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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Set16

Habemus licenciada!

A semana passada comecei a trabalhar. Esta semana acabei a minha licenciatura.

Em Janeiro, por causa da minha operação, não consegui fazer o trabalho nem ir a nenhuma das fases de exame de uma as cadeiras que tinha para fazer. Muito contrariada - até porque não gostei nada da cadeira - vi-me obrigada a deixa-la para Setembro. Na altura não imaginava que, para além da chatice de ter e fazer um exame fora de época, ainda iria ter de faltar a parte do meu segundo dia de trabalho - que foi o que, efetivamente, aconteceu.

Fiz o trabalho em três dias, sob a pressão do costume e uma falta de vontade e inspiração de bradar aos céus. Achei que tinha ficado terrível - aliás, admiti-o na conclusão do trabalho (ainda que não por estas palavras, porque dava-me jeito uma nota decente). Talvez tenha sido esta capacidade crítica e humildade que me safaram, a par de um exame que me correu aparentemente bem, embora eu tenha saído de lá com medo do que me iria sair na rifa. Nunca reprovei a nenhuma cadeira ou disciplina em 15 anos de escola/faculdade e era muito azar que acontecesse na última que iria fazer - mas nunca fiando!

Acabei por tirar 16, não sei bem como. Quando vi a pauta, foi como se três elefantes tivessem saltado subitamente das minhas costas e senti um alívio incrível. E orgulho. Talvez fique mal admiti-lo, mas fiquei orgulhosa de mim por ter acabado esta jornada. Não foi fácil e sinto que estive a debater-me com este caminho que decidi para mim desde o 11º ano - e até há bem pouco tempo perguntei-me se teria sido a decisão certa. Chorei que me fartei, quis desistir, houve dias em que detestei a faculdade, aquele pólo, quem me rodeava. Mas, caraças, consegui deitar isso para trás das costas e seguir caminho - e ainda acabar o curso com média de 15.91! 

Hoje tenho trabalho na minha área - a comunicação -, dentro de uma área que, desde que nasci, é a minha vida - a têxtil. Vejo o "fio" da minha vida e, olhando para trás, fico feliz por ter tido a coragem de abrir portas a uma ideia e uma vida que nunca tinha imaginado para mim até então; e olho para a frente e vejo... enfim, vejo o mundo. Vejo muitas pedras no caminho (mais aquelas que sei que são invisíveis), mas sei que estou na rua certa para tudo aquilo que quero para mim e para a minha vida. Tudo por mérito próprio. E por isso acho que não há como não estar orgulhosa e seriamente feliz.

 

"Achei muitas vezes que não ia acontecer. Perguntei-me porque raio é que a pessoa menos comunicadora do mundo tinha ido para um curso de comunicação; porquê que passando uma vida a idolatrar quem gostava dos números e das engenharias, me iria meter num curso de letras; porquê que sendo uma apaixonada pela têxtil me meti no meio das palavras e não no meio dos fios.
Podem não ter sido os anos que toda a gente descreve, de loucura e felicidade constante. Talvez pelo contrário. Mas foram três anos de uma riqueza intangível e de um crescimento inexplicável para mim, que compensam todos os contratempos, todas as lutas, possíveis arrependimentos e momentos menos felizes.
Levo comigo tudo isso, a par de todos aqueles momentos de felicidade pura, em que entreguei um trabalho a 3 minutos do fim do prazo ou em que tive um notão quando achava que ia reprovar. Levo o Fora da Caixa - os meses mais felizes da faculdade e por ventura da minha vida - e, acima de tudo, algumas pessoas, que me ajudaram a sobreviver nos momentos de aperto e a saber viver em todos os outros. 
Hoje fecho esta jornada e penso que apesar de todos os "se's" e "porquês", tudo isto foi porque tinha de ser. Porque a vida é aquilo que fazemos dela e nada é permanente e estático, e esta é só uma porta para todo um universo de janelas que ainda há por abrir. E, a sério!, eu quero muito espreitar."

