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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

19
Mar15

Mudar ou não mudar de quarto, eis a questão

A minha casa está preparada para albergar a minha família (pelo menos a inicial, porque quando foi pensada ainda não havia apêndices em forma de filhos à mistura). Assim sendo, e como somos quatro irmãos e como já todos saíram de casa com excepção de mim, há quartos de sobra nesta casa.

Por azar, quando nos mudamos para aqui, eu ainda era muito pequena e sem grande hipótese (ou sequer vontade) de escolha. Fiquei com o quarto que me calhou, que viria, obviamente, a ser o mais usado dos quatro quartos destinados aos filhos. Infelizmente habito o quarto mais frio da casa, onde incide menos sol - daí ter sido tantas vezes gozada por ser o "bicho do buraco", a "vampira" que estava no escuro e no frio durante tanto tempo. Durante muitos anos não me importei, porque nem sequer gosto de ambientes muito luminosos. Mas cada vez sinto o meu quarto mais gelado, mais escuro e triste - e não sei se sou eu que agora gosto mais de luz ou se, de facto, devido à vegetação que está em frente à janela, a luz que entra no quarto é cada vez menor. Por outro lado, com invernos (e até verões) tão rigorosos como temos tido, sinto cada vez mais necessidade de aproveitar cada minutinho de sol e bom tempo que S.Pedro nos proporciona.

A questão é que o meu quarto é o sítio onde passo mais tempo nesta casa - não só porque o adoro, mas também porque é o local onde estudo, trabalho e escrevo. Há muita coisa da faculdade que me obriga a estar horas a fio em frente ao PC e, sendo ele fixo, não me dá muito jeito andar a troca-lo de lugar consoante a posição do sol. Sendo assim, a opção mais viável para resolver este problema... É mudar de quarto.

Já há anos que me dizem isto, mas eu sempre finquei pé. Porque o meu quarto será sempre o meu quarto, porque vai ser estranho passar a viver num quarto que não é meu, porque tenho de mudar o ar condicionado, o mobiliário todo, fazer mais dezenas de furos na parede para pendurar os quadros, molduras e estantes que aqui tenho. Enfim, a trabalheira que iria dar! Mas, a cada dia que passa, me rendo mais à evidência de que vou ter de me mudar. Vou ter de preparar um fim-de-semana e chamar o pessoal para me ajudar e fazer isto de uma vez por todas. É desta que me mudo para o "bright side of life"?

16
Mar15

Contrastes

Hoje foi um dia bom, produtivo. Dias produtivos, para mim, são dias felizes. Sinto-me útil, concretizada; sinto que o meu tempo valeu de alguma coisa, que se não aproveitei o sol de alguma maneira foi para fazer algo bom para mim.

Passei o dia em frente ao computador, por entre photoshops e outros programas de edição, num dos poucos projetos que me está a dar gozo desde que entrei para a faculdade. Esse e outro, que vou falar daqui a uns dias, e que me vai dando cada vez mais trabalho à medida que os dias vão passando. Mas, lá está, o trabalho custa sempre menos quando o fazemos com (algum) prazer.

E chego ao fim deste dia feliz, sabendo que daqui a nada vou relaxar no conforto da minha cama, neste quarto quentinho que habito todos os dias. No meio das milhentas coisas que tinha para tratar, bem descritas na agenda para não me esquecer de nada, passei pelo facebook - já não sei se para uma distração rápida ou trabalho, uma vez que cada vez mais esta rede social é uma ferramenta indispensável no nosso dia a dia.

Em apenas dois minutinhos pousei os olhos numa reportagem da TVI que me chamou à atenção e, pumba, lá roubei eu quase uma hora de trabalho por não resistir em vê-la na integra. Felizmente, ao contrário do normal, valeu muito a pena. Se, por um lado, a TVI faz coisas péssimas (ainda há dias falei aqui sobre isso), por outro, às vezes, sai-se com estas pérolas que dão gosto ver, apesar do tema tratado. Aconselho a todos, em qualquer altura do dia, independentemente de como este vos esteja a correr: se estão num dia mau, vejam que há quem tenha piores todos os dias; se estão num dia bom, como eu estou, vejam a sorte que têm.

É com isto que me vou deitar, numa cama e num quentinho que dou sempre por garantido. Fecho a agenda que aqueles dois homens nunca precisam, desligo o computador que para eles é uma realidade demasiado distante. Hoje estou feliz, tive um dia bom, mas em contraste com tudo aquilo que tenho e hoje sinto, deito-me com eles na mente. 

