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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

24
Set17

O que penso sobre a casa dos youtubers e os vídeos dos seus moradores

Carolina

Eu acho que é impossível que quem tenha filhos, primos, sobrinhos ou irmãos com idades compreendidas entre os seis e os 14 anos nunca tenha ouvido falar do Wuant, do Windoh, do Ovelha Nigga, do Gato Galático ou, de uma forma geral, da casa dos youtubers. Eu aqui em casa - creio que como todos os adultos - recebi um tratamento de choque: berros, asneiras e muitas gargalhadas um tanto ao quanto irritantes vindos das colunas de computadores alheios. Entretanto a exposição mediática desses youtubers, em grande parte devido à casa onde passaram a viver, já fizeram o trabalho de os mostrar ao público em geral. Ou seja, suspeito que, de uma maneira ou de outra, já devem ter ouvido falar sobre eles.

Aliás: provavelmente já ouviram dizer mal deles, que é o que mais se faz por aí. Somos todos peritos a criticar, mas a fazer... nem por isso. Porque apesar de eu não achar graça ao conteúdo deles - e sim, falo com conhecimento de causa, porque tenho ouvido demasiadas vezes "COMO É QUE'É MEUS PUTOS, DAQUI É WINDOHHH" e coisas que tais, para poder escrever este post - sou capaz de apreciar o trabalho que está por detrás de toda aquela palhaçada ou "trollagem", como eles gostam de chamar.

Para mim há, naqueles vídeos, um conflito de valores. Primeiro os que estão à vista de todos, os preocupantes: que é fácil ter uma vida desafogada, que se compram facilmente sapatilhas de mil euros e carros de alta cilindrada, que é fácil sair de casa dos pais para ir viver com os amigos numa "mansão", que se podem ter ações inconsequentes sem pensar nos resultados finais (exemplo: pôr super cola na cara de alguém sem antes ter pesquisado como se tirava o produto da pele) e que é prudente deixar de se investir na formação para viver de um canal do youtube sem ter um plano B. E depois os valores subjacentes, esses sim com importância: que é o trabalho que lhes proporciona aquela vida, aquela fama, todas estas oportunidades. O problema é que o que está à vista de todos acaba por ser, para quem vê (crianças maioritariamente), o principal, porque não há maturidade suficiente para se perceber os valores implícitos. Para os putos, aquilo é o trabalho mais fixe de sempre! O meu sobrinho mais velho, por exemplo, queria ser experimentador de colchões (eu sei, eu sei...). Agora? Quer ser youtuber. Porquê? Primeiro porque acha que lhe vai dar tanto trabalho como andar a saltar para os sítios onde as pessoas dormem - erro crasso! -, segundo porque acha que mal crie um canal lhe vai logo sair um Audi XPTO na rifa. Nem ele nem a maioria sabem o trabalho e as horas que aqueles miúdos passam entre filmagens e edições - e também não fazem noção do tempo (os anos!) que eles passaram a fazer vídeos sem likes, comentários ou putos a berrarem-lhes à porta.

Se calhar estão a ler este texto de sobrolho levantado e pensar "esta miúda está mesmo a defender aqueles energúmenos?". Pois, eu sou assim, tento sempre ver o outro lado da moeda - e acho que, como em tudo na vida, isto não é uma questão linear. A única coisa que defendo nestes vídeos - e que absolutamente ninguém pode negar - é que aquilo dá trabalho. Lá por eles se estarem a divertir e a fazer asneiras de forma consecutiva, não quer dizer que depois não passem horas em frente ao computador para fazer aquilo resultar e passar os vídeos para algo "comestível" e visualizável, com todos aqueles pózinhos de perlimpimpim que aparentemente fazem daqueles canais um sucesso. As pessoas "normais" não sabem as horas de edição que estão por detrás daquilo - como não sabem o trabalho que dá escrever diariamente para um blog. São coisas camufladas como hobbies, como algo ligeiro para quem as faz, mas para além de já ser o trabalho para algumas pessoas em Portugal (caso deles), requer muitas horas de dedicação e empenho.

