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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

02
Jan18

5 objetivos para 2018

Carolina

Não há volta a dar: novo ano é sinónimo de resoluções. Eu adoro uma vida organizada e planeada – algo que, ironicamente, agora não tenho – e portanto tenho uma panca por listas. Para mim, são uma coisa tão natural como o lanchinho da tarde ou o sono depois de almoço: é algo que nasceu comigo, nada a fazer.

E, como tal, venho contar-vos as minhas cinco grandes resoluções de ano novo. Digo “grandes” porque quero ir além dos típicos tópicos emagrecer/ beber mais água/ ler mais/ ir ao cinema com mais frequência e coisas desse género. É óbvio que quero tudo isso – menos a parte da água, uma vez que em 2017 esse foi um dos meus achievements -, mas são coisas que acabo por delinear todos os anos e que depois acabo por não cumprir ou, pelo menos, levar a sério, por isso este ano queria ir um bocadinho mais longe. Ou ir mais profundo, se assim quisermos chamar. Ora vejamos:

1 – Ter a força de vontade de voltar a estudar outra vez. Não tenho nada definido e ainda são tudo planos que não saíram do papel – ou da minha cabeça, neste caso – mas sinto que está a chegar a altura de começar a preparar o meu futuro. Eu ia escrever “que está na altura de avançar”, mas na verdade não se trata de dar um passo em frente – é quase dar um passo atrás para depois poder dar dois para diante. Vai ser assumidamente uma coisa que me vai custar: deixar a faculdade foi algo que fiz sem qualquer dor ou saudade (ainda hoje não tenho) e voltar aos livros, aos trabalhos e às aulas vai ser duro. Estou a pôr as minhas fichas na possibilidade de o ambiente ser diferente e eu estar com expectativas tão baixas que até me possa vir a surpreender. Mas, again, ainda é só um plano (que tenho de estudar, consolidar e pensar na provável articulação com o trabalho) e não quero adiantar muito mais sobre o assunto, por agora.

 

2 – Perceber que a não-rotina é a minha nova rotina. E isto implica que as listas de tarefas que eu tinha definidas para amanhã só possam eventualmente ser feitas dois dias mais tarde ou que numa mahã mais livre em que eu possa fazer uma série de coisas que não estava a contar. A gestão de tempo é a coisa mais preciosa que há neste tipo de vida meia-anárquica que levo, aliada à força de vontade para de facto fazer coisas quando, na minha cabeça, não é o tempo delas. Vou ter de me habituar a pôr uma mochila no carro e ir ao ginásio sempre que puder, tendo a mente aberta para ir a uma aula que não conheça – o que, para mim, é um sacrifício gigante, mas vai ser a única forma de eu conseguir frequentar aquele espaço do demónio. Assim como vou ter de ter posts aqui no blog para os dias em que chegar KO a casa. Já para não falar do caos que vai ser se levar a resolução 1 avante, o que ainda me vai dificultar mais a vida. A palavra do ano vai ter mesmo de ser gestão de tempo.

 

3 - Investir no piano. Pois, ainda faltava isto. Eu só tenho duas aulas de piano semanais – gostava de ter mais, mas a nível de horários é quase impraticável – mas a música é algo em que me estou a apaixonar cada vez mais. Já dou por mim a fazer os meus próprios arranjos e às vezes até tenho medo de dar um passo maior do que a própria perna e ficar desmotivada. Olho para o horizonte do que tenho para aprender e vejo um infinito – e não me importo, porque estou disponível para aprender tudo isso. Enquanto ouço os outros alunos, melhores que eu, só penso “um dia quero ser assim”. E quero mesmo. E eu não posso dar três horas do meu dia ao piano, como alguns dão (e nota-se!), mas se calhar consigo dar uma- e, à minha escala, também se há de notar.

 

4 – Ser mais equilibrada. Apesar daquilo que disse há uns posts atrás, de eu ter uma vida regrada, que se pauta por não ter grandes picos de emoções ou estados de espírito, eu sinto que sou muito desequilibrada em certas coisas simples, que depois se arrastam para algo mais complexo. Dois exemplos: numa aula de ginásio eu dou tudo, tudo o que tenho (embora possa não parecer). Eu estou em má forma física, mas tenho imensa dificuldade em desistir ou parar – quando o faço, é porque estou mesmo toda rota. E no dia seguinte eu não estou dorida: simplesmente não me mexo, estou cansada, a cair para o lado de sono. E por isso, nesse dia, não volto ao ginásio. E se calhar no outro também não… e lá volto eu a ter de fazer um esforço psicológico tremendo para ir sofrer numa aula seguinte quando, se não me esforçasse tanto e se fosse mais equilibrada, talvez os resultados a longo prazo fossem melhores. O mesmo se passa com um trabalho ou um projeto pessoal que eu tenha. Dou tudo de mim, trabalho ao fim de tarde, à noite, de madrugada, ao fim-de-semana. Até ao dia em que algo me corre pior e eu caio daquele pico de trabalho e adrenalina e demoro imenso tempo a voltar a reerguer-me, não só do cansaço, mas também da desmotivação e da frustração que se seguem depois de ter desistido ou abrandado num projeto promissor. Por isso: mais equilíbrio, pensar nestas coisas a longo prazo e ter calma com a minha vida, porque eu não sou o Speedy Gonzales, apesar de ter Gonçalves no nome.

 

5 – Não me deixar irritar tão facilmente e acatar melhor as críticas dos outros. Eu não sei porquê, mas toda a gente tem um gostinho especial em me irritar, em ser chato comigo, em peguinhar com picuinhices. Aliás, não sei mas calculo: tenho reações que fazem com que as pessoas continuem, dando-lhes prazer em me chatear o juízo. Respondo, chateio-me, faço cara feia. E quero ver se consigo atenuar tudo isso, para que os chatos desta vida deixem de ter razões para me atazanarem o juízo. Como bónus, quero também lidar melhor com as críticas ou chamadas de atenção dos outros. Acho que mesmo quando as compreendo e aceito, levo-as muito a peito, fico magoada, e gostava de mudar isso – até para evitar as minhas clássicas e eventuais respostas cortantes e frias, tons de voz ou até expressões faciais menos favoráveis, que por vezes elevam as discussões para um outro nível pouco desejável.

 

E é isto. Ambiciosa, eu sei. E exaustiva, também sei. Se calhar preferiam que um dos meus desejos de 2018 fosse ser mais sucinta e cortar nos caracteres mas… não vai acontecer. Escrever muito – e bem, esperemos – vai continuar a estar no prato do dia 😊

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