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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

13
Abr17

Habemus férias para 2017!

Durante muitos anos - e pelas mais variadas razões - as minhas férias limitaram-se a passar pelo Algarve. Não é que eu me queixe, o Algarve é a minha segunda casa e é praticamente um passe direto para dias felizes, mas eu, que adoro viajar, também sentia falta de passear pelo mundo. O ano passado, depois de muito pensar, ponderar e pesquisar, conseguimos marcar um cruzeiro nos países nórdicos, que já há muito ilustravam os meus sonhos graças aos thrillers passados nestes locais. Eu partilhei aqui toda a viagem assim como todos os detalhes sobre o cruzeiro e disse-o, sem meias palavras, que aquela tinha sido a viagem da minha vida. Hoje olho para trás e vejo aquelas fotografias (e sim, abro-as muitas vezes) com uma saudade imensa. Repetia TUDO.

Sinceramente, este ano não contava voltar repetir a proeza de ir de férias. Falava-se de umas coisas, uma viagem aos Estados Unidos já estava há muito em cima da mesa, mas por esta razão ou por outra decidimos tornar a adiar. Solução? Outro cruzeiro. Depois da experiência tão boa do ano passado, já contávamos repetir - só achava que não seria pelo segundo ano consecutivo. Mas eu não me importo - se for tão bom como o outro, estou muito longe de sequer dizer um "ai". 

Este ano a condição era passar por Itália. Nunca lá fui e toda a gente diz que é um autêntico crime ainda não ter lá posto os pés. A outra condição? Termos lugar no barco. Já nem falo da confusão do ano passado - a questão é que os cruzeiros chegam a ser marcados com um ano de antecedência e a escolha, desta vez, já não era muita. É quase caso para dizer que não fomos nós que escolhemos o cruzeiro, foi mais o cruzeiro que nos escolheu a nós. É claro que era do nosso agrado, que coincidia com as datas que eu precisava (isto vida de trabalhadora é outra coisa...), mas a verdade é que também não havia grande escolha dentro de todos os parâmetros que precisávamos.

E então vamos ao que interessa: para onde vou afinal? Começo em Veneza, depois Dubrovnik, Kotor (no Montenegro), La Valletta (em Malta), Sicília, Nápoles e termino em Roma. De Itália ainda fica muito por ver mas diria que numa só viagem "matar" quatro cidades do mapa já não é nada mau! Evitar a Grécia e as suas ilhas não é tarefa fácil neste tipo de cruzeiros (não me olhem de lado, eu não tenho nada contra os gregos - aliás, quero muito ir passear por estas ilhas um dia destes - mas não fazem parte do roteiro de sonho dos meus pais), por isso ficamos com um cheirinho da Croácia, do Montenegro e de Malta para compensar.

A vantagem deste cruzeiro em relação ao outro? É que, relativamente às cidades onde aportamos, não vou com grandes expectativas (tirando, provavelmente, Veneza); o outro cruzeiro tinha nomes muito pesados como Estocolmo e São Petersburgo e eu não aguentava com tanta emoção. Neste, Itália é essencial e seria um sítio onde viajaria em breve, de certeza; mas se calhar os outros sítios nunca visitaria se não fosse numa coisa destas (com excepção da Croácia, que sempre ouvi dizer que é maravilhosa). Vou por isso de espírito completamente aberto, pronta para riscar mais uns países da minha lista e ser totalmente surpreendida; já vi algumas fotos e algo me diz que me vou surpreender. A desvantagem? É que já tenho aquela que apelidei de "viagem da minha vida" no lombo e uma experiência de cruzeiro, por isso as comparações vão ser inevitáveis.

