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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

28
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #17

Estacionário, DIY e compras do AliExpress

Os convites foram a única coisa, ao nível de estacionário, que mandamos fazer fora. Mais uma vez, foi através do site casamentos.pt que descobrimos a Diferente e, em pleno confinamento, não tivemos grande solução senão tratar de tudo por email. A verdade é que foi tudo tão ou mais simples do que se tivessemos ido lá, muito graças ao site bem trabalhado que eles têm e às respostas rápidas, práticas e esclarecedoras do Pedro. O processo foi muito simples: depois de darmos uma vista de olhos no vasto catálogo online que têm disponível, escolhemos o estilo de convite que queríamos, propusemos algumas alterações e escrevemos o texto à nossa medida. Uns dias depois tínhamos um protótipo em casa. Depois de dado o ok, foi esperar cerca de duas semanas e chegou-nos uma caixa cheia de convites, prontos a distribuir pela família e amigos.

Foi através dos convites que demos o pontapé de saída para a temática do nosso casamento: campestre, verde e com traços entre o clássico e o moderno. O design original do convite já tinha folhas de oliveira, que quisemos manter, pois para além do lado estético, têm um simbolismo bonito (glória, abundância, paz); mandamos fazer um sinete com as nossas iniciais, para fechar o convite - era algo que queria muito, pois lembra-me o meu pai, de ser pequena e de ele derreter cera para que eu pudesse "pisar" uma carta com um sinete que tínhamos lá em casa. Para além do texto habitual do convite (mais visual e moderno que os tradicionais), acrescentamos um poema na parte de trás, que a minha mãe me ajudou a escolher. Fernando Pessoa, claro está. Foi um detalhe que poucos repararam - a tal história dos pormenores de que falei - mas que, para mim, foi importante.

Gostei muito do resultado final dos convites e ainda hoje adoro olhar para eles. Há muita gente que agora dispensa os convites em formato físico, pois são um gasto extra, não acrescentam nada (para além de espaço na gaveta) e é uma opção mais ecológica. Mas, no nosso caso, não era muito exequível; a idade média dos convidados era acima dos 50 anos, não temos o email da maioria (e muitos deles não terão sequer email), e por isso teríamos de pedir contactos, pré-anunciar o casamento e em alguns casos não passaria disso, porque há muita gente ainda distante de tecnologias. Se é algo que as pessoas guardam e só vêem uma vez por década? É. Mas é uma memória, e não há coisa que eu preze mais na vida.

Não foram baratos (50 convites custaram cerca de 300 euros, incluindo o sinete personalizado que mandamos fazer) - mas compensamos o investimento em tudo aquilo que depois fizemos dentro de portas. Foi importante para termos uma inspiração, algo em que nos pudéssemos basear e seguir. 

 

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Em relação ao table sitting, aproveitámos uma ideia da própria quinta para apresentar a distribuição dos convidados pelas mesas. Correu bem porque que, na verdade, não podia ser mais de acordo com o nosso tema: trata-se de uma oliveira em que são presos cordéis, onde depois são colocados os cartões das diferentes mesas. Não tenho nenhuma foto global do aspeto da oliveira no meu dia de casamento, mas mostro abaixo o efeito, num outro casamento.

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(foto: casamentos.pt)

 

 

Como de costume, não quis ser simples e dar números às mesas. Foram meses a pensar nisto e, pelo menos, outro mês a executar. Queríamos que até as coisas mais básicas tivessem significado e a nossa ideia foi utilizar as mesas e os menus para nos dar a conhecer, assim como a nossa história de amor (afinal de contas não era por isso que estávamos todos lá?); tanto eu como o Miguel somos pessoas reservadas, que não partilham muito sobre a sua vida íntima/amorosa, e por isso a maioria dos convidados não fazia ideia de como nos tínhamos conhecido ou apaixonado. Eram 14 mesas - cada uma com o nome de um capítulo da nossa vida a dois. Mas fomos além do nome: cada convidado encontrou, por detrás da sua ementa, uma das 14 histórias que escrevemos sobre a nossa história de amor. No fundo, 14 capítulos da narrativa que culminava naquele dia tão especial.

 

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Tentamos que as pessoas reparassem e percebessem esta ideia através de uma plaquinha de madeira que colocamos no fundo da tal oliveira. Porque para além de nos darmos a conhecer, tínhamos também a intenção de quebrar o gelo que eventualmente pudesse existir em mesas com pessoas que não se conhecessem tão bem, levando-as a trocar e comentar as histórias que iam lendo. Escusado será dizer que não resultou muito bem; na placa ninguém reparou e as histórias, modéstia aparte, também não tiveram o devido destaque. Tivemos o cuidado de as distribuir de forma a que não se repetissem em nenhuma mesa; no entanto, para ler toda a narrativa, era necessário falar com outras mesas e fazer trocas.