 

 

15
Mar15

Palavra da semana: orgulho

Esta pode não ter sido a semana mais feliz da minha vida - aliás, não foi mesmo -,  mas foi uma boa semana. Não andei por aí a sorrir aos sete ventos, nem a assobiar de contentamento - pelo contrário, os meus suspiros infundados cá continuam, os medos permanecem assim como as minhas preocupações constantes. Mas superei-me, e isso é tão, tão bom!

Orgulho 1: fui quatro vezes ao ginásio, e só não fui mais uma para não abusar do meu joelho que anda a queixar-se há um par de semanas. Três vezes zumba e quarenta minutos na piscina, a nadar de um lado para o outro até os músculos gritarem de tão moídos. De relembrar que, há dois anos atrás, era possivelmente uma das pessoas mais sedentárias que habitava no planeta Terra.

Orgulho 2 (e 3): fui ao dentista. Sim, eu tenho quase 20 anos, mas também tenho iatrofobia (também conhecida como fobia de médicos). Pode ter muita graça para quem está de fora, mas para quem vive isto é tudo menos engraçado. O dentista sempre foi dos médicos que mais me aterrorizou - das primeiras vezes que fui tive ataques de pânico tais que não conseguiram tratar-me. Há uns três anos, depois de uma cárie me ter proporcionado as dores mais agonizantes, terríveis e inesquecíveis da minha vida, não tive outra opção se não ir - da primeira vez fui com dois ansiolíticos no bucho, que adormeceriam qualquer pessoa em circunstâncias normais (eu fiquei acordada, claro está, mas acalmei). Depois, nos tratamentos seguintes, fui diminuindo a dose até ir "limpa". Com muito azar para mim, a clínica fechou, a minha médica desapareceu do mapa e eu, claro está, nunca mais pus um pé no dentista. Até esta sexta-feira, em que me decidi a ir, a muito custo, fazer uma limpeza aos dentes. Não andei muito bem disposta durante a semana, sendo que piorava à medida que chegava o dia D (é que nem de propósito), mas nada de intragável. E não fui medicada, não chorei, não fiz cena nenhuma no antes, durante e depois e, vejam lá isto, até dormi na noite anterior! Para vós pode (e deve) ser a coisa mais natural do mundo, mas acreditem que para mim é uma vitória. Daquelas enormes!

Como se já não bastasse um médico durante a semana, tive de ir a um ortopedista (ainda que fora de ambiente hospitalar, o que ajudou bastante). Tudo porque sentia que o meu joelho não estava no seu melhor e tinha medo que piorasse com o exercício físico que tenciono continuar a praticar. As suspeitas confirmaram-se: tenho de facto aqui um desarranjo que me provoca desconforto e sensação de instabilidade, mas felizmente não é nada de grave e posso continuar a fazer a minha vida normalmente, tentando só não abusar do joelho.

Em suma, dois médicos numa semana, sem calmantes, noites mal dormidas ou paragens de digestão à mistura. Se tudo isto não são razões suficientes para nomear estes sete dias como a semana do orgulho, não sei o que será.

 

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15
Mar15

Prendas de anos

Estava aqui a tentar fazer uma pequena lista de possíveis prendas de anos que os meus entes queridos me pudessem oferecer mas cheguei à conclusão que... não preciso de nada. Sou uma enorme sortuda. Não há nada que me faça falta - em termos materiais, tenho (quase) tudo o que quero, e o que não me falta são bens essenciais. Tudo o que possa vir a pedir ou desejar são coisas que, provavelmente, me farão um bocadinho mais feliz mas que não me fazem uma falta por aí além - a vossa companhia daqui a menos de uma semana e em todos os outros dias da minha vida é infinitamente mais importante.

Sendo assim, este ano só há duas coisas que quero mesmo e que tenho como certas: um bilhete para dia 11 no NOS Alive e outro para dia 18 no Marés Vivas. Concertos são autênticas experiências de vida e eu já perdi demasiados para continuar a cair no erro. Este verão quero assegurar que o Sam Smith e - pela terceira vez - o Jamie Cullum pousam mesmo em frente dos meus olhinhos.

De resto, podem dar-me o que quiserem. Livros (infelizmente, para já, não tenho nada debaixo de olho), macacões (há giros na mango e zara), coisas amarelas!! (camisolas, por exemplo - a paixão ainda não me passou) e coisas para o ginásio (camisolas, corsários). Ou então chocolates. Ou um livro de receitas com coisas que engordem muito. Ou um workshop de sushi (desde que alguém me faça companhia, claro). É quase certo que vou gostar.

