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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

20
Mar18

23! Hoje é dia de comer bolo e ter uma boa desculpa para isso!

Carolina

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Hoje faço 23 anos.

Como costuma acontecer sempre que festejo o meu aniversário (calha sempre neste dia, coisa estranha!), andava a pesquisar uma imagem para assinalar esta data - que, embora não seja a minha favorita, é sempre algo a festejar. Lá pelo meio, encontrei uma postal um bocado feio que dizia "23: Stay patient and trust your journey". E eu, que nem sequer sei se acredito em coincidências ou destinos, pensei: caraças, é isto! 

Acho que os 23 vão ser diferentes e vão marcar uma viragem na minha vida. Tenho esperança que seja um dos anos em que mais me dedico a mim mesma, antes de me atirar de cabeça (e alma e coração) a projetos que me vão ocupar por inteiro.

Que me tragam força, paciência, perseverança e fé em mim própria, nas minhas decisões e no meu próprio caminho - e que tudo isso comece já hoje, por favor!

Que não seja só mais um. 

Que seja um ano do carago.

19
Mar18

Um post sobre o último post

Carolina

Este post é sobre o último post. Se não leram, vão ler.

Se não reconhecem aquele estilo de escrita, eu apresento-vos: é de uma Carolina antiga, enterrada algures em mim. Era de uma miúda mais emocional, menos racional; mais misteriosa, menos aberta. Era assim que eu escrevia há uns anos atrás - ou, pelo menos, era assim que eu via a minha escrita "antiga". Olho para aquele post e penso "porra, que texto bonito". Mas também sei que só a mim - e talvez a mais meia-dúzia - é que possa dizer algo.

Não tenho escrito aqui, porque não tenho conseguido pensar em grande coisa por entre o caos que vai na minha cabeça. Mas aquele texto veio das profundezas do meu ser; veio de todas as Carolinas que fui guardando ao longo dos anos, talvez da miúda mais sincera que há em mim. Talvez por isso se pareça aos textos que escrevia quando era mais nova.

Acho que sempre fui naturalmente assim, mas fui crescendo para ser cada dia mais racional. Vi este espaço como uma forma de treinar a minha escrita e partilhar todo o tipo de coisas e, a partir de uma certa altura, achei que não fazia sentido continuar com misteriosismos, metáforas, comparações ou coisas meio em código que ninguém percebia (embora achassem esteticamente bonito e até fizessem um esforço quase heroico para perceber) - porque a verdade é que eu não consigo (nem gosto de) revelar os meus sentimentos ou emoções, mas sei ser incisiva, precisa e dura em relação a tudo o que penso. Gosto de ser clara. Gosto de falar de coisas mundanas. Gosto de ser profunda - mas prefiro ser racionalmente profunda, em vez de emocionalmente profunda.

E por isso tracei uma linha sobre aquilo que partilho ou não partilho. Sei que, por isto, o meu blog perdeu uma carga emocional que, nos seus primórdios, tinha em abundância - e sei que isso é tirar uma parte integrante de mim aqui deste espaço, porque ninguém é só feito de cabeça. Talvez falte aqui coração. Mas este é um defeito transversal em mim: a minha cabeça é para quase todos, o meu coração é de quase nenhuns. Cada vez menos tenho a capacidade de me abrir dessa forma. E portanto encontrei um registo que me é confortável, um mix bem feito daquilo que sou, e que espero que alguns consigam desvendar.  

Aquele texto é uma mistura de um post racional com um post emocional. É o resultado de muitas dores de crescimento, de vários dias a pensar que "ser adulto é isto", de algumas horas duras para a alma, de sentimentos entre a solidão e a incompreensão. E apesar de ser um post "à lá antigamente", tem poucos segredos nele contidos. Quero muito contar os meus planos - aqueles que entretanto perdi -, quero muito continuar a contar-vos a jornada da minha vida, os meus altos e baixos, as minhas aventuras, os meus sucessos, os meus obstáculos. E só não os conto porque, na verdade, ainda não os conheço na totalidade, ainda não os tracei. E sim, estou a sofrer por causa disso. Não gosto do desnorte.

