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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

15
Out15

Chávena de letras - "Apenas um dia"

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 Gayle Forman tem claramente o dom de me fazer ler livros em tempo recorde. Embora adore ler, tenho normalmente paciência para saborear os livros com alguma lentidão - ou simplesmente o tempo que preciso para os absorver convenientemente. 

Este livro divide-se em duas grandes partes: a primeira bastante doce, naive e deliciosa (com Paris envolvido, difícil é não ser delicioso) e uma segunda inicialmente num clima mais depressivo e depois crescentemente mais maduro e decidido, acompanhando o crescimento da personagem.
Este continua a ser um livro "adolescente", que retrata uma paixão repentina mas muito forte, embora desta vez não tenha o típico "príncipe encantado" clássico - o que não quer dizer que não nos envolvamos completamente na paixão daquelas duas personagens, com aquela história que todas as miúdas, pelo menos uma vez na vida, já sonharam.
A escrita continua ser fácil, o que permite uma leitura rápida (ou quase devoradora) o que, aliado à história, faz com que seja obrigatório ler este livro (pelo menos para quem gosta do género: um mundo mais naive, perfeito e ainda pouco marcado pelas marcas e experiência que a idade dá , eventualmente, a todas as pessoas). No fundo, é um bom escape do dia a dia. Vou definitivamente ler a sequela.

13
Out15

Aquela sensação terrível de vazio...

De quando acabas de ler um livro que adoraste e não saberes o que vais fazer da vida depois disso. 

 

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[isso e estar com um ataque de hipocondria terrível só porque dei um "jeito" com a anca - já me estou a imaginar numa mesa de operações a colocar uma prótese só (só!!!!!) porque a perna está a estalar - há definitivamente dias em que a maluqueira e a fobia dos médicos descem demasiado em mim; e nesses dias, o melhor é mesmo ir dormir o mais rapidamente possível]

11
Out15

Acasos da vida

Começou a semana passada o curso de fotografia - e também a velocidade caótica característica da faculdade. Ando dormente, muito cansada e com muita vontade de dormir - só de ontem para hoje dormi dez horas seguidas, sem me mexer na cama, coisa extremamente rara em mim; por outro lado ando com horários de velha, a deitar-me super cedo e a acordar com as galinhas, mesmo sem a ajuda do despertador. Tenho precisado da ajuda do café para retomar o ritmo mais duro da vida universitária, princiaplmente com os afazeres extra que me meti neste semestre.

Mas voltando ao curso: a primeira aula correu bem e acho que tem tudo para correr ainda melhor se conseguir investir o tempo que quero nisto. Há que admitir: não estou com a força e a vontade gigante com que estava no fim do verão, mas tenho a certeza que o entusiasmo vai voltar quando começar a pegar na câmara e vir resultados. Mas a parte mais gira disto tudo foi quem eu lá encontrei.

Mal entrei no edifício, cumprimentei rapidamente aqueles que vão ser os meus colegas nos próximos meses e reparei numa cara conhecida. Foi minha professora no 7º ano - ou seja, há mais de sete anos -, mas achei sinceramente que não ia saber quem eu era.

- Olá professora! Lembra-se de mim?

Ela olhou para mim com ar de estranheza, não me reconhecendo imediatamente, mas passado poucos segundos algo na cara dela mudou.

- Carolina Guimarães, certo? - perguntou-me, quase retoricamente.

Fiquei sinceramente espantada por se lembrar de mim, tendo em conta que só foi minha professora um ano (embora me lembrasse também perfeitamente do nome dela). Ficamos à conversa: o que se faz, como se está e essas conversas do costume e no fim ficamos juntas, na mesma mesa, a assistir à aula. Ou seja: acabei numa aula, sentada ao lado de uma antiga professora, sendo que agora somos ambas alunas. Há ou não há coincidências giras nesta vida?

11
Out15

Chávena de letras - "Ondas de calor"

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 Este não era um livro para demorar quase um mês a ler, como aconteceu comigo - nem sequer se deve demorar tanto a lê-lo, tendo em conta que é importante ter a história e todos os nomes bem presentes para se perceber a obra na perfeição.