E pronto, agora que dei a minha ajudinha do costume, vou ali esconder-me num buraco e esquecer que daqui a menos de uma semana vou sair da equipa dos "dez[...]" e vou passar para os "vinte [...]". Snif snif.

13
Mar15

Toda esta celeuma da pílula

Acho que aquilo que a TVI está a fazer com a suposta - e sublinho o suposta - morte de uma jovem provocada pela pílula Yasmin algo absolutamente indecente. Aliás, é de facto aquilo que a TVI sabe fazer de melhor: puxar o lado sensacionalista do jornalismo quando mais lhes convém. A emoção, a irmã a chorar, a enorme resposta nas redes sociais.

Eu não sou jornalista, não quero ser, mas estou há dois anos a ouvir falar da mesma coisa: jornalismo é serviço público, a função do jornalista é informar correta e o mais imparcialmente possível. E aquilo que eu estou a ver não é informar: é provocar o pânico geral. Até já me questionei se a TVI não terá uma rixa privada qualquer com a farmacêutica, porque é o que mais parece.

Alguém minimamente informado sabe que nenhum medicamento só faz bem: por isso é que existe uma bula gigante com todos os efeitos negativos que todos - e sublinho todos - os remédios podem causar. Fazem bem a uma coisa e fazem mal a tantas outras. O nosso problema é que já tomamos medicamentos com semelhante leveza e despreocupação que nem nos lembramos desse senão. 

Eu sempre ouvi dizer que a pílula causava coágulos e outras coisas parecidas e igualmente perigosas. Mas se formos ver a aspirina, tomada aos quilos por algumas pessoas, tem riscos igualmente graves. E o brufen, que a algumas pessoas destrói completamente o estômago? E o primperam, que tomo várias vezes por causa das minhas crises de fígado e vesícula e que há tempos também esteve numa polémica do género de que ninguém falou?

A questão é que a TVI faz gosto em explorar estas questões até ao tutano. Se uma rapariga morrer, supostamente, por uma das pílulas mais usadas em Portugal: isso é notícia? Na minha opinião, sim. Se fazer reportagens, procurar mais pessoas com problemas do género, pôr familiares a chorar e a dizer quão impecável era a rapariga e a lançar o pânico geral sobre isto é algo que faça sentido ou se possa intitular de "bom jornalismo"? Para mim, nem perto. Se se preocupassem em explicar as coisas como elas são, os riscos iminentes de cada pílula e outros medicamentos e outras coisas do género é que era de valor. A máxima "informar" estaria presente. Assim... é só a TVI e a Ana Leal a fazerem aquilo que sabem melhor (e a conseguirem: basta ver as redes sociais para ver o alvoroço - e o medo, o desconhecimento e a ignorância - que para lá vai).

12
Mar15

A chata da fotógrafa

Há uns meses estava no sofá a ver se adormecia enquanto o Você na TV passava na televisão. Não sei se aquele era um dia especial, mas eles estavam a fazer uns "throwbacks" do tipo "então e neste preciso dia, há 11 anos, onde estávamos?". E lá apareciam imagens deles, a fazerem as palhaçadas do costume: a Cristina mais feia e menos estilosa do que é agora (melhorou tanto com os anos!) e o Manuel uns anitos mais novo. E como este fizeram muitos: percorreram os anos quase todos de programa. 

E eu só pensava: estes dois são uns privilegiados porque conseguem ver perfeitamente a sua evolução ao longo do tempo. Devem ser das poucas pessoas - a par de todos os apresentadores com trabalhos semelhantes, é claro - que têm registos seus de quase todos os dias de quase todos os anos! Se quiserem ver o que traziam vestido num dia qualquer da vida deles, muito provavelmente, conseguem (tendo em conta que temos de excluir os fins-de-semana)! Não é fantástico? 

Mas mesmo antes de ter visto este caso em específico e de ter pensado mais a fundo sobre a questão, sempre tive bem presente que é bom termos fotos - ou vídeos - que marquem certos momentos. Herdei isso do meu pai, que desde que eu nasci que me lembro de ver de máquina na mão. Agora deixo-o sentadinho, a desfrutar, enquanto sou eu que tiro as fotos em festas de família ou em dias que, simplesmente, me pareçam um bocadinho mais especiais do que os do costume (e por especiais pode ser por estarmos todos muito bem dispostos ou por me sentir particularmente bonita, por exemplo). 

