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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Dez19

Ei-la! A minha árvore de Natal!

E mais uns quantos pensamentos sobre o significado desta época

Já é um must da época natalícia. Fazer a árvore de Natal é uma das minhas coisas favoritas de todo o sempre e este ano, apesar de todo o caos, não foi excepção. Reservamos um sábado para a fazer, decidimos o tema - esta época fugimos dos dourados e viramo-nos para os prateados e vermelhos - e pusemos mãos à obra.

É sempre um momento de partilha e união muito importante para a mim e para a minha mãe. Mas desta vez, diria, ainda foi mais essencial. Foi uma forma de eu dizer e fazer sentir que continuo ali, apesar de ter recentemente saído de casa - que é como quem diz, passei a dormir fora. Dar a perceber que aquela árvore continua a ser a minha árvore. A nossa árvore. Que continua a ser o nosso momento. A nossa festa. Uma partilha constante, como é a vida - e como vai ser sempre, partilhada com aqueles que me criaram e fizeram de mim quem eu sou hoje.

Este sábado foi pintalgado por um sentimento um bocadinho triste, pelo menos para mim, que nada teve que ver com a cama onde durmo neste momento (e a minha "saída" de casa). Os meus sobrinho visitaram-nos enquanto decoramos a árvore e eu fiquei perplexa com a forma como reagiram quando a viram.

Nada.

Nenhuma reação, para além de uns olhares de esguelha. Não se atiraram às bolas para a decorar, não perguntaram se podiam participar. Ignoraram. E isso, para mim, foi um murro no estômago. Eu, que sempre quis montar a minha e todas as árvores de Natal a que pudesse deitar a mão; que pedia encarecidamente aos meus irmãos, quando era miúda, para ajudar a decorar o símbolo máximo desta época festiva.

E eles... nada.

O mesmo "nada" que representa para eles a manhã de Natal passada na cozinha a fazer doces; que escolher as compras de Natal, pensadas para cada um, mais do que as comprar; que montar uma árvore de Natal e perceber que é muito mais do que um processo decorativo. 

Entristece-me que os miúdos vejam o Natal como um dia em que recebem prendas quando, para mim, é todo um mês de partilha. De dar muito mais que receber. Um mês para estar. Um mês para ficar, sentar, desfrutar. Sentir. 

A minha árvore é muito mais que uma árvore. É o sinónimo de tudo isto, de tudo o que o Natal significa para mim. Que, como se nota, é muito.

 

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04
Dez19

A vida acontece entre textos

 

Já aqui tinha dito que não gosto de interromper "séries" de textos que tenha programadas - e que isso resulta muitas vezes em textos "entalados", que não saem (e que não consigo escrever) porque disse a mim mesma que a ordem das minhas publicações seria aquela que projetei. Isto acontece principalmente nos diários de viagens, que implicam muito tempo de escrita. Tempo que eu agora praticamente não tenho. Eu, que sempre me rejubilei por conseguir organizar o meu tempo da melhor forma, conseguindo encaixar tudo. Mas há momentos em que a vida acontece.

Depois de vir do Japão mudei-me praticamente para casa do meu namorado - e com isso mudei rotinas, minhas e dos outros, e alterei hábitos há muito enraizados, que durante muitos anos achei que nunca iria mudar. Uma recidiva do quisto a que fui operada há quatro anos atrás voltou a ensombrar a minha vida, a implicar exames e demasiadas idas ao hospital, assim como cuidados contínuos e diários que tiveram implicações na minha vida; essa fase culminou hoje, com mais uma cirurgia, que espero que venha a resolver definitivamente o assunto. A minha cadela teve uma ninhada de cãezinhos maravilhosos que me ocupam alguns dos minutos livres que me restam; que me querem roer os cordões, que me enfiam os dentinhos pela carne adentro, mas que são as coisas mais lindas que já vi. Fui a Marrocos em trabalho, não adorei, mas fiquei com histórias para contar - e a esperança de que o negócio vingue e que seja por isso obrigada a voltar.

No meio disto tudo fico com a sensação de que o tempo se esvai por entre os meus dedos. O meu projeto do Japão está longe de estar concluído: falta-me acabar o conjunto de textos que tinha em mente, terminar o vídeo sobre esta aventura, fazer um álbum de fotos digital, fazer o meu diário em papel. Para além de tudo o que quero escrever e contar aqui - porque todos os tópicos que ali mencionei através de um mero par de linhas têm muito que se lhe diga. Muitas alegrias mas muita dor à mistura; muitas decisões difíceis, misturadas com sentimento de superação. Em resumo, muito de mim.

E agora que já rompi a minha série de posts, vou ver se finalmente escrevo tudo aquilo que precisa de sair da minha alma para fora. Sem esquecer o Japão, claro. Pelo meio, esperem cachorrinhos e espírito natalício a rodos ;)

 

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13
Nov19

Nara, um mimo em forma de cidade

Quando me perguntam aquilo que mais gostei no Japão eu não sei responder. Mas sei aquilo que mais me surpreendeu. Chama-se Nara. Se eu já conhecia, nem que fosse por alto, os nomes de Tóquio, Quioto e Osaka, o mesmo não se passava com aquela que é tida como a primeira capital do Japão. E digo, com toda a certeza, que vale a pena conhecer - ainda por cima basta um pequeno desvio (cerca de 45 minutos) de Quioto para lá chegar, o que é óptimo!

 

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Com muito sono e de mochilas (muito cheias) às costas, prontos para apanhar o comboio que liga Quioto a Nara

 

Nara é um mimo em forma de cidade. Quer dizer... Pelo menos a parte que eu vi. A passagem por lá ocupou-nos pouco mais de uma manhã, mas não saímos do centro histórico - que, ainda que muito turístico, é muito "respirável" e agradável. Tivemos a sorte de ir num dia de sol, algo essencial para um passeio por lá, que se faz quase todo ar livre. E que agradável que é! Tem tudo aquilo que eu gosto: espaços verdes, lugares históricos e grandiosos, lojinhas de souvenirs e de gelados, paz se a procurarmos e... bambis. Tem bambis aos magotes! São pequenos veados por todo o lado, a fazer vénias em troca de bolachas e a posar para fotos como ninguém. É só maravilhoso. A interação com estes animais e a forma como eles já se habituaram à presença humana, usando sabiamente a sua fofice para receberem comida, é coisa para fazer o dia de alguém. A mim não só me fez o dia como a viagem inteira. Teria ficado o dia todo a tirar-lhes fotos e a comprar bolachas para os engordar (há vendedores de rua específicos para estas bolachinhas, cujo pacote custa cerca de euro e meio).

 

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Um dos meus novos amigos

 

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Já davamos abracinhos e tudo! (Ele na verdade estava só a cheirar o meu bolso, que tinha bolachas...)

 

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O verde reina no Parque de Nara

 

Desde a saída do comboio até aos monumentos, as distâncias são todas relativamente curtas - pouco mais de um quilómetro, se tanto, entre elas. Por isso começamos pelo primeiro que nos apareceu, o Kofukuji Temple - que na verdade é um complexo deles. Contempla, entre outras coisas, o Central Golden Hall (cuja entrada é paga), o Kofukuji Pagoda (a segunda maior pagoda do Japão) e o Southern Octagonal Hall - tudo construções muito bonitas, que ganham ainda mais vida pela envolvência verde do parque e a animação dos bambis a passearem-se por todo o lado. Mas, olhando para trás, não teria gasto dinheiro na entrada no Golden Hall (que, no seu interior, tem um buda e uma série de figuras de bronze - nada de estrondoso) e aproveitado para entrar no Todaji Temple, o mais grandioso e famoso templo em Nara (onde passamos depois mas que decidimos não pagar para entrar).