De qualquer das formas, estou em crer que vai ser maravilhoso e estou ansiosa para que o momento chegue. Nesta fase mais down que tenho passado, o pensamento de que vou tornar a viajar e a andar de barco (acho que a maioria das pessoas não gosta, mas eu adorei!) acalenta-me a alma. Para além disso, é a expectativa de voltar aos meus diários de bordo. Mal marcamos a viagem, posso jurar que foi a primeira coisa em que pensei: "vou poder escrever sobre a viagem, tal como fiz da outra vez". Gosto muito de escrever sobre todos os assuntos, mas os diários de bordo ocupam um lugar muito importante no meu coração - e, acima de tudo, acho que é das coisas que faço sinceramente bem. Releio muitas vezes aquilo que escrevi sobre as minhas viagens anteriores e sinto-me a viajar de novo, ainda que em pensamento.

Enfim, mal posso esperar! Para viajar, para ver, para navegar, para tirar fotos, para viver - e, claro, para escrever e partilhar tudo convosco. Julho, vem rápido!

 

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12
Abr17

Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera

Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo - e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo - mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por "Anónimo deixou um comentário ao post...." - quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde - esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho "bom" de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida - ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista - escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e "gostada" por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases - esta é uma delas - em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador - onde passei todo o dia - só para "matar o bicho" e não deixar os meus seguidores pendurados.

Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui - e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho - sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) - e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom "x" e "k", também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.

10
Abr17

Fomos lá para fora... cá dentro 2#

No segundo dia da nossa viagem pelo Alentejo começamos por dar uma volta pelo Castelo de Marvão (que mostrei no post anterior) e depois rumamos a Estremoz. Para mim tudo aquilo era novo, nunca tinha andado por aqueles lados e foi bom conhecer aquela paz e calmia. Mesmo nas estradas nacionais, onde andamos o dia todo, mal passava vivalma. Por um lado é triste, porque só mostra o despovoamento que se vive nestas zonas interiores, mas por outro proporciona uma paz que é raro encontrar.

Em Estremoz fomos almoçar à Pousada Rainha Santa Isabel, toda construída em mármore (que abunda por aqueles lados - nunca tinha visto tanta pedreira junta). A comida não foi famosa, mas o serviço era muito bom e o sítio muito bonito (apesar de estarmos totalmente sozinhos no restaurante). O interior da pousada é incrível, cheia de tapeçarias, móveis e objetos antigos que nos transportam para uma outra época.

 

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 A seguir fomos a Vila Viçosa. Adorei Marvão e foi, claro, a minha parte favorita da viagem - mas como momento singular, este foi o meu preferido. Adorei aquela vilinha. Ela já morava no meu subconsciente há muito, não sei onde ouvi falar dela - se em livros ou numa daquelas séries juvenis - mas desde sempre que achei que misturava a calmia com a história, e é mesmo verdade. Primeiro visitamos o palácio, que serviu de local de férias para muitos reis e onde D. Carlos passou a última noite da sua vida, antes do regicídio.

Pagam-se sete euros por entrada, mas vale muito a pena - o guia que nos acompanhou era uma autêntica peça e conhecia o palácio melhor do que as próprias mãos e satisfazia quaisquer curiosidades que o grupo tivesse (e por acaso tivemos sorte, porque toda a gente era muito interessada e ouvia com atenção). No palácio há imensas pinturas feitas por D. Carlos, que pintava lindamente; os quartos foram as únicas divisões mantidas intactas depois do palácio virar museu e é incrível pensar que ali já dormiram e viveram antigos reis de Portugal. Por fora, o palácio também é bonito e imponente. Não se podiam tirar fotos no interior mas eu tirei um par delas para vos poder mostrar aqui.

Para além dos imensos (e alguns enormes) quadros do nosso antigo Rei, que só por si já terão um grande valor, a visita ao palácio fez-me lembrar um pouco da minha "saga" pelos palácios de São Petersburgo. É claro que o grau de grandeza e riqueza não é o mesmo, mas à nossa escala, eu diria que este é um dos palácios mais bonitos e mais ricos que Portugal tem. Há imensas salas com paredes e tetos a seda, há tapetes de arraiolos gigantes (o maior do país está lá), têm também a maior coleção da Europa de tachos e panelas em cobre, uma enorme coleção de vários tipos de loiças, muitos frescos... enfim, é lindíssimo.