As pessoas normalmente queixam-se, não gostam de ser fotografadas. Escondem a cara, viram-na para o outro lado, fazem cenas do fim do mundo. E depois chateiam-me, com esperança de me demover: "Ai que chata, sempre com a máquina fotográfica!", "já vais começar?", "depois apagas essas fotos todas, ouviste???". E eu continuo a clicar no botão, ignorando todas as provocações que me chegam de quase toda a gente e pedindo, muito de vez em quando, que me tirem uma foto a mim para ficar com um registo para a posteridade. Porque sei que depois, daqui a uns anos, me vão agradecer.

Apercebi-me disso quando, há uns três natais, o meu pai ofereceu, a cada núcleo familiar, uma série de fotos e vídeos de família que ele, com muito custo e com as mesmas queixas, foi captando ao longo dos anos. Nesse dia juntamo-nos todos em volta da televisão a chorar de rir com fotos antigas. Só se ouvia "ai que feia que eu era!", "olha aquela cor de cabelo mais horrível!", "ainda estava ali a tia X, coitadinha..", "olha a Mãe, que saudades!". E nesse momento entendi a importância deste "legado" que o meu pai já me deixou: que ser a chata da fotógrafa da família vale a pena, mesmo que a recompensa só venha muitos anos depois. Até porque aquele é um dos melhores momentos de família de que guardo na memória.

11
Mar15

Viagem pelo tempo

Não me tem dado para escrever (não se tem notado nada, pois não?). Ando um bocadinho como a avestruz, a meter a cabeça dentro da areia. Só que a minha areia é a faculdade e todo o trabalho que vem atrelado, é o ginásio e é o sono. Ando a tentar não pensar em demasia e, nos últimos dias, tenho-me limitado a gozar este sol maravilhoso que foi aparecendo. Não quero pensar muito, não quero deprimir muito, não quero nada dessas coisas - e isso faz com que também não escreva muito. 

Mas hoje, por acaso, acabei por tropeçar nuns vídeos e comecei a escavar por entre pastas escondidas com fotos e filmagens antigas que para aqui tenho. Da altura em que ainda tinha cabelos longos e caracóis, onde ainda não existiam blogues, quando os telemóveis com câmaras começaram a surgir. Fotos em alturas boas e más, umas em que, claramente, me sentia bem comigo própria e com o meu corpo e outras onde estava gorda como um texugo. Fotos bonitas e feias, umas mais artísticas que as outras.

Tentar não pensar muito serve-me de pouco quando começo a ver estas coisas.

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10
Mar15

As compras adiantadas

Eu sou daquelas que acha que as melhores compras se fazem na época oposta à que estamos ou mesmo de um ano para o outro. Ou seja, comprar coisas nos saldos de inverno que servem para o verão e vice-versa (como t-shirts e blazers, que agora se vendem durante todo o ano porque, aparentemente, ninguém se lembra que há gente que tem frio) ou mesmo adquirir coisas de um ano para o outro. 

A razão porque acho que muitas pessoas não conseguem fazer este tipo de compras é porque ansiamos sempre pela estação seguinte - ou não. No Verão nem sequer pensamos em vestir casacos ou botas - só de pensar dá-nos os calores; mas no fim do Inverno também já estamos tão fartos do frio e da chuva que já só nos queremos ver livres da roupa pesada e sapatos quentes. E, assim, as lojas ficam a ganhar, vendendo a roupinha da época e nós sempre de olho em cima dela (e, muitas vezes, não resistindo, como é óbvio!).

Mas a verdade é que já comprei uma série de coisas, principalmente nos saldos, ideias para as estações seguintes. O que é preciso é paciência (coisa que não tenho muita, mas há dias de inspiração), uma mente aberta e pensar a longo prazo. Comprar peças que não comprometam muito, intemporais e fora de grandes modas e dentro dos nossos "apetites" habituais. No meu caso aplica-se muito em t-shirts giras que agora se vendem no Inverno e em camisolas de malha mais finas que se vendem nos saldos de Verão mas que uso o ano inteiro - na estação mais quente só com uma básica muito fina por baixo e no Inverno com camadas e camadas de roupa para me proteger do frio.

