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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Jan16

Um novo corte para uma nova fase

Nos últimos dias desta minha "prisão", não conseguia parar de pensar no quanto queria cortar o cabelo. Aquilo que era só uma mera ideia há um mês atrás tornou-se uma necessidade. Precisava de mudar, de estabelecer um fim num capítulo menos positivo e assinala-lo de alguma forma. Já não é a primeira vez que o faço e as mudanças no cabelo sempre me souberam pela vida.

O meu cabelo, apesar de longo, estava como eu: resignado àquilo, "preso" por circunstâncias (e vontades) que lhe eram externas, sem forma, sem grande vida, sem personalidade. E enquanto estava deitada no sofá durante todas as horas do dia, pensava muitas vezes em como queria mudar, em como queria tanto que isto acabasse e de o assinalar de alguma forma.

Foi por isso que, mal me vi sem os pontos e vi que me conseguia sentar (ainda que por tempo limitado), liguei para o cabeleireiro e marquei para dali a duas horas. Sabia exatamente o que queria - tinha visto, ao longo dos últimos dias, centenas de penteados curtos e tirado ideias dos meus preferidos; gravei imagens no telemóvel, ponderei o que me ficaria melhor. E, quando lá cheguei, disse exatamente o que queria, com todos os detalhes, e mostrei imagens de tudo: de como queria a parte de trás, de como queria a repa, de como queria o ondulado. E mesmo antes de o secar e ver o resultado final, percebi que tinha ficado exatamente como queria. Perfeito.

Pode parecer fútil ou parvo o facto de a primeira coisa que eu fiz mal pus os pés de casa foi ter ido a um cabeleireiro, mas eu não o vejo como tal. Vejo-o como uma marcação de um novo início e de algo que já queria há algum tempo. Uma lufada de ar fresco. Arriscar, sentir aquela adrenalina do corte. Sentir-me viva e bonita como já não sentia há meses. Porque um corte pode não ser (e não é, no meu caso) só um corte; a imagem importa, a auto-estima importa e sentirmo-nos bem connosco mesmos também importa - e muito!

Sinto-me pronta para o que aí vem. Que esta fase seja tão fresca, vibrante e com tanta personalidade como o corte do meu cabelo. Devo admitir que estou ligeiramente apaixonada por esta cortadela. 

 

DSC_0044.JPGDSC_0055.JPG

 

 

(para quem não estava a par, há dois meses, estava assim - ontem já estava, portanto, um bocadito maior:)

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18
Jan16

Liberdade, liberdade, liberdade!

Acabei de vir agora do hospital, sem pontos. Já foram os da perna e já foram os do cóccix - neste fim-de-semana, este últimos já me estavam a incomodar seriamente. Eram pontos muitos grossos, tipo arame, e a maior parte do corte já estava altamente cicatrizado e os pontos a incorporarem-se na carne (não sei explicar melhor isto) - isto fazia com que o mínimo movimento me doesse, em toda a cicatriz. Para além disso, já estava a ficar cansada e sem paciência para esta prisão domiciliária - por um lado tinha aquelas dores, mas por outro já me sentia melhor e sabia que a cicatrização estava a correr lindamente. A impaciência estava a matar-me.

Escrevo-vos sentada, pela primeira vez, desde há quase um mês. Ainda não me sento normalmente, ainda um bocadinho de lado, mas ao menos já me sento. Não sabia que se podia ter tantas saudades de um simples movimento como sentar. Não fazemos ideia de quanto o rabo nos faz jeito, não só para sentar mas para todo um outro mundo de coisas que fazemos no dia-a-dia e nem notamos. Baixarmo-nos, apanhar coisas, esticarmo-nos, deitarmo-nos. Enfim. 

Ainda não estou totalmente livre, porque a cicatrização não está completa e tenho de continuar com o penso. Mas, fora isso, a minha vida pode ir voltando normalmente ao normal. Só o facto de já me poder sentar ajuda-me tanto, tanto, tanto a reaver a minha vida! Poder estudar, trabalhar, escrever aqui, conduzir, escrever postais, andar de carro de uma forma geral (era das coisas que mais me custava, devido aos solavancos). E, claro, poder voltar a sair de casa. Quero ir ao cabeleireiro e cuidar de mim (passar 15 dias de pijama mata um bocadinho a nossa auto-estima), quero ir à praia ver o mar, quero tirar fotos, quero acabar o meu curso de fotografia, quero ir jantar fora, quero cozinhar, quero pôr os exames para trás das costas, quero ir ao cinema, quero ir às compras. No fundo, só quero viver. Fora deste sofá.

Apesar de ainda não totalmente curada, sinto que hoje se fechou mais um capítulo para mim. Daqueles difíceis, mesmo difíceis. Só eu sei (e talvez alguém com paranóias semelhantes às minhas) a prova de superação que isto foi para mim. Uma cirurgia, anestesia geral, ter pontos, um dia de internamento, fazer análises, ter um catéter direto para a veia, fazer o penso umas duas vezes por dia, só sair de casa para ir ao hospital, tirar os pontos. Uau. Uau. Uau. Sinto apenas um misto de alívio, superação e, neste momento, liberdade. 

Hoje, enquanto vinha para casa depois de sair do hospital, chorei. Por sentir que o martírio acabou. Nesse momento, e por coincidência, o Jamie Cullum cantava na rádio (algo raro, o que ainda me soube melhor). Deu-me ainda mais a sensação de um novo início.

O meu ano começa agora. Mais livre, mais feliz e com mais vontade de viver. Sobrevivi (ufa!).

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