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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

15
Nov16

Nós, os fãs insaciáveis

Eu acho que nós, fãs acérrimos de alguma coisa, somos quase como uns viciados em droga - chegamos a um ponto em que, se nos derem mais um bocadinho só para matar as saudades, e mesmo que saibamos que não nos vai fazer bem, consumimos porque é mais forte que nós. 

É isso que sinto em relação ao Twilight e ao Harry Potter. É claro que eu sei que nada vai ser como dantes, que nada vai ter o mesmo sabor, que nada bate aqueles anos completamente aéreos que vivi. Também sei que a idade é diferente, assim como a minha maturidade e forma de olhar as coisas - opá, cresci, essa coisa inevitável da vida. Mas mesmo sabendo de tudo isto, não consigo deixar de voltar a estes dois mundos que, numa altura em que sentia que o mundo real não me percebia - ou, aliás, me rejeitava - me receberam de braços abertos, sem "porquês" ou contestações. 

Abro os livros para lhes sentir o cheiro e ver as suas páginas tocadas e amareladas. Revejo os filmes, penso coisas como "esta cena é mesmo muito parva" e páro tudo nos segundos precisamente antes das minhas cenas favoritas. Digo em voz baixinha as falas todas que sei de cor, canto as músicas e elogio pela milionésima vez as bandas sonoras. E depois, no fim, ignoro o nó na garganta que teima em ficar, não importa os anos que passem. 

E depois, de vez em quando e no meio desta nostalgia, tanto a Stephenie como a J.K. Rowling lembram-se de lançar mais uma coisas para o mercado e fazer dourar a pílula para todos aqueles que, como eu, têm esta doença incurável de se apaixonarem por livros e filmes. E eu sei, racionalmente, que isto são truques de marketing para rechear aquelas contas que já estão a rebentar pelas costuras; sei que cresci e que por ter crescido as coisas já não soam tão bem, tão mágicas, tão especiais; sei que vou chegar ao fim dos filmes, dos livros ou o que quer que seja e que aquele bichinho que achávamos que íamos amainar por termos "alimentado" continua ali, voraz como sempre, e a gritar aos teus ouvidos que "não é a mesma coisa, não é isto que eu quero, não era assim que isto devia saber!". Lá está, quase como uma droga que nunca nos sacia, que nunca sabe bem o suficiente - e da qual queremos sempre, sempre mais e de que saímos sempre, sempre insatisfeitos.

É por isto que li aquela reedição do Twilight com as personagens trocadas, que comprei os outros livros da J.K., que tenho todos os DVD's e outras 21 mil tralhas. E mesmo sabendo que nunca é suficiente, também é por isso que em breve vou ter o novo livro da Stephanie na estante e que estarei sentada num cinema a ver o "Fantastic Beasts And Where to Find Them" - que, até aqui, tinha dito veemente que não ia ver porque, na realidade, ainda não me tinha despertado interesse. Mas hoje dei por mim a ver a premiere do filme, em direto e em livestream, tal como nos bons velhos tempos - e veio tudo de volta a mim, incluindo aquela vontade incrível de desfrutar, nem que seja por um pequeno segundo, destes mundos.

É simplesmente mais forte que eu. No fundo, acho que não passa de uma simples utopia humana: queremos voltar sempre aos sítios onde fomos felizes - mesmo que esses sítios sejam meros cenários imaginados por alguém, com personagens tão ricas e tão boas que, na verdade, nunca poderiam ser reais.