 

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Central Golden Hall no Kofukuji Temple. Esta é a primeira foto que tiramos em grupo durante a viagem. Um conjunto de rapazes espanhóis e franceses pediu-nos uma foto e nós, como cobrança, pedimos outra ;)

 

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Kofukuji Pagoda. Foi construída em 730 e restaurada mais recentemente em 1426 e é a segunda maior pagoda do Japão, com 5 andares!

 

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Em frente ao Southern Octagonal Hall 

 

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Um outro ponto de vista do Golden Hall

 

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O Southern Octagonal Hall visto a partir do recinto fechado do Golden Hall

 

Mas não foi só à conta dos bambis e da beleza da cidade que Nara ficou cravada no meu coração. Houve um episódio particularmente especial, passado em frente ao portão do Todaji, que acho que tão cedo não vou esquecer.

As visitas de estudo são, aparentemente, muito comuns no Japão. Não havia local histórico que visitassemos que não tivesse montes de miúdos com chapéus amarelos, ora organizados em fila indiana, ora de livros na mão a tirar apontamentos enquanto ouviam o professor. Em Nara deambulavam por lá centenas de meninos e meninas, em pequenos grupos, e enquanto tirava fotografias apercebi-me que estavam a abordar os turistas de forma a treinar o seu inglês. Usei os meus ouvidos de tísica para ouvir a conversa alheia (eu sei que é feio, mas não resisti!) e comentei com os meus companheiros de viagem o quão incrível era aquela iniciativa. Até que percebi que nós próprios estávamos na mira de uns pequenos estudantes que, depois de muito hesitarem (e de nós fazermos cara de gente simpática) vieram ter connosco. "Hello, can we talk to you?", perguntou uma das meninas a medo, sendo ainda assim, e claramente, a mais aventureira de todas. Perguntaram-nos o nosso nome e de onde vínhamos, enquanto liam atentamente aquilo que estava escrito nos seus cadernos e tiravam apontamentos com as nossas respostas. Quando nos disseram de onde eram, questionando-nos se conhecíamos o sítio (a resposta era óbvia...), abriram um mapa do Japão e apontaram para o local, provando que tinham a lição bem estudada. Na folha seguinte tinham um mapa mundo - e nós fizemos questão de mostrar onde era o nosso cantinho à beira-mar plantado. No fim, um último pedido: "can we take a photo with you?". A resposta era óbvia, a condição era só uma: que nós também pudéssemos tirar uma como recordação. E assim foi. 

Achei a delicadeza e a educação com que nos abordaram absolutamente maravilhosa. E passei a admirar ainda mais os japoneses, por perceberem os seus próprios pontos fracos e trabalharem-nos desde cedo. A socialização e a capacidade de comunicar é claramente um problema para este povo - e aliar uma visita de estudo (que é sempre uma coisa "fixe") a uma tarefa que os obriga a lidar com pessoas totalmente desconhecidas e ainda falar uma língua estrangeira é só genial.

 

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O portão principal que dá acesso ao Todaji.

 

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O Nandaimon Gate é outro dos portões que dá acesso ao Todaji.

 

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Ei-lo: Todaji Temple, onde não entramos, e que era claramente o local com mais afluência de turistas. Foi construído em 752 e era, até há bem pouco tempo, a maior construção do mundo em madeira. Este templo tem, no seu interior, uma das maiores estátuas de Buda de todo o Japão, feito em bronze, com 15 metros de altura.

 

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A foto para mais tarde recordar, com o grupo de crianças japonesas que nos "entrevistou".

 

No topo da colina, em Nara, encontramos o Nigatsudo Hall, que dá acesso a umas vistas privilegiadas da cidade. É aqui que acontece um do eventos mais populares do Japão: o Omizutori, uma série de rituais budistas (dos mais antigos do Japão), que tomam lugar no início de Março. São, no fundo, rituais com fogo e água, feitos pelos monges, maioritariamente dando uso a tochas gigantes - que fazem deste um autêntico espetáculo visual. A altura em que é festejado, a água, o fogo, as tochas e tudo o resto têm os seus simbolismos próprios, mas de uma forma geral o objetivo é apagar os pecados do ano que passou. É claro que não nos foi possível assistir a isto, mas fica a informação para um próxima visita (cof cof).

 

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Nigatsudo Hall

 

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Nigatsudo Hall

 

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A vista no topo da varanda do Nigatsudo Hall

 

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Detalhes do Nigatsudo Hall

 

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Detalhes do Nigatsudo Hall

 

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Um sino gigante que encontramos no caminho para o Nigatsudo Hall

 

E Nara foi isto - e foi muito! Agora que pesquisei mais a fundo sobre os locais que visitei, percebi que ficou ainda outro tanto por ver - e que a própria cidade, para além daquilo que circunda o parque, também pode ser uma visita interessante. Houve alguns templos que ficaram de fora e um ou dois locais de potencial interesse por onde não passamos... mas o tempo não esticava e Osaka esperava por nós. 

Até lá... só mais umas fotos com os bambis.

 

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10
Nov19

Quioto, onde mora a história do Japão

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Eu, millenial de gema, achava que Quioto só era conhecida pelo tratado. Acho que a ideia que nos está implantada desde pequenos sobre esta cidade é precisamente essa, uma série de assinaturas com o nome de uma cidade com uma data de medidas (infrutíferas) para prevenir a emissão em excesso de gases de efeito de estufa. Mas não. Descobri que o Japão é um daqueles casos em que a capital acaba por ser preterida, no que diz respeito à preferência dos turistas, por outra cidade qualquer. Como acontece com Brasília, no Brasil. Com Berna, na Suíça. Ou com Camberra, na Austrália. 

Apesar de Tóquio ser gigantesco e ter tudo para agradar a qualquer tipo de turista, foi em Quioto que vi mais enchentes, tours e excursões. A ideia de que a história antiga está toda ali deve atrair a maior parte dos estrangeiros. Quioto foi a capital do Japão até há relativamente pouco tempo (século XIX) e, como ficou fora do mapa da bomba atómica (que era suposto ter atingido a cidade mas que foi movida para Nagasaki à "ultima da hora"), acabou por conseguir conservar muitas das coisas antigas e mais tradicionalistas da nação nipónica. Mas a verdade é esta: quase tudo são templos. E ou se é um grande entusiasta e conhecedor deste tipo de monumentos ou, a certa altura, tudo nos parece igual. 

É por isso que dissociar esta cidade dos imensos templos que tem (colocando-os num post à parte) é uma estratégica "editorial" algo arriscada - mas é mais uma tentativa de tornar isto menos pesado e extenso. Percebo que em termos de roteiro possa confundir um pouco as coisas, mas talvez juntando-os a todos consiga provar o meu ponto: de que não vale a pena visitar tudo, tudo, tudo o que é templo. É essencial escolher.

Mas voltemos ao passeio. O nosso roteiro por Quioto era extenso e exaustivo, até porque implicava acordar muito cedo num dos dias. Mas, de uma forma natural, acabamos por ir aligeirando o plano, porque deixamos de ter vontade de visitar as dezenas de templos que tínhamos em mente visitar. Percebemos que era demais e que já não estávamos a enriquecer com isso. E em parte senti-me desiludida com a cidade por causa dessa vertente meio monótona, em que as coisas são efetivamente diferentes mas nos parecem todas iguais. Ou o roteiro é mesmo muito dinâmico e inclui coisas diferentes, ou Quioto acaba por se tornar chato. Foi um pouco o que aconteceu connosco. E, para mim, revelou-se na cidade (das que visitamos) que mais me desiludiu. O facto de ter sido a cidade onde pior comemos também não ajudou, assim como a falta de algum contexto histórico que por ventura podia ter enriquecido a nossa estadia.

