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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Jun17

Quando as tragédias batem na porta ao lado

Carolina

Não sei o que distingue os momentos que nos ficam a memória e aqueles que se esvaem como que água por entre os dedos, mas gostava muito de saber. Às vezes penso "quero lembrar-me disto até ao resto dos meus dias" e, no dia seguinte, já nem sei do que se trata; em tantas outra coisas normais, do dia a dia, a memória não pára de trabalhar e lembro-me dos pormenores mais insignificantes que possam existir. E depois há certos momentos que passam e que eu sei imediatamente que, bons ou maus, me vão ficar registados para sempre.

Lembro-me de um dia estar a ir para qualquer lado com o meu pai e passar em frente ao Hospital de São João, onde há um corrupio de ambulâncias constantes, onde o estacionamento é caótico e se vêem pessoas por todo o lado. Na altura, o meu pai disse-me que não gostava de passar ali. Lá íamos nós, na nossa vida, provavelmente a caminho de um restaurante ou simplesmente a passear; e ali, a meia dúzia de metros, estavam pessoas no mais puro dos sofrimentos - quer físico quer emocional, ora por serem elas próprias a estar na cama ou os que desesperam na sala de espera. Quando ele me disse isto eu soube que era uma das coisas que eu, mesmo que quisesse, não ia esquecer. Por ser tão real, tão duro, tão inevitável; por não podermos fazer nada para o alterar. Um dia somos nós, outro dia são os outros. E não podemos deixar de aproveitar os nossos momentos bons por outros, que não conhecemos, estarem a viver momentos maus - porque assim viveríamos numa infelicidade cíclica e viciosa que não tornaria o mundo melhor.

Agora, enquanto estou estendida numa espreguiçadeira a apanhar sol e a escrever isto, sei que está um país de luto e uma cidade devastada pelas chamas e por uma das maiores tragédias que todos já testemunhamos em Portugal. Ainda ontem, enquanto vinha para o Algarve, parei em Leiria para comer algo, mal sabendo que o pior estava por acontecer por aqueles lados. Mais uma vez passamos ao lado do mal, do inferno, do desespero e da infelicidade enquanto caminhávamos para algo de bom - tal e qual no hospital. E hoje, aqui deitada enquanto muitos lutam contra as chamas, outros perderam casas e familiares e 62 (até ao momento) perderam a vida, só me resta esperar o melhor. Vejo posts de lamento e consternação no facebook e penso "mais um", porque para nada servem as palavras quando o sofrimento mora ao lado e nada podemos fazer para o diminuir. Mas tal como todas essas pessoas, também eu sinto necessidade de dedicar uma palavra de pesar; ainda que ninguém leia, ainda que seja só mais um no meio de tantos outros que nem sonham o sofrimento que se deve estar a viver naquela terra. Ainda que sejam só palavras que não devolvem terra, casas ou vida e que, ao contrário do que quem lá está, venham de quem está hoje de bem com a vida.

Porque ela é mesmo assim. Umas vezes toca aos outros, outras vezes toca-nos a nós. E tudo o que podemos fazer - não estando no local, não conhecendo ninguém e estando só a ver de longe, ainda com a preocupação de quem se sente - é esperar o melhor e rezar que a vida seja branda até nas horas mais difíceis.

16
Mai17

Missão trança 2017

Carolina

As mulheres normais têm, todos os anos, a missão biquíni. Eu, como já me deixei disso (bater todos os anos no ceguinho sem obter resultados dá nisto), optei por ter uma missão diferente: a da trança - o que, comparada com a do biquíni, é incrivelmente mais fácil, porque o cabelo cresce sozinho sem eu ter de suar as estopinhas ou fazer dieta. 

Então é isto: eu este verão quero ter o cabelo suficiente comprido para conseguir fazer uma trança. Problemas neste plano: 1) tenho pouca paciência para cabelo comprido, o vento atira-mo sempre para a frente da cara, largo imensos cabelos pela casa; 2) não sei fazer tranças a mim própria - ou seja, eu sei a mecânica das tranças (inclusivamente daquelas imbutidas e de peixe), mas tenho dificuldade em as fazer em cabelos "normais" porque as mexas fogem-me das mãos e eu fico toda confusa e já não sei para onde é que elas têm de ir e é todo um caos; toda esta situação piora se for em mim própria, uma vez que não vejo o que estou a fazer, os braços cansam-se e é todo o caos vezes dez. Soluções para estes problemas: 1) aprender a ter paciência e ter sempre o plano em mente; 2) aprender a fazer tranças através de vídeos do Youtube e treinar - muito! -, conseguindo a proeza de não arrancar o meu cabelo todo. (E já falei em paciência?).