Apesar de achar que a adesão não foi a melhor, foi muito bom ver que, enquanto se esperava pela comida, havia pessoas a ler aquilo que, com tanto carinho, escrevemos e preparamos - e houve quem de facto se esforçasse para ler todas! Foi dos detalhes mais morosos de todo o casamento, mas dos que nos deu mais gozo. Primeiro porque fez com que revivessemos todos os momentos mais importantes da nossa jornada juntos e segundo porque, claro, é a minha praia! Adoro escrever! Foi um dos segredos do casamento que guardamos até ao último minuto - ninguém sabia, à excepção do meu pai - e é das coisas que mais me orgulho no meio de toda a organização e sei que é um pormenor que gritava "Carolina!" e que foi pensado com muito amor.

 

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A distribuição da comida na ementa foi uma private joke que poucos entenderam, pois estava distribuída com "princípio", "meio" e "sim!" - uma alusão a esta rúbrica aqui no blog. 

 

(podem clicar nas fotos de forma a ler as histórias - duas das catorze que escrevemos)

 

E porque aqui os louros são merecidos, reforçar que foi tudo feito por nós: desde o design e a conceção dos menus (parece fácil, mas só descobrir aqueles clips do topo foi o cabo dos trabalhos!), até ao corte e "clipagem". Fizemos vários protótipos, tentamos várias modalidades, imagens, papéis... e acabou por ser este o resultado final. Comprei o papel kraft (o mais escuro) e outra cartolina mais clara na Craftelier, assim como um furador-mini e os brads (os clips). Imprimimos em casa dos meus pais e cortamos tudo com uma espécie de guilhotina da Tiger que tinha parada há anos. Os tronquinhos que seguravam o nome das mesas foram comprados no AliExpress (uma das várias compras que lá fiz, algo que falarei mais abaixo).

 

Acima já vos mostrei uma das plaquinhas de madeira que distribuímos pela quinta: apesar de todas terem um vertente decorativa, algumas tinham um objetivo ou mensagem concreta que queríamos passar. Ainda procurei fornecedores para fazer isto, mas uma placa simples a dizer "bem-vindo", com os nossos nomes, custa facilmente mais de 60 euros. Por isso, mais uma vez, foi um trabalho de DIY que fizemos em conjunto e que nos deu demasiado trabalho para o feedback que teve - mas que compensou por ter ficado exatamente como sonhámos. Comprei uma placa de dois metros por 50cm no Leroy Merlin (por 16 euros!) que mandei cortar com as medidas que queria. Em casa, depois de uma breve lixadela, demos-lhe com uma espécie de tinta que as escureceu e lhes deu um ar mais rústico. Depois veio a parte pior: escrever os dizeres das placas (que queríamos que fossem giros e não meramente indicativos), fazer o seu design, cortar o vinil (o Miguel trabalha na área e por isso temos essa facilidade) e colá-lo na madeira (que foi um inferno, porque não nos lembramos que cola e madeira com verniz não combinam muito bem). 

Acabamos por fazer seis placas: uma de boas-vindas, outra com a cronologia do dia, uma para colocar junto ao livro de assinaturas, outra na árvore do table sitting, uma com a hashtag do casamento e ainda outra junto aos leques que colocamos à disposição dos convidados, também para servir como souvenir. Se eram todas necessárias? Não. Mas tínhamos madeira de sobra e, mal por mal, decidimos aproveitar. A placa de boas-vindas e a cronologia foram as que tiveram mais impacto (também eram as maiores), mas eu gosto muito da estrofe que fizemos para colocar na oliveira. 

 

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Sobre os cavaletes: a quinta tinha um, nós levamos outro, que a minha mãe utiliza para fazer as suas pinturas

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O livro de assinaturas também mandamos vir do AliExpress. Ficou muito giro mas teve pouquíssima adesão, por isso ainda bem que não foi algo em que gastámos demasiado dinheiro.

