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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Jul19

5 dicas para fazer boas compras na internet

Muita gente fica admirada com a quantidade de coisas que mando vir da internet. Há dias em que estou vestida só com roupas que encomendei à distância. E também por causa disso acabo por ajudar muita gente neste processo, por confiarem mais em mim do que nelas próprias. Não há muitos segredos: é uma questão de hábito, de arriscar, de saber esperar e ter alguma tolerância à frustração - porque já se sabe que nem tudo corre conforme esperado.

Mas com base em tudo aquilo que fui vendo até aqui, dos medos que muita gente me disse que tinha em relação a este assunto, dos erros que fui cometendo e do que eu própria aprendi - depois várias centenas de encomendas- decidi fazer uma listagem de 5 coisas essenciais a ter em conta quando fazemos compras pela internet. Ora cá vai:

 

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(imagem retirada da internet)

 

Ter espírito crítico

Antes de gostar do que quer que seja, de ver detalhes ou roupas, é essencial fazer uma avaliação do site onde fomos parar. É de uma loja que conhecemos, que tem presença física? Tem um url normal, com uma terminação conhecida (.com, .pt, .um, etc.)? O nome da loja corresponde ao url? A linguagem é profissional? As traduções são de qualidade? É preciso pensarmos nisto tudo se não queremos ser enganados.

Como já nasci neste "mundo", sinto que já faço esta avaliação de forma automática - mas vejo que para as pessoas mais velhas isto não é tão intuitivo. Não se deixem enganar por sites falsos, que dizem ser Michael Kors mas que têm malas a 20 euros e cujo link é qualquer coisa como "mk-cheap.tk". A internet é como a vida real: tem coisas boas e coisas más. Se vos oferecessem uma mala de luxo ao preço de uma mala da Parfois não desconfiavam?

 

Analisar a composição das peças e sua modelagem

É importante saber aquilo que gostamos e não gostamos - e para isso é preciso tocar em muitas peças e ver sempre a composição das mesmas, algo que a maioria das pessoas não se preocupa em fazer (porque nem sequer pensa nisso, o que é perfeitamente normal). Como cresci no ramo têxtil, sempre foi um desafio para mim perceber como e de quê que as peças são feitas: ora polyester, algodão, modal ou elastano; se é tecido ou malha; se é malha circular ou de teia. Sei que o toque do linho pode não ser simpático, assim como a lã se não for bem tratada; sei que não gosto do angorá porque deixa pêlo por todo o lado; sei que se a peça for só composta por elastano vai sair justa ao corpo. Coisas que se aprendem com a experiência e que nos dizem logo à partida como é que a peça nos vai cair e como nos vamos sentir com ela. Para isso, basta ter atenção aos detalhes e o conhecimento vai-se entranhando. Não esquecer, no entanto, que diferentes tratamentos ao fio ou ao pano podem dar diferentes resultados, pelo que não podemos julgar uma peça só pela sua composição.

Para além disso é sempre importante ver como é que as peças caem no corpo - ou seja, ter fotografias de modelos com a roupa vestida. Só assim conseguimos perceber se a t-shirt é comprida e larga, se o gancho das calças e alto ou baixo ou até onde vão as meias. A cereja no topo do bolo é conseguir saber as medidas das modelos, assim como o tamanho das roupas que vestem, para se estabelecer pontos de comparação entre nós e as elas. Tanto as características das peças como das manequins estão normalmente escondidas em janelinhas que dizem "outras informações" - sites como a Mango ou a Zara costumam disponibilizar estes dados.

 

Ver sempre as políticas de devolução

Comprar online compensa o risco se pudermos devolver as peças. A possibilidade de trocar não é, muitas vezes, um bom negócio - porque, por azar, não gostamos de mais nada da loja ou porque a qualidade deixou muito a desejar, por exemplo. É essencial vermos se podemos devolver e como o podemos fazer. O grupo Inditex tem políticas de devolução óptimas, por exemplo; já na H&M tem de se devolver as peças por correio (ainda que seja grátis), o que obriga uma pessoa a deslocar-se ao posto mais próximo e, como se diz em bom português, a perder tempo. Para mim o ideal é a recolha em casa ou o poder devolver em loja - apesar desta última solução também exigir que nos desloquemos, mas é sempre uma hipótese de vermos outras coisas que gostamos ou experimentar um tamanho diferente de uma peça que apreciamos mas que não nos assentou como devia. Há ainda outro caso: se comprarmos coisas da China em preço de saldo não vale a pena questionarmo-nos se vamos devolver alguma coisa. Não vamos. O envio fica, provavelmente, tão ou mais caro que a peça em si - por isso, quando a compramos, temos de ter sempre isso em mente.