 

[parte de um texto que escrevi no meu facebook]

 

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14
Set16

Estalo de realidade

Aquele momento em que estás a fazer um cartão de visita com o teu nome, email e número de telemóvel para entregares a pessoas alheias, enquanto dizes ao mesmo tempo "contacte-me se precisar de alguma coisa" ou "envie-me então essa informação para o meu email, por favor" ou ainda "tem aí o meu número de telemóvel".

Ugh, isto soa tão adulto.

12
Set16

We'll always have pão com chouriço (e ovos moles)

Acabou ontem a última feira medieval aqui das proximidades e, com ela, os pães com chouriço de 2016. Foi óptimo enquanto durou, enchi o bucho muito mais do que devia, mas está na altura de dizer adeus. Estou desde o Senhor de Matosinhos (ou seja, inícios de Junho) a enfardar esta iguaria tão portuguesa - passei pelas romarias e feiras todas, parei sempre nas barracas de pão artesanal e tirei a barriga de misérias. Uns souberam-me pela vida e outros nem tanto, mas de arrependimentos não se faz esta vida e não há nada tão bom como um palato feliz e uma barriguinha cheia.

Mas bom, posto isto, é altura de entrar nos eixos. Ontem foi a minha data limite de gordices-ilimitadas-sem-peso-na-consciência-e-definitivamente-mais-peso-na-balança. Terminei em bom, numa visita relâmpago a Aveiro onde comi um sushi da melhor espécie e terminei com um gelado de ovos moles que era só assim de bradar aos céus. 

Agora, com o novo trabalho, quero criar rotinas e voltar a uma vida minimamente equilibrada. Não é que seja fácil, porque já percebi que, para o bem e para o mal, o meu trabalho não tem horários rígidos - tanto posso passar uma manhã em casa como um dia inteiro no escritório (e por "dia" pode entender-se sábado ou domingo). É algo que gosto, mas que obriga a uma responsabilidade e organização acrescida, não facilitando a vida a quem gosta de rotinas, como é o meu caso. Ainda assim, quero voltar para o ginásio, quero os meus quinze minutinhos para o pequeno-almoço, quero comer em casa sempre que possível, quero as minhas séries depois do jantar e um livro e um chá ao fim-de-semana. Posso não conseguir tudo, mas vou ao menos tentar.

O ginásio é parte integrante e essencial em tudo isto, não só porque esta história das "gordices ilimitadas" é óptima para o palato mas péssima para a auto-estima, mas também porque preciso de um escape do trabalho e de um momento só meu, livre de agendas, sites, notícias, telemóveis e emails sempre a piscar. Este ano estou outra vez com a mesma dúvida: mudo de ginásio, para um mais perto de minha casa ou do trabalho, ou fico onde estou, que me fica longe de tudo mas que tem um professor que adoro de coração? Sinto que o facto de ser longe me está a prejudicar e já ando há demasiados anos a adiar a resolução de ser fiel ao ginásio (e com isso um relacionamento estável com o meu corpo e a minha auto-estima).

Enfim, até tomar uma decisão definitiva vou andando e habituando-me a esta nova vida, que ainda há muita coisa para afinar. Quanto ao pão com chouriço, para o ano há mais. Para já, e com imensaaaaa pena minha, vou ter de acabar com aquela caixa de ovos moles. Prometo ser rápida que é para começar isto da vida saudável rapidinho, ok?

 

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11
Set16

O dia em que o mundo mudou (e eu também)

Hoje dizia ao meu pai como sei que, para mim, o dia 11 de Setembro nunca será um dia normal no calendário. Nunca será mais um no meio de tantos outros que passam sem eu dar conta. Posso ter 90 anos e a minha vida ter saído toda ao contrário daquilo que eu tinha planeado - mas sei que no dia 11 de Setembro me vou lembrar sempre, nem que seja naqueles breves segundos em que olhar para o calendário, daquilo que se passou em 2001.