A verdade é que eu normalmente escrevo porque gosto. No início, comecei a escrever porque precisava. E aquele post, escrevi-o porque precisei, como antes acontecia. Porque estava sufocada. Porque enfrentar este teclado é uma das minhas formas de limpar as vias respiratórias. E, na verdade, há anos que isso não acontecia.

 

16
Mar18

A vida não espera por ti

Carolina

Nunca percebi aquela coisa dos vilões das telenovelas fazerem "planos maléficos" contra os seus inimigos - não percebo como é que isso se faz, se há algum tipo de verdade nesse sentido da palavra. Mas também nunca percebi as pessoas que não têm planos. Planos de vida, planos para o futuro. Para amanhã, para hoje, para as férias, para o verão.

Eu tenho necessidade de ter planos para tudo. Não gosto de andar à deriva. Não gosto de me perder a menos que o meu plano seja mesmo perder-me. E eu uso agendas, uso blocos, uso este blog como testemunho de todos os planos que tenho. Os objetivos que traço. As datas que determino. As coisas que quero. E gosto de ter tempo para pensar em tudo, para não dar passos em falso.

Mas no meio disto tudo, desta papelada toda, de todas as datas e planos que tenho na minha cabeça, esqueço-me que o relógio continua a andar. E que não é só o meu que anda - o dos outros também. A vida passa. E a minha vida - quer eu queira quer não - cruza-se com a de quem me rodeia. E há momentos em que os ponteiros coincidem. E pumba. A vida não espera. Não espera que eu termine os meus planos. Não espera que eu esteja preparada. Não espera que eu tenha o meu discurso pronto. Não espera que eu tenha todos os argumentos, todas as armas.

 

Tenho há algum tempo a cabeça cheia de planos. É um conjunto infinito de remendos, cosidos a ideias de há muitos anos e colados a medos. Caraças, muitos medos. E, de um momento para o outro, sinto que, como numa rajada de vento, todos eles se espalharam por mim toda. Buuuuuf. Não os agrafei, nem tive tempo para pôr clips. Confiei que nesta altura não vinham tempestades, mas foi-se tudo pelo ar. Não eram castelos de papel - mas quase. Há remendos por todo o lado; o sopro da vida tapou-me os olhos, entupiu-me as vias respiratórias. Não vejo, não respiro. Não tinha ordenado os meus planos, esqueci-me de numerar as páginas, está tudo num caos.

É hora de apanhar as folhas, arranjar os vincos, ir buscar aquela página que ficou lá atrás. E olhar para o relógio, perceber que ele não pára, mas que felizmente é fim-de-semana, e temos tempo para reorganizar. Porque, de facto, a vida não "são dois dias", mas em dois dias dá muitas voltas.

A vida não espera. A única coisa que se pode esperar da vida é que ela continua. E o nosso remédio é continuarmos com ela.

 

08
Mar18

Um fim-de-semana no centro do país

Carolina

Eu sou provavelmente a pessoa mais caseira do universo. Adoro estar em casa mas, com a crescente quantidade de trabalho e coisas extra (ginásio e piano), acabo por estar menos no meu habitat natural do que aquilo que gostaria. E apesar dos meus dias serem todos diferentes, de não ter uma rotina e de estar mais tempo fora de casa do que alguma vez estive, sinto-me numa prisão - sinto-me presa nesta vida, ando a sentir-me a sufocar nas minhas crescentes responsabilidades, nas minhas constantes pressões sobre mim própria e nos meus planos para o futuro, enquanto olho à minha volta e toda a gente da minha idade está a usufruir do "bom da vida".

Normalmente, quando estou assim, é quando tomo as decisões mais malucas ou arriscadas para mim. Ainda não saí bem desse estado e ainda não sei o que vem por aí, mas de uma coisa eu sei - ou soube, naquela altura: eu precisava de sair de casa durante um bocadinho. Não tenho possibilidade de tirar férias para já, pelo que já tinha um dos fins-de-semana que se avizinhavam como alvo. Já andava a dizer aos meus pais para irmos a algum lado, fiz uma lista de sítios bonitos em Portugal onde queria ir e estava à espera que os dias chegassem e a meteorologia ajudasse. Mas acabou por resultar mais cedo do que pensei.