Já há muitos anos que não tenho o cabelo suficientemente grande para fazer uma trança. Na verdade, quando o tinha, nunca fazia tranças: nunca tive jeito para fazer penteados e aqui em casa ninguém é propriamente prendado nesse sentido. Mas a verdade é que, mesmo tendo o cabelo curto, eu passo a vida com ele apanhado: não gosto de trabalhar ou escrever com o cabelo a fazer-me cócegas na cara ou a entrar-me para os olhos, nunca como sem ser com o cabelo apanhado e na rua, por causa do vento, também o prendo com frequência. E, como são sempre coisas feitas à pressa e o jeito não é muito, fico sempre com um ar um tanto ao quanto descuidado (e, depois de tirar o puxo, com o cabelo marcado e feio).

No verão, quando for viajar, gostava de ter uma solução mais permanente, prática e igualmente bonita - e acho que a trança é uma boa conjugação de tudo isto. Foi o que fiz, por exemplo, quando fui ao Gerês (na foto) - uma amiga minha cheia de jeito para cabelos fez-me uma trança embutida com o não muito cabelo que eu tinha e aquilo era um autêntico descanso para mim (e ainda ficava bem nas fotos!). 

Ando numa fase em que não sei muito bem o que fazer ao cabelo e, por isso, ter um objetivo ajuda-me a não desesperar. Das últimas vezes que o tenho usado muito curto não tenho adorado ver-me (embora seja indiscutível que é muito mais prático e fácil de arranjar), mas também não tenho paciência para o usar longo (para além de, hoje em dia, já nem sequer gostar de cabelos muito compridos) - estou numa situação um bocadinho complicada, pelo que a melhor que posso fazer é esperar que os meus pensamentos se reorganizarem. Acho que vou deixar isso para Setembro - até lá, espero que ele cresça o suficiente para eu conseguir fazer uma trança a mim mesma. Depois disso, zás! Para além de tudo mais, um corte de cabelo sabe sempre melhor quanto maior for a diferença de um corte para o outro :)

 

CampismoGeres_Agosto2016 (250).JPG

 

 P.S. Não tenho dúvidas de que sou capaz de deixar o cabelo crescer. Apoquenta-me apenas a parte de fazer a trança - receio que esta missão corra tão mal como todas as missões biquíni que fiz em toda a minha vida...

25
Fev17

Uma semana de verão enganador

Carolina

Esta semana foi divinal no que à meteorologia diz respeito. Parecia verão. Tirei a barriga de misérias e, sempre que pude, pus-me a fazer a fotossíntese - e é quase impossível descrever por palavras o quão bem é que isto me soube e quão bem, efetivamente, me fez.

O mais engraçado é que esta semana de bom tempo fez com que, na minha cabeça, parecesse que o verão estava aí ao virar da esquina. A certa altura pensei para os meus botões "ah, o Senhor de Matosinhos deve estar mesmo aí à porta!". Só que não. O senhor de Matosinhos - uma das maiores festas populares aqui nas redondezas - é entre Maio e Junho... ou seja, ainda falta um par de meses para lá chegarmos. 

Num dos outros dias, depois de jantar, abri a porta para sacudir a toalha e cheirou-me a sardinhas assadas. Para mim, churrascos de sardinhas assadas e febras são o típico sinal de que o verão chegou - adoro receber gente aqui em casa, ir à lota buscar peixe ou ao Continente comprar carne, e ficarmos lá fora pela noite dentro, sem que o frio nos enregele a espinha. Mas enfim: também era psicológico. Ainda não há sardinhas para assar e o nosso barbecue já não se liga há mais de meio ano, por isso foi só uma mera ilusão olfativa.

Outro dos sintomas é que, pela primeira vez desde que trabalho, apeteceu-me ter férias. Pegar na tenda e ir para o Alentejo e para o Algarve. Já ando aqui a magicar para onde quero ir, o que vou ter de comprar, as coisas que tenho de marcar. Apetece-me muito o mar, o sol e a praia do sul. 