No fundo, este podia perfeitamente ser "só" mais um episódio de "Castle" - as personagens são tal e qual as da série, com as mesmas ligações e tipo de relação, apenas com nomes diferentes. Mas a verdade é esta: resulta melhor no ecrã do que no papel.
São histórias pequenas mas ricas em pormenores e personagens, que tanto podem ir embora ao virar da página como ser cruciais no decorrer do livro - num episódio, como é um período de tempo curto, uma pessoa absorve tudo com facilidade, mas num livro há muitas coisas que acabam por ficar pelo caminho - principalmente se o leitor se desmotivar (como foi o meu caso) e demorar demasiado tempo a lê-lo.
Acho graça à ideia de se transpor as obras da personagem da série para a vida real, mas não passa de uma espécie de "merchandising escondido" que não tem assim tanto valor como isso.

10
Out15

Uma (suposta) tatuagem

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[calma, meus amigos, que esta ainda não é real - pelo menos por agora]

 

Durante o Primavera Sound tive um mini-momento de loucura - que, feliz ou infelizmente, não foi acompanhado por um momento de coragem - onde soube que queria fazer uma tatuagem. No recinto, numa daquelas mini-lojinhas, havia uma onde se faziam tatuagens e eu estive a "isto" para lá ir. Depois a racionalidade do costume desceu em mim e decidi que não, que aquela não era a altura certa para fazer uma escolha que implicaria o resto da minha vida. Ainda assim, nos dias seguintes, fiquei surpreendida por aquela minha vontade - porque nunca foi algo que eu quisesse, nunca gostei de coisas que depois não pudesse alterar e não gosto propriamente de ver mulheres com o corpo todo tatuado (nem homens, para dizer a verdade).

No entanto, o bichinho já tinha sido implantado quando vi uma publicação intitulada de "tiny tatoos", há mais de um ano. Achei que vos tinha mostrado isso aqui, uma vez que adorei mesmo a ideia, mas já fui procurar e não encontrei, pelo que suponho não ter publicado nada. No fundo, era um conjunto de fotos com tatuagens muito pequenas, com, nó máximo, uns três centímetros. Houve uma em particular que me roubou o coração: um conjunto de aspas - eu vi aquilo e achei que fazia todo o sentido para mim; pelo amor que eu tenho às letras - aquele que descobri quando me achava uma miúda de ciências -, pelo amor que tenho aos livros e à escrita e pela alimentação do sonho que me guia, que é escrever (e, pelo meu pai, que continua a querer que eu ganhe o prémio Nobel). 

Para além do mais, seria uma coisa minúscula, que mal se notaria e que estaria a maior parte do tempo escondida pelo relógio. O fator dor (ao fazer a tatuagem) também não conta muito, uma vez que - suponho, por ser tão pequena - seria algo muito temporário. E mesmo a remoção via laser, se um dia assim o desejasse, não deve ser assim tão complicado (devido, mais uma vez, ao tamanho da mesma). Posto isto, só falta a tomada de decisão - que, acredito, ainda pode demorar anos.

Ainda assim, decidi fazer um teste e ver como ficava. Mandei vir dos EUA uma novidade, que consiste numa tinta que se infiltra na pele e que dura duas a três semanas (dizem eles) - originalmente vem sempre um stencil a acompanhar a tinta, para se fazer um desenho todo giro e direitinho, mas como eu tinha uma ideia muito definida do que queria e ela não existia no catálogo, decidi comprar a tinta e fazer eu própria. E, acreditem, para o pouquíssimo jeito que eu tenho para estas coisas, ficou incrivelmente bem. Uma das coisas que queria testar, para além da minha reação à "tatuagem" e a minha relação com ela, era aquilo que os outros achavam dela (ou se chegavam mesmo a reparar). Passou quase uma semana e pouca gente reparou - ou se repararam nada disseram, o que não é mau de todo (suspeito que se fosse alguma coisa enorme toda a gente acabaria por comentar e perguntar); quem reparou gostou, por isso o resultado é muito positivo.

