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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

05
Mai16

Dores de crescimento

Ando chateada. Tenho uma vida fantástica, mas nas últimas duas semanas não tenho conseguido que o nó na garganta se desfaça, nem que os meus trapézios deixem de doer de tão contraídos que andam. Não ando chateada com ninguém, apenas comigo.

Sempre fui uma miúda decidida, de ideias fixas e argumento na ponta da língua para poder defender as minhas posições; sempre fui de sofrer por antecipação, mas com uma boa capacidade de tomar as decisões difíceis quando assim tinha de ser, sem que a ansiedade me comesse viva; sempre fui equilibrada no que diz respeito à minhas opiniões e às opiniões dos outros - daqueles que me importam -, de forma a conseguir medir o que de facto devia fazer, levando a coisa a bem. E, nestes últimos tempos, não sei dessa Carolina.

A ansiedade persegue-me, principalmente desde que fui operada. A minha fobia passou dos médicos para as curas - agora tenho medo de tudo o que possa ter e das potenciais consequências que isso possa trazer, principalmente se incluir um bisturi à mistura. Pode ser um jeito qualquer que dei, que já estou logo a pensar que tenho de pôr uma prótese - e isso, por muito engraçado que pareça, come-me viva. 

O fim destes 15 anos de estudos consecutivos também me afetou - de tal forma que, em nome de ser finalista, abri portas que nunca pensei abrir. Fui ao cortejo - e nessa noite chorei desalmadamente, porque caiu em mim uma sensação de fim que, até agora, ainda não tinha chegado; não fui à serenata, à bênção das pastas nem à queima - mas tentativas por parte dos outros não faltaram e fizeram-me vacilar. Muito. E se há um ano me diziam que eu iria hesitar na minha resposta (um "não" óbvio), eu não acreditaria; e a verdade é que estive a "isto" de pôr os pés no queimodromo - só para não desapontar as pessoas que sei que gostam de mim (e talvez pelos pães com chouriço que dizem haver por lá). Porque a verdade é que eu nunca fui porque nunca quis - e nada mudou até hoje. Apenas o facto de querer corresponder às expectativas de quem me rodeia, num anseio permanente de perder as poucas pessoas que me rodeiam.

Por outro lado, a proposta de trabalho também caiu como uma bomba em cima de mim. Aceitei - porque era uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar: por ser uma oferta que veio do meu trabalho, do meu suor e por meu mérito; por poder continuar a trabalhar num mundo que sempre foi o meu e por poder alia-lo ao meu curso; por poder trabalhar com um chefe que sei que, apesar de exigente, me dará as oportunidades certas. Mas até aceitar, o peso em cima dos meus ombros aumentava de dia para dia - e eu deixei de conseguir discernir o que queria para mim daquilo que os outros queriam. Mais uma vez as expectativas a passarem-me a perna - de tanto querer que tudo seja perfeito e de forma a que ninguém fique defraudado, afundei-me em dúvidas e no meio das palavras de todos os outros, sem conseguir ouvir as minhas.

Ao mesmo tempo, tive de lidar com o choque de uma mudança de planos: a mudança mais drástica de todas as vidas - a de deixar de ser estudante e a de passar a ser trabalhador. Passar de miúda a adulta. Já não ter tardes livres, já não ter férias grandes e não poder faltar só porque sim. Algo que sempre quis (quer dizer, não a parte das férias...) mas que, para uma control freak que já estava a planear as suas férias e a imaginar as tarefas na sua agenda como "apanhar sol" ou "acabar de ler o livro X", foi um golpe duro de suportar. 

No fundo, é só muita coisa ao mesmo tempo. Muitas janelas a fecharem, muitas portas a abrirem - e uma corrente de ar que, por momentos, me deixa verdadeiramente doente. Coisas boas que, com elas, trazem consequências piores; transições difíceis e dolorosas; dizer adeus ao estilo de vida que conheci até aqui e separar-me dos poucos amigos que fiz nestes tempos. E toda uma mudança em mim que me irrita profundamente, que me chateia e que me magoa. 

Tudo isto é tão bom e inesperado como difícil de digerir. Porque, caraças, é agora. Passou demasiado rápido e eu nem sequer sei como cheguei até aqui. E a minha nova veia ansiosa e insegura só espera que eu não me arrependa de tudo isto: destes 3 anos que eu vivi como quis, à luz daquilo em que acredito, mas que poucos chamam "viver". Quero apagar esta semente de dúvida que, não sei como, implantaram em mim - e começar a minha nova fase com decisões firmes, como fiz ao longo da minha vida. Com tudo aquilo em que acredito e que, no fundo, sou - e sempre fui. 

Porque é agora que vou precisar de tudo isso. Agora.

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