Mas isto não quer dizer que eu apoie aquilo que eles fazem e muito menos os valores que eles lá transmitem. No outro dia o meu queixo bateu no chão quando ouvi o Windoh, num vídeo filmado no seu quarto de hotel no Brasil, a dizer: "este quarto está mesmo muito desarrumado, tenho de chamar a senhora para o vir limpar". Mexeu-me com as entranhas. Elas já estavam remexidas ao ver o estado caótico daquele quarto, com lixo espalhado pelo chão, misturado com roupas sujas e lavadas - roupa interior incluída -, mas quando me apercebo que ele ia chamar uma criada para o limpar, toda eu fiquei revoltada. E preocupada. Porque percebo que é daqui que vêm algumas das mentalidades dos meus sobrinhos e de tantos outros miúdos. Coisas que já deviam ter ficado no século passado e que estão a ser alimentadas por miúdos com uma noção de respeito e educação muito diferente da minha. E isto sim, é alarmante. Mais do que os berros, mais do que as asneiras, mais do que as expressões horríveis como "bem poddddddre". Aquilo com que devíamos estar preocupados são os valores ali transmitidos que, infelizmente, ultrapassam os do trabalho e da dedicação. 

 

Foto: Visão

24
Set16

Mais um para a minha bucketlist

Carolina

Sempre soube que adorava viajar, mas este verão entendi verdadeiramente como me enchia a alma, me acrescentava enquanto pessoa, como me fazia feliz. Percebi que tenho de viajar enquanto posso, o mais que posso, para onde posso. Aliás, confesso que a partir de agora, uma parte do meu salário vai para um "vaquinha" que tem o intuito de me dar a possibilidade de viajar quando e para onde quiser.

Nos últimos tempos tenho-me dado com pessoas que viajam muito - em trabalho e em lazer - e esse meu lado de viajante e a curiosidade que tenho são cada vez mais aguçadas a cada história que ouço. Mas, honestamente, a parte que me custa em viajar é mesmo a dita viagem, do sítio Y para o sítio Z. Andar de avião custa-me cada vez mais, não por ter medo ou a comida ser sempre horrível, mas porque sinto que não somos tratados como pessoas mas sim como sardinhas em lata que, durante um determinado número de horas, não pode nem respirar fundo, com medo de sair fora daquele meio metro quadrado que temos para (sobre)viver. É desesperante. Tenho mesmo dado por mim com alguns sintomas de claustrofobia quando me meto num avião onde a viagem demora mais de duas horas. À vinda de Estocolmo, por exemplo, vi a minha vida a andar para trás quando vi que calhámos no último lugar do avião (ou seja, não podíamos recostar os bancos, enquanto que os da frente podiam, encolhendo ainda mais o nosso espaço) e à beira das casas de banho, onde as pessoas faziam filas de meia hora e se apoiavam na nossa fileira de bancos enquanto falavam das suas vidinhas e entravam (ainda) mais no nosso espaço pessoal. Foi das piores viagens que fiz até hoje.

Acho que foi ainda pior por, nos dias anteriores, me ter apercebido que há uma forma de viajar sem despender qualquer tipo de energia e de se poder fazer o que se quiser enquanto se anda - navegando, é claro. Num cruzeiro, uma pessoa pode ir ao teatro, ao cinema, ao restaurante, ler um livro, dormir ou ir à piscina enquanto vai de um sítio para o outro - e isso é só assim a melhor coisa deste mundo e do outro. Não tem de se conduzir, estar preocupado em não adormecer ao volante, estar atento à estrada e aos parvalhões que acham que são condutores de formula 1; não tem de se ir no lugar do pendura, a tentar não adormecer com o embalo do carro para tentar entreter o condutor que vai ao nosso lado, mantendo-o acordado; e, acima de tudo, não temos de ir duas horas mais cedo para o aeroporto e metermo-nos num bicho com asas onde não podes nem esticar uma perna. É maravilhoso.

E tudo isto é verdade a menos que tenhas a conta bancária recheada e possas viajar na Emirates, em particular em primeira classe. Uma das minhas viagens de sonho é a Austrália, por exemplo. São vôos com 30 horas, no mínimo (partindo de Lisboa), e normalmente com escalas pelo meio. É algo que quero e vou fazer, a menos que a vida me troque as voltas. Mas o meu sonho era faze-lo num avião a sério, com todas as regalias e confortos. Pode ser uma coisa de uma vez na vida, para nunca mais repetir, mas está seriamente na minha lista de sonhos e afazeres a médio e longo prazo.

Para terem uma ideia, vôos de ida e volta em primeira classe, Lisboa-Sidney, na Emirates ficam por cerca de 9 mil euros. Posto isto, vou só começar ali a amealhar e já volto.