Quanto a mim, e apesar do desenho estar um bocadinho torto e idealmente faltar o outro par de aspas, posso dizer-vos que estou um bocadinho apaixonada por este meu "novo pulso". A ver vamos no que dá.

 

A pedido de muitas famílias, deixo aqui o link para o site onde podem comprar a tinta. Atenção: demora mais de um mês a chegar e, no meu braço, não durou mais do que uma semana a sair.

09
Out15

Alguém me tire o pão da frente!

Quem vos escreve é a voz da culpa - e já anda para vos escrever há uma semana, mas o tempo não abundava. E qual é a razão dela ser chamada ao barulho? Eu digo: o pão com manteiga.
Antes de escrever isto tudo talvez seja importante começar por dizer que eu, em caso limite, alimentava-me só a pão: e acho que não seria menos feliz por isso; só gorda. Eu adoro e sempre adorei todos os pães (desde que tenham sal): dos mais claros aos mais escuros, grandes e pequenos, com sementes ou só farinha... marcha tudo! Há, como é óbvio, os meus favoritos: não resisto a uma boa regueifa e adoro pães massudos, cheios de farinha, como é o pão de água - e se ao pães em geral já é difícil resistir, a estes dois em particular é praticamente impossível.
Eu admito que, desde muito pequena, sempre tive alguma inveja dos meus colegas que tinham pãozinho fresco logo pela manhã, que comiam uma sande de pequeno-almoço e outra ao lanche. Eu, como vivo um bocadinho longe de tudo, nunca tive pão fresco de manhã - era preciso um dos meus pais sair de carro, ir buscar e na altura não era fácil. Quando me apetecia tinha pão seco, do dia anterior, e fazia torradas - outra das coisas que podia comer até ao fim dos meus dias. Mas o bichinho sempre esteve cá, sempre desejei ter uma mesa de pequeno almoço como aquelas que aparecem nas telenovelas mas que nunca devem acontecer na vida real, com bolinhos frescos e coisas que tais.
Mas a sorte (ou não!) bateu-me à porta: desde o verão que temos uma nova senhora a trabalhar cá em casa que, antes de vir para cá, passa numa padaria, logo tenho - pela primeira vez na minha vida - pãozinho pela fresca! E querem adivinhar que pão é? Pão de água - sim, aquele que é impossível resistir à tentação!
De manhã tenho-me portado bem e já voltei ao meu regime de pequenos-almoços saudáveis, com a minha fruta e um iogurte (e agora introduzi a granola, para comer de vez em quando - e estou a adorar!) - até porque sempre que vou para as aulas saio antes da senhora - e do consequente pão fresco - chegar. Mas a desgraça é durante a tarde: eu quase que posso jurar que ouço o pão a gritar por mim, a implorar-me para o barrar com a manteiga e o comer como lanche. E eu, que sempre tive uma personalidade forte mas onde a comida sempre constituiu um ponto fraco, acabo por não resistir à tentação e por lhe fazer a vontade. A loucura é tal que eu quase que já sonho com o meu lanche da tarde, de tão delicioso que aquilo é. E podem tirar-me os bolos, os açucares e os folhados: voltei às origens e não quero outra coisa.
Porque, de facto, não há nada tão delicioso e tão simples como um belo pão com manteiga. E digo-o com a memória fresca, que ainda sinto o saborzinho do pão e meio que comi há pouco aqui no palato. E também o sabor da culpa, que isto não pode continuar assim se não quero acabar tipo pipo, mas essa sabe bem pior e prefiro esquecê-la enquanto não cortar com tudo isto radicalmente. Até lá, vou para a zumba e sonhando com o lanchinho da próxima segunda-feira.

