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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

31
Dez18

A palavra do meu ano

Este é capaz de ser o ano mais fácil de caracterizar de sempre. Uma palavra reinou: mudança. 

Despedi-me do trabalho no jornal, comecei a trabalhar com o meu pai, voltei à faculdade, iniciei (e deixei) a arte de dar aulas de piano, viajei sozinha, perdi grande parte dos meus hábitos de escrita. Foi todo um mundo novo para mim - e quem me conhece sabe perfeitamente que coisas novas não me deixam muito confortável.

Foi também um ano de coragem. Eu não estava feliz no meu antigo local de trabalho mas, quando decidi que ia enveredar nos negócios de família, sabia que tudo ia piorar - pelo menos nos primeiros tempos. Não é fácil trabalhar com família. Não é fácil ser indispensável num trabalho e ser inútil noutro. Não é fácil ser a filha do patrão. Não é fácil lidar com a expectativa - as nossas e as dos outros. Não é fácil ouvir e estar calada, sob o mote de não termos qualquer tipo de experiência. Não é fácil não ter uma rotina definida. Não é fácil impor-me. Não é fácil. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Mas eu quero muito acreditar que vai valer a pena e que tudo isto faz parte de um processo de dor e sacrifício indispensáveis para que algo maior possa acontecer a médio prazo. 

Tudo o que aconteceu foi, em parte, o impor da minha personalidade ao mundo - mais do que em qualquer discussão ou ato de rebeldia que algum dia possa ter tido. O ir, o fazer, o aceitar, o desafiar-me foi quase uma forma de bater o pé e dizer que eu consigo, mesmo que os outros achem que não.

Ir para os Açores sozinha foi a coisa mais maravilhosa que fiz este ano, a memória mais preciosa que guardo destes últimos 365 dias - foi tudo aquilo que queria, que precisava e que sonhava. Foi o sabor a liberdade mais puro que encontrei na vida. E que bom foi perceber que eu me aguento e sou feliz comigo mesma!

Aceitar dar aulas de piano, em particular a crianças, foi das coisas mais malucas que fiz - e, mais tarde, desistir foi duro. Percebi que apesar de adorar piano e gostar de ensinar adultos, estar com os mais novos não é algo para o qual tenha nascido - e embora sempre tenha dito isso, enfrentar essa realidade, todos esses pensamentos e as minhas próprias reações foi doloroso. 

Ouvi muitas vezes, este ano, coisas como "não te imaginava a fazer isso". Não me imaginavam a dar aulas a miúdos. Não me imaginavam a tirar um curso de gestão. Não me imaginavam com coragem para ir sozinha para outro local passar férias. Não me imaginavam com vontade de ir para o chão de fábrica, de sujar as mãos, de descer dos escritórios para a linha de trabalho. 

Pois que 2018 foi só o início. Sei que 2019 não trará menos desafios. Sei que será, igualmente, o sinónimo de muitas vezes ter de me pôr fora da minha zona de conforto. Sei que será duro, mas também sei que tenho todas as minhas flechas apontadas para o meu novo papel e que as coisas vão acontecer. Melhor ou pior, mais rápido ou de forma mais lenta, mais fácil ou dificilmente. Tudo o que peço é saúde para poder enfrentar tudo isso e alguma estabilidade. A coragem também vai dar jeito. O resto arranja-se.

 

Bom ano, meus queridos leitores. Espero escrever-vos mais no ano que se aproxima.

 

Autoretrato_Agosto18 (9).JPG

30
Dez18

Em 2018 eu...

- Mudei de vida, despedi-me e agarrei no desafio de embarcar nas empresas da família;

- Voltei à universidade;

- Viajei sozinha pela primeira vez - o destino foi os Açores, e foi uma paixão que será eterna;

- Fui ao Brasil, à Áustria, à Eslováquia, à Hungria e à República Checa;

- Fui muito de força contra o vidro de uma janela;

- Voltei a ouvir o Salvador Sobral ao vivo - mas não pus os pés em nenhum festival;

- Estive ao lado da Molly o dia todo, enquanto esperei que nascessem os seus 8 bebés lindos;

- Fiz repas e adorei;

- Comprei um piano de cauda;

- Visitei Palmela, Serra da Arrábida, Sesimbra, Setúbal, Óbidos e Caldas da Rainha;

- Perdi-me no Gerês e fui praticamente ameaçada por uma daquelas vacas gigantes que lá andam;

- Fiz férias no Algarve - as piores dos últimos anos - e acampei em Oleiros;

- Fui a Baião comer um anho incrível com o pessoal do piano;

- Também foi com eles que fui ver o Yann Tiersen;

- Perdi o meu último avô;

- Comecei a dar aulas de piano;

- Deixei cair o meu telemóvel na sanita e estive mais de uma semana desligada dos eletrónicos;

- Decidi abandonar a Apple e comprar um Xiaomi;

- Comecei a usar óculos;

- Escrevi pouco e li ainda menos;

- No último terço do ano consegui retomar as minhas idas ao cinema;

- Ri-me imenso à custa da telenovela do Bruno de Carvalho;

- Fiz três Escape Rooms - só não saí de um;

- Comecei a fazer pó de imersão nas unhas;

- Vi a Casa de Papel e Narcos; continuei a ver a Anatomia de Grey, This is Us e The Good Doctor;

- Ri-me a bandeiras despregadas com o Casados à Primeira Vista;

- Vi mais um familiar nascer no meu dia de anos;

- Organizei todas as fotos dos meus avôs paternos e aprendi muito sobre a sua história;

- Só comi um pão com chouriço e não fui às festas da cidade;

- Fui à terra onde nasceu o meu avô e até conheci uma prima;

- Fui duas vezes ver a Avenida Q;

- Inscrevi-me num concurso de escrita criativa.

