e as que mais me libertam a mente). Segundo, que me importo pouco se as pessoas gostam ou não daquilo que eu escrevo, a partir do momento em que me sinto confiante com aquilo que fiz.

A verdade é que produzia sempre aqueles textos sob pressão - de tempo e de número de palavras - por isso nunca pude mesmo dar vida a uma ideia, conforme teria gostado. Achei alguns dos temas interessantes e que teriam pano para mangas, se houvesse mais liberdade para os explorar - e com isto consegui perceber que até consigo desenvolver ideias e personagens, ainda que sempre um tanto ao quanto rebuscadas, o que me deixou mais descansada em relação ao futuro (embora a minha família tenha ficado um bocadinho preocupada em relação às minhas ideias mirabolantes, que eu por vezes partilhava à hora de almoço, para seu grande regozijo ou horror, dependendo dos casos). Não acho que vá voltar a participar em algo deste género, por me sentir demasiado restringida, mas acho uma ideia gira para quem quiser alargar os seus horizontes, criar hábitos de escrita ou até sair de uma crise de página branca. E, quem sabe, até pode ser o início de um bom livro.

(querem que publique aqui um dos textos que escrevi, só para terem uma ideia do que saiu dali?)

29
Jan19

Quem não quer um fotógrafo na sua vida?

Carolina

Rio-me muitas vezes com aquelas imagens que me aparecem inadvertidamente no Facebook a gozar com os maridos e namorados que passam as passas do Algarve para tirar uma foto decente à sua companheira (e, mais difícil que isso, uma fotografia passível da sua aprovação). É vê-los nas posições mais esquisitas, ora deitados ou a fazer o pino, ou até enfiados no mar (vestidos!), com água até à cintura, pela conquista do ângulo perfeito. E a verdade é que, de uma maneira ou de outra, com mais ou menos exageros, todos nós já assistimos a isto.

Eu acho que, principalmente as mulheres, sonham com a fotografia perfeita - aquela que espelha muitas vezes aquilo que elas não são -, sendo por isso irrealisticamente exigentes; mas ficam também legitimamente tristes por sentirem que os seus mais que tudo não conseguem (e alguns não se esforçam sequer para) captar a sua essência. A foto é uma transcrição da realidade - e se um namorado diz à rapariga que ela é linda, mas depois, quando precisa de captar uma prova disso, sai tudo mal e porcamente... Uma pessoa desconfia.

Depois de ter escrito o texto sobre o timing da escrita, lembrei-me de um post que tinha aqui há quase um ano, abandonado e inacabado algures nos rascunhos. Dizia a primeira frase: "Não tenho namorado - nem quero. Mas se um dia tiver, gostava que fosse fotógrafo". Escrevi-o depois de uma viagem a Lisboa, onde fui em trabalho para fazer uma entrevista, e onde testemunhei o trabalho de um fotógrafo incrível. A conversa decorreu num escritório normal, sem grandes decorações ou coisas bonitas - era apenas mais um escritório, com uma mesa e várias cadeiras, e respetivos copos de água para quando a sede apertasse. Mas depois, quando vi as fotos, fiquei de queixo caído. Não importava se o escritório não passava de um escritório, se a pessoa em causa era bonita ou feia - as foto falavam por si, e eram incríveis porque todos os ângulos foram escolhidos ao pormenor, porque eram visto pelos olhos de alguém especial. E a verdade é que isso já nasce com as pessoas - e embora os maridos de todo o mundo se possam esforçar muito, há quem não tenha esse dom. E nós, mulheres, temos de aceitar (o que não significa não pedir para nos tirarem fotografias).

"Os bons fotógrafos sabem tornar uma pessoa pouco bonita em alguém atrativo, conseguem dar vida ao que na realidade foi quase morto, sabem mostrar o importante, o impactante. E talvez isso se alargue à vida, na procura constante dos melhores ângulos para viver. E isso é incrível.", escrevi mais à frente. Porque, no fundo, quem não quereria ter uma visão constantemente mais bonita do mundo e de tudo aquilo que nos rodeia?