O AliExpress, para além de ser a fonte de inúmeras ideias e inspirações, foi na verdade um dos nossos maiores parceiros. Foi lá que comprei a primeira coisa para o casamento - o tal leque para oferecer aos convidados. A ideia era boa, mas para além de não ter estado muito calor, a data que mandei gravar estava errada (culpa minha, porque me precipitei e comprei os ditos antes de ter marcado o casamento, ficando assim marcada a data que inicialmente queríamos e não aquela que efetivamente acabou por ser). Mas não foi por isso que deixamos de os dar, explicando depois aos mais atentos aquilo que se tinha passado.

 

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Também foi do AliExpress que mandei fazer a caixinha de transporte das alianças, assim como os cones para as pétalas - tudo personalizado com o nosso nome e data de casamento. As opções são infinitas e muito baratas comparadas com as opções que aqui existem, por isso acho que compensa muito pensar nestas coisas pequeninas com tempo e mandar vir de lá. Se não correr bem, o investimento também não é grande.

 

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As caixas que usamos para colocar os cones de pétalas foram as mesmas que, mais tarde, serviram para colocar as suculentas para oferecer. Algumas das pétalas foram fornecidas pela Verónica; outras foram aproveitadas dos ramos que a minha mãe havia recebido no seu aniversário, duas semanas antes do meu casamento. Viva a reciclagem e reutilização!

Com este post termino a parte chata (mas eventualmente útil) que diz respeito às compras, aos fornecedores e a tudo o que se tem de pensar/aquirir/fazer para um casamento "normal" tomar forma. A organização em si está toda aqui. Alguma dúvida, já sabem que a caixa dos comentários é a serventia da casa ;) 

15
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #16

Decoração da sala, flores, bouquet e souvenirs

Agora que já atravessamos os tópicos mais "macro" do casamento - aquelas coisas que têm mesmo de se tratar, que se são exaustivas e por vezes chatas - passemos à parte facultativa e, para mim, mais divertida. Falemos do que é mutável, personalizável e eventualmente memorável. Já disse aqui - muitas vezes? - que tinha um medo atroz que o meu casamento fosse igual a todos os outros e queria muito fazer (e ser) diferente naquilo que conseguisse, de forma a deixar o meu (nosso, meu e do Miguel) cunho. O meu desejo era que um convidado olhasse para trás e tivesse meia-dúzia de memórias daquele dia, que retivesse algo porque notou a diferença.

E se por um lado fizemos coisas à grande (ainda não contei, mas contarei em breve), por outro tivemos muito cuidado com todos os pormenores. Também já o referi aqui, mas repito - acredito profundamente que são os pormenores que fazem a diferença. São eles que tornam o todo melhor, mesmo que não sejam notados na sua individualidade; as coisas pequenas têm essa dinâmica infeliz, de serem notadas apenas quando falham e não quando estão presentes, mas faz parte. E embora muitas pessoas não tenham reparado em metade, nós reparamos e fizemo-lo com gosto e com propósito.

 

A decoração da sala é das primeiras coisas que se decide, assim como a disposição primária das mesas e do local do DJ. Passa-se depois para a decoração das mesas. As quintas funcionam, na sua generalidade, por packs; normalmente existem três: um mais básico, outro de gama média e outro de gama alta. Aquilo que difere entre eles é normalmente a quantidade (e qualidade) do álcool envolvido, o número de buffets e sua diversidade, e alguns extras como fogo de artifício, champanhe à entrada, etc. A decoração, à semelhança de muitos outros serviços que as quintas oferecem, funciona por acrescento; independentemente do pack que se escolha, trabalha-se sempre com base no serviço de loiças/talheres mais básico que existe (que é branco, branco e... branco). Querem diferente? Pagam. Querem um copito com cor? Pagam. Um talher dourado? Pagam. Uma toalha azul em vez de branca? Pagam. São as regras do jogo.

A primeira coisa que fizemos - e que para nós era imperativa - foi mudar as cadeiras. Nos últimos meses vi muitas, muitas, muitas fotos de casamentos - e segundo um estudo feito por mim (cujo rigor não consigo garantir, mas não têm outra hipótese senão confiar), 80% das quintas de todo o mundo têm exatamente as mesmas cadeiras (podem ver aqui). Como é que isto é possível? Não sei. Mas aquele fornecedor deve ter feito bom dinheiro. Azar dos azares, nós detestamo-las - e por isso o nosso maior investimento ao nível da decoração foi noutro tipo de cadeiras (as desta foto), mais amadeiradas e rústicas, tal como o tema do casamento. Acrescentamos também um marcador de palhota, um guardanapo e um copo verde, para não ter tudo um tom deslavado. As mesas dos convidados eram redondas, com atoalhados cor de linho (pack básico); a mesa dos noivos, onde nos sentamos nós e os nossos pais, era de madeira, com um arranjo floral suspenso, muito bonito, que acho honestamente que foi dinheiro bem gasto. O centro floral das mesas era adornado por um cubo, pelo qual também tivemos de pagar (e, bem... era dispensável, admito).

