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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Jan18

Os vestidos dos Golden Globes (ou um exercício de má língua)

Confesso: este ano eu não ia fazer este post. Já não sei se as pessoas gostam, se ainda acham piada, se já passou de moda... e eu, por outro lado, estou cansada e, pensava eu, desinspirada demais para isto. Amanhã trabalho, nem sequer vou ver a gala em direto e achei que já estava velha para estas andanças. Mas estava a escrever textos aqui para o blog quando me começaram a aparecer imagens no feed com os primeiros looks e acabei por ir escrevendo aquilo que me passava pela cabeça. Cheguei a um ponto em que pensei: "vou deixar estes comentários morrer aqui?". E pronto, cá estão eles.

Disclaimer: Para quem é novo por aqui, deixem-me fazer um alerta: se quiserem ver isso desta perspetiva, isto é um alter-ego da minha pessoa. Duas vezes por ano dou-me ao luxo de ser desagradável, gozona, sarcástica e irónica. Não sou assim todos os dias, não sou assim na vida real. É só uma graça que tenho por costume fazer, que as pessoas gostam de ler e que se tornou num exercício anual de má língua. Não levem nada demasiado a peito.

 

P.S. Para quem não sabe, todas (ou quase todas) as estrelas foram de preto, num protesto contra a discriminação e o assédio sexual nos meios de trabalho (e tudo o resto, diria eu). Daí a falta de cor nesta passadeira.

 

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“Cansei de ser gira. Cansei de ser magra. Cansei de ser alta. Cansei destes braços tonificados. Vou usar um vestido que me disfarce isto tudo”, disse a estrela do Outlander, Caitriona Balfe. E conseguiu.

 

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Não, Heidi. O Cisne Negro já estreou há sete anos, foste buscar o vestido errado.

 

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Episódio de terror para qualquer estrela de Hollywood: está no carro à espera para chegar à passadeira, anda a passear pelo instagram e vê que outra pessoa tem um vestido igual ao dela (a Heidi, malvada!). Ativa o plano de emergência: busca os restos do pano usado no vestido e, com uns colchetes, prega-o à cauda, qual vestido de noiva. E voilà. (Fora de brincadeiras… é um Giambattista Valli, tenhamos respeito! Entre este e o da Heidi, a Heidi bem que pode voltar para os campos verdejantes da Alemanha)

 

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Kelly, querida, a gala deste ano é em protesto contra o assédio sexual em Hollywood, não era uma homenagem a todas as pessoas que usam próteses de ouro nos membros superiores.

 

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Não fui ver ao Wikipedia mas, pela cara, a Catherine Zeta-Jones deve estar já com uns 423 anos. Não vou avaliar o vestido: com esta idade, já não se tem discernimento para avaliar o feio e o bonito. De qualquer das formas, o corpinho é nota 20. (Se com 1/5 da idade dela eu estivesse assim… upa upa!)

 

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Sarah Jessica Parker a reciclar um qualquer vestido piroso de Sex and the City, colocando alguns adereços medonhos de um filme do Tim Burton. O princípio é bom, mas não resultou.

 

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Estou solidária com a Alicia: tal como eu, a rapariga está com problemas de fígado e foi um bocadinho enjoadita para os Globos. Ou então está grávida, o que também explica o ar conservador e o cabelo à freira. Depois da festa veste uma jaqueta para esconder as costas mais arrojadas e vai à igreja ali ao lado confessar os pecados que anda a cometer com o Fassbender. (PS1: apesar de tudo, eu gosto do vestido). (PS2: eu também pecava pelo Fassbender).

 

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A ideia é gira… mas naquele passado longínquo em que as estrelas usavam roupas com cor na passadeira, já a Emma Watson vestiu uma coisa parecida. Ainda assim, it’s a win for me. (Alison Brie)

 

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Tal como aconteceu com a Kendal Jenner, também Christina Hendrick se viu num percalço de última hora relativamente ao vestido da Alison Brie e oupa, vai pôr a parte de cima com parte do poncho de veludo da avó, muito na moda nos anos 50.

 

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É fixe saber que a Angelina consegue vestir o papel de rainha da festa sem ter de mostrar o decote ou o pernão. Dá-me esperança para o futuro, percebem? (#lontra) Tudo isto se esquecermos o facto de que aquelas mangas vão ficar todas sujas com a sopa da entrada e as migalhas do pãozinho, mas nada que um aspirador não resolva.

 

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Sarah Paulson e Amanda Peet levaram aquele mantra do “we stand together” demasiado a peito e vieram coladas para os globos.

 

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Achei graça a este macacão da Alexis Bledel, por ter um branquinho que se destaca do negrume desta passadeira. Tirava-lhe aquele pedaço de pano brilhante que ficou ali agarrado à cinta mas, fora isso, tem aqui a aprovação da je.