Acho que para a semana volta o Inverno, com a sua chuva típica. É a vida. Esta semaninha de verão enganador já foi suficiente para subir o espírito e dar fôlego para os tempos mais frios que ainda temos pela frente, mas já deixou água na boca para os meses quentes que hão-de vir. Pela primeira vez na vida não vou ter dois ou três meses de férias para gozar; a parte boa é que, tendo menos dias de férias, tenho a certeza que não vou desperdiçar nenhum deles e planeio-o vive-los ao máximo, aperta-los até ficarem sem sumo, tirar tudo o que me tiverem para dar. Até lá, vou trabalhando, que esta vida não se faz (só) de sonhos.

22
Set16

A blasfémia deste verão

Carolina

E pronto, acabou-se. Acabou oficialmente o Verão e chegou a altura do Outono dar o ar da sua graça. E agora que a época mais feliz do ano se dá por terminada, eu posso finalmente tirar um peso de cima de mim, que carreguei durante toda esta época quente. Descobri-o ainda antes do verão começar e posso dizer-vos que me estragou um bocadinho o sabor da estação - mas, como pessoa altamente altruísta que sou, deixei que o verão acabasse para vos fazer abrir a pestana em relação à catástrofe desta estação; a blasfémia, o crime, o terror. Estão preparados?

Este ano a Olá não colocou o Feast no seu cartaz de gelados. Dito por outras palavras: a estúpida da Olá tirou do seu cardápio o melhor gelado de chocolate de sempre, quem sabe o melhor gelado de todos. Sim, porque o Feast tinha tudo o que se queria num gelado: era delicioso e low profile. Não é como os Magnuns, que se pavoneiam nos cartazes com nomes e fotos todos XPTO. O Feast era barato, diferente de qualquer outro (que gelado é que tem aquele pedaço de chocolate gigante no meio?!) e já durava há muitos e muitos anos, pelo que merecia o devido respeito!

Enfim, era só isto. Espero que tenham ficado com o coração tão despedaçado como o meu. Por aqui o desgosto foi tão grande que, durante o verão, contaram-se pelos dedos de uma mão as vezes que comi gelado. Primeiro porque não me apetece (só de olhar para aquelas arcas nos restaurantes vertia uma lagriminha de saudade) e segundo porque estou em protesto e abstenção de Olá até trazerem o Feast de volta. #"Geladeiras"UnidasJamaisSerãoVencidas

 

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31
Jul16

Uma noite mágica na livraria Lello (e a aposta em todo um verão épico)

Carolina

Acho que este verão bateu em mim o facto de este ser o meu último período de férias grandes. Em Setembro começo a trabalhar e inicio oficialmente o meu período de vida adulta, com dias de férias contados e todo o drama que é trabalhar. Ao meu lado só vejo pessoas ainda a acabar a licenciatura, a seguir para mestrado, a tirar um gap year ou a ir fazer voluntariado no estrangeiro e eu aqui, prestes a perder a liberdade que tive até agora mas que até aqui não tinha dado grande importância.

Por isso fiz um compromisso comigo própria em aproveitar este verão da melhor forma que conseguir, apostando todas as fichas nestes meses de calor e respondendo "sim" a coisas a que normalmente diria não ou arranjaria uma desculpa para me esquivar. É para ir a um concerto antes de seguir para Estocolmo e dormir só uma hora? Bora. É para entrar num castelo com encenações assustadoras a meio da noite mesmo sendo medricas para xuxu? Bora. É para ir para a Régua? Bora.

E foi neste espírito de "bora, não há nada a perder e este é o teu último verão a sério" que também enviei email para a Lello, candidatando-me para ser voluntária no evento do lançamento do novo livro do Harry Potter. Estava na Rússia, a pagar net a preço de ouro, e passei por um post no facebook que dizia que eles estavam a aceitar candidaturas para voluntários nesse dia. Escrevi uma coisa muito rápida e simples e, para minha surpresa, poucos dias depois recebi um email a dizer que fui selecionada.

Não me vou debruçar aqui sobre o trabalho de "voluntariado" que fizemos nem discutir essa questão tão sensível (fica para breve). Eu estou numa de me meter em coisas que me ocupem tempo, que me tirem de casa e me façam conhecer pessoas novas - e foi isso que fiz, independentemente do que ia (ou não) receber, do trabalho que ia ter e ia fazer. O que me importava era ir, fazer parte. E assim foi.