As flores foram providenciadas pela quinta, sendo que só vi os arranjos no próprio dia. Disse apenas aquilo que queria - eucaliptos, gipsofilas, astromélias e tudo o que fosse na mesma onda - e, no dia, era esperar que gostasse. A ideia era que predominassem os verdes, com os pequenos apontamentos de branco, o que foi cumprido. Não queria rosas e algumas apareceram lá pelo meio - mas, confesso, foi para o lado que dormi melhor. Na verdade só vi os arranjos com "olhos de ver" no dia seguinte ao casamento, quando fui deixar uma série de coisas que  tínhamos deixado na quinta.

 

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Cubos no centro de mesa, com arranjos florais

 

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Suspenso da mesa dos noivos (infelizmente não tenho uma foto do conjunto mesa-suspenso)

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Disposição da mesa e decoração

 

Havia apontamentos florais também nas cadeiras a caminho do altar e optamos por ter um semi-arco de folhas antes das cadeiras (algo parecido com isto), que serviu à posteriori para tirar as típicas fotos de pose. Não tenho nenhuma foto onde ele se veja claramente e, honestamente, acho que não fez muita diferença (espero estar enganada, uma vez que custou um dinheiro razoável). 

Mas não podia falar em flores sem falar das mais importates de todas: as do bouquet! Os ramos das noivas fazem parte daquela lista absurda de coisas comuns que normalmente são baratas mas que, como é para casamento, passam a custar os olhos da cara. Nunca esteve no meu plano ir a uma florista e dizer que ia casar; ia pedir um ramo normal, com as características que queria, e depois estilizava-o da forma que desejasse, caso fosse necessário. Na altura até andei a ver ramos na internet, para não ter de enganar ninguém (nem me roubarem a mim), mas entretanto falou-se da florista da minha sogra, que se disponibilizou a fazer o trabalho. Trabalho esse que eu não podia recomendar mais - por ser criativo, dedicado e feito à minha medida; por ser um negócio local, que todos devemos ajudar. 

Dei à Verónica, da BelaDona, a ideia daquilo que queria e uma série de fotos para servirem de inspiração. Tendo em conta que o casamento seria todo em tons de castanho e verde, queria dar no bouquet um apontamento de cor. Mas, mais importante, queria muito que fosse feito com flores secas, de forma a que o ramo aguentasse uma vida sem se estragar. Passado uns tempos passei na sua loja, no Castêlo da Maia, onde tinha um monte de flores diferentes para escolher. Depois foi só deixá-la fazer a sua arte. 

Mandei fazer o meu bouquet, um outro muito semelhante para atirar (que acabou por não acontecer), dois pequenos raminhos para colocar nas campas dos meus avós e um apontamento para o fato do Miguel. O que restou das flores foi para o bolo, que ficou com uma decoração única e que "casava" com o meu ramo. Daí ainda sobraram alguns raminhos de cada espécie, com os quais fiz - já depois do casamento - pequenos ramos para oferecer às mulheres que me acompanharam nesta jornada: mãe, irmã, cunhada, sogra e meninas das alianças. O principal, o meu bouquet, mora hoje no nosso quarto - comprei uma jarra de propósito para ele e é a peça que me lembra diariamente que aquele dia aconteceu.

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O bouquet, ainda na florista, sem a parte do "punho", que esteve em hipótese ser em ráfia ou corda, mas que acabou por ser um fio estilo papel kraft

 

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No dia, já com o bouquet pronto

 

A Verónica ficou ainda responsável por fazer os nossos souvenirs. Não queríamos dar nada que fosse para uma gaveta e nunca mais ser visto, que é o que acontece com a maioria das lembranças de casamento. Vimos várias alternativas, pensamos num íman para o frigorífico, máscaras... mas a ideia que ganhou foi mesmo a primeira: suculentas. É algo que (à partida) não vai para o lixo nem se guarda numa gaveta e que, não tendo utilidade prática, será sempre algo decorativo e que serve a maioria dos gostos (até porque havia variedade para escolha). Para além disso, no universo das plantas, faz parte daquela lista que não exige grandes cuidados ou atenção, tendo uma maior hipótese de sobrevivência mesmo em casas que não tenham este hábito. Ainda por cima seguia o nosso tema: rústico, verde e floral. Melhor era impossível! :)

Não consigo dar valores de referência do serviço de florista, pois todas estas peças não foram pagas por nós. No entanto, sei seguramente que não foi nenhum balúrdio - e que o meu bouquet terá custado muito menos do que os absurdos 150, 200 ou 250 euros que muitas vezes pedem para este tipo de arranjos. Por isso o conselho é o mesmo que o dos cabeleireiros: procurem, perguntem, arranjem referências e conselhos de pessoas amigas, não menosprezando pequenos negócios como este que, no meu caso, fizeram tod a diferença.

