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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

10
Mai17

Review da semana #20

Carolina

O partidor de ovos ou CoisasSupostamenteInúteisQueComproNoEbay, parte 2#

 

Há uns meses tive uma insónia e, já em desespero de causa, liguei a televisão em busca de algum consolo e companhia, uma vez que o sono não estava para chegar. Calhou nas televendas. Entre fazer zapping e não fazer, vi um anúncio de uma ferramenta “partidora de ovos” e delirei com aquilo. Custava uma pequena fortuna para aquilo que fazia (podemos partir os ovos à mão e sem custos, não é verdade?) mas eu achei a ideia hilariante.

Passado uns tempos, nas minhas pesquisas por gadgets-giros-e-potencialmente-não-funcionais no ebay, lembrei-me de pesquisar pelo partidor de ovos e, como é lógico, encontrei (há alguma coisa que não exista no ebay?). Estava a um preço muito mais simpático do que nas televendas e, numa de gozo, mandei vir.

Quando chegou já nem me lembrava do que aquilo era e fiquei um bocadinho a olhar para aquele objeto estranho como um boi olha para um palácio. Quando percebi, fui a correr ter com a minha mãe – outra experiente em gadgets-de-cozinha-giros-que-servem-para-pouco – para lhe perguntar se adivinhava o que era aquilo. Não chegou lá. Ri-me que nem bandeiras despregadas enquanto lhe explicava e ela resmungava que a dita ferramenta não servia para nada.

Mas bom, eu estava era em pulgas para a pôr em prática. Ansiava pela minha próxima tarte ou bolo para levar a uma festa de família só para ter de partir ovos. Estava híper curiosa para saber se aquilo ia funcionar – e, pelo aspeto, achei mesmo que ia ser um flop. Por isso filmei a minha primeira reacção, quando estreei o partidor de ovos.

 

 

Funcionou! E funcionou tão bem que não consegui não rir – muito! – com o sucedido. No vídeo não se vê porque a peça não estava encaixada, mas pode acrescentar-se uma pecinha por debaixo do sítio onde o ovo é aberto de forma a separar a gema da clara – o que torna isto ainda mais completo e “sério” (se é que isso é sequer possível).

Já testei mais vezes e foi muito raro o ovo em que isto correu mal. É óbvio que não é uma ferramenta essencial em todas as cozinhas, as nossas mãos fazem perfeitamente este trabalho… mas tem piada. E as gargalhadas que dei enquanto abri estes ovos, já valeu os três euros que dei por isto.

Podem comprar aqui.

17
Mar17

Eu, ignorante de leguminosas, me confesso

Carolina

Gosto de todas as semanas ir à feira - já o tinha dito aqui que, para além de ser velhinha de alma por todas as outras razões, até nisto pareço ter 80 anos. Vou à feira, levo carrinho de mão para não transportar os quilos de fruta nos braços e, se tal não bastasse, ainda lá vou ao início da manhã, antes de ir para o trabalho.

A verdade é que no verão não é estritamente necessário ir com as galinhas, porque só costumo ir à fruta e essa há sempre para dar e vender, mas nesta altura do ano gosto sempre de comprar agriões - que não tenho aqui na horta e são os meus legumes favoritos para pôr na sopa - o que só se arranja de manhã (pelo menos vivos e com bom aspeto, porque depois do meio dia, os que sobraram, já estão todos com um ar morto e enterrado). O problema é que eu sou uma ignorante no que a leguminosas diz respeito. 

Normalmente faço-me de hiper distraída, olho para a banca cheia de tralhas com um ar meio esgazeado, como se não encontrasse nada, e pergunto à senhora a quem compro sempre os legumes: "Bom dia! Então e agriões, não tem?". E ela lá me diz, com um sotaque carregado, que "estão aí em baixo, do seu lado esquerdo" ou "estão mesmo à sua frente, freguesa!". Mas hoje era ela que estava (verdadeiramente) esgazeada, com clientes para trás e para a frente e sem tempo para olhar para o lado, e eu senti que tinha de arriscar se não queria ficar ali a manhã inteira. Já me tinha acontecido e quando cheguei a casa levei um sermão porque em vez de agriões... trouxe espinafres.

