A discrepância Porto/Lisboa sempre me irritou. Talvez o meu inicial ódio pela capital não se tratasse só dos benfiquistas mas também da grande diferença de uma cidade para a outra.
Hoje, já bem mais crescidinha e com uma paixão por Lisboa que nunca pensei ter, continuam a irritar-me alguns pormenores! Tudo bem que é a capital, que é o centro administrativo, que é a cidade mais importante do país. Mas, ei!, nós também somos importantes! Os concertos são todos lá, os eventos são todos lá, tudo é tudo lá! Primeiro roubam-nos as corridas de aviões da Redbull; depois a Praça da Alegria, que era o único (ou dos raríssimos) programa de televisão que era tipicamente portuense. Agora, o cumulo, ficam com a feira do livro só para eles (embora a culpa seja nossa, se não estou em erro, mas vai dar ao mesmo)!
Se eu tenho uma paixão por Lisboa, tenho um amor desmesurável pela minha cidade - e, claro, tudo isto é dor de cotovelo aguda a falar, por não ter alguns dos privilégios que os alfacinhas têm, mesmo à mão de semear. É que, tentem perceber, tirarem-me a feira do livro foi um golpe demasiado duro para se lidar assim de ânimo leve...
É quase regra abrirmos a piscina no dia 25 de Abril. A água está gelada, mas nós somos teimosos ao ponto de nos enregelarmos só para dizermos que já desfrutamos de um belo banho e de um pouco de sol - já chegamos ao cumulo de ir para lá em Março, até!
Este ano S. Pedro anda um pouco trocado e desfez-nos os planos. Não só não nos deixou ir em Abril como quase não nos dava hipótese de ir em Maio. Mas estes dias tem-nos dado uma folga daquele ar gélido e do vento horroroso e ontem foi dia: começou a época balnear! E eu também fiz uma estreia, tendo em conta que trouxe, pela primeira vez, colegas de turma para aqui para a piscina (oh pra' mim toda sociável).
Foi um dia cansativo, entre bolos, doces, andar para trás e para a frente, mais as típicas brincadeiras na piscina; mas valeu a pena. Quanto mais não seja pelo bronze, que eu cá estou horrivelmente branca. E pela companhia, claro.
Agora, por amor de Deus, que mais dias solarengos venham - precisa-se de muita alegria e inspiração por estas bandas.
Eu falo muito, se calhar escrevo ainda mais, mas a ideia de que tenho a resposta sempre pronta e sei de tudo é totalmente errada. Eu passo boa parte do meu tempo a formular respostas para questões que me coloco todos os dias - eu revejo conversas que tive umas trinta mil vezes, irrito-me por me ter comprometido aqui e acolá, por ter sido ligeiramente incoerente numa certa afirmação. Discuto comigo mesma todos os dias, interiormente, e talvez seja por isso que muitas das minhas respostas parecem ser pensadas - e é também isso que me dá um certo conforto em certas conversas que tenho, nas quais, se fosse doutra forma, não saberia o que dizer.
A viagem para Mafra foi interessante nesse ponto de vista - até porque não podia fugir para fora do autocarro para me desviar da conversa, o que me obrigou a responder de alguma forma àquilo que me perguntavam. O assunto era dos poucos em que a minha resposta nunca está preparada e eu plisso sem fim: a minha vida amorosa. Podem-me pôr a falar de política, de religião, dos processadores dos computadores (assunto sobre a qual eu não sei nada, mas nem me importo de inventar) ou até do sexo dos anjos. Mas da minha vida, não, por favor! E a explicação é bastante simples: primeiro porque não sou pessoa de grande partilhas. Confesso algumas coisas a meia dúzia de pessoas em que confio em grande escala e fica por aí. Por outro lado, por muito que me perguntem, eu nunca sei responder - acredito que achem improvável, mas as questões que vocês próprios se colocam sobre mim, também eu faço.
