Dia de ir ao tribunal
Nunca fui apaixonada por direito. Devo admitir que quando fui à mostra dos cursos da faculdade tirei um folhetozinho sobre o curso, mas nunca pensei seriamente em ir para lá. Eu acho que para uma pessoa ser feliz, se sentir concretizada e, acima de tudo, ser boa no que faz, é essencial gostar-se daquilo em que se trabalha. E advocacia nunca me despertou interesse. Mas tinha curiosidade em ir a um tribunal, para desmistificar aquilo que se vê nos filmes que, inconscientemente, acabamos por ter como imagem real. Surgiu a oportunidade em ir numa visita de estudo e fiquei entusiasmada.
Acabamos por assistir a quatro sessões, umas mais longas que outras - por furto, falsificação de assinaturas, tráfico (adiado) e abuso sexual de menores (menos entusiasmante do que parece, nem vale a pena entrar em detalhes). Foi giro ver toda aquela burocracia e teatralidade, embora ao fim de duas horas já estivesse mortinha para saltar cá para fora e comer alguma coisa, mostrando-me claramente que não dava para aquilo. Depois é uma confusão, as histórias não coincidem, ouvem-se várias pessoas a contar sempre o mesmo mas com pormenores diferentes e que, aparentemente, têm alguma importância... Uma canseira.
Cheguei ao fim cansada e com fome, mas feliz por ter tido a experiência e por saber que, se um dia tiver que ir a um tribunal, já sei os protocolos a cumprir. Serviu também para me aperceber que não era, mesmo!, aquele o meu futuro e que, acima de tudo, a justiça e a qualidade da mesma é uma coisa muito relativa - se por um lado os processos são chatos e demorados, por outro também os há em excesso e por razões mínimas, que não deviam justificar a presença de não sei quantos juízes em sala, mais secretários, procuradores e coisas que tais. Tudo o que é demais é erro - e o lema aplica-se para os dois lados da moeda.