 

06
Out15

De volta às séries

As séries são, para mim, uma cena de inverno. Primeiro porque a maioria é nesta altura que sai (começam em Setembro/Outubro e terminam algures em Maio) e segundo porque as associo a noites frias com a manta às costas e um leite com chocolate bem quente na mão. Esta ideia entranhou-se de tal forma em mim que mal consigo ver episódios durante o tempo quente - que é precisamente aquele em que tenho demasiado horas livres para preencher, ao contrário do inverno, em que ando sempre a correr e a tentar arranjar um tempinho para ver aquilo que gosto (que é outra coisa que associo às séries - a correria e a sensação de rebeldia - ainda que pequena, vá - de estar a gastar tempo precioso em algo que não devia).
Este verão, por essa mesma razão, mal toquei nos torrents - e tinha muita coisa para ver! Com o Fora da Caixa a roubar-me todo o tempo útil no fim do mês de Abril e Maio e depois com o stress da entrega de trabalhos, todas as minhas séries -sem qualquer excepção - ficaram em stand by. Tinha todos os episódios aqui para ver, mas como não tinha tempo fazia batota: abria-os, fazia um zapping rápido para ver como é que a história ia e pronto, tinha sempre uma versão ligeira de cada episódio em menos de cinco minutos. Ou seja: cheguei ao fim de todas as séries com uns cinco (ou mais) episódios em falta, mas a saber a história de todos (o que, passado algum tempo, acaba por nos tirar a vontade de ver).
A única série que acabei por ver no Verão foi o How to Get Away with Murder - aquilo enlouquece-me, a forma de contar a história tira-me do sério e mal me lembrei que ainda não sabia o final daquilo, fui a correr ver. Mas foi a única - todas as outras (Arrow, Outlander, Grey's Anatomy, Castle, Criminal Minds - embora estas duas últimas costume acompanhar no AXN, para fazer companhia aos meus pais - é um ritual que gosto) ficaram de fora. E portanto, agora que já estão de volta ou mesmo aí ao virar da esquina, vou ter de levar com uma overdose de séries para me atualizar. Para pôr a cereja no topo do bolo, queria mesmooo começar a ver House of Cards, que dizem ter muito de assessoria política, poder e muito do que aprendemos, ainda que de forma exagerada, no nosso curso.
Dou assim por aberta a época oficial das séries. Tragam-me mantas e leite com chocolate bem quentinho, que vou precisar. E tempo - acima de tudo, tempo!

 

04
Out15

As festas rurais de família

Costumo dizer que vivo no campo dentro da cidade - e adoro. Tenho horta, animais e árvores de fruto - somos quase auto-suficientes neste campo (e o que não temos compramos na feira, só muito raramente em supermercados). Admito que não sou eu que cuido da bicharada ou que ando a regar ou plantar os legumes, mas adoro esta ideia de comer o que é nosso, sem todos aqueles produtos terríveis, com a compensação de que tudo tem mais sabor. Esta ideia mais tradicional encanta-me enormemente e é algo que quero que perdure pela minha vida fora. 

Felizmente, na minha família, não somos os únicos a ter este misto de vida rural/urbana e, durante vários anos, isto fez com que fizéssemos algumas celebrações um pouco fora do normal e das tradições básicas, como o Natal, o São João ou a Páscoa. Aqui em casa costumava festejar-se o São Martinho, com algumas (poucas) castanhas aqui de casa, aproveitando-se muitas vezes o "verão de S. Martinho" para fazer a última festa do ano no exterior.

Nos meus tios fazia-se tipicamente a desfolhada, onde passávamos uma tarde ou uma manhã a recolher o milho que normalmente se dá aos animais durante o resto do ano - acho que esta foi a primeira "celebração" do género e que fez com que o bichinho pegasse. Chegamos a fazer a apanha do milho em dias de calor abrasador, com direito a banhos de mangueira e tudo - e é claro que depois do trabalho vinha a comidinha e o convívio mais convencional. O ato de apanhar milho é muito giro e é claro que os gritinhos sempre que alguém tocava num "morcão" (nome que damos ao bicho do milho) ou caía eram sempre razão para risota - isso e a comichão terrível que a farinha do milho faz, tanto na pele como no nariz e pela garganta abaixo.