E hoje, enquanto me baixava para apanhar os meus espero-que-sejam-agriões, rezava para não me enganar. Pus um molho numa saca, outro noutra. Nisto, uma senhora pergunta "menina, não tem espinafres???". "Tenho querida, estão ali". O "ali" era ao meu lado. Sim, no sítio onde tinha ido os buscar os meus espero-que-sejam-agriões. Mas a verdade é que as coisas estavam todas empilhadas, coladinhas umas às outras, um manto de verde sem fim. Olhei para aquilo em que a senhora tinha pegado e que tinha a certeza serem espinafres e olhei para o que tinha no meu saco. Olhei de novo. E de novo. E depois de nem sequer conseguir ver muitas diferenças, aceitei o facto de que mesmo que fossem espinafres aquilo que eu tinha ensacado, já não ia ter lata para os pôr de novo no sítio e pegar nos agriões-verdadeiros. Pedi para pagar e o meu coração relaxou um bocadinho quando ela me pediu 70 cêntimos por molho - é aquilo que pago sempre, mas uma pessoa nunca sabe se os espinafres valem o mesmo. Por isso fiz a prova de fogo: vim para casa.

Mal cheguei, avisei logo: "acho que trouxe espinafres". Mas não! Afinal eram mesmo agriões. Acho que tenho uma inaptidão natural para comprar legumes. Ou então sou mesmo cegueta.

 

(E olá! Estou de volta!)

28
Fev17

Ora então... bom Carnaval!

Carolina

Que me perdoem os foliões, mas eu não gosto nada do Carnaval. Acho que mesmo quando era pequena não era algo com que vibrasse muito. Tive um Carnaval que me marcou muitíssimo, passado com a minha família, mas não passa disso. Acho que a última vez que me fantasiei foi há uns oito anos, para uma festa onde uma amiga minha me levou de arrasto: fui de gato, esquecendo-me (na minha inocência) de que este animal fofinho tem uma conotação meio sexual, e passei a noite a ouvir "miaus" e coisas do género. Já não me bastava ter de estar numa festa e ainda levei com aquilo. Jurei que, enquanto me lembrasse, não me metia noutra (e, como se vê, ainda me lembro muito bem, portanto o retorno não está para breve).

Mas a verdade é que mesmo não participando no Carnaval há já muitos anos, em Maio do ano passado tive os meus 10 minutos carnavalescos, patrocinados obrigados pela minha mãe. Quando em Londres, numa visita a Camden, andávamos lá às voltas até que a minha mãe encontrou uma espécie de estúdio de fotografia, onde as pessoas se mascaravam para fazer sessões fotográficas temáticas; sei que havia três temas possíveis, mas só me lembro das damas antigas e da máfia. No fundo, é um souvenir personalizado (e caro) de uma visita a Londres.

A minha mãe delirou com aquilo, adorou a ideia, mas eu disse logo que nem pensar, não me ia vestir coisíssima nenhuma. Mas o dia não nos estava a correr bem, estávamos com o estado de espírito pelas ruas da amargura e, numa segunda passagem, a minha mãe voltou a folhear as fotos que havia à entrada e quis fazer uma coisa daquelas. E, pronto, uma pessoa pelas mães faz tudo. Lá escolhemos o tema, as roupas e os acessórios (eram postos por cima das nossas roupas), as raparigas puseram-nos um bocado de maquilhagem e lá fizemos a sessão fotográfica. Foi uma coisa de partir o coco a rir, eu achava que estava alucinar e nem me acreditava que me tinha metido naquilo. O fotógrafo dizia-nos como segurar no livro, para levantar o queixo, para olhar para o canto, para fazer isto e aquilo... e eu estava sempre à beira de um ataque de riso.