Há dois fins-de-semana atrás rumamos por isso até Palmela. Porquê Palmela? Nem eu sei. Foi quase olhar para o mapa, ver uma pousada bonita e seguir viagem. Acho cada vez mais que tenho de conhecer melhor o meu país, já que conheço cada vez mais do mundo. É hipócrita andarmos por aí em aviões quando, a poucas horas de carro, temos tantas coisas incríveis para ver. Tenho especial interesse no interior do país, mas as temperaturas mais altas e o bom tempo arrastaram-nos mais para a região centro, que eu também não conhecia. Tantas vezes fui a Lisboa e nunca tinha posto um pé em Setúbal. Enfim, agora já ;)

O roteiro do fim-de-semana foi simples: Palmela, Serra da Arrábida, Sesimbra, Setúbal, Óbidos, Caldas da Rainha, Mealhada e de volta ao Porto.

 

A nossa visita por Palmela resume-se ao castelo, que ficava a um minuto do sítio onde dormíamos. Aliás, a pousada fica mesmo dentro das suas muralhas. Acho que, tal como a maioria das pousadas, não é super barata, mas é excepcionalmente bonita; os quartos são muito agradáveis e o pequeno-almoço muito bem servido para a dimensão do espaço. Não tem piscina (nesta altura também era a última coisa que queríamos) mas no verão o claustro da Pousada (que foi em tempos um convento) deve ser o sítio ideal para se ler um livro em pleno sossego.

No interior do castelo tem várias lojinhas e um restaurante, bem classificado nos sites conhecidos, mas que estava fechado quando lá fomos (assim como os restantes espaços comerciais). Há, no entanto, uma vista boa para desfrutar e uma série de recantos por entre as muralhas giros de se explorar. Antes de se subir para o castelo há também a indicação de um miradouro, onde se vê, por um lado, a cidade e por outro as serras.

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A vista da cidade

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A vista das serras

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Dentro do Castelo

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A vista do meu quarto

 

No sábado fomos imediatamente ao sítio que eu mais queria ver: Portinho da Arrábida. A minha reação combinou com aquelas águas - foi um banho de água fria. Sim, a cor da água é incrível, mas não passa muito disso. Passamos por várias praias, descemos mesmo até ao Portinho e eu só pensava "é só isto?". Não sei se parei nos lugares errados, se ia com as expectativas demasiado altas ou se tinha simplesmente uma ideia errada do que ia ver, mas nada na serra me tirou a respiração como eu esperava.

Ficamos os três um bocadinho sem graça depois daquela desilusão e deixamos de ter planos. Fomos vendo as placas e seguimos até onde as estradas nos levavam. Primeiro paramos no Castelo de Sesimbra, onde não exploramos muito, mas vimos um dos cemitérios mais curiosos onde já estive - pequeno, com uma organização muito aleatória mas mesmo junto à muralha, dentro do Castelo. Depois vimos a indicação do Cabo Espichel e decidimos seguir caminho até lá. Aquilo sim, era o que esperava. Achei o sítio lindíssimo, uma lufada de ar fresco, fez-me lembrar as praias do Adriático (ainda que à distância). 

 

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A vista do Castelo de Sesimbra

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Cemitério do Castelo junto à muralha

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Cabo Espichel 1

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Cabo Espichel 2

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Cabo Espichel 2

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Igreja no Cabo Espichel (bonita por dentro)

 

