Em ambos os exames que fiz apareceu-me alguém para me desejar boa sorte. Sim, aquele que olhava descaradamente para o meu decote, me mandava bocas e me chegou a chamar "naughty girl".
No exame de MACS, entra pela sala dentro o professor de FQ, para entregar a saquinha com os testes. Mal entrou, percebeu que eu lá estava; "por aqui?!", perguntou-me. Depois abaixou-se, sorrindo, e desejou-me boa sorte, dizendo: "vai ser fácil!".
No exame de geografia, já estava eu desolada da vida porque o exame já tinha começado e nada de mensagem de boa sorte quando, pouco depois do exame começar, vejo o senhor a passar no corredor e a olhar para dentro da sala, normalmente. Estava no ângulo de visão perfeito e ele viu-me, continuando a andar, e só depois processando a informação. Passado cinco segundos de deixar de o ver, revejo-o a andar para trás, acenando-me e dizendo-me com a boca "boa sorte".
Sou daquele tipo de pessoas que odeia sonhar (à noite, durante o sono). Adoro uma bela noite de sono sem me lembrar de nada do que sonhei, e passei anos a dormir nestas condições. Acho o sono mais sólido, mais pesado, quando assim é.
Mas, infelizmente, tenho-me lembrado de tudo o que passa por esta minha cabeça durante a noite: e digo-vos, é assustador. Para além dos sonhos com o Robert Pattinson (calma, só lhe peço autógrafos e fotos e coisas assim) - que me põem doida porque acho que estou oficialmente maluca - sonho com tudo o que é irreal e parvo.
Só espero que isto mude rapidamente, que já tenho saudades de um sono descansado.
Ao estudar para o exame de geografia apercebi-me de que só umas 20 páginas de matéria é que não constituíam uma revisão para mim.
No oitavo e no nono ano apanhei, a geografia, um daqueles professores que já têm fama na escola. Chatinho que só ele, testes difíceis, aulas de morrer de tédio e a repetição da frase "de uma forma geral" dezenas de vezes numa só aula. Tudo isto, às quartas-feiras de manhã (eu até me lembro, reparem o quão traumatizada fiquei), era sinónimo de inferno e muito, muito sono.
Aliás, lembro-me que no oitavo ano ele me disse que eu era um dos membros disturbadores da turma. Ficou meio mundo a olhar para o senhor, mas ele não se acanhou: "e vai levar um 2 no final do período!". Escandaleira total, e no fim deu-me 3. E a partir daí foi sempre a subir, até ao 5, passando da disturbadora à menina do professor, que se disponibilizava sempre para ir ao quadro e responder a questões (sim, era este o truque).
A verdade é que mal deixei de ter aulas com ele, apercebi-me do quão bom ele era e do quanto tinha aprendido. Ele podia não se calar durante 90 minutos, cheirar a suor que tresandava, vaguear por assuntos que pareciam completamente diferentes daquilo que estava no sumário e fazer-nos a vida negra - mas era um bom professor, e nós aprendemos imenso com ele. E isso prova-se no facto de ele nos ter dado, em dois anos, matéria de quatro - porque raríssimas foram as coisas novas que aprendi enquanto estudava para este exame. Relembrei, essencialmente.
E por isso, a nota que vou ter neste exame, devo-lha em grande parte a ele.
E cá estou eu, depois de mais um dia de praia com as minhas colegas (hoje só com meninas) e a morrer de cansaço (e de remorsos, que deixei aqui o meu estaminé abandonado!).
O dia não se pode nem equiparar ao de ontem - a nortada chegou, as nuvens também e a certa altura fomos mesmo para casa de uma das minhas colegas que lá mora, porque os dentes começaram a tilintar. Mas não deixou de se estar bem da parte da tarde, principalmente. Desta vez manti-me na zona quente, não me metendo no mar, que estava revolto e é extremamente perigoso naquela praia.
Amanhã tiro folga da praia, em princpio. Vou manter-me por casa, a arrumar o que ainda tem de ser arrumado (como o quarto ou os enfeites de São João) e a escrever e ler, que já tenho saudades de praticar estas duas actividades com intensidade e carinho máximo. E, já agora, para dar uma folga à minha pele, que está - literalmente - com a melanina aos saltos e a curar o escaldão que ontem apanhei nas pernas.
Começaram bem, estas férias. É continuar, que assim vamos bem.
Hoje, para mim, foi o primeiro dia de verão. A minha pele cheira a verão, o dia foi quente como deve ser no verão, não houve vento como não deve haver no verão, o dia esteve bom até ao fim como deve ser no verão, as cigarras cantam lá fora como cantam sempre no verão.
O exame de geografia correu razoavelmente bem. Pelas minhas contas, a nota deve andar por volta do 14 ou 15, o que já não é mau para quem não teve aulas - no entanto, mais é sempre melhor, e ainda estou à espera de informações sobre a segunda fase de exames. MACS terá de ser repetido: se não for este ano, será no próximo. Geografia, se tirar a nota que espero, ficará certamente para segundo plano.
E agora o melhor: a praia. Não sei se consigo transcrever por palavras o quão bem me soube. Não tirando o mérito aos que estavam comigo, nem sequer foi da companhia. Era eu, a areia e o mar, numa relação cúmplice de pura felicidade. E o sol, que me deu um valente escaldão nas pernas.
A água estava gelada que só ela, mas ainda a fui visitar duas vezes - numa das visitas, aguentei dez minutos lá dentro, qual guerreira, e o meu pé agradeceu vivamente, mostrando-se um bocadinho mais magrinho e seco que o normal.
O dia estava maravilhoso, o mar estava lindo; vento só a partir das 16h, e era pouquinho - a nortada habitual, nem vê-la. Estava calor, a maré vaza e as ondas calmas. Perfeito. Consigo ser tão feliz junto ao mar...
(obrigada, mais uma vez, a todos os que me desejaram boa sorte!
E, last but not the least - estou de férias! - pelo menos até 9 de julho, quando souber mais informações sobre os exames!)
É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje. É só mais hoje.