A ideia de antiquidade de Quioto, quando comparada com Tóquio, é de facto realista. Isso nota-se nas estruturas, nas ruas, nos edifícios. Há muito ruído visual, proporcionado pelas centenas de linhas de eletricidade que se prolongam e cruzam pelas ruas fora. E tudo isto confere uma certa aura de desorganização e até de alguma ruralidade à cidade. As casas são mais largas e espaçosas, não se vendo grandes construções em altura, e não são aqueles cubículos com os metros quadrados contados como se vê na capital. 

O nosso primeiro ponto de paragem foi o Nishiki Market - uma rua gigantesca, com lojas de ambos os lados. Comida, souvernirs, roupa - havia de tudo. E, como todos os mercados, tinha uma magia especial. Eu, pelo menos, gosto muito deste tipo de espaços; de perceber o que é típico, de interagir com as pessoas que fazem daquilo vida. Ao fim do mercado há um templo, o Nishiki Tenmangu Shrine, que também visitamos. 

 

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No Nishiki Market

 

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Em frente ao Nishiki Tenmangu Shrine

 

A caminho de um outro templo (eu não disse que eram só templos?), passamos pela Torre de Quioto. Está longe, muito longe, de ter a beleza da Tokyo Tower, mas é um ponto de passagem considerado obrigatório.

 

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Ao chegar ao Kyo-o-gokoku-ji, conhecido por To-ji (outro templo), deparamo-nos com um conjunto de pessoas a fazer uma festa rija ao lado de uma espécie de andor. Não sei o que festejavam, mas muitos deles estavam (com a ajuda do álcool) contentes e felizes - de tal forma que um posou para a foto, com o seu traje tradicional, porque não é todos os dias que um ocidental se enfia no meio de uma festa de japoneses.

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Jackie Chan, és tu?

 

A parte mais bonita de Quioto é, infelizmente, aquela de que mais dificilmente conseguimos desfrutar. Gion é o bairro mais conhecido da cidade, popularizado pelas gueixas e por um complexo de templos gigantesco (o mais conhecido é o Kiyomizu-dera), mas que se tornou altamente turístico e, por isso, acabou por perder um pouco da sua beleza. Até porque é difícil circular, parar no meio da multidão ou ver com tempo e espaço o que quer que seja. Temos de fazer um grande esforço de abstração para conseguir saborear as vistas devidamente. Porque, de facto, merecem que paremos e apreciemos tudo aquilo. 

 

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Se vi alguma gueixa verdadeira, contam-se pelos dedos das mãos. Mas turistas (especialmente mulheres) vestidas desta forma tradicional, principalmente em Gion, era aos magotes. E depois aconteciam contrastes destes: a tradição junta-se à atualidade; um padrão típico faz par com uma mochila adidas e... adeus magia!

 

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Gion e as suas ruas movimentadas

 

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A entrada para o Jishu-jinja, um dos templos na área de Gion

 

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Os leques são um dos souvenirs mais populares no Japão - mas são longe de ser os mais baratos.

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Um grupo de gueixas (falsas?) aproveita a paragem para tirar umas fotos de grupo. Gosto muitíssimo desta foto.

Os trilhos de Gion merecem bem ser percorridos, pelo menos até encontrarmos um cantinho que não seja assim tão movimentado. Nós fomos andando sempre até encontrarmos um dos ex-libris de Quioto, a Yasaka Pagoda, que figura na maioria das fotos que nos aparecem quando pesquisamos algo sobre o Japão. Confirma-se que é bonita e que a envolvência do bairro, com todas as casinhas de madeira, lhe dá uma mística especial. Principalmente de noite, ou ao entardecer, hora a que passamos por lá.

Antes disso ainda fizemos uma paragem estratégica para um cafézinho no único Starbucks do mundo em tatami, o chão tradicional japonês, feito de um tipo de tecido de palha entrelaçada. Não é nada do outro mundo: é um Starbucks em que o pessoal toma café descalço (quando se tem lugar), com pernas à chinês e rabo no chão. Se é diferente? É. Tão diferente que têm mesmo de ir? Não. Mas é um bom sítio para uma paragem, um café quente (que não é muito fácil de encontrar por aquelas bandas) e um bocadinho de descanso.

 

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As ruas de Gion

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O detalhe do cabelo de uma suposta gueixa, algures pelo bairro de Gion.

 

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Vista para Quioto

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Yasaka Pagoda

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Yasaka Pagoda

 

O segundo dia em Quioto começou muito, muito cedo - aí pelas 5h da manhã. A razão? As multidões. Ou, neste caso, para fugir delas naquela que foi, talvez, a minha parte preferida da cidade: a floresta de bambus. Eram 7h30 quando chegamos e já havia gente a passear-se por lá (ir ainda mais cedo não é, portanto, algo de todo descabido). Ainda assim conseguimos desfrutar do espaço sem muito barulho e sem muita gente - o que, mais do que ser essencial para boas fotos, é imprescindível para saborearmos bem aquele momento. Como àquela hora o sol ainda estava fraquinho, a luz entrava suavemente por entre as imensas canas do bambu, conferindo a todo aquele espaço uma aura especial e muito bonita.

Não esperem uma coisa gigante, um caminho infinito; as imagens, em particular neste sítio, enganam. E a sensação que fica é que aquilo deveria ser maior, para podermos absorver aquela energia boa; uma espécie de labirinto por entre os bambus era um sonho para mim. A floresta é constituída apenas por um caminho relativamente estreito, portanto não dá para sentar, parar ou até respirar sossegado durante muito tempo. Por muito que tentemos acabamos por ficar sempre na fotografia de alguém ou a interromper o caminho, pelo que acaba por ser algo que obrigatoriamente se vê de passagem, em movimento - e é tão bonito que passa num fósforo. Queria mais. Muito mais! Mas, ainda assim, este foi o lugar em Quioto que ocupou um lugar mais especial no meu coração.

 

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Para além da floresta de bambu, toda a envolvência de Arashiyama (aquela zona) é bonita. A saída da floresta leva-nos ao Parque Kameyama, com uma bela vista à beira rio, e a uma das pontes mais conhecidas da zona, a Togetsu-do. É bom sítio para fazer devagarinho, enquanto os minutos passam - especialmente se tiverem ido cedo à floresta e estejam a fazer tempo para visitar outros locais. Se na altura soubesse - e aproveitando o belo tempo que estava nesse dia - tinha levado uma pequena merenda na mochila e feito um mini-picnic à beira daqueles barquinhos. Fica a dica!

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Parque Kameyama, à beira rio, e os seus típicos barquinhos de madeira

 

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A zona de Arashiyama 

Por meio de visitas a templos e mais templos, que fomos intercalando tanto devido a uma boa gestão de tempo e de trajetos como para desenjoar, ainda fomos a outros dois locais conhecidos: a floresta de kimonos (que não acho que mereça uma paragem propositada, só se estiverem a caminho) e ao Passeio dos Filósofos - mais uma caminhada à beira rio, repleta de banquinhos, e onde se pode fazer a travessia de um lado ao outro das margens saltitando entre as pedras lá estrategicamente colocadas.

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Floresta de Kimonos

 

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Passeio dos Filósofos

O fim do segundo dia ainda deu tempo para visitar dois locais de peso: o Palácio Imperial e o Castelo de Niju. Nós estávamos claramente com azar no que aos palácios dizia respeito: mais uma vez não conseguimos visitar, pois estava fechado. E, no caso de não se poder entrar (pelo que sei a visita é curta e gratuita), não acho que valha a pena passar por lá; é apenas um conjunto de paredes e de pórticos (semelhantes a tantos que se vêem em templos e edifícios históricos) envoltos num grande jardim que não tem nada de imperdível.