14
Nov16

Sobre a moda da comida saudável, dos super-alimentos e tretas do género

Houve uma altura em que andava muito atenta a toda estas ideias da alimentação saudável, dos super-alimentos, do corte no açúcar e todas essas tretas que vemos pelo facebook fora. Entretanto a frustração de uma série de receitas mal sucedidas, os preços elevadíssimos de certas coisas e as gordices tradicionais levaram à melhor de mim e eu voltei ao que era. (#lontra)

Agora estou, pouco a pouco, a tentar retomar alguns velhos hábitos - coisas tão simples como reintroduzir a fruta no pequeno-almoço ou o iogurte magro a meio da manhã. Mas, desta vez, deixei-me daquelas tretas todas dos super alimentos, dos 5 frutos secos por dia, das sementes no iogurte e trinta por uma linha. A verdade é que numa hora lemos uma coisa e noutra lemos outra, dizendo exatamente o oposto. "Evite os hidratos à noite" / "afinal comer massa ao jantar pode potenciar o emagrecimento". "Coloque sementes no iogurte e nos bolos para uma melhor regulação do intestino e reubeubeu pardais ao ninho" / "sementes em excesso poderão fazer mal ao organismo". "As frutas proibidas de qualquer dieta" / "Se quer emagrecer coma 3 bananas por dia". "Cinco receitas de sumos detox espetaculares" / "Os sumos detox são um pequeno-almoço incompleto". 

Isto são alguns exemplos inventados por mim só para vos dar uma ideia daquilo que eu falo - não fiz propriamente uma listagem de todos os artigos que, em pouco tempo (e publicados muitas vezes nos mesmos blogs e meios de comunicação social), se contradizem, mas são sempre coisas deste género. Por isso cheguei à conclusão que não vale a pena basearmos a nossa alimentação em teorias mal fundamentadas ou em ideias de alguém que muitas vezes nem sabe ao certo do que fala.

Eu sou esquisita e tenho um palato exigente, por isso muitas daquelas receitas hiper-saudáveis com farinhas XPTO, sem açúcares e coisas do género simplesmente não me passam pela goela. Eu bem tentei, fiz, experimentei, dei muitas trincas em coisas que não gostava - e desisti. Acho que não existe uma alimentação ideal, mas sim o equilíbrio que cada um de nós pode tentar atingir, a partir do momento em que tenhamos noção das consequências e daquilo que estamos a meter para dentro do nosso corpo. 

Tenho muito para evoluir e melhorar, mas deixei de me acreditar em toda a porcaria que vejo por essa internet fora e em supostas zonas "fit". Não nego que exista muita coisa boa aí para explorar e comer, mas há efetivamente algo de errado em todas estas modas, porque todos os dias saem coisas contraditórias. Eu cá vou continuar a comer a minha granola e "comida de pássaro", mas recuso-me a passar sem o meu quadrado de chocolate milka com oreo diário e uma fatia de bolo que a minha mãe faz de quando em vez - porque, afinal de contas, são estes prazeres da vida que também nos fazem felizes.

13
Nov16

A minha peça de 2016

2016 foi o ano em que descobri as camisas. Ou blusas. No fundo, tudo o que seja em tecido, leve e fluído - quer tenha botões à frente ou não. Têm sido a minha tábua de salvação nestes dias completamente bipolares entre frio-calor-frio-calor-frio, porque ponho uma básica de alças por baixo, depois a camisa e ando assim. Nos dias de mais frio posso pôr um lenço fino ao pescoço e tapar-me com um casaco que anda sempre comigo (mulher prevenida vale por duas, já sabem como é) e a questão fica logo resolvida.

Por outro lado, dá-me um ar mais adulto, o que nesta fase da minha vida já começa a dar jeito. A verdade é que tenho uma rotina muito descontraída e consigo planear quase sempre a minha vida no dia anterior, o que me permite prever como vai ser o "dress code" do meu dia; mas principalmente estando na área da têxtil e da moda, não parece muito bem andar constantemente com as minhas t-shirts hiper confortáveis mas coçadas ou com os meus camisolões com borboto, como às vezes (nos dias maus, pronto) ia para a faculdade. 

As camisas/blusas afiguram-se por isso o meio termo perfeito, tanto a nível meteorológico como de dress-code, em que é fácil fazer "upgrades": o primeiro resolve-se pondo casacos e adereços por cima (uma vez que calor, nesta fase do ano, já não tenho) e o segundo trocando por exemplo as sapatilhas por umas botas, tornando o visual mais formal.

