Acabei de descobrir que um dos meus blogs de eleição é escrito por homem.
Pequenas notas, tomadas todos os dias. Coisas pequenas, fáceis de ler, mas com tanto, tanto significado - algo que um dia desejo conseguir fazer. Só havia visto as suas pequenas notas por aí, e apaixonava-me sempre por elas. E hoje, passados dias e dias a ler os seus pequenos textos, abri o blog. E qual não é o meu espanto quando vejo a foto de um rapaz e o nome "Brett" por baixo.
Uma coisa vos digo: aquele rapaz, com uma sensibilidade daquelas, deve ter resmas atrás dele. Pena - pelos vistos - só gostar de uma.
Tenho uma estranha dificuldade em perceber que as pessoas gostam de mim (e refiro-me a darem-me valor, preocuparem-se comigo, etc., e não no sentido amoroso). Ligo muito às palavras - mesmo que por vezes signifiquem pouco ou nada - mas há algumas que, por muito que mas digam, não são processadas da devida forma. E sei que o problema reside em mim - falta de auto-estima ou falta de credibilidade em mim mesma, não sei - mas há vezes em que as palavras não bastam, pura e simplesmente, porque eu não consigo acreditar que correspondam à verdade. Acho que também nunca tive muitas pessoas que, quando me conhecem verdadeiramente, gostem mesmo de mim (família excluída, porque esses não têm grande escolha). E talvez daí o meu medo de me mostrar - o facto de saber que o que está por detrás não é assim tão bom e poderá afastar quem quer que seja. E quando não afasta, eu pasmo e não acredito. Até ao dia em que me façam acreditar.
As placas tectónicas divergem, convergem. Esforçam, esforçam, esforçam e pum. Sismo. Reajuste. Réplicas.
O elástico estica. Estica, estica, estica. Traz. Arrebenta.
A régua nas nossas mãos dobra. E dobra mais e mais e mais. Track. Partiu. Quebrou.
Se tudo é assim, porquê que nós também não somos? O nosso coração esforça-se, esforça-se, esforça-se. Magoa-se, magoa-se, magoa-se. Quebra-se, quebra-se, quebra-se. E onde está o barulhinho característico de uma ruptura? (o bater acelerado do coração, sentido na garganta, no estômago, nos olhos?) Onde estão os restos e os estragos? (as lágrimas salgadas?)
Provavelmente andamos aí todos despedaçados e ninguém dá por nada. Porque ao contrário das placas tectónicas - essas exibicionistas - só nós sentimos quando algo se parte dentro de nós.
Num livro com 365 páginas, que começou hoje a ser escrito, as letras estão esborratadas. Do outro lado da janela, uma rapariga a molhar a página inicial com lágrimas provenientes de todos os recantos da sua alma.
As letras já não se vêem. O "Era uma vez" foi-se, o "num dia frio de inverno" apagou-se e o "uma jovem bonita" fugiu da página, rumo a sabe-se lá onde. A primeira página do livro, aquela que atrai o leitor, está assim, para sempre, destruída.
daqueles tempos em que julgava que ninguém me lia. Que escrevia tudo o que queria e era totalmente sincera comigo mesma. Que não me importava com o que os outros pensavam, que dizia tudo o que me ia na alma, que não queria saber se magoava alguém - pura e simplesmente porque sabia que todos os que me são próximos desconheciam este canto.
Mas, enfim, as coisas crescem - e nós crescemos. E é este o preço a pagar se quero mostrar aquilo que valho no campo da escrita e se pretendo ter feedback (e sim, pretendo, e gosto muito). Porque a vida é feita disto.
Aqui há uns dias vi um programa sobre e com o Herman José, que se passava na sua própria casa e onde ele nos mostrava fotos, roupas e contava várias histórias da sua vida através dos vários objectos que ia mostrando. Devo confessar que nunca fora fã do senhor - o seu trabalho também nunca me atraiu porque não sou adepta da piada fácil e ridícula, ou da caracterização exagerada de personagens. Mas fiquei agradávelmente impressionada. Gostei da forma que ele tem de ver a vida, das peripécias que contou e da forma como ultrapassou adversidades. Percebi o que estava por detrás de uma fase horrível e que, na minha opinião, denegriu ainda mais a sua imagem, que foi a fase dos cabelos loiros e das roupas horríveis e shinny. Passei a gostar dele como pessoa - apesar de que o seu trabalho, por mim, nunca deverá ser realmente apreciado.
Depois de uma das piores passagens de ano de sempre - senão a pior - confesso-vos que sou muito pouco superticiosa. Não há cá nota no sapato, nem cuecas novas ou passas (vão uvas, e já estão com sorte).
Nos minutos após a mudança do grande número e depois de todos os beijinhos e tchim-tshins, faço uma revisão mental daquilo que quero para o novo ano. No ano seguinte, raramente me lembro daquilo que pedi - no entanto, tenho a certezinha absoluta que um dos meus desejos de 2011 se realizou (não vou dizer qual foi, ahah).
Este ano pedi, acima de tudo e para além daquelas coisas básicas - tipo saúde -, estabilidade. Objectivos. Porque sei que, muito provavelmente, a felicidade virá de atrelado. Depois pedi boas notas, um novo espírito em relação à matemática, idas a Lisboa e... mais nada. Ficaria feliz com isso.
Espero sinceramente que a vossa passagem de ano tenha sido de arromba e melhor que a minha e que estejam a ler este texto ainda com ligeiras dores de cabeça devido à ressaca após uma noite inesquecível, que é apenas o ínicio e uma amostra deste novo ano.