Já no que diz respeito ao Castelo de Niju também foi por uma unha negra que conseguimos entrar - mas ainda bem que conseguimos! Sobre isto é importante dizer que a maior parte dos monumentos encerra muito cedo - entre as 16h e as 17h - o que também obriga a um bom planeamento de tudo aquilo que se visita. Se a memória não me falha também este castelo estava a meio gás, com obras e um circuito para os turistas bem definido e nada flexível. Mas é um local que merece a visita, até porque é diferente de tudo o que vimos até ali. O ex-libris do Castelo é o Ninomaru Palace, onde é permitida a entrada (ainda que paga), algo que não é assim tão comum. Enormes corredores com o chão forrado a tatami circundam as salas enormes que faziam daquele sítio a casa e o escritório de uma das pessoas mais importantes do Japão há alguns séculos - o Shogon, o general que comandava o exército e que era diretamente nomeado pelo imperador. As descrições sobre as divisões são mesmo muito breves, sendo que o enfoque ia mais para as pinturas que forravam as paredes do interior palácio do que propriamente das salas em si, o que me deixou com pena. Diria que este é um dos locais que merece a presença de um guia para percebermos melhor a forma como funcionava antigamente e um pouco sobre a sua história, assim como de quem lá viveu. E, já agora, responder a algumas questões bastante pertinentes: como é que um castelo não tem muralhas?! Fiquei com vontade de saber mais. (Do interior do palácio não tenho fotos, pois era proibido).

 

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Palácio Imperial

 

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Castelo de Niju

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Entrada Castelo de Nijo

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Castelo de Nijo. Estes pórticos altamente trabalhados são uma das atrações principais.

 

O pior dos dias que começam cedo é que tendem, também, a terminar cedo. Os muitos quilómetros que percorríamos e o tempo húmido não ajudavam à resistência nem ao cansaço acumulado, pelo que o nosso último dia em Quioto terminou a jantar cedo e a desfrutar do conforto de um banho quente e das nossas camas. O dia seguinte seria longo e de mochila às costas - mas valeria totalmente a pena. Rumo a Nara!

29
Out19

Um questionário ao consumidor antes de viajarmos para Quioto

Faço os diários de bordo à minha medida - nem tanto pensando naquilo que procurava antes de ir viajar mas sim tendo em mente aquilo que vou querer ler daqui a uns anos, quando a minha mente já não estiver tão fresca e eu quiser relembrar as viagens que fiz. Volto a viajar comigo mesma de cada vez que leio aquilo que escrevi sobre os meus passeios anteriores e essa é a maior razão que tenho para perder horas e horas a escrever coisas aqui no blog que, honestamente, não sei se muita gente lê.

E é sobre isso que venho indagar. Questiono-me muito sobre a forma densa como escrevo esses posts; vejo muito poucos (ou nenhuns) textos de viagem tão detalhados como os meus - mas pergunto-me se isso será bom. Sei que é mais fácil ler a Isabel Saldanha (que, por falar nela, está agora no Irão!), que com a sua escrita poética vai dando inputs sob a forma de posts de Instagram que nunca são muito longos; sei que é mais rápido perceber os bairros de Tóquio com posts breves e poucos descritivos como o do Alma de Viajante (que gosto muito!); sei que a nossa concentração digna de peixe de aquário gosta mais de fotos do que de um montão de letras. Mas nenhuma destas formas de transmitir ideias é suficiente para mim. Eu preciso de mais, de contar mais, de expor mais; de dizer aquilo que senti, a forma como vivi, o que pensei naqueles locais. E já faço um esforço para dividir o "mal pelas aldeias" e fazer diversos posts; já recheio os meus textos de fotos para ser palpável tudo aquilo que eu digo e dar uma mãozinha à imaginação para que também vocês viajem comigo. Mas não sei se é suficiente.

Por isso, hoje, pergunto diretamente: os meus diários de bordo são chatos? Não têm vontade de os ler até ao fim devido à sua extensão? Acham que perde o efeito didático e de eventual ajuda que poderá ter para as vossas viagens por ter toda aquela quantidade de informação? Ou gostam do estilo e têm a mesma visão que eu?

Por favor, contem-me tudo.

27
Out19

Tóquio, uma capital com lugar para todos

Uma introdução sobre o Japão; os bairros de Tóquio; e alguns pontos turísticos

Mentiria se dissesse que Tóquio é uma cidade lindíssima. Não é. Não tem a delicadeza das cidades italianas, a doçura de Paris ou uma linha conceptual estável como Praga. Não é uma capital que nos deixa de queixo caído por aquilo que tem – mas talvez pela forma como vive. Pelo rigor e a organização que reinam no meio do caos. Pela heterogeneidade que, por estranho que pareça, é fator de união. Pela cultura que, apesar de tão diferente da nossa, tem pontos em que cheira a ocidentalização - e, nesse momento, percebemos que é melhor ficar como está e deixar o que é nosso deste lado do mundo.

Há lugar para cada um de nós em Tóquio; sítios para todos os gostos e estilos, dos freaks aos mais clássicos. Independemente de quem somos... é só uma questão de procurar. E foi isso que mais me fascinou: como é que tanta coisa pode caber num só sítio?!

A ideia que temos dos japoneses malucos é errada e demasiado restrita. Em Tóquio, principalmente durante a semana, a cidade é invadida por engravatados e roupa mais formal, incluindo todos os alunos, que usam fardas para ir para escola. Ao todo, entre 90 a 95% das pessoas usa este dresscode. Aquela concepção que temos dos japoneses com roupas estranhas, cabelos com cores extravagantes e penteados estrambólicos aplica-se a grupos mais restritos, jovens na faixa dos 20 anos, e que não se encontram em todas as partes da cidade. Akihabara é um dos sítios mais propícios a encontrarmos estas espécimens – mais abaixo vão perceber porquê. Ah!, e não posso deixar de elogiar o estilo das japonesas. Gostei muito, muito, muito da forma como as mulheres se vestem e queria levar os guarda-roupas delas comigo (e em parte trouxe, porque me desgracei na Uniqlo...). Regra geral não há decotes nem saias curtas; os conjuntos são originais e pouco óbvios, com peças menos mainstream e formas irregulares mas que, ainda assim, prezam pelo incrível bom gosto e um equilíbrio surpreendente. Queria tudo!

Ainda falando de ideias pré-concebidas, e ao contrário da anterior, devo dizer que tudo o que achamos sobre a organização e limpeza dos japoneses é mesmo verdade. Diria que são os alemães ou suíços do oriente. E eu, que adoro regras e organização, achei aquilo o paraíso na terra. Eles fazem filas para entrar no metro! E deixam sempre os sapatos à porta de tudo - mesmo nos quartos dos hotéis, nos templos e até nos provadores das lojas! E não deitam lixo para o chão! E limpam tudo - até o espaço entre os azulejos em plenas ruas! E têm o sentido por onde se deve circular em cada sítio, ora pela esquerda ou direita, com mais espaço para o sentido com mais afluência. É o paraíso na terra!

 

Como há muita coisa para fazer e ver, convém mesmo que esta seja uma viagem bem planeada – o que exige muito tempo de preparação, mas que compensa com o tempo que não se perde in loco (até porque para pedir ajuda é preciso encontrar um japonês que saiba falar bem inglês, o que não é fácil...). Analisar as rotas mais curtas para visitar o maior número de locais é essencial - e, para mim, fazê-lo a pé (pelo menos na sua maioria) é importante. Complementamos os caminhos com a ajuda do metro, mas eu acho que uma cidade conhece-se a pé - e os 18kms que fizemos em média, diariamente, comprovam-no bem. Para nós o planeamento prévio foi ainda mais importante, uma vez que tivemos de cortar um dia inteiro em Tóquio por causa do dilúvio e dos ventos que se fizeram sentir.

