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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

13
Nov19

Nara, um mimo em forma de cidade

Quando me perguntam aquilo que mais gostei no Japão eu não sei responder. Mas sei aquilo que mais me surpreendeu. Chama-se Nara. Se eu já conhecia, nem que fosse por alto, os nomes de Tóquio, Quioto e Osaka, o mesmo não se passava com aquela que é tida como a primeira capital do Japão. E digo, com toda a certeza, que vale a pena conhecer - ainda por cima basta um pequeno desvio (cerca de 45 minutos) de Quioto para lá chegar, o que é óptimo!

 

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Com muito sono e de mochilas (muito cheias) às costas, prontos para apanhar o comboio que liga Quioto a Nara

 

Nara é um mimo em forma de cidade. Quer dizer... Pelo menos a parte que eu vi. A passagem por lá ocupou-nos pouco mais de uma manhã, mas não saímos do centro histórico - que, ainda que muito turístico, é muito "respirável" e agradável. Tivemos a sorte de ir num dia de sol, algo essencial para um passeio por lá, que se faz quase todo ar livre. E que agradável que é! Tem tudo aquilo que eu gosto: espaços verdes, lugares históricos e grandiosos, lojinhas de souvenirs e de gelados, paz se a procurarmos e... bambis. Tem bambis aos magotes! São pequenos veados por todo o lado, a fazer vénias em troca de bolachas e a posar para fotos como ninguém. É só maravilhoso. A interação com estes animais e a forma como eles já se habituaram à presença humana, usando sabiamente a sua fofice para receberem comida, é coisa para fazer o dia de alguém. A mim não só me fez o dia como a viagem inteira. Teria ficado o dia todo a tirar-lhes fotos e a comprar bolachas para os engordar (há vendedores de rua específicos para estas bolachinhas, cujo pacote custa cerca de euro e meio).

 

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Um dos meus novos amigos

 

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Já davamos abracinhos e tudo! (Ele na verdade estava só a cheirar o meu bolso, que tinha bolachas...)

 

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O verde reina no Parque de Nara

 

Desde a saída do comboio até aos monumentos, as distâncias são todas relativamente curtas - pouco mais de um quilómetro, se tanto, entre elas. Por isso começamos pelo primeiro que nos apareceu, o Kofukuji Temple - que na verdade é um complexo deles. Contempla, entre outras coisas, o Central Golden Hall (cuja entrada é paga), o Kofukuji Pagoda (a segunda maior pagoda do Japão) e o Southern Octagonal Hall - tudo construções muito bonitas, que ganham ainda mais vida pela envolvência verde do parque e a animação dos bambis a passearem-se por todo o lado. Mas, olhando para trás, não teria gasto dinheiro na entrada no Golden Hall (que, no seu interior, tem um buda e uma série de figuras de bronze - nada de estrondoso) e aproveitado para entrar no Todaji Temple, o mais grandioso e famoso templo em Nara (onde passamos depois mas que decidimos não pagar para entrar).

 

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Central Golden Hall no Kofukuji Temple. Esta é a primeira foto que tiramos em grupo durante a viagem. Um conjunto de rapazes espanhóis e franceses pediu-nos uma foto e nós, como cobrança, pedimos outra ;)

 

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Kofukuji Pagoda. Foi construída em 730 e restaurada mais recentemente em 1426 e é a segunda maior pagoda do Japão, com 5 andares!

 

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Em frente ao Southern Octagonal Hall 

 

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Um outro ponto de vista do Golden Hall

 

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O Southern Octagonal Hall visto a partir do recinto fechado do Golden Hall

 

Mas não foi só à conta dos bambis e da beleza da cidade que Nara ficou cravada no meu coração. Houve um episódio particularmente especial, passado em frente ao portão do Todaji, que acho que tão cedo não vou esquecer.

