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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Dez13

Antes de mais, uma carta, recheada de saudades

Querido João,

 

Quebrei a minha promessa. Pior!, quebrei-a por diversas vezes.

Depois de ter chegado a casa lavada em lágrimas após o pior Natal da minha vida, há uns anos, disse a mim mesma que não havias de passar este dia longe de mim e daqueles que mais gostam de ti. Nem que tivesse de te pagar a viagem, de te ir buscar pelas orelhas, de trazer os teus chapéus e a tua guitarra atrás, tudo na malinha mais pequena de que há memória; não teria importância, só te queria a ti. A ti e ao teu cabelo mal cortado, às tuas unhas de acrílico, à tua barba mal feita, aos teus beijos de boa noite, ao teu leite com chocolate ao deitar, ao teu apêndice lindo e loirinho e do mais belo e british que possa existir. Tudo.

Mas cedo percebi que não era a mim que me cabia essa decisão. Para além de ser, acima de tudo, uma decisão tua, era também das circustâncias da vida. E, por isso, mais anos se passaram em que o meu Natal foi mais pobre e mais triste por tu não fazeres parte dele. Faltam lá as tuas gargalhadas, o teu ruído de fundo (que é sempre mais alto do que o das pessoas "normais"), a tua alegria, o teu sorriso. Tu.

Durante todos estes anos de ausências, de chegadas e partidas, habituei-me a que o mais perto que estivesses de mim fosse no ecrã do computador; a ouvir-te na minha mente, naquilo que eu sei serem as tuas teorias, que em pouco se assemelham às minhas mas que não deixo de ter em conta. Há dias em que a saudade é substituída pelo típico stress desta vida, dos problemas, da faculdade... há outros, como este, em que pouco mais se sente senão este sentimento tão português. 

Pensarei em ti quando vir que as tuas prendas não foram para debaixo da árvore, quando me perguntarem como estás, quando tirarmos a foto de família que pretendo tirar e faltar lá a alma da festa. Estarás comigo em pensamento, mesmo que quase do outro lado do mundo.

Podia dizer que, quando chegares de volta, te vou encher tanto de doces bons para compensar a tua ausência que até virarias diabético; mas tu já és, por isso não tem piada. Mas a promessa (esta!), mantém-se, e eu já estou a treinar para que tudo saia perfeito para que possas degustar todos os doces de Natal bem portugueses (não há cá arroz doce chau-chau) na espécie-de-Natal-atrasado que cá te esperará.

 

Beijos muitos,

A tua mana

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