Os nossos roteiros não tinham só como enfoque os monumentos ou pontos turísticos mas também os bairros em si – ir lá, passear, perceber o tipo de pessoas que os frequentam e tirar-lhes a pinta. Percebemos que na maior parte das vezes éramos os únicos ocidentais num raio alargado, o que só prova que conseguimos imiscuir-nos no mundo dos japoneses, o que tornou a experiência ainda mais rica. Não sei se foi por ser época baixa ou devido às notícias do furacão, mas a verdade é que fiquei surpreendida pela pouca quantidade de turistas que vi na cidade. Se a memória não me falha, só num ou dois templos é que realmente nos apercebemos da diversidade de pessoas que lá andavam; de resto, eram os japoneses e nós, os três estarolas ocidentais ;)

Para me facilitar a vida agrupei as minhas considerações e fotos por bairros. Esta divisão não é mega precisa, até porque as fronteiras entre uns e outros nem sempre são perfeitas, mas dá para ter uma ideia do espírito de cada um dos locais. Os sítios mais deslocados, em que não visitamos o bairro em si, estão no final. Tenham em atenção que aqui não incluo tudo o que é templos, que mostrarei numa publicação futura. Vamos a isto.

 

Ginza, o bairro fancy de Tóquio

O nosso primeiro hotel ficava em Ginza – o que por um lado é bom, porque foi a zona que indiretamente mais exploramos, mas que por outro acabou por ser aquela que mais “desprezamos”. É o bairro com as ruas mais amplas e luminosas, com edifícios grandes, mais atuais e cosmopolitas, cheios de vidro e formas estranhas e bonitas. É aquele onde o passeio é agradável mas em que nos sentimos um bocadinho pequeninos perante a impossibilidade de comprar ou até aceder à grande parte das coisas que lá está. Ele é Gucci's, Chanel, Hermés e coisas que tais – mas também tem Zara's e, adivinhem, a maior Uniqlo do mundo. Era nosso plano entrar lá (e fazer compras, óbviooo) mas, por uma questão de logística, acabamos por ir à loja de Shibuya, que já foi grande o suficiente para eu desgraçar a minha carteira. Mal por mal, talvez tenha poupado o meu porta-moedas de uma tragédia ainda maior.

Muito perto do nosso hotel ficava o Kabukiza Theater, um teatro com 130 anos. Só apreciamos por fora, mas vale a passagem.

Apesar de Ginza ser o centro fancy e de compras da cidade ficou marcada, para mim, pelo Mercado Tsukiji – o antigo mercado do peixe, onde se vendiam aqueles atuns enormes em leilões que se realizavam às tantas da manhã. Atualmente é um mercado, estilo Bolhão, em que tanto locais como turistas compram os mais variados alimentos – entre vegetais e frutas, até marisco. Fiquei espantada com a quantidade de peixe que eles lá têm e a forma como o apresentam; há imenso peixe seco (sabiam que até as espinhas se comem?), outros em molhos estranhos... Vende-se também comida confecionada, como os mini-polvos e as lulas grelhadas na hora, entre outros pitéus. Eu adorei o ambiente, a comida e a variedade – e foi sem dúvida o meu sítio preferido das redondezas de Ginza. Foi lá o nosso primeiro almoço, num restaurante totalmente escolhido ao calhas e que não sei o nome – era de sushi, com tapete rolante, só com japoneses que já sabiam o funcionamente daquilo de cor e salteado e que ficavam a olhar para nós – e provavelmente para as nossas maneiras horríveis – como se fossem burros a olhar para um palácio. Adorei!

 

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Kabukiza Theater

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Banca do mercado Tsukiji

 

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Os céus de Ginza

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Várias comidas no mercado Tsukiji

 

 

Akihabara, o paraíso dos geeks

Este bairro é o sonho de qualquer geek. São lojas e lojas e lojas e lojas cheias de livros de anime, figuras de anime, autocolantes de anime, jogos de anime, legos de anime... basicamente tudo o que possam imaginar e que envolve anime. E manga. Muitas destes items com preços absurdos, claramente dedicados a colecionadores e apreciadores. E, acreditem, há muitos! Vi adultos de fato e gravata a jogarem a cartas de Pokémon's, Invizimals e outras séries que não sei o nome como se aquele fosse o último dia das suas vidas! 

Não sou fã deste tipo de coisas mas fui com duas pessoas que eram – e andei atrás dos melhores preços em lojas que não lembram ao diabo, pequenas, estreitas, em quartos e oitavos andares com escadas que convidam à queda, apurando o olho para uns bonequinhos em específico por entre corredores minúsculos, atulhadas de bonecos estranhos que nunca antes tinha visto na vida. Fica a dica: os melhores preços estão nas lojas mais escondidas e remotas, por isso abram a pestana! Toda esta correria foi estranha, cansativa, mas boa ao mesmo tempo. E gostei particularmente do par de lojas que vi com coisas vintage – GameBoys e outras consolas antigas, centenas de jogos e outros objetos que me levaram a uma viagem no tempo.

Esta é também a zona dos MaidenCafés – onde as empregadas de mesa levantam as saias enquanto servem os seus clientes. Não fomos a nenhum (dispenso ver cuequinhas ou até um pouco mais), mas fiquei com a sensação de que algumas das meninas que estavam sugestivamente vestidas na rua a atrair as pessoas não se limitavam a “mostrar coisas”. E eram muito novas para isso. Não gostei.

Em resumo: foi das zonas mais movimentadas e loucas onde estivemos, de tal forma que nos acabamos por sentir envolvidos por aquilo e vibrar tanto como eles.

 

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As bonecas à venda numa loja em Akihabara

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Anime... Anime everywhere!

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Alguns livros chegavam a custar mais de 100 euros!

 

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Figuras de animação de Dragon Ball - um autêntico must have no Japão

 

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Consolas vintage em Akihabara

 

 

Jimbocho, o sítio certo para quem ama livros

Achei este bairro um mimo. E há um ponto positivo: como não percebo nada do que diz nos livros, não tenho tentação de os comprar – até porque são caros... Mas, por momentos, vontade não me faltou; acho a forma como as páginas estão escritas (na vertical) giríssima, assim como todos aqueles caracteres desenhados, que tornam tudo muito mais bonito.

As lojas em si são encantadoras. Pequeninas, como quase tudo lá, e com as paredes todas forradas a livros, papel e lombadas antigas. No exterior havia sempre tabuleiros recheados de livros, assim como algumas livrarias de rua, que utilizavam as paredes como prateleiras. O sonho de qualquer pessoa que gosta de livros. Vale bem a pena.

Destaque para uma das livrarias mais populares, a Kitazawa. Tem dois pisos: o de baixo tem um café, o de cima tem livros estrangeiros e raros. Não é uma Lello, com uma beleza arquitetónica particular, mas é bonita.