 

Deixo-vos um vídeo do Casey Neistat, um dos melhores YouTuber's de há muito tempo (por ventura o melhor), que mostra os luxos de um vôo de longo curso da Emirates. Vale a pena ver, pois é de cair o queixo.

 

 

13
Set15

Miúda de 95 37#

Carolina

A Boneca Eva

 

Há uns dias fui ao Zoo da Maia matar saudades de tempos idos - já lá não ia há uns anos e achamos que era giro para um dia um bocadinho diferente. Acabou por ser, de facto, super diferente porque o carro avariou e foi todo um filme e sucessão de azares que deram cabo de mim quando finalmente cheguei a casa lá para as onze da noite. Foi precisamente antes de seguir para o Gerês com a minha família e por isso, no meio daquilo tudo, acabei por não escrever sobre esse episódio - e agora, duas semanas passadas, já não faz sequer sentido.

Aquilo que queria contar foi o tema de uma conversa que lá tive. Enquanto me sentava com a minha amiga a comer um gelado expliquei-lhe que antes, pelas redondezas do zoo, havia uma boneca gigante em que se podia entrar com o objetivo de se observar o corpo humano desde o interior; quase uma visita guiada, muito visual, de como as coisas funcionam cá por dentro. Na altura ainda tentei procurar, no telemóvel, algumas imagens para mostrar, mas como não me lembrava do nome da boneca a busca foi infrutífera.

Entretanto já tive tempo e encontrei! Chamava-se a Boneca Eva. Eu nunca lá fui, mas cresci a ouvir história macabras sobre aquilo, como era assustador e etc. Apesar de tudo, sempre quis ir lá - fazia-me lembrar um episódio da carrinha mágica, em que eles entravam para dentro do corpo de alguém para aprenderem como tudo funcionava. Ainda por cima a boneca estava grávida, por isso podia-se ver o feto a "desenvolver-se"! Acabei por nunca ter oportunidade de lá ir porque aquilo fechou e, segundo o que li, foi partido aos pedaços e vendido para ferro velho. É uma pena. Assustador ou não, devia ser uma experiência mesmo gira e diferente. Ficam as (poucas) imagens.

 

23
Ago15

Das coisas loucas que me passam pela cabeça

Carolina

Andar mais em baixo é, infelizmente, para mim, sinónimo de comer mais e pior à mesa (aliás, fora dela, que é onde se cometem os maiores pecados). Tinha aqui em casa quem me acompanhasse nas minhas aventuras gastronómicas e nos últimos dois meses experimentei uma dezena de novas gelados, uns quantos doces e outras coisas não tão boas para a dieta. 

Partilhei muitas das minhas receitas e comidas com a minha cunhada que também trocou algumas comigo (as dela mais saudáveis, glúten-free e outras coisas que adorei aprender e que me têm contagiado). Explicava tudo direitinho e acabava por fazer as iguarias, para desgraça das nossas barrigas mas alegria das nossas papilas gustativas. No meio disto eu brincava muito, explicava as receitas em modo youtube-style, provava as receitas dela e avaliava-as estilo júri do masterchef e passei as últimas semanas a apontar receitas e ideias - minhas e dela -, sempre a dizer que era para o meu canal de youtube culinário. Tudo na brincadeira.

Mas às vezes repetimos tantas vezes a mesma coisa que parece que ela se torna real. Não sei se já são as saudades dela - e do meu irmão e sobrinhos -, se são estas férias de treta ou este tempo desgraçado, se é o facto de agora andar muito virada para vlogs e vloggers ou mesmo a crise de sinusite grave que estou a ter que me está a enlouquecer, mas a verdade é que tudo está a fazer um assustador sentido na minha cabeça. Estou a um triz de pegar na minha nova máquina e começar a gravar as minhas receitas e partilha-las no youtube.

É a prova provada de que preciso urgentemente que as aulas comecem.

26
Mai15

Como vivi o Fora da Caixa (ou como fui muito feliz)

Carolina

Aquilo que escrevi no post abaixo foi a parte factual do programa - o que aconteceu e deixou de acontecer. Mas a verdade é que houve toda uma gestão emocional que teve muito mais impacto que o programa em si, todo um espírito que todos desenvolvemos sem nos apercebermos que tornou tudo único e mágico. Só no fim é que nos caiu a ficha. Bac. Acabou. Wow. 