27
Jan19

Uma carta à... #2 TVI

Carolina

Querida TVI,

Temos de falar. O teu desprezo para com as crianças deste país é qualquer coisa de bradar aos céus. Para os adultos fazes novelas a torto e a direto, renovas as edições do Love on Top só para ver se passa mais sexo na TV e agora até já te adiantas nos preliminares com o novo First Dates (agora que penso, a tua desconsideração passa também por todos aqueles que não falam inglês e não conseguem perceber metade dos nomes de todos estes programas - mas enfim). 

Falemos então dos mais novos, esses que estão a levar com os mesmos programas matinais de fim-de-semana há mais de uma década. Por esta  altura, a Vila Rica do Banco dos Quatro já é "Conjunto de Freguesias das terras de não sei onde" e o bando já passou a ser uma associação contra o crime sem fins lucrativos; os jogadores do Campeões e Detectives já devem estar a chegar à idade da reforma; os miúdos do Detetive Maravilhas já desbotaram aquele diário mágico do avô depois de tanto procurar por soluções mágicas. E isto para não falar no Inspetor Max, um dos casos mais berrantes: vai-se a ver e o Tiago - filho do inspetor - daqui a nada já tem filhos (só eu sei como ficou este meu coração quando vi o rapagão em que ele se tornou) e a velha empregada de limpeza, a Justina, até já morreu...

Eu percebo a lógica por detrás disto: supostamente os miúdos deixam de ser miúdos, o que faz com que se fartem rapidamente de ver estas coisas, e a plateia vai-se renovando sem vocês fazerem nenhum, passando episódios em modo loop como quem não quer a coisa, à espera que ninguém repare. Pois eu, adulta que prefere assistir a estes programas a ver a missa de domingo (ou a deixá-los correr em pano de fundo enquanto tomo o pequeno-almoço), reparo - e estou aqui a dar o corpo às balas, depois de quase saber de cor os diálogos do Bando dos Quatro e companhia. Faço-o porque os miúdos, principais interessados nesta batalha, para além de não terem grandes meios para se expressar, escrevem quase todos com tantos erros ortográficos e de concordância que mal se perceberia o que quereriam dizer. E lembrem-se: nós somos jovens, temos a memória fresca, fica tudo cá dentro - não é como nos reality shows, em que repescam os concorrentes como quem recupera e fuma as beatas até ao fim, até não haver nada de útil que se aproveite.

A modos que é isto. Se querem continuar a repetir coisas, ao menos que troquem de programas e que deixem de nos tratar como se fossemos velhinhos com Alzheimer. Senão, daqui a nada, preferimos mesmo ver a missa - o discurso também é sempre o mesmo, mas ao menos temos mais probabilidades de ir para o céu.

Cumprimentos desta jovem,
Carolina

24
Jan19

A escrita tem um timing próprio

Carolina

Não deixa de ser irónica a história deste post. Lembro-me bem do dia em que o comecei a escrever: 15 de Novembro de 2018, rabo alapado no chão frio da copa da minha cozinha, enquanto esperava que a Molly tivesse os seus filhotes (agora tenho-a atrás de mim, a aturar um deles enquanto este lhe morde as orelhas por diversão).

Dizia eu, nessa altura, que me tinha apercebido que a escrita tem o seu tempo próprio e muitas vezes não funciona fora dele. Tenho a agenda cheia de temas para desenvolver aqui - coisas que aponto quando me lembro, mas que na altura não tenho tempo para escrever ou cuja ideia sinto não estar suficientemente madura para eu me debruçar totalmente sobre ela. E lá vai, mais uma, apontada a caneta azul turquesa ou rosa choque, ter com tantas outras que se ajuntam tristemente à espera da sua vez.

Quando finalmente tenho uma hora para estar em frente a uma página em branco, mesmo olhando para aquela página colorida com todos os tópicos quase a gritar "escreve-me!", nada sai. Já passou. Porque quando tive essa ideia estava num determinado local, com um diferente mind set, num enquadramento temporal distinto - e é impossível reproduzir de forma fidedigna essas circunstâncias, de forma a pôr alma e sentimento no texto. A oportunidade foi perdida.