 

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Loja em Jimbojo

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Uma livraria de rua

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Um cantinho da livraria Kitazawa

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Loja em Jimbojo

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Loja em Jimbojo

 

 

Harajuko, entretenimento e compras de mãos dadas

Em Harajuko passamos pela grande avenida que é dominada pela Omotesando Hills, um complexo de lojas muito grande; ora tem Gucci's e Chanel's, como lojas vintage de alto calibre que também não nos aventuramos a tentar. Destaque para duas lojas temáticas. A primeira é a Kiddy Land, o paraíso dos miúdos (e graúdos) que gostam de tudo o que seja desenho animado ou anime. Se a memória não me falha são seis pisos recheados de bonecos, peluches, merchandising, canecas... tudo! Passando por coisas tão diferentes como Star Wars, Snoopy, Lego, The Avengers, Hello Kitty, Pokémon, Doraemon e outros desenhos animados tipicamente japoneses. É um mundo – mesmo para quem não é fã destas coisas! A segunda loja situa-se no interior da Laforet, um espaço multi-loja, que tem lá dentro dois espaços recheados de coisas das Sailor Moon. Vale a pena para quem via estes desenhos animados em pequeno – caso contrário, na minha opinião, é totalmente dispensável.

Entre esta avenida e o templo Meiji (do qual gostei muito e de que falerei no outro post dedicado aos templos), passamos em Takeshita-Dori, uma rua muita conhecida pelo seu movimento e diversidade de lojas. Normalmente é quase impossível lá circular, mas dada a época do ano e o fenómeno meteorológico que se aproximava, não estava nada demais. Melhor que a Rua das Flores na maior parte dos dias ;)

 

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Omotesando Hills

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Takeshita Dori

 

Shinjuko, a energia em forma de bairro

Do templo Meiji seguimos a pé para Shinjuko, daí ser difícil perceber a fronteira entre um bairro e outro. De qualquer das formas, uma coisa é certa: o coração de Shinjuko tem uma energia eletrizante – e é enormeeeee. É talvez o sítio onde mais andamos entre pontos de interesse; parecia que as ruas nunca mais acabavam! Não tem propriamente uma razão para ser muito conhecida, mas vale a pena passar lá. Não sei se foi por ter lá estado ao final da tarde, mas gostei muito das luzes e da vida que têm – até mais que Shibuya, confesso.

É lá que podem encontrar a cabeça do Godzila no topo de um edifício. Se não souberem onde procurar é provável que nem reparem – para além de que têm de estar bem posicionados para o ver decentemente. É giro, vê-se se estiver de passagem, mas a menos que sejam grandes entusiastas do filme não acho que tenha de ser um ponto obrigatório. Mas as ruas à volta são bem agradáveis e merecem o passeio.

Foi lá que, do nada, entramos numa loja de jogos enorme, com uma barulheira astronómica. São jogos de dança, guitarras, tambores, jogos de terror, corrida. De tudo um pouco. Ainda nos aventuramos nos tambores, mas confesso que não fomos muito bem sucedidos. O negócio do jogo, em toda a capital, é brutal - e há ambientes realmente pesados. Há que escolher bem os sítios onde se entra, porque vale a pena a experiência, mas dispensa-se ficar mal disposto com o vício de algumas pessoas que claramente nos rodeiam nesses locais.

Foi lá que ficamos na nossa última noite (no hotel cápsula), numa zona que me deu uma outra percepção dessa parte da cidade – e não posso dizer que tenha sido muito boa. Se por um lado a rua principal estava invadida por lojas e restaurantes coreanos, com todo o caos que isso implica a uma sexta-feira à noite, as perpendiculares enchiam-se de “gentlemans bars”, meninas pouco vestidas e um ambiente um bocadinho pesado. Ainda assim, continuo na minha: aquilo é enorme. E com muitaaa gente!

Ficou por ver, lá, o Tokyo Metropolitan Government Building, que ofereceria uma vista panorâmica da cidade de forma gratuita, mas que está fechado aos fins-de-semana... altura em que contávamos lá ir. Por isso fica para uma próxima.

 

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Há milhares e milahres e milhares de máquinas deste género, com todo o tipo de objetos que possam imaginar, mas que engolem dinheiro como se não houvesse amanhã e que nuncaaa dão nada em troca. Ingratas!

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O Godzilla no topo do edifício

 

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As cores das ruas de Shinjuko

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As cores das ruas de Shinjuko

 

Shimokitazawa, o bairro vintage

Chegar a Shimokitazawa desde Ginza, através de metro e comboio, demora cerca de uma hora. É, por isso, um investimento de tempo. Mas, para mim, valeu totalmente a pena! Até o caminho é giro, porque sentimos que estamos a sair do Tóquio-grandioso para Tóquio-subúrbio, onde a vida real se desenrola; sem grandiosismos ou o sentimento cosmopolita que se sente noutros locais. É uma cidade simples, daquelas que víamos no Doraemon quando éramos miúdos – e se eu, que nunca gostei desse tipo de desenhos animados, gostei tanto, imagino quem de facto era fã!

Infelizmente, dadas as circunstâncias e a obrigatoriedade de encurtar tempos devido ao tufão, não dispus do tempo que queria lá; mas tive muita vontade de me perder totalmente naquelas ruas e ir à descoberta sem o GPS em modo de auxílio. Há muitas lojas de roupa em segunda mão e outras tantas de roupa nova mas original (não no sentido negativo da expressão), com decorações muito giras e uma vibe um bocadinho alternativa ou boho, tal como gosto. Os preços, esses, não eram assim tão acessíveis – mas dependiam, obviamente, do tipo de peça e de lojas onde estavam.

Mais uma vez, éramos os únicos ocidentais que por lá andavam, o que ainda dava mais a sensação de que estávamos nas profundezas do Japão. Adorei!

Um dos pontos altos lá foi o donut da Captain's Donuts, uma sugestão que já trazíamos no roteiro e que valeu totalmente a pena. Dado que é uma coisa conhecida (na loja existem várias fotos com grupos de música e de reportagens televisivas), esperávamos que fosse uma coisa grande; mas na verdade é uma lojinha minúscula, que deve ter pouco mais que cinco metros quadrados, apenas com uma senhora velhinha lá dentro, que simpaticamente nos atendeu. Serviu-nos dois donuts maravilhosos; uma espécie de bolas de berlim, sem aquele açúcar todo por cima, e levemente aromatizados com algo que não sei descrever, mas que equilibrava incrivelmente com o doce e a (pouca) gordura que o donut trazia. Aconselho.

Almoçamos numa hamburgueria, da qual não fiquei fã e que não guardei o nome.

 

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A típica loja de Shimokitazawa

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Os maravilhosos donuts da Captain's

 

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Eram mesmo bons!

 

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Uma montra apetecível nas ruas de Shimokitazawa

 

Shibuya e a sua mítica passadeira

É talvez dos sítios mais populares de Tokyo pela sua passadeira hiper-movimentada e pelos ecrãs gigantes, ao bom estilo de Times Square. É capaz de ter sido um dos sítios mais mexidos onde estivemos, mas não é nada do outro mundo; estivemos lá quando o tufão já estava a ameaçar chegar, e já chovia, pelo que não devia ser a altura mais popular naquele local. É lá que estão as lojas mais conhecidas como a Uniqlo, a H&M, entre outras – como a Don Quijote, uma loja gigantesca onde podem encontrar tudo o que há no mundo: desde roupa, fantasias, cosmética, comida... tudo!

 

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A passadeira mais famosa do Japão

 

Odaíba, a ilha tecnológica

Odaíba é uma ilha artificial de Tóquio, uma parte claramente mais recente e tecnológica da cidade. A travessia do centro da capital para lá, de comboio, é uma viagem bonita e que deve ser apreciada. O bairro está repleto de shoppings enormes, com centenas de lojas para todos os gostos, bolsos e feitios; alguns mais virados para a roupa, outros para a comida, outros para entretenimento.