Aconteceu uma coisa tão simples que é complicada: conhecemo-nos. E, estranhamente, resultamos juntos, até gostamos de "nós" como um grupo. As personalidades e as circustâncias da vida fizeram - como fazem sempre, em todos os meios - que se criassem grupos, distâncias, ódiozinhos de estimação, embirrações pessoais que acabam por ditar separações para a "vida", muitas vezes completamente infundadas. Coisas tão simples como grupos formados na praxe, grupos das pessoas que fumam e portanto se juntam no exterior, grupos das pessoas que almoçam na sala de convívio... enfim, todo um conjunto de razões que fazem com que se juntem uns e se separem outros. 

Apesar de estarmos todos divididos por equipas, tivemos de nos juntar várias vezes e fazer a ponte entre umas funções e outras. Todos fomos obrigados a contribuir e interagir de alguma forma - eu, então, nem se fala. Tive de deixar os preconceitos de lado e meter-me no carro com pessoas com quem não tinha trocado mais de meia-dúzia de palavras durante ano e meio de faculdade; tive de falar com todos, de explicar aquilo que queria, de me chatear quando achava que era preciso, de os organizar quando era necessário. Eu tive mesmo de sair da caixa.

E, sinceramente, é esse o sentimento que fica. Mais do que ter orgulho em ter conseguido realizar um programa fantástico - digo-o, sem pudores, que acho que foi dos melhores que CC já viu -, tenho orgulho em tudo o que fiz, em todos os esforços e, acima de tudo, de ter mostrado mais de mim. Consegui, finalmente, mostrar quem sou. Que não quero ser só mais uma. Que não sou só a chata, a que não vai aos jantares de curso ou à queima, que é anti-praxe, que é sossegada e não faz mal a uma mosca. Que há mais para além dessa Carolina sisuda que todos achavam que conheciam e por quem já não nutriam esperanças. Arrisco-me a dizer que as expectativas, quando me ofereci para realizadora, eram mesmo muito baixas. E, no meio disto tudo, acabei por surpreender os outros e, muito mais importante!, a mim mesma.

No dia seguinte ao programa inundamos o facebook com a nossa foto de turma, com textos bonitos de homenagem e já de saudade. Fiquei... assoberbada. Sem palavras, mesmo. Ainda nem sequer respondi a alguns dos comentários que me deixaram, quase com medo de não ser verdade. Não fiz nada disto para palavras de agradecimento - nem sequer tinha noção que as pessoas se aperceberam de que eu tinha dado (mais do que) o litro para que tudo isto corresse como correu. Fiz porque estava gostar, porque era a primeira coisa neste curso que era realmente desafiante e onde senti que me podia fazer realizada (porque já percebi que o trabalho é das coisas que me deixa mesmo completa e feliz). Chegar ao fim e ter toda uma maré de elogios, até de pessoas que antes não deviam acreditar nem gostar minimamente de mim, foi algo que me comoveu até aos ossos.

Chego ao fim e vejo mais do que os meros colegas que antes tinha. Vejo-os como pessoas, com qualidades e defeitos, que conheço melhor, para além de preconceitos de treta. Fomos uma equipa e eu tenho tanto orgulho nisso! Foram dias realmente felizes para mim, apesar de todo o nervosismo. Não tenho dúvidas que o programa foi um ponto de viragem na minha vida universitária e foi mais uma barreira que ultrapassei, a nível pessoal, no que ao relacionamento das pessoas diz respeito. Tenho o coração cheio. Obrigada é a única palavra que me parece plausível neste momento. Fui mesmo muito feliz.

 

Deixo-vos o making of (versão alargada), o vídeo que mais adoro à face da terra e que já vi umas cinquenta vezes. Podem ver parte do processo de montagem do cenário, dos ensaios, das conversas, da régie, do programa de um outro ângulo e, claro, do fim... Voltava a fazer tudo do início.

 

 

25
Mai15

Fora da caixa - como foi

Carolina

Por um lado tenho uma torrente de palavras prontas a sair sobre o que aconteceu quinta-feira - muitas mesmo! Por outro, estou apertadíssima (e isto é um eufemismo) para entregar um trabalho até segunda, o que me está a dificultar muito a vida - tanto em termos de escrita, como de capacidade de resposta para conseguir deitar mãos a todas as pessoas que falaram (ou me adereçaram) durante estes três dias. E a verdade é que ainda estou nas nuvens e não consegui pousar o pé no chão também por isso - ainda não tive tempo de processar a informação, de chorar de saudade e porque aconteceu, de olhar para trás e perceber o que esteve bem e menos bem, de agradecer a toda a gente. Acho que só segunda é que me vai cair a ficha. 