Confesso que, até aqui, por não serem nem uma típica roupa de inverno nem de verão, não eram peças que me conquistassem: agora sou a maior fã e tem sido das coisas que mais tenho comprado (e herdado da minha mãe), salvando-me muitas vezes daquela indecisão típica e ajudando-me a responder àquela malfadada questão "o quê que vou vestir hoje?". Estou rendida :)

12
Nov16

It's Beginning To Look A Lot Like Christmas

Eu chego a esta época do ano e só me apetece ouvir Michael Bublé. Já me é intrínseco, os meus dedos já quase o fazem de forma automática, como se tivessem ligados a uma agenda mental. Lá pelos primeiros dias de Novembro, de cada vez que vou ao YouTube, parece que escrevem sozinhos "Michael Bublé" - e o pior é que, ano após ano, continuo a adorar aquelas músicas como adorei desde o primeiro dia.

Já estou, desde o início do mês, imbuída no espírito natalício (sim, já comprei a maioria das minhas prendas...) e, como não podia deixar de ser, as músicas já andam em repeat mode. Mas com a notícia de que o filho do Michael Bublé está com cancro, confesso que de cada vez que o ouço tenho um sentimento agridoce. Por um lado são melodias bonitas, calmas, sempre com um fundo de esperança tal como pede esta época; mas por outro não consigo deixar de pensar que, quem as canta, está provavelmente a passar a fase mais difícil da sua vida enquanto eu estou aqui a baloiçar-me enquanto escrevo, trabalho ou trato das minhas prendas de Natal.

A vida é dura e os momentos maus tocam a todos. As doenças não escolhem idade, sexo ou estrato social, mas é sempre duro ver os outros sofrer - e é claro que há sempre gente a sofrer, mas "longe da vista, longe do coração". A mim conforta-me o facto de aquela criança - ainda que ninguém tão novo mereça sofrer o que quer que seja - tenha todos os meios à sua disposição para ver esta maldita doença curada, com pais sem dificuldades financeiras e com todo o tempo do mundo para lhe dedicarem.

Eu cá vou continuar a ouvir o Bublé, porque ele será sempre a voz desta época que me é tão especial, este ano a torcer particularmente para que tudo corra bem. 

11
Nov16

Como evitar as pastas "para arquivar quando tiver tempo" (ou dicas de organização fotográfica 1#)

O prometido é devido! Como não houve ninguém a dizer que o facto de eu dar umas dicas sobre organização fotográfica era uma total perda de tempo, cá estou eu, na dificílima missão de vos evangelizar em prol de um arquivo fotográfico organizado.

Pode não parecer muito evidente, mas o primeiro passo para ter um álbum de fotografias - ainda que digital e sem ser todo "bonitinho" - bem organizado começa no vosso cartão de memória. A regra simples e básica para que as coisas corram sempre bem é: ter sempre o dito cujo vazio. Como? Gravando e arquivando sempre as fotos depois de as tirarmos - se as podermos selecionar e tratar imediatamente, melhor, senão grava-las e pô-las numa pasta com nome e data (e não numa que dá pelo nome de "PARA ARQUIVAR QUANDO TIVER TEMPO") já é bom.

Isto porque acumular o que quer que seja - fotos incluídas - faz com que quando decidamos arrumar, a tarefa se torne muito mais chata e morosa. Aliás, por isso é que passamos a vida a adiar esse tipo de coisas. Assim, se formos fazendo a triagem e o arquivo de todas as fotos que tiramos, o trabalho é feito aos pouquinhos, é mais rápido e custa menos.

Isto pode parecer conversa de treta, acho que eu própria pensei isso quando me disseram esta regra "de ouro", mas acreditem que faz a diferença. Confesso que ainda hoje não a cumpro a 100% - neste momento estou "limpa", mas durante as férias andei a acumular fotos nos meus cartões de memória até não conseguir mais e depois arrependi-me amargamente. É mais difícil para arquivar (uma pessoa esquece-se donde esteve), demora mais tempo, as coisas parecem que nunca mais acabam e torna-se numa tarefa que se faz por obrigação em vez de se retirar algum prazer disso.