E por isso cada vez percebo mais que, quando uma ideia surge, é agarra-la, sem desculpas. O meu conceito de liberdade e de qualidade de vida passa também por aqui: poder parar para pensar e escrever. Ter um trabalho que me permita faze-lo e, depois, arranjar a força de vontade para usufruir de tal - sim, porque nem só de falta de tempo se fazem as desculpas para não escrever durante dias a fio. 

Voltei a lembrar-me deste texto que tinha nos rascunhos quando, há dois dias, escrevi o último post, "Ainda há blogs com gente dentro". Gostei muito do resultado final - e, pelo feedback, vocês também - e isso deve-se em grande parte por não ter deixado a escrita para depois. Nunca aquele texto teria saído assim se eu não pudesse, na hora, descrever tudo aquilo que senti e me passou pela cabeça naqueles instantes. É a transmissão mais pura e sem filtros daquilo que vai dentro de mim, algo que acaba por não acontecer quando as ideias estão muito tempo em banho-maria. Há vantagens em pensar sobre as coisas (principalmente críticas e coisas mais sérias, que possam pôr em causa o nome de outros), mas não há dúvida que muito do que se ganha em construção de texto e maturação de ideias ao não escrever um texto na hora, perde-se muitas vezes em espontaneidade.

Isto para não falar das ideias que morrem no momento em que não são escritas. Porque como em tudo, há coisas que não sobrevivem fora do seu meio natural - e toda a gente sabe que as palavras são para viver no papel (ainda que papel virtual, como este aqui).

 

Serve portanto este post como uma espécie de walk of shame. Um texto sobre espontaneidade e a volatilidade das ideias, escrito dois meses depois da data em que devia ter sido publicado - que moral, hun?! Isto para não falar do facto de ter dado três vezes mais trabalho do que daria se tivesse sido escrito na íntegra na altura, ao invés de estar a fazer corta-cose entre as partes recentes e mais antigas do texto. Ouviste, Carolina?

22
Jan19

Ainda há blogs com gente dentro

Carolina

Faz este ano 10 anos que criei o blog que, mais tarde, daria lugar a este Entre Parêntesis. As coisas mudaram muito desde essa altura - só para ser simpática e não dizer que mudou tudo. Mudou a minha forma de escrever, de ver as coisas, de as expor; mudou a fase da minha vida, mudaram os meus objetivos; mudaram as razões pela qual escrevia, as pessoas para quem escrevia. Difícil é encontrar pontos em comum. Acho que só resto eu, enquanto esqueleto, e enquanto personalidade (que, por muito que se tenha alterado, continuará sempre a ser dura de roer).

A própria forma como os blogs são vistos mudou radicalmente. Sempre fui uma velha do Restelo e critiquei um bocadinho toda esta nova forma de ver estes espaços, que passaram a ser vistos como um meio de publicidade e de se fazer dinheiro. É uma posição anti-evolução, eu bem sei, mas só acontece por uma razão: porque eu estava cá antes de tudo isso e sei o quão bom era. Lembro-me da sensação total de partilha que tinha com as pessoas que, sem qualquer objetivo ou segundas intenções, desabafavam nos seus blogs - espaços esses que eram, na sua maioria, simples ou feios, porque as opções de costumização eram baixas ou só acessíveis àqueles que sabiam dar uns toques em HTML ou CSS. Espaços que não eram feitos de boas fotos, de bons designs e às vezes nem sequer de boas escritas - mas que tinham alma e coração lá dentro. Espaços que não eram regidos por agências de comunicação, que não tinham pop-ups, que não tinham como objetivo máximo o número de clicks. Espaços onde não havia parcerias, onde um creme que tirava as espinhas era mesmo um creme que, naquele caso, tirou as espinhas. Espaços cujos bloggers não sentiam a necessidade de ser eleitos para os Blogs do Ano para serem alguém na comunidade. 

