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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

14
Set23

Chávena de Letras: "O que procuras está na biblioteca"

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Confesso que não consigo perceber a classificação média de 4 estrelas a este livro no Goodreads. Atenção: o livro não é péssimo. Seria óptimo se fosse para crianças ou pré-adolescestes. Sendo para adultos, acho-o com uma linguagem extremamente básica, com estruturas frásicas dignas de primeiro ciclo e com lições de moral simples. São frases e parágrafos curtos, ideias básicas, onde há pouco por onde puxar da concentração ou pelo vocabulário - não sei até que ponto a tradução do japonês poderá ter culpa, mas a verdade é que achei um livro superficial em todos os níveis.

Tratam-se de cinco short-stories cuja premissa é sempre a mesma: alguém, num determinado contexto, precisa de ajuda - e, de uma forma ou de outra, acabam na biblioteca municipal, nas mãos da bibliotecária e sua assistente, que de uma forma quase milagrosa lhes dão a conhecer livros que lhes abrem horizontes e permitem uma mudança de vida ou mentalidade. A ideia é gira, mas repetitiva - não era necessário que, em todos os contos, fossem sempre mencionadas as características físicas das personagens ou a descrição dos espaços. O local principal de todas as narrativas assim como as suas personagens são comuns a todas as histórias, sendo que alguns dos sujeitos principais das histórias se ligam de uns contos para os outros, o que é giro, mas não é suficiente.

A capa é muito gira e a ideia de se passar no Japão atraiu-me (quero sempre voltar aos sítios onde fui feliz), mas as expectativas não foram correspondidas.

03
Set23

Voltar ao sítio onde temos de estar

Vamos entrar na 36ª semana do ano - aquela que, para muitos de nós, dá o pontapé de saída o início real de um novo ano. Isso quer dizer que já lá vão 35 segundas-feiras ultrapassadas - cerca de 30 delas em esforço pleno. Podia dizer-se que a de amanhã será a mais dura de todas, tendo em conta que as últimas três semanas foram de férias, mas a verdade é que acho que não. São todas difíceis. Foram todas difíceis, este ano. 

Se eu fechar os olhos e pensar a curto prazo, sinto que o meu cérebro me leva para o dia de Natal do ano passado. E, numa perninha, passamos para o dia de hoje - nove meses passados num ápice, num daqueles paradoxos de tempo, falácias de memória e erros de percepção que nos acontecem tipicamente nos momentos muito bons ou muito maus, em que os dias parecem não passar enquanto os estamos a viver, mas quando fazemos deles passado parecem ter andado em modo fast-forward ao ponto de quase não nos lembrarmos de nada para além do inicio e da meta.

Fui à fábrica na passada sexta-feira ultimar um par de coisas antes do regresso oficial e o "baque" que senti foi grande. Uma das coisas que não nos contam sobre a indústria é que há sempre alguma coisa que não está bem - coisas muito graves que exigem mudanças imediatas porque estão de alguma forma a criar entraves no processo, coisas graves que pomos na lista de afazeres a curto-prazo e todas as outras, onde incorporamos o espírito de "vai-se fazendo". Isto agudiza-se quando herdamos uma empresa velha em infraestruturas, em cultura e recursos-humanos: o "vai-se fazendo" cresce em nós, porque não há outra maneira de fazer as coisas. Porque não há dinheiro para pôr tudo direito de uma só vez, porque não podemos correr o risco de fazer mudanças tão bruscas que assustem as pessoas que trabalham naqueles postos há décadas, porque as formas de estar e de trabalhar talvez nunca venham a mudar. 

Quando entrei nos salões vi lixo, que sei que já lá estava antes, mas cujo os meus olhos já se tinham habituado até há pouco menos de um mês; senti o cheiro a óleo que para mim é normalmente tão natural como o odor ao shampô que ponho no cabelo; vi coisas desarrumadas, desalinhamentos desnecessários - tudo pormenores que, ainda há dias, me tinham passado despercebidos porque a visão já está viciada e a alma cansada de tentar alterar coisas cuja inércia é, aparentemente, maior do que a minha força da mudança.

Acho que a paciência e a resiliência são, talvez, as ferramentas mais úteis e preciosas no meu trabalho - mas estas são também características de alto desgaste, principalmente quando os tempos são duros de se viver, como foi esta primeira metade do ano. Este é o meu quinto ano à frente da fábrica e eu já conheço esta sensação de início de Setembro: um misto de tristeza pelo fim das férias mas de pujança para fazer as coisas acontecerem, mudar o que tem de ser mudado, como quem vai meter a primeira mudança depois de uns dias sem ter de fazer trabalho de embraiagem. Mas o que a experiência me conta é que, infelizmente, há qualquer coisa no caminho (normalmente logo nos primeiros quilómetros) que nos faz imediatamente abrandar e todos aqueles planos iniciais caem por terra. As próximas duas semanas já me darão, certamente, água pela barba: aguardam-me sessões de esclarecimento com todos os funcionários, uma auditoria e dois dias de feira. E depois? Depois só queria sossego e normalidade.

A questão é que eu não sei se sossego e normalidade são sinónimos ou, no mínimo, coabitantes nesta vida que eu escolhi. Será que sou só eu que estou eternamente à espera de períodos mais sossegados na minha vida, que acabam por nunca acontecer? Estou cheia de planos para esses dias: nessa altura vou finalmente arrumar as peças soltas de uma das urdideiras, vou finalmente organizar o escritório contíguo ao meu que foi acidentalmente transformado em sala de arrumos, vou finalmente enumerar todas as chaves que me faltam; vou finalmente colar o relógio partido que tenho aqui em casa, vou finalmente elaborar o álbum de fotos sobre o verão passado, vou finalmente pôr todos os emails em dia. Aguardo o dia em que não tenha coisas urgentes para tratar para poder pôr estes "finalmentes" em prática - mas o dia nunca chega, pois não?

Eu gostava que chegasse. E, como tal, é esse o meu desejo para este novo recomeço. Nesta altura do ano as contas já estão quase todas feitas e não vale a pena gastarmos os nossos desejos em esperanças infundadas. Já sei que não vale a pena pedir um ano de trabalho bem sucedido, calmo ou extraordinário - porque não será. Daqui a uns meses, quando estivermos a fechar mais um Natal, a análise a fazer será expectavelmente de que este foi um ano de superação e de sobrevivência - mais um, neste meu percurso de industrial. Como extra, gostava apenas que fosse um ano de "finalmentes". Finalmente arrumei aquilo! Finalmente fui ao cinema! Finalmente fiz o álbum! Caraças, finalmente respirei enquanto trabalhava. Que bom que isso deve ser.

Um bom regresso para todos. Há que voltar ao sítio onde temos de estar.

 

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