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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

15
Set12

Primeiro, a manifestação

Hoje como passei a tarde na baixa, pude passar pelos Aliados e dar uma vista de olhos na manifestação. Não que fosse pela minha vontade - não queria estar lá no meio, não queria ser um mais um número a contar para as 100 mil pessoas que lá estiveram.

Como disse num outro post, estou solidária com o povo português. O desemprego é alarmante, a fome começa a espalhar-se... enfim, tudo. A falta de poder de compra, o medo, a falta de perspectivas de futuro. Os cortes que todos tivemos de fazer nas nossas vidas e as díficuldades que muitos estão a passar. Mas há algo que me revolta nisto: a incoerência das pessoas.

Quero que me expliquem o que fazer. O que querem fazer, quando sabem que o país não tem dinheiro e estamos super endividados e precisamos de pagar o que devemos? Estão lá a gritar (estão? muitas das pessoas estão super bem dispostas e em pleno convívio) para o Passos Coelho ir embora - esse, que está a servir de bode expiatório de todo o povo - mas não têm nem uma solução à vista. Querem que o governo vá abaixo, mas não pensam que se formos realizar novas eleições mais dinheiro será gasto e o próximo que for para lá (que muito provavelmente seria o... Passos Coelho) teria de fazer exactamente a mesma coisa!

Mas o melhor disto tudo é mesmo pensar na quantidade de pessoa que lá estava e que votou no Sócrates! Esse, que nos roubou até onde pode e, ainda por cima, à descarada. Provas em cima de provas, casos em cima de casos, mas... Sócrates a primeiro ministro! Enterrou-nos ainda mais, assinou o contracto que colocaria a austeridade em termos inacreditáveis e... saiu, deixando o trabalho difícil nas mãos de outro.

Não fui à manifestação porque embora esteja preocupada com o meu futuro, não acho que estando ali que o vou resolver. Não acho que é por o governo ir abaixo ou o Passos Coelho ir embora que tudo vai ficar melhor. Nós, como sempre, só olhámos para o nosso umbigo - nem sequer conseguimos ver que se continuássemos por onde íamos, ficaríamos ainda pior e aí seriam os nossos filhos a pagar e a sofrer o dobro que estamos a sofrer agora.

A crise é geral, o sofrimento é geral. Lamento que os deputados tenham reformas vitalícias e benefícios por tudo quanto é lado; lamento que sejam tantos e que não façam a ponta de um corno. E desejo, muito sinceramente, que o próximo passo do nosso primeiro ministro seja esse - embora saiba perfeitamente que mexer com o poder dos grandes, para além de ser difícil, é arriscado (principalmente tendo em conta que os "companheiros" de partido não dão qualquer tipo de backup, porque estão na mesma a sugar-nos o dinheiro a nós).

As pessoas queixam-se, porque não são aqueles que querem ver no poder - esquecem-se que vivemos na tão desejada democracia, e foi o povo que os colocou lá (e, na minha opinião, foi das melhores coisinhas que fez nos últimos tempos). Toda esta incoerência põe-me doida, e foi por isso que de lá saí o mais rápido que pude. Tenho pena de todos os que estão a passar mal (porque essas pessoas, infelizmente, existem), mas sei que o leque de saídas é cada vez menor e alguma coisa tem de ser feita para sair do buraco que nós próprios ajudamos a escavar.

 

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