Experimentem. No próximo post sobre isto digo em que programa é que faço a escolha das fotos e como agilizo todo este processo.

 

 

Dica extra - pode ajudar ter vários cartões de memória: primeiro porque se fizermos vídeo ou tirarmos fotos em RAW é possível que atinjamos a capacidade máxima do cartão; segundo porque estamos a falar de coisas pequeninas que se perdem (e partem!) facilmente; terceiro porque se formos preguiçosos e deixarmos acumular, temos mais espaço para tirar fotos sem ter de pensar em eliminar conteúdo. Eu sempre tive um sítio para guardar os cartões, tanto em casa como na minha mochila, mas arrumar coisas pequeninas em sítios grandes dá sempre mau resultado e apanhei várias vezes sustos por achar que os tinha perdido ou danificado. Socorri-me do ebay (como aliás faço sempre) e encontrei uma mini-bolsa, feia mas super prática, para transportar cartões. Dá para seis, tem argola para porta-chaves - metem-na em qualquer lado para andar sempre convosco - e é uma forma super segura e prática para transportarem todos os vossos SD Cards. Aqui. [Este é como o meu, mas se pesquisarem encontram outros, até maiores e mais baratos - no entanto, para o efeito que eu quero, este serve perfeitamente e até é mais prático].

 

DSC_0674.JPG

 

 

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10
Nov16

E então como correu o treino com o PT?

Olhem, foi do demónio e eu só pensava em como preferia ser gorda para o resto da vida. Saí do ginásio arrasada, tanto física (não conseguia descer sequer as escadas) como psicologicamente. É claro que não esperava maravilhas, muito menos no primeiro treino - tentei nem sequer pensar no assunto para não stressar, porque sei que se me pusesse a pensar muito acabaria por recuar - mas foi ainda pior do que esperava.

Foi duro fisicamente porque eu estou em péssima forma física - mesmo quando não estou, nunca faço treino funcional, pelo que é sempre difícil para mim. O problema é que aqui, ao contrário da aulas de grupo em que não temos sempre uma pessoa a olhar para nós, não podemos pôr um joelho à socapa no chão quando já não aguentamos mais estar em prancha; não podemos fazer só uma repetição enquanto os outros fazem duas só por o professor estar a olhar para o outro lado. Por isso, sempre que não aguentamos mais, é como admitir uma derrota. E eu hoje não aguentei muitas vezes. Cheguei ao ponto de estar com vómitos por causa do esforço - e, como é óbvio, estou-me borrifando se esse esforço é muito ou pouco comparado com os outros. Não quero saber se não tenho barra, se tenho 2 quilos ou 5 - se estou aflita e se tenho os meus limites, é aí que uma linha é traçada; detesto que me rebaixem por causa disso. "Mas não aguentas com uma barra de 2 quilos? Isto não pesa nada!". Sim, aguento, principalmente se for para a mandar ao focinho de alguém - caso contrário, quando tenho os músculos todos a tremer, mal consigo andar e não tenho um incentivo suficientemente bom como agredir alguém que me está a irritar... não, não aguento.

Para além do mais há a componente do contacto físico que a mim me transtorna. Eu tenho um problema com o toque - não gosto que me toquem, não gosto sequer que estejam muito perto de mim. E ter alguém sempre a empurrar-me, puxar-me, esticar-me e sei lá mais o quê... mexe-me seriamente com o sistema. É algo que eu sei que a maioria das pessoas (também conhecidas como "normais") não sente, mas que para mim é uma questão do dia-a-dia e que não é fácil de ultrapassar, pelo que é mesmo uma questão essencial para mim.

