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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

28
Out11

Uma questão de ventos...

As praias nortenhas são muito frias. A nortada arrefece tudo por onde passa.

As praias nortenhas têm saudades do vento sul, que as aquece. O vento sul, húmido, muitas vezes traz chuva. Mas é quente. E elas têm frio e preferem o calor, mesmo que a chuva por vezes as atinja.

 

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28
Out11

O professor de físico-química

O professor de físico-química sempre foi especial. Desde o início que ele engraçou comigo (ou com o meu físico) e eu com ele. Faz o meu tipo de pessoa: usa a ironia o sarcasmo, é inteligente.
Era sabido já desde o início que ele gostava bastante das raparigas. Ou seja, que os olhinhos dele gostavam de pairar pelos seus corpos. E é como dizem - primeiro estranha-se, depois entranha-se. Nunca deixei de me vestir com mais ou menos decotes por causa dele nem coisa do género - simplesmente, ninguém pode evitar que ele ou outros olhem, por isso acho melhor mantermo-nos fiéis a nós próprios.
Sempre foi um amor para mim - mostra-se sempre zangado e preocupado quando tiro más notas, pergunta-me regularmente sobre o pé, diz-me quando acha que o meu humor não está nos seus melhores dias. Sei que tem noção das minhas capacidades e gostava que à sua disciplina fosse uma aluna exemplar - coisa que nunca se revelou. A verdade é que cada vez gosto menos de físico-química, porque aquele mundo revela-se de dia para dia mais complexo e menos cativante.
Desiludir pessoas é coisa que mexe comigo. E eu sei que o teste que fiz ontem, para além da desilusão que vai ser para mim, será também para ele. Porque a aluna que ele queria que fosse exemplar vai tirar negativa ou algo pouco acima disso.
Não fiz por ser a menina do professor. Mas a verdade é que o pressão que decai sobre mim é maior. Porque vou ver a cara chateada dele quando me der e teste e ouvir a sua voz a dizer 'Guimarães, leia a pergunta', porque ele só me trata por Guimarães quando está zangado. Porque ele tem expectativas e eu não as vou atingir.   

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27
Out11

A fisioterapia

Assustei-me seriamente quando vi quem me iria tratar. O Rodolfo já havia passado pelo FCPorto, Benfica e Sporting; na clínica veste-se sempre de preto, combinando com o seu bigode farfalhudo e o cabelo preto, ligeiramente encaracolado. Tinha cara de mau e só quando o ouvi falar é que respirei de alívio.
De todos os médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e massagistas a que me dirigi, todos ficam a olhar para o meu pé com um ar pensativo - os tratamentos que me aconselhavam baseavam-se no 'talvez resulte...' porque, notoriamente, ninguém sabia bem o que isto era. E ele mostrou-se confiante. Disse que conhecia um caso semelhante e me punha como nova. E eu aceitei de imediato, porque foi a única pessoa nesta jornada que me pareceu confiante naquilo que dizia.
A fisioterapia não se tem revelado fácil. A primeira semana, que tive de ir todos os dias, foi na verdade muito difícil. E os dias em que saí depois das 21h também. Era chegar a casa e ir para a cama, com a cara molhada de lágrimas de cansaço e revolta. Mas assim tem de ser. A espera por vezes é muita - já chegou às 3 horas - e o tratamento, que ronda as 2 horas, desgastam qualquer um. E não é fisicamente - é psicologicamente.
A rotina é sempre igual. Meia hora de electrodos - 'diz quando começares a sentir', 'diz quando estiver bom', que é o único tratamento não indolor que tenho - depois 10 minutos de ultrassons, seguido de 5 minutos de laser - "põe os óculos, não os tires enquanto não acabar". Depois vou para o 'turbilhão' (hidromassagem), recebo uma massagem e por fim 30 minutos de pressoterapia (uma bota que é colocada na perna, que incha e desincha, de modo a fazer drenagem).
A Tânia, o Luís e o Líbano são a minha pouca companhia durante estas horas - são quem ajuda o Rodolfo na clínica e que me permitem uma breve troca de palavras de cada vez que abrem a cortina da minha box, só para espreitar como eu estou. São eles que me fazem os ultrassons e tentam meter conversa comigo, enquanto passam o aparelho no meu pé. A Tânia é a minha preferida. É uma risota pegada. A minha box, apesar de um ser uma pessoa reservada, é a mais animada lá do sítio. Ouvem-se gargalhadas e brincadeiras, vêem-se sorrisos.
Ou seja, está é no fundo, e para já, a minha terceira casa.  

 


 

(pressoterapia e electrodos)

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