 

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Quem me segue sabe que eu adoro The Crown e eu esperava ansiosamente pela chegada da Clare Foy. Parece que, de tanto ser rainha, se cansou dos vestidos. Compreendo, até gosto, mas nunca é novidade.

 

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Da edição os-dragões-da-Daenerys-rasgaram-me-o vestido-mas-o-penteado-sobreviveu. (Gwendoline Christie, de Game of Thrones)

 

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E da edição os-dragões-da-Daenerys-tentaram-rasgar-me-o-vestido, mal-conseguiram, mas-o-cabelo-não-aguentou. (Lena Headey, de Game of Thrones)

 

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Não, Halle... vieste para o evento errado. Este não é um casamento de praia em modo gótico da tua melhor amiga.

 

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Se bem se lembram, a Lily James fez de Cinderella. Agora passou claramente para o dark-side e foi engolida pelas trevas.

 

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Sempre igual, mas sempre classy, esta Reese Witherspoon.

 


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Sou só eu que vejo meia clave de fá no vestido da Jessica-inssosa-Biel ou é o piano a afetar-me demais os sentidos?

 

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O vestido não é nada do outro mundo, mas achei que o facto da Octavia Spencer ir bem vestida era digno de nota.

 

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 Gosto da Mandy Moore, gosto da ideia de vestido e do bocadinho de cor... mas acho que está aqui visto que há um mercado sedento de ferros de engomar na América. Rowenta e Philips desta vida, atentem ao que vos digo.

 

05
Jan18

Chávena de letras - "Turtles all the way down"

 Comprei este livro mal ele saiu, ansiosa por um livro que me fizesse ultrapassar o cansaço antes de dormir ou a preguiça de pegar num livro quando tinha uns minutos livres. Queria muito acaba-lo antes do fim do ano, mas não fui capaz. Muito porque este foi o livro de John Green que menos gostei... porque não parecia de John Green. Não me consegui relacionar com as personagens como antes e o enredo central é também dos mais fracos que me lembro.

A temática dos comportamentos obsessivo-compulsivos e dos distúrbios de ansiedade, embora importantes (essenciais?) de abordar, transformam muitas vezes o livro em algo menos prazeroso. Real, mas pouco convidativo à leitura: porque apesar de representar quase na perfeição aqueles ataques de pânico (been there, done that), é morosamente exaustivo (vulgo: chato). Os pensamentos circulam a mil à hora, sem pausas ou abrandamentos, e andam sempre à volta do mesmo, sem que consigamos sair daquele ciclo vicioso. E muitos dos caracteres escritos neste livro baseiam-se nisso. Chega até a ter uma página inteira entre a discussão mental entre o “anjo” e o “diabo”, em que quase os conseguimos imaginar em cada ombro da personagem principal, puxando a brasa à sua sardinha. (Tanto que eu decidi saltar a página).
E não sei se é por eu já ter passado por episódios que de alguma forma de relacionam com os da Aza, mas a leitura não me trouxe prazer. Incomodou-me, até - e se calhar é mesmo esse o objetivo, estar na pele de alguém com estes problemas. Só que não é o meu objetivo quando leio um livro.
Para além de tudo mais, achei o final previsível. A questão do título é explicada, tem graça, mas não me parece ter dimensão suficiente no livro para lhe dar o nome. Mas enfim: são escolhas.
Acredito que esta seja uma obra um tanto ao quanto emocional para o autor, mas dá-me ideia que foi escrita à pressa, em cima do joelho. Para mim, deixou muito a desejar.

(Lido em inglês)

04
Jan18

Vivemos num país de pré-fabricados

Todos os dias fico espantada com a facilidade com que todos já compramos coisas feitas. Vivemos num mundo tão atarefado, tão sem tempo, que queremos as coisas no imediato, sem nos esforçarmos minimamente – e, de preferência, ao melhor preço possível. E isto seria óptimo se as coisas que compramos fora de casa não fossem de pior qualidade... e, acima de tudo, se não se perdesse o que está no meio.

Este tópico veio-me à cabeça pela junção de dois acontecimentos: o primeiro foi o facto de ter levado umas bolachas para o piano (que, como é lógico, fui eu que fiz) e de ver as reações surpreendidas de todos à minha volta; o segundo foi em Cacilhas, aquando do Web Summit, onde fui jantar a uma marisqueira e tinha ao meu lado a decorrer a festa de aniversário de uma menina com não mais de dez anos. Quando chegou a altura de cantar os parabéns, vêm dois bolos da cozinha, claramente comprados previamente pela família. E porquê dois? Porque eram pequenos, comprados no Continente, e a família, com medo que algo faltasse, não esteve com meias medidas e levou logo dois.

