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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Fev15

Chávena de letras - A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho

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 Talvez tenha lido este livro na altura errada, talvez não tenha maturidade suficiente para o entender (embora seja um livro recomendado pelo Plano Nacional de Literatura, por isso não creio que se trate disso) ou então, em algumas ocasiões, o sono e a desmotivação era tanta que eu não prestei a devida atenção. 

Não sei se este seis contos têm, para além de um sarcasmo claríssimo, alguma mensagem por detrás - mas se têm, não as consegui descobrir, o que me irritou de cada vez que cheguei ao fim de cada uma das histórias.
A única coisa que não torna este livro intragável para mim é a escrita espetacular de Mário de Carvalho, que mesmo com histórias sem nexo, meio fantásticas/meio parvas, consegue tornar tudo muito melhor. É, sem dúvida, dos autores portugueses que mais gosto de ler, tanto pela linguagem rica como pela forma como conta as história, liga as frases e as constrói - parecem ser pensadas uma a uma, com uma minuciosidade admirável para as tornar a todas bonitas.
O primeiro conto, que dá nome ao livro, foi o único que apreciei de verdade - em todos os outros já esperava o fim pouco depois de os começar a ler. Fiquei feliz quando finalmente cheguei à última página e não tive de o abrir novamente.

15
Fev15

Acabou-se o bem bom

Três semanas de férias foi mais do que suficiente.  A primeira semana foi a única essencial: arrumar todos os papéis, fazer mudanças no quarto - tirar fotografias, pôr quadros, arranjar secretária -, ver o mar, chorar o que não tinha chorado, ir ao cinema. E, acima de tudo, dormir - coisa que fiz, e bem, durante estes dias. Já não me lembrava de dormir 11 horas seguidas há uns meses largos - e que bom que foi!

Mas eu já percebi que não sou pessoa de me deixar ficar por muito tempo. Começo a entrar num efeito bola de neve depressivo que, à medida que o tempo passa, é cada vez mais difícil de sair. Deixo-me embrenhar nos livros, nos filmes e nas séries - um sinónimo dissimulado de solidão constante, algo que me persegue. Começo a pensar no que não devo, a mil à hora; lembro-me constantemente do que não devia.

Por isso, nestas últimas horas de férias que me restam, sinto uma mescla de sentimentos: por um lado feliz por ter de sair de casa, ser obrigada a ver e a falar com pessoas e por saber que vou passar a estar mais ativa nos meses que se seguem; por outro lado, já com saudades desta vida em que ler é o prato do dia e onde não preciso de contar as horas que posso dormir - principalmente sabendo o semestre doloroso que tenho pela frente, com trabalho a rebentar pelas costuras. 

Dá-me alento pensar que se sobrevivi - e bem, com quase todas as notas a meu gosto - ao semestre passado, mesmo com todos os problemas que tive, também tenho de me aguentar igualmente bem neste. Com a parte boa de que os dias já estão a aumentar e que o cheirinho da primavera já nos começa a entrar, nos dias bons, pelas janelas a dentro, apesar deste frio terrível que se tem feito sentir! Já tenho o horário pronto, o caderno a postos e o plano mental daquilo que quero fazer nos próximos meses e os objetivos a cumprir (o ginásio detém uma importância particular no campo dos "objetivos").

Sei que trabalho e sou muito mais produtiva quando tenho uma rotina diária e a minha vida planeada, embora tal possa parecer castrador; para mim é uma espécie de guia que, quando funciona bem (que é 80% das vezes - os 20% representam, normalmente, o final do semestre onde já não tenho tempo e durmo tão pouco que me sinto constantemente à beira de um esgotamento), traz à tona o melhor de mim. Eu consigo criar tempo, consigo planear a minha vida ao minuto e saber quando posso fazer aquelas coisas que realmente gosto - e sei que quanto melhor planeio, mais minutos de coisas boas consigo ter. E é isso que me guia. Todos os dias. 

Posto isto, um bom regresso às aulas e um bom semestre. Para mim já só falta ano e meio disto (YEAH!)!!!!

