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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

06
Jan17

Chávena de letras - "Love&Gelato"

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 Este livro foi óptimo para arrancar o ano e tem tudo o que se quer para os próximos doze meses: é doce e acaba bem. Para além disso passa-se em Itália, por isso as probabilidades de ser espetacular já eram elevads.

Antes de mais, começar pelo óbvio: a capa do livro é giríssima, super apelativa e, de alguma forma, representa o livro na perfeição. Na edição que comprei, da Simon Pulse, a capa com a imagem dos gelados é amovível, sendo a capa dura muito simples, à moda antiga, simplesmente cor de rosa - o que, só por si, já é muito giro.
Relativamente ao conteúdo não há muito a dizer: a escrita é fluída e "catchy", a história é engraçada embora o início seja triste, ainda que indispensável para a narrativa fazer sentido - só peca, na minha opinião, por ser muito previsível. As personagens são muito doces - talvez demais, aos olhos do mundo real - e muito fáceis de empatizar. Para além do mais proporciona-nos uma viagem por Florença e os seus pontos mais emblemáticos, fazendo com que eu tivesse ficado com ainda mais vontade de visitar Itália de uma ponta à outra.
Vou ficar de olho nesta autora e esperar por mais.

 

(lido em inglês)

05
Jan17

Relativizar

Fez na terça-feira um ano que fui operada. Acho que, mal abri a pestana, foi a primeira coisa de que me lembrei. Não há dúvidas que o tempo cura tudo, mas as dores físicas vão-se muito mais rápido da nossa memória do que as dores da alma. Estas últimas custam mesmo a passar - e um ano está longe de ser o suficiente para curar tudo o que há para curar em relação a esses quinze dias da minha vida, que pareceram meses enquanto os vivia. Comparado com outras coisas é simplesmente irrelevante, mas para mim aquela terça-feira foi das mais críticas da minha vida - acho que ainda choro de cada vez que falo do facto de ter entrado num bloco operatório.

Na terça-feira, tal como os restantes dias desta semana - e talvez da anterior e a antes dessa - eu estava em baixo, num daqueles ciclos viciosos em que entro e de que depois é difícil sair. Começa com uma dorzinha de alma, que se espelha logo na minha cara - tem graça como as minhas olheiras advém muito mais do meu estado de espírito do que do meu cansaço (e sim, às vezes é imediato - se recebo uma notícia negativa, poucos minutos depois estou com um semblante muito mais escuro) - e depois vai avançando para outros problemas, menores ou maiores, recolhendo dores aqui e ali. Acabo estes dias com a minha auto-estima em níveis negativos: sinto-me feia e gorda e todas essas coisas terríveis que as mulheres pensam e de que eu não sou excepção. Pelo contrário, passo a minha vida emersa neste pensamentos auto-críticos e destrutivos de que nunca consegui fugir.

Quando acordei, já cabisbaixa, lembrei-me de que há um ano estava eu a ir para o hospital, supostamente de livre e espontânea vontade, num pânico total e completo; de como não falava, de como num movimento involuntário e completamente inesperado fui todo o caminho para o bloco com as mãos juntas em posição de reza, de como deram conta que eu estava toda às manchas devido a uma urticária nervosa e de como, horas mais tarde, acordei no recobro a chorar - num misto de medo, alívio, vergonha e de tudo um pouco. E ali estava eu, um ano depois, - ainda que supostamente feia e gorda - a andar perfeitamente, a conseguir-me sentar, sem qualquer problema de saúde; com os meus pais e a minha família bem, eu com trabalho e um dia calmo e previsivelmente feliz pela frente. E ainda assim triste, com uma dar de alma no peito e o estômago pequenino, de como quem tem um problema grave pela frente.

Acho que de nada serve quando nos pedem para relativizar e pensar em todos os problemas do mundo e compara-lo com os nossos. As nossas dores serão sempre as nossas dores. Ponto. E, quer queiram quer não, vão sempre doer mais do que as dos outros - lá está, porque são nossas. Ponto. Mas, se calhar, se compararmos as nossas próprias dores, numa estratégia racional, talvez tudo seja mais realista. É claro que a memória e o tempo nos pregam partidas, tornam as coisas mais leves do que realmente foram, mas ainda assim é na nossa ferida que tocamos - e essas doem sempre mais.

É assim que eu combato as minhas crises: racionalmente. Não funciona sempre: ainda estou triste, o nó na garganta está cá, as olheiras também. Mas neste momento, para além de um âmago dorido, eu sinto-me chateada por estar assim - primeiro porque sei que há dores muito piores, porque eu própria já as experienciei, segundo porque são dias que desperdiço a não ser feliz e terceiro porque estou farta de não viver a vida como eu a sei viver. As tristezas não se podem simplesmente atirar para o lixo, não se esquecem. Mas superam-se - e, no meu caso, relativizar ajuda. Se há um ano eu mal me mexia com dores, hoje estou mais que bem. E amanhã a única coisa que quero é estar um bocadinho ainda melhor que isso.

