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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Jun16

Um ano sem Primavera Sound (ou o fim dos voluntários nos festivais?)

Carolina

Queremos sempre voltar aos sítios onde fomos felizes. Sendo assim, este ano queria mesmo muito repetir a experiência do ano passado e ir ao NOS Primavera Sound. Esses dias são como um nevoeiro para mim, quase como se andasse nas nuvens na altura em que os vivi. Estava mesmo muito feliz.

Há uns tempos, quando disse a uma das minhas cunhadas que ia tentar ir de novo, ela advertiu-me: "nunca vai ser tão bom". E eu acredito que seja verdade - os momentos fazem-se não só daquilo que eles são mas também pelas circunstâncias em que os vivemos (e com quem os vivemos). O ano passado eu ainda estava em êxtase com o melhor ano de faculdade da minha vida, depois de uma semana de adrenalina com entregas de trabalhos e, acima de tudo, partilhei aqueles três dias com as duas pessoas mais importantes que encontrei na vida académica. Não podia ter sido melhor - e sei que este ano qualquer coisa ia falhar; mesmo que os concertos fossem melhores, mesmo que a companhia tivesse sido a mesma (o que seria difícil). Porque as circunstâncias não se repetem e a vida é mesmo assim.

De qualquer das formas, e mesmo sabendo que, relativamente ao ano passado, tinha a fasquia muito alta, queria muito voltar - só para viver a experiência de novo. Mas, ao que parece, este ano não há voluntários nos festivais. Já no Rock in Rio, que normalmente conta com uma base de voluntários gigante, não houve - causou alguma polémica e indignação por entre os "habituais", mas contra ordens não há nada que se possa fazer. Não esperava que a medida se alargasse mas, aparentemente, é um "mal" geral. 

Da pouca informação que há sobre assunto - e que não sei se se aplica só ao Rock in Rio ou também aos outros festivais -, esta decisão prende-se com a taxa de desemprego jovem e as leis relacionadas com esse assunto. De facto, não faz sentido entidades gigantes como estas não pagarem às pessoas para fazer este tipo de serviços - porque não pagar para apanhar copos do chão, tirar fotografias, fazer vídeos, controlar os fotógrafos, ajudar na zona VIP ou no backstage? A premissa está correta: se não se permitir ter voluntários, os festivais contratam para esses serviços. Mas será que contratam mesmo, ou reduzem-se aos "serviços mínimos", só porque são uns agarrados e são incapazes de pagar por um serviço que antes tinham de borla? Eu aposto mais na segunda hipótese.

No fundo, mesmo que paguem, a verdade é que o valor total não chegaria para pagar um bilhete do festival. E, infelizmente, nós (os jovens) não nos importamos de trabalhar para ouvir boa música e estarmos integrados num bom ambiente. É triste, é errado, mas é assim que funciona. E eu, honestamente, adorei o trabalho que fiz - por isso faria tudo de novo, de olhos fechados.

A vontade e as saudades são tantas que, depois de perceber que este ano não havia voluntários para ninguém, até ponderei comprar um bilhete. Mas a verdade é que não faz sentido absolutamente nenhum, porque - apesar de tudo - este é um festival de música e, de todos os artistas que vão (e são muitos), eu conheço uns 3. E eu iria apenas para os ouvir como música de fundo e viver acima de tudo todo aquele ambiente fantástico outra vez, o que, pensando com todos os neurónios, não faz lá muito sentido.

Este ano fico-me então apenas pelas saudades e resta-me fazer figas para que para o ano o panorama mude e eu possa viver mais um festival sem pagar nada.

 

19512625859_3bbb9cc3f7_o.jpg

 

(descobri esta foto há um par de semanas no "repositório" de fotos dos voluntários do festival - não sei quem a tirou, nem quando tirou, mas adorei-a mal a vi. é a prova de que uma boa foto não tem necessariamente de ser espetacular tecnicamente (uma vez que está desfocada) para passar a mensagem - o sorriso e as olheiras nos meus olhos dizem tudo o que aqui há para dizer)

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