Depois disto foi uma confusão. Já eram 13h30 e queríamos almoçar. Pensamos ir a Sesimbra - sítio onde nenhum de nós havia estado mas que sabíamos ser bonito - e seguimos caminho até à marginal, onde havia muitos restaurantes. O problema é que, dado o belo dia que estava, também havia muitas pessoas, muitos carros e zero lugares para estacionar. Já em desespero de causa decidimos pôr o carro num parque coberto - e a experiência foi tão desastrosa que eu até fixei o nome do dito: Parque da Praia da Califórnia. Nunca vi nada assim. No primeiro andar não havia lugares e não havia saída, obrigando a uma inversão de marcha mal parida quando queríamos sair (isto nem devia ser permitido... em caso de incêndio fica lá tudo); a cancela do segundo andar não abria, mas não havia qualquer indicações disso; o terceiro andar era para hóspedes de um hotel; no quarto deu para estacionar mas, quando percebemos que não havia elevador, arrepiamos caminho (o meu pai não consegue fazer esse tipo de esforços) - e quando fomos obrigados a voltar a fazer inversão de marcha dentro do parque para ir embora, demos de caras com um casal escondido atrás de uma parede, que ou estava a namorar (embora a posição não o indicasse) ou estava à espera de ter os carros à sua mercê para poder "explorar". Eu, quando cheguei ao segundo andar, já estava a dizer para irmos embora - todos os meus instintos de defesa (e acreditem que tenho muitos) gritavam para que eu saísse dali para fora. Foi dos parques mais manhosos, mal iluminados e estranhos que entrei em toda a minha vida. E só descansei quando saí de lá.

Depois disso seguimos até Setúbal, onde almoçamos (e depois à noite voltamos). Provei, finalmente, o famoso choco frito! Não sei se foi daquele prato em particular, mas achei o choco muito gordo e grande, estava à espera de algo mais pequeno; também já não estou muito habituada a tanta fritura numa só refeição, mas de facto é um bom petisco. Para comer uma vez por ano, talvez ;) Também não me escapou a torta de azeitão (boa) e o doce do abade, que não me caiu tanto no goto. À noite fiquei-me pelo peixinho grelhado, que parece ser o ex-libris de Setúbal - as montras acabam por ser parecidas com as que vemos aqui em Matosinhos (e eu adoro peixe!), mas os preços são bem mais apetecíveis lá do que aqui.

Entre o pouco tempo que tivemos entre o almoço tardio e o jantar, demos uma volta pela marginal de Setúbal e, mais uma vez, fomos levados pelas placas até ao Moinho de Maré da Mourisca. Infelizmente chegamos já à hora de fecho, mas ainda conseguimos entrar e ver as mós, embora tenha sido só mesmo entrar com um pé e sair com o outro. Há um café no exterior agradável e toda a envolvente é também muito bonita, com o Sado à nossa volta (embora fosse "pouco" Sado, devido à seca). Ainda passeamos e fomos até ao observatório dos pássaros, onde não vimos grande coisa, mas que compensou pelo passeio.

 

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Setúbal

 

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Moinho de Maré da Mourisca

 

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O Sado um tanto ao quanto pantanal no Moinho de Maré da Mourisca, onde supostamente havia pássaros para observar

 

No dia seguinte rumamos a Óbidos, onde eu já queria ir há muito tempo, mas de onde passo a vida a fugir por haver todo o tipo de eventos que enchem aquilo até ao tutano. Achei que estava safa por ser início de ano e qual não é o meu espanto quando vejo cartazes sobre a festa do chocolate que começava nesse fim-de-semana. Arg! Para minha sorte não estavam multidões gulosas prontas para entrar na vila, pelo que foi tudo mais ao menos tranquilo. Não explorei aquilo como queria (estava imenso calor e nós estávamos vestidos para um dia de inverno rigoroso, estávamos com fome e os altos e baixo não são bons para o coração do meu pai), mas prometi a mim mesma voltar em breve. Acho que tudo tem a minha cara. Parece uma feira medieval constante! E, guess what... tinha pão com chouriço! E eu, como boa lontra que sou, não deixei escapar!

 

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Muito glamour enquanto comia o meu pão com chouriço. Mas não dá para esconder aquela esguelha de felicidade típica de lontra ;)

 

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Um autêntico altar dos livros, em Óbidos

 

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Óbidos

 

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Óbidos 2

 

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Óbidos 3

 

Antes de pararmos na Mealhada para almoçar, pedi só mais uma paragem: Caldas da Rainha. Estávamos perto e eu sabia que tão cedo não ia ter uma oportunidade destas. Eu sou doida por loiças e ali fica, nem mais nem menos, que a loja da Bordallo Pinheiro. Pior: tem um outlet! Ainda estivemos à espera que a loja abrisse e depois, com o carro cheio de loiça, rumamos a norte - enchemos a barriga na Mealhada e voltamos a casa. É bom passear, mas a sensação de voltar ao sítio onde realmente pertencemos enche-nos a alma. E dá-nos força para mais umas semanas na rotina-sem-rotina, que era aquilo que eu precisava.