Durante dois dias esfalfei-me. Carimbei, ensaquei e alarmei centenas de livros (sim, aquela preciosidade passou-me pelas mãos dois dias antes do lançamento oficial - e confesso, dei uma olhadela antes do tempo). Carreguei com eles escadas a cima, uma vez e outra. Levei com centenas deles em cima, que caíram em cima de mim estilo dominó quando retiramos uma caixa que não devia ter saído do sítio. Fiz de porteira durante horas a fio, andei pelas filas a dizer a mesma coisa cerca de quarenta e duas mil vezes e dei por mim a ter uma fila de pessoas só para falar comigo para me fazerem perguntas a que já tinha respondido cerca de cinquenta e oito mil vezes essa noite. Nunca falei com tanta gente na vida. Sei que para a grande maioria das pessoas o evento foi um flop (basta ver as publicações e comentários na página do evento no facebook) e isso também foi perceptível para nós, que tentamos proporcionar a melhor experiência possível mas não conseguimos fazer milagres. Ainda assim, penso que enquanto voluntários foi uma experiência brutal.

Já depois da meia noite, enquanto carimbava talões e entregava o tão esperado livro, via na cara das pessoas a emoção total. As músicas da banda sonora do Harry Potter estavam a passar na loja e, honestamente, houve um momento em que me arrepiei - quando entregávamos o livro, parecia que estávamos a passar a tocha olímpica ou algo de uma importância incrível, tal a comoção das pessoas que estavam à nossa frente. Foi incrível e valeu todas as horas de trabalho duro que todos nós, voluntários, passamos ali. Penso que é algo que nunca esquecerei.

Outra coisa incrível foi a interação com as pessoas - não só as centenas com quem falei na porta ou nas filas, enquanto distribuía comida, inquéritos ou simplesmente respondendo a questões - mas também com os outros voluntários. Senti a mesma coisa no barco: estamos num sítio onde ninguém nos conhece e podemos fazer reset em nós próprios, sem ter de gerir as expectativas dos outros ou de quem já espera e pensa certas coisas de nós. No fundo, perante pessoas e todo um mundo novo, podemos ser quem quisermos, reinventarmo-nos e "escolhermos" que pessoa somos e quem queremos ser, sem nada que nos prenda a tudo o resto. E essa sensação é espetacular. Posso ser a Carolina incrivelmente simpática que acho que normalmente não sou; posso ser a Carolina que está sempre a sorrir que não sou de certeza no dia-a-dia; posso ser uma versão light de mim, porque sei que aqueles tempos vão ser ligeiros e felizes e que os problemas só vêm depois, e aí já posso ser quem sou habitualmente. 

Apesar da confusão e dos milhares de pessoas, do trabalho quase abusivo e de alguma ingratidão que possamos ter sentido, acho que é uma noite que nunca esquecerei e que sei que não poderia ter vivido de outra forma (porque não iria lá apenas como "espectadora" normal). Foi mágico, tal e qual como o (nosso) Harry Potter.

 

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05
Jun16

Leituras de Verão

Carolina

Mesmo não tendo a melhor relação com as férias grandes, é inegável que esta é a melhor altura do ano para devorar livros. Estar ao sol, a morenar, e a ler um bom livro é só o melhor plano de todos os tempos. 

Em 2016 propus-me a ler 20 livros e 8 já estão. Acho que com o choque da entrada na "vida adulta", todos os livros mais sérios e possivelmente pesados ficaram na prateleira; dediquei-me de alma e coração a todos os romances adolescentes que tinha por ler (e que entretanto mandei vir, porque isto é quase um ciclo vicioso), que me deram o escape diário dos dias mais duros e "adultos" para uma "não-realidade" que sempre me aqueceu o coração. Podem não ser as leituras mais eruditas - que não são, como é óbvio - mas fazem por mim aquilo que eu acho que é o objetivo da literatura: distrair, constituir um escape e treinar a desenvoltura na escrita, na leitura e no uso de mais vocabulário. Como um extra, sete dos livros que li eram em inglês - o que ajudou a desenferrujar e a matar saudades desta língua, que infelizmente uso menos do que desejaria.

Para o bem e para o mal, os romances adolescentes que tinha na prateleira já esgotaram e eu vou ter de começar a dar vazão às outras coisas que fui comprando (embora, confesso, já há mais histórias leves e fofinhas na minha lista de compras). Só começo a trabalhar em Setembro e, com uma semana de Algarve pelo meio, tenciono apostar forte nas minhas leituras de verão. Serão elas:

 

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O "Romance em Amesterdão" de Tiago Rebelo vai fazer a transição dos romances adolescentes para os "simplesmente romances". É um autor de quem já falei várias vezes aqui e que, não estando na minha lista de autores favoritos, funciona para mim como um desbloqueador de leitura. A escrita e as histórias desenrolam bem e, sem notarmos, chegamos ao fim do livro. Comprei-o na última pseudo-feira-do-livro que agora temos aqui no Porto, no Palácio de Cristal, e quero lê-lo, para deixar de fazer peso na minha prateleira.