Sinto que a única coisa que queria na altura era que alguém me lesse, compreendesse, e dissesse: "eu também sinto isso". Que nos dias maus, deixasse lá um: "deixa lá, amanhã vai ser melhor". E que, nas vitórias, escrevesse: "eu sabia que ias conseguir". A partilha era o essencial. Tão importante que eu ainda hoje, passada quase uma década, ainda me lembro do nome de muitas das pessoas que me acompanharam nessa altura.

Eu própria passei de um registo pessoal - para não dizer íntimo - para algo mais comercial. Passei de escrever porque precisava, para escrever porque gostava - e, às vezes, por saber que os outros gostavam. Mas sempre me orgulhei de nunca ter vendido a alma ao diabo, de nunca ter aceite parcerias duvidosas, de nunca me ter privado de escrever o que quer que fosse porque achava que alguém não ia gostar de ler. Não passei a escrever textos pequenos porque agora o pessoal só quer micro-vídeos e não passei a tirar melhores fotos só porque a qualidade de imagem é essencial para o crescimento de um blog. Preferi manter a minha essência em detrimento de um potencial crescimento, mas só mais tarde vim a perceber que o caminho e a evolução da blogosfera me tirou muita da vontade que tinha de escrever e de partilhar coisas com os outros. Deixei de ler blogs, deixei de responder a comentários - até porque poucos há, neste mundo onde as reações são feitas de likes, smiles e emojis - e, o ano passado, senti que pouco escrevi. E isso entristeceu-me imenso, sentir que estava a deixar morrer algo que outrora foi tão importante para mim.

Hoje - altura em que ando muito empenhada em voltar a escrever diariamente, tanto para bem da minha sanidade mental como, espero, para alegria de quem me lê - acordei com uma notificação, aqui nas minhas reações, que dizia ser um link para o Sapo Blogs. Quando fui ver, era uma menção na entrevista da Jules, que dizia que este era o blog onde passava todos os dias, e que já o fazia há muitos anos. E é difícil descrever esta sensação, quando se escreve para todos e, ao mesmo tempo, não se escreve para ninguém. É difícil, e tão bom, perceber que somos alguma coisa (ainda que pouco) na vida de alguém - e é inacreditável a facilidade com que nos esquecemos disso.

A Joana que me perdoe esta inconfidência, mas recordo-me de um episódio com ela que me marcou, e lembro-me de ter pensado: "ela nunca mais volta a cá pôr os pés". Foi na altura da tragédia do Meco, que serviu de pretexto para dizer aquilo que sempre achei sobre a praxe - e que ainda acho, só não o digo muitas vezes de viva voz. Já não me recordo do conteúdo do comentário (nem quero revisita-lo, não vale a pena chorar sobre leite derramado, e penso que o post fica mais genuíno se não o fizer), mas sei que na sua essência ele me magoou - primeiro pelo seu conteúdo, segundo por vir de alguém com quem eu trocava comentários e sentia que conhecia. Deu para perceber, como ela diz na sua entrevista no Meet the Bloggers, que éramos diferentes - e eu sempre achei que há certas diferenças que são inconciliáveis, modos de vida e de pensar que não se coadunam. Naquele dia, por causa daquele post, recebi muitos insultos, muitas palavras desagradáveis, algumas ameaças; nunca tive vontade de não o ter escrito, mas fiquei de certeza com menos motivação para escrever o que quer que fosse. E tenho a certeza que perdi muitos seguidores após o ponto final daquele texto. Na altura, achei que a Jules era um deles. 

Enganei-me. Já o sabia, porque eu e ela vamos trocando comentários esporádicos aqui e ali, mas achei que hoje era o dia certo para contar esta história. Porque hoje, passados 10 anos de ter entrado nos blogs a pés juntos, ela fez-me sentir algo que eu já não sentia há muito. Relembrou-me o porquê de esta troca ser tão boa. Relembrou-me que não escrevo só por treino, por ter uma meta diária para alcançar, porque gosto ou porque numa altura da minha vida precisava de o fazer para respirar. Relembrou-me que existo para alguém, mesmo que não veja essa pessoa, que não a conheça. E que, por ventura, até posso fazer a diferença. 