 

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Frente do Palácio

 

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À esquerda o teto da pequena sala onde as mulheres rezavam e à esquerda uma outra sala de que já não me recordo.

 

Depois de Vila Viçosa ainda parámos no Redondo, que não mereceu sequer uma paragem para fotografias. No dia seguinte começamos a viagem de regresso e fizemos a nossa primeira paragem no Castelo de Almourol, que também já andávamos para visitar há muito. O Castelo é todo envolto em água, numa pequena ilha do Rio Tejo, o que o faz parecer um autêntico local de princesas. Nós não o visitamos, por uma questão de tempo, paciência e logística (a água estava muito baixa e o barco que faz a passagem de um lado ao outro estava a parar num sítio que não o normal). Mas mesmo fora do Castelo, a vista é incrível.

 

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A nossa última paragem também foi num sítio onde já estávamos para ir há muito e que fomos sempre adiando: Conímbriga. Agora vejo que ainda bem que adiamos: acho que é preciso ter alguma maturidade para visitar este espaço, assim como alguns conhecimentos de história. Senão não passam de pedras iguais às outras. Como há muitas ruínas em mau estado, é preciso ter também alguma capacidade de imaginação para conseguir projetar como é que aquilo seria. Acho que não é fácil e não é para todos. As coisas estão parcamente explicadas e é fácil uma pessoa cansar-se de ver "pedras". 

Ainda assim, gostei bastante. Por vezes é tentador pensar que aquilo foi ali posto por uns construtores de meia tigela e que é impensável que aquilo tenha sido construído - ainda para mais de forma tão evoluída! - ainda antes de Cristo. É assoberbador, porque ainda que saibamos que "sempre" houve mundo antes de nós, nem sempre é fácil tangibiliza-lo: e pensar que houve pessoas que há mais de dois mil anos puseram ali aquelas pedras, construíram aquela muralha e que moraram ali... é esquisito e giro ao mesmo tempo.

O museu, infelizmente, é fraquinho. É pequeno, tem apenas duas salas, que estão recheadas de objetos encontrados nas escavações. Nada de "uau", nada de interativo ou cativante.

 

 

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Pavimento de uma das "casas"

 

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Os "repuxos", a parte mais gira e mais bem conservada das ruínas.

 

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E é isto! Foi só um fim-de-semana, mas soube por muito mais - e sempre serviu para riscar uma série de coisas da bucket list. Que mais venham!

 

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08
Abr17

Fomos lá para fora... cá dentro 1#

A semana passada eu e os meus pais fomos fazer um fim-de-semana cultural. O intuito era ser de descanso - estávamos todos a precisar de arejar a cabeça - mas a verdade é que acabamos por conhecer tantas coisas e andar por tantos sítios que de descanso teve pouco. O ponto de partida foi a Vila de Marvão, que fica junto da fronteira, já na zona do Alentejo. Era um sítio que a minha mãe queria ir já há muitos anos e que, aparentemente, toda a gente conhecia menos nós. Fizemo-nos ao caminho na sexta-feira à tarde e três horas e pouco depois já lá estávamos. 

O meu pai chama aquilo a Massada de Portugal, porque a vila fica a 860 metros de altitude - mas o declive faz-se de forma muito repentina, não é algo gradual. Estamos cá em baixo e de repente olhamos para cima e vemos uma grande "montanha" de rocha e, lá em cima, a muralha e vislumbres da vilinha. Não é difícil chegar lá, apesar de ser estrada nacional - quem é menos experiente ou confiante ao volante pode é ter algumas dificuldades dentro da vila em si, por causa das estradinhas muito apertadas. 