Os dois eventos não têm, aparentemente, nada que ver um com o outro. Mas na realidade têm. O elo comum é o espanto e a capacidade de dedicarmos o nosso tempo em prol dos outros. Quando cheguei ao estúdio de piano com as bolachas, toda a gente ficou chocada: “Foste tu que fizeste? Uau, que prendada! O queê, mas fizeste isto de manhã, antes de vir para aqui? Como tiveste tempo? Deves ter acordado de madrugada…”. Pelo contrário, quando vi aquela família num restaurante (onde não me pareceu irem muitas vezes, indo propositadamente para aquela ocasião especial) fiquei eu espantada pela falta de empenho e de esforço por parte de todos aqueles adultos que ali estavam – e ainda eram alguns.

É claro que posso estar a julgar em vão – não sei as circunstância daquela família, do seu tempo e do seu trabalho – mas creio que isto é algo cada vez mais generalizado, e não diz sõ respeito a bolos. Estou em crer que há famílias que já só cozinham o básico, porque todas as refeições provêm de take aways. Tudo é feito fora, comprado fora. Antigamente as frutas vinham do campo, as hortaliças da horta, as roupas eram feitas à mão, os animais mortos em casa. Até os edifícios são agora pré-fabricados, construídos em blocos tipo lego. É assustador.

Para além do processo de aquisição ser mais rápido, também diminui o tempo que desfrutamos as coisas. Já não saboreamos a comida: engolimo-la; já não guardamos as roupas para os nossos filhos: elas estragam-se tão rápido que as deitamos fora. E eu sei que sou a excepção, sei que sou – como sempre – a anormal aqui da parada. Mas eu dou valor ao tempo que passo a fazer as coisas e acho que é esse tempo que as faz boas, mais bonitas, com mais significado. O tempo que eu passo na cozinha – ou o tempo que eu vejo que a minha mãe passa na cozinha quando me faz cabrito assado, por exemplo – faz com que o prato seja mais saboroso; faz com que eu tenha a preocupação de o provar, de o saborear com cuidado. E, acima de tudo, faz com que goste mais dela: porque em vez de ser como aos outros e encomendar o cabrito num sítio qualquer, passou horas a fio na cozinha para fazer o meu prato favorito.

Para mim, cozinhar é uma forma de amar, de dizer que me preocupo o suficiente com os outros para lhes dar um bocadinho do meu tempo. E é impensável para mim ir a uma festa sem levar um bolo – e ainda mais indispensável que, no aniversário de alguém que me é importante, não haja algo com a minha assinatura em cima da mesa. Pode ter sido feito há dois dias atrás, de madrugada ou acabado de sair do forno… mas está. E sei que isso não é regra, mas não deixa de ser estranho para mim que as pessoas pensem de forma diferente.

02
Jan18

5 objetivos para 2018

Não há volta a dar: novo ano é sinónimo de resoluções. Eu adoro uma vida organizada e planeada – algo que, ironicamente, agora não tenho – e portanto tenho uma panca por listas. Para mim, são uma coisa tão natural como o lanchinho da tarde ou o sono depois de almoço: é algo que nasceu comigo, nada a fazer.

E, como tal, venho contar-vos as minhas cinco grandes resoluções de ano novo. Digo “grandes” porque quero ir além dos típicos tópicos emagrecer/ beber mais água/ ler mais/ ir ao cinema com mais frequência e coisas desse género. É óbvio que quero tudo isso – menos a parte da água, uma vez que em 2017 esse foi um dos meus achievements -, mas são coisas que acabo por delinear todos os anos e que depois acabo por não cumprir ou, pelo menos, levar a sério, por isso este ano queria ir um bocadinho mais longe. Ou ir mais profundo, se assim quisermos chamar. Ora vejamos:

1 – Ter a força de vontade de voltar a estudar outra vez. Não tenho nada definido e ainda são tudo planos que não saíram do papel – ou da minha cabeça, neste caso – mas sinto que está a chegar a altura de começar a preparar o meu futuro. Eu ia escrever “que está na altura de avançar”, mas na verdade não se trata de dar um passo em frente – é quase dar um passo atrás para depois poder dar dois para diante. Vai ser assumidamente uma coisa que me vai custar: deixar a faculdade foi algo que fiz sem qualquer dor ou saudade (ainda hoje não tenho) e voltar aos livros, aos trabalhos e às aulas vai ser duro. Estou a pôr as minhas fichas na possibilidade de o ambiente ser diferente e eu estar com expectativas tão baixas que até me possa vir a surpreender. Mas, again, ainda é só um plano (que tenho de estudar, consolidar e pensar na provável articulação com o trabalho) e não quero adiantar muito mais sobre o assunto, por agora.