Acho que nós, humanos, temos a tendência a reagir a tudo o que nos é estranho e eu não sou excepção - se pudesse, tinha saído dali a correr e nunca mais voltava. Para o bem e para o mal tenho um mês de PT pago, que vai servir para eu não decidir com o coração e com as emoções à flor da pele e para perceber se todo este esforço vale de facto a pena. Aqui não se trata só de desgaste físico (que é o suposto, claro), mas também emocional. Dar a um homem totalmente desconhecido permissão para me tocar, estar uma hora seguida a olhar para mim e analisar-me ao milímetro, me mandar fazer exercícios todos XPTO e eu ter, ainda por cima, dificuldade em dizer que "não consigo" é algo que me consome e que eu preciso de perceber se vai passar com o tempo. Porque se não passar, estes treinos têm os dias contados.

Porque uma coisa é certa: no próximo treino irei contrariada e ansiosa por já saber mais ao menos o que vai acontecer e eu não estou para viver a minha vida nisto. Fui para o ginásio pela minha saúde, mas não só física - também mental. E, por isso, não estou disposta a estar sempre a fugir do ginásio com medo do próximo treino e ansiosa com todos aqueles pormenores que a mim me deixam eternamente desconfortável. 

Percebo que seja bom para a minha saúde e não duvidem que, mesmo a nível estético, era algo que gostava de conseguir fazer para melhorar alguns pormenores - aliás, só por isso é que me predispus a estes treinos, sabendo à partida que não ia ser fácil e pondo-me logo à partida à prova, só por saber o que ia fazer. Mas, de facto, não passam de muitos "pormenores" que não compensam o facto de acordar ansiosa no dia do treino ou de viver com medo da quinta-feira de cada semana só porque é dia de PT.

Acho que não é preciso dizer mais nada. Entrei com o pé esquerdo e não gostei. Tenho três aulas para mudar de ideias - e, como é óbvio, não espero ansiosamente por essas horas de sofrimento. As coisas podem mudar muito - e eu juro que espero que sim! -, mas há dias da nossa vida em que nos arrependemos de certas decisões. Hoje foi o dia.

09
Nov16

E o mundo acordou com o Trump a entrar pela Casa Branca adentro

E agora não vale a pena chorar a pitanga, porque é isto que vamos ter nos próximos quatro anos da nossa vida. Eu acredito que há três razões para isto ter acontecido: primeiro a Hillary ser uma fraca candidata, com telhados de vidro até à ponta dos cabelos; segundo porque haver claramente uma sede de mudança no mundo, incompreensível para muitos (nós portugueses incluídos) mas que se tem manifestado em resultados incríveis como o Brexit; terceiro por provavelmente os americanos não terem muitos neurónios, logo à partida por terem escolhido estas duas pessoas à presidência.

Ainda que ache a terceira hipótese plausível, gosto de acreditar um bocadinho nas pessoas e tento pôr-me um pouco nos calcanhares de quem escolheu o Trump para presidente. Acho que ao longo da história todas estas escolhas drásticas se deveram ao cansaço e ao desespero dos povos por uma mudança e acho que é aqui que reside a questão. Eu não sou americana e só quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro - e, admito, ontem não queria ter estado no lugar deles, porque nenhum daqueles dois seres se me afigurariam bons presidentes do que quer que seja, muito menos dos EUA. Teria votado na Hillary, porque prefiro o conforto de uma escolha previsível ao medo do que aí vem - ainda assim, não o faria de consciência tranquila.

Os americanos podiam escolher entre o mau e o pior. Entre uma candidata corrupta e um homem sem papas na língua ou filtros. Entre uma mulher (demasiado e intimamente) ligada à política e um homem de negócios que nunca foi político. Entre o politicamente correto e o "I don't give a fuck". Entre os paninhos quentes e o penso rápido. Entre o expectável e o imprevisível. Entre mais um político  ou sangue novo. Entre mais do mesmo ou o seja-o-que-deus-quiser. Entre uma má candidata e um homem mau.