As visitas de estudo são, aparentemente, muito comuns no Japão. Não havia local histórico que visitassemos que não tivesse montes de miúdos com chapéus amarelos, ora organizados em fila indiana, ora de livros na mão a tirar apontamentos enquanto ouviam o professor. Em Nara deambulavam por lá centenas de meninos e meninas, em pequenos grupos, e enquanto tirava fotografias apercebi-me que estavam a abordar os turistas de forma a treinar o seu inglês. Usei os meus ouvidos de tísica para ouvir a conversa alheia (eu sei que é feio, mas não resisti!) e comentei com os meus companheiros de viagem o quão incrível era aquela iniciativa. Até que percebi que nós próprios estávamos na mira de uns pequenos estudantes que, depois de muito hesitarem (e de nós fazermos cara de gente simpática) vieram ter connosco. "Hello, can we talk to you?", perguntou uma das meninas a medo, sendo ainda assim, e claramente, a mais aventureira de todas. Perguntaram-nos o nosso nome e de onde vínhamos, enquanto liam atentamente aquilo que estava escrito nos seus cadernos e tiravam apontamentos com as nossas respostas. Quando nos disseram de onde eram, questionando-nos se conhecíamos o sítio (a resposta era óbvia...), abriram um mapa do Japão e apontaram para o local, provando que tinham a lição bem estudada. Na folha seguinte tinham um mapa mundo - e nós fizemos questão de mostrar onde era o nosso cantinho à beira-mar plantado. No fim, um último pedido: "can we take a photo with you?". A resposta era óbvia, a condição era só uma: que nós também pudéssemos tirar uma como recordação. E assim foi. 

Achei a delicadeza e a educação com que nos abordaram absolutamente maravilhosa. E passei a admirar ainda mais os japoneses, por perceberem os seus próprios pontos fracos e trabalharem-nos desde cedo. A socialização e a capacidade de comunicar é claramente um problema para este povo - e aliar uma visita de estudo (que é sempre uma coisa "fixe") a uma tarefa que os obriga a lidar com pessoas totalmente desconhecidas e ainda falar uma língua estrangeira é só genial.

 

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O portão principal que dá acesso ao Todaji.

 

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O Nandaimon Gate é outro dos portões que dá acesso ao Todaji.

 

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Ei-lo: Todaji Temple, onde não entramos, e que era claramente o local com mais afluência de turistas. Foi construído em 752 e era, até há bem pouco tempo, a maior construção do mundo em madeira. Este templo tem, no seu interior, uma das maiores estátuas de Buda de todo o Japão, feito em bronze, com 15 metros de altura.

 

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A foto para mais tarde recordar, com o grupo de crianças japonesas que nos "entrevistou".

 

No topo da colina, em Nara, encontramos o Nigatsudo Hall, que dá acesso a umas vistas privilegiadas da cidade. É aqui que acontece um do eventos mais populares do Japão: o Omizutori, uma série de rituais budistas (dos mais antigos do Japão), que tomam lugar no início de Março. São, no fundo, rituais com fogo e água, feitos pelos monges, maioritariamente dando uso a tochas gigantes - que fazem deste um autêntico espetáculo visual. A altura em que é festejado, a água, o fogo, as tochas e tudo o resto têm os seus simbolismos próprios, mas de uma forma geral o objetivo é apagar os pecados do ano que passou. É claro que não nos foi possível assistir a isto, mas fica a informação para um próxima visita (cof cof).

 

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Nigatsudo Hall

 

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Nigatsudo Hall

 

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A vista no topo da varanda do Nigatsudo Hall

 

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Detalhes do Nigatsudo Hall

 

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Detalhes do Nigatsudo Hall

 

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Um sino gigante que encontramos no caminho para o Nigatsudo Hall

 

E Nara foi isto - e foi muito! Agora que pesquisei mais a fundo sobre os locais que visitei, percebi que ficou ainda outro tanto por ver - e que a própria cidade, para além daquilo que circunda o parque, também pode ser uma visita interessante. Houve alguns templos que ficaram de fora e um ou dois locais de potencial interesse por onde não passamos... mas o tempo não esticava e Osaka esperava por nós. 

Até lá... só mais umas fotos com os bambis.