 

02
Jan17

É um hambúrguer em bolo do caco, por favor

Há uns tempos fui a um Continente relativamente novo aqui na zona e, quando fui buscar o clássico pão padeira, os meus olhos pousaram sobre os bolos do caco que estavam na vitrine. Nesse dia, por coincidência, o almoço ia ser hambúrgueres e por isso levei um pão para comer com a carne. Mal eu sabia que estava prestes a cair de amores por aquele pão e que estava a abrir um precedente perigoso, tanto para as minhas ancas como para os meus desejos gastronómicos.

A partir daí troquei o meu supermercado habitual por aquele Continente, só mesmo por causa do bolo do caco. Durante duas semanas o meu jantar foi sempre este: hambúrguer em bolo do caco. E digo-vos, aquilo sabia-me maravilhosamente. Era como se fosse a última bolacha do pacote, a única coca-cola do deserto, o diamante do meu dia. (Sim, só de estar a escrever isto já estou a salivar). Foram dias felizes.

Até que, de um momento para o outro, deixou de haver bolo do caco. Já não me chegava terem-me tirado o chá e agora fazem-me uma coisa destas. Corri os Continentes todos num raio de não sei quantos quilómetros e nada. Dizem que já não recebem há uns tempos e, de cada tentativa que faço e cada dia que passa, este meu coração esfomeado fica cada vez mais despedaçado. 

Vocês sabem que eu sou uma pequena lontra, devoro um bocadinho de tudo - mas há anos que algo não me sabia tão bem como aquilo. Aquele pãozinho mal cozido no meio, aquecido no micro-ondas segundos antes de lhe meter o hambúrguer... não há palavras. Juro que chegava a meio do dia já a sonhar com o jantar (se tinham dúvidas que eu era lontra, acho que aqui ficou tudo esclarecido...) e depois, tau!, um golpe destes. Ninguém merece.

Se alguém souber onde se vende bolo do caco aqui na zona do Porto sem ser em Continente's desta vida, que grite. Já quase que dou o mindinho para dar uma trinca num pão daqueles.

01
Jan17

Os livros de 2016 e as expectativas para 2017

2016 foi um ano estupendo mas, como não há nada perfeito nesta vida, temos mesmo de falar de um assunto sensível: os livros. No meu "reading challenge" tinha colocado uma meta de 20 livros e falhei por 3, algo que já não acontecia há alguns anos. Isto não tem nada que ver com "corridas" ou algo parecido, mas este tipo de metas ajudam-me a ler quando não estou tão incentivada; por outro lado, e apesar de não o fazer por obrigação, ler é quase um trabalho de casa - só lendo é que consigo escrever melhor, aprender mais.

Para além de ter falhado em termos de números, confesso que a qualidade do que li também não foi por aí além. Dos 17 livros que li, 11 foram em inglês - foi uma estreia, até aqui nunca tinha lido livros inteiros numa língua estrangeira e, como se percebe, virei fã; no entanto, confesso que o português me fez falta. Por outro lado a grande maioria deles foram livros Young Adult (YA) que, como também já se percebeu, é o meu guilty pleasure. De alguma forma sinto que a minha adolescência foi tão pacífica que adoro viver na pele dos outros sem ter todas aquelas consequências e ideias parvas que não tive na altura - nem queria ter, prefiro mesmo ler. É também uma forma de escape: é assumidamente literatura ligeira e eu posso arcar perfeitamente com esse "fardo", porque a leio precisamente para relaxar e me distanciar um pouco da minha nova vida de adulta. 

Acho que essa é mesmo a razão de não ter conseguido ler muito: em 2016 passou-se demasiada coisa na minha vida e eu estava concentrada em absorver tudo e a tentar desfrutar ao máximo. Foram muitas mudanças de rotina, entre exames - estágio - férias - trabalho e muitas coisas ficaram pelo caminho, porque eventualmente temos de definir as nossas prioridades. Ler é uma prioridade para mim, mas no meio de livros que não me cativaram e tanto mundo para explorar, a leitura ficou um pouco para trás - e é algo que quero muito reatar neste novo ano. Sem dúvida que os livros YA vão continuar a fazer parte da ementa, porque também me ajudam a ter vontade de ler, mas vou ver se consigo enveredar algumas vezes por obras mais sérias, de que também já sinto falta. Para não ficar à quem das expectativas, pus 15 livros como o objetivo deste ano - mas secretamente gostava obviamente de ler mais; de qualquer das formas, assim é mais seguro.

Sobre 2016 deixo aquela infografia giríssima que o Goodreads faz anualmente, acrescentando que o meu livro favorito do ano passado foi "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert". Os prémios de maior desilusão vão para a J. K. Rowling com o "Fantastic Beast and Where to Find Them" e o guião do "Harry Potter and the Cursed Child", o pior livro que li vai para o português Tiago Rebelo com "Romance em Amesterdão" e, terminando numa nota positiva, a descoberta do ano vai para Natasha Boyd, de quem gostei muito dentro do estilo YA.

Que 2017 traga muitos livros, muitas letras e muitas surpresas!

 

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