 

Ter em atenção os métodos de pagamento

A transferência direta é, sem dúvida, o método mais duvidoso. Se o site tem protocolos com o PayPal ou o MbWay, a história é outra;  fornecer uma referência de multibanco (para pagar através de "pagamentos de serviços" hoje em dia também é comum e aceitável. Mas é sempre de evitar fazer transferências para uma conta que desconhecemos. E nunca, mas mesmo nunca, devemos dar os dados do nosso cartão de crédito por e-mail ou derivados. Se o vosso método de pagamento preferencial for o pagamento por cartão, aconselho a que o façam através do PayPal ou criem um cartão virtual através do MbWay, em que o dinheiro lá depositado é limitado. Assim, se tudo correr mal e no pior dos cenários forem vítimas de phishing, os danos são muito mais controlados.

 

Conhecer o nosso próprio corpo

No que diz respeito às roupa, e de forma a sermos bem sucedidos, é essencial conhecermos bem o nosso corpo; saber o que fica bem e mal, o que nos favorece ou piora. Conhecer estilos genéricos de peças é bom. O que me fica bem? Calças à boca de sino ou skinny jeans? Cintura subida ou mais baixa? Vestidos midi ou curtos? Camisolas com peplum ou retas? Mangas caviadas ou curtas?

Tudo isto vai acontecendo de forma natural à medida que vamos experimentando coisas. Estabelecermos paralelismos com o formato do corpo das manequins também ajuda: se a peça lhe fica bem a ela, que tem ancas largas, se calhar também me fica bem a mim ;) Em todo o caso, se a política de devoluções for boa, podemos sempre arriscar e ir experimentando novos estilos que vão surgindo anualmente. Podemos ter sorte e encontrar novas peças favoritas. Caso contrário, devolve-se e o problema fica resolvido!

17
Jul19

Chávena de letras - "Se esta rua falasse"

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Os livros da Alfaguara têm o dom de me conquistar pela capa. Este "Se esta rua falasse" não foi excepção. O título também ajudou.

Mas a verdade é que tudo o resto me desiludiu. Não gostos de livros abertos, sem fins claros. Esta é uma obra pura, até dolorosamente pura, que retrata a vida dos pretos na América até há umas décadas atrás; as injustiças, as desigualdades, a diferença de tratamento em relação aos brancos. Algo que, se calhar, dura até hoje - ainda que mais disfarçado. Os paradoxos daquilo que se sente, do que se quer fazer... É tudo tão real quanto confuso.

Em termos da narrativa, foi como se não saísse do sítio. Passaram-se nove meses, entre o início e o fim do livro, excluindo os flashbacks - e tudo parece ter ficado igual. É um tanto ao quanto desmotivante - embora espelhe exatamente aquilo que o livro quer transmitir. A inércia. A tristeza. A incapacidade de fazermos algo.

Não digo que não seja um bom livro. Só não é o meu tipo de livro, algo cuja leitura me dê prazer.

16
Jul19

Um passeio pela Costa Vicentina

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Já o disse: ir ao Alentejo era um desejo antigo. Tinha imaginado esta viagem de muitas formas: ora com amigos, ora sozinha numa espécie de retiro, ora na loucura numa autocaravana alugada, pronta para dormir ao som do bater das ondas. Acabou por não ser de nenhuma dessas formas: fui com o meu namorado e foi maravilhoso. 

O Alentejo não desiludiu. Mas soube a pouco - embora tentássemos aproveitar tudo ao máximo. Ainda deu para ver algumas praias, comer bem (viva a sericaia e o peixinho grelhado!), conhecer mais um bocadinho e até dar um mergulhinho!

Optamos por não fazer a viagem de rajada e fizemos algumas paragens estratégicas. A primeira foi nas Grutas da Moeda - uma estreia para mim, que nunca tinha entrado em nada do género. Apanhamos a última visita guiada do dia, a uma sexta-feira, por isso estava tudo muito calmo. Não me fez aflição nenhuma estar debaixo de terra e achei as grutas em muito bom estado de conservação. Todo o tratamento que lhe deram, ao nível das luzes, torna tudo ainda mais giro - e até mágico. O guia, sempre simpático, também ajudou a que fosse tudo muito agradável - explicou a formação das estalactites e estalagmites, mostrou-nos ossadas de uns animais que caíram para dentro da gruta e fazia-nos sempre puxar pela imaginação, tentado fazer-nos visualizar animais e outras formas nas rochas por onde íamos passando. A visita dura cerca de meia hora (não chega para nos sentirmos sufocados) e eu lembrei-me recorrentemente de uma coisa que o meu pai sempre me disse: se nos queixamos da nossa profissão, agora pensem nos mineiros! Dos poucos minutos que lá estive fiquei com a pele toda oleosa e sempre com alguma vontade de, literalmente, ver a luz ao fundo do túnel. E foi só meia hora! Tentar imaginar o que é passar dias inteiros ali fechados é só aterrador - já para não falar do próprio trabalho, exigente a nível físico e cujo fator segurança não é lá muito positivo. Deu para pôr as coisas em perspetiva e, só por isso, já valeu a pena! Para além de que foi uma experiência nova, bonita, que aconselho a todos. 