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Ainda na florista, o primeiro exemplar das nossas suculentas, envolvidas em ráfia e com um pequeno laço verde à frente. Havia ainda um detalhe em papel kraft com os nossos nomes - o design foi feito por mim e mandei imprimir as rodelas na 360 imprimir.

 

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O setting do bolo (decorado com as flores do bouquet), onde estava também o nosso livro de assinaturas e as suculentas. As caixas de madeira onde elas estavam e onde as distribuímos já eram minhas - umas utilizadas na arrumação de fotos, outras em produtos de beleza - e utilizei-as no dia para não ter de comprar outras para o efeito. O rústico, mais uma vez, presente.

 

No post seguinte falo de tudo o que é estacionário e outros detalhes - a maioria deles feitos por nós.

08
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #15

A música, o DJ e uma série de decisões complicadas

O entretenimento foi a parte do casamento que nos trouxe mais dúvidas desde o início. Não somos pessoas de festas, pelo que não conhecemos DJ's ou músicos nem sabemos aquilo que resulta num ambiente festivo (a questão de fazer o baile durante a tarde, por exemplo, assombrou-nos durante imenso tempo e fez com que adiássemos a programação do dia até à última da hora). O facto de termos ido a poucos casamentos também não abonou a nosso favor, pelo que tivemos de seguir o nosso instinto.

Uma das coisas más em organizar um casamento em seis meses é a urgência que se tem em arranjar fornecedores. A minha prioridade após ter a quinta, como já disse aqui, foi o fotógrafo. O vestido de noiva e o entretenimento vinham a seguir. Mas, na música, estávamos a navegar na maionese - sendo que, ainda por cima, não é algo que consigamos avaliar num vídeo ou muito menos em fotografias; é o tipo de coisa que se experencia e se aprecia (ou não) e que nem os comentários de outras pessoas ajudam muito, pois depende do estilo e gostos de cada um. Tínhamos poucas referências de nomes e zero referências de preços, pelo que optamos por um pack oferecido pela equipa de fotógrafos, que está neste momento a lançar esse serviço. 

Olhando para trás penso que foi o maior erro que cometemos, ao nível do casamento. Não que o serviço do DJ tenha sido mau: mas porque pagamos mais do que tinha sido necessário (à posteriori soubemos de outros preços e conseguimos comparar) e porque, na verdade, usufruímos muito pouco, tendo em conta que o nosso casamento acabou cedo e teve muito pouco baile. E a verdade é que a própria vibe do DJ também não coincidia com a nossa, o que acabou por fazer com que, ao final da noite, a música resvalasse para onda muito mais rock/house que não era, de todo!, do nosso agrado. No entanto, no meio de tanta coisa a decidir, acho que "errar" num só ponto do casamento não é tão grave assim.

Em relação à música a nossa abordagem foi simples: fizemos uma playlist de canções que gostávamos para o DJ ter uma ideia dos nossos gostos, assim como uma lista das músicas dos momentos-chave. Também dissemos aquilo que não queríamos: era proibída Beyoncé, Jerusalema, tudo o que é pimba, kuduro e outros estilos parecidos (a dança do quadrado também estava nas exclusões).

Tirando a parte inicial - em que o DJ não pôs a versão da música que eu queria para caminhar até ao altar, e eu fiquei POSSESSA - e a parte final, mais arockalhada, a perceção que eu tenho (porque, confesso, a minha atenção raramente se dirigia para a música de fundo) é que o DJ fez um bom trabalho quando estava em livre demanda. A verdade é que não havia muito por onde errar, uma vez que era só passar música; prescindimos de toda a parte de entretenimento que normalmente está a cargo dos DJ's: não houve jogos, desafios, cantorias nem sequer lançamento de bouquet.