Nesse dia não foi só o mundo que mudou, mas eu também. Tinha seis anos e percebi pela primeira vez até onde vai a atrocidade humana, a falta de amor, consideração e respeito pelo próximo. Percebi que a bruxa má da branca de neve talvez não fosse assim tão má e que há coisas bem piores. Percebi, muito sem perceber, até onde pode ir o desespero humano, quando via na televisão pessoas a atirarem-se de 400 metros de altura. 

Há 15 anos houve uma quebra na minha infância, um marco para a vida, assim como houve no mundo. Há 15 anos soube o que era "terrorismo" e até hoje não nos deixam esquecer.

 

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11
Set16

Eu, os números de telemóvel e a invasão da esfera pessoal de cada um

Não sei se é por ter convivido durante toda a minha vida com pessoas bastante mais velhas que eu, mas tenho enraizados em mim alguns hábitos e regras de conduta que me custa muito quebrar. Coisas que na minha cabeça advém simplesmente do que acho ser boa educação, mas que se calhar não passam de velhos hábitos e velhas regras que, nos dias de hoje, não fazem sentido ter.

Não se liga para as pessoas depois das 22 horas. Não se começa a comer sem a pessoa mais velha o fazer. Não se dá o número de telemóvel sem se pedir autorização à pessoa em questão. Diz-se "com licença" ou "bom dia" quando estamos a sair de um elevador com pessoas que não conhecemos. Sei lá - são tantas pequeninas coisas que são tão normais para mim que tenho dificuldade em lembrar-me delas. Na verdade, só quando alguém as quebra é que eu me apercebo que elas existem dentro de mim.

Nos últimos dias tenho sido confrontada com todas as minhas "regras intrínsecas" envolvendo telemóveis. Não sou jornalista, mas como estou a trabalhar num sítio muito pequenino em que é preciso fazer de tudo, ser qualquer coisa parecida com jornalista é uma das atividades que tenho (esta semana foi tudo o que fiz, uma vez que o site onde vou trabalhar a maior parte do tempo ainda não está pronto). Posto isto, muito do que tenho de fazer é ligar para as pessoas - o que, para mim, é uma dor quase semelhante a beliscões consecutivos em todas as partes do meu corpo. Eu sou má a lidar com pessoas no geral, mas sou ainda pior a falar ao telemóvel - e tenho de me preparar psicologicamente antes de fazer cada chamada, respirar três vezes e ganhar coragem de cada vez que clico no botãozinho verde. (E agora vocês perguntam-se: e porque raio escolheste essa profissão? Acreditem, há dias em que me pergunto o mesmo). Mas a verdade é que já me sinto a melhorar e sei que é uma questão de tempo até esse desconforto me passar.

Mas enfim, aqui o busílis da questão está mesmo na transmissão despreocupada de números de telemóvel. Talvez eu pense como uma criatura do século passado, mas para mim um número de telemóvel ainda é algo pessoal. Mas, só no meu primeiro dia de trabalho, deram-me meia dezena de números de telefone para quem ligar, onde se incluíam figuras públicas - e eu fiquei um bocadinho atarantada. Talvez sejam muitos traumas juntos: detestar falar ao telemóvel, não gostar de falar com estranhos e achar sempre que sou chata e estou a incomodar as pessoas. Mas a verdade é que eu só pensava como iria abordar a questão e como eventualmente seria despachada a pontapé: "olá, eu sou a Carolina, colaboradora de um jornal ...", "mas como raio é que conseguiu o meu número?!?!?!"

Esta conversa ainda não aconteceu (a figura de quem falei foi, por acaso, super simpática e atenciosa), mas sei que um dia será o dia. Talvez pense à imagem daquilo que gosto que façam comigo. Vejo o telemóvel como uma coisa privada e não gosto que ande nas bocas do mundo - mas já percebi que, metendo-me neste universo, o meu telemóvel não será diferente do dos outros e fará parte dessas trocas infindáveis sem qualquer aviso prévio ou preocupação. Admito que me faz confusão. Sinto que estou a entrar na esfera privada de alguém e que os outros podem eventualmente entrar na minha - e, por isso, percebo que não gostem e tenham tendência a correr-me a pontapé.