 

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Nas Grutas da Moeda

 

A primeira noite foi passada em Óbidos - terra onde já tinha feito uma paragem rápida o ano passado, que nem tinha dado para absorver bem a coisa. Fiquei surpreendida porque de noite não se via vivalma - lembrei-me até de Veneza, onde tive exatamente a mesma sensação. A dicotomia noite-dia é impressionante. Esperei que no dia seguinte estivesse uma avalanche de gente (tal como estava quando lá tinha ido), mas não: o facto de não estar a decorrer nenhum daqueles eventos dentro do castelo deve ter ajudado, tornando o passeio muito mais agradável e as ruas bem mais transitáveis. Confirmei aquilo que já desconfiava: Óbidos é um mimo. Adoro o conceito, adoro a cores, adoro as lojinhas, adoro as muralhas, adoro as vielas, os declives e os pormenores em cada recanto. As lojinhas com um toque tradicional derretem-me, os espaços alterados para a conjugação de duas coisas improváveis (tipo uma livraria e uma mercearia ou uma livraria e uma igreja) fazem de mim uma criança feliz. Gosto mesmo muito de vilas com história e sei que um dia lá vou voltar. 

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Paragem seguinte: Peniche. Também foi uma estreia para mim, nunca lá tinha ido. Estava tudo um bocado caótico: apanhamos uma prova de triatlo, que ia fechar muitas das ruas da cidade, por isso foi praticamente almoçar e vir embora. Também, sejamos sinceros: aquela ventania não convidava a grandes passeios. O vento estava presente em todo o país e não passamos por nenhum sítio onde não o sentíssemos, mas Peniche ganhou aos pontos neste campeonato. Ainda assim deu para fazer uma visita ao Cabo Carvoeiro e à Fortaleza de Peniche, prisão de muitos presos políticos, conhecida pela fuga de muitos deles (incluindo Álvaro Cunhal). Neste momento está transformado no Museu da Resistência e da Liberdade e a entrada é livre - só pagam se quiserem os audio-guias, que não me parecem muito necessários, até porque têm descrições em todos os locais. Os espaços abertos são poucos - têm o parlatório (local de conversa entre os prisioneiros e os visitantes), a sala de visitas (onde chegaram a decorrer alguns casamentos) e o segredo (a solitária). Isto para além das vistas da Fortaleza para o mar, obviamente muito bonitas (segunda foto do lado direito, na montagem abaixo). Mas confesso que fiquei um pouco desiludida, acho que há muito mais a explorar num local destes - nem que fosse a oportunidade de ver uma cela, para se ter noção das condições em que lá se vivia. Esperemos que seja uma coisa a melhorar a médio prazo. 

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As Berlengas lá atrás

 

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Depois sim, rumamos até Milfontes, onde ficava o nosso hotel - As Três Marias, conforme já contei aqui. Visitamos várias praias (pelo menos aquelas com acessos minimamente decentes) e tentamos encontrar aquela que estivesse mais protegida do vento, para podermos tomar um banho. Escolhemos a Zambujeira no Mar, que tem toda uma arriba que nos protegia daquelas rajadas do diabo. E se cá em cima estava frio, lá em baixo estava um pequeno forno, mesmo com os singelos 22ºC de temperatura que se faziam sentir. Foi o primeiro mergulho do ano e soube pela vida!

Ainda fomos a Porto Côvo (enquanto ouvíamos o Rui Veloso no carro, obviamente) e demos outros passeios pela costa, meios à deriva e a ver até onde as estradas nos levavam. Não tínhamos grandes horas nem planos, por isso fomos à descoberta. Também por isso acabo por não conseguir precisar muitos dos sítios por onde passamos.

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Na Zambujeira da Mar

 

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No dia da vinda, em que tínhamos pensado fazer praia, acabamos por mudar de planos e ir até ao Badoca Safari Park. A verdade é que podemos ir à praia muitas vezes, mas não é todos os dias que estamos a lado do único safari em Portugal. E eu adianto-me já e ponho as fichas na mesa: fiquei muito desiludida.

Arrependi-me mal cheguei, quando vi uma fila enorme só para comprar os bilhetes. Aliás: arrependi-me amargamente quando percebi que ela não andava. Demoramos 40 minutos só para comprar as entradas, o que acho absurdo e inaceitável. O sistema de filas era muito confuso, as funcionárias não punham ordem (havia ultrapassagens, a fila prioritária era usada indiscriminadamente) e dava logo vontade de atirar a toalha ao chão. Mas sobrevivemos.