E aqui há dias fiz uma dessas compras já com visão para o futuro. Desde que a Ana Ros - da Maçã de Eva, que entrevistei aqui - lançou a ROS|LISBON que fiquei com a pulga atrás da orelha. Gostei sempre de vários modelitos, mas o preço não era propriamente simpático para a carteira (embora, por causa do problema que tenho no pé, precise sempre de sapatos com alguma qualidade - o que implica um preço superior) e a necessidade também não era muita. Passou-se a coleção de Verão e chegou a de Inverno, que pude ver com os meus próprios olhos quando fui à loja. E fiquei logo com umas botas debaixo de olho. Mas, mais uma vez, o preço não era o mais convidativo e eu deixei-me ficar.

Isto até há coisa de uma semana atrás, quando a Ana fez uma promoção relâmpago de 50% no seu blog e eu pensei "é agora ou nunca". E assim foi. Chegaram hoje as botas cá a casa, perfeitinhas que só elas. Calcei-as, na ânsia de saber se toda aquela publicidade de um conforto extremo era verdade e... é mesmo! Não andei muito tempo com elas (são quentinhas, graças a deus!), mas foi o suficiente para perceber que vamos ser grandes amigas no próximo Inverno. Sim, porque agora tudo o que consigo pensar é em pé descalço, praia, sol e muito calor. E embora seja super contra natura em qualquer mulher neste planeta (porque sempre que compramos algo novo temos uma vontade louca de a estrear), não as quero pôr a uso nos próximos tempos. Agora é sol e bom tempo. Quando chegar a altura, eu e as minhas botas vamos ter tempo suficiente para andar por aí. E, só por isso, pensar no próximo Inverno já não é assim tão intragável quanto.

 

 

09
Mar15

Temos tudo, tudo, tudo... e para nós nada!

"Mulher prevenida vale por duas", não é verdade? Porque mulher que é mulher anda sempre com mil e uma tralhas na carteira, muitas delas que só utilizamos aí umas três vezes ao ano. Ainda assim, uma coisa é certa: no dia em que as tiramos da mala, é o dia em que precisamos delas. Por isso lá andamos carregadas, com quilos nos ombros só na eventualidade de alguma coisa acontecer.

É uma caneta, bloco de notas; são comprimidos para as dores de cabeça, para as cólicas e para uma doença qualquer que arranjamos sabe-se lá como; são batons, lápis e rímel; são elásticos para o cabelo e um par de ganchos para situações de emergência; toalhitas para qualquer desastre que aconteça; uma lima das unhas para fazer desaparecer aquela aresta que nos está a chatear há horas e também uma pinça, porque nunca se sabe quando se encontra um pêlo incomodativo. Ah, e agora com esta nova lei dos sacos, lá andamos nós com um saquinho de pano metido na mala, just in case. Cansativo, não é? Os homens, de cada vez que pegam numa mala nossa, reviram os olhos e resmungam durante horas a fio. Até ao dia. E qual é o dia?

É o dia em que estão com dores de cabeça e precisam de um comprimido. E quem tem o comprimido? Somos nós.

É o dia em que, com um azar do caraças, calcam um poio de cão no chão, não querem sujar os tapetes do carro e precisam de uma toalhita. E quem tem a toalhita? Somos nós.

É o dia em que lhes liga alguém do trabalho, com o número de telefone do indivíduo de quem eles andam atrás há meio século e precisam urgentemente de uma caneta e de um papel para escrevinhar. E quem tem a caneta e o papel? Somos nós.

Somos sempre nós que temos tudo e são sempre os outros que não têm nada. Mas chega sempre o dia em que nós, com umas dores desgraçadas, precisamos de um comprimido: vamos à carteira, abrimos a bolsinha dos nossos primeiros socorros e... não há comprimidos para ninguém. E com sorte também já se acabaram as toalhitas e o elástico já se perdeu no cabelo de alguém. É uma espécie de lei da vida, traçada desde os tempos em que as mulheres decidiram prever em vez de remediar: nós é que andamos precavidas, carregadas até ao tutano, mas o que temos acaba sempre, irremediavelmente, para ir para os outros (e nisto incluem-se homens, mulheres, amigos, colegas de faculdade ou namorados). Enfim, é só mais uma das trezentas coisas que temos que arcar como consequência de sermos mulheres. 