Ataque de riso esse que aconteceu mal nos sentamos no sofá e começamos a ver as fotos. Nem sequer consigo explicar bem, mas sei que estavam já outras pessoas a ser fotografadas (aquilo era um open-space, só com umas cortinas, o cenário era todo o mesmo para os diferentes temas mas tinha "cantos" específicos para cada um) e eu e a minha mãe começamos a rir-nos estéricamente daquilo que estava a passar no ecrã. Eu chorava, chorava, chorava de rir... acho que mal respirava. De cada vez que a rapariga mostrava uma nova, eu ia morrendo. Foi uma risota pegada e um drama para conseguirmos escolher três para imprimirmos e trazermos para casa (no início, só pensávamos trazer duas... mas as pérolas eram tantas que não deu para evitar).

Lá escolhemos, pagamos e mais tarde passamos para as levantar. Quando as vimos, voltamos a rir-nos à gargalhada. De facto, a experiência teve muita graça, mas aquilo é algo tão fora de mim que só mostrei as fotos a um par de pessoas (já a minha mãe, mesmo contra todos os meus pedidos, esparramou aquilo no facebook...). Ainda hoje, quando passo pela foto que a minha mãe emoldurou (!!!), me encolho de vergonha. Sim, teve graça, mas ainda não me acredito que posei como Dama Antiga, com um fotógrafo a dizer-me o que fazer e o diabo a quatro. 

Há uns dias, enquanto pensava no Carnaval e nos posts aqui no blog, lembrei-me disto. É uma pérola que tenho escondida há quase um ano - aliás, quando tive as fotos na mão, achei que as ia guardar para a vida. Mas a verdade é que há coisas demasiado boas para estarem escondidas - e embora esta seja uma faceta que, no meu caso, é pouco comum e que, sinceramente, eu tenho muita dificuldade em mostrar, ela há-de existir algures em mim. Por isso, meus amigos, bom Carnaval.

 

IMG_4425.JPG

21
Fev17

Quem foi o génio que decidiu pôr uma série dobrada em Portugal?

Carolina

Este fim-de-semana, enquanto tomava o pequeno-almoço, liguei o AXN só para fazer barulho de fundo enquanto comia - era melhor que os desenhos animados que passavam na RTP2 ou a missa que dava no primeiro canal. Ao menos via um pedaço de uma série qualquer e ficava entretida. Mas quando liguei, e sem qualquer tipo de espanto, passavam anúncios. Estranhei quando ouvi várias vozes portuguesas, naquilo que me pareceram ser cenas de ação ou de diálogo, e olhei para a TV.

Fiquei em choque quando me apercebi que o anúncio estava dobrado para português. Sim, essa coisa horrível, típica de brasileiros e espanhóis, que fazem com que séries e filmes sérios pareçam autênticos desenhos animados, enquanto alguém fala por cima da imagem de outra pessoa que se nota perfeitamente que não está a dizer nada daquilo que ouvimos. É absolutamente medonho. Apressei-me a escrever no facebook e a comentar aqui em casa, mas o assunto morreu.

À noite, quando falava com a minha cunhada, ela comentou comigo que aqui há dias tinha visto uma série no AXN dobrada, que tinha ficado espantada com o que viu - e aí é que me caiu a ficha. Eu achei, na minha ingenuidade, que o AXN tivesse tido um ataque de loucura (ou pelo menos de experimentação) e passado apenas (!) um anúncio dobrado, tal como faz o TLC; o que nunca me passou pela cabeça é que a série fosse, efetivamente, dobrada! No TLC os anúncios passam todos em português mas as séries mantêm o formato original, apenas com legendas. Mas, no caso do Einstein, pelos vistos não acontece o mesmo.