13
Fev15

Chávena de letras - Anne dos cabelos ruivos

"Anne dos cabelos ruivos" conta a história de uma orfã - Anne - que é adotada por um casal de irmãos por engano. Vivem numa aldeia muito bonita, que deixa Anne estonteada sempre que olha à sua volta, e todo o livro se desenrola sobre a vida desta menina que acabou por mudar também a vida da sua nova casa (e até da vila onde mora). 

É difícil pôr em palavras aquilo que Lacy Maud Montgomery conseguiu fazer: é um livro que parece para crianças devido ao seu conteúdo e às suas lições de moral conservadoras, mas que está escrito de uma forma elegante, romântica e verdadeiramente deliciosa, que dificilmente poderia ser apreciado pelos mais novos. Anne é uma personagem muito rica, principalmente devido à sua capacidade de imaginação e tagarelice crónica - o que enche páginas e páginas só com os seus pensamentos e enormes diálogos.
Apesar de não ser fã de livros muito descritivos - e descrições é o que não faltam aqui -, deu-me particular prazer saborear cada uma das palavras desta obra.
Nestas 360 páginas acompanhamos 4 anos na vida de Anne: as suas peripécias e asneiras, as suas conquistas e o seu amadurecimento, que também é acompanhado na escrita, que deixa de ser tão "acriançada" mas sim mais adulta. Cada capítulo é quase como uma aventura que a escritora tem para nos contar - e eu só tenho pena que já não tenha mais capítulos por ler! "Delicioso" é a forma mais fidedigna e sucinta que consigo para descrever este livro.

Um apontamento final para a capa lindíssima e que me prendeu logo a atenção, trazida pela Editora Civilização que nos trouxe esta nova edição do livro há uns meses atrás. A capa condiz perfeitamente com o conteúdo!

12
Fev15

As leituras "intragáveis"

Eu sou a favor da leitura. Quero que as pessoas leiam, o que quer que seja, desde que existam frases com sujeito, predicado e complementos, que os sujeitos e os verbos se coordenem e que não estejam presentes erros ortográficos. Para mim é o importante.

No fundo, não me interessa se as pessoas lêem Stephenie Meyer, E.L. James, Margarida Rebelo Pinto e Nicholas Sparks. O que importa é que leiam, porque acredito que, se gostarem, vão continuar a ler - e, quem sabe, chegar aos grandes nomes da literatura. Faz-me um bocadinho de espécie as pessoas que troçam porque X leu um determinado livro, que é terrivelmente mal escrito, quando muitas vezes a pessoa que goza mal pegou num livro durante toda a sua vida. O caso dos livros "50 shades" é berrante - há muita gente que nem leu, mas só de ouvir falar já tem arrepios na espinha. 

Eu digo, alegremente, que li todos os livros da saga crepúsculo da Meyer, que li grande parte do primeiro 50 shades (não li todo porque nunca me empenhei, fui lendo entre outras leituras "principais") e que sei a história dos restantes, que um dos primeiros livros de adultos que li foi da Margarida Rebelo Pinto e que o livro que mais me fez chorar nestes quase vinte anos de vida foi do Nicholas Sparks (por essa razão, foi o primeiro e o último). E não é por isso que deixei de ler Vargas Llosa ou Patrick Modiano (ambos Nobel da literatura). Ou Miguel Sousa Tavares, Miguel Esteves Cardoso ou outros autores mais "nobres". Já li um bocadinho de tudo e não vejo mal nisso.

Apesar de, nos últimos anos, deixar críticas no Goodreads sobre os livros que leio, nunca digo "este livro está terrivelmente mal escrito". É simples: ou gosto ou não gosto. E é isso que escrevo e aponto: os detalhes que, na minha opinião, falharam ou deram um toque especial ao livro. Quem sou eu para dizer que um livro tem uma má escrita? Posso não gostar da história, da forma como esta é narrada, das personagens, do toque pessoal do escritor... mas criticar de forma tão severa e arrogante dá-me sempre uma sensação de altivez tremenda. Como quem diz "ui, ler o 50 shades... isso é para gente reles! Eu cá só leio Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz e Saramago - isso sim, é escrita de excelência!". 