Se calhar sou eu que sou retrógrada, já ninguém pensa assim e estamos de facto num admirável mundo novo. Ou então as pessoas têm simplesmente dinheiro para ter mais do que um telemóvel e o problema fica automaticamente resolvido. Mas, para mim, que me vejo obrigada a ligar a torto e a direito para pessoas que nunca vi à frente (e que eventualmente também vão guardar o meu número na lista delas) não deixa de ser estranho.

09
Set16

These shoes are made for walking

Não sou pessoa de caminhadas. Gostava, porque talvez este corpinho fosse outra coisa e fosse mais do meu agrado, mas infelizmente não é coisa que me assiste - pelo menos caminhar por caminhar, sem nada de novo ou especial para ver.
Quando estou no estrangeiro ou em sítios que não conheço, a história é diferente. Ando e ando bem, com gosto - andar em sítios diferentes tem outra mística, para além de que é a única forma de conhecer uma cidade de forma decente. Sabia, por isso, que ia andar muitos quilómetros quando fosse para o cruzeiro e quis ir prevenida. Para além das sapatilhas que levo para o ginásio (que são super quentes) e das Birkenstock (que só uso quando está tempo para sandálias) não tinha nada de especial para andar, pelo que fui comprar umas na Decathlon.
Comprei umas Merrell, super frescas - e, meus amigos, foi a compra deste verão! No cruzeiro andei todos os santos dias com elas, assim como em Penacova e no Gerês. Podiam não combinar com a roupa que estava a usar e estão longe de ser lindíssimas (aliás, com cor-de-rosa, é impossível serem lindíssimas), mas temos pena. Há ocasiões na vida em que temos de ter as prioridades bem definidas e, nas férias, o conforto é sem dúvida o mais importante. Aliás, no Gerês salvaram-me a vida, porque quem acha que pode fazer aqueles trilhos em cima de sandálias ou havaianas é maluquinho. As pobrezinhas ressentiram-se, é verdade, e ficaram com tantos arranhões como as minhas pernas, mas a vida também é feita destas "cicatrizes", não é verdade?

Espero que se aguentem e que durem muitos e bons anos. Fazemos uma troca: elas dão-me conforto nos meus pés e eu dou-lhes a conhecer o mundo. Parece-me justo.

 

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05
Set16

Tenho em mim todos os sonhos do mundo

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Comecei hoje uma nova fase da minha vida. Depois do verão incrível que tive, sentia-me mais que preparada. Fiz tudo o que queria, que me apeteceu, que desejei; mais do que alguma vez sonhei. Estou pronta para mais uns meses de rotina: quero voltar ao ginásio, ver as minhas séries antes de deitar, organizar a agenda no domingo à noite, ir ao cinema de vez em quando, comprar as prendas de natal, ler livros com a manta pela pernas. Nunca me tinha acontecido tal, mas sinto que vivi tanto e tão bem estes últimos meses da minha vida que estou pronta para os guardar nas minhas memórias favoritas e esperar pelo futuro, de forma a arquivar mais e mais. Não deixei "se's" para trás e essa é a melhor sensação do mundo.

Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho - e acho que, como todos os primeiros dias de trabalho, não foi fácil. Percebi que, pelo menos nesta primeira fase, vou ter de fazer coisas que não gosto particularmente e fui logo posta à prova em situações fora da minha zona de conforto. Sei que, agora, não vão ser só precisos 20 segundos de coragem, como quando me atirei do slide abaixo. Aqui vão ser minutos de coragem, horas de coragem, dias de coragem. Vai ser fazer arvorismo sem linha de vida, correr com uma venda nos olhos, fazer escalada só com as mãos. Vai custar, porque ganhar calo custa. 

