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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

05
Mar19

Os sete tipos de pessoas nos estádios de futebol

No sábado voltei ao Dragão para fazer uma coisa que já queria há muito: ver um clássico. É claro que não me saiu como planeado porque queria ver o Porto ganhar, mas a vida é mesmo assim, nem tudo corre como gostaríamos. Neste aspeto evoluí para uma postura que faz de mim uma pessoa muito mais feliz: fico muito contente quando ganhamos, mas estou-me mais ao menos nas tintas se perdermos. Antigamente ficava irritada, frustrada e triste quando saímos derrotados, sentia alguma amargura em relação às pessoas dos outros clubes, irritava-me com posts no facebook a gozar com tudo e todos. Isto até há uns anos, em que passei uma fase em que me desliguei do futebol. Hoje em dia já voltei a vibrar mas numa onda muito mais razoável, saudável e cheia de fair-play. No fundo, cresci. O que não consigo perceber é como é que há pessoas maiores e vacinadas que só conseguem ver para um lado, que insultam e que apedrejam, tudo em nome de um clube. Não me revejo nesse tipo de comportamentos, atitudes e forma de estar perante o futebol.

Por isto tudo é-me completamente indiferente todos os comentários que me deixaram naquele dia, depois de ter partilhado uma foto no estádio nas minhas redes sociais - "foste no dia errado", "saíste foi de mãos a abanar" e outras coisas do género. Todos os dias são certos para fazermos algo que gostamos e para apoiar a nossa equipa do coração; e nunca se sai de mãos a abanar de uma experiência que envolve uma massa humana de 50 mil pessoas que se juntam em torno de um gosto comum. Se preferia que o Porto tivesse ganho? Óbvio. Se isso me tirou sono à noite? Oh, meus amigos!

Para provar que se retira sempre algo de bom das experiências, mesmo quando o nosso ego sai ferido do estádio, decidi fazer uma compilação dos tipos de pessoas que assistem a jogos no estádio. A verdade é que ver um jogo num estádio é muito mais do que ver um jogo - porque, aliás, se vê muito melhor em casa, com as repetições e os ângulos todos, para não deixar dúvidas. Mas estar ali é sentir a vibração das pessoas, é sentir que o nosso grito pode dar força aos jogadores para marcarem golo, é sentir que a nossa paixão é partilhada na mesma intensidade com outras tantas pessoas e que fazemos parte de algo. Mas a verdade é que cada um se expressa de diferentes formas. Ora vejamos alguns dos tipos de espetadores que se podem encontrar num estádio num estádio:

 

Os treinadores de bancada. todos conhecemos alguém assim. "Põe o Marega a jogar à direita!", "achas normal aquele manco estar no onze?", "substitui o Oliver!" e outras coisas que tais são algumas das deixas que saem da boca deste estilo de pessoas. É gente que está prontinha a substituir o Sérgio Conceição (ou qualquer outro treinador). Como aprenderam tudo isto? Na melhor universidade possível: a da vida. Não há como enganar.

 

Os insultadores. Por vezes os treinadores de bancada são também insultadores, mas nem todos os insultadores são treinadores de bancada. Este tipo de pessoas tem um vasto vocabulário ao nível do vernáculo e muitos conhecimentos sobre a classe animal. Consideram-se nesta categoria todos aqueles que passam o jogo a gesticular com os braços e a fazer ginástica com os dedos, principalmente o dedo médio. O arbitro é normalmente a maior vítima.

 

As chaminés. Todos os jogos de futebol são situações de stress. Mas um clássico é o stress completo. É difícil ir a um jogo de futebol e não sair de lá com a roupa empestada de fumo devido às pessoas que não largam o cigarro durante os 90 minutos. Mais do que os treinadores de bancada e os insultadores (que por vezes dão um espetáculo dentro do espetáculo), este é o tipo de pessoa que mais me incomoda.

 

Os bichos carpinteiros. Outra forma de aliviar o stress acumulado. Coçam a cabeça, as costas, os braços. Sentam-se de 1023 formas diferentes. Esperneiam, bracejam, levantam-se. Roem as unhas, mexem as pernas como quem tivesse bebido 30 cafés. Azar é das pessoas quem ficam atrás dos bichos carpinteiros, que têm de andar de um lado para o outro (o oposto do deles) para conseguir ver alguma coisa do jogo.

 

Os pensativos. O estilo mais calmo. Talvez calmo demais. Vêem o jogo como quem vê um filme do Manoel da Oliveira - sem stress, sem ânimo, sem vida. Só estão, impávidos e serenos, quase amorfos. E quando é golo só dão um sorrisinho matreiro, mantendo-se sentados enquanto toda a gente à volta salta de alegria, pensando em relação aos jogadores: "não fazem mais que a vossa obrigação, pá".

 

Os radiofónicos. De modo a contornar a grande dificuldade do futebol ao vivo (não saber quem chuta a bola, quem marca golo, quem fez a falta), os radiofónicos são aquela malta prevenida que ouve o relato enquanto assiste ao jogo. Normalmente são homens, espécie a quem o multitasking não assiste, por isso mantêm-se caladinhos e concentrados durante o decorrer do jogo, sem grandes conversas - porque ou se ouve o relato ou se está na treta com o vizinho do lado. As duas coisas é que não, que o tico e o teco não dão para tanto. 

 

Os distraídos. "O quê, foi golo?", é o expoente máximo que dirige a maioria destas pessoas. É compreensível: a envolvência do estádio é coisa para distrair qualquer alma e, por vezes, o olhar vai para o sítio errado na hora H. Ou, aliás, na hora G, de golo. Acontece ao melhores. Derivado disto há todo um outro rol de distrações estilo "mas quem fez falta?", "quem apanhou cartão amarelo?" ou "quem foi o banana que deixou a bola sair de campo?".

 

Por aí, com que estilo é que vocês se revêem?

 

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