Entretanto, e porque estou em abstinência de escrita há demasiado tempo, decidi ir compondo este post (que, muito provavelmente, vai sair gigante) à medida que faço intervalos do livro que tenho de ler para o trabalho - que são um tanto ao quanto frequentes uma vez que as letras pequeninas cansam-me, o inglês exige-me mais concentração que o normal e o sono começa a invadir-me sem pedir licença.

Sei que os leitores normais não gostam de publicações grandes, mas esta vai valer a pena. Acho importante começar a contar tudo, tim-tim por tim-tim, não desde quinta-feira mas sim desde quarta. Ora então.

 

QUARTA-FEIRA

Fim da montagem do cenário e ensaio geral

No dia anterior o cenário já tinha sido montado de acordo com aquilo que tínhamos imaginado - para isso, quase toda a turma veio carregada de caixas e fita-cola, no meio de comboios, metro e autocarro. Da primeira vez que entrei no estúdio e estava tudo a montar, desfazer e colar caixas, ia-me dando um colapso tal o nível excessivamente elevado de desarrumação, lixo e desorganização em que aquilo se encontrava. Achei que, mal um professor olhasse para aquilo, nos iam expulsar dali. Mas não. Na quarta ainda foram precisas mais algumas caixas (o que perfez uma conta total de 117 caixas) para que tudo ficasse como desejávamos e essa parte ficou rapidamente concluída - a ideia era formar uma parede de caixas, algumas abertas com coisas em tons de vermelho dentro. Funcionou bem.

O passo seguinte era o ensaio geral. Falei com os apresentadores para perceber o guião que tinham preparado, falei com os operadores de câmara para lhes dar a entender aquilo que eu queria que eles fizessem e aquilo que lhes poderia pedir desde a regie. E o ensaio foi... um desastre. Acho que saímos todos de cabeça baixa, a tentar desvalorizar o que se tinha passado e dizendo uns aos outros que "não tinha sido assim tão mau". Mas foi. Não mau, mas péssimo! A comunicação entre a regie e o estúdio estava a ser uma desgraça, a comunicação entre a minha assistente de realização com os apresentadores também, a gestão das câmaras também estava longe de ser brilhante. Depois de nos porem fora do estúdio, as pessoas nucleares juntaram-se numa reunião que durou até às 20h de modo a prevenir algumas das coisas que tinham acontecido nessa tarde. 

Posso dizer-vos, hoje, que a reunião deus os seus frutos e que, sem essa ela, as coisas tinham corrido muito mal. Mas isso não fez com que a memória daquele ensaio suavizasse. 

 

QUINTA-FEIRA

Mais um ensaio e dia do programa

A minha quinta-feira não começou quando acordei de manhã, estremunhada pelo despertador. Começou mesmo à meia-noite, quando comecei a sentir náuseas depois de ter comido qualquer coisinha. Estava a trabalhar, a ler o guião dos apresentadores e a correlacionar com o meu alinhamento quando me comecei a sentir assim - era exponencial, à medida que os minutos passavam eu ia ficando pior. Achei que era o cansaço extremo, fui-me deitar. 

Quando fechei os olhos senti-os estilo globo, em roda livre, girando livremente. Eu estava a enjoar mesmo de olhos fechados, sentia que tudo rodava à minha volta. Respirei fundo, deixei-me ficar até não aguentar mais. Tive de me levantar, com imensa dificuldade - mal me sentava (e, quando o fazia, estava provavelmente muito torta) e andar era só de lado. Só consegui parar na sanita e vomitar tudo o que tinha comido desde há umas horas atrás. 