A questão é que lá dentro não foi muito melhor. A única coisa que se safa são, precisamente, os animais - que também não são muitos. Cadê os leões e os tigres e essas coisas todas que se deviam ver na selva africana? As placas informativas sobre as espécies, quando existiam, estavam muito degradadas, tornando muitas vezes impossível a leitura; muitos dos animais estavam sozinhos; algumas das proteções eram mal pensadas, sendo quase impossível perceber que bichos é que viviam em cada espaço; a ilha dos primatas, para além de ficar longíssima, é deprimente - os animais estão tristes, a água à volta completamente suja e choca e a própria visibilidade para as ilhas era má, não sendo bom nem para eles nem para quem visita. Isto para não falar do próprio safari! Acho que nunca snifei tanto pó e tanto cheiro a gasolina de uma só vez. O guia do safari era muito simpático, é uma experiência gira, mas as condições em que é feito deixam muito a desejar. Pontos altos: a proximidade com as girafas (o animal mais bonito que vi, de uma imponência inacreditável), as jaulas abertas dos pássaros, em que é possível a interação com eles e um sentimento de proximidade maior que o normal e, claro, os suricatas. Adoptava um, já, já, já! 

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De resto, fica a vontade de voltar e ver tudo o que ficou por visitar ❤️ Mas voltar. Sempre.

 

Onde ficamos: em Óbidos, na Josefa d'Óbidos - é uma antiga hospedaria, remodelada em algumas partes, mas que não merece as 4 estrelas que lhe foram atribuídas. Os quartos de banho precisavam de uma reforma e o pequeno-almoço merecia mais. O aspeto exterior é mau, mas o interior é melhor, por isso não se assustem. A localização é muito boa. Já em Vila Nova de Milfontes ficamos no Três Marias, que mereceu um post meu, que podem ler aqui.

Onde jantamos: tivemos sempre muita dificuldade em arranjar onde jantar, não por falta de oferta, mas por estar tudo cheio! Convém pensar no assunto e reservar com antecedência. O jantar em Óbidos foi razoável, no Jamón Jamón; o melhor foram, de longe, os croquetes de alheira. O polvo assado que comemos depois também estava bom, mas não era nenhuma especialidade. Em Porto Covo jantamos na Taska do Xico um bom peixe grelhado, em Milfontes fomos a um dos restaurantes mais conhecidos (Porto das Barcas), onde acho que elevamos demasiado as expectativas e o preço foi um bocadinho puxado. A maior surpresa foi num restaurante a caminho da Zambujeira do Mar, a Barca Traquitanas, onde comemos uma massada de peixe de bradar aos céus! Tínhamos passado pelo restaurante, não demos nada por ele, mas acabamos por voltar... e valeu tanto a pena. Ainda hoje sonho com aquilo, foi mesmo o petisco que marcou todas as férias, aconselho vivamente.

11
Jul19

Há um ano estava nos Açores

Há uns dias perguntaram-me qual o destino do mundo, para onde tinha viajado, que mais tinha gostado. Eu respondi: "para além dos Açores?".

Acho que isso diz tudo.

Há precisamente um ano eu estava na ilha, sem saber que me esperava uma das melhores semanas da minha vida. É difícil explicar a importância que aqueles dias tiveram para mim. Foram a recolha de um conjunto de provas que eu precisava para comprovar tudo o que dizia até ali: que podia viajar sozinha, que me safava sozinha. Que podia ser feliz sozinha. E fui.

Não houve uma pinga de solidão naqueles dias. Percebi que era assim porque sabia que quando voltasse ia ter uma série de braços abertos para me receber, estrafagar e apertar com mimos. Porque sabia que estava sozinha ali, mas não estava só. E o concretizar dessa dicotomia, que me perseguiu durante tantos e tantos anos, foi o equivalente a um respirar de alívio. Pude desfrutar de mim mesma - sem o stress de querer agradar aos outros, de fazer a vontade aos outros, de ter outros na equação. Foi a sensação de liberdade mais profunda que senti até hoje - uma mistura que, hoje vejo, também tem muito de egoísta. Mas é o que é. Sou assim. Fiz as pazes comigo mesma naquela terra, aceitei-me. E acreditei em mim mesma, em tudo aquilo que dizia e que queria. Ganhei forças para este ano que passou - e que tanto exigiu de mim - e sinto que fui buscar muito àquelas paisagens e àquele silêncio. E, acima de tudo, muita vontade de voltar.

Por tudo isto, os Açores terão para sempre um significado especial para mim. Hei-de sempre falar das ilhas com um brilhozinho nos olhos, de quem se sente eternamente grata pelas coisas mais bonitas que viu na vida. Por tudo o que aprendeu. E por toda a paz que absorveu. Sou hoje uma pessoa mais feliz por ter lá ido.

 

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07
Jul19

O fim de um ciclo, o início de outro

Estou a uma semana de terminar a pós-graduação. 

Deixei de dar aulas de piano.

Tive uma cirurgia marcada devido a uma recidiva do quisto que me atormenta há anos e que acabou por ser desmarcada (mas da quall tenho um feeling de que não me safo num futuro próximo). 