Mas eu quis isto. Quero isto. Tenho em mim todos os sonhos do mundo e sinto que o início é aqui. Posso fazer esta caminhada às escuras, mas sei que a luz vai aparecendo com a experiência e que todos os passos que vou dando me vão ensinar a caminhar direito e me serão úteis para o futuro. Tenho planos para mim, objetivos à séria - nunca fui de pensar em pequeno. E quero cumprir, quero ter, quero ser o que quiser. Tenho há vários anos uma linha mental definida para mim, aberta para aquilo que a vida me quiser oferecer e forte o suficiente para os trambolhões que possa vir a dar - mas é a ela que me agarro: nos dias felizes para seguir em frente e nos dias mais difíceis para me segurar e olhar bem para o caminho [hoje, por exemplo, dói-me a alma mas vejo a linha bem nítida à minha frente]. E nesse caminho, de todas as vezes que cair, que chorar e pensar em desistir, só me quero lembrar do quão fui feliz nestes dias e em toda a esperança que tenho em mim, porque essa é a única chave que tenho para não entrar em estados que já entrei no passado e de onde nem sempre é fácil sair.

Hoje deram-me as chaves do meu novo escritório, mas é como se me tivessem dado as chaves para o resto da minha vida. Pode doer, custar, estranhar. Mas eu sei que é por aqui. E, dos mil e um planos que tenho para mim, ser [estar, continuar] feliz é o meu maior objetivo de todos. Provei essa coisa da felicidade e agora não quero outra coisa.

04
Set16

3 dias no Gerês

Depois de sair de Penacova e voltar a casa, nem tive grande oportunidade de tirar as coisas das malas. No fundo, fiz só uma "reciclagem" daquilo que precisava de levar no dia seguinte e dormi na minha cama, da qual já estava a morrer de saudades. Combinei, super em cima do joelho, uma ida de três dias ao Gerês com as minhas amigas - eram os únicos dias que tinha livres até começar a trabalhar (depois acabei por não começar na quinta-feira, ficou adiado para a semana) e cheguei várias vezes a pensar em cancelar estes planos: no dia seguinte ao fim de férias ia trabalhar, tinha um trabalho por fazer e coisas para estudar para o meu último exame da faculdade, pelo que seria tudo feito com temporizador e já muito à rasca. Acabei por arriscar e, felizmente, o universo conspirou a meu favor e deu-me mais dois dias de férias para organizar a minha vida.

Decidimos ir para o Parque Cerdeira, em Campo do Gerês. A escolha foi super acertada, adoramos! É um parque de campismo a sério, grande, com imensas infraestruturas (campo de futebol, piscina, várias casas de banho, sala de jogos, mini-mercado, muitas atividades); tem também imensas árvores e muito espaço para tendas, não há forma de nos sentirmos apertados. Para além do mais, a nível geográfico, está perto de tudo, o que é a cereja no topo do bolo.

Mesmo o parque sendo maravilhoso, o que nós queríamos mesmo era explorar o Gerês. No primeiro dia, já a meio da tarde e depois de montarmos a tenda, fomos a uma das praias fluviais que lá há, na barragem de Vilarinho das Furnas. A praia era linda, super calma (estávamos cerca de 10 pessoas) e a água muito limpa e clarinha. O caminho para lá chegar não é difícil - implica uma descida grande, no início em pedras e depois em monte, mas faz-se relativamente bem. Acima de tudo, vale imenso a pena pela paisagem, pela calma e pela água. É uma daquelas visões indescritíveis de tão belas; as palavras não chegam, as fotografias não são fidedignas o suficiente. É de tirar a respiração e uma pessoa só quer poder ficar mais um minuto para poder desfrutar daquelas vistas.

 

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Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

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Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

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Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

O dia seguinte foi dedicado a alguma caminhada e às cascatas. Fomos pelo caminho romano até à Portela do Homem, onde passamos parte da manhã. Descer até à água, para mim, não foi fácil - sou muito naba no que a estas atividades "radicais" diz respeito e imagino-me sempre com menos dois dentes, a cabeça rachada e uma perna partida só de ver aquele amontoado de rochas. Tive medo e fui sempre com mil cuidados, muitas vezes com as duas mãos e pés nos chão, para ter o máximo de equilíbrio possível - ou isso, ou ia mesmo de rabo. 