Fomos lá no dia a seguir ao tufão e a maior parte das coisas só abriu da parte da tarde. A manhã foi dedicada a uma busca infindável de um sítio para comer (estava mesmo TUDO fechado, inclusivamente os supermercados abertos 24 horas), a apreciar as vistas da cidade e os monumentos ao ar livre – nomeadamente uma miniatura da estátua da Liberdade. Para fazermos tempo acabamos por ir à única coisa aberta no shopping – o piso das diversões, onde acabamos no típico karaoke japonês. E, digo-vos, é imperdível! Escolhem a sala onde querem estar, encomendam comida e cantam o que quiserem, durante o tempo que vos aprouver. Ri-me que nem uma perdida e adorei! Diria que é uma experiência obrigatória em Tóquio, mesmo para quem tem vergonha de cantar ou se acha uma cana rachada. Aquilo não é o Got Talent – o objetivo é divertirmo-nos. E isso, diria, é garantido.

Odaíba era para nós uma paragem obrigatória porque tínhamos comprado com antecedência bilhetes para o TeamLab, um museu de imagens e salas interativas, com projeções e luzes em movimento. Devo confessar que não adorei. Achei-o extremamente desorganizado (algo muito atípico entre os japoneses), com filas enormes para algumas das salas mais especiais, que pouco mais serviam do que para tirar fotos bonitas. O museu é isso: um palco para fotos, uma estrela para o instagram. E isso vende. E é uma verdade: quem tiver tempo e paciência tira lá fotos dignas de um book. Mas como não era para isso que lá estava, confesso que me passou um bocadinho ao lado e não voltaria a investir o meu dinheiro lá.

É em Odaíba que hoje em dia se situa o novo mercado do peixe mas, pelas mesmas razões que já falei acima, estava também fechado – o que se tornou numa das nossas grandes falhas nesta viagem. Mas, enfim, fugiu fora do nosso controlo.

 

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A vista de Odaiba

 

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A mini Estátua da Liberdade em Odaíba

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O majestoso edifício da FujiTV

 

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Team Lab

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A sala mais concorrida do Team Lab

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A sala mais concorrida do Team Lab

 

Um dos pontos de visita obrigatórios em Tóquio é o Palácio Imperial. Mas, se estiveram atentos às notícias, sabem que a coroação do novo imperador foi há dias - e isto fez com que este e outros locais estivessem fechados ou a meio-gás, com vista à preparação de um evento tão especial para os japoneses. O Palácio Imperial foi, obviamente, um deles - e apesar de termos lá ido na última manhã em que esteve aberto, só uma pequena partes dos jardins estavam acessíveis, pelo que foi uma desilusão. Ao menos fica o "check" neste ponto crucial da visita.

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A entrada do Palácio Imperial

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À entrada do Palácio Imperial com o meu mais que tudo

 

No caminho para o Palácio passamos pelo Hibiya Park, um dos muitos que preenchem de verde a capital japonesa. São todos extremamente bem cuidados e bonitos, como não podia deixar de ser. E uma das coisas que mais adorei foi ver crianças, das creches ou berçários, a passearem com as suas cuidadoras numa espécie de parques (aquelas mini-cercas para elas brincarem) ambulantes. Era só a coisa mais querida-fofa-cutxi-cutxi de todo o sempre. Tão fofo que até tinham um sinal de proibido fotografar - porque claramente toda a gente acha aquela imagem totalmente irresistível. Nota-se mesmo que a interação dos miúdos com a natureza é uma prioridade para eles.

Outro dos parque mais conhecidos é o Ueno, por onde também passámos.

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Hibiya Park

 

É a Torre Eiffel lá do sítio - e, tal como a própria, vale mais a pena visitá-la de noite, pois é muito mais bonita iluminada. A Tokyo Tower é outro ponto obrigatório na capital e optamos por a ver de fora, não subimos (para ir ao topo, rondam os 25 euros). Fiquei feliz só por a ver de perto e acho que foi uma boa aposta gastar o dinheiro noutras atrações ou compras que fizemos posteriormente.

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O topo da Tokyo Tower

Passamos por outros locais que, por só terem sido de passagem ou não ter achado que mereciam grande menção, deixei aqui para o fim. Alguns deles: Chidorigofuchi, Chuo-dori Avenue, Hamarikyu Gardens, Tokyo Station, Tokyo Skytree e a Mori Tower. 

Por outro lado houve sítios que tínhamos no roteiro que, por uma razão ou por outra (maioritariamente devido ao tufão), tivemo de descartar. Alguns deles: Tokyo Anime Center, Roppongi Hills, Park Hyatt Hotel (o bar do “Lost in Translation”), Omoide Yokocho (Piss Alley), Parque Yoyogi e Tomigaya.

 

A seguir... Quioto!

24
Out19

Um sem fim de aventuras no Japão

Seria de esperar que uma viagem ao Japão fosse uma coisa sonhada, muito planeada e desejada. Uma daquelas viagens que temos na nossa wish-list ao longo dos anos mas que, pela distância e pelo preço, vamos adiando consecutivamente.

Não foi o meu caso. Eu, perante a impossibilidade de este ano ir à Islândia, fiz scroll num site de viagens e saiu-me na rifa o País do Sol Nascente. Tinha visto uma série de coisas que me haviam aguçado a curiosidade nos últimos tempos e decidi que era para ali que iria. Ainda não sabia com quem. Nem para onde ao certo. Nem como. Mas seria o Japão.

Só mais tarde soube que iria com dois amigos – e que um viria a tornar-se meu namorado - e que passaria por quatro cidades durante uma semana e meia. Que iria dormir não só num quarto de hotel mas também num ryokan, os típicos quartos deles, assim como num hotel cápsula. E que ia para outro continente com a Emirates, a minha companhia de sonho.

E só muitos poucos dias antes é que me apercebi que ia experienciar o primeiro furacão da minha vida. E que me ia meter num parque de diversões.

E só no momento em que o estava a viver é que soube que estava a sentir a terra a tremer aos meus pés e que aquilo era o sismo mais forte que tinha vivido até então.

 

Ir para o Japão foi um salto gigante para fora da minha zona de conforto e as circunstâncias quiseram que essa zona fosse ainda melhor explorada do que aquilo que eu esperaria. Superei tudo e estou muito orgulhosa de mim mesma. Sobrevivi ao jet lag, ao cansaço de carregar demasiados quilos de mochila às costas; à comida estranha, à partilha constante de um quarto e ao convívio durante 24 horas com duas pessoas que até há um ano não conhecia (nomeadamente durante um dia inteiro fechados num quarto de hotel); aos momentos maus de cada um de nós, às saudades, às alturas de maior pressão. Até do medo. Como temos dito por brincadeira, fomos presenteados com a verdadeira “Japan Full Experience” - e saímos carregados de histórias para contar. O facto de nunca ter feito desta viagem um sonho fez com que não tivesse grandes expectativas – ia de espírito totalmente aberto, pronta para ser surpreendida. E fui.

Por isto, um ou dois posts não chegariam para contar tudo aquilo que preciso. Os próximos tempos aqui no blog vão ser de deixar os olhos em bico – quase literalmente. Abaixo deixo a lista de textos que deverão sair num curto período de tempo, numa planificação e um conjunto de ideias que fui fazendo (e tendo) ao longo da minha viagem para melhor explorar e expor cada uma das cidades onde passei, assim como as suas idiossincrasias. Vai ainda haver espaço para contar algumas das nossas aventuras e peripécias, assim como todas as dicas que tenho para vos dar quando se lembrarem de ir para o outro lado do mundo.

Ora aqui vai a ementa dos próximos tempos:

 

Tóquio, uma cidade com lugar para todos

Quioto, onde mora a história do Japão

Nara, um mimo em forma de cidade

Osaka, a capital da vida boémia

Um mundo de templos por descobrir

Experiências japonesas que não vou esquecer 

Dez curiosidades sobre o Japão (e os japoneses)

Detalhes práticos e úteis para quem um dia quiser visitar o País do Sol Nascente

 

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12
Out19

Estou no Japão!