 

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"A" loja

 

06
Mar18

Vamos pôr a conversa em dia sobre o Festival da Canção

Carolina

Este foi o primeiro ano em que vi o festival da canção. Acho que não fui caso único - muitos dos que nunca viram, começaram a ver; muitos dos que já tinham desistido, voltaram a assistir; e, pelo estilo da coisa, os que antes eram acompanhantes assíduos, agora já podem não achar graça à coisa. Digo isto porque para além de todo este fôlego que o Salvador Sobral deu ao Festival da Canção, é impossível não dar os louros à RTP, que deu uma volta de 180º ao programa. Se compararmos este novo formato com aquele em que a famosa Suzy ganhou, parecem ser duas coisas completamente diferentes - e é natural que os fãs de um não sejam precisamente os fãs do outro. Ainda que a diversidade musical continue a existir - não houve, este ano, nenhum exemplo "pimbalhão", mas podia - o antigo festival era muito mais "popularucho" e fraco, tanto em letras, como em melodias, passando por interpretes e mesmo autores.

E foram estes dois últimos factores que mudaram no formato - e que mudaram mesmo "o" formato. Diria mesmo que os autores e compositores foram a chave de tudo, mais ainda que os intérpretes. Isto porque, este ano em particular, acho que houve músicas incríveis com interpretações muito más. O problema é que as músicas têm de ser avaliadas como um todo e não se pode passar uma canção só por ela ter uma letra bonita. Para além disso, ouvindo apenas a música uma vez, aquilo que nos fica é a ideia que o intérprete nos passa (tanto vocalmente como fisicamente) - não conseguimos prestar a atenção devida à letra, nem à construção da melodia. Essa é a maior razão para muitas pessoas não terem gostado da "Amar pelos Dois" o ano passado - a figura do Salvador é estranha, com todas aquelas caretas e movimentos de mãos que muitas vezes o fazem parecer um autêntico totó. Se calhar, se a ouvissem na rádio, gostariam da música logo à partida: mas a presença do intérprete, naquele caso, pode ter sido um obstáculo.

Este ano não aconteceu o mesmo no que diz respeito à presença dos artistas, mas não tenho dúvidas de que muitas músicas foram altamente prejudicadas pela escolha do/a cantor/a. O exemplo mais óbvio é a música "Anda Estragar-me os Planos" que, para mim, tem a letra mais bonita de todas. É in-crí-vel. Mas a interpretação é feita de uma forma tão sorumbática, estranha, grave, meio monocórdica e pouco convicta que vai tudo pelo cano (a figura e a sua presença também não ajudam). A melhor forma de vermos isto é tendo um termo de comparação. Basta ouvir a interpretação da Joana Barra Vaz apresentada no festival e uma do Salvador, que ele colocou no seu facebook, e ver a diferença. Esta música, na voz dele, voltava a ganhar os prémios todos.

O mesmo acontece com a "Só Por Ela", de Peu Madureira. A letra é muito bonita, a melodia também - mas aquele estilo faduncho deu um tom pesado à música, quando ela, cantada docemente, se torna algo completamente diferente. A prova? Está aqui, no instagram da Carolina Deslandes, que a interpreta incrívelmente. Não tenho dúvidas que esta seria a música vencedora se tivesse sido ela a cantar. Sei que havia muita gente fã da música conforme ela foi apresentada, mas acho que não batia a cara com a careta. Faltava ali algo. E aquilo não era fado, mas também não era outra coisa qualquer. Era incoerente e de certa forma inconsistente. E a música, mais uma vez, não era a culpada - mas sim quem a cantou.