É claro que fui logo a correr ao facebook do canal, já a prever o chorrilho de críticas que por lá havia. Não me enganei. Aliás, o primeiro comentário já era mesmo um esclarecimento do próprio AXN, em que dizem "As séries dobradas não perdem o seu valor original, ganham um novo valor, como se pode comprovar em vários países. No caso de Einstein, os diálogos são tantos e tão rápidos que não era possível legendá-los todos porque se sobrepunham continuamente, e acabávamos por perder muito conteúdo importante e imprescindível para poder entender a história. Como tal, e para benefício do espetador, o AXN decidiu assumir a dobragem da série.". Ri muito. 

Não havia um único comentário positivo relativamente à dobragem. Um! O que não me surpreende, porque em Portugal só se faz dobragens nos filmes de animação - e, mesmo assim, conheço muito boa gente que vê as versões originais (eu me confesso). Não temos essa cultura - e ainda bem! Por só ouvirem as suas línguas é que os brasileiros e os espanhóis não conseguem falar mais nada direito; já nós apuramos os ouvidos desde pequenos e desde sempre que nos habituamos a ler legendas. Para além de que temos uma aversão natural a tudo o que é dobrado, tal como os hispânicos parecem ter ao inglês e línguas estrangeiras. 

Por acaso nunca calhou de ver a série, mas tenho a certeza de que não aguentaria dois minutos a ver algo de ação com as nossas vozes de pasmaceira (mesmo que estejam aos gritos, o português nunca parece fidedigno neste tipo de cenas, desculpem lá). De qualquer das formas, já vi um comentário algures dizendo que o AXN vai também transmitir a versão original, em alemão. Parece-me uma melhor ideia. Porque uma coisa é certa: quem teve a esperteza de dobrar uma série em Portugal, não é de certeza absoluta nenhum Einstein.

23
Dez16

As pencas da Carolina

Carolina

"As pencas da Carolina" foi a expressão que mais ouvi durante o meu dia. Podem estar a estranhar por duas razões distintas: primeiro porque muitos não devem saber o que são pencas (meninos do sul!) e segundo porque, mesmo sabendo, juntar "pencas" e Carolina na mesma frase é algo improvável. Mas eu explico.

Em primeiro lugar pencas são as couves que se usam no Natal, para comer em conjunto do bacalhau. Não sei se têm outro nome, mas pelo menos no norte é assim que lhe chamamos e mesmo nos supermercados é assim identificada. São umas couves bonitas e enormes, com uma folha larga, que aqui em casa plantamos sempre com abundância para esta época festiva. É claro que nem sempre saem lindas e maravilhosas, depende sempre do tempo que se faz sentir e de outros fatores, como tudo na agricultura: mas este ano São Pedro foi bondoso e proporcionou as condições climatéricas ideias para umas pencas majestosas. Ao todo, nasceram mais de duas centenas no nosso quintal - e embora a família seja muito grande e a distribuição pelos amigos seja algo já frequente, ainda há muita couve para colher e comer nos próximos tempos. 

Posto isto, enquanto me preparava para sair de casa para ir para o trabalho, a minha mãe vem-me perguntar se não quero ajudar ao desbaste das pencas do nosso quintal, oferecendo algumas ao meu chefe e colegas de trabalho. Eram oito e meia da manhã e já eu lhes estava a mandar mensagens, qual mercearia em ofertas relâmpago e de liquidação. Fiz mais ao menos as contas e levei dez pencas para o escritório, em dois sacos do lixo gigantes e pesados que mal me cabiam dentro do carro.

Vi-me grega para transportar as couves pelas escadas do escritório acima mas lá consegui, orgulhosíssima das couves que ali transportava. Entretanto fui ao almoço de natal do trabalho e a notícia espalhou-se: a certa altura já só se discutia de couves, doces, agricultura e tradições natalícias e eu (supostamente) tinha pencas para oferecer a meio mundo - apesar de só ter 10 ali à mão de semear. Era "o bacalhau com as pencas da Carolina", "ir buscar ao escritório as pencas da Carolina", "perguntar à mãe se quer pencas da Carolina" e muitas outras coisas que acabavam com "as pencas da Carolina". Acabei a racionar as couves em vários sacos: duas para um lado, três para o outro, quatro para outro saco, uma noutro. Foi uma festa, parecia que estávamos na feira.