Agora tenho um papagaio.

E um namorado incrível.

Na última semana entranhei-me mais nos meandros da empresa do que durante o resto do ano todo.

Tive uma ideia de negócio, mergulhei em contas no excel e em projetos descritivos no word e estou a procurar espaços para fazer dele uma realidade.

Escrevi muito - mas foi no papel. Todos os afazeres, todas as ideias, todas as incongruências, todos os riscos, todos os planos, todas as dúvidas, todas as tarefas, todos os textos que quero escrever aqui.

Tanto. Sinto que aconteceu tanto neste ano! Ditei que ele fosse um investimento em mim própria e acabou por me sair melhor que a encomenda. Quis ter a liberdade de experimentar, de errar, de aproveitar coisas que provavelmente só nesta fase na vida iria poder desfrutar; de poder respirar fundo antes de ter o peso das grandes responsabilidades sobre mim. Achei que ia ter tempo para viajar, para escrever, para pensar - mas acabei por ficar presa a todos os compromissos em que me fui metendo e que, para o bem e para o mal, culminaram nisto: um cansaço descomunal, mas a sensação de dever cumprido. 

Foi um ano atípico, repleto de inícios. O início de um curso - o início de várias cadeiras a cada mês que passava, de trabalhos e de exames. O início da arte de dar aulas a quem quer aprender. O início de um namoro. O início de um trabalho que sempre quis ter. Talvez mesmo o início daquilo que será a minha vida daqui para a frente.

O problema dos inícios é que é preciso esperar, saber tolerar. As flores não se colhem assim que se planta a semente - algo que vai contra a nossa máxima dos dias de hoje, em que é tudo para ontem, em que tudo se faz em velocidade de sprint. Desaprendemos a correr maratonas, a aguentar a um ritmo constante, sem desmotivar, para chegar ao final.

Este ano, que agora está a chegar ao fim com o início das minhas merecidas férias, foi mais uma maratona da minha vida. Ou talvez uma mixórdia delas. Em que soube jogar com a necessidade do prazer imediato, com a ansiedade, com o medo e com a mudança. Não foi tudo perfeito, não geri tudo conforme queria. Mas foi bom - tão bom - o suficiente para me dar por feliz. Talvez o mais feliz que estive até hoje, pronta para continuar a correr.

26
Jun19

Quero a Uniqlo em Portugal!

Pisei pela primeira vez uma loja da Uniqlo há uns meses, quando fui a Londres. Não foi algo desprevenido: assim que a avistei em Oxford Street pus-me logo ao caminho, porque já tinha lido muito sobre a cadeia japonesa (nos meus tempos de trabalho no jornal) e a curiosidade já tinha tomado conta de mim. Ultimamente tenho-me encontrado com fornecedores que vendem para esta marca e as minhas expectativas estavam em alta, principalmente relativamente ao conforto das peças que eles vendem. Não saí defraudada.

Para quem não conhece, a Uniqlo é uma das maiores cadeias de fast fashion do oriente - uma espécie de Zara por aqueles lados. Há, no entanto, duas grandes diferenças: a primeira é que a marca japonesa é muito menos permeável às modas temporárias do que a Inditex - por outras palavras, vive muito mais de básicos e de peças simples, pouco arrojadas, que combinam com tudo e dão para uma vida, independente daquilo que se esteja a usar; segundo, a qualidade dos materiais é substancialmente diferente. Os preços entre as duas marcas não são muito diferentes, mas enquanto a Zara põe todas as fichas no design e na renovação constante (e, diria, incessante) das coleções, a Uniqlo aposta na qualidade das peças, no seu conforto e usabilidade.

Para mim, que me abasteço praticamente só com básicos, a Uniqlo é o paraíso na terra. Há outras marcas de roupa simples (lembro-me da Cos, por exemplo, embora tenha uma linha mais conceptual ao nível do corte), mas no que diz respeito às fibras os japoneses ganham aos pontos. Já tinha ouvido falar sobre a qualidade das roupas interiores deles, por isso foi essa a zona a que me dirigi mal entrei na loja. Agora, que já usei tudo o que comprei, sinto-me em pleno direito de comentar e dizer que adoro. Na altura em que ouvi falar das malhas interiores deles era inverno, portanto tratavam-se de camisolas e bodys finos mas bem quentes; por agora não estão à venda, mas encontram tantas outras coisas interessantes - nomeadamente roupa interior fresca, com poucas costuras, de rápida secagem e anti-odor. A mim, em particular, saltou-me logo à vista as camisolas com soutien integrado. E que maravilha que são!