Sentia-me péssima; roguei pragas a tudo, estava preocupadíssima com o facto de durante o dia não fazer aquilo com que me tinha comprometido. Não me conseguia levantar do chão e continuei a vomitar até me sentir melhor. Consegui ir até à cozinha fazer um chá, mas piorei entretanto e, com um medo enorme de desmaiar, chamei a minha mãe para me ajudar. Quando ela me trouxe o chá, bebi quatro colheres e virei o barco outra vez. Com quatro colheres de chá no estômago. Importa dizer que eu sou daquelas pessoas que tem imensa dificuldade em vomitar, que faço tudo ao meu alcance para não o fazer. Ter aqueles impulsos terríveis do estômago e não ter nada para deitar cá para fora só me deixava mais cansada. Ia adormecendo na casa de banho, mas a minha mãe convenceu-me a ir para a cama. Deitei-me de lado (eu nunca, nunca durmo de lado) e com a cabeça alta e, passado algum tempo, consegui dormir. Acordei exatamente na mesma posição, com o corpo estilo gelatina e uma falta de força incrível. Fui comendo aos poucos, para testar o estômago. Não sei como cheguei à faculdade - suponho que estava lívida como um fantasma, sem forças para nada e com umas olheiras até ao chão. Estava com um medo terrível de sucumbir na hora H. 

Felizmente, tudo melhorou ao longo da manhã. Tivemos tempo para mais um ensaio e, muito graças à reunião do dia anterior, tudo correu melhor. Na minha cara iam-se vendo as melhorias do panorama geral. Trazia rebuçados no bolso e uma termos com chá quente, bem doce, para me aguentar - e foi com isto que me alimentei nessa manhã. 

O pessoal estava organizado - eu mandava na régie (cheguei a mandar calar subtilmente os meus professores), a minha assistente de realização mandava no estúdio. Atrás da regie, no green room (com cadeiras, sofás e comida - muita comida!) estavam todas as outras pessoas da equipa, com um nervoso pouco miudinho, a fazer muita força para que tudo corresse bem. Para além do streaming (que queríamos fazer no youtube mas que, por falta de equipamento, não conseguimos - mas ficamos a tentar, literalmente, até ao último segundo) estava tudo pronto. Ah, esperem, não tudo. A um minuto do programa começar... faltava-nos o primeiro convidado.

É claro que já tínhamos notado isto há meia hora atrás. Pânico total, pessoas que achavam que iam desmaiar. Começamos a preparar tudo para termos só dois convidados e fazer uma mudança no alinhamento. De frisar que os apresentadores não tinham teleponto nem auricular, por isso o contacto com eles era feito apenas através da minha assistente de realização. E era 12h. E o programa tinha de ir para o ar. E o primeiro convidado que devia estar em estúdio... nem sequer tinha chegado. 

Temos filmagens da régie e as nossas caras eram de profunda tensão. Era o nosso primeiro programa, éramos (e somos) todos verdes nisto... e estávamos a mudar o alinhamento e a tomar decisões cruciais enquanto o programa decorria (e no tempo das reportagens, que era quando podia tirar os olhos das câmaras). Roguei pragas a tudo o que podia mas nunca perdi o foco - ainda hoje (porque não tive tempo) não sei aquilo que os convidados disseram; também não faço ideia do que se passou fora da régie nessa hora e nem sequer prestei atenção ao que se passava com os meus colegas. Era só eu e o ecrã. Só olhei umas duas vezes pela janela - uma delas foi quando me disseram que o convidado (que devia ter entrado em primeiro e acabou por entrar em último) tinha chegado. Só via pessoas a saltar e a festejar e... foi um alívio. Tudo mudou a partir daí.

Eu adorava tudo naquele programa. O design, o intervalo, os créditos, as reportagens... aquele genérico! Naquela altura não havia nada que me deixasse menos contente, que olhasse e pensasse "podia ter feito melhor" (se calhar, quando agora vir o programa na íntegra, já não vou achar o mesmo). Quando cheguei ao fim nem quis acreditar - por um lado feliz, com uma sensação de missão cumprida como nunca tinha sentido antes e, por outro, triste por perceber que tinha acabado. Saltamos de alegria, na régie e no estúdio. Houve abraços apertados, apertos de mão sentidos e muitos festejos. Todos ficamos felizes com o resultado final.

Em forma de comemoração, fizemos um lanche almoçarado, com direito a bolo feito pela minha tia e decorado por mim (que, diga-se, ficou lindinho e para lá de delicioso!) e muita comida que toda a gente trouxe de casa. Foi um bom convívio, óptimo para encher o meu estômago que estava demasiado vazio e reduzido a uma ervilha há horas demais. Seguiu-se a destruição do cenário, com as nossas 117 caixas a seguirem para uma instituição - acho que um bocadinho de nós morreu quando desfizemos aquilo que nos tinha dado tanto trabalho. Foi a plena sensação de fim... que tinha mesmo acabado.