A Portela do Homem é bonita mas, nesta altura do ano, não é aquela cascata que vemos nas fotografias: por um lado, tem muito menos água; por outro, tem muito mais pessoas. É difícil tirar uma fotografia sem um emplastro atrás. Ainda assim, vale a pena a visita. A água é geladíssima, mas é linda, linda, linda - e faz com que os cabelos fiquem mais macios do que com quilos de amaciador! Na minha opinião, este é um sítio para visitar, tomar um banho, tirar umas fotografias e ir embora - não há muito espaço para circular, há sempre pessoas à volta, tem de se ter sempre mil e um cuidados para dar um passo e o calor das pedras consegue ser infernal. Uma coisa que a mim me perturbou particularmente foram as pessoas a saltar: a lagoa é baixinha e havia pessoas a darem saltos de 4 ou 5 metros, muitas vezes com rochas salientes pelo caminho. Eu não digo nada, mas fico com o coração na boca - e sei que as pessoas que morrem todos os anos nestes sítios devem-no a maluquices mal calculadas deste género.

 

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Portela do Homem

 

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Portela do Homem

 

 

Depois da Portela do Homem fomos até lá cima, à Cascata do Arado. Estava super seca, a cascata limitava-se a um fio de água e esta era muito menos límpida, muito provavelmente por não circular. O caminho até lá foi mais difícil e longo do que para a Portela do Homem, por isso não achei que valesse muito a pena. Em alturas de mais chuva deve ser linda, porque o "caminho" da água é bastante maior, mas nesta altura não se revela nada de especial. Faltou-nos a cascata do Thaiti, mas decidimos não arriscar: segundo dizem, é a mais perigosa de todas e já nenhuma de nós estava virada para mais riscos. Eu confesso que, apesar de ter gostado muito das vistas, respirei de alívio.

 

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Cascata do Arado

 

Nesse dia passamos ainda pela Vila do Gerês e depois voltamos para Campo por um caminho lindíssimo, que repetimos no dia seguinte por termos gostado tanto dele.

O último dia foi um bocadinho diferente: de manhã decidimos fazer uma das atividades do parque, a que chamam "Parque Aventura". No fundo, consiste em algumas atividades que eles lá têm, que incluem arvorismo, slide e escalada. Tudo em ponto pequeno, mas o suficiente para pôr a adrenalina do nosso corpo a circular - em  mim, pelo menos, teve esse efeito! O monitor era incrível, super simpático e engraçado, o que tornou a experiência ainda mais gira. Se forem a esta parque, aconselho muito!

Estas férias foram muito importantes para mim no sentido de superação de barreiras e obstáculos. Sempre fui a menina totó, dos livros, que detestava educação física; aquela que caiu de cara na primeira aula do 7º ano e ficou com um olho negro, a que não consegue fazer a roda, a mais gordinha e menos atlética das amigas. E aqui consegui fazer tudo a que me propus: subi e desci pedras terríveis, andei em cima de fios de uma árvore para a outra, fiz escalada, atirei-me num slide duas vezes (mesmo tendo detestado a primeira!). Limitei-me a não pensar muito e tentar, pelo menos uma vez na vida, e soube tão bem ver que conseguia! Foi óptimo para o meu ego, para a minha confiança e auto-estima.

 Depois das aventuras, desmanchamos a tenda e metemos tudo dentro do carro (outra aventura, portanto) e fomos dar uns passeios de carro, pelos vários miradouros. Ainda tentamos ir ver a vila de Vilarinho das Furnas, que está há muitos anos debaixo de água, mas acabamos por desistir por ainda termos de fazer uns quilómetros a pé. Como já disse, voltamos a fazer a tal estrada lindíssima entre a Vila do Gerês e Campo e parámos várias vezes para tirar fotos e apreciar as vistas. Pelo caminho passamos, claro, por vacas, bois e cabras - algo tão simples como maravilhoso.