 

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 Este livro andava debaixo do meu olho há anos, mas só me resolvi a compra-lo quando li a crítica da Maria das Palavras. Aproveitei uma promoção na Bertrand Online e mandei-o vir - caí na esparrela de comprar a edição mais barata e calhou-me na rifa um livro com umas letras mini, que vão ser difíceis de digerir. É bom que o livro seja óptimo e me faça ultrapassar a aversão (e o sono!) que eu tenho a letras pequeninas.

 

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 "O Pintassilgo" está emprestado na minha prateleira há tempo demais. Já há muito que tenho vontade de o ler, mas as suas quase 900 páginas demovem-me sempre. Principalmente em período de trabalho ou aulas, como o tempo não é muito, a leitura e a evolução acabam por ser lentas e desmotivantes, pelo que a obra tem ficado sempre para trás. Talvez lhe dedique a minha semana algarvia e consiga finalmente ler este calhamaço!

 

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Já aqui tinha dito que este verão também ia ser dedicado à escrita criativa. Este é, na verdade, um livro para ir lendo - mas, daquilo que já vi, parece-me ler-se mesmo muito bem, por isso desconfio que quando pegar nele, será de fio a pavio. Sinto que tenho muito a aprender relativamente à construção de narrativas e este será o início de uma aprendizagem que tenciono que dure para a vida. Dentro deste tema também comprei outro livro, mais teórico, por isso ficará para segundo plano e para quando já tiver umas noções daquilo que estou a ler e a aprender.

 

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E porque depois da escrita vem a publicação, também estou muito curiosa para ler este livro que acabou de chegar às livrarias (e que também comprei na promoção online da Bertrand). Sei que o mundo editorial tem muitos meandros e todos nós já ouvimos falar dos muitos insucessos que os maiores autores de todo o mundo enfrentaram antes de se tornarem famosos (basta ver o caso da J. K. Rowling, que já falou bastante do assunto, ou da Stephenie Meyer). Não tenho um livro escrito nem sei quando vou ter, mas acho que não faz mal enfrentar este mundo já com algum conhecimento à partida - para além de que há sempre dicas que se pode ir aproveitando para facilitar a publicação, que dá sempre jeito saber.

 

E para já é isto. Não quer dizer que alguns não fiquem pelo caminho e que dêem lugar a outros, mas o plano de leitura para o verão é este. Já tenho muito com que me entreter :)

01
Ago15

Podemos passar o verão à frente?

Carolina

Antes não percebia muito bem o facto de algumas pessoas terem "alergia" ao Natal. Achava estranho, tendo em conta que sempre vi o Natal como uma festa de família, quente e calorosa, que seria quase impossível alguém não gostar.

Mas agora acho que percebo. Acho que eu própria estou a desenvolver uma "alergia" - não ao Natal, mas ao Verão (o que ainda é pior - aparentemente todaaaaa a gente delira com o Verão, ainda mais do que com a época natalícia). Dou por mim, ano após a ano, a esperar que esta época passe. Anseio-a sempre, principalmente no pico das aulas quando já estou exausta, mas as minhas expectativas acabam sempre defraudadas. Duas a três semanas de férias chegavam-me perfeitamente - para descansar, arrumar as ideias e pôr em dia as coisas que deixo em atraso durante o período de aulas. Fora isso, já percebi, fui feita para trabalhar - estar parada deprime-me.

O facto de também, nos últimos anos, ter feito férias ou em Maio ou em Setembro faz com que os meses de "verão puro" não me tragam lembranças por aí além. Pelo contrário, só me relembram coisas que faço questão de esquecer. E percebo agora que é por esses vínculos emocionais (ou a falta deles) que as pessoas deixam de gostar daquela ou outra época do ano.

Sei que é um choque, as pessoas adoram Agosto e tudo o que este mês traz com ele. Mas, por mim, saltava já para o meio de Setembro. E rapidinho, de preferência, que suponho que se demorar muito até lá, a probabilidade de dar em louca é demasiado alta para aquilo que é aconselhável.