Mas bom, voltando à parte interessante: a vista, tendo em conta a altura da vila e a muralha que a rodeia, é obviamente fabulosa. Mas a própria vila em si é super bonita e bem cuidada. Toda pintada de branco com alguns detalhes de cor e envolta numa muralha também muito bonita, que dá acesso a um castelo com vistas de tirar a respiração.

 

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Vista do Castelo

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Vista do Castelo

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Vista do Castelo

 

Pode andar-se livremente na muralha e há sítios fabulosos para tirar fotos - só não é aconselhável para desajeitados, distraídos e coisas que tais: não há qualquer tipo de proteção e a queda pode ser de uns três metros ou mais. Já dentro do Castelo de Marvão a entrada é paga: dois euros por pessoa. Não sei até que ponto vale a pena: pode subir-se até à torre, onde a vista é ainda melhor mas, para todos os efeitos, não deixa de ser mais um castelo. Acho que este tipo de monumentos é giro quando se vê pela primeira vez, mas a verdade é que acabam por ser um pouco "ocos" se não tivermos alguma capacidade de imaginação e alguns conhecimentos de história. Este, em particular, tem uma cisterna gira de ver (e visitável) e a torre.

Apesar do sol estar quente, fazia muito frio (acima de tudo por culpa do vento cortante), por o sítio ser muito alto. Mas enquanto chovia a potes no Porto, os dias estavam límpidos lá para baixo e um bom casaco fazia com que os passeios já se tornassem mais agradáveis. As fotos abaixo são tiradas na muralha, no dia da chegada, já o sol se tinha posto.

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Nós ficamos hospedados na Pousada de Santa Maria, uma pousada de Portugal - agora sob a chancela do Grupo Pestana - que fica mesmo no centro da vila. É um edifício antigo e os quartos são também eles antiquados mas não por isso menos cómodos. Faz tudo parte do encanto. Tem uma pequena sala comum, com televisão, onde no dia do clássico se juntaram os hóspedes (eu incluída, claro está) para torcer pelo seu clube - e até isso acabou por ter piada. O restaurante dentro da pousada é aceitável, mas eu confesso que também não sou fã da comida tradicional alentejana; também lá é servido o pequeno-almoço que, para o tamanho da pousada, também é bom. A vista? As imagens falam por si.

 

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À esquerda a vista do meu quarto e à direita a vista do pequeno-almoço.

 

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A vila em si vê-se num par de horas. É riquinha, um encanto, uma espécie de casinha de bonecas: bem tratada, com uma aura um bocadinho mágica e uma calmia que nós - gentes das cidades - já não estamos habituados. Acho que só ter aquela vista já ajuda a que a vida se leve com mais facilidade: sempre que me deparo com estes cenários sinto que ganho fôlego, porque me lembro da sorte que tenho em estar viva (coisa que, infelizmente, me esqueço demasiadas vezes). Mas, num fim-de-semana, fica tempo de sobra para visitar outros sítios - e foi o que fizemos. Para o post não ficar demasiado longo, conto o resto amanhã.

 

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07
Abr17

Eu, fazedora de coisas terríveis de última hora, me confesso

Sempre fui uma miúda certinha mas nunca gostei de fazer os trabalhos de casa. É verdade e está na altura de confessar aqui os meus pecados. Às vezes, ainda na primária, dizia que me tinha esquecido do caderno nos TPC's quando, na verdade, tinha-me esquecido era da vontade de os fazer. Já mais tarde, adiavaaaaa a todo o custo faze-los até que dava por mim, arrependidíssima a altas horas da noite, a fazer os trabalhos de casa na cama. Chegou até a uma fase em que, consciente do mal que não fazer os trabalhos de casa me fazia, fiz um pacto com a minha colega de carteira: se eu não fizesse os trabalhos de casa de Português (na altura, uma das minhas piores disciplina - e sim, a vida dá muitas voltas) tinha de lhe comprar e dar um chocolate. Ora isto era mau porque 1) sempre fui forreta e não queria comprar chocolates para os outros e 2) porque eu queria mesmo muito comer os chocolates que comprava (achavam que isto da #lontra era de agora? Nã!). E admito: mesmo assim, cheguei a comprar chocolates para lhe dar em forma de consequência.