Porque nem todos temos de ler clássicos, ou prémios Nobel ou autores intelectuais que escrevem frases poéticas que obrigam a uma quarta e quinta leitura para se entender metade da ideia. E, para dizer a verdade, quem lê Margarida Rebelo Pinto até tem de ter uma boa capacidade para decifrar metáforas melosas sobre amor, perda e saudade. E o 50 shades contribuiu, muito provavelmente, para a abertura de muitas mentes e melhores vidas sexuais por esse mundo fora. Por isso deixemos de ser queques, e de dizer que são leituras intragáveis, porque um livro é sempre um livro, desde que tenha a capacidade de nos levar a conhecer mundos, perspectivas e pessoas diferentes. Por mais pobre que a escrita seja, dá-nos sempre alguma desenvoltura enquanto falamos e escrevemos; traz-nos sempre algo de positivo.

Mais vale ler leituras "intragáveis", "péssimas", "terríveis", com "falta de vocabulário" e com "a mesma palavra dita várias vezes na mesma página" do que não ler nada (que, por acaso, é precisamente aquilo que a maior parte das pessoas faz).

12
Fev15

Desculpas que são mesmo desculpa

Ando virada para o exercício, por todas as razões e mais alguma. Para manter a cabeça ocupada (já cheguei à conclusão que as férias me fazem mal), para dormir melhor (caio redonda na cama) e para, aquando da chegada do verão, me conseguir sentir melhor comigo mesma. Não vale a pena falar dos mil e um complexos que tenho em relação ao meu corpo, mas só a esperança de melhorar nem que seja só um dos aspetos que não gosto no meu corpo, já me faz feliz. A minha "dieta" continua (depois da desgraça que aconteceu em Bristol) e, conjugada com os treinos, espero ver alguns resultados com o aproximar do verão.

O que eu vinha aqui contar é que tenho dois eternos dramas quando treino ou faço aulas. Isto desde os tempos das temíveis aulas de educação física, onde fazíamos, no início do ano, aquelas provas de esforço para saber quanto aguentávamos.

Então, drama 1: fazer abdominais é doloroso, não pelos abdominais em si, mas porque tenho uma espinha dorsal estranha. A parte que se apoia no chão é um pouco saída para fora e eu fico com o fundo das costas todo pisado. Não importa que ponha almofadas ou dois colchões... e é um verdadeiro suplício.

Drama 2: fazer flexões só no início do treino. Porquê? Porque suo imenso, em particular das mãos, e não me consigo aguentar sem escorregar pelo chão ou colchão fora. Tem particular piada quando, na Zumba, a meio de uma faixa, há flexões. Não há tempo para colchões, steps ou outras superfícies do género: tem de ser mesmo no soalho. E aí parece que estou a limpar o chão, a fazer um esforço tremendo para não escorregar e aterrar de cara. 

Alguém tem o mesmo drama, ou outros que queira partilhar? Soluções e alternativas são bem-vindas!

08
Fev15

Publicidade (não) dissimulada

Achei inteligente por parte das marcas utilizarem alguns blogs para fazerem parcerias e, como é óbvio, publicidade. Aproveitaram a seu favor esta moda e perceberam cedo que arrecadavam mais clientes-alvo nestes espaços virtuais do que nas primeiras folhas de revistas "fúteis".

Isto fez com que alguns bloggers percebessem o potencial de negócio que tinham, literalmente, nos dedos das mãos. O resultado são blogs que se tornaram em autênticos espaços publicitários ainda mais longos que os da TVI. Blogs sem conteúdo - e o que há, é quase todo para contextualizar ainda mais produtos, ainda mais marcas, ainda mais coisas para vender. No fundo, perde-se a essência. Mas isso dava para todo um outro post de dissertação e maledicência e diz respeito à gestão que os próprios bloggers fazem do seu negócio.

O que queria assinalar é mesmo a gestão que as marcas fazem das parcerias com os blogs. Irrita-me um bocadinho é o facto de "distribuírem" as campanhas todas ao mesmo tempo a meia dúzia de bloggers, esquecendo-se que há pessoas que acompanham todos esses blogs. Eu, por exemplo, sigo um monte deles no feedly - e há um dia em que todos eles, como que por magia, têm um post sobre o batom XPTO ou o sumo YXZ! 