Não era uma escolha fácil e todos nós iríamos sofrer as consequências de qualquer dos dois mandatos. Que as coisas vão mudar, não há dúvidas. Resta-nos esperar que seja para o melhor possível. Vou só ali acender uma velinha e já venho. (Também acenderia se fosse a Hillary. Com o Trump acendo por medo, com a Hillary acenderia por pena de uma fraca escolha logo à partida).

 

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08
Nov16

E quatro meses depois volto a comprar shampôs

Calma, meus amigos, nada temam: isto não quer dizer que tenha andado a tomar banho "à gato" nos últimos quatro meses da minha vida ou tão pouco que não me tenha metido debaixo do chuveiro durante tanto tempo. Simplesmente cumpri a minha promessa de usar, até à última gota, todas as amostras de hotéis/ofertas que aqui tinha guardadas há demasiados anos.

Foram quatro meses em que o meu cabelo ou corpo não tiveram qualquer possibilidade de se habituarem aos produtos usados e dos quais retiro as seguintes conclusões: a) os condicionadores são, de longe, o pior produto oferecido pelos hotéis, b) algumas das pessoas responsáveis pelas fragrâncias escolhidas têm olfatos altamente duvidosos, c) deviam inventar um mecanismo para se conseguir retirar todo o produto do frasco, uma vez que no fim fica lá sempre 1/10 do mesmo colado ao fundo da pequena garrafa, d) os produtos 2 em 1 (tanto dá para shampô como para corpo) não são boa ideia. No fundo, depois desta experiência intensiva em relação às amenities, acho que já podia ser consultora dos hotéis neste campo - just say'in!

Uma das coisas que mais gostei nesta experiência - para além de não ter de comprar produtos de higiene, por sinal bastante caros, durante vários meses - foi de "viajar" de cada vez que utilizava um frasco novo. Via o nome do hotel de onde trouxe o shampô e, em vez de cantar no duche, punha-me a pensar de que viagem é que esse shampô tinha vindo. "Fui" até Londres, Bruxelas, Istambul, Paris, Algarve, Estocolmo. E, só por isso, já foi bom. Agora voltei ao meu Garnier verdinho e à vida de uma pessoa normal. Só com a diferença de ter a prateleira do armário da casa de banho bem mais vazia do que estava antes.

07
Nov16

Uma ode ao trabalho que nos faz feliz [e aos obstáculos que saltamos]

Já na faculdade me acontecia disto: encalhava num trabalho qualquer e, na minha cabeça, aquilo nunca mais ia aparecer feito. As coisas não saíam, eu não conseguia escrever o que quer que fosse, tudo me começava a parecer o apocalipse, o tempo a encurtar, os prazos a aproximarem-se e eu cheia de páginas em branco. Lembro-me que num trabalho de introdução a direito só queria desistir - acabei por fazer o dito quase por milagre e empurrada pela minha mãe e por um amigo que me conseguiram tirar daquele poço sem fundo.

Com o relatório de estágio foi o mesmo drama. As coisas não saíam, era algo que tinha mesmo de ser feito e essencial para refletir um estágio que, na prática, tinha corrido super bem, mas as coisas no papel não estavam a fluir. Andei a bater com a cabeça nas paredes durante tempos a fio e depois escrevi aquelas trinta páginas de uma só assentada, pela noite dentro e com as olheiras a ocuparem-me metade da cara.

Não vejo esses dramas como períodos de desinspiração, que também os tenho - aliás, só agora é que estou a refletir no facto de ter um trabalho que inclui alguma criatividade e de existirem dias em que, de facto, não estou inspirada e ter de saber ultrapassar isso. No entanto, nestes casos, acho que o meu problema é sempre não ter uma linha de raciocínio que me ajude a estruturar o pensamento: no trabalho de direito não tinha grande matéria, no relatório tinha uma estrutura obrigatória que me estava a toldar o juízo e que, na minha cabeça, não fazia qualquer sentido. O problema não era a própria escrita, mas como, onde e o porquê de escrever.