A escolha das músicas dos momentos-chave (que deixo abaixo) foi dos processos mais chatos e demorados, até porque eu e o Miguel não temos gostos iguais. Passei semanas a pensar na forma como ia entrar no altar. Acabei por fazer uma short-list e escolhemos os dois em conjunto, e o critério foi simples - a emoção. Na música escolhida, e a imaginar o momento, começamos logo os dois a chorar como madalenas, por isso a decisão ficou tomada mesmo antes de a termos racionalizado. O mesmo não aconteceu com as outras, e acabou por ser tudo escolhido à última da hora - ou era, ou era! - mas no final acho que resultou tudo muito bem e fiquei feliz com a escolha de todas elas. Gostava de ter utilizado uma música do Jamie Cullum e outra do Twilight neste mix de músicas importantes, mas acabou por não acontecer e está tudo bem ;)

Mas a música não ficou por aí - e estamos apaziguados com esta questão porque, apesar de acharmos que não fizemos grande negócio com o DJ, temos a certeza que acertamos em cheio quando decidimos ter música ao vivo. Esta hipótese esteve muito tempo em cima da mesa (o meu irmão era o maior entusiasta desta ideia) mas, com o DJ contratado,  não sabíamos onde encaixar mais um momento musical. Mas encontramos "O" grupo e mexemos várias vezes no programa até encontrar aquela que foi a fórmula ideal para o nosso casamento e proporcionar aquele que, para mim, foi o seu momento mais alto.

Tivemos uma sorte descomunal por o Trio Simple Sound ter a data disponível - porque se não fossem eles, provavelmente a música ao vivo ficava descartada. Eles refletiam tudo aquilo que queríamos para o nosso dia: uma vibe muito chill, descontraída, divertida mas sem ser excessiva. Gostamos logo imenso do Ricardo na primeira reunião, numa identificação perfeita de valores e de ideais, e soubemos que no dia tudo ia correr bem. E correu. O trio interpretou perfeitamente o público que tinha à frente, e ia-os "alimentando" sempre com mais música (e até discos pedidos!), fazendo com que o pessoal dançasse coisas que, à partida, não são assim tão dançáveis. E desconstruiu uma ideia de que tinha muito medo: "será que resulta o baile à tarde?". Resulta! Mais do que isso: à tarde e ao ar livre, que foi só ouro sobre azul. Acho que é só querer, escolher bem os músicos e, acima de tudo, fazer parte do movimento. Tenho uma pena enorme de só ter assistido a metade do concerto (na outra parte estávamos a aproveitar o pôr-do-sol para tirar as típicas fotografias), porque sei que foi a parte do casamento com a qual mais me identifiquei. Foi aquele o casamento com que sonhei. Quando voltei já tinham acabado - mas toda a gente queria mais. Contratava-os de novo, num piscar de olhos, para um casamento ou qualquer outra festa. Gostei mesmo muito. 

De fora ficou a ideia de fazer um quizz depois do almoço. Na altura  fiquei triste por não conseguir avançar com algo que achava ser original, mas no dia fiquei aliviada, pois os tempos descambaram e teria sido (ainda mais) difícil de gerir tudo o que ainda havia para acontecer. Por outro lado, acho que as pessoas não vão para um casamento para fazer um trivia; a maioria das pessoas gosta de comer, beber e conversar - e a atividade de pensar muito, num dia que supostamente deve ser descontraído, não está nos seus planos. Eu sempre vi um casamento como uma festa - e festa, para mim, inclui jogos de tabuleiro e boas conversas - mas, na verdade, um casório é visto como uma coisa diferente, com tradições distintas, que não se coadunam com muitas das ideias que tinha para mim e para esse dia. Podia fazê-las - mas sei que a adesão não seria a ideal, e que o meu entusiasmo não seria refletido nos outros. E, mais uma vez, entra aqui um mantra típico, verdadeiro mas doloroso, que é: o casamento é nosso, mas a festa é dos outros. 

Ainda assim, diria que o balanço a nível de entretenimento foi positivo.

 

Para memória futura, a lista das músicas que acompanharam os momentos-chave do casamento:

Entrada do Noivo: Marcha Imperial, do Star Wars

Entrada da Noiva: Never Enough, The Greatest Showman (devia ter sido a versão original mas a que se ouviu foi outra, infelizmente)

Saída do Altar: I Want to Hold Your Hand, Beatles

Brinde: Give a Little Bit, Supertramp

Entrada na sala: Crazy Little Thing Called Love, Queen

Corte do Bolo: Ain't No Mountain High Enough, Marvin Gaye e Tammi Terrell

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