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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

30
Dez17

Um balanço do meu 2017

Carolina

2017 foi um ano estranho. Vendo de uma perspetiva global, foi um ano bom - com saúde (a minha prioridade, sempre!), cheio de viagens, com momentos marcantes que vou relembrar durante a minha vida toda; mas olhando para o pormenor, para o sumo dos meus dias, foi um ano sofrido a nível interior - passei o tempo a tentar remediar as minhas próprias falhas, a tentar aprender com as chapadas da vida, a tentar encontrar um meio termo entre as ações dos outros e as minhas, querendo sempre ser coerente ao máximo e nem sempre conseguindo. Vivi com a alma desassossegada. 

Acho que quase tudo o que fiz - e o que não fiz - teve como ponto central o trabalho. Percebi porque é que o trabalho de chama trabalho e não outra coisa qualquer; continuo - de longe! - a preferir isto à faculdade, mas a minha fase de paixão pelo mundo laboral ficou no início de 2017. Tive de tomar uma série de decisões e abarquei com algumas dos outros que me abalaram os alicerces e me fizeram pensar "ah, então era disto que os adultos falavam". Sinto que fui posta à prova, e não tenho a certeza se passei nos testes - e isso também mexeu comigo, porque se eu não sou boa a trabalhar, sou boa a fazer o quê? E à medida que o ano foi passando eu fui ficando com cada vez mais coisas para fazer e fui também percebendo que a minha vida não podia ser só isso - eu não me sentia recompensada o suficiente, a nenhum nível, para poder centrar tudo à volta daquilo que fazia no meu emprego. Por isso arranjei aquele que foi o outro highlight do meu ano: o piano.

O piano não surgiu por acaso. Foi mesmo como disse acima: eu estava a ficar desesperada, dava por mim a falar de trabalho a toda a hora e pensava para os meus botões em como me estava a tornar numa pessoa cada vez mais desinteressante. Pensei num ponto de fuga, em tudo aquilo que podia fazer que me desse prazer e me abstraísse do mundo, e surgiu o piano. Pesquisei escolas no Google, escolhi a que me pareceu melhor e atirei-me de cabeça. E foi o melhor movimento do meu ano, porque tem todos os ingredientes que eu precisava para me equilibrar: desconcentra-me dos problemas da vida, relaxa-me, abstrai-me. Pôs-me a ouvir música clássica de novo, a conviver com pessoas novas duas vezes por semana e mostrou-me que eu consigo ser boa noutra coisa qualquer para além da escrita ou por detrás de um software de computador.

No tópico viagens, não há como não destacar o cruzeiro no Mediterrâneo e Adriático e a passagem por Munique - a primeira pela beleza e o poder histórico de tudo o que vi e a segunda por ter sentido que me atiraram aos lobos e eu sobrevivi. 

Chorei mais do que queria - mas acho que, pela primeira vez na vida, o fiz mais acompanhada do que sozinha. Eu sabia que as minhas dores já tinham sido dores de alguém... eram dores de crescimento. De desentendimento, de incompreensão, de inconformidade com as normas estabelecidas, de revolta. De alguma solidão também, essa lapa que nunca na vida se vai descolar de mim - não por ter perdido algumas pessoas neste ano (que perdi) mas por sentir que carrego sozinha certos valores morais e de ética, de forma de vida e de forma de estar, que poucos partilham. 

É difícil definir um ano quando a nossa vida é pautada por um certo equilíbrio, muito regulado. Eu tenho medo dos picos de euforia, porque sei que depois vêm os picos de tristeza; sei que quanto maior é a amplitude que damos à linha da nossa vida, maiores são os riscos de cairmos em vales de que não conseguimos sair. Por isso eu vivo sempre neste equilíbrio um bocado precário mas muito racional, querendo estar sempre acima da linha média - com uma vida completa e feliz - mas nunca abusando de sentimentos altamente felizes ou horrivelmente deprimentes. Há anos da nossa vida que sobressaem, tanto num todo como no pormenor; há outros que são só mais uns, igualmente importantes porque fazem parte da construção de quem nós somos. 2017 cai na segunda categoria.

E se o ano passado foi um ano de alegrias, de viagens e de um alimento brutal para a alma, este foi um ano de aprendizagem e crescimento brutais, algo que - quando é feito a sério, com as turras e os pontapés da vida - nunca é muito agradável no momento, mas que nos prepara melhor para o futuro. Sou uma mulher mais sábia que em 2016, porque sinto que este ano que agora se fina foi altamente centrado em mim, numa descoberta um tanto ao quanto dolorosa, mas necessária, de mim própria e da realidade que me rodeia. Espero que em 2018 possa aproveitar essa bagagem para ir em frente e passar à ação; investir em mim própria e nos meus projetos. E agir, em vez de só pensar. Que venha ele.

 

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