15
Jul15

Trabalho do momento: gestão de expectativas

Carolina

Cheguei no domingo de Lisboa e aterrei logo num churrasco de família, com os meus irmãos e sobrinhos todos aqui em casa. Depois de comer, deitei-me e dormi durante o resto da tarde, para tentar repor energias dos três dias de festival. Quando acordei, depois de umas voltas, tomei um banho e preparei-me para sair e ir dar uma volta nas festas da cidade. Já estava pronta, com um pé fora do quarto e de carteira ao ombro, quando a minha sobrinha bate à porta com ar de carneirinho mal morto e preocupação, dizendo "a avó caiu". 

Caiu-me tudo e, naquela fraçãozinha de segundos, tive um dejá-vù daquele dia, há um ano atrás, em que o telefone tocou e me disseram quase o mesmo, mas em relação à minha avó. Essa chamada culminou com o fim imediato do meu verão e do início de meio ano de muito tormento e sofrimento. A questão é que, neste caso, era a minha própria mãe e eu limitei-me a correr para a sala, onde ela já estava deitada no sofá, cheia de dores no pé.

Depois de uma ida ao hospital, o veredito é, para todos os efeitos, um pé partido. Ou seja: um mês e meio de bota (para evitar o gesso). A minha mãe, que é uma pulga elétrica, está com uma bota até ao joelho, com receita de descanso absoluto pelo menos durante os primeiros dez dias. Podia dizer-vos que imaginam o filme, mas não imaginam: é o inferno para ela, que não se pode mexer e é o inferno para nós, que temos de passar a vida a dar-lhe nas orelhas para se ir deitar no sofá.

Se para ela as perspectivas são de muito sofá e descanso, para mim são o oposto. Se as previsões estiveram certas, só no início de Setembro é que ela se livra da bota, logo o verão vai pelo cano. Pelo meio, passa-se a altura do ano em que esta casa está com mais gente, que é também aquela em que não temos a nossa empregada para nos ajudar. E, sem a minha mãe que não pára e faz imensas coisas só num par de horas... vai sobrar para mim. Para além de cuidar dela, de a ajudar e de a transportar de carro para onde é preciso, tenho de ajudar em tudo o resto e na manutenção da casa. O que quer dizer que não há muita praia, férias fora ou descanso que me reste.

É claro que o cenário podia ser muito pior! É só um pé partido, vai passar rápido e tudo vai ficar melhor. E eu não me importo de arregaçar as mangas, trabalhar e fazer o que for preciso. A única coisa que me custa aqui é gerir as expectativas. Este ano fiz algo que nunca tinha feito: fiz all in neste verão, disse que ia ser um dos verões da minha vida. Depois de, no ano passado, ter sofrido demasiado e aproveitado muito pouco, jurei a mim mesma que este ia valer a pena. E agora, no meu segundo dia de férias, isto acontece. 

Fiquei fula. Não comigo, não com a minha mãe, não com a cadela que a fez cair, mas com o raio da vida. Quis muito chorar e deitar esta raiva cá para fora; não me importei de parecer a mais egoísta da casa por estar fula com toda esta situação. Não me interpretem mal: eu amo a minha mãe, dava a minha vida pela dela se preciso fosse e temos uma relação fantástica. Mas foi um golpe duro e que demorou algumas horas a aceitar. O meu último verão grande, o meu último verão como universitária, as minhas últimas férias grandes sem ter de me preocupar com trabalho. O meu verão pelo cano. Pelo segundo ano consecutivo. Doeu. 

 

[agora... é cuidar da mãe e esperar que passe rápido]

12
Ago14

Nunca pensei vir a dizer isto

Carolina

Mas estou pronta - aliás, ansiosa - para o final do verão e o começo das aulas. Estou farta disto tudo, só quero poder focar-me em algo - mesmo que seja algo que não gosto particularmente - para fugir um pouco a esta confusão.

São todos os dias más notícias, mais problemas, mais chatices, mais responsabilidades. Nem sol temos, este ano; chove lá fora, neste preciso momento, e só conto uma manhã de praia (e má) desde que o "verão" começou. Não há praia, não há piscina, não há patuscadas, não há noites para cafés, não há merda nenhuma que se aproveite. No fim - para mim - só sobram chatices, que me estão a subir à cabeça por não ter mais nada para fazer do que ficar fechada em casa, comigo mesma, na minha solidão típica.

Desde que começaram as férias, não tive férias. E agora quase que bufo mais, de stress, do que respiro. Um dos piores verões de sempre. 'Dass, que venha Setembro.

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