Porque, afinal de contas, o Natal também é isto: sujar o carro novo todo com as couves, quase cair das escadas por as transportar em cima de sapatos de salto alto, racionar para dar a mais gente. Não é a prenda mais óbvia do mundo, mas não deixa de ser especial. E, sejamos sinceros, não há nada como uma couvinha biológica no bacalhau cozido. (Boa ação do dia: check!)

 

Pencas.jpg

As ditas - aqui só metade das que levei.

11
Dez16

Acabei um caderno, whowww!

Carolina

Há coisas nesta vida que são difíceis de acabar. As borrachas, por exemplo: quantas borrachas é que eu tive ao longo dos meus anos de escola e quantas é que eu substitui por, de facto, já estarem tão pequeninas que já não serviam para nada? Umas zero, mais coisa menos coisa. Entretanto perdia-as ou alguém brilhante decidia cortar-mas aos bocadinhos ou outra razão parva assim parecida. Eu lembro-me de já ser mais velha e olhar para uma borracha pequenina e encher-me de orgulho por todo o esforço (e trabalho implícito) que aquilo implicou, mas acho que mesmo essa teve uma morte precipitada.

Outra exemplo são os elásticos do cabelo. Nós não deixamos de os usar porque eles rebentam ou porque estão em fim de vida: é porque os perdemos. Os lápis a mesma coisa - sim, há aqueles casos raros em que os lápis parecem miniaturas, mas a maior parte das vezes ficam perdidos no fundo das mochilas ou em estojos antigos, ou simplesmente mudaram de dono à custa de um "empréstimo" inocente.

E depois há os cadernos. No meu caso em particular não se trata de os perder, é mais o facto de gostar tanto de ter sítios por onde escrevinhar que não resisto em saltitar de uns para os outros e nunca os acabo. No fundo, sou uma salta-pocinhas no que diz respeito aos blocos de notas. Não são só aqueles que compro (desculpem, não resisto...) ou os que vêm de oferta (que não são tão giros, claro), mas ainda por cima há imensa gente mos oferece, porque sabe que são coisas que me deixam SEMPRE feliz da vida. Isto resulta numa pilha de cadernos, caderninhos, cadernões, com folha lisa, quadriculada ou pautada, com e sem elástico, com papel reciclado ou normal. Há toda uma panóplia por onde escolher e a maioria deles têm meia-dúzia de páginas escritas e as outras estão deixadas ao abandono. Porque a verdade é que eu adoro cadernos e escrevo de facto muito... mas no computador. Pelo menos até agora. 

Felizmente o meu trabalho veio mudar esse panorama e eu agora escrevo, finalmente!, em blocos de notas. Dá-me jeito ter sempre sítio onde escrever, apontar respostas, números de telemóvel, coisas que me faltam fazer quando a agenda já não tem espaço. Enfim, em resumo: ESCREVO! E portanto estou a começar a dar vazão à minha pilha de blocos e hoje posso gritar ao mundo que, finalmente - e após tantos anos como acumuladora-compulsiva-de-cadernos - ... acabei oficialmente o meu primeiro caderno não-escolar!

Este, por acaso, é particularmente especial, porque imita uma claquete (daquelas dos filmes); comprei-o na altura do Fora da Caixa, porque achei que se adequava perfeitamente aquela fase e àquele propósito. Usei-o para esses meses do programa de televisão, depois ainda serviu como sebenta para os apontamentos do curso de fotografia e agora finalmente para estes meus primeiros quatro meses de trabalho. Todas as páginazinhas ocupadinhas, escritas, rabiscadas e com gatafunhos para dar e vender. Um regalo para a vista, é o que é.

E é isto. Consegui, oficialmente, acabar um caderno. Epá, não há como não estar orgulhosa.

