Das memórias que ficam
Uma mulher, em Portugal, vive em média 82 anos. São cerca de 30000 dias, 720000 horas de vida. A respirar, a piscar os olhos, a sentir.
No entanto, não se lembra nem de um quarto do que fez durante a sua vida. Há momentos que marcam - os nascimentos, as mortes, os casamentos, os divórcios; depois há aquelas memórias dispersas - que por vezes são as melhores - de dias afastados, sem que se se esperasse que deles se produzissem tão boas memórias. Dias simples, sem nada de mais - algo que achávamos que iríamos esquecer, mas que ali fica para sempre. Passeios, abraços, eventos, sorrisos.
Preciso de ter cinco vezes a minha idade para chegar aos 82 anos. Tenho que quintoplicar a minha vida vivida até lá chegar. Mas sei que alguns desses momentos - daqueles simples que vos falava - já estão marcados para sempre na minha memória. Vou ser velha e não me vou lembrar das datas; vou ser velha e não me lembrar dos nomes; mas acho que vou ser velha e me vou lembrar de que "isto, quando era novita, me proporcionou experiências inesquecíveis."
Sou uma privilegiada.