A publicidade em blogs era boa porque era inovadora e passava mais ao menos despercebida. Até que um dia se tornou tão chata e comum como as publicidades da televisão, da rádio ou de todos os baners da internet. Ou do cinema. Ou dos vídeos do youtube. Ou coladas no autocarro ou nos prédios devolutos. Ou nos flyers que nos entregam na rua. Porque hoje em dia nós somos, literalmente, perseguidos por publicidade. Bombardeados, mal pomos um pé fora de casa. Não podemos olhar para lado nenhum que, bum!, lá está mais um papel gigante feito para nos convencer a comprar uma porcaria que não necessitamos. E estamos todos - e eu quase me atrevo a sublinhar o todos - fartos de publicidade.

Os blogs - como os livros (pelo menos para já) - eram uma boa forma de escape. Até agora, em que muito do conteúdo vem em forma de propaganda dissimulada. E, ainda para mais, nos é mostrada em todos os meios no mesmo dia, como se as cabeças dos nossos autores preferidos estivessem a magicar as mesmas coisas, precisamente no mesmo dia. Não há como livrar-nos desta praga.

05
Fev15

Não consigo usar perfume

Sou a cheirinhas aqui da casa. Cheira mal numa divisão? Chamam-me para ir cheirar e ver onde está a fonte do problema. Não sabem se uma comida está estragada? Pedem-me para cheirar para ter a certeza. Conhecem um cheiro mas não sabem de onde? Carolina chamada à receção. E é esta a minha vida enquanto cheirinhas de serviço. Acho que é por esta qualidade/defeito que não consigo comer certos alimentos tipo queijos mal cheirosos e certos vegetais - tipo sopa de favas, que terror!!! -, até porque o meu paladar, daquilo que percebo, também é mais apurado do que o da generalidade.

Mas, apesar de tudo, ainda tolero perfumes. Nos outros, entenda-se. Gosto, acima de tudo, de associar um cheiro a alguém - e, felizmente, é quase sempre algo positivo e que gosto de relembrar. Conheço o cheiro da minha mãe, da minha irmã, de algumas das minhas tias e tios, da minha casa e da casa dos outros. E, honestamente, gostava que pudessem dizer o mesmo de mim. Sentirem um cheiro algures e pensarem "hummm, isto cheira à Carolina!".

Mas não, acho que isso não é possível. Porque, por muito que tente, não consigo usar perfumes. Tenho o olfato tão apurado que só o facto de ter uma fonte de cheiro intenso em qualquer parte do meu corpo faz com que me sinta tonta e super enjoada. Dizem que isto passa, que com a idade o olfato "exagerado" de vai desvanecendo, mas até agora... nada. Só o facto de entrar numa perfumaria me dá vontade de virar o barco, o que dificulta particularmente na escolha de um perfume. E embora tenha um par deles aqui em casa, e vá tentando usa-los de vez em quando, a ver se "cola" e o meu nariz mos deixa usar, passado umas horas tenho logo de mandar a roupa para lavar por não aguentar mais um cheiro tão intenso.

Acho que nunca vou conseguir ser tão bem cheirosa como gostava :(

04
Fev15

De olhos postos nas novas coleções 1#

Os saldos já lá vão. Correram... pessimamente. Não comprei nada. Corri todas as lojas online à procura de um casaco quente beje/branco... e nada. Procurei em todo o lado umas botas pretas que fossem do meu agrado... nicles. Andei de olho nos macacões, a ver se alguma coisa me enchia as medidas para usar no verão... e nem isso. Um desastre. Detestei a moda deste Outono/Inverno.

Agora que a época de saldos já vai a meio, as novas coleções começam a ganhar forma - e coisas mais frescas, mais coloridas, mais bonitas! Tudo o que se quer. Já ando a pôr os olhos em algumas peças - e sei que o destino (ou se calhar as compras online) vai fazer com que os nossos caminhos se cruzem.

Da Blanco já vi algumas coisas que gosto. Já deu para perceber que este ano estou virada para coisas fluidas e confortáveis. A ver:

 

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Esta saia pode (e vai) ficar-me terrível, mas não descansarei enquanto não lhe puser as mãos em cima. Tãããão linda!  (nota-se pouco que adoro saias midi, não nota?)