Mas falemos da vaca fria: a música vencedora. Estão prontos para o que eu vou dizer a seguir? De certeza? Estão bem sentadinhos? Então pronto: eu gosto da canção. Mais uma vez, não adoro a interpretação. Mas como disse, neste caso, não temos outra hipótese senão avaliar as composições como um todo - e de tudo o que nos foi apresentado na final, esta foi a que eu mais gostei. Para mim, "O Jardim" e a "Para Sorrir Não Preciso de Nada" - as que estiveram taco a taco para vencer - têm imenso em comum. Tanto a voz da Catarina Miranda como a Claúdia Pascoal são dois vidrinhos - parece que se vão partir a cada nota que atingem. Eu não sou apreciadora desta característica, nao adoro vozes frágeis e muito menos quando se posicionam lá em cima, nos agudos - e, na verdade, acho que também o público gosta de vozes mais seguras. Em ambas há a sensação de que desafinam, quando na verdade (pelos a mim, que não sou um expert) elas simplesmente tremem com a voz, porque é assim que cantam. Se isso dá um efeito estranho? Dá. Se acontece mais com a Claúdia Pascoal? Acho que sim. E acho que a Catarina Miranda terá outra imponência, tanto na voz como na presença, mas no final foi a música que contou. Nem sequer vou avaliar se a emoção da Pascoal é, ou não, sincera (já vi muito escrito sobre este tópico); para mim, prevalece o facto da letra ser mais bonita, fazer mais sentido, ter dor, luto e esperança nela contida. Na outra música, não sinto grande coisa. Mas, curiosamente, outra coisa que penso que têm em comum é o facto de primeiro se estranharem e depois se entranharem - não gostei de nenhuma delas quando as ouvi pela primeira vez, e fui apreciando à medida que as fui ouvindo e conhecendo melhor (ao ponto de já ter feito uma versão minha, ao piano, d'"O Jardim).

Aquilo que ninguém podia esperar era que acontecesse o que aconteceu o ano passado. É verdade que o festival melhorou imenso, mas não podemos ter sempre músicas brilhantes; não podemos ter sempre combinações música-autor-compositor-arranjo perfeitas. Eu lembro-me como se fosse ontem da minha pele de galinha quando ouvi apenas cinco segundos da "Amar pelos Dois". E isso é raro. E se não ganhámos a Eurovisão durante cinquenta e tal anos, também não podemos agora exigir, quais ditadores, que ganhemos outra logo de seguida.

Eu não conheço as músicas dos outros países, não sei a competição que vamos ter, mas por todas as razões e mais algumas penso que não vamos trazer o troféu para casa. O trabalho da Isaura e da Claúdia Pascoal vai ser ingrato, pois vão estar sempre na sombra do Salvador Sobral e à luz de todas as comparações. Mas não acho que vamos fazer má figura. Pelo contrário. Mais uma vez, acho que é uma música que sabe tocar, mesmo quando não sabemos o que está lá "escrito"; tem alguma alma e só precisa de ser aceite e mais rapidamente entranhada, em vez de estranhada. E acho injusto tudo aquilo que se anda a escrever, entre plágios (a sério? agora virou moda?) e artistas dizendo que "esta canção não representa o povo e a cultura portuguesa". O que é uma música que representa um povo? Vamos lá cantar o hino? Vamos falar do bacalhau e dos pastéis de nata? Da corrupção e do Palácio de Belém? Dos Descobrimentos e do Pedro Álvares Cabral? É como no ano passado, quando meio mundo dizia que a música do Salvador não era música de festival. Pois não era. Talvez por isso é que ganhou.

05
Mar18

Os vestidos dos Óscares (ou o convite que motivou toda aquela desgraça)

Carolina

Já se sabia que este ano os Óscares iam ser marcados por todos aqueles movimentos anti-assédio sexual e pró-poder feminino, tal como havia acontecido nas outras entregas de prémios - embora, daquilo que eu vi, até tenha sido tudo bem mais ligeiro que nas outras cerimónias. Foi light em tudo, aliás: foram muitas as figuras de peso que faltaram a esta gala e nada do que por lá passou teve o fator "uau" ou sequer o esforço para o ser (cadê aqueles vestidos enormes, que ocupavam 2/3 da passadeira ou aqueles grandiosos e todos aprincesados?).

A cor e a diversidade voltaram à passadeira vermelha, mas não deixou de haver elos comuns entre a maior parte das celebridades. O primeiro é que apesar de podres de ricos, famosos e de terem à disposição os melhores estilistas do mundo, conseguem a proeza de se vestir horrivelmente; o segundo foi o convite que muitas das senhoras receberam e que eu, graças aos meus connects em Hollywood, tive hipótese de dar conhecer. Ei-lo:

 

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É verdade. Para além do típico dress code de gala, este ano houve muita gente que recebeu este convite especial. E, como bons cumpridores que são, eis os resultados - para todos os gostos e feitios:

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Maminhas-aparentemente-tortas:

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Maminhas-quase-a-fugir-pela-lateral:

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 Maminhas-aparentemente-escondidas-mas-pouco:

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Maminhas-de-facto-escondidas-mas...ups!:

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Maminhas que precisavam de mais pano e um bocadinho menos de gravidade. Ou "ai-valha-me-deus-que-isto-está-a-transbordar!":

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 Quanto a todos os outros que não receberam este convite especial, aqui vai disto:

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 Selma Hayek ainda não despiu o fato de pequena sereia que usou no Carnaval. Até o cabelo ainda está assim meio molhado-visgoso, recheado daquela gosma especial que envolve estas criaturas míticas. Aqueles acessórios que traz por cima ainda são os colares que recebeu no Mardi Gras.

 

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 Não interessa se não gostamos do vestido, se não gostamos da senhora, se está fora de moda ou lhe fica mal. Isto é tudo uma questão de inveja. Rita Moreno usou este vestido nos Óscares há 56 anos atrás. E com 86 anos em cima voltou a caber no vestido que usou com 30. Sambando na cara das inimigas. Eu não caibo na roupa que tinha há dois anos, quanto mais!

 

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 Não me digam que houve matiné no cabaré ali do lado e ninguém avisou a rapariga que hoje não se podia entrar pela porta das traseiras?!

 

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 A Camilla veio arranjar o cabelo a Faro e, quando ia embora, passou-lhe aquele mini-tornado por cima. Nem a laca a safou.

 

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Em todas as festas recebem-se prendas indesejadas. Daquelas muito direitinhas e insossas, sabem? E o pior é que continuam a sê-lo mesmo que sejam bem embrulhadas com um laço gigante. Blhec.

 

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 Nem quero acreditar que a Emma Stone me fez isto. Não quero olhar, não quero ver, não quero saber. Espero ao menos que a reunião de negócios de que ela acabou de sair tenha corrido bem.

 

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 Acho a Gina Rodriguez uma fofinha e apesar de também ter recebido aquele convite especial, soube usa-lo da melhor forma. Foi um dos meus favoritos.

 

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 A Emily Blunt ainda não conseguiu despir o papel de rainha do gelo de um filme que interpretou em 2016. O vestido não é mau, só o conjunto vestido-cabelo-pele-fundo é demasiado branco. Um bocadinho de auto-bronzeador há três dias atrás e estava um brinco.

 

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 Da rainha do gelo passamos para o calor de Baywatch. Foi só acrescentar as pernas ao fato-de-banho e voilà.

 

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Será que a Viola andou pela passadeira a mascar pastilha elástica? Com aquela cor de vestido, aquele decote, aquele penteado e aquelas argolas... o lugar mais improvável para ela estar nestes preparos é mesmo os Óscares. (Fui só eu que comecei a cantar "Chiclete, prova! Chiclete, mastiga! Chiclete, deita fora! Chiclete, sem demora!" quando viu isto?)

 

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 The statue itself. Esta tem mais de quatro quilos... mas pouco.

 

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 É um real infortúnio ser engolida por um pedaço de relva precisamente no dia das cerimónia dos Óscares.

 

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 Desculpem... quando eu falei em vestidos grandiosos não era isto que eu queria dizer.

 

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Vê-se logo que esta senhora é uma boa dona de casa. Primeiro porque sabe a melhor técnica de todas para limpar o linóleo da cozinha (rabo no chão e trapos vestidos) e segundo porque aquelas unhacas são ideias para limpar os restos de comida que ficam presos naquelas tampas cheias de orifícios dos robôts de cozinha. Aliás, aquelas coisas que ela tem lá coladas ainda são restos do almoço.

01
Mar18

Devemos incluir os blogs no nosso currículo?

Carolina

Detesto ter de fazer o meu currículo. Detestei da primeira vez que o fiz e detesto de cada vez que tenho de o atualizar (algo que acontece frequentemente, para efeitos formais, mesmo estando a trabalhar). É ingrato termos de resumir todo o nosso percurso num papel, em pequenas frases, que podem estar recheadas de mentiras ou que podem não chegar aos calcanhares daquilo que somos na realidade. Mas enfim, tem de ser, sei que não há muitas formas melhores que sirvam para o efeito.

Mas no meio de todo este processo de escrita e concepção deste documento sou sempre invadida por imensas dúvidas: devo fazer um currículo vitae normal, estilo europass, insosso e desenxabido, ou devo fazer uma coisa mais visual, mais dinâmica e bonita? Devo incluir hobbies e um breve resumo de mim própria ou restrinjo-me ao percurso profissional e académico?

No meio disto tudo, surge-me sempre uma pergunta: incluo ou não incluo os blogs que tenho e tive? É que isto pode ser interpretado de várias formas e tem muitos pontos de vista. Antes de mais, o mais óbvio: só com aquele ponto estamos a dar muitas informações sobre nós próprios, basta alguém aceder ao dito site. Nem todos os blogs são diários abertos, mas todos têm muito de quem os escreve, nem que sejam opiniões - o que, só por si, já revela muito do que cada um é. E essa exposição à partida pode ser tão boa como má.

Depois há o risco da pessoa que lê o currículo não saber o trabalho que dá ter um blog. Ou ser preconceituosa e pensar "olha, esta já teve um blog sobre Twilight, deve mesmo ser uma pessoa hiper adulta, ah ah ah". E, como sempre, há o outro lado da moeda: podemos sempre apanhar alguém que se apercebe e sabe que para se manter um blog durante anos a fio é preciso ter paciência, perseverança e empenho.

Penso muito nisto. Sempre que chego à parte de referir "outras experiências" fico sempre bloqueada. Digo, não digo. Digo, não digo. Sou da opinião de que devemos adequar o nosso currículo perante o objetivo que temos ou diferentes propostas de trabalho - evidenciando umas coisas ou tirando outras que, para aquela situação, não sejam relevantes. Mas, neste caso (e no meu em particular), os blogs são uma parte essencial da minha vida há muito tempo.

Escrevo neste blog há sete anos, tenho blogs há nove. Durante cerca de quatro anos levantei-me todos os dias às sete da manhã, antes de ir para as aulas, para deixar posts programados para o dia inteiro; organizei eventos e falei para vários meios de comunicação social quando a maioridade não estava sequer à vista; fiz parte (e fiz por!) de um blog que estava no top 5 dos mais visitados do país, numa altura em que os blogs eram, por um lado muito mais genuínos e movimentados, mas por outro tinham muito menos "nome"; o primeiro dinheiro que eu ganhei foi um cheque da Google, devido a esse mesmo blog. Já este, ainda que mais pequeno em termos de escala e número de posts, está no ar vai fazer sete anos: viu-me cheia de medo, a trocar as ciências pelas letras; viu-me a entrar na faculdade, a detestar a faculdade, a sair da faculdade; viu-me a estagiar, a fazer as minhas últimas férias grandes, a arranjar o meu primeiro trabalho. E tudo o que se passou no meio disso. Já me "vê" há muitos anos, basicamente.

E isto, tudo isto, é de valor. Eu sei que é e não tenho vergonha de o mostrar. Só tenho medo que não o entendam - porque, lá está, o currículo é curto, o tempo para olhar para ele é pouco e a hipótese de nos explicarmos é menor ainda. Pôr ou não pôr, eis a questão.

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