Isto para dizer que eu tenho a tendência terrível de deixar as coisas que mais me custam fazer para o fim. Como eu detestatava os TPS's adiava-os ad eternum, até não os fazer ou faze-los em cima do joelho. Hoje em dia, ao contrário do que acontecia por vezes nesses tempos, faço sempre as coisas - às vezes tenho crises terríveis antes de as fazer, choro e berro e arrependo-me de me ter comprometido - mas faço sempre. Faltar com a minha palavra é algo que não tolero. Mas lembro-me vivamente do meu irmão e da minha cunhada me tentarem evangelizar para o lado do bem ("faz primeiro os trabalhos de casa e depois vai brincar") e de eu, embora soubesse que era o correto, nunca levar esse lema de vida avante. 

Hoje percebo que faz parte do meu ADN - e não gosto, este stress ainda me mata um dia destes. Já na faculdade era a mesma coisa (embora o problema fosse ainda pior, porque era generalizado: eu não gostava de nada!). Tudo para o fim, um sufuco, privação de sono, ai-meu-deus que isto não vai dar, que vou fazer da minha vida, lá vou eu reprovar, faltam três minutos para o prazo de entrega e uff... entreguei. E depois tenho boa nota, porque trabalhar sobre pressão é claramente a minha cena. 

E agora no trabalho o filme repete-se. Todos os meses lançamos um jornal em papel, a cada mês eu tenho mais coisas para tratar, mais entrevistas para fazer, mais pessoas para ligar e... o caldo está entornado. Trato de tudo o que posso por email, tento sempre fazer a primeira abordagem por escrito... mas as pessoas não respondem e eu aí tenho mesmo de passar para essa arte antiga e terrível que é falar com os outros. Escrevo o que posso, mas fazer contactos é coisa para me custar tanto como ir à depilação - então se for com gente conhecida, que eu estou sempre à espera que me peça um chachet (que eu não tenho) em troca de umas meras palavras ou meia-dúzia de linhas, aí é que eu fico desesperada. E, claro está, deixo sempre para a última. 

A maioria das mulheres têm, durante o mês, aquela semana do demónio que é quando lhes vem o período (eu, por acaso, não sou exemplo); já eu também tenho uma semana de demónio que é quando estamos a fechar o jornal. Por outras palavras, é aquela semana em que eu me apercebo que quer queira, quer não, vou ter mesmooo de ligar a dezenas de pessoas para conseguir entregar o meu trabalho. Enfim. Agora percebo que devia ter dado ouvidos ao meu irmão e à minha cunhada. 

03
Abr17

Posso continuar a viver ou preciso de dormir mais um bocadinho?

Não me lembro de escrever tão pouco como tenho escrito na última temporada e isso entristece-me . Há uns anos provavelmente estaria a agoniar, a dizer que isto seria o fim deste projeto que me é tão querido, mas ao menos nisso estou relaxada: sei que é uma fase. Mais do que isso, sei que é em parte o embate da vida adulta. Acabaram-se as abébias, os recursos, as férias de natal, da Páscoa, os dias do Carnaval e as férias grandes, os intervalos, as responsabilidades para cima dos professores, as três faltas por semestre a cada disciplina. E isso, para mim que não gostei da faculdade, é bom: mas, como em todas as mudanças, custa. 