08
Nov16

E quatro meses depois volto a comprar shampôs

Carolina

Calma, meus amigos, nada temam: isto não quer dizer que tenha andado a tomar banho "à gato" nos últimos quatro meses da minha vida ou tão pouco que não me tenha metido debaixo do chuveiro durante tanto tempo. Simplesmente cumpri a minha promessa de usar, até à última gota, todas as amostras de hotéis/ofertas que aqui tinha guardadas há demasiados anos.

Foram quatro meses em que o meu cabelo ou corpo não tiveram qualquer possibilidade de se habituarem aos produtos usados e dos quais retiro as seguintes conclusões: a) os condicionadores são, de longe, o pior produto oferecido pelos hotéis, b) algumas das pessoas responsáveis pelas fragrâncias escolhidas têm olfatos altamente duvidosos, c) deviam inventar um mecanismo para se conseguir retirar todo o produto do frasco, uma vez que no fim fica lá sempre 1/10 do mesmo colado ao fundo da pequena garrafa, d) os produtos 2 em 1 (tanto dá para shampô como para corpo) não são boa ideia. No fundo, depois desta experiência intensiva em relação às amenities, acho que já podia ser consultora dos hotéis neste campo - just say'in!

Uma das coisas que mais gostei nesta experiência - para além de não ter de comprar produtos de higiene, por sinal bastante caros, durante vários meses - foi de "viajar" de cada vez que utilizava um frasco novo. Via o nome do hotel de onde trouxe o shampô e, em vez de cantar no duche, punha-me a pensar de que viagem é que esse shampô tinha vindo. "Fui" até Londres, Bruxelas, Istambul, Paris, Algarve, Estocolmo. E, só por isso, já foi bom. Agora voltei ao meu Garnier verdinho e à vida de uma pessoa normal. Só com a diferença de ter a prateleira do armário da casa de banho bem mais vazia do que estava antes.

20
Out16

O país dos doutores e engenheiros

Carolina

Sempre se disse (e se ouviu) que Portugal é o país dos doutores e dos engenheiros. Toda a gente tem de ter um prefixo qualquer para se sentir de bem com a vida. São doutores os que não médicos ou doutorados (e os praxistas a partir do segundo ano, que é melhor ainda!), são engenheiros os que só têm o bacharelato e, com o estado das coisas, o estagiário no gabinete de arquitetura já é provavelmente senhor arquiteto. Até a mim me chamam doutora, que é assim a coisa mais estranha e anedótica de sempre - mas enfim, é o país onde vivemos.

E eu sempre soube que isto era assim mas só agora é que estou a entender a extensão do problema e as dificuldades que isso nos pode criar no dia-a-dia. Neste momento, e para mal dos meus pecados, passo a vida a falar com pessoas que não conheço - e a menos que saibamos à partida que aquela pessoa é médica, doutorada, advogada, engenheira (ou qualquer outra coisa que tenha um rótulo associado) é um problema quando nos dirigimos a ela. Eu dou por mim a gaguejar e a dar trinta voltas de forma a que todos os "sujeitos" nas minhas frases sejam omissos, para não fazer asneiras e as pessoas não ficarem ofendidíssimas. Sim, porque se chamamos doutor a um engenheiro cai o carmo e a trindade. E se chamamos senhor a um doutor é um drama. E se não chamamos o que quer que seja a alguém que não é nenhuma das coisas supra-mencionadas... também é provável que essa pessoa fique chateada. Ou seja: é uma gestão difícil.

Eu tenho duas técnicas: a primeira é estar atentíssima sempre que me falam de quer que seja, para apanhar os prefixos de toda a gente; mesmo quando se está em conversa com essa pessoa, dá sempre jeito ir vendo como é se deve interagir. A segunda é, como disse acima e em desespero de causa, nunca chamar a pessoa pelo nome, o que às vezes requer bastante imaginação.

Pronto, já disse o que tinha a dizer. Agora a doutora Carolina vai mazé trabalhar, que a vida não é só andar aqui a mandar uns bitaites. Doutora que é doutora faz coisas sérias.