Eu sou daquelas pessoas que nunca anda sem soutien. Não consigo. Durmo, inclusivamente, de soutien. Não me incomoda quem não use, todos aqueles que são a favor do movimento #FreeTheNipple e essas coisas todas, mas para mim não dá. Descarto imediatamente todas as peças de roupa que não se coadunem com o uso desta peça, mas admito que às vezes é mais uma coisa para fazer calor e que nem sempre é mega confortável. E foi com grande surpresa que percebi que muitas das peças (não só da linha dos básicos de verão, "Airism", como também vestidos e outras roupas) têm suporte para o peito, sendo o soutien perfeitamente dispensável, nunca descurando o conforto. Não sou uma cliente fácil neste aspeto - não gosto de sentir que anda tudo meio livre - e fiquei muito, muito cliente! É só vestir, pôr e andar. E o conforto daquelas malhas? É melhor do que muita lingerie!

Andei também a ver a roupa de homem e admito que ainda gostei mais do que a linha de mulher. Camisas em linho ou t-shirts de um toque muito macio; parkas e kispos muito leves (que são unissexo, na verdade, por isso podemos aproveitar). Para além, claro, da secção de boxers e de roupa interior, que eu impingi logo aos homens da minha vida - nomeadamente ao meu pai, que me anda a servir de cobaia. Não esperem cortes complexos, diferentes ou irreverentes, 30 padrões de florzinhas ou t-shirts com citações inspiradoras. É tudo para o simples, mas em bom. Eu, pelo menos, gosto muito.

Posto isto, o meu novo desejo é que a Uniqlo chegue a Portugal. Dispenso a Asos, a Foverer 21 (que, já sei, há em Lisboa, mas ainda não chegou ao Porto) ou a Miss Selfridge. Quero a Uniqlo. Já. Agora. No Porto. Por favoooor! 

(até lá, podemos sempre mandar vir pela net - são 10 euros de portes, não é um valor simpático, mas é o que há...)

 

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(um exemplo das tais camisolas, que podem ver aqui)

22
Jun19

Um mar de calmia em pleno Alentejo

No início do mês realizei um desejo que já tinha há muito: ir ao Alentejo. Passo sempre esta região de rajada, ignorando-a por completo devido a uma vontade cega de chegar ao destino do costume: o Algarve. Mas desta vez fizemos daquele sítio o nosso destino e lá fomos nós, país abaixo, prontos para uns dias de descanso.

Não descansamos muito, porque parecíamos baratas tontas a querer ver as praias, as vistas e tudo o que a natureza tivesse para nos eferecer. Conto todos os locais por onde passamos e o nosso itenerário num próximo post, porque agora quero só falar do sítio maravilhoso que nos acolheu durante aqueles dias, em Vila Nova de Milfontes. Um local pautado pela cor branca, pelo simplismo e, acima de tudo, pela calmia.

O Três Marias, turismo rural, era tudo o que eu precisava nesta fase mais louca da minha vida. Adorei o espaço, a filosofia e a decoração. Mais: adorei o facto de acolherem uma avestruz, ovelhas e... três burros naquela quintinha, que se passeavam calmamente por lá enquanto tomávamos o pequeno-almoço! É caso para dizer que este hotel foi feito a pensar em mim ;)

Tinha ficado com o espaço debaixo de olho depois de o ter visto num blog e correspondeu a todas as expectativas que tinha sobre ele. É, literalmente, um sítio para se descansar. Para se ouvir o vento a correr nas árvores e a ver as estrelas no cair da noite. Onde o único trânsito que existe é no ar, onde as andorinhas fazem corridas para chegar primeiro às migalhas. Onde nos apetece falar baixinho para não interromper o estado de calmia em que estamos todos mergulhados. Onde não há televisão – nem no quarto nem na sala comum. É mesmo um retiro da sociedade – ou, para lá chegar, não tivessemos de percorrer dois quilómetros de terra batida!

O nosso quarto era uma mezannine, com um sofá em baixo e o quarto e a casa de banho em cima. Vivia dos detalhes: a cama protegida por uma rede mosquiteira, num cenário mega romântico-fofinho; as portas feitas em tábuas de madeira, que davam um ar rústico a todo o espaço; o chão aquecido na zona da casa de banho; a chaleira e as chávenas prontas para servir um chá. Tudo perfeito. Para mim só faltava uma coisa para ser algo do outro mundo: uma piscina, para uma pessoa não ter de fazer mais do que uns metros para poder estar de papo para o ar e aproveitar as maravilhas do mundo rural.

Adorei o pequeno-almoço, não muito grande mas com comida muito fresca (como um bolo quentinho, acabado de sair do forno) e toda a simpatia das pessoas. Tive pena de não jantar lá, pois creio que a comida devia ser tão caseira como nas nossas casas – e, pelo que li, onde se promove o convívio entre os hóspedes, numa mesa grande onde todos se sentam tal e qual uma grande família.

À saída peguei num cartão, nos postais que têm à disposição de quem lá fica e prometi voltar. Gostava muito de conseguir cumprir essa promessa.

