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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

16
Abr20

38 não é só um número de calças - é de auto-estima

No início do ano ganhei coragem para ter um encontro com a balança. Depois chorei. 

Há momentos na vida que são de reviravolta e não têm de ser necessariamente especiais ou bonitos. Não há uma fórmula mágica. Lembro-me perfeitamente de há uns dez anos me ter olhado ao espelho, enquanto mexia na cara, e reparei no quão horrorosas estavam as minhas unhas roídas. Deixei de as roer a partir daquele momento. Foi um clique.

Aqui também foi um bocadinho assim. Não se emagrece tão rápido como se deixa de roer as unhas, mas aquilo despoletou uma ação. Passados vinte minutos estava a ligar para uma clínica de nutrição e decidi-me mesmo a perder o peso a que me tinha proposto (na altura até escrevi aqui, nos meus objetivos, que queria despedir-me de pelo menos 5kgs).

Demorei mais uns dois meses até voltar a subir à balança; as calças já começavam a ficar largas, mas eu tinha medo de que o esforço não estivesse a dar resultados. Quando ganhei forças vi que tinha perdido quase seis quilos. Vitória! Fiquei tão feliz! E agora que já tenho uma série de hábitos enraizados, decidi que queria ir pelo menos para os 60kgs - na loucura até um bocadinho menos, que sempre foi o meu peso de sonho.

E depois apareceu o Covid-19. Não sou das que está em casa e precisa de deixar mensagens no frigorífico para me lembrar de que não tenho fome, mas nestas coisa das dietas a rotina é muito importante. E, mesmo continuando a trabalhar,  muito mudou. Para além disso o fator stress também tem de entrar em conta - há quem coma mais para compensar, há quem coma menos. Eu sou das que me vingo na comida (obviamente...).

Ainda assim digo, com orgulho, que devo ser a única pessoa no país inteiro que, desde que isto começou, não fiz um pão ou um bolo. Comecei a dieta numa altura cheia de aniversários e festas e jantares e dei por mim a ter de saber gerir esta questão: por um lado não posso não comer (podendo até passar por mal educada), mas por outro não posso aproveitar a situação para me vingar e comer por todos os dias em que não o fiz. 

Por isso, neste momento, limito-me a tentar levar essa estratégia avante (nomeadamente com a Páscoa e seus  pães-de-ló e amêndoas do demónio) e, pelo menos, não engordar. No entanto, graças às mudanças de rotina e de horários, surgiu algo positivo: comecei a treinar! Corrijo: o meu namorado começou a treinar. Eu vi-o uma e outra vez a suar as estopinhas ali à minha frente, enquanto copiava os exercícios que passavam na televisão, enquanto eu continuava refastelada no sofá a ler o meu livro. Até que fiquei com vergonha de mim própria e da minha falta de força de vontade. Resultado: treinos de meia hora a 45 minutos, cinco vezes por semana (fazemos descanso de três em três treinos). E a verdade é que se antes emagreci, hoje sinto-me mais tonificada (em relativamente pouco tempo). 

No meio de tudo isto as calças iam-me começando a cair pelo rabo abaixo. Um dia, mal entrei em casa, disseram-me: "essas calças ficam-te horríveis de tão grandes". E, aproveitando os Shoppings Days da Mango, mandei vir uma série de calças 38 - número que não visto há, seguramente, seis ou sete anos (senão mais). Quando chegaram fiquei nervosa. Quando me serviram fiquei estupidamente feliz.

Sempre me irritaram as discrepâncias dos tamanhos das roupas de marca para marca - e sei que algumas calças que tinham escrito "40" eram, na verdade, um 42 (embora, mentalmente, não o aceitasse). E, também por isto, é errado medirmo-nos por uma tabela que não é constante. No entanto é inevitável não sentirmos a felicidade de fechar um botão que, há três meses, não conseguiria caber na sua casa. E é também uma responsabilização acrescida das minhas próprias ações, sabendo que consegui e lutei por caber naquelas calças - e que terei de as manter se quiser continuar a entrar nelas e a apertar o fecho. E, acima de tudo, é aprender a gostar mais de mim. A não desviar o olhar do espelho quando entro na banheira. E perceber que não sou perfeita, mas que ao menos lutei para me sentir melhor com o meu próprio corpo.

 

balanca.jpg

 

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