A última paragem foi no miradouro da Pedra Bela, com uma vista linda e super completa do Gerês. Há lugar para o carro e sítios próprios para tirar fotos e até para fazer picnics, por isso é óptimo para uma paragem mais prolongada. Depois disso, engolimos as saudades que já apertavam e viemos embora. Eu, pelo menos, vim com a certeza de que quero voltar. O Gerês é aqui tão perto e é das coisas mais incríveis que este país tem.

 

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Caminho Vila do Gerês - Campo

 

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 Caminho Vila do Gerês - Campo

 

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Miradouro da Pedra Bela

 

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 Miradouro no caminho Vila do Gerês - Campo. Para mim o mais bonito de todos.

 

02
Set16

Segundo campismo de família em Penacova

A primeira vez que fiz campismo foi o ano passado, com toda a minha família, numa maluqueira que quis que se tornasse num ritual anual. Fomos para o Lima Escape durante dois dias - apenas uma noite - e a experiência correu super bem. Foi muito cansativo, foi uma logística muito complicada, mas valeu super a pena - soube apenas a pouco, ficamos quase com a sensação de que montamos e desmontamos as tendas ao mesmo tempo.

Por isso, este ano, decidi propor um alargamento dos dias do campismo de família - em vez de dois dias, ficaríamos três, e tínhamos um dia inteiro para desfrutar da companhia uns dos outros. Era algo que já estava a ser estudado há vários meses, pensamos em vários lugares, e acabamos por optar ir para o Parque de Campismo Municipal de Penacova. Primeiro porque era a pouco mais de um hora de carro e segundo porque tinha uma praia fluvial a um quilómetro; foi um golpe arriscado, porque não há praticamente informação nenhuma no Google sobre este parque. Pior: o Google só dá a informação de um parque quando, na verdade, há dois - ou seja, as fotos e os comentários de utilizadores centram-se só num parque (o da Federação e não o Municipal), pelo que nunca se sabe bem de que parque estamos a ver fotos ou reviews.

A ideia era ir sem expectativas e esperar ter sorte. Quando lá chegamos deparamo-nos com um parque muito pequenino e vazio e a reação não foi a melhor. Este não é um parque de campismo como o Lima Escape, cheio de vegetação e que transpira "natura". No entanto, acabou por se revelar óptimo para nós - pudemos ocupar o espaço que quisemos, fazer barulho à noite (tenho músicos na família, é inevitável haver baile e concertos pela noite dentro) e, a parte melhor, tínhamos um salão (que devia ser um antigo café) com cozinha, onde pudemos comer todos juntos, sentados e fazer toda a comida com maior conforto. Era uma das nossas maiores preocupações: levamos campingaz suficientes para tudo, mas não ia ser tarefa fácil fazer comida para trinta pessoas em pequenas bocas de gás e tachos gigantes. O facto de ter cozinha, frigorífico e arca congeladora (algo que não costuma haver em parques de campismo) foi uma ajuda incrível.

Os tempos livres e fora das refeições foram passados na praia do Reconquinho, como todos queríamos. Apesar de ter uma areia pedras terrível, fazia um calor abrasador e os serviços disponibilizados na praia eram de fazer cair o queixo. Aliás, foi assim que todos ficamos quando percebemos que todas as atividades que lá tinham eram grátis. Podia-se atravessar o rio por um slide, andar de kayak, utilizar uma série de bóias e insufláveis que estavam sobre a água, usar guarda-sóis e cadeiras de sol: tudo completamente grátis! Até uma papelaria/livraria tinha, para se "alugar" o jornal do dia. Ficamos incrédulos e quase que desconfiados. Passamos a vida a dizer que "ninguém dá nada a ninguém" e a verdade é que já nem estamos habituados a não pagar por um bem ou serviço, por mais simples que seja. Podia ir-se a banhos, mas a água do Mondego é absolutamente gelada. Eu, que já fui de certeza peixe noutra vida, fui na mesma e a temperatura não impediu que eu passasse a vida a atirar-me à água, de uma ponte que lá havia. O choque térmico era tão grande que o corpo parava e os pulmões ardiam e gritavam por ar - mas depois a sensação era avassaladora. Nadar no rio é maravilhoso.

