Mundo pequeno
É, de facto, estranha a nossa reacção - de bloggers, entenda-se - quando alguém se dirige a nós e nos tece, por exemplo, um elogio. Quer dizer, devíamos demonstrar logo um profundo agrado, falar, mostrarmo-nos tão extrovertidos como somos neste mundo - mas a verdade é que isso não acontece. A maioria dos bloggers que conheço (e eu faço parte do leque) procura sempre um buraquinho onde se esconder sempre que alguém nos reconhece - não porque não gostemos do reconhecimento, não que não nos sintamos lisonjeados por isso, mas sim porque há uma barreira invisível no computador que nos separa e que nos deixa eternamente distantes; mas, naquele momento em que nos confrontam, deparamo-nos com a ligação desses dois mundos que, na nossa mente, têm uma parede a separa-los. Nós escrevemos muitas vezes mais do que dizemos, e pensar que aquele alguém que está à nossa frente lê essa parte de nós é estranho e intrusivo - porque no fundo, representam a transição do mundo virtual para o mundo real, algo que nem sempre estamos preparados para lidar.
Aqui há dias fui a casa de uma amiga de uma amiga (não se confundam!) e reconhecia-a. Não quis dizer nada, até porque não tinha bem a certeza se era quem eu estava a pensar, e fiz um teste a mim mesma: eu sabia que o sofá dela - porque já o tinha visto em vídeo - era de x cor; se se confirmasse, era mesmo ela, senão deixava o assunto morrer. Mas a verdade é que o sofá era mesmo igual ao que tinha em mente e isso tirou-me qualquer tipo de dúvidas. Não disse nada, porque sei que é estranho para a maioria dos bloggers chegar uma pessoa de rompante e dizer "ahhhhh, eu conheço-te, leio o teu blog!". Deixei a conversa andar e quando a minha amiga que me disse "ah, tens de ir ver o blog dela", eu respondi que, enfim, já lia. E a reacção esperada chegou: "ahhhh, não vejas! É tão estranho, não vejas nada!".
O mundo é pequeno e é perfeitamente normal que, no meio de encontros, desencontros e coincidências nos esbarremos com alguém de quem gostamos, que lemos ou que vemos na internet e a quem tenhamos um elogio para dar - e é tão giro quando isso acontece! E às vezes nós, sem intenção, afugentamos as pessoas com a nossa vergonha típica e os "não leias!", "não escrevo nada bem, deixa-te dessas coisas!" - mas acreditem: é ignorar. São posições de defesa de quem não está habituado mas que, no fundo, gosta muito daquilo que faz e de receber opinião - só não está é habituado a um feedback dado pessoalmente.