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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

21
Mai16

366 dias depois... (ou uma viagem no tempo até ao Fora da Caixa)

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Há cerca de um mês atrás tinha planeado escrever um post a propósito de fazer um ano desde que filmamos a primeira reportagem para o Fora da Caixa. Quem acompanha o blog diariamente deve ter-se apercebido que esse post não foi para o ar - porque nunca o consegui acabar de escrever. Há experiências tão complexas e indescritíveis na nossa vida que se torna difícil falar sobre elas - pelo menos de uma forma justa; é difícil dar a entender aos outros aquilo que essas experiências foram para nós, porque por serem tão "grandes" e terem tomado determinadas dimensões na nossa vida parece que, por mais que digamos e escrevamos, tudo fica aquém da realidade.

Isto serve para o bem e para o mau - há coisas indescritivelmente felizes e outras indescritivelmente tristes. Já tive das duas e todas me marcaram de tal forma que sinto que chegaram mesmo a mudar o rumo da minha vida. O Fora da Caixa foi a última experiência desse género que tive - e pode não ter mudado a minha vida completamente, mas foi definitivamente um ponto de viragem, tanto a nível pessoal como universitário.

Faz hoje um ano em que o programa foi para o ar, o culminar de vários meses de trabalho e de vivências intensas que não consigo esquecer. E por muito que não faça jus a tudo isto, hoje não podia deixar de escrever sobre o programa que marcou a minha vida, o meu "bebé". Faço, por isso, um post um bocadinho diferente do normal - quase que como uma "viagem", entre texto e fotografias, algumas que ainda não tinha mostrado a quase ninguém.

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Porque eu posso, de facto, escrever os quilómetros que quiser sobre esta experiência - mas nunca vou deixar de sentir que não estou a transmitir de forma digna e fidedigna o suficiente aquela experiência, de forma a explicar o efeito colossal que aqueles três meses de stress, pressão e trabalho brutais surtiram na minha vida. Talvez só as pessoas mais próximas consigam entender, até por verem o "antes do Fora da Caixa" e o "depois do Fora da Caixa" da Carolina. Acho que a minha família e amigos mais próximos nunca duvidaram das minhas capacidades, e todo o orgulho que sentiram em mim foi para além daquilo que foi para o ar e do trabalho que fiz - foi por perceberem que os outros também perceberam um bocadinho de quem eu era, algo que em todos os anos de escola e faculdade eu nunca tinha sido capaz de fazer.

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 A frase que mais ouvi depois do programa é que quem tinha saído fora da caixa tinha sido eu - e não posso nega-lo. A minha relação com a universidade mudou assim como a minha relação com os meus colegas - que deixaram de ser só caras e passaram a ser pessoas, a ter qualidades e defeitos, para além de estigmas e rótulos que atribuímos inevitavelmente às pessoas antes de as conhecermos devidamente. Fiz amigos e criei conexões, que foi algo que nunca tinha feito - e que a vida, no fundo, me obrigou a aprender. E tive experiências que não esperava - não esperava nunca sair em reportagem, falar com as pessoas, interagir com elas. Não esperava ter de idealizar um cenário, ter o stresse de não ter quase um convidado em estúdio. Na verdade, nem sequer esperava ter sido tão feliz como fui, uma vez que os relatos dos anos anteriores eram de zangas, brigas e chatices, mais do que outra coisa qualquer. Mas, pelo contrário, o Fora da Caixa deu-me tudo o que era previsto e muito, muito, muito mais.

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Digo-o, sem pudores, que foram dos 3 meses mais felizes da minha vida - também por terem sido vividos depois de um meio ano particularmente difícil para mim e para a minha família. Eu tenho muitos defeitos na minha lista para apontar - e sei que o meu constante estado pessimista, de não aproveitar tudo o que a vida me dá e a sorte que tenho é um deles. Mas, por outro lado, tenho a capacidade de perceber os momentos em que estou feliz e de os aproveitar ao máximo; de lhes tirar todo o sumo, até à última gota, até só ficar mesmo a casquinha. E foi isso que fiz. Dei tudo de mim, até à última gota de suor, a última lágrima, o último grito de irritação ou de vitória e o máximo dos minutos do meu dia, até cair todos os dias redonda de cansaço na cama.

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Não sei se foi isso que fez deste um dos melhores programas que CC já viu (e não, não vou ser modesta em algo que tenho a certeza), mas tenho a consciência tranquila relativamente ao meu trabalho. Ainda hoje há quem me fale do programa, que me dê os parabéns. Fiquei espantada quando há uns tempos, numa reunião pré-estágio, um professor veio ter comigo e me perguntou o que estava ali a fazer. Eu olhei para ele de soslaio, como quem diz "queria que estivesse onde?!" e ele, percebendo o meu olhar confuso, disse: "achei que estivesse em multimédia". Eu achei aquilo estranho, porque tinha a certeza que nunca tinha partilhado com nenhum professor a minha antiga ideia de ir para engenharia informática - só daí é poderia vir a ideia que enveredaria por um ramo que não assessoria. Perguntei porquê e ele respondeu, para meu espanto, que achava que a minha posição de realizadora no Fora da Caixa me tivesse feito perceber que tinha um dom. E sim, ele disse a palavra "dom". E eu fiquei abanada, sem sequer conseguir ouvir bem a conversa que se seguiu, sobre o facto de se precisarem de pessoas no cinema em Portugal e etc. Fiquei orgulhosa, não posso esconder.

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Agora restam-me as saudades - e, acreditem, tenho muitas. Agora que a faculdade está definitivamente a ficar para trás das costas, esta é a única altura de que sinto saudades e que sei que voltava atrás mal me dessem essa oportunidade. Só tenho pena que uma faculdade destas não promova mais atividades deste género e que não incentive (ou permita) os alunos a continuarem este tipo de coisas, como era a nossa vontade. Por mim ainda hoje ali estava, a fazer um programinha uma vez por mês e a alimentar o bichinho que nasceu em mim no que diz respeito à realização. Acreditem que nunca mais vi programas de televisão da mesma forma.

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Hoje, quando assisto aos novos programas de CC dos novos alunos de segundo ano, quase que consigo sentir a adrenalina deles. E, claro, o que mais sinto é saudade. Vivia tudo de novo. As alegrias, as tristezas, os fracassos, as zangas, as amizades, as conquistas, os dramas, a descoberta, o stress, a pressão, o trabalho. Tudo. 

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Mas o tempo não volta atrás e restam-me as memórias. As fotografias que partilho em cima (e muitas outras que tenho guardadas algures nos arquivos do computador) e os vídeos, do programa e do making of. Termino apenas com uma confissão: mesmo passado um ano, nunca vi o programa na íntegra. De cada vez que ligo o vídeo, a minha mente avança para as milhares de memórias que tenho em relação a isto. Lembro-me do que se estava a passar na régie, do que dizia, do stresse - e quando olho outra vez para o ecrã, os minutos tornaram a passar sem eu dar conta e sem eu ouvir - de novo! - o que estava a ser dito.

É demasiado para um coração que, mesmo passado um ano, ainda não aguenta tanta emoção. Há experiências maiores que nós próprios e esta é uma delas. 

 

 

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