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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

03
Jul13

Reflexões de uma (ex?) anti-social

Aqui há dias disseram-me que nós, mulheres, nem a nós próprias nos compreendemos. Eu neguei prontamente, tendo em conta que tinha a certeza do que estava a dizer naquele caso específico, prova que naquele campo eu percebia daquilo que o meu próprio sexo pensava, de uma forma geral. Mas agora, não sei se é por ser mulher ou não, não me percebo...

Racionalmente, aquela parte de mim que está sempre presente em quase tudo o que eu faço (exclui-se aqui a minha reacção aos médicos), eu sei que preciso de pessoas para viver e estar bem. Sei porque tenho termos de comparação - eu passei anos a poder dizer que não tinha um amigo sequer, e sei como os passei: se é verdade que era muitas vezes aquilo que eu queria, por outro lado as minhas crises meias depressivas também tinham de vir de algum sítio. E estes últimos dois anos, os únicos que posso assinalar como aqueles em tive companhia, que fiz amigos e pessoas em quem confiar, foram muito melhores.

Mas a verdade é que eu - no meu mais puro estado - continuo aqui. Apesar de saber o que quero, o que preciso, há sempre uma parte de mim que me desliga da parte social. Lembro-me muitas vezes de um filme que adorei, o "Up in the Air", com o George Clooney, em que ele não tinha amigos fixos, uma parceira com quem estar sempre, uma família sempre em contacto - ele vivia no ar, a trabalhar, sem uma morada a que pudesse chamar casa. Recordo-me do facto de essa ideia me atrair e só depois me aperceber que, apesar de poder ser real, a personagem seria tremendamente infeliz.

O meu truque não é difícil de entender: chama-se afastamento progressivo. Para além de não ser difícil, é ridículo. Se me perguntarem se o faço por alguma razão especial, não, não faço. É algo que me é intrínseco - eu gosto das pessoas e não percebo porquê que o faço. Não sei se o excesso de proximidade ajuda ou não - se me canso ou me desaproximo excessivamente delas devido à falta de contacto; não percebo se é medo de ser deixada pendurada, de confiar no mais próximo. Enfim, não tenho razões - sei que, quando me apercebo, já estou num processo de desvinculação e com uma preguiça mais do que enorme para reverter aquilo que foi feito.

Suponho que isso faça de mim uma pessoa ainda pior. Depois de tanto tempo sem ter ninguém, quando tenho, acabo por as desperdiçar; quando, por fim, alguém vê em mim algo que não é algo temporário, em que vale a pena investir... eu, eventualmente, acabo por desistir.

Ao fim e ao cabo, acabo por ter aquilo que mereço. Em bom português: mudarmo-nos a nós mesmos é uma merda do caraças.

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