Outra coisa que chegamos a fazer um par de vezes foi a matança do porco - isto já requeria mais trabalho e experiência, pelo que era um fim-de-semana inteiro nisto. O primeiro dia era para matar (calma, não havia aqueles urros horríveis, já nessa altura se punha o porco inconsciente antes de se abater), queimar, esventrar e essas coisas horrendas e só no segundo é que ia lá o talhante, bem pela fresca, cortar e dividir a carne para todos os que quisessem. E, claro, depois comer - o almoço era carne bem fresquinha, com direito a papas de sarrabulho a acompanhar. Também era giro, mas acabamos por não fazer mais - primeiro porque a carne tinha um paladar muito forte (os porcos caseiros têm um sabor muito diferente daqueles que compramos nos supermercados), depois porque o ritual de tudo aquilo é, para além de macabro, bastante demorado e, por fim, porque quem cuidava dos porcos acabava por se afeiçoar e era todo um problema quando chegava o derradeiro dia. 

Hoje em dia, por falta de tempo, vontade ou dificuldade de reunião, este tipo de junções são cada vez menos vulgares - e eu tenho imensa pena, porque era dos eventos familiares que me davam mais gozo. Não era só comida e bebida mas também o trabalho conjunto com vista a um fim. Mas aquilo que eu gostava mesmo, mesmo mesmo para completar a panóplia de tarefas rurais era fazer uma vindima - nós temos algumas vinhas aqui em casa, mas são pouquinhas e para consumo próprio (nem sequer convém apanhar tudo de uma vez porque não damos vazão), por isso nunca seria uma vindima a sério. Resta esperar que alguém compre uma quintinha no Douro para pôr estas mãos a trabalhar...

 

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[primeira desfolhada, há 11 anos - eu de chapéu verde] 

02
Out15

A irracionalidade do futebol que não quero explicar

Na terça-feira fui ao estádio ver o meu Porto jogar contra o Chealsea. Ah!, e as saudades que eu tinha de ir a um estádio de futebol e vibrar com aquilo tudo! A última vez que entrei no Dragão foi em Julho do ano passado e foi num jogo de celebração do Deco - ou seja, foi giro mas não houve adrenalina à mistura.
Eu sei que muita gente não percebe esta panca do futebol, que tem mil e uma coisas a criticar (muitas que eu subscrevo), mas é de facto, para mim, um mundo maravilhoso. Representa provavelmente o único campo onde eu deixo a racionalidade de lado e simplesmente... sinto. Ainda há uns dias estive numa espécie de discussão em que tentei explicar que não gostava nem do Mourinho nem do Ronaldo - com as minhas razões, claramente mais emocionais do que racionais, mas que não deixam de ser as minhas. É algo que eu não quero ter de explicar ou discutir - é algo tão meu, tão estúpido, tão irracional como adorar o FCPorto desde o fundindo do meu coração desde que me lembro de existir. Sinto tudo - com muita intensidade - e isso basta-me. Já faço questão de me explicar, debater e argumentar em tudo o resto, por isso deixo que o futebol seja o meu espaço de irracionalidade pura, de ódios de estimação e de paixões assolapadas.
Ir ao estádio é a consumação de tudo isto - só não vou mais vezes porque não tenho companhia, senão até o lugar anual comprava e fazia questão de lá estar praticamente todas as semanas. Neste jogo consegui arrastar o meu pai, mas é caso raro - ele é mais adepto de sofá, sem as correntes de ar do estádio e os palavrões dos adeptos que saem em cada direção. Porque ir ao estádio é mesmo sentir aquela energia da multidão, gritar quando os outros gritam e cantar quando os outros cantam - mesmo que não saibamos a razão para o protesto ou a letra da canção. É, literalmente, o "go with the flow". Porque para se ver futebol a sério mais vale ficar em casa - vê-se dos vários ângulos, com repetições, com linhas imaginárias para o fora de jogo; e não há gente mais alta do que nós e que nos impede de ver para a frente, pessoas a mandar-nos o fumo do tabaco diretamente para a cara ou a gritar impropérios praticamente aos nossos ouvidos. Ir ao estádio é sentir a união e a força de milhares de pessoas todas diferentes mas que querem uma coisa em comum: a vitória do clube que amam.
E quando essa vitória é frente a um treinador de quem não gostamos particularmente e que é dito como o melhor do mundo... tudo sabe infinitamente melhor. Ai, ai... como eu fui feliz na terça-feira =)