08
Mar15

Sim, eu fui ver o Fifty Shades of Grey

Eu admito: a minha intenção era ir ao cinema sozinha e passar pelos pingos da chuva para ninguém dar por mim. Era como se aquela noite não existisse e só eu soubesse que ia ver o Fifty Shades of Grey. Mas depois uma série de coisas se interpuseram no meu caminho: 1) se ir ao cinema sozinha já é estranho só por si, ver este filme sem companhia é ainda mais estranho do que ver todos os outros ao mesmo tempo - até para mim seria ultrapassar as fronteiras razoáveis do forever alone'ismo; 2) por feliz acaso, acabei por "colecionar" uma série de pessoas que também gostavam de ver o filme, por isso acabei por juntar o útil (não poder ir sozinha ver este filme em particular) ao agradável (estar com pessoas, coisa rara nesta minha vida solitária); 3) saí da sala de cinema com tantas ideias na cabeça e coisas que queria dizer que achei mau demais que a minha opinião ficasse no segredo dos deuses. E pronto, cá está o post. Eu, Carolina, me confesso: paguei para ir ver Fifty Shades of Grey ao cinema. E o pior de tudo é que... gostei! (os desapontados podem agora começar a sair do blog)

Devo dizer, antes de mais, que não me considero uma fã nem do livro, nem da história, nem dos atores, nem da forma como a obra nasceu (imaginar a Bella e o Edward naqueles papéis dá-me simplesmente náuseas). Li grande parte do primeiro livro por ter uma curiosidade imensa sobre do que se tratava (na altura do boom, num verão há dois anos, se não me engano) mas fui lendo tudo entre outros livros que lia, pelo que me cansei e nunca o declarei como oficialmente "lido". Mas ainda me lembro da primeira vez em que peguei nele e, ao abri-lo numa página à sorte, me calhou precisamente uma das cenas de sexo mais pesadas. Não estava propriamente preparada para aquilo - nem para o conteúdo, nem para os detalhes das descrições, nem para nada (porno, em qualquer uma das suas formas, não é de todo algo que aprecie) e disse que nunca mais pegava no livro. Até ao dia em que, mais mentalizada, lhe peguei e fui lendo, conhecendo asim - pelo menos - toda a linha da história e, claro, passando por todas as cenas mais quentes a que o livro tem direito (que, por acaso, são demasiadas). 

Mas apesar disto tudo, com tanto trailer mostrado, tanta música boa, tantos clips que passavam na televisão, foi-me impossível resistir à curiosidade de ver o filme do momento. Estava curiosa em relação à insossa da atriz (vi uma entrevista dela num daqueles talkshows americanos e fiquei com pena do entrevistador, tão más eram as respostas que ela dava), em relação à forma como iam dar a volta não tornando aquilo num filme só sobre sexo, sobre o tipo de espectadores que iriam estar na sala de cinema e tantas outras coisas. 

E, sinceramente, acabou por me surpreender pela positiva (ou talvez eu estivesse à espera de algo intragável)! É estranho dizer isto (estou há uma semana a pensar como dizer isto de uma forma soft, não ferindo susceptibilidades e para não pensarem que é outra pessoa a escrever isto senão eu) mas é um bom filme para ir para a cama a seguir. E não é para dormir. Talvez por isso é que eu devia ser a única pessoa solteira daquela sala, e tudo o resto saiu em debandada e de mãos (bem) dadas pelo corredor fora.

No fundo, o filme mostra um bocadinho mais do que os outros ditos "normais" (maminhas, rabos e uns movimentos mais explícitos - algo não aceitável em filme para maiores de 12) mas nada de chocante. As cenas são quase todas romanceadas e muito focadas no prazer dela, pelo que torna tudo menos "carnal". Aquilo que mais me chocou nos livros - a necessidade de castigar que o Christian tinha - está pouquíssimo presente, o que ajudou a que gostasse bem mais do filme do que julgava à partida. Ainda assim, não, eu não quero um Christian para mim, ao contrário do que parece acontecer com a maioria do mulherio por esse mundo fora (o que me leva a este texto que escrevi há uns largos meses).

No que diz respeito à atuação, tolerei bem a Dakota, até porque a sua personagem também é insossa e - aparentemente - com muito pouca personalidade (algo que depois vem contrastar com as imposições que faz e o terreno que vai ganhando em relação ao Christian, o que me agrada bastante). Quanto ao Jamie, ficou dentro das expectativas. Nenhum deles é intragável, mas também não são prodígios. Há sexo quanto baste, romance qb e algumas cenas giras pelo caminho (as que mais me ficaram na memória foram as viagens de helicóptero e aquela espécie de OVNI estranho de que não me lembro o nome). E, claro, uma das melhores bandas sonoras de todos os tempos. Engraçado como estes filmes "de treta", que faturam milhões mas que nunca são grande coisa em termos de representação, têm sempre bandas sonoras deliciosas. Nem que seja só pela música: que venham os outros dois.

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