Cortar a relva e cedo erguer, dá saúde e faz escurecer
A época de exames costuma ser terrível a nível dietético. O ano passado tinha uma caixa inteira dos melhores rebuçados do mundo (que vêm de Lisboa) e era um atrás do outro, enquanto passava horas a estudar - como estamos parados, muitas horas sentados e puxar pelo intelectual, a fome dá de si, a par da necessidade de estarmos a fazer algo para além de ler papéis.
Mas este ano eu resisti. Por acaso, tenho uma saca dos mesmos rebuçados que tinha o ano passado, mas mantive-a bem longe dos meus olhos (e boca). Já é mau demais passar horas a fio sentada sem fazer nada, quanto mais a ingerir quilos de açúcar num só dia. Mas a verdade é que no meio de aniversários, São João e as sobras das festas, acabei por comer porcarias sem fim. E isto até pode ser psicológico, remorsos de quem anda a comer mais doces do que deve, mas sinto-me um bocadinho anafada. Só mesmo um bocadinho, a sério!, mas é o bastante.
Eu, racionalmente, sei que as coisas que menos gosto de mim nunca vou conseguir perder. O pé vai ficar sempre inchado, nunca vou ter uma barriga lisinha (não tenho esse estilo de barriga) ou as coxas fininhas. É a vida, está nos genes. Mas pronto, na medida do possível, quero sentir-me bem comigo mesma.
Por isso ontem disse para mim mesma que não podia ser. Que hoje começavam as férias e que me ia mexer - e não ia ser só quando fosse para o Algarve, caminhando quilómetros sobre a praia. Ia ser agora. Nem que fosse a nadar de um lado para o outro na piscina. Mas o destino tem destas coisas e juntou-me... com a máquina de cortar a relva. É ouro sobre azul. Faço exercício e ainda fico morena! Eu sabia que este jardim ainda havia de me dar jeito.




