Não me arrependo
Hoje, depois de sair da última aula, um trajado abordou-me, perguntando-me se eu, por acaso, não queria fazer parte da praxe - suponho eu que foi por não ter reconhecido a minha cara no meio do rebanho e por ontem terem saído as colocações na segunda fase: podia ser, então, uma aluna nova. Ele era um dos que fez a apresentação, que nos falou das cadeiras e do curso, precisamente antes dos "doutores" terem entrado por lá dentro. Apetecia-me perguntar-lhe se já não chegava, se aquela primeira impressão tão boa que me deixaram não tinha sido suficiente, mas deixei-me disso. Disse-lhe apenas que não e segui caminho.
Mas isso trouxe-me hoje até aqui. Faz hoje uma semana que começaram as aulas e eu pretendo dar-vos a conhecer o quão satisfeita estou por não me ter metido naquilo (ou, melhor dizendo, por ter conseguido sair daquele anfiteatro diabólico). Podia mentir e dizer que é tudo um mar de rosas: não é. A praxe, na minha opinião, tem 90% de actividades ridículas e inúteis, mas tem a enorme vantagem de se ficar a conhecer pessoas. É essa a minha maior dificuldade nestes primeiros tempos: o pessoal já se conhece, já há dezenas de grupos formados, e falar com alguém acaba por ser mais difícil. Já conheço gente - vou somando rapazes à lista e, raparigas, nem uma (que raio se passa aqui?!) - mas acho que falta sempre algo. Aquela sensação de secundário, em que conhecemos os nomes de todos e toda a gente nos é familiar, é a peça que falta e que ainda não me habituei na totalidade, mas lá chegaremos.
De qualquer das formas, o saldo é positivo e eu dou graças por não ter ido à praxe. Sei disso quando os vejo todos alinhadinhos à porta, logo às oito da matina; quando os vejo a chegar atrasados às aulas; quando me apercebo que, no furo que tivemos, lá foram eles como carneirinhos "desfrutar da folga". Nunca teria pachorra. E não me arrependi nem por um segundo.