 

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10
Nov19

Quioto, onde mora a história do Japão

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Eu, millenial de gema, achava que Quioto só era conhecida pelo tratado. Acho que a ideia que nos está implantada desde pequenos sobre esta cidade é precisamente essa, uma série de assinaturas com o nome de uma cidade com uma data de medidas (infrutíferas) para prevenir a emissão em excesso de gases de efeito de estufa. Mas não. Descobri que o Japão é um daqueles casos em que a capital acaba por ser preterida, no que diz respeito à preferência dos turistas, por outra cidade qualquer. Como acontece com Brasília, no Brasil. Com Berna, na Suíça. Ou com Camberra, na Austrália. 

Apesar de Tóquio ser gigantesco e ter tudo para agradar a qualquer tipo de turista, foi em Quioto que vi mais enchentes, tours e excursões. A ideia de que a história antiga está toda ali deve atrair a maior parte dos estrangeiros. Quioto foi a capital do Japão até há relativamente pouco tempo (século XIX) e, como ficou fora do mapa da bomba atómica (que era suposto ter atingido a cidade mas que foi movida para Nagasaki à "ultima da hora"), acabou por conseguir conservar muitas das coisas antigas e mais tradicionalistas da nação nipónica. Mas a verdade é esta: quase tudo são templos. E ou se é um grande entusiasta e conhecedor deste tipo de monumentos ou, a certa altura, tudo nos parece igual. 

É por isso que dissociar esta cidade dos imensos templos que tem (colocando-os num post à parte) é uma estratégica "editorial" algo arriscada - mas é mais uma tentativa de tornar isto menos pesado e extenso. Percebo que em termos de roteiro possa confundir um pouco as coisas, mas talvez juntando-os a todos consiga provar o meu ponto: de que não vale a pena visitar tudo, tudo, tudo o que é templo. É essencial escolher.

Mas voltemos ao passeio. O nosso roteiro por Quioto era extenso e exaustivo, até porque implicava acordar muito cedo num dos dias. Mas, de uma forma natural, acabamos por ir aligeirando o plano, porque deixamos de ter vontade de visitar as dezenas de templos que tínhamos em mente visitar. Percebemos que era demais e que já não estávamos a enriquecer com isso. E em parte senti-me desiludida com a cidade por causa dessa vertente meio monótona, em que as coisas são efetivamente diferentes mas nos parecem todas iguais. Ou o roteiro é mesmo muito dinâmico e inclui coisas diferentes, ou Quioto acaba por se tornar chato. Foi um pouco o que aconteceu connosco. E, para mim, revelou-se na cidade (das que visitamos) que mais me desiludiu. O facto de ter sido a cidade onde pior comemos também não ajudou, assim como a falta de algum contexto histórico que por ventura podia ter enriquecido a nossa estadia.

A ideia de antiquidade de Quioto, quando comparada com Tóquio, é de facto realista. Isso nota-se nas estruturas, nas ruas, nos edifícios. Há muito ruído visual, proporcionado pelas centenas de linhas de eletricidade que se prolongam e cruzam pelas ruas fora. E tudo isto confere uma certa aura de desorganização e até de alguma ruralidade à cidade. As casas são mais largas e espaçosas, não se vendo grandes construções em altura, e não são aqueles cubículos com os metros quadrados contados como se vê na capital. 

O nosso primeiro ponto de paragem foi o Nishiki Market - uma rua gigantesca, com lojas de ambos os lados. Comida, souvernirs, roupa - havia de tudo. E, como todos os mercados, tinha uma magia especial. Eu, pelo menos, gosto muito deste tipo de espaços; de perceber o que é típico, de interagir com as pessoas que fazem daquilo vida. Ao fim do mercado há um templo, o Nishiki Tenmangu Shrine, que também visitamos. 

 

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No Nishiki Market

 

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Em frente ao Nishiki Tenmangu Shrine

 

A caminho de um outro templo (eu não disse que eram só templos?), passamos pela Torre de Quioto. Está longe, muito longe, de ter a beleza da Tokyo Tower, mas é um ponto de passagem considerado obrigatório.

 

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Ao chegar ao Kyo-o-gokoku-ji, conhecido por To-ji (outro templo), deparamo-nos com um conjunto de pessoas a fazer uma festa rija ao lado de uma espécie de andor. Não sei o que festejavam, mas muitos deles estavam (com a ajuda do álcool) contentes e felizes - de tal forma que um posou para a foto, com o seu traje tradicional, porque não é todos os dias que um ocidental se enfia no meio de uma festa de japoneses.