Obrigada Jules, por me relembrares que os blogs têm gente dentro (e não só dinheiro e fogo de vista). Um grande beijinho.

20
Jan19

Uma carta à... #1 Longa Vida

Carolina

Dou por mim muitas vezes a pensar que queria dizer umas coisas a uma certa pessoa, objeto ou marca. É uma espécie de reclamação interior, que não posso entregar a ninguém mas que me contamina o cérebro de coisas parvas durante um tempo indeterminado, enchendo-me de vontade de deitar tudo cá para fora, mas sem grande forma de o fazer. Nunca quiseram endereçar uma carta insultuosa àquele canto da cama que insiste em vos destruir o mindinho do pé? E dizer umas coisinhas àquela senhora que está sempre a fazer depósitos no banco com 50 mil moedinhas? Ou à outra que anda a vasculhar os cupões no momento do pagamento, em plena caixa do Continente? Pois, bem me queria parecer que não sou a única.

Então, no Verão, lembrei-me: se eu tenho um blog, porque raio é que não despejo lá tudo isto? E por isso, quase meio ano mais tarde, cá estou, estreando esta nova rubrica de cartas a entes desconhecidos/intangíveis/incontactáveis. O primeiro texto vai para a marca que despoletou tudo isto, que é recordista em me fazer escrever cartas mentalmente, e que eu amaldiçoo de cada vez que me deixa mal numa visita ao supermercado: a Longa Vida. Ora vamos lá.

 

 

Querida Longa Vida, 

Acho que te posso tratar assim, por tu, visto nos conhecermos há muitos anos. Foi contigo que aprendi a fazer chantilly e é em parte por tua culpa que desde cedo que me atiram as taças de natas para as mãos, com a desculpa de que "nunca me caem". Mas a verdade é que não sou eu - és tu.

Não há que ter vergonha em admiti-lo: tu és uma espécie de Viagra das natas. Contigo, sobem sempre. Não vale a pena estar a gastar dinheiro com os teus concorrentes, porque já se sabe que não é a mesma coisa e que vai dar asneira; que não podemos virar a tigela por cima da nossa cabeça, em jeito de demonstração, porque sabemos que não vai resultar.

Mas o facto de tu teres o monopólio do mundo das natas não te dá o direito de menosprezares assim os teus clientes. Quantas vezes é que eu fui atrás de ti e me deparei com uma caixa vazia, solitária, no corredor dos lacticínios? Quantas vezes é que já saí de grandes superfícies de mãos a abanar, sem natas para adoçarem os meus morangos, a minha pavlova, as minhas natas do céu ou o meu agelatinado?

Por ti, já cheguei a correr 4 supermercados em menos de meia hora. Quem não disser que isto é amor, não percebe nada do assunto. Mas numa relação a sério as provas têm de vir dos dois lados (embora o Salvador cante "o meu coração pode amar pelos dois", toda a gente sabe que isto, a longo termo, se torna insustentável), e eu estou cansada de lutar sozinha. Está na altura de fazeres alguma coisa - comprares mais vacas, empregares mais gente, arranjares mais máquinas ou despedires o responsável pela distribuição. Qualquer coisa. Mas fá-lo por nós e pelo bem da nossa relação, já tão duradoura.

O preço da gasolina está caro e eu já não vou para nova, e não aguento picos de emoções como aqueles que me acontecem quando me deparo com a prateleira do supermercado vazia, quando vou em tua busca.

Por favor pensa em mim. Em nós. Em todos os amantes de natas que não aguentam a tristeza de não as ver subir, embora as batam durante meia hora. Isto já para não falar das vezes em que atiram as culpas para cima de nós – mulheres - e do nosso ciclo menstrual, com o mito secular de que as natas não pegam se estivermos com o período. Todos sabemos que a culpa é da Mimosa e outras que tais. Precisamos de ti e só tu nos podes ajudar.