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04
Fev15

A playlist da nossa vida

Eu sou capaz de ser a blogger mais nostálgica aqui do pedaço. Se calhar porque também sou a pessoa mais nostálgica de sempre (e antes de ser blogger sou uma pessoa, não é verdade?). Tudo serve para relembrar, principalmente aquilo que não devia. Basta ver roupas antigas para me lembrar de todo um rol infinito de coisas. Ou um par de fotografias. Ou um anel. Ou um livro onde deixei uma pétala a secar. Ou uma música.

Então música... uff! Já há muitos anos que sou músico-dependente. Acho que foi a minha irmã que me passou grande parte da minha paixão pela música, quando punha no nosso rádio os Manu Chao e eu dançava como uma louca em cima da cama (sim, nesta altura eu ainda dançava). Ou quando ainda percebia mais de computadores do que eu (ah ah ah) e me gravava num CD as minhas músicas preferidas para eu poder ouvir enquanto brincava ou tomava banho. Manu Chao, Shakira, Eminem, Nelly, Pussycat Dolls. Enfim, a lista seria enorme. E continua até hoje, porque não há um único dia da minha vida que passe sem ouvir música - quer seja no carro, no telemóvel, no tablet ou - principalmente - no computador.

Mas bem: uma amiga deu-me ontem um site que nos compila, basicamente, a playlist da nossa vida. Mal sabia ela a caixinha de pandora que tinha aberto! Eu torno-me um autêntico monstro nostálgico quando me apresentam coisas destas. O site tem as músicas do nosso ano de nascimento e depois dos principais marcos da nossa vida, como a escola primária ou secundária (também dá para navegar pelos anos que estão nos "entretantos"). Estou há horas nisto, a matar saudades; às vezes com vontade de chorar e outras com uma vontade louca de rir. A internet tem destas coisas espetaculares.

Vejam aqui!

03
Fev15

Ficar com os livros para a posteridade - sim ou não?

Considero-me uma pessoa racional. Há um par de coisas que me tiram do sério e onde me envolvo emocionalmente, porque é mais forte que eu. Tirando isso, gosto de pensar que penso mais com a cabeça do coração - para o bem e para mal. E, como pessoa racional que sou, consigo admitir que a minha maior despesa mensal - os livros - é mal empregue.

Eu adoro livros. Adoro o cheiro deles, o som ao folhear as suas páginas, as suas capas bonitas, o relevo dos títulos. Mas, se pensarmos bem, são objetos que, por regra, só usamos uma vez. Às vezes queixamo-nos que uma camisola de 20 euros é cara mas a verdade é que a usamos vezes sem conta até ao dia em que se estraga ou simplesmente nos fartamos dela; já no caso de um livro, damos muitas vezes vinte euros só por uma leitura, sendo que depois ele vai para a estante servir de decoração. Com sorte nunca mais lhe pegamos, a não ser para limpar o pó que se acumula no topo das suas páginas.

Ainda ontem, quando acabei de ler uma obra que não gostei particularmente, pus-me a pensar nisso. O que vou fazer com ele? Guarda-lo na biblioteca, ao lado de outros quinhentos livros que lá temos? Vende-lo a alguém que o queira e enquanto vale alguma coisa por ter acabado de sair para as livrarias e ainda fazer uns trocos com ele? Já vendi alguns que, meses depois de os comprar, soube que nunca mais ia ler. Mas foram poucos, porque crio um elo emocional com quase todos os livros que me passam pelas mãos.

Por outro lado, não gosto de os vender porque tenho a esperança que algum dia alguém os queira ler. Tenho vindo a aumentar a biblioteca dos meus pais, mas com a eterna interrogação se vai servir de facto de alguma coisa. Será que algum dos meus sobrinhos vai gostar de ler, nesta era de micro computadores e onde tudo o que eles sabem mexer são tablets e smartphones? Será que vou de facto ter filhos e conseguir incutir-lhes esta minha paixão principal, que um dia gostava de fazer vida? Vale mesmo a pena guardar a maioria dos livros que leio e continuar a ocupar dezenas de prateleiras por esta casa fora?

Dúvidas que me assolam.

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