À noite fomos (quase) todos jantar e descontrair e no dia seguinte estávamos tão lamechas que ninguém nos podia aturar. Quero partilhar isso aqui, mas num outro post, com o devido destaque. Foi um par de dias de uma alegria imensa, não cabia em mim de tão contente que estava. Quero deixar essa sensação registada aqui, para a vida, de forma a lembrar-me de que estas coisas e estes momentos inesperados acontecem mesmo. Ainda estou a ressacar de felicidade.

 

Para já, fiquem com o programa e deixem o vosso feedback!

 

 

27
Mar15

La Dolce Rita & Girly Things

Carolina

Há algumas semanas que a minha veia de pasteleira se tem aguçado. Ando em dieta (ou em controlo, talvez seja melhor chamar assim, ah ah ah), mas comer com olhos ainda não engorda. Foi em boa hora que descobri o canal do youtube da La Dolce Rita, da chefe Rita Nascimento, que passei a adorar mal pus os olhos no primeiro vídeo.

São sempre vídeos super bem-dispostos, com receitas maravilhosas e feitos com uma descontração contagiante (até a mim me apetece filmar coisas!). Já vi todas as receitas, truques e dicas disponíveis no canal e agora todas as quintas-feiras estou lá, a ver um vídeo novo e a babar para o ecrã. Já fiz a receita das panquecas, dos torrõezinhos de açúcar, dos ovos moles e da omeleta de claras: ficou tudo para lá de divinal. Ah, e também já aprendi os dez pontos do açúcar, algo que qualquer doceiro que se preze deve ter em mente! Se gostam de pastelaria, aconselho imenso - para além de babarem, ainda se vão rir pelo caminho!

Por outro lado, quem edita e filma os vídeos da La Dolce Rita é a Cristina da girly things, que tem uma loja online com coisas giríssimas - óptimas para prendas durante todo o ano! Eu aproveitei esta descoberta para despachar duas prendas obrigatórias de Março - a do dia do pai e do aniversário de uma amiga. Ofereci a ambos uma caneca: a do pai com a frase "este é o melhor pai do mundo" e a da minha amiga com o nome personalizado e os desejos de um bom dia (como podem ver abaixo). Pelo que sei, a missão foi cumprida e os dois adoraram o presente!

Ficam as duas sugestões: uma para um fim-de-semana mais delicioso e outra para fazer alguém feliz! Há lá coisas melhores?

 

page2.jpg

 page.jpg

(fotos das canecas tiradas do site da girly things)

15
Jan15

Queriam um vídeo da zumba?

Carolina

Comecei a fazer zumba há coisa de um ano e meio. Primeiro num ginásio, devagar e irregularmente, de forma muito obrigada (obrigava-me a mim própria) e depois, quando mudei de ginásio, passei a ir certinho, duas a três vezes por semana. Ganhei-lhe o gosto, e é uma coisa de me orgulho imenso, pois toda a gente sabe o enorme "trauma" que tenho com a dança.

Ao longo do ano passado, a zumba serviu para canalizar a energia para o lado certo e evitar bater em alguém, serviu para me rir muito de mim própria, serviu para aprender a não desistir mesmo quando algumas aulas parecem o inferno em terra, serviu para ganhar uma resistência e uma coordenação motora que não sabia existir em mim e, claro, serviu para queimar muitas calorias. É claro que continuo a detestar ver-me dançar e ai de quem me puxe para uma pista de dança ou para dançar o que quer que seja fora das aulas. Tudo o que tenho, de mau e de bom, fica dentro daquelas quatro paredes com espelhos. Porque a coordenação pode estar melhor, porque a timidez pode ter baixado um bocadinho a guarda, mas continuo a ser a Carolina-que-teve-três-anos-de-aulas-de-dança-que-a-traumatizaram-para-a-vida.

Ainda assim, já me pediram muitas vezes - aqui incluído - para me verem a dançar zumba. Já há, por essa net fora, dois ou três vídeos comigo a dançar, mas nunca me senti confortável para os mostrar, a não ser à família mais próxima. Mas esta semana gravamos mais um, com uma música e uma coreografia que gosto muito e com um dos melhores professores que já me deu aulas, por isso aqui fica. Têm é de me encontrar. Eu engano-me mas, se virem bem, também me rio (e sorrio). É o mais importante. Sintam-se na liberdade de se rirem também das minhas figurinhas. 

 

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  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

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