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Jackie Chan, és tu?

 

A parte mais bonita de Quioto é, infelizmente, aquela de que mais dificilmente conseguimos desfrutar. Gion é o bairro mais conhecido da cidade, popularizado pelas gueixas e por um complexo de templos gigantesco (o mais conhecido é o Kiyomizu-dera), mas que se tornou altamente turístico e, por isso, acabou por perder um pouco da sua beleza. Até porque é difícil circular, parar no meio da multidão ou ver com tempo e espaço o que quer que seja. Temos de fazer um grande esforço de abstração para conseguir saborear as vistas devidamente. Porque, de facto, merecem que paremos e apreciemos tudo aquilo. 

 

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Se vi alguma gueixa verdadeira, contam-se pelos dedos das mãos. Mas turistas (especialmente mulheres) vestidas desta forma tradicional, principalmente em Gion, era aos magotes. E depois aconteciam contrastes destes: a tradição junta-se à atualidade; um padrão típico faz par com uma mochila adidas e... adeus magia!

 

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Gion e as suas ruas movimentadas

 

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A entrada para o Jishu-jinja, um dos templos na área de Gion

 

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Os leques são um dos souvenirs mais populares no Japão - mas são longe de ser os mais baratos.

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Um grupo de gueixas (falsas?) aproveita a paragem para tirar umas fotos de grupo. Gosto muitíssimo desta foto.

Os trilhos de Gion merecem bem ser percorridos, pelo menos até encontrarmos um cantinho que não seja assim tão movimentado. Nós fomos andando sempre até encontrarmos um dos ex-libris de Quioto, a Yasaka Pagoda, que figura na maioria das fotos que nos aparecem quando pesquisamos algo sobre o Japão. Confirma-se que é bonita e que a envolvência do bairro, com todas as casinhas de madeira, lhe dá uma mística especial. Principalmente de noite, ou ao entardecer, hora a que passamos por lá.

Antes disso ainda fizemos uma paragem estratégica para um cafézinho no único Starbucks do mundo em tatami, o chão tradicional japonês, feito de um tipo de tecido de palha entrelaçada. Não é nada do outro mundo: é um Starbucks em que o pessoal toma café descalço (quando se tem lugar), com pernas à chinês e rabo no chão. Se é diferente? É. Tão diferente que têm mesmo de ir? Não. Mas é um bom sítio para uma paragem, um café quente (que não é muito fácil de encontrar por aquelas bandas) e um bocadinho de descanso.

 

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As ruas de Gion

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O detalhe do cabelo de uma suposta gueixa, algures pelo bairro de Gion.

 

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Vista para Quioto

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Yasaka Pagoda

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Yasaka Pagoda

 

O segundo dia em Quioto começou muito, muito cedo - aí pelas 5h da manhã. A razão? As multidões. Ou, neste caso, para fugir delas naquela que foi, talvez, a minha parte preferida da cidade: a floresta de bambus. Eram 7h30 quando chegamos e já havia gente a passear-se por lá (ir ainda mais cedo não é, portanto, algo de todo descabido). Ainda assim conseguimos desfrutar do espaço sem muito barulho e sem muita gente - o que, mais do que ser essencial para boas fotos, é imprescindível para saborearmos bem aquele momento. Como àquela hora o sol ainda estava fraquinho, a luz entrava suavemente por entre as imensas canas do bambu, conferindo a todo aquele espaço uma aura especial e muito bonita.

Não esperem uma coisa gigante, um caminho infinito; as imagens, em particular neste sítio, enganam. E a sensação que fica é que aquilo deveria ser maior, para podermos absorver aquela energia boa; uma espécie de labirinto por entre os bambus era um sonho para mim. A floresta é constituída apenas por um caminho relativamente estreito, portanto não dá para sentar, parar ou até respirar sossegado durante muito tempo. Por muito que tentemos acabamos por ficar sempre na fotografia de alguém ou a interromper o caminho, pelo que acaba por ser algo que obrigatoriamente se vê de passagem, em movimento - e é tão bonito que passa num fósforo. Queria mais. Muito mais! Mas, ainda assim, este foi o lugar em Quioto que ocupou um lugar mais especial no meu coração.