 

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18
Jun19

O cansaço mora em mim

No 11º ano tive de ter explicações de matemática. Foi uma grande derrota pessoal para alguém que sempre quis ser independente em tudo - mesmo na arte de aprender. Era-me indiferente que os meus colegas tivessem aulas extras de todas as disciplinas e que, por causa disso, tivessem altas notas nos testes - tudo aquilo que eu conseguia era por mim própria, não tinha a papa feita por ninguém, era o meu suor e o meu raciocínio que estavam ali em peso. Sentia quase como se jogássemos em diferentes campeonatos - um com ajuda, outro sem. E mesmo não havendo vergonha em pedir auxílio, sempre foi uma bandeira que gostei de erguer - ainda hoje é assim, mesmo que seja uma parvoíce de todo o tamanho.

Por isso tenho sofrido nos últimos tempos do curso, em que a carga matemática é cada vez maior. Lembro-me muitas vezes da minha angústia algures em 2012, enquanto olhava para senos, cossenos e radianos e não conseguia digerir o que estava à minha frente. Tenho uma relação muito problemática com as coisas que não percebo. Comem-me viva.

Mas agora tenho um problema extra: se com a trigonometria ficava irritada por não saber mas descansada por ter a noção de que aquilo não seria algo essencial na minha vida, agora fico em pânico por me sentir incapaz em alguns tópicos que podem ser essenciais na gestão de uma empresa. Ponho-me constantemente em causa. 

Há dias em que eu acredito que essas dificuldades são só teóricas e altamente potenciadas pelo cansaço de um ano de curso, de muitas mudanças e de uma fase que se avizinha mais complicada para mim; mas há outros em que esses pensamentos me deitam abaixo e me convencem de que nunca vou conseguir. Olho para os outros - aqueles a quem agora tenho de pedir ajuda -, que parecem fazer aquilo com uma perna às costas, com ficheiros Excel todos bonitos e a frustração toma conta de mim. Martirizo-me por já não ter capacidade de concentração em aulas com termos económico-financeiros que não domino, por não ter ouvido com atenção, apontado melhor. Penso no dinheiro que investi, que os meus pais investiram em mim, e sinto-me gradualmente mais incapaz.

Acho que estou a chegar a um breaking point. Estou a acusar o cansaço. E preciso de férias para poder voltar a acreditar em mim e nas minhas capacidades.

06
Jun19

É verdade: às vezes não sobram minutos

Uma das minhas regras de ouro aqui no blog é não apagar posts. Se achar que, por razão de força maior, algum deve mesmo ser retirado da vista do público, coloco-o em privado, de forma a que só eu o leia - mas nunca, jamais, apago o que quer que seja. A escrita é o testemunho mais real que tenho da minha própria vida - e mesmo que, passado uns anos, já não concorde com as opiniões que tinha ou não me reveja em determinados sentimentos que descrevi, sei que na altura foram reais. Não os esqueço nem os monesprezo. Fizeram parte de mim, do meu crescimento, da minha vida - e por isso têm e vão ter sempre lugar aqui.

A verdade é que não há muitos posts de que me envergonhe. Não me lembro de nada que tenha escrito que hoje me apeteça apagar; acho que nunca cometi nenhum erro crasso. Aliás, continuo a concordar com muito do que aqui escrevi. Não sei se isso é bom ou não: se por um lado tenho opiniões consistentes, que não têm tendência a mudar como quem muda de cuecas, ou se sou uma teimosa incorrígivel que não consegue mudar a sua própria mentalidade. Pode cair para cada um dos lados. Cá para nós, devo confessar que guardo um certo orgulho pela minha estabilidade a este nível...

Mas estes dias tenho pensado muito em algo que antes dizia e que hoje não consigo subscrever. Não sei se alguma vez escrevi sobre isso, mas sei que o pensei durante muito tempo. Tem que ver com o tempo - ou a falta dele. Sempre disse que arranjamos tempo para aquilo que queremos, basta fazer uma boa gestão de tempo e de prioridades. Recordo-me de ouvir as pessoas queixarem-se disto e de eu pensar que com uma agenda e um bocadinho de cérebro a coisa se resolvia. Até me lembro de dizer que, na loucura, se devia dormir menos. Coisas que se dizem quando se tem energia para tudo, não é verdade? (Gostaram deste discurso de velhinha?)

Hoje vejo que não é bem assim. Sempre me considerei muito boa a gerir o meu tempo e agora olho para mim, frustrada, sem saber o que fazer da minha vida. E continuo a achar que tem tudo que ver com a gestão da agenda e das prioridades - mas agora percebo que às vezes as prioridades tomam conta da nossa vida, sufocam-nos. A pós-graduação - que entrou agora na reta final, benzó-deus! - e todos os consequentes trabalhos que vêm com ela, tomam conta de grande parte do meu tempo. Dar aulas de piano é mais uma quantidade de horas em que estou longe do mundo, só centrada nas teclas e nos meus alunos. Estar no início de uma relação também não ajuda: a quantidade de tempo que passamos com a pessoa é proporcional à nossa felicidade, por isso queremos estar o máximo de tempo possível com ela. Faço do trabalho na fábrica, aquele que ainda tem menos obrigações, o meu tempo "ninja" - aquele que manipulo consoante as minhas necessidades e exigências. Mas, mesmo assim, há muitas coisas que saem para fora das 24 horas que têm o dia.

