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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

03
Jan16

Apatia (e até já)

Vai fazer sete anos que ando nesta brincadeira dos blogues (nem eu me quero acreditar no que acabei de escrever, mas contra factos não há argumentos) e vi muitas fases da blogosfera a acontecer, tal como ela viu as minhas fases da vida a passar. Umas boas, outras más, outras espetaculares. E uma das muitas coisas que aprendi - tanto pelo feedback que tenho como por também eu ser leitora de blogues - é que as pessoas não gostam de ler coisas tristes, de pessoas tristes e depressivas.

Talvez por isso eu, ainda hoje, fique incrédula com a quantidade de pessoas que me lêem há muito tempo (que, para efeitos estatísticos, são poucas - mas para mim são muitíssimas). Sempre tive uma veia depressiva muito enraizada em mim e, principalmente quando comecei a escrever, sentia necessidade de passar mensagens mesmo muito tristes. De alguma forma, ao longo dos anos, tenho vindo a trabalhar isso em mim, de forma muito consciente e esforçada. Acho que os resultados (para quem me conhecia antes disso) são muito visíveis, tanto naquilo que escrevo aqui como em mim, na forma como ajo diariamente. E eu estou super orgulhosa de mim por isso.

Ainda assim, eu acho que esse tipo de características, ainda que atenuadas com bastante esforço da nossa parte e pela própria vida, nunca deixam de estar cá, guardadas no nosso ADN. E, no meu caso, saem cá para fora em momentos de desespero. Isso e outras características gigantes e deploráveis, como um egoísmo enorme que vive dentro de mim e que era capaz de irritar até a alma mais calma deste planeta. Acreditem. Isso e a apatia.

Apatia é, hoje, o meu nome do meio. Ou isso ou seriam os ataques de pânico constantes, o choro constante e... enfim, outras coisas chatas (e também constantes). Não espero - nem quero, porque não desejo mal a ninguém - que alguém compreenda. A minha natural tendência para a depressão e uma fobia - daquelas a sério, porque tenho a impressão que hoje em dia tudo é uma "fobia" - juntaram-se e derrubaram-me por completo no início deste ano.

No dia 31 vi-me obrigada a marcar a minha operação, que vai ser já na próxima terça-feira. É uma operação corriqueira, sem grandes riscos (não mais do que uma operação com anestesia geral envolve), mas não deixa de ser uma operação. Num hospital. Com médicos e outras pessoas com bata à volta. Num bloco operatório. Numa maca onde vou ter de pernoitar. (E só escrever isto tudo deixou-me com as mãos trémulas). Eu sabia que ia ter, um dia, de marcar a operação: mas ter de a antecipar, matou-me ainda mais por dentro. E não o escrevo como uma expressão, mas como algo que literalmente sinto: desde que acordo até que me deito, é uma dor-não-dolorosa que me acompanha sempre. Talvez por isso tenha dormido tanto nos últimos dias e feito tão pouco. Tenho trabalhos da faculdade a acumularem-se de forma preocupante, tenho coisas que queria fazer e que não faço, sou obrigada a não ir às últimas aulas do meu curso de fotografia que tanto gostei. Para além disso, opto por não falar muito (ou gritar, algo que me apetece) nem por escrever sobre o assunto. Escolho guardar esta dor que ninguém percebe (e demasiados julgam) dentro de mim e esperar que passe. Sinto que recuei desde há uns anos para cá e fui buscar toda a depressão que lá deixei ficar. E só quero que passe depois deste pesadelo passar.

Tal como disse acima, não quero - tanto por mim como por quem lê - escrever sobre coisas tristes. Mas este continua a ser o meu blogue, o meu "diário" aberto, por isso sinto que lhe devia a ele uma nota por este momento que passo e a vocês, que me lêem, a novidade de que na terça-feira vou à faca - razão pela qual não devo escrever nos próximos dias, até porque (como já disse) não me apetece escrever, falar ou dizer o que quer que seja. 

Conto voltar em breve, com um peso a menos - tanto no corpo como (principalmente) na alma.

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