De resto, o convívio foi incrível. Não é fácil juntar uma família de mais de 30 pessoas e faze-las estar em consonância; não é fácil juntar 13 tendas num sítio, alinhavar jantares e multas, meter toda a gente dentro de carros e arranjar boleias, conseguir meter todas as tralhas dentro das bagagens sem nos esquecermos de nada. É preciso organização, é preciso ser muito chata, é preciso as pessoas quererem e alinharem. Aliás, sinto que depois disto já tenho uma espécie de pós-graduação em gestão de eventos! Mas com uma carga valente de paciência e boa vontade tudo se faz - e acho que ter uma família unida compensa todo o trabalho. Conheço muito poucas famílias como a minha, em que os laços vão para além da grande diversidade de opiniões e estilos de vida que existem entre nós. Já há muitos anos que alguns velhos do restelo vêm dizendo que estes encontros vão eventualmente acabar, que com o aumento da família começa a tornar-se insustentável. Talvez sim. Mas não será antes de eu me cansar de tentar. 

 

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Rio Mondego (a ponte atrás)

 

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Algumas das bóias que havia na praia. [Foto da minha prima]

 

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A minha sobrinha a fazer bolas de sabão. A minha foto preferida. 

 

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Não tenho por hábito partilhar aqui fotos com outras pessoas, mas penso que neste caso faz todo o sentido e acho que a minha família não se importa. Aqui, somos 32 - faltam 7 para a família estar completa mas que, por vários motivos, não puderam vir. Acreditem ou não, olho para esta foto e penso "não somos assim tantos...".

Por também ser a fotografa de serviço, esta é a única foto que tenho no campismo em si. 

 

01
Set16

É possível vir de férias mais cansada do que quando fomos?

É, porque eu estou toda partidinha. Mas partida num bom sentido, como quem vem do ginásio depois de um treino intensivo e já sente o corpo todo dorido, mas sabe que é para um bem maior. Eu estou dorida, cansada, pisada, com as pernas todas arranhadas e esfoladas, mas com aquela sensação maravilhosa de missão cumprida.

Consegui. Consegui ultrapassar os dias depressivos e iguais de todos os verões e tornar este, o meu último verão grande, o melhor de todos. Fui sentido isso à medida que ele ia passando, mas nunca o quis dizer em voz alta: não sou de superstições, mas tinha medo que, exteriorizando, o prego virasse e algo corresse mal (não seria a primeira vez). Mas hoje, 1 de Setembro, data não-oficial para o fim do verão mas o prazo que auto-defini para tornar estes meses memoráveis, posso dizer sem medos ou meias palavras que este foi o verão mais completo e feliz da minha vida. Não foi só porque aconteceu ou porque as oportunidades surgiram, mas também porque eu quis: disse que "sim", atirei receios para trás das costas e disse para mim mesma "é só uma vez na vida" e "são só precisos 20 segundos de coragem, Carolina". Quis que este fosse O verão.

Sinto que estou em viagem desde Maio: Londres. Algarve. Estocolmo. Helsínquia. São Petersburgo. Tallinn. Riga. Peso da Régua. Penacova. Gerês. Pelo meio tive o cortejo académico, o lançamento do novo Harry Potter na Lello, perdi um avião a vir de Londres, vi a Adele ao vivo, Portugal ganhou o europeu, maravilhei-me com as vistas do Báltico, consegui arranjar tempo para ir uma vez à feira medieval de Santa Maria da Feira, fui ao museu do FCPorto, tornei a andar de kayak, estive quase uma semana a acampar.

Acho que não podia pedir mais nada, pois não?

 

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