Estar com os meus pais e com a minha família não deixou de ser prioridade - nunca deixará. Escrever aqui não deixou de ser prioridade. Tudo o que não o era saltou fora da minha vida neste momento: o ginásio, os outros blogs, as redes sociais, até alguns amigos e umas boas horas de sono. Mas chega uma altura em que não dá para cortar mais e só nos resta o exercício de fazer caber em pequenos pedacinhos de tempo tudo aquilo que nos preenche mas que, nestas fases, nos faz sentir vazios, por não conseguirmos dar vazão a tudo.

Não tinha razão quando dizia que há sempre tempo para tudo. É verdade que somos nós quem define as prioridades, quem tem de saber pesar as vantagens e as consequências de cada ato - e podemos cometer loucuras, deixar de fazer coisas obrigatórias em prol de outras facultativas... mas, pela lógica normal das coisas, há mesmo fases em que não sobram minutos. Estou numa dessas, pelo menos até acabar o curso. Já vejo a luz no fundo do túnel, mas só a meio de Julho é que verei a luz do dia. Estou ansiosa, acho que nem vou saber o que fazer com tanto tempo livre!

Para já, resta-me tentar ser eficiente em todas as tarefas que me enchem a agenda, de forma a despachar tudo de forma efetiva. E contentar-me com os buraquinhos de tempo que me aparecem - como este, que me permitiu escrever este texto, e que me soube pela vida. Agora... siga! 

28
Mai19

A importância que os trackers têm na minha vida

De cada vez que alguém me vê a pôr cruzinhas na minha agenda já estou à espera da derradeira pergunta: "o que é isso?". Quando respondo ficam com uma cara ainda pior do que quando perguntaram, como quem diz "esta miúda é louca" ou "ninguém aguenta uma control freak desta espécie". A verdade é que já nem me dou ao trabalho de explicar.

Estou a falar dos trackers. Já tinha explicado aqui que, apesar de usar agenda, utilizo os espaços de notas para fazer dela uma espécie de bullet journal - onde cabem secções sobre temas a escrever aqui no blog e os trackers, as tais cruzinhas que preencho todos os dias. Foi a forma que arranjei de ir seguindo aquilo que fazia ou não fazia, nomeadamente quando publicava nas páginas de facebook e instagram que giro e quando faço posts aqui no blog; de um ponto de vista mais pessoal registo quando vou ao ginásio (esta é fácil: nunca), quando leio, treino piano e o meu humor (utilizando três cores: rosa choque para os dias maus, amarelo para os assim-assim, e azul turquesa para os bons). 

Esta gestão é importante para mim porque me localiza. Consigo ver rapidamente se tenho "produzido" muito ou não, onde é que tenho de publicar coisas com mais frequência, onde é que ando a falhar e tenho de apostar mais nos próximos tempos... Não o vejo como um controlo asfixiante das coisas, é apenas mais um método de organização e que me permite ter uma noção global de todas as minhas tarefas quase-diárias. 

Mas, acima de tudo, o balanço que faço diariamente do meu estado de espírito é mesmo muito importante. Parece ridículo, não é? É sempre aquela parte que choca mais as pessoas, eu auto-avaliar como foram os meus dias. Lembro-me sempre de um comentário que me deixaram aqui há uns anos, sobre o facto dos romanos terem o hábito de avaliar os seus dias quando chegava a hora de ir dormir. Metiam uma pedra branca num vaso se o dia fosse bom, e uma preta se fosse mau. Ao final do mês faziam o balanço. 

Eu não uso pedras - são pesadas e ocupam espaço -, mas os trackers são a minha forma de fazer um balanço ao fim do mês. E a verdade é que quando somos obrigados a pensar no nosso dia, quando meditamos a sério sobre as últimas 12 horas em que estivemos acordados e revemos as coisas por que passamos com mais frieza, tudo parece menos negro. As coisas que nos chatearam de manhã afinal não foram assim tão más e a reunião que foi uma seca a meio da tarde não foi capaz de estragar o nosso dia, até porque no fim tivemos um jantar que valeu por tudo o resto. Relativizamos. Pesamos acontecimentos. E, no fim, tendemos a agradecer pela vida boa que temos, porque chegamos à conclusão que afinal até são poucos os dias maus. É um exercício que nos obriga a focar no todo e não nos pequeninos dissabores que às vezes nos pintalgam os dias. 

Acreditem em mim. Deviam experimentar. Mesmo que no fim vos chamem control freaks maluquinhos.

 

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