 

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Para além da floresta de bambu, toda a envolvência de Arashiyama (aquela zona) é bonita. A saída da floresta leva-nos ao Parque Kameyama, com uma bela vista à beira rio, e a uma das pontes mais conhecidas da zona, a Togetsu-do. É bom sítio para fazer devagarinho, enquanto os minutos passam - especialmente se tiverem ido cedo à floresta e estejam a fazer tempo para visitar outros locais. Se na altura soubesse - e aproveitando o belo tempo que estava nesse dia - tinha levado uma pequena merenda na mochila e feito um mini-picnic à beira daqueles barquinhos. Fica a dica!

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Parque Kameyama, à beira rio, e os seus típicos barquinhos de madeira

 

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A zona de Arashiyama 

Por meio de visitas a templos e mais templos, que fomos intercalando tanto devido a uma boa gestão de tempo e de trajetos como para desenjoar, ainda fomos a outros dois locais conhecidos: a floresta de kimonos (que não acho que mereça uma paragem propositada, só se estiverem a caminho) e ao Passeio dos Filósofos - mais uma caminhada à beira rio, repleta de banquinhos, e onde se pode fazer a travessia de um lado ao outro das margens saltitando entre as pedras lá estrategicamente colocadas.

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Floresta de Kimonos

 

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Passeio dos Filósofos

O fim do segundo dia ainda deu tempo para visitar dois locais de peso: o Palácio Imperial e o Castelo de Niju. Nós estávamos claramente com azar no que aos palácios dizia respeito: mais uma vez não conseguimos visitar, pois estava fechado. E, no caso de não se poder entrar (pelo que sei a visita é curta e gratuita), não acho que valha a pena passar por lá; é apenas um conjunto de paredes e de pórticos (semelhantes a tantos que se vêem em templos e edifícios históricos) envoltos num grande jardim que não tem nada de imperdível.

Já no que diz respeito ao Castelo de Niju também foi por uma unha negra que conseguimos entrar - mas ainda bem que conseguimos! Sobre isto é importante dizer que a maior parte dos monumentos encerra muito cedo - entre as 16h e as 17h - o que também obriga a um bom planeamento de tudo aquilo que se visita. Se a memória não me falha também este castelo estava a meio gás, com obras e um circuito para os turistas bem definido e nada flexível. Mas é um local que merece a visita, até porque é diferente de tudo o que vimos até ali. O ex-libris do Castelo é o Ninomaru Palace, onde é permitida a entrada (ainda que paga), algo que não é assim tão comum. Enormes corredores com o chão forrado a tatami circundam as salas enormes que faziam daquele sítio a casa e o escritório de uma das pessoas mais importantes do Japão há alguns séculos - o Shogon, o general que comandava o exército e que era diretamente nomeado pelo imperador. As descrições sobre as divisões são mesmo muito breves, sendo que o enfoque ia mais para as pinturas que forravam as paredes do interior palácio do que propriamente das salas em si, o que me deixou com pena. Diria que este é um dos locais que merece a presença de um guia para percebermos melhor a forma como funcionava antigamente e um pouco sobre a sua história, assim como de quem lá viveu. E, já agora, responder a algumas questões bastante pertinentes: como é que um castelo não tem muralhas?! Fiquei com vontade de saber mais. (Do interior do palácio não tenho fotos, pois era proibido).

 

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Palácio Imperial

 

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Castelo de Niju

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Entrada Castelo de Nijo

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Castelo de Nijo. Estes pórticos altamente trabalhados são uma das atrações principais.

 

O pior dos dias que começam cedo é que tendem, também, a terminar cedo. Os muitos quilómetros que percorríamos e o tempo húmido não ajudavam à resistência nem ao cansaço acumulado, pelo que o nosso último dia em Quioto terminou a jantar cedo e a desfrutar do conforto de um banho quente e das nossas camas. O dia seguinte seria longo e de mochila às costas - mas valeria totalmente a pena. Rumo a Nara!

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