 

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01
Out15

Reabilitação de escrita

Algo mudou no início do verão no que diz respeito à escrita. No fundo, fiz merda com o blog, disse coisas que não devia - que são as coisas que quero dizer, que quero escrever por precisamente não as poder dizer a ninguém por ser indelicada mas que às vezes me esqueço que também não posso dizer aqui. E não foi a primeira vez que aconteceu. Fiz merda e isso trouxe a mim todas as outras dúvidas relativamente a este espaço - na altura escrevi sobre isso, pensei se devia continuar e acabei por ficar (até porque o estado mental em que estava na altura não era o acertado para decisões radicais). Mas a verdade é que houve um clique na minha cabeça e as coisas mudaram.
Eu via - e vejo - a escrita não só como um prazer mas também como um trabalho. Li um dia, num livro do Mário de Carvalho, que quem queria escrever devia ver isto como um trabalho, que o devia fazer todos os dias para não perder a prática e ir treinando. E eu assim fazia - sei que não podiam ser os melhores textos; sei que no fundo, quem me lê, sabe quais são os textos que vêm diretamente do coração e não são puxados a ferros pela cabeça. Mas sempre fiz um esforço para arranjar sobre o que escrever, de ter sempre uns minutos em frente ao teclado e de fazer por criar esse ritual, por melhor ou pior que o tema e o texto fossem. Era um treino para o futuro, um meio para atingir um fim - e ainda por cima com "avaliações" constantes por parte das pessoas que me lêem, o que é ainda melhor.
Mas isso evaporou-se. Passei tanto tempo sem escrever e sem querer escrever que perdi hábitos de escrita. Há dias em que nem sequer ligo o computador - e mesmo que ligue, é quando o desligo e me meto na cama que me apetece escrever. Por outro lado, se abro a página do editor, acabo por demorar imenso tempo para escrever meia dúzia de linhas - algo que nunca me aconteceu -, porque acabo por divagar pelo facebook, feedly e outras coisas à procura de não sei o quê. É frustrante, até porque na minha cabeça as coisas continuam iguais - eu continuo a escrever os meus textos mentalmente enquanto conduzo, continuo a apontar os temas para desenvolver nas notas do meu telemóvel ou em post-its colados na secretaria, continuo a lembrar-me de centenas de coisas para escrever enquanto, simplesmente, vivo a minha vida normal. Mas a rotina preciosa que eu tinha foi-se pelo cano, muito por culpa da minha perda de objetivos, por andar tão perdida com aquilo que eu quero (e não quero, e que os outros querem e não querem). Continuo a acumular temas no telemóvel e na secretária mas, enquanto não conseguir retomar a escrita, não vão passar de rabiscos e notas mentais que ninguém percebe para além de mim.
Ontem fui assistir a um lançamento de um livro e houve, passados todos estes meses, um alinhamento das minhas ideias. A ideia de falar para muita gente, as fotos, os autógrafos, a plateia, as palmas e os apupos assustam-me como sempre me assustaram, mas senti pela centésima vez que é naquela posição que um dia quero estar, com um livro à frente, com o meu nome na capa. Independentemente do meu futuro como assessora, de gerente de uma empresa têxtil ou num cargo de direção qualquer, é a escrita que deve ser o denominador comum. É o que quero. É o que eu sempre quis e o que devo ter em mente.

 

P.S. Posto isto, e como o computador não anda a funcionar por ter demasiadas distrações, ando a escrever no telemóvel, que não me dá tantas hipóteses de escape e é mais imediato e acessível - uma espécie de rehab de escrita. Peço desculpa em avanço por quaisquer erros que possam aparecer, por culpa minha ou do corretor ortográfico. Vou tentar rever tudo, mas sintam-se livres de me corrigir sempre que encontrarem gralhas!

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