E então como correu o treino com o PT?
Olhem, foi do demónio e eu só pensava em como preferia ser gorda para o resto da vida. Saí do ginásio arrasada, tanto física (não conseguia descer sequer as escadas) como psicologicamente. É claro que não esperava maravilhas, muito menos no primeiro treino - tentei nem sequer pensar no assunto para não stressar, porque sei que se me pusesse a pensar muito acabaria por recuar - mas foi ainda pior do que esperava.
Foi duro fisicamente porque eu estou em péssima forma física - mesmo quando não estou, nunca faço treino funcional, pelo que é sempre difícil para mim. O problema é que aqui, ao contrário da aulas de grupo em que não temos sempre uma pessoa a olhar para nós, não podemos pôr um joelho à socapa no chão quando já não aguentamos mais estar em prancha; não podemos fazer só uma repetição enquanto os outros fazem duas só por o professor estar a olhar para o outro lado. Por isso, sempre que não aguentamos mais, é como admitir uma derrota. E eu hoje não aguentei muitas vezes. Cheguei ao ponto de estar com vómitos por causa do esforço - e, como é óbvio, estou-me borrifando se esse esforço é muito ou pouco comparado com os outros. Não quero saber se não tenho barra, se tenho 2 quilos ou 5 - se estou aflita e se tenho os meus limites, é aí que uma linha é traçada; detesto que me rebaixem por causa disso. "Mas não aguentas com uma barra de 2 quilos? Isto não pesa nada!". Sim, aguento, principalmente se for para a mandar ao focinho de alguém - caso contrário, quando tenho os músculos todos a tremer, mal consigo andar e não tenho um incentivo suficientemente bom como agredir alguém que me está a irritar... não, não aguento.
Para além do mais há a componente do contacto físico que a mim me transtorna. Eu tenho um problema com o toque - não gosto que me toquem, não gosto sequer que estejam muito perto de mim. E ter alguém sempre a empurrar-me, puxar-me, esticar-me e sei lá mais o quê... mexe-me seriamente com o sistema. É algo que eu sei que a maioria das pessoas (também conhecidas como "normais") não sente, mas que para mim é uma questão do dia-a-dia e que não é fácil de ultrapassar, pelo que é mesmo uma questão essencial para mim.
Acho que nós, humanos, temos a tendência a reagir a tudo o que nos é estranho e eu não sou excepção - se pudesse, tinha saído dali a correr e nunca mais voltava. Para o bem e para o mal tenho um mês de PT pago, que vai servir para eu não decidir com o coração e com as emoções à flor da pele e para perceber se todo este esforço vale de facto a pena. Aqui não se trata só de desgaste físico (que é o suposto, claro), mas também emocional. Dar a um homem totalmente desconhecido permissão para me tocar, estar uma hora seguida a olhar para mim e analisar-me ao milímetro, me mandar fazer exercícios todos XPTO e eu ter, ainda por cima, dificuldade em dizer que "não consigo" é algo que me consome e que eu preciso de perceber se vai passar com o tempo. Porque se não passar, estes treinos têm os dias contados.
Porque uma coisa é certa: no próximo treino irei contrariada e ansiosa por já saber mais ao menos o que vai acontecer e eu não estou para viver a minha vida nisto. Fui para o ginásio pela minha saúde, mas não só física - também mental. E, por isso, não estou disposta a estar sempre a fugir do ginásio com medo do próximo treino e ansiosa com todos aqueles pormenores que a mim me deixam eternamente desconfortável.
Percebo que seja bom para a minha saúde e não duvidem que, mesmo a nível estético, era algo que gostava de conseguir fazer para melhorar alguns pormenores - aliás, só por isso é que me predispus a estes treinos, sabendo à partida que não ia ser fácil e pondo-me logo à partida à prova, só por saber o que ia fazer. Mas, de facto, não passam de muitos "pormenores" que não compensam o facto de acordar ansiosa no dia do treino ou de viver com medo da quinta-feira de cada semana só porque é dia de PT.
Acho que não é preciso dizer mais nada. Entrei com o pé esquerdo e não gostei. Tenho três aulas para mudar de ideias - e, como é óbvio, não espero ansiosamente por essas horas de sofrimento. As coisas podem mudar muito - e eu juro que espero que sim! -, mas há dias da nossa vida em que nos arrependemos de certas decisões. Hoje foi o dia.