E há dias vi-me a mãos com a primeira situação do género no trabalho. Senti a batata quente a arder-me nas mãos e não conseguia desenvencilhar-me daquilo. Mais uma vez, não estava a conseguir ter a estrutura mental do texto e, por isso, não o conseguia passar para o papel. Mas aqui não podia ir a exame; não podia desistir; não há a questão de reprovar e fazer no próximo semestre. Ou é ou é, porque o nosso trabalho depende disso e se há coisa que com que eu lido mal é em defraudar as expectativas dos outros - e se me tinham dado aquele texto, importante e imponente, foi porque acreditaram que eu o conseguia fazer.

Mais uma vez, foi escrito mesmo à queima e pela noite dentro. No dia anterior tinha-me deitado às 22h: naquele dia deitei-me às 3 da manhã, para na manhã seguinte estar a pé às 7 e seguir para o trabalho. Custou, mas foi aí que percebi que sou mesmo sortuda e uma mulher feliz. Porque escrever é aquilo que adoro fazer, mesmo em períodos desinspirados, e se sentir que conseguimos concretizar algo que à partida não nos parecia fácil é, só por si, uma vitória gigante, sentirmo-nos concretizados é uma conquista ainda maior.

 

06
Nov16

Depilação a laser #4

Se há coisa que gosto de ler em blogs alheios é sinceridade e coisas verdadeiras. Isto, na idade da pedra, era o que os blogs faziam antes de terem milhões de marcas atrás deles a dizerem-lhes o que dizer, o que escrever, como escrever e quando escrever. Como tudo nesta vida, o dinheiro veio corromper o melhor que este mundo blogosférico tinha, por isso uma pessoa não pode acreditar em metade do que lê por aí, principalmente em blogs de grande circulação, mesmo que os criadores dos mesmos digam que gostam "mesmo muito, muito, muito deste produto". [Eu também gostaria, se me pagassem 500 euros para falar sobre ele]. Isto para dizer que, se eu gosto de ler coisas verdadeira nos outros, também gosto de escrever coisas e experiências reais para os meus leitores. Podem ficar descansadinhos que a mim ninguém me paga para escrever o que quer que seja, por isso cá vai a minha dose de sinceridade do dia. 

Desde há dois anos para cá que tenho vindo a fazer laser alexandrite na Ultimate Laser e tenho até contado como é que as coisas estão a correr em vários posts. Nos primeiros tempos andei muito satisfeita e assim continuei durante bastante tempo, mas sempre com o elevado preço que pagava a moer-me o juízo. Da última vez que fiz uma sessão já fui a arrastar-me um bocadinho por saber que ia ter de desembolsar uma quantia de dinheiro tão grande quando a tecnologia se começa a espalhar por esse país fora a preços muito mais amigos da carteira. Ainda assim, fui, correu bem e segui com a minha vida.

Entretanto, passados dois meses comecei a ter pêlos de novo e já não achei tanta graça à brincadeira - principalmente numa altura em que estava super morena e ainda a fazer exposição solar, pelo que não me convinha fazer nenhuma sessão. E é o seguinte: eu não me importo de pagar muito se o tratamento resultar e for quase único no mercado. Quando não resulta e já está disseminado, por preços muito melhores, começa a chatear-me. Mas podem dizer-me: "mas se calhar não foste vezes suficientes!". Depois de dois anos seguidos, e a espaçar cada vez mais os tratamentos (como era suposto), acho que não era caso para estar como estou. E, como tal, não estou feliz e quero mudar. 

Posto isto, estou à procura de alternativas. Na última vez que escrevi aqui sobre este assunto aconselharam-me a Clínica do Pêlo, que também tem alexandrite e um centro aqui perto de minha casa, por isso estou seriamente tentada a fazer lá. Por outro lado, e já que estou numa de exploração, gostava de "ouvir" algumas opiniões sobre o laser de díodo, que se anda a disseminar por aí (mas de que ouço falar tanto bem como mal). Partilhem tudo e não me escondam nada, por favor =)

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