A pergunta mais flagrante e da qual eu já falei aqui é: "mas porquê que tu, não sendo uma aberração da natureza e até tendo alguma graça, sendo inteligente e outras coisas que tais, nunca tens namorado?". Questão interessante, de facto, mas à qual eu não tenho resposta. Passa-me pela cabeça a palavra "predisposição" e o facto de eu ser uma chata do pior. (Chega?)
Quatro horas para lá, quatro horas para cá. Porquê o Porto parece ficar longe de tudo o que nos importa ver? A parte boa é que se põe a conversa em dia, brinca-se e ri-se com fartura... porque verdade seja dita que fazer oito horas num autocarro é de ficar de rastos...
Uma das melhores partes da viagem foi a visita guiada. Fomos divididos em vários grupos e eu tive imensa sorte no guia que apanhei - era excelente (em todos os campos, que carinha laroca tinha ele): expressivo, cativador, brincalhão e sabia muito daquilo. Visitamos a igreja, parte do palácio e uma ínfima parte do convento em si. As coisas estão muito bem conservadas e com a ajuda do guia conseguimos quase reconstruir na nossa cabeça aquilo que se vivia lá, a par das descrições que temos no livro do Memorial. Por fora, é um enorme monumento. Lembra-me um pouco Madrid: muita pedra, muito pesado, muito grande, mas sem uma beleza estonteante. Aquilo que chama à atenção é mesmo a grandiosidade e nem tanto os pormenores - que os tem, mas sem grande destaque.
Da parte da tarde vimos um teatro (um bocado maçador, mas pronto) e depois de uma curtíssima visita à parte do convento que está agora reservada à escola de infantaria, voltamos para casa, já completamente de rastos. Mais conversa, mais brincadeiras, mais risota. Depois, quando chegamos, aposto que corremos todos para as nossas camas, tal era a forma como estávamos. Mas valeu a pena o cansaço.
(o convento lá atrás)
Fachada
Biblioteca. Com livros lindos, com capas maravilhosas. E onde vivem morcegos, só a título de curiosidade.
Amanhã é minha a última grande visita de estudo. E a primeira deste ano, que a minha turma ainda não tinha posto um pé fora da escola no que toca a actividades de exterior!
Como não há senão sem bela, isto de nos obrigarem a ler Saramago tinha de ter alguma coisa de positivo: vamos ao convento de Mafra! No meio de tanta descrição chata, de tanta desgraça, de tanta história e tantos, tantos homens, o convento lá se ergueu e vamos poder vê-lo com os nossos próprios olhinhos amanhã! E a famosa pedra gigante, que tem quase um capítulo inteiro naquele livro em sua honra (e sim, já nos prepararam para a desilusão: a pedra, no fim de contas, não é assim tão grande).
Já fiz rissóis e patinhas de caranguejo (coisa que faço uma vez ao ano, que nesta casa não se comem fritos), sandes e essas comidas anti-dieta que se costuma levar nestas visitas. Devo confessar que me sinto um bocado miúda com isto tudo, como se fosse a minha primeira vez nestas andanças; na verdade, é o contrário: estou assim por ser a última. Nestes últimos dias, apesar da carga de stress e exaustão, quero ser como uma esponja e absorver tudo o que possa. E conviver e desfrutar da companhia de tudo e de todos os que me rodeiam naquela escola. Sei que vou ter saudades. Há que aproveitar.
Depois conto como foi e, se for caso, mostro fotos. Me esperem!
Infelizmente, já não sou da época dos meus irmãos - nunca brinquei na rua com os meus amigos, nunca fui para casa somente ao cair da noite, nunca andei livremente pela rua aos 7, 8 anos de idade. Eu sou da época das televisões - da Madeleine McCann, da Natacha Kampusch, das três mulheres presas num sótão em Cleveland... Sou da altura das Mentes Criminosas e do CSI, tudo óptimo para dar ideias para quem precisa delas. E isso, quer queiramos quer não, influencia-nos.
