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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

02
Mai13

Ensinar os putos tem que se lhe diga

Eu sempre achei que tinha jeito para ensinar... a questão é tinham de ser pessoas que queiram aprender e com o mínimo de capacidades. Ou seja, resumindo: não dava para professora. Os alunos são mal-educados, não prestam atenção, não querem saber e eu nunca teria pachorra. Mas, ainda assim, o jeito continua cá. Os meus colegas gostam sempre da forma como explico e, regra geral, entendem as minhas explicações e é até uma coisa que me dá gozo. Mas é preciso que me ouçam, pensem e não se precipitem - o que é mais fácil com adultos do com que com crianças.

Ultimamente, o meu sobrinho tem vindo cá para casa fazer os trabalhos de casa comigo. E ele é tudo menos burro, mas tem um défice de concentração inacreditável e uma coisa que me tira do sério: não diz quando não percebe. Na sexta, estive mais de meia hora a explicar-lhe os dias da semana, os meses, os dias que os meses tinham e coisas que tais - e aquilo faz-lhe uma confusão tremenda. E começa-me a atirar respostas completamente disparatadas de quem não ouviu aquilo que eu disse 13562 vezes e está com a cabeça na lua, estilo "- Quantos dias pode ter um mês? - 12." ou "- Qual o primeiro dia de cada mês? - 36". E a certa altura eu fartei-me e disse-lhe: "Zé, tu não és burro nenhum e eu sei que tu sabes isto! Ouve-me por 5 minutos, por amor de deus! Eu juro que, se errares, eu não te grito nem bato, mas diz quando não perceberes!". E ele... chorou.

E eu já vi muitas crianças chorar, mas doeu-me. Porque não foi de medo, não foi por eu lhe bater ou berrar, foi mesmo porque se foi abaixo e lhe deve ter doído de algum modo e não era mesmo minha intenção. Lá o puxei para o meu colo, fiz com que parasse de chorar e se acalmasse e comecei a perguntar, repetindo muitas vezes as perguntas e implorando que pensasse antes de falar - e ele assim fez, concentrado. E não é que respondeu a tudo certo e fez aquilo com uma perna às costas?

Fiz-lhe uma folhinha com o resumo daquilo que tínhamos visto e lá foi ele, ver televisão e comer pão com nutela. E eu senti-me com tantos remorsos que pouco depois fui busca-lo para fazermos um bolo juntos, para esquecer o episódio dos trabalhos de casa que me deve ter perturbado mais a mim do que a ele. Valha-me, que ensinar crianças tem pouco de fácil!

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