Porque com mais natas Longa Vida no supermercado, nunca mais ninguém ficará frustrado!

Obrigada e até breve,

Carolina

 

natasfrescas.jpg

 

P.S. Giro, giro era se alguém um dia respondesse. Aí é que era!

 

19
Jan19

Ontem foi dia de Grease

Carolina

Depois de o ano passado ter ido ver a Avenida Q - acho que faz mesmo um ano por esta altura - ontem voltei a ir a um musical, assinado por uma produção portuguesa. Fiquei logo entusiasmada quando há uns meses vi que o Grease ia entrar em cena, mas na altura só havia sessões no Estoril; mal vi que vinham ao Coliseu comprei logo bilhetes, para mim e para os meus pais. É hipócrita da nossa parte ansiarmos por ir ver espetáculos deste género no estrangeiro e cá não darmos sequer uma hipótese.

Devido a um bicho chamado "gripe" que se instalou sem pedir licença aqui em casa, os meus pais viram-se obrigados a ficar no sofá e eu cravei a minha irmã e o meu cunhado para virem comigo assistir ao espetáculo (eu própria saí de lá a achar que ia ficar acamada o resto da semana, com dores em todo o corpo e o nariz mais entupido que uma canalização com mais de 50 anos - entretanto recuperei, é só uma constipação mais pesadota). Isto para dizer que houve momentos, naquelas duas horas e meia (com intervalo incluído), que desejei muito ir para casa, cobrir-me com mantas e engolir dois Cêgripe, por isso não estava nas melhores condições para desfrutar amplamente do espetáculo. Ainda assim, gostei muito e valeu o esforço de sair de casa!

Acho que apesar da estrela da companhia ser o Diogo Morgado - que interpreta o papel do John Travolta muito bem, mas cuja voz não é incrível - acho que é a Mariana Marques Guedes quem leva daqui o papelão. Para além de ser linda, canta e dança maravilhosamente. Muitas das personagens são mesmo muito parecidas com as da peça, e a linguagem é muito jovem e informal. A peça é toda falada em português, só as músicas é que são tal e qual as originais - coreografias incluídas.

Aliás, esse é para mim um dos pontos fortes da peça: a encenação e a coreografia, para além da boa capacidade que todos os atores tinham de cantar. Em todos os trabalhos se evoluiu para um multi-tasking, já ninguém faz só uma coisa: um jornalista escreve, edita vídeo e som, uma secretária sabe tratar da agenda, dos emails e trabalhar com o programa de contabilidade, um operário já não trabalha só com uma só máquina. E, neste sentido, também os atores evoluíram: já não são só atores, têm também outras valências e está na altura de lhes dar outras oportunidades, acima de tudo aos mais novos, que já nasceram neste contexto. Ainda existe muito o preconceito de que este tipo de coisas, em Portugal, nunca são boas ou bem feitas - a típica mentalidade de português, que só o que é de lá de fora é que é bom. E assim vai continuar a ser, se não se venderem bilhetes e se não dermos uma oportunidade.

O único ponto fraco que encontrei ontem foi ao nível do som: por vezes pouco nítido nos momentos em conjunto e, nas cenas das mulheres, extremamente alto e agudo (saí de lá a odiar duas das personagens por quase me terem rompido o tímpano). De resto, é de louvar que uma nova produtora (e não só o La Féria, de quem não me confesso muito fã) se aventure nestes caminhos, claramente difíceis num país como o nosso. Mas a verdade é que se ninguém tentar, nunca vamos conseguir. 

Não sei se o espetáculo vai continuar em cena em algum sítio do país, mas se assim fôr, aconselho. E, claro, espero por mais. Nada como um musical para nos animar uma noite, ainda que estejamos a chocar uma gripe. Sair a cantarr "you're the one that want! Uh uh uh!", não sendo a cura, é sempre um bom remédio ;)

 

IMG_20190119_001216.jpg

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Carolina has read 5 books toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

Ranking