 

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16
Dez18

Caixa d'óculos

Já há alguns anos que sabia que via mal. Quando entrei na faculdade tínhamos de fazer umas provas, incluindo à visão, que deram - à primeira vistoria - uns resultados trágicos de apenas 70% de visão no olho direito. É lógico que eu não estava assim tão cegueta e aquele teste foi feito às três pancadas. Fui mesmo ao oftalmologista que me disse que, apesar de ver pior do tal olho, não era razão para alarme e que, caso não tivesse efeitos secundários, o uso de óculos era dispensável.

Passaram-se cinco anos desde essa altura. A primeira lembrança deste meu mal veio numa aula de piano. Estava no último teclado da sala e, para olhar para uma pauta projetada no quadro, fechava os olhos mais do que qualquer asiático. "Precisas de óculos, mulher!", gozou a professora. Pouco tempo depois comecei o meu curso executivo. Na fila do meio, os powerpoints liam-se com alguma dificuldade, mas tudo o que era escrito no quadro - principalmente a vermelho e a verde - passava-me ao lado. E as legendas do Netflix, mais pequeninas que o normal? Nos dias de maior cansaço, era um esforço extra. E aí eu soube que tinha chegado a altura. 

Durante este processo lembrei-me muitas vezes de uma história que vivi com a minha irmã. Certa vez, no Algarve, ao esquecer-se das suas lentes e tendo lá em casa umas compradas por uma das minhas primas - com mais dioptrias que ela -, decidiu experimentar. E, naquele momento, parece que entrou num mundo novo. "Eu vejo pó!", dizia ela, espantadíssima. Eu não cheguei a esse ponto, mas já não me lembrava do quão nítidas podiam ser as coisas. Vivia há já algum tempo num mundo esbatido.

Adaptei-me muito bem aos meus novos amiguinhos - só as primeiras três utilizações é que me deixaram um bocadinho confusa, mas resisti - e agora são-me indispensáveis na carteira, e muito mais em qualquer situação de aula. Não os uso sempre - só quando preciso ou conduzo à noite -, mas infelizmente apercebo-me que estou a ver gradualmente pior quando estou sem eles. Pelos vistos é normal, para mal dos meus pecados.

Cá em casa dizem que pareço uma professora. Eu ainda não sei se gosto ou não, mas não lhes ofereço qualquer resistência - sinto-me cegueta e um bocadinho incapaz quando não consigo ler coisas que antigamente via. Portanto é isto. Oficialmente caixa d'óculos.

 

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05
Dez18

A minha árvore de Natal

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Este ano antecipei-me na montagem da árvore de Natal: nem sequer esperei pelo fim-de-semana de 1 de Dezembro, o clássico para inaugurar as decorações natalícias. Sinto que é muito trabalho para tão pouco tempo de "exposição" - e a verdade é que todos os anos me esqueço do quão grande é a árvore, de como sinto que acabei de fazer um treino de pernas depois de a ter montado e do quão bonita ela é, independentemente de como a decoramos. Nota-se muito que o Natal é a minha festividade favorita?

Este ano, para além do dourado, decidimos dar-lhe um toque de vermelho. A minha mãe não adorou - diz que parece demasiado uma árvore de shopping -, já eu gostei muito. É mais impactante do que nos outros anos mas, mesmo assim, adoro-a. Para além disso inovamos um bocadinho: depois de passar um ano a ver árvores de natal alheias, achei boa ideia pôr algumas flores (falsas) na árvore, para lhe dar um bocadinho de cor e dinâmica, para além das típicas bolas-luzes-cordões. 

Quando fui ao Leroy Merlin comprar algumas coisas deparei-me com uma árvore igual, a metade do preço que eu tinha comprado há dois anos - fiquei fula! Aliás, as árvores grandes devem estar na moda: havia uma enorme - perto dos quatro metros -, linda, com um preço assustador de quatro dígitos, mas que enchia o olho a qualquer um. Eu, ainda assim, fico com o prémio de consolação: quando comprei a minha e fiz uma ampla exploração no mercado por uma árvore com mais de dois metros, havia muito pouca oferta. Comprei o que havia e era uma mentira se dissesse que não a adoro de paixão. Fui uma pioneira . De qualquer das formas, se com esta já tenho de ir ao último andar do meu escadote para colocar as decorações, com outra ainda maior tinha obrigatoriamente de comprar uns andaimes - talvez não seja por isso uma óptima ideia.

Posto isto, vou deixar-me de paleio. Aí ficam as fotos e o vídeo da montagem do meu pinheir'inho - um clássico aqui no blog. Que comecem as festividades!

 

 

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