Desculpem a falta de posts, mas estou ocupada a ser feliz do outro lado do mundo!

Depois de dezoito horas de viagem chegamos a Tóquio e já vimos coisas incríveis. E sobrevivemos a um tufão. E a um tremor de terra. Tem sido uma aventura!

Aproveitei este dia de paragem obrigatória, uma vez que o tufão nos obrigou a recolher durante um dia inteiro no hotel, para começar a trabalhar nos diários de bordo. Tenho tanto para contar! Não só sobre o que tenho visto mas também sobre todos os choques culturais e todas as experiências que tenho vivido.

Amanhã saio de Tóquio (para onde volto dentro de dias) para seguir para Quioto.

Tenho posto muita coisa no instagram - principalmente nos instastories! Vão-me acompanhando por lá, em @carolinagongui!

 

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06
Out19

Não se esqueçam de ir às urnas - até porque há alternativas

Não sou ninguém para pedir aos outros para ir votar. Não que tenha telhados de vidro - se a memória não me falha, não faltei a nenhumas eleições desde que sou maior de idade. Mas percebo o porquê dos outros não votarem. Percebo a descredibilização dos políticos e da política. Percebo a indignação. Percebo o descontentamento e a necessidade de o demonstrar de alguma forma. Percebo a sensação de não nos sentirmos representados. Até percebo a falta de credibilidade da própria democracia! Sinto tudo isso. E também sinto que está tudo tão mau que nem vale a pena tentar, que o meu tempo "perdido" entre filas de voto e trânsito nem sequer é bem empregue. Mas tenho ido - por teimosia e por saber que não encontro nada melhor do que uma democracia no cardápio dos sistemas políticos.

Uma das coisas que se ouve muito é o argumento de que "são sempre os mesmos que vão para lá". Também concordo. Mas hoje decido fazer de advogada do diabo e contra-argumentar. Muito embora não possamos escolher quem encabeça os partidos (a menos que sejamos filiados), quem os forma, quem lhes dá a cara ou as ideias que transmitem, a culpa de serem sempre os mesmos a encabeçar as sondagens é nossa. Da sociedade em geral. Porque cada vez mais me apercebo que há pequenos movimentos que apresentam alternativas - nós é que não as ouvimos ou procuramos. Porque desistimos da política e não tomamos a iniciativa de ir procurar, de desbravar para além do que está na superfície. Porque não vemos mais do que os primeiros minutos dos telejornais, em que são sempre os mesmos que falam. Porque, como tudo na vida, os mais pequenos são os oprimidos e não têm voz.

Eu, penso que como a maioria do país, estou farta de muita coisa. Acima de tudo, estou cansada da corrupção e dos abusos de poder. E decidi ser ativa e procurar alternativas. Perdi tempo a ler as ideias, os ideias e as propostas dos partidos mais pequenos; entraram na minha lista mental nomes de novos políticos que não fazia ideia existirem, muito para além de Costa, Rio, Cristas, Martins ou Sousa. E a verdade é que são vários, para todos os gostos e pessoas; da direita à esquerda, dos radicais aos centralistas. Podemos não nos sentir 100% representados (alguma vez isso acontece?) mas, ao menos, tentamos uma alternativa àquilo de que dizemos mal diariamente. Acredito mesmo que é esse o caminho. 

São dez da manhã e eu já fui votar. Votei num partido pequeno, na esperança de fazer a máquina mudar - e, de todas as eleições de que fiz parte, este é sem dúvida o voto que faço de consciência mais tranquila. E por aí, vão votar nos mesmos e ter o gosto de resmungar nos próximos quatro anos ou vão tentar mudar qualquer coisinha? Independentemente da vossa escolha, nos grandes ou pequenos, votem. Não se esqueçam.

 

P.S. Para quem ainda não decidiu, partilho dois links que podem ajudar - e que me ajudaram a consolidar a minha decisão. O primeiro é uma bússola política, que através de um pequeno quizz sobre vários tópicos um tanto ao quanto fraturantes da sociedade, acaba por nos ajudar a posicionar relativamente ao quadrante político em que melhor nos inserimos. 

O segundo é um artigo do Público que, consoante as nossas características pessoais e os temas que mais nos importam, nos mostra as medidas que cada partido propõe nos segmentos que provavelmente mais nos importarão (justiça, ambiente, saúde, por exemplo).

 

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01
Out19

(Tentar) Mudar o mundo com post-its

Sou uma post-it addicted. O meu escritório é neste momento um caos organizado, pintalgado a cores com mensagens que só eu poderei entender como "colmeia alargada", "produzir", "preteridos" ou "materiais out". Aqueles papéis coloridos são a minha forma de organização nesta fase deveras confusa do meu trabalho, em que vejo mais de uma centena de malhas por dia e tento decidir o que fazer, como fazer, quando fazer e onde integrar cada pedaço de pano de uma forma lógica, para mais tarde os poder vender. 

Uso-os também para deixar mensagens e lembretes, tanto lá em casa como no trabalho. Ah, e são essenciais em tudo o que são transições! Quando sobra muito trabalho de um dia para o outro, espeto com post-its em tudo quanto é lado. Ainda pior se for fim-de-semana - sabe-se lá a quantidade de coisas que se esquecem em dois dias de pausa! É a forma de me manter organizada, de não esquecer tarefas e de perceber aquilo que fiz anteriormente; no meio de tantos montes e montinhos que agora crio para segmentar as malhas, chega uma certa altura em que já não sei porquê que separei isto daquilo, ou o que representava o conjunto de folhas que pus a um canto. Por isso: post-its, sempre!

E este hábito já se enraizou de tal forma que muitas vezes dou por mim a pensar "devia andar com post-its na carteira"! Confesso que isto ocorre-me frequentemente quando estou a sair de minha casa, num cruzamento junto a um ATL que lá existe. Nas horas de ponta é um pandemónio, com todos os pais e mães a deixarem os seus filhos praticamente à porta, abandonando os seus veículos nos lugares mais à mão - desprezando completamente o bom funcionamento do trânsito, que a essas horas já é mau só por si. Ele é carros em cima do passeio (que impedem a visão dos condutores que surgem na via perpendicular), carros com quatro piscas em cima da passadeira. E, como uma vez escrevi, não há desculpas para isto. Estaciona-se mais longe, caminha-se mais - mas evita-se que a vida dos outros saia perturbada pelas nossas próprias rotinas e pressas.

A mim apetece-me pegar nos meus papéizinhos e deixar notas.

 

"Se tivesse um filho de cadeira de rodas, não deixaria o carro em cima do passeio".

"Se um dia o seu filho for atropelado por um condutor que não conseguiu ver a passadeira por causa de um carro tão mal estacionado como o seu, gostava ver como reagia".

"Gostava de ser mosca para o ver indignado para com os carros que estão estacionados em cima das passadeiras que o seu filho um dia irá atravessar".

 

Ideias não me faltam. Vontade também não. Mas relativamente à coragem.... não posso dizer o mesmo. Sinto que as reações das pessoas cada vez mais se agudizam e, mesmo não estando a insultar ninguém e sendo uma clara chamada de atenção, tenho medo de represálias. Ainda assim, acho mesmo que os posts-its - estes em particular - podiam ajudar a mudar o mundo. Ou pelo menos pôr as pessoas a pensar nas suas próprias ações, principalmente na estrada.

 

carros postit.jpg

(há carros que, de tantas asneiras cometidas pelo seu condutor, já estariam pejados de papéis caso toda a gente tivesse as mesmas intenções que eu...)

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