18
Out16

Deixem passar a chef!

Carolina

Acho que a única mesmo certinha que tenho feito desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar - para além das necessidades básicas, como é óbvio - é jogar o Star Chef todos os santos dias, assim de forma super religiosa. Não sei como é que descobri aquilo, acho que estava simplesmente desesperada por algo que me entretivesse durante uns minutos para deixar de pensar nas mil e uma coisas para fazer e acabou por sair dali o novo vício do momento.

No fundo aquilo não tem nada que saber: é um jogo de gestão de tempo e de recursos, mas estes são sempre os meus jogos favoritos. Não me apetece estar aqui a explicar o jogo (é grátis, é só descarregar) mas, no fundo, aquilo é um restaurante onde têm de satisfazer os pedidos dos clientes, cozinhando-lhes aquilo que eles pedem; para isso, precisam de comprar os ingredientes ou planta-los (e eventualmente de os preparar previamente antes de cozinhar os pratos finais). Depois há sempre nuances, aqui e ali: uma delas é que podem comprar as refeições já prontas ou até os vegetais/frutas que precisam de ter na hora e não podem esperar que cresçam

Ora, eu estava desesperada por maçãs - que, numa primeira fase, crescem muito devagar. Por isso ia à tal "loja" à procura das maçanitas com melhor preço (é preciso ter em conta que normalmente são bastante caras) e ficava super feliz, porque passava a vida a encontrar autênticas pechinchas. Só para terem ideia, 10 maçãs custam normalmente 800 moedas - e eu comprava por 40! Mas depois ia ao cabaz da fruta e as maçãs compradas... nem vê-las! Foi uma série de dias nisto e eu já com os nervos em franja, porque comprava as maçãs e depois não as podia usar. O meu nível de irritação já era tão elevado que já considerava mandar um email para o help center. Mas depois percebi.

Estava a comprar tomates em vez de maçãs. Nesse dia decidi que me ia deitar mais cedo.

17
Out16

Entregue em mãos? Eu cá prefiro o correio

Carolina

Ainda sobre as minhas peripécias OLX'zianas, tenho uma coisa a dizer: para mim, é muito estranho que as pessoas tenham toda aquela disponibilidade para irem entregar (ou buscar) as coisas em mãos. 

Nos meus anúncios ponho sempre já o preço com os portes e deixo isso bem explícito na descrição dos produtos, como quem diz "eu quero enviar isto pelo correio e até faço preço especial!". Eu percebo que a mensagem não passe, primeiro porque as pessoas não sabem que quem está a vender é anti-contacto-pessoal e até porque pensam logo "se não tenho de pagar portes o preço fica mais barato". Mas continua a ser-me estranho que me mandem mensagens como "eu vou a sua casa busca-lo" ou "venha ter comigo, ligue-me para o 91xxxxxxx". Calmaaaaaa, amigos! É que já não bastava o incentivo à presença física e ainda atiram assim com os números de telemóvel para a caixa de mensagens, ao bom estilo da páginas amarelas (que, como é óbvio, me faz confusão por causa daquilo que já escrevi aqui). 

Eu sei que sou uma criatura estranha e que contactar com pessoas está longe de ser o meu forte. Mas eu já entreguei coisas em mãos e é das situações mais desconfortáveis de todo o sempre. Primeiro não se sabe quem é a pessoa - olha-se para tudooo o que está à nossa volta e pensa-se sempre "será esta?" -, depois não se sabe como se cumprimenta, a seguir não se sabe o que dizer... enfim, todo o processo de reconhecimento-conhecimento-entrega-pagamento-despedida é do mais constrangedor que há. 

Por isso, mesmo quando a proposta é boa, prefiro ficar com os livrinhos em casa do que andar a fazer expedições pela cidade e encontrar-me com pessoas estranhas. Chamem-me maluca, mas cada um tem as suas pancas. Eu sou só um bicho do buraco, há coisas piores nesta vida.

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