E eu dei muito de mim nos primeiros meses desta aventura. Atirei-me a tudo, defini planos e objetivos; trabalhei aos fins-de-semana, fiz-me escrever aqui todo os dias, planeei limpezas e arrumações no quarto todo, inscrevi-me num PT (a pior ideia do ano), quis ir para o ginásio antes das oito da manhã. Não descansava, nem queria. Tudo era trabalho e tudo eram objetivos porque eu sou feliz a fazer "checks" na minha agenda. Mas esqueci-me que depois não tinha férias, que a vida era diferente, que os ciclos de stress são agora muito mais pequenos, maiores e repetitivos. E as coisas foram caíndo, uma a uma. Primeiro o ginásio, depois a escrita à noite (passei a escrever tudo aos fins-de-semana), a seguir as arrumações. Nesta fase final, cheguei a achar que não conseguia fazer o meu trabalho direito, atormentada pelas coisas que sempre me atormentam (falar com pessoas, ligar para pessoas e essas coisas "maléficas") e, por fim, a escrita. 

Pelo meio aconteceram coisas, claro. As viagens - uma turbulência imensa ao nível emocional e um cansaço enorme ao nível físico - e alguns stresses na família, ao nível da minha saúde e da dos meus. Quando são os outros, a vida pesa-nos nos ombros, mas fazemo-nos de fortes porque há outros que têm de recuperar; quando somos nós a história é outra e, no meu caso, a pintura é ainda pior devido à minha fobia de médicos. Mais do que qualquer complicação de saúde (mínima) que possa ter, o sofrimento emocional supera normalmente qualquer dor física e o stress e o pânico que vivo diariamente tiram-me o fôlego de viver.

Mas no fundo, é acima de tudo cansaço. Tenho dormido muito nos últimos meses. Coisas tão simples como deitar-me no sofá para dormir uma sesta e acabar por lá ficar quatro horas sem dar por isso; ou trocar uma tarde de sol por uma tarde de sofá, ronha e sonos prolongados. Não consigo ver séries ou filmes porque adormeço a meio, o livro continua praticamente intacto na mesinha de cabeceira porque a vontade de ler antes de dormir é inferior ao sono que já tenho quando chego à cama. Mas, para mim, isto não é vida. Acho que escrevi aqui há uns meses algo parecido com "agora que sei o que é isto da felicidade, não quero outra coisa" - e eu quero muito passar ao próximo nível. Dizer "pronto, já está, já caíste, já choraste, já descansaste, agora oupa!". O Verão está aí ao virar da esquina, eu quero ir perder uns quilos ao ginásio, quero estar pronta para desfrutar do momento em que meter as minhas merecidas férias, quero ir acampar, quero ler, quero escrever. E, até lá, quero trabalhar - que é a única coisa que tenho feito, porque é onde canalizo todas as minhas energias e atenções quando as coisas à minha volta não estão tão bem como queria.

Tenho aqui um post que nunca chegou a ir para o ar que se intitula "only work can save us". Para mim - e pelo menos neste emprego, que apesar de não estar dentro da minha zona de conforto me faz feliz, e onde trabalho com pessoas que adoro - é mesmo verdade. Há uns meses alguém comentou aqui dizendo que eu, tão nova!, já tinha uma relação pouco saudável com o trabalho - e eu acho que isto depende muito dos pontos de vista, porque todos somos diferentes e nos movimentamos com diferentes combustíveis, mas eu diria que trabalhar é das coisas que me faz sentir mais viva e realizada nesta vida. Acima de tudo, porque é a área em que sinto que sou boa e onde me consigo superar. Porque em tudo o resto... bom, relativamente a tudo o resto... o melhor é nem olhar com muita atenção. É caso para me dizer que tudo o resto me afunda, enquanto o trabalho me mantém (bem) à tona da água.

Pouco a pouco espero ir reavendo a minha vida, repescando os objetivos que foram caindo ao longo dos meses e deixar este cansaço do demónio nestes primeiros três meses do ano. Com os dias a crescer a cada entardecer, com o relógio a bater cada vez mais perto dos dias quentes de verão... quero a vida boa de volta e quero saborear cada momento como fiz no ano que passou. Estou cansada de estar cansada. Quero continuar.

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