Não que antes não houvesse loucos, sádicos e assassinos - simplesmente não havia a projecção que há agora. E isso deve ter criado um medo inconsciente em mim de que só dou conta em algumas situações. Da mesma forma que tenho fobia de médicos sem ter tido um episódio dramático, tenho uma desconfiança imensa (em alguns casos mesmo medo) nos homens em geral. Eu sou mesmo menina para não entrar numa loja quando vejo que só há um lojista e este é homem; odeio quando entram homens no elevador quando eu estou lá dentro; e sempre me fez aflição pensar em ter um homem como instrutor. Basicamente, estar sozinha com pessoas do sexo masculino em sítios fechados e preferencialmente pequenos deixa-me tudo menos confortável.
O pior é que, estas duas semanas, a minha instrutora vai de férias. E, lamento, há uma verdade quase indiscutível: as mulheres são umas cabras umas para as outras, más como as cobras... mas entre isso e estar num habitáculo com um homem que não conheço de lado nenhum, prefiro estar com as da minha espécie. A questão é que, à falta dela, não tenho escolha e vou mesmo ter meia dúzia de aulas com um instrutor, o que me tem andado a apoquentar, tenho de admitir. No fim, até devo gostar, mas até lá sofro por antecipação, especialidade aqui da casa.
(E sim, já sei, sou uma pessoa estranha... mas que raio querem que eu faça?!).
Algo de bom nestas semanas nada pacíficas para mim! Não preciso de óculos! Nem de lentes! Nem de nada nos meus olhinhos que todos dizem ser meio chinocas! Acho que foi a primeira consulta, em toda a minha vida, em que saí satisfeita!
De facto, e como já tinha constatado, o meu olho direito não vê assim tão bem - embora pouquinho, tenho míopia e astigmatismo. Mas também não é assim tanto como a enfermeira disse (eu bem avisei!)! O médico foi sensato e disse que se eu não tinha dificuldades em ver, nem dores de cabeça e essas coisas chatas, não era preciso andar com o peso dos óculos em cima do nariz. Se um dia for preciso, assim será.
O oftalmologista sempre foi dos médicos que mais tolerei por não ser muito invasivo - e porque, simplesmente, não me assustava assim tanto (estas coisas não se explicam, pronto). Correu tudo bem, o senhor era simpático e, acima de tudo, o diagnóstico não foi assim tão mau! Uffa!
Antes de mais e de qualquer post que possa fazer, não posso deixar de festejar o meu título, o nosso título. Tenho de admitir que não fiz grande festa, porque, para mim, o campeonato ficou ganho na jornada passada e com um sabor bem mais especial. Não sou pessoa de ir para os Aliados festejar, que aquilo é demasiado grito e confusão para mim, mas estou lá em espírito.
Sou sócia do meu clube de coração já vai fazer dez anos, e estes anos resumiram-se a alegrias, de uma forma geral. Acima de tudo, vejo-o como um dos pontos altos da minha cidade, que cada vez mais é ofuscada pelas luzes da capital. Tenho muito orgulho de onde sou, de onde nasci e do clube a que pertenço - independentemente de tudo o que digam (o que somos, o que deixamos de ser ou o que fazemos)! Parabéns Porto <3
Quando, há coisa de dois meses, o meu anel/aliança de filigrana partiu, decidi que iria ser uma pessoa normal e deixar de comprar anéis deste género para mim própria; porque, afinal de contas, já estava em tempo de alguém me dar os anéis em forma de compromisso em vez de ser eu a oferecer a mim própria.
Mas a verdade é que sentia falta do meu anelzinho que me acompanhou durante uns dois anos e borrifei-me para a treta de ser eu a dar-me a aliança (até porque se for a esperar que me ofereçam, pelo andar da coisa, bem que vou passar anos sem ter anéis nos dedos). Já me tinha apaixonado pelo que queria quando fui com a minha mãe comprar a minha prenda de aniversário e, felizmente, dois meses depois, o dito ainda lá estava na ourivesaria à minha espera. Ontem fui à baixa e trouxe-o para casa, já com ele enfiado no dedo. Ainda solteira, claro - mas pelo menos mais adornada e completa do que antes.