 

2 – Perceber que a não-rotina é a minha nova rotina. E isto implica que as listas de tarefas que eu tinha definidas para amanhã só possam eventualmente ser feitas dois dias mais tarde ou que numa mahã mais livre em que eu possa fazer uma série de coisas que não estava a contar. A gestão de tempo é a coisa mais preciosa que há neste tipo de vida meia-anárquica que levo, aliada à força de vontade para de facto fazer coisas quando, na minha cabeça, não é o tempo delas. Vou ter de me habituar a pôr uma mochila no carro e ir ao ginásio sempre que puder, tendo a mente aberta para ir a uma aula que não conheça – o que, para mim, é um sacrifício gigante, mas vai ser a única forma de eu conseguir frequentar aquele espaço do demónio. Assim como vou ter de ter posts aqui no blog para os dias em que chegar KO a casa. Já para não falar do caos que vai ser se levar a resolução 1 avante, o que ainda me vai dificultar mais a vida. A palavra do ano vai ter mesmo de ser gestão de tempo.

 

3 - Investir no piano. Pois, ainda faltava isto. Eu só tenho duas aulas de piano semanais – gostava de ter mais, mas a nível de horários é quase impraticável – mas a música é algo em que me estou a apaixonar cada vez mais. Já dou por mim a fazer os meus próprios arranjos e às vezes até tenho medo de dar um passo maior do que a própria perna e ficar desmotivada. Olho para o horizonte do que tenho para aprender e vejo um infinito – e não me importo, porque estou disponível para aprender tudo isso. Enquanto ouço os outros alunos, melhores que eu, só penso “um dia quero ser assim”. E quero mesmo. E eu não posso dar três horas do meu dia ao piano, como alguns dão (e nota-se!), mas se calhar consigo dar uma- e, à minha escala, também se há de notar.

 

4 – Ser mais equilibrada. Apesar daquilo que disse há uns posts atrás, de eu ter uma vida regrada, que se pauta por não ter grandes picos de emoções ou estados de espírito, eu sinto que sou muito desequilibrada em certas coisas simples, que depois se arrastam para algo mais complexo. Dois exemplos: numa aula de ginásio eu dou tudo, tudo o que tenho (embora possa não parecer). Eu estou em má forma física, mas tenho imensa dificuldade em desistir ou parar – quando o faço, é porque estou mesmo toda rota. E no dia seguinte eu não estou dorida: simplesmente não me mexo, estou cansada, a cair para o lado de sono. E por isso, nesse dia, não volto ao ginásio. E se calhar no outro também não… e lá volto eu a ter de fazer um esforço psicológico tremendo para ir sofrer numa aula seguinte quando, se não me esforçasse tanto e se fosse mais equilibrada, talvez os resultados a longo prazo fossem melhores. O mesmo se passa com um trabalho ou um projeto pessoal que eu tenha. Dou tudo de mim, trabalho ao fim de tarde, à noite, de madrugada, ao fim-de-semana. Até ao dia em que algo me corre pior e eu caio daquele pico de trabalho e adrenalina e demoro imenso tempo a voltar a reerguer-me, não só do cansaço, mas também da desmotivação e da frustração que se seguem depois de ter desistido ou abrandado num projeto promissor. Por isso: mais equilíbrio, pensar nestas coisas a longo prazo e ter calma com a minha vida, porque eu não sou o Speedy Gonzales, apesar de ter Gonçalves no nome.

 

5 – Não me deixar irritar tão facilmente e acatar melhor as críticas dos outros. Eu não sei porquê, mas toda a gente tem um gostinho especial em me irritar, em ser chato comigo, em peguinhar com picuinhices. Aliás, não sei mas calculo: tenho reações que fazem com que as pessoas continuem, dando-lhes prazer em me chatear o juízo. Respondo, chateio-me, faço cara feia. E quero ver se consigo atenuar tudo isso, para que os chatos desta vida deixem de ter razões para me atazanarem o juízo. Como bónus, quero também lidar melhor com as críticas ou chamadas de atenção dos outros. Acho que mesmo quando as compreendo e aceito, levo-as muito a peito, fico magoada, e gostava de mudar isso – até para evitar as minhas clássicas e eventuais respostas cortantes e frias, tons de voz ou até expressões faciais menos favoráveis, que por vezes elevam as discussões para um outro nível pouco desejável.

 

E é isto. Ambiciosa, eu sei. E exaustiva, também sei. Se calhar preferiam que um dos meus desejos de 2018 fosse ser mais sucinta e cortar nos caracteres mas… não vai acontecer. Escrever muito